Capitulo 60
Segredos antigos
Dumbledore, Rony e Gina assistiam quietos Hermione tocar a penseira.
Fora insistência de Harry que eles ficassem. Mesmo depois de Rony insistir que ele deveria ficar só, que aquele era um momento somente dele, ainda assim ele quis que ficassem.
Era uma sensação nova e estranha para Rony e Gina que nunca antes estiveram em contato com uma penseira. Rony segurou a mão de Hermione, a seu lado enquanto observa o ambiente a sua volta.
Era um belo quarto decorado com papel de parede amarelo claro. Era pequeno e aconchegante. Havia uma cama de casal no canto, e um berço improvisado. Uma cadeira de balanço e estava vazio.
A brisa de um dia frio entrava pela janela e Rony, assim, como Hermione, saltaram uma respiração ao verem a porta se abrir.
Embora estivessem no meio do quarto, obviamente nenhum dos transeuntes os viu. Tiago Potter entrou apresado, direto para a janela, baixando o vidro e virando sorridente para sua companhia.
-Assim está melhor? – ele perguntou claramente provocativo.
-Bem melhor, Tiago – Lílian disse em tom suave, entrando com um embrulho nos braços. – Agora desça e agradeça Ingrid pelo cuidado com o quarto.
-Isso, mande em mim –Tiago reclamou aproximando-se dela e lascando um suave beijo carinhoso.
Foi possível notar o suspiro de contentamento de Lílian quando ele se afastou. Acariciou aquela trouxinha entre os braços de Lílian e saiu encostando a porta.
Lílian andou a passos lentos até a cadeira de balanço e sentou-se, afastando o tecido de algodão. Havia um bebê de poucos dias de nascimento, Harry.
Ela ficou ali muitos minutos apenas ninando-o. mesmo quando ele choramingou em seus braços ela não se abalou.
Pouco depois, Tiago voltou com expressão contrariada. Parecia frenéticos.
-Temos que ir embora – ele disse em alerta, olhando para ela com um sentimento de proteção. – Sirius está lá embaixo. Ele já sabe onde estamos!
-Quando isso vai acabar, Tiago? – Lílian perguntou, segurando seu braço com expressão de sofrimento.
-Quando ele estiver morto. – Tiago disse, segurando seu rosto entre as mãos e beijando sua testa. – Ele irá atrás de nós dois, Lílian. Precisamos deixa-lo com Ingrid.
-Não – Lílian se afastou negando-se ao obvio. – Eu não posso deixar Harry sozinho!
-Harry estará com Ingrid e Sirius. A casa está protegida. Lílian, me ouça. Voldemort está atrás de nós e crê que não o deixaremos para trás. Aqui, sem mais membros da Ordem, não podemos defende-lo. Levemos esse desgraçado a uma pista errada, e demos uma chance a Harry sobreviver.
-Mas, Tiago... – ela abraçou o filho com mais força, os olhos marejados.
-Eu sei – Tiago tocou a cabecinha do bebê e havia dor em seus olhar – Não podemos fraquejar agora, Lílian.
-Me dê um minuto, por favor...
Tiago saiu do quarto com um ultimo olhar sofrido e Lílian colocou Harry no berço, acariciando seu rostinho com lagrimas correndo nas faces.
-Eu quero que saiba, Harry, caso não voltemos para busca-lo, que é minha vida. Minha e de seu pai. Eu não sei quanto tempo teremos juntos, ou se venceremos. Eu só sei do tamanho do amor que sinto e o quanto quero estar a seu lado. – seus lábios tremeram, mas ela não deixou de acarinha-lo - Você veio por acaso, uma linda surpresa para nós dois. nunca, Harry, não importa o que aconteça, jamais duvide do quanto eu te amo. Do quanto eu e seu pai lutamos por você.
Lílian parou de falar, como se as palavras lhe faltassem, e apenas permitiu-se tocar o pequeno Harry.
-Se um dia, Harry, seu pai e eu lhe faltarmos, e não possa contar com nosso amor e nossa proteção, eu quero que saiba que há dentro de você todo o poder para vencer e ser alguém de bem. que o maior desejo da nossa vida, é que seja feliz. Que siga em frente e nunca tenha medo de amar e ser amado. Tudo que desejo, meu amor – o choro irrompeu, mas ela segurou, cobrindo os lábios com uma das mãos, para não deixar o pequeno Harry agitado – É vê-lo um homem feito e vitorioso. Sei que será importante para a vida de muitas pessoas, como seu pai é. Apesar das dificuldades eu faria tudo de novo, Harry. Ter você e seu pai. Foi a maior das alegrias da minha vida. – vendo seu bebê fechar os olhinhos adormecendo, Lílian sorriu entre as lágrimas e se curvou sobre ele, depositando um beijo em sua testa – Durma com os anjinho, Harry, eu te amo.
Ela se afastou do berço e do quarto, mas ao parar na porta olhou em volta, como se procurasse algo.
Hermione apertou mais firme a mão de Rony ao notar que a Lílian do passado olhava para o lugar onde Harry estava, de pé, olhando para ela. Como se pudesse realmente vê-lo, ela sorriu e saiu fechando a porta.
As imagens em volta enfraqueceram e Hermione apertou mais forte a mão de Rony quando sentiu-se ser puxada de volta para a realidade.
De volta a sala de Dumbledore, Hermione olhou para Harry, que permanecia de pé no mesmo lugar, olhando para um ponto vazio.
Gina havia se aproximado e tocava seu ombro de leve atraindo sua atenção.
Talvez estivesse apenada, ou apenas amedrontada pelas emoções que aquelas imagens pudessem despertar em Harry.
Alivio marcou a expressão de Rony e Hermione quando ele apenas estendeu a mão e acariciou os cabelos de Gina, puxando-a para si, para um forte abraço.
Hermione olhou para Dumbledore que estava distante dando o espaço necessário a Harry. Olhou então para Rony que a olhava de volta.
-Tudo vai ficar bem – ele sussurrou em seu ouvido, beijando sua face delicadamente.
-Espero que sim, Rony. – disse com sinceridade. – Espero que sim...
Apesar do abatimento que Hermione sentia, Harry não parecia dividir com ela essa angustia.
Pouco depois, quando saíram da sala do diretor, e subiram para a sala comunal, ainda no caminho, Harry sussurrou algo para Gina e os dois ficaram envergonhados, olhando para Rony e Hermione.
Hermione percebeu os olhares e precisou abafar um sorriso antes de fazer Rony parar e cochichar algo em seu ouvido.
-Ah, nos vamos resolver um problema na biblioteca – Rony disse para a irmã e o amigo, tentando não corar – E vocês dois, para a sala comunal – ele avisou – Não me faça ter que quebrar sua cara, Harry. – alertou.
Eram amigos, mas Harry não testaria sua amizade. Os dois observaram os amigos saírem apressados pelo corredor e então Gina riu:
-Ainda bem que temos Hermione. – abraçou o namorado pela cintura. – O que seria de nos com Rony atrás da gente?
-Eu não sei, mas tenho certeza que ele nem pensa mais em nós – ele brincou sorrindo – E que com toda certeza do mundo, não estão indo para a biblioteca.
-Por isso que eu te amo, Harry. Porque é um cara esperto.
Harry conseguiu esquecer todas as suas obrigações e tristezas ao correr com Gina pelos corredores, em direção a sala precisa, ambos rezando secretamente para Hermione e Rony não terem tido a mesma idéia.
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