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Visualizando o capítulo:

18. Delírios


Fic: A decisão de Hermione Granger


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Thai........,valeu pelo comentário.... espero que goste dos proximos capítulos.... bjusss


Capítulo 18 - Delírios




"Como você pode ver através dos meus olhos como portas abertas


direcionando você até minha essência


Onde estou tão intorpecida


Sem uma alma


Meu espirito está dormindo em algum lugar frio


Até que você o encontre lá e o traga de volta pra casa"


 


 


 


 


Seus passos não faziam barulho por mais que praticamente corresse pulando de dois em dois degraus. O alto teor de álcool o impediu de continuar andando e ele parou, bem diante da grande porta da ala hospitalar, ou o verdadeiro motivo dele ter parado ali sem entrar com tudo naquele lugar seria por que tinha medo de saber como ela estava lá dentro? Tinha receio de vê-la, de falar com ela, ver o sofrimento em seus lindos olhos. Ver que ela sabia de tudo, que tinha sentido tudo de alguma forma que ele não sabia como. Hermione não era legilimens e não tinha uma cicatriz que a ligava a ele. Então como poderia saber de tudo que ele fazia,ver tudo que ele fazia, viver tudo que ele vivia?


Sem se prender em perguntas que não conseguiria responder facilmente ele girou a maçaneta devagar e entrou na ala hospitalar. Estava tudo escuro e o vento gelado entrava pela única janela aberta, nem ao menos tinha reparado que já era noite. Silenciosamente ele fechou a porta e ficou parado tentando respirar corretamente. Seus olhos estão fechados como se fossem um pedido de desculpas, como se quisesse sentir que aquilo tudo não era real, que jamais tivesse entrado naquele quarto, muito menos que a culpa de tudo aquilo era dele.


Mas cada vez que respirava, constatava que estava vivo, que estava ali naquela carcaça de homem, que era ele e tudo o que viveu, aquela mortes e aquelas dores, eram reais. E era real também a voz que o chamava. Uma voz doce, baixinha que entrava pelos seus ouvidos como uma música de ninar. Ela vinha do fundo da ala, tão baixinha, quase chorada.


- Severus.


Ele abriu os olhos e engoliu em seco dando um passo após o outro em direção a uma área isolada da enfermaria. Cada passo era uma imagem dela que era distorcida em sua mente. Uma menina tão linda, tão bela e cheia de vida. Agora aquela mesma menina estava deitada naquela cama dura e desconfortável com apenas uma fina manta para cobrir-lhe o corpo frágil. Vê-la assim fraca e vulnerável, era como se ao invés do copo de wisky o que estivesse quebrado fossem os restos de seu coração, os cacos que sobraram, aqueles míseros pedaços que procuravam nela um motivo para continuar batendo. Chegou mais perto vendo o rosto dela descansando nos travesseiros com seus cabelos volumosos esparramados pelo colchão.


- Severus.


Ela chamou e ele achou que seu nome ficava muito bem naquela voz. Aproximou-se e sentou ao lado dela na cama, apertou o peito quando a dor intensificou-se e fechou os olhos esperando aquilo passar. Com desespero, um sentimento que jamais deixaria transparecer para os outros, pegou a mão pequena e sentiu-a quente e suada. Não havia reparado, mas ela tremia levemente o corpo. Com carinho estendeu a mão e tocou em suas bochechas, estavam quentes, depois levou a mão até a testa suada. Estava muito quente, o nível de febre de Hermione a fazia ter delírios.


- Severus.


 


Acorde-me


Acorde-me por dentro


Eu não consigo acordar


Acorde-me por dentro


Salve-me


Chame meu nome e salve-me da escuridão


Acorde-me


faça meu sangue correr


Eu não consigo acordar


Antes que eu me desfaça


Salve-me


Salve-me do nada que eu me tornei


 


Ela o chamou apertando sua mão. Seu corpo tremeu mais forte. Snape afastou os cabelos molhados que grudavam em sua testa suada e acariciou suas bochechas sentindo a culpa pelo estado dela começar a corroê-lo por dentro, precisava ajudá-la.


- Severus...por que? Dói.


- Calma, eu vou fazer passar, eu prometo que vou fazer passar.


Snape aproximou-se e encostou os lábios frios nos quentes dela sentindo uma eletricidade passar por seu corpo ativando todos os sentimentos que tentara guardar dentro de si, igualmente rápido se afastou e levantou-se passando o braço por baixo de seu pescoço, porém naquele momento ouviu passos vindo pelo corredor. Logo as portas abriram e Robert Laine passou por elas indo em direção a cama de Hermione. Mas ele parou no meio do caminho, tombando duro para o lado. Snape apontava a varinha para o jovem de um canto escuro da ala. Sem dizer qualquer coisa pegou uma manta de uma das camas e jogou em cima do corpo petrificado.


Após verificar que Madame Pomfrey não escutara o barulho do corpo de Robert caindo, Snape  foi de novo até a cama da menina e a pegou em seu colo, os braços finos agarraram-se ao pescoço dele e sua voz trêmula o chamava desesperadamente enquanto tremia.


- Eu estou aqui. – Disse Snape baixinho em seu ouvido. – Vou cuidar de você.


Colocando um feitiço de desilusão neles, Snape saiu da enfermaria em direção aos portões do castelo, a noite estava fria e seus braços doíam pelo peso do corpo de Hermione, mas ele continuou até o ponto em que os feitiços da escola não atingiam o terreno. Antes de aparatar olhou novamente para a menina agarrada em seu pescoço, precisava sair dali o quanto antes. A levou para um lugar seguro, um lugar onde ele poderia vê-la a todo tempo, poderia cuidar dela como deveria ser cuidada. Sentia a pele dela queimando, os tremores aumentando. Os delírios começaram quando ela se agarrou a ele com mais força balbuciando palavras desconexas.


- Droga. – Sibilou entre os dentes.


Desaparatou diante de uma mansão escondida entre árvores grandes, correu pelo jardim sentindo-a soltar o peso em seus braços, estava começando a desmaiar completamente. Antes mesmo de chegar à porta, ela se abriu e ele entrou correndo escada acima até o quarto principal onde encheu a banheira com água gelada e gelo. Devagar a baixou colocando suas pernas na água, mas seus braços não o deixavam, por mais que ele tentasse, ela não soltava.


- Não. – Dizia fracamente. – Fique comigo.


Os olhos dela permaneciam fechados e Snape achou difícil não aceitar o pedido. Segurando-a forte colocou um feitiço em si mesmo para não se molhar nem sentir o frio da água e entrou na banheira colocando-a em seu colo e abraçando sua cintura. A cabeça dela descansava em seu ombro, cheirava tão bem, morangos frescos, recém colhidos. Era tão macia, tão sensível e frágil. Uma menina, mas uma menina que amava e já não era capaz de negar esse sentimento.


Alguns minutos depois a temperatura diminuiu e ele a levou para o quarto, a secou magicamente e a deitou na grande cama com lençóis negros. Ela ainda tremia e estava quente, a cobriu com um lençol fino e saiu do quarto por um instante voltando com um frasco com uma poção vermelha nas mãos.


- Vamos senhorita Granger abra a boca.


Hermione tomou a poção e adormeceu quase instantaneamente sendo levada para seus pesadelos. As mesmas imagens a mesma dor. Snape colocou o frasco na escrivaninha ao lado da cama e respirou fundo vendo o peito dela subir e descer em um ritmo constante. Estava cansado, mas não pregou o olho momento algum enquanto ela começava a gritar chamando por ele.


- Estou aqui. – Respondia a cada grito segurando a mão frágil que tremia.


Os gritos pioraram conforme a febre avançava e Snape não sabia mais o que fazer enquanto a olhava se contorcer em sua cama e gritar chamando seu nome. Em outro ato de desespero se deitou ao seu lado na cama e a abraçou sussurrando em seu ouvido.


- Estou aqui, estou aqui. Hermione vai ficar tudo bem, eu vou cuidar de você.


 


Agora que eu sei o que me falta


Você não pode simplesmente me deixar


Dê-me fôlego e me faça real


Traga-me para vida


 


Era uma dor insuportável vê-la arqueando o corpo de dor e gemendo alto como se seu corpo queimasse. Falava coisas sem nexos e no meio delas apenas o nome dele era entendido. Delírio completo conforme a noite passava. Snape apenas permanecia deitado ao seu lado abraçado ao seu corpo quente acarinhando suas bochechas. Seus olhos estavam desfocados, seu corpo estremecia, sua voz quebrava quando novamente chamava por ele.


- Severus. – Sempre dizia. – Por quê?


Ela ofegou, tremeu, gritou até que finalmente o cansaço venceu a mente e ela parou, descansando o corpo exausto. Snape sentia o peso de dois dias em claro e seus olhos começavam a pesar, mas antes de cair no inconsciente uma lágrima singela de culpa caiu de seus olhos pousando no ombro de Hermione. Os dois dormiram, abraçados e cansados pelo restante do dia.


 


Congelada por dentro, sem seu toque, sem seu amor


Querido, somente você é a vida entre os mortos


 


Todo esse tempo, não posso acreditar que não pude ver


Mantido na escuridão, mas você estava lá na minha frente


parece q eu estive dormindo há mil anos


Tenho que abrir meus olhos para tudo


Sem um pensamento, sem uma voz, sem uma alma


Não me deixe morrer aqui, deve haver algo mais


Traga-me para vida

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Comentários: 1

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Enviado por Thaiana Tolkki Snape em 12/11/2012

Capítulo lindo e desalentador ao mesmo tempo. Severus mais do que maravilhoso cuidando dela. Pobre Mione, agora é esperar que os delírios passem.

Quero mais ;D

Nota: 5

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