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ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

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3. Estranhas Sensações


Fic: Uma Promessa Para a Eternidade


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Música: Goo Goo Dolls - Iris


Capitulo Três: Estranhas Sensações.


And I'd give up forever to touch you
'Cause I know that you feel me somehow
You are the closest to heaven that I'll ever be
And I don't want to go home right now



XxX


“E eu desistiria da eternidade para tocar você. Pois eu sei que de algum modo, você me sente. Você é o mais próximo do céu que eu jamais estarei.
E tudo que eu posso provar é este momento...
E tudo que eu posso respirar é a sua vida...
Porque mais cedo ou mais tarde isso iria acabar, eu só não quero sentir a sua falta essa noite.
E eu não quero que o mundo me veja, porque eu não acredito que eles entenderiam. Enquanto tudo é feito para ser quebrado, eu só quero que você saiba quem eu sou”.




XxX

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- Como? - Ela notou a ruiva morder o lábio inferior num gesto que denunciava que ela estava planejando alguma coisa. - Gina, no que você está...
- O agarre!
-... Pensando em... O QUÊ?!



XxX





- Você enlouqueceu de vez Gina?


Hermione estava afoita. Onde já se viu. Ela? A garota mais certinha, mais sensata, agarrar Rony Weasley? Nem mesmo sobre a pior tortura que poderia existir no meio do Mundo das Trevas!


Ela o amava, mas não tinha perdido a razão a ponto de cometer uma loucura como aquela. Era ser muito, mas muito cara-de-pau, e isso ela tinha que admitir humildemente que não tinha nem um pouco.



Olhou para a ruiva a sua frente que sorria de maneira tão traiçoeira que Hermione realmente temeu que Gina fosse fazer alguma coisa.



Não era segredo para ninguém e muito menos para ela o que Virginia Weasley era capaz d fazer. Com cara de anjo e o gênio dos gêmeos a garota era um verdadeiro perigo. Mentalmente Hermione rezou pela alma de Harry. O amigo não sabia que tipo de cacos e vidro estava pisando, apenas esperava sinceramente que ele saísse vivo daquela pura aventura.



- Por quê? – Gina perguntou de forma descontraída. – Ora, Hermione, vai dizer que você nunca pegou um garoto pelo colarinho, o jogou de encontro à parede e...



- Lógico que não! – Hermione exclamou quase horrorizada. Engolindo em seco ao ver os olhos da ruiva a sua frente se abrirem no tamanho de dois pratos. – Vai me dizer que você já fez isso?



Gina sorriu de canto.



- Quer uma lista?



- GINA! – seu tom de voz saiu mais alterado que ela esperava e por isso, tossindo algumas vezes, Hermione tentou se manter neutra: - Espere só o Harry saber disso! Ele vai correr atrás desses garotos como se fosse a própria morte.



Gina deu de ombros, antes de rir divertida com a visão de Harry cerrando os olhos e crispando os lábios numa careta revoltada e furiosa se ouvisse aquilo. Era inacreditável como ele era ciumento e incrivelmente possessivo em relação a ela. E aquilo lhe deu uma sensação gostosa no estomago. Quando eles ainda nem tinham chegado a dar um único beijo, Harry tinha um relacionamento um tanto que mecânico com as outras garotas de Hogwarts. Seu braço sempre estava na cintura delas, mas ele jamais sorria, ou se mostrava interessado em ter um relacionamento mais duradouro. Mas com ela...



As coisas eram completamente diferentes. Harry parecia sentir uma necessidade tremenda em protegê-la de tudo e de todos. O braço dele não servia apenas para lhe abraçar a cintura, mas também para lhe puxar em direção ao corpo dele, onde seu queixo repousaria sobre sua cabeça. E ao lado dela, Harry sempre demonstrava um sorriso. Pequeno. Mas, ele estava lá. Os olhos verdes reluzentes como duas jades banhadas pelos raios de sol.



Por alguma razão, Gina sabia que trazia uma certa vivacidade, um sentido para a vida de Harry, e o mesmo ele fazia com ela.



- Não pensei que você fosse tão ousada. – Hermione comentou eufórica, tirando-a de seus devaneios.



Gina ergueu uma sobrancelha e abraçou os próprios joelhos de encontro ao peito.



- Eu chamaria essa atitude de; “Curtir a vida sem perder tempo”.



- E eu chamo de; “Saia da frente que o furação está chegando. Garotas, tranquem seus namorados em algum lugar e os protejam!”.



Tanto Gina quanto Hermione riram com aquele comentário bobo, mas divertido a ponto de deixá-las com dor de barriga causadas pelas gargalhadas.



Elas se contorceram para frente e quando as risadas pareciam ter cesado, fora apenas elas se olharem que voltaram a rir extasiadas.



- Assim você me faz parecer uma predadora. Para não dizer outra coisa pior. – Gina falou, colocando uma madeixa ruiva atrás da orelha, não se importando que a parte ao arredor de seus olhos estivesse úmida.



Hermione balançou a cabeça, seus cachos lhe roçando pela pele do rosto alva e delicada.



- Claro que não, na verdade... - suspirou e enviou a ruiva um sorriso fraco. – Eu invejo esse modo que você aproveita cada segundo, como se o amanhã não fosse existir mais. Eu sempre dei tanta importância para os estudos, me sobressair sobre os outros alunos, e ter o maior nível de conhecimento que acabei esquecendo o mais importante; viver.



Gina descruzou as pernas e se aproximou da amiga, colocando sua mão sobre a dela.



- Pensei positivo, Mi – começou, abrindo um largo sorriso. – Você será uma defunta inteligente!



Hermione girou os olhos e riu.



- Seu humor negro é impressionante, Gina. Ainda mais em momentos como este. Só falta você me dizer que os vermes da terra dançaram valsa sobre o meu cérebro!



- Não. Eu não seria tão dramática. Meu humor negro é inofensivo. – Hermione ergueu uma sobrancelha, desconfiada.



- Você acaba de me classificar como uma defunta gênio, sendo que eu ainda estou viva, e diz que isso ainda é ser inofensiva? – fez uma careta. – Por Merlin!



- Ora, Mione, não mude de assunto. É melhor defunta gênio do que defunta virgem.



Fora a fez dos olhos da morena se arregalarem. Sentando-se melhor sobre o parapeito da janela e aproximando seu rosto do de Gina, Hermione perguntou cautelosa:



- O que você está querendo dizer com isso? – Apenas pelo sorriso maroto e o brilho malicioso nos olhos da ruiva deu a confirmação que ela estava precisando para responder a sua pergunta. Atônita exclamou: - Não!



- Sim! – Gina respondeu, animada.



- Você e o Harry...



- Sim!



- Mas, você é virgem...



- Sim... Bem, quero dizer, não sou mais. – ela tentou brincar, notando a boca da amiga ir se abrindo cada vez mais.



Hermione levou às mãos a cabeça.



- Imagina a confusão que vai ser se seus irmãos descobrirem isso. – Gina inclinou um pouco a cabeça, suas sobrancelhas se unindo num gesto debochado.



- Acredito que a época em que as mulheres usavam cinto de castidade já foi abolida, e está fora de moda. E meus irmãos não têm que saber disso. Eu não pretendo contar. Além do mais, isso esta referente apenas a mim, pois se trata de uma escolha minha.



- Mas, o Rony... Ele é o melhor amigo do Harry. Você acha que ele não vai contar?



A calma da ruiva estava começando a deixá-la irritada. Gina lidava aquilo tudo com maturidade e despreocupação! A garota encostou-se no parapeito e puxou o rabo-de-cavalo para frente, fazendo o pequeno monte de fios ruivos caírem sobre um de seus ombros, e assim começou a passar a mão sobre eles, alisando-os com a ponta dos dedos.



- O Harry parece gostar bastante da vida dele. – Gina garantiu, lhe enviando uma piscadela.



Hermione estava preste a arrancar os próprios cabelos.



- Gina, eu ainda não...



- Mi, feche a boca, você está parecendo uma truta!



E ela estava mesmo pasma com tudo aquilo! Como não poderia estar. Era quase humilhante saber que Gina, um ano mais nova, já havia se entregado a pessoa que amava, desfrutado do prazer máximo que um homem e uma mulher poderiam desfrutar juntos, enquanto ela, a Grande Cérebro do Trio Maravilho ainda se mantinha inexperiente em relação ao que se tratada de beijos!



Claro que já havia beijado alguns garotos, Vitor Krum era um deles, e isso foi em seu quarto ano, mas... Se Harry e Gina já estavam naquele estágio de relacionamento, e ela e Rony nem ao menos tinham se dado as mãos, era iria transar com o ruivo quando?



Maldição! Eles nem estavam se falando, e ela estava nutrindo aqueles pensamentos maliciosos e pervertidos – apenas esperava que a noite, sua imaginação não desse asas e lhe enviasse cenas fervilhantes que a deixaria completamente tremula e ofegante. Porcaria, como iria olhar para a cara de Rony agora sem conseguir pensar como ele seria por debaixo das vestes? -. Por alguma razão, o quarto começou a ficar quente. Muito quente. E ela abriu os primeiros botões de sua blusa, tentando recuperar um pouco o fôlego.



Pelo jeito era teria que se contentar com a idéia que seria uma defunta gênio e virgem. Caixão branco não seria tão ruim assim, apenas deprimente. Que otimismo para o fim de sua vida. Com certeza, iria encerrá-la com chave de ouro.



- Muito obrigada Gina, isso agora me deu mais coragem para agarrar o Rony. – resmungou, jogando as pernas para fora do peitoral e começando a caminhar pelo quarto. – Você tem noção do que eu teria que fazer para, apenas, encostar na mão do seu irmão?



Gina assentiu.



- Parar de ser uma CDF certinha e racional e uma vez na vida agir de forma impulsiva? – Hermione já havia entreaberto a boca para continuar com a sua linha de argumentos quando Gina a interrompeu, pegando-a desprevenida.



Sentiu a voz falhar em suas cordas vocais por um mero instante antes de erguer a mão com o dedo indicador esticado como se fosse uma varinha perigosa.



- Que mal há em ser uma CDF certinha e racional? Pelo menos eu sei onde estou pisando!



- E que graça isso tem? – Hermione franziu o cenho e abaixou a mão, lentamente, em um movimento tão suave quanto o de uma pena flutuante.



- Como?



Gina girou os olhos e balançou a mão no ar, como se aquilo fosse extremamente obvio e claro como água.



- Mione, pensa comigo. Por você, você iria abrir milhares de livros relacionados a beijos e fazer uma estatística de quantas garotas meu irmão beijou, depois faria uma enquete para ter certo numero de potencial se o Rony beija bem ou não. Assim, por meio desses dados você iria coletar um pouco da saliva dele, provavelmente lhe roubando a escova de dentes, para saber se ele contém alguma doença contagiosa...





- Não exagera.



- Okay, desculpa, eu me empolguei. Mas vai negar que a parte dos livros está errada.



Hermione encolheu os ombros, desolada e jogou-se de costas na cama de Gina, seus olhos fixos nas rachaduras do teto.



- Eu sou tão patética assim?



Pela primeira vez Gina sentiu dó da amiga e erguendo-se caminhou até ela e deitou-se ao seu lado e começar a brincar com os cachos sedosos dos cabelos castanhos.



Gina observou-a e notou como Hermione era bonita e apenas um Rabanete com Sardas como Rony para não cair de quatro pela garota.



Hermione não era mais a menina de onze anos, dentuça e com cabelos extremamente rebeldes que entrou em Hogwarts. Ela não era aquela menina gordinha e orgulhosa, não se deixando abalar por suas origens de sangue. Ao longo dos anos, Hermione cresceu e se tornou uma garota linda.



Um corpo com curvas e perfeito para o toque de um homem. Maduro e firme. Magra, alta e voluptuosa. Uma boca vermelha como uma pétala de rosa, bochechas rosadas, nariz arrebitado e dentes perfeitos – graças a seus pais, dentistas -. Os olhos eram num tom castanho, como chocolate derretido que se tornavam meio avermelhados no sol. Os cabelos chegavam quase à altura dos seios redondos e cheios. Castanhos claros, ondulado.



Como Rony podia resistir aquilo?



Além daqueles atributos, Gina não pode deixar de levar em consideração que Hermione era extremamente inteligente e audaciosa. Qualquer garoto com cérebro gostaria de ter uma namorada como ela.



E desde quando o meu irmão tem um cérebro? Aquele Repolho Roxo tem uma ervilha dentro daquela cabeça! Se não for algo menor como um grão de arroz. Pensou revoltada.



- Você não é patética – disse, encaixando o queixo entre as mãos. – Apenas uma garota tímida e orgulhosa que não sabe como agir em relação ao meu irmão que é um Pimentão estúpido e tapado.



Hermione balançou a cabeça e desviou os olhos das rachaduras e fitou a ruiva deitada ao seu lado.



- Acho que eu e o Rony somos dois idiotas. - Gina pareceu bastante surpresa com aquilo e só faltou pular na cama de tamanha alegria com aquela declaração repentina.



- Espera. Você poderia repetir isso? Eu preciso gravar para guardar de recordação! Céus! O mundo vai acabar hoje é isso? – ela estava quase saltando da cama quando a morena lhe agarrou as vestes e a puxou de volta para cama, onde caiu deitada como uma boneca de pano.



- Não seja boba. Estou sendo racional. – Gina ergueu uma sobrancelha. – Ah, eu fui assim minha vida inteira, você não espera que eu mude de uma hora para outra não é mesmo? – Gina pareceu considerar aquilo e pensou brevemente sobre o assunto antes de dizer:



- Temos um mês até o casamento do Gui, por isso, acho que até lá você consegue se preparar emocionalmente e claro, mentalmente.



Hermione tapou o rosto com as mãos, mostrando como estava abalada com aquilo tudo.



Jamais fora ousada. E a idéia de colocar Rony contra a parede lhe parecia assombroso. Ele que jamais tomara esse tipo de atitude... Inferno Sangrento. Será que existia alguma coisa naquela vida que ela não faria por aquele ruivo sardento?



- Eu não sei se vou conseguir. – murmurou com a voz abafada pela palma de suas mãos.



Rindo, Gina lhe destampou a face e olhando-a de modo penetrante, falou com um tom confiante:



- Você vai conseguir.



- E se ele me der um fora? – A face de Gina endureceu como uma pedra.



- Ai eu terei que matá-lo. Aceito ter um irmão idiota, mas gay nem por mil galeões.



Hermione riu com aquele comentário.



- Espero que tudo dê certo. – Gina lhe enviou um novo sorriso, mais brilhante do que o anterior.



-Isso, minha cara Hermione, teremos que descobrir.





And all I can taste is this moment
And all I can breathe is your life
'Cause sooner or later it's over
I just don't want to miss you tonight






Não demorou muito para que a Senhora Weasley chamasse todos para almoçarem. Rony foi o primeiro a entrar na cozinha, chegando à velocidade de um tornado descontrolado, parecendo imensamente satisfeito por finalmente tampar o buraco em seu estomago. A fome estava quase o matando.


Harry vinha logo atrás, balançando a cabeça como se tivesse ouvido ou pensando em alguma coisa extremamente idiota.



Ao se sentarem, Molly começou a servi-los, cantarolando uma música bruxa antiga, e quando estava terminado o prato gigantesco de Rony, Hermione apareceu, passando pela porta com sua melhor cara. Como se nada houvesse acontecido e a conversa que ela teve com Gina, uma hora atrás, nunca tivesse existido assim como a discussão dela com Rony que tentou ignorar a presença dela e o perfume adocicado que lhe penetrou nas narinas, deixando-o um pouco enternecida com aquilo.



Harry foi o primeiro a notar a ausência de Gina, e entregando o prato a Senhora Weasley, perguntou à amiga:



- Onde está a Gina? – Hermione deu de ombros e sentou-se ao seu lado, ignorando o fato de um certo ruivo estar bem a sua frente, e os incríveis olhos azuis fixos nela como se fosse uma imagem bastante interessante e... Bela.



- Não sei. Eu estava conversando com ela, antes dela dizer que tinha que tomar banho, então eu fui para o jardim ler um pouco. Acho que ela ainda está no quarto, vou chamá-la.



Mas, antes que pudesse afastar a cadeira a Senhora Weasley a impediu com um aceno de cabeça.



- Oh, minha querida não se preocupe, a Gina já saiu.



Harry franziu o cenho.



- Saiu? Para onde ela foi? – perguntou e direcionou seu olhar para Rony que parecia nem um pouco preocupado se em algum instante fosse engasgar pela enorme quantidade de comida que colocava dentro da boca de uma vez. O ruivo mastigou rapidamente os pedaços de carne assada e bebeu um longo gole de suco antes de responder:



- Ela está trabalhando com os gêmeos na loja nestas férias. Talvez esteja querendo aprimorar o conhecimento dela em traquinagens. – e voltou a mergulhar a faca e o garfo na montanha de carne e no purê de batata.



- Aprimorar o conhecimento de traquinagens? – Hermione repetiu, erguendo uma sobrancelha. – Agora sim que A´Toca vai para os ares.



A Senhora Weasley riu com aquilo e voltou a mexer em alguma coisa no fogão.



- Eu rezo todas as noites para acordar no dia seguinte e descobrir que minha casa não está em algum lugar estranho, Hermione. Eu devo dizer que a Gina é bem pior que os gêmeos quando quer. Aquela garota... - balançou a cabeça – me deu muito trabalho quando era pequena. – virando-se para Harry, lhe enviou um sorriso reconfortante. – Espero que você saiba lidar com ela Harry, se não, acredito que não irá chegar vivo aos vinte anos.



Harry bebeu um pouco de seu suco ates de responder com tranqüilidade:



- A Gina não é o maior dos meus problemas. – Rony girou os olhos.



- Mas, com certeza é o mais problemático... Ai mãe! – ele gemeu ao receber com força uma paulada na cabeça com a colher de pau que a Senhora Weasley segurava. Ela fitou o filho com o semblante severo.



- Não irei admitir que você diga uma coisa dessas da sua irmã, Ronald Weasley. Ainda mais se ela não está presente.



O ruivo resmungou.



- Se ela estivesse aqui eu estaria voando pela janela. – Molly sorriu de canto.



- Por isso mesmo. – suspirou ao ver o ruivo voltar a girar as orbes, parecendo desinteressado no assunto e voltar a comer com vontade invejável. Segurou a risada na garganta. Rony era um jovem bastante complicado. E quando estava de frente para um bom prato de comida, tudo ao ser arredor parecia sumir numa baforada. Dando as costas aos três jovens e voltando sua atenção para o mingau que fazia, disse: - Estou indo para o Beco Diagonal daqui à uma hora, se vocês quiserem ir comigo...



- Claro! – eles responderam em uníssono. Harry mais animado do que poderia imaginar, mas não demonstrou. Talvez a idéia de ver Gina trabalho seria bastante interessante e lhe daria a liberdade suficiente para ficar admirando-a.



Nesse momento, interrompendo seus pensamentos com a ruiva, um aroma enjoativo de algum perfume penetrou no ar da cozinha, e pela porta, apareceu Gabrielle, extremamente arrumada como se fosse para uma festa.



- Desculpe a demorra...- ela murmurou, com o nariz erguido, e sentando-se ao lado de Harry. – Eu ouvi dirreito? Vocês vão ao Becco Diagonnall?



- Sim. – Hermione respondeu, notando a careta que Rony fazia a cada inspirada de ar e sentir a fragrância da loira que lhe causava uma coceira terrível no nariz. A presença de Gabrielle, por incrível que parecia, fora o suficiente para deixar o ruivo sem fome. Ele colocou os talheres sobre o prato e o empurrou.



Os olhos azuis da descendente de Veela se lançaram em sua direção.



- Oh, perdeu a fome, Ronalld? – ela perguntou inocente, fazendo Rony lhe direcionar um sorriso amarelado e cruzar os braços em frente ao peito.



- É. Alguma coisa no ar me causou enjôos. – respondeu seco, fazendo Hermione segurar a risada, mas Harry fora menos discreto e esticando as longas pernas por debaixo da mesa, soltou uma gargalhada.



Gabrielle olhou de Harry para Rony, a cabeça movimentando-se de maneira rápida e confusa, tentando entender qual fora a piada, mas decidindo relevar aquilo se voltou para Harry e de modo malicioso colocou a mão em seu joelho. O moreno parou de rir no mesmo instante em que sentiu os dedos da garota massageando seu joelho e fez seus olhos verdes a perfurarem como uma lâmina afiada e impetuosa.



- Você vai ao Beco, Ary? – Gabrielle perguntou, sorrindo.



Harry arrumou-se na cadeira e com um gesto brusco com a perna afastou a mão da garota. Ele notou a surpresa dela por sua atitude repentina. Provavelmente a idéia de ser rejeitada lhe soava como o pior dos insultos.



- Sim, irei. Tenho algumas coisas para fazer.



- Como o que?



Harry pensou em mandá-la cuidar da própria vida, mas de repente teve uma idéia melhor. Ele virou o corpo de modo que pudesse ficar de frente para a loira e curvou a cabeça em sua direção. Gabrielle pareceu ficar hipnotizada com sua aproximação.



- Tenho que comprar uma coisa muito importante... - os olhos azuis brilharam excitados.



- Ah é? O que? – a hipótese de Harry Potter lhe dar um presente a deixava nas alturas. Mordeu o lábio inferior, ansiosa.



- Um anel. – Harry respondeu.



Gabrielle só faltou pular como um animal sobre seu pescoço e soltar um grito histérico. Talvez a idéia de ele lhe dar um presente, ainda mais um anel de compromisso vagasse por sua cabeça pequena e vazia.



- Ora, um anel? – ela repetiu ainda mais elétrica. – E que tipo de anel?



Harry cerrou os olhos e sorriu de forma marota.



- Um de compromisso. – ela se aproximou dele, seus narizes quase se tocando.



A loira era realmente muito bonita, Harry disse a si mesmo, pena que não fazia o seu tipo. Ele preferia as ruivas...



- E para quem seria esse anel, Ary?



- Para minha namorada, obviamente. – ele inclinou um pouco a cabeça. Gabrielle estava ficando vermelha ou era impressão sua?



- E quem... É ela?



Pronto para a jogada final, Harry se recompôs e informou com a maior cara-de-pau:



- A Gina, claro – a olhou com um ar curioso. – Quem mais você pensou que fosse?



Ele não teve nem tempo de voltar sua atenção para os amigos, apenas admirou o semblante de porcelana de Gabrielle ficar pálido e depois roxo de raiva e com baforadas e passadas pesadas, ela saiu da cozinha como um touro enfurecido, soltando palavras em francês que provavelmente não deveriam ser nada educadas.



Hermione rindo, deu um tapa no braço de Harry.



- Tadinha, Harry. Ela é apenas uma criança, não deveria ter ganhado um fora como esse. Não poderia ter sido mais direto, do que ficar iludindo a pobre garota?



Harry deu de ombros.



- Na próxima vez eu a mando para o inferno de uma vez, okay?



Rony só faltava lhe dar um prêmio.



- Você é o meu orgulho, cara. – disse, rindo muito sentindo o olhar penetrante de Hermione em si, mas tentou ignorá-lo, se não seria bem capaz de cometer uma loucura. A mesa não era tão larga a ponto de impedi-lo de saltar sobre ela e agarrar a amiga.



A própria Senhora Weasley estava com problemas de segurar o riso, mas mantendo-se firme, voltou-se para eles.



- Vão se arrumar, daqui a pouco estarei indo ao Beco.



Não fora necessário dizer duas vezes. Antes mesmo que Hermione e Rony pudessem levantar, Harry já estava subindo as escadas.





And I don't want the world to see me
'Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am



A loja estava um tumulto que só. Parecia que toda sociedade bruxa havia decidido ir fazer suas compras naquele dia em especial. Gina classificou aquele burburinho como se fosse um formigueiro.


Andando de um lado para o outro, ela tentava atender o maior numero de clientes que conseguia ao mesmo tempo, sendo atenciosa e simpática o quanto podia.


Estava terminando mais uma venda num kit de gosmas de mascar que deixava a língua de várias cores quando viu um dos gêmeos subindo sobre o balcão para tentar pegar um livro de feitiços rebeldes que estava numa estande bastante alta, longe das mãos de crianças bagunceiras.


- Fred, Jorge! – ela exclamou, sobre as cabeças dos clientes. – Eu quero um aumento de salário!


Os gêmeos riram com aquilo. Fred que estava sobre o balcão, saltou ao seu lado e entregou o livro a uma garota que parecia encantada com tudo que havia na loja.


- Sem chance Gininha! – o ruivo retrucou sorridente, ajudando-a com a caixa registradora que parecia ter emperrado.


Gina deu um soco forte sobre o botão que abria a caixa de dinheiro e esta se abriu como se houvesse sido cuspida de dentro da máquina já bastante antiga.


- Vocês estão me explorando! – ela reagiu, recebendo os galeões de pagamento do kit e logo em seguida dando o troco. – Estou trabalhando aqui desde o começo das férias, quase cinco horas por dia, e o que eu ganho aqui nem dá para tomar um sorvete!


Jorge do outro lado da loja soltou uma sonora gargalhada.


- Não seja ingrata, Gininha! Você deveria estar feliz por estarmos te pagando alguma coisa.


- É isso ai – Fred falou, embrulhando um saquinho transparente onde havia um monte de bolinhas de chocolates que serviam para causar vários gases na pessoa em que as comia. – Sinta-se privilegiada por estar ao nosso lado todas as tarde. Quer diversão melhor do que esta?


Gina apenas balançou a cabeça, tentando conter um enorme sorriso. Ela tinha que concordar com os irmãos. Mesmo que estivesse em duvida entre se tornar uma Auror ou uma Curandeira, trabalhar com os gêmeos todas as tardes a fazia voltar para casa completamente acabada. Os pés doendo, a garganta ardendo por ter que falar alto e o maxilar dolorido por tanto rir.


Mesmo que o que não estivesse ganhando não fosse muito, apenas o prazer de estar ao lado dos gêmeos era o suficiente.


Colocando uma madeixa ruiva de seus cabelos para trás da orelha, suspirou, numa tentativa para ganhar fôlego. Céus, estava suando! Por causa do entulho de pessoas que se encontrava na loja, o calor estava se tornando insuportável e os gêmeos ainda não tinham conseguindo comprar um bom aparelho que refrescasse o ambiente.


Secando a testa com a mão, se apoiou no balcão e inclinou-se para frente estampando em seu rosto o melhor sorriso que podia pronta para atender o novo cliente.


- Sim, em que posso ajudá-lo?


O tempo pareceu voar. E Gina nem se deu de conta que não havia almoçado até que finalmente conseguira atender uma boa clientela que começava a sair da loja, bastante satisfeitos com suas compras ou encomendas.


Fred e Jorge pararam logo atrás dela, satisfeitos com o seu desempenho.


- Você está se saindo uma ótima comerciante, Gina. – Fred disse, colocando uma mão sobre o ombro da irmã que parecia que ia, a qualquer momento, deitar sobre o balcão numa tentativa para recuperar o ar e aglomerar energias para a próxima onda de bruxos que iriam invadir a loja assim que o horário de almoço encerrasse. Mas, por enquanto, a única coisa que qual ela ansiava era um banho gelado!


- Obrigada. – Gina murmurou, a cabeça enterrada entre os braços. – Que horas são?


Jorge ergueu os olhos para o relógio de formato de uma nojenta lesma verde grudada logo acima da porta de entrada.


- Uma e meia. Pode ir comer alguma coisa, Gininha, eu e o Fred tomamos conta de tudo.


A ruiva lançou a cabeça para trás e os olhou com os olhos cerrados.


- Para vocês discutirem quanto irei ganhar pelo meu desempenho de hoje, e serem injustos como foram ontem? Não mesmo. Eu não irei arrancar os meus pés daqui até vocês decidirem que mereço um bom salário.


Fred e Jorge riram.


- Então vai morrer de fome. – eles disseram ao mesmo tempo e mergulharam para dentro de uma porta que levava aos fundos da loja para se protegerem os berros da irmã.


Gina estufou o rosto numa carranca avermelhada, e colocando as mãos na cintura exclamou, não ouvindo o som do sininho que indicava que havia entrado um novo cliente.


- Vocês dois sãos os seres mais insensíveis, exploradores e miseráveis que eu conheço! Eu me acabo de trabalhar aqui, vendo a mercadoria, limpo a loja e ainda tenho que ter tempo para agüentar os clientes furiosos que chegam aqui gritando que o produto que gastaram uma nota não está funcionando como deveria. Sou eu – cutucou o próprio peito com o dedo indicador – que saio desta loja com a garganta ardendo de tanto berrar e as costas me matando por eu ter que ficar inclinada sobre esse balcão. E ainda por cima tenho que agüentar vocês dois, meus próprios irmãos, tirando sarro da minha cara e rindo as minhas custas. Querem saber de uma coisa? – ela retirou o avental que usava pela cabeça e atirou-o no chão. – Vão para o bendito inferno!


- Qual foi à parte que você disse Harry, que a minha irmã seria o menor de seus problemas? – a voz de Rony soou atrás da ruiva que se virou automaticamente e olhou para o pequeno grupo que conhecia que a observavam atônitos.


Harry que se encontrava posicionado ao lado de Rony enfiou as mãos no bolso da calça jeans e deu de ombros.


- É verdade, Ron. Tenho que rever meus conceitos em relação à Gina. Acho que estou numa grande encrenca... – ele provocou, entrando na brincadeira do amigo.


Gina encolheu os ombros, parecendo bastante envergonhada por ter sido pega em um momento que perdera completamente a compostura. Mas se algum deles estivesse em seu lugar, ela pensou com certa revolta, não estariam debochando dela. Além do mais, não eram eles que tinham que aturar os gêmeos, se esgoelar a tarde toda e voltar para casa com alguns míseros galeões no bolso. Se fosse qualquer outra pessoa ali, ajudando Fred e Jorge com a loja, uma verdadeira briga de porradas já teria acontecido logo na primeira semana.


Hermione sorriu ao notar o desconforto da amiga e balançando as mãos no ar numa maneira desdenhosa, disse:


- Harry pare de amolar a Gina. – deu um pequeno cutucão no amigo. - Trabalhar com os gêmeos não deve ser uma tarefa fácil, ainda mais, você virão à multidão que saiu da loja há algum tempo.


A Senhora Weasley balançou a cabeça, concordando com Hermione. Caminhando em direção ao balcão, abraçou a filha por cima deste.


- Minha menininha, o que os desmiolados dos seus irmãos estão fazendo com você? – ela murmurou caridosa. – Olhe só, está branca como se tivesse visto um fantasma – apertou-lhe os ossos do ombro – e está tão magrinha. Você tem almoçado? – Molly colocou as mãos na cintura, tomando uma postura severa. Gina notou as sobrancelhas ruivas da mãe se ajuntar numa única linha.


Sorrindo de forma marota interiormente, fez a sua melhor cara de abandono e respondeu num murmúrio:


- Fred e Jorge abusam muito de mim, mamãe. A Senhora acredita que eu perguntei se poderia ir almoçar já que tinha arrumado tudo... – apontou em volta – veja como está tudo limpo. E eles não deixaram. – levou a mão ao estômago. – Estou tão faminta.


Os olhos castanhos de Molly faiscaram e os lábios se crisparam, fazendo sua face se contorcer numa carranca nada agradável.


Gina, por cima dos ombros da mãe, notou os olhos verdes de Harry fixos em si e sorriu para ele antes de lhe enviar uma piscadela maliciosa. Harry teve que segurar uma gargalhada. Sua namorada era incorrigível.


- Eu vou falar com os gêmeos agora mesmo! – Molly exclamou, levantando a tampa de madeira do balcão. - Onde já se viu. Deixar a irmã mais nova deles passar fome!


- É mamãe, eles também têm sido muito injustos comigo. A Senhora acredita que, o que eles tem me dado como pagamento nem da para toma um sorvete! – Gina continuou provocando. A face da Senhora Weasley tornou-se mais vermelha do que os cabelos que já mostravam certos fios brancos.


- FRED! JORGE! – Ela berrou em plenos pulmões, abrindo a porta dos fundos da loja e adentrando no cômodo escuro, antes de fechar a porta atrás de si num estrondo nervoso.


Os berros da Senhora Weasley ecoaram pela loja como uma trovoada intensa, sufocando as respostas abafadas que os gêmeos deveriam estar dando, encolhidos em algum canto, assustados pelo temperamento explosivo da mãe.


- O QUE VOCÊS TÊM DENTRO DESSAS CABEÇAS VERMELHAS... - Gina, junto com o Trio ouviram Molly gritando. – ESTAM FAZENDO E SUA PRÓPRIA IRMÃ UMA ESCRAVA! – uma pausa, provavelmente para tomar o fôlego. – NÃO HÁ EXPLICAÇÕES, FRED E JORGE – pausa - EU ESTOU FALANDO!


Gina não agüentou mais e começou a rir sendo acompanhada por Harry que foi até onde ela estava e inclinou-se sobre o balcão, aproximando seu rosto do da ruiva. Ergueu uma mão e a colocou atrás da nuca da garota, puxando-a para si, fazendo suas testas se chocarem suavemente enquanto continuavam a rir abertamente uma para o outro.


Rony e Hermione também soltavam risos abafados, mas tentavam conter a vontade de gargalhar. Talvez o medo de que Molly aparecesse de repente e os pegasse se divertindo e viesse para cima deles como um hipogrifo enfurecido era o suficiente para os deixarem mais calmos em relação aquela armadilha que Gina tramara para cima dos gêmeos.


Gabrielle, que fora deixada de canto, esquecida por todos, apenas observava a cena calada. Os incríveis olhos de água marinha faiscando de ódio ao ver o seu Harry tão próximo e jogando de maneira explicita carinhos e afetos apaixonados para cima da Weasley pobretona. Quando estava com ela, ele parecia não se importar nem um pouco de mostrar seu verdadeiro eu. Mas com os outros, aquele moleque era uma verdadeira parede de concreto; dura e fria.


Afinal, ela era muito melhor. Todos os homens preferiam as loiras. Então, o que Harry via naquela ruiva sem graça? Bufando, bateu o pé no chão num gesto mimado, tentando chamar a atenção, mas para sua frustração, continuou sendo ignorada pelos demais.


Hermione balançou a cabeça, divertindo-se com os gestos delicados de Harry com Gina. Notou a forma suave que ele colocou uma madeixa ruiva da garota atrás da orelha e com o polegar, lhe acariciou as bochechas rosadas.


Num gesto nervoso, cruzou os braços em frente ao peito, mas isso fez com que seu cotovelo cutucasse o braço de Rony que ao sentir o toque voltou sua atenção para ela. Hermione tentou dizer a si mesma para não corar e muito menos não dar atenção aquele par de olhos incrivelmente azuis que se mantinham fixos nela.


- Desculpe. – ela murmurou com a voz seca, tentando não demonstrar o que realmente sentia.


Rony colocou as mãos dentro dos bolsos de sua calça e virou-se para a amiga.


- Se você quer chamar a minha atenção não precisa me cutucar... - inclinou o corpo para frente. – apenas fale comigo.


Ruivo arrogante e insolente! Hermione teve vontade de berrar. Mas notou a tempo que vê-la perder a paciência era o que ele queria, então, com o sorriso mais melado que conseguiu contorcer seus lábios olhou-o de cima para baixo, medindo-o antes de soltar uma risada seca.


- Poupe-me Ronald. Chamar a sua atenção? Tenho coisas melhores para fazer.


- Ah é? – Rony retrucou sem hesitar, dando um passo a frente. – E o que seria Hermione? Escrever para o seu querido Vitinho?


Ela deu de ombros, tentando esconder os punhos cerrados que estavam logo abaixo de seu braço.


- Essa é uma das coisas. – respondeu convicta. – Mas, o meu mundo não gira entorno apenas do Vitor. Ele é importante, claro. Estamos falando do meu namorado, mas... Ora, eu posso fazer outras coisas mais interessantes que não o incluam.


O sorriso de Rony não poderia ter sido mais irônico.


- Espere! – Ele exclamou, parecendo divertido com o rumo que a conversa estava tendo. – Deixe-me adivinhar essas suas outras coisas – tirando uma mão do bolso da calça e coçando o queixo, falou categórico : - Ler, estudar, chamar a minha atenção, me provocar, me ajudar nos estudos, brigar comigo... Nossa Hermione! Quanta animação não é mesmo? E é incrível como eu estou quase na maioria de todas essas suas coisas. Você deve realmente me amar muito.


Foi muito satisfatório para ele ver o rosto da amiga ir ficando vermelho aos poucos indo de uma tonalidade rosada para uma que chegava a degrade com o roxo, à medida que ia relatando o dia-a-dia dela. Não estava mentindo. E parando um pouco para pensar, Rony notou que estava certo. Não havia um único dia em que ele e Hermione estivessem sob o mesmo teto e não brigassem. Ora ela gritava com ele, ou o provocava, e ele sempre caia naquela armadilha. Franzindo o cenho viu que uma das coisas que falara poderia estar muito correta, e era algo que jamais parara para pensar; Hermione implicava com ele para chamar sua atenção?


Hermione deixou os braços caírem ao lado de seu corpo e avançou contra o ruivo, seu nariz quase esmagando o dele. Rony engoliu em seco ao notar como os olhos chocolates da amiga faiscavam numa irá que ele jamais vira.


Opz... Sua mente soou em alarme, fazendo-o engolir em seco.


- Muito bem Ronald – Hermione vociferou entre os dentes, cutucando-lhe o centro do peito com o dedo indicador. – Então já que a minha presença parece começar a te aborrecer, então faremos assim; a partir de hoje você não aparece no meu caminho e eu não apareço no seu, e quando precisar me dizer alguma coisa, mande por recado se não eu seriei capaz de fazer sua cabeça explodir!


Ela deu a volta nos calcanhares e já ia começando a sair da loja dos gêmeos, mas Rony He segurou o pulso, tentando detê-la. Hermione não se virou, apenas manteve-se parada, olhando para a vitrine, tentando ignorar o calor que percorreu seu corpo.


Gina e Harry se entreolharam assustados, e pensando ao mesmo tempo se seria um bom momento para interromper os dois amigos, por fim, eles suspiraram e decidiram que seria melhor Rony e Hermione se acertarem, ou... Se matarem de uma vez.


- Pode ficar tranqüila – Harry sussurrou ao pé do ouvida da ruiva. – Eu pago a conta no St. Mungos.


Gina abafou uma risadinha antes de passar a mãos pelos cabelos de Harry, deixando as madeixas negras mais rebeldes.


- Como você é atencioso, amor.


- O que eu não faço pelos meus amigos? – Harry continuou com a voz debochada, fazendo Gina lhe dar um tapa no ombro num gesto que o mandava ficar calado.


- Mione, espera, eu estava apenas brincando! – Rony pediu, ainda segurando-a.


Hermione balançou a cabeça, fazendo a chuva de caracóis em sua cabeça acariciarem suas costas.


- Estou farta dessas suas brincadeiras, Ronald. É sempre a mesma coisa... - a voz dela estava embargada, e Rony temeu que ela estivesse chorando. Mas, para sua cabeça a amiga virou a cabeça e fitou-o por cima dos ombros e o que ele viu o fez perder o ar. Os olhos dela estavam marejados, mas Hermione parecia firme o bastante para se recusar a derramar uma única lágrima, mas a magoa e dor estampada nas irís escuras o derrubou como se fosse um soco potente.


- Mi...


- CHEGA RON! CHEGA! – Ela berrou, puxando o braço com força, desvencilhando-se dele. – Cansei disso tudo! Cansei de brigar com você por quase 24h! De tentar te ajudar em tudo que é possível, desde os estudos até as encrencas em que você se mete junto com o Harry! E dói demais saber que no final de tudo isso, que durante todos esses anos de amizade, o que eu fui para você não passou de um assunto posto como um pedestal de piadas!


- Mione que absurdo é esse que você está falando? Você jamais foi um pedestal de piadas para mim. Nunca!


- Ah não? Muito bem Ronald, então me diga uma única vez em que eu tentei te ajudar em alguma coisa onde no final você não acabou me contradizendo e gozando da minha cara?


Aquilo serviu para fazer Rony abrir a boca e fechá-la como um peixe que estava fora da água.


Estava completamente atônito pelo rumo que aquela conversa havia tomado, e sentiu-se arrependido por ter começado a provocá-la. Num gesto de começar uma conversa com ela, um papo amigável e brincalhão, numa tentativa para que eles fizessem as pazes. Seria uma forma de trégua entre eles pela briga que tiveram em seu quarto. Mas, tinha calculado suas falas de maneira errada e agora... Céus! Hermione estava bem ali a sua frente, com o rosto pálido agora, o peito subindo e descendo em uma respiração pesada e arfante e ele completamente desesperado.


Aquilo não podia ser u ponto final na amizade de tantos anos. Eles sempre brigaram, discutiram e implicaram um com o outro, mas no final; tudo voltava a ser o que ela. O Trio Maravilho. Os dois juntos.


- Mi... – chamou-a de forma cautelosa, tentando se aproximar dela.


- Fique longe de mim! – Hermione berrou, recuando alguns passos. Rony parou no meio de um novo movimento e ajuntou os pés, parando onde estava.


- Eu sei que nós sempre brigamos, sempre implicamos um com o outro e quer saber de uma coisa? Eu gosto! Eu me divirto vendo você brava e com um bico. Isso é até charmoso.


Se o momento fosse outro Gina teria rido da cara do irmão. Harry mantinha-se quieto, pasmo por Rony estar pisando por cima do próprio orgulho – que não era nada humilde. - e revelando algo que ele pensou que o amigo levaria para o próprio tumulo. Notou quando Hermione franziu o cenho, prestando a atenção e analisando o que o ruivo falava.


- Eu admito que muitas vezes exagerei nas minhas brincadeiras, e que falei coisas que não devia. Mas... – Rony passou as mãos pelos cabelos, num gesto nervoso. – Por Merlin, Hermione, só você consegue me tirar do sério!


Um leve sorriso, quase imperceptível se formou nos lábios da morena que continuou calada.


- Sabe no dia em que nos conhecemos? Em que você entrou na cabine do Expresso com o cabelo todo bagunçado e se apresentando antes mesmo que eu ou o Harry pudéssemos piscar? – Aquela lembrança o fez sorrir, e para sua plena satisfação os lábios de Hermione também se abriram num leve sorriso, como um botão de rosa que florescia na primavera. – Você foi logo dizendo quem era, onde morava e sentando-se conosco.


- Acho que eu estava tão nervosa e com medo de ficar sozinha em Hogwarts que queria logo me enturmar com alguém onde eu pudesse me apoiar logo no primeiro ano. A idéia de ninguém me aceitar como eu sou... - Ela falou baixinho, abaixando os olhos e fitando os próprios tênis. Rony viu que aquele era o momento certo de se aproximar. Indo até ela sem praguejar, tocou-a nos ombros com carinho.


- No começo eu pensei em como poderiam ter aceitado em Hogwarts uma garota tão maluquinha. – Ele riu da própria brincadeira e notou que seu coração disparou quando Hermione ergueu a cabeça e fitou-lhe dentro dos olhos de maneira profunda e intensa.


- E até hoje você carrega essa dúvida. – ela reagiu divertida. Rony balançou a cabeça.


- Eu não ia dizer isso, mas já que você tocou nesse assunto... – Ela jogou a cabeça para trás e riu abertamente antes de acertar um tapa no ombro do ruivo que se encolheu com o gesto.


- Bem, para a sua informação eu quase pensei a mesma coisa de você.


- Como assim quase? – Rony perguntou. – Sempre me falaram que a primeira impressão é a que vale, e mesmo que eu estivesse um pouco sujo naquele dia, bem... – deu de ombros – Eu até que era um garoto bastante engraçadinho.


Hermione tentou segurar a onda de risos que se arrebatou dentro de si, mas vendo os olhos azuis sinceros e com um brilho animado, ela não se conteve.


Rony ergueu uma sobrancelha.


- Do quê você está rindo? – Fora apenas necessário ela lhe lançar um olhar para ele entender o motivo da piada.


- Rony – Hermione falou, quando conseguiu recuperar um pouco o fôlego. – Engraçadinho? Por favor. O Bichento é engraçadinho, você me pareceu mais uma Cebola Roxa cheia de terra do que um garoto de onze anos engraçadinho.


Rony torceu o nariz numa careta.


- Então foi essa a sua primeira impressão de mim? Até que não foi tão ruim. Com certeza ser comparado com uma Cebola Roxa é melhor do que acharem que há um ninho de avestruz na cabeça.


- Não exagera! – ela retrucou logo em seguida, o riso sumindo de seu semblante. – Não parecia que havia ninho algum sobre a minha cabeça! Meu cabelo naquela época era rebelde demais, ponto.


Rony não pode conter a coceira na própria mão, e num gesto inesperado por ambos, ele acariciou os cabelos de Hermione que ficou paralisada com aquele carinho repentino.


- É verdade, seus cabelos agora estão mais macios... – Rony disse mais para si mesmo do que para ela, sorrindo completou: - Minha Miss Crespinha.


Ela lhe mostrou a língua.


- Rabanete com sardas.


Sua mão deslizou para a nuca dela em um movimento que não pode conter. Seus dedos se entrelaçaram entre os cachos sedosos e brilhantes, fazendo-o notar como era bom enterrar a mão entre as madeixas castanhas de Hermione.


Ela não se moveu ou fez qualquer movimento para se afastar. Apenas ficou ali, parada na sua frente como se seus pés houvessem sido colados no chão. Rony notou quando ela respirou de maneira mais profunda e quase cerrou os olhos, como se quisesse curtir melhor aquela caricia.


Foi quase um prazer para ele descobrir algum ponto do corpo da amiga que ao ser tocado, lhe agradava imensamente. Num gesto mais ousado, Rony apertou com um pouco de força contra aquela região sensível e quase se deliciou ao ouvir a leve exclamação que escapou dos lábios de Hermione. Quase podendo se comparar a um gemido.


Os olhos dela pareciam mergulhar de encontro aos seus, e Rony notou como estava perto de se afogar naquele mar escuro e intenso das irís da amiga.


Sempre achara Hermione uma garota muito bonita, além de inteligente e de certo ponto de vista; engraçada – irritá-la e as discussões o divertiam. Isso é claro, quando ele não acabava levando a pior -. Mas ali, naquele exato momento, observando-a tão de perto, Rony pode perceber como a pele dela era delicada e branca. O nariz fino e arrebitado e os lábios... Vermelhos e úmidos.


A vontade de beijá-la estava o consumindo como se houvesse mergulhado dentro de um mar em chamas vibrantes. E quando ela deu um passe à frente, as pequenas mãos agarrando a sua camisa e apertando o tecido fino entre os delicados dedos, puxando-o para si fazendo os corpos se roçarem, ele pensou que fosse ser deixar levar por seus sentimentos e conduzido de maneira cega por seus hormônios.


Rony fixou seus olhos com mais intensidade que pretendia quando Hermione mordeu com a pontinha dos dentes o lábio inferior.


- Você está certo... – ela murmurou. A voz suave vagando até seus ouvidos, lhe causando um arrepio pela coluna.


- Como assim? – perguntou ainda hipnotizado.


Hermione desviou os olhos da face dele e os focou em outro ponto da loja, parecendo um pouco envergonhado com o que iria dizer.


- Eu amo você.
Rony piscou os olhos várias vezes como se estivesse saindo de um transe profundo. Ele ouvira bem?


Hermione ainda não havia conseguido reunir coragem suficiente para fitá-lo, mas era capaz de sentir aqueles olhos azuis penetrantes sobre ela, como se estivessem lendo sua alma.


A mão de Rony em sua nuca intensificou ainda mais o aperto, enquanto a outra sobre seu ombro deslizou por seu braço, alcançando sua mão que se mantinha parada ao lado de seu quadril, num toque tão natural que para eles pareceu ser o mais correto. Os dedos roçaram uns nos outros, parecendo querer sentir sua textura e gravar a suavidade da pele antes de se entrelaçarem.


- Olhe para mim, Miss Crespinha – Rony pediu de forma carinhosa. Um sorriso terno lhe curvando sobre os lábios.


Hermione respirou fundo e tentando conter a própria tremedeira que queria tomar conta de todo seu corpo, ergueu a cabeça.


Os olhares voltaram a se encontrar e inclinando a cabeça em direção a dela, Rony murmurou:


- Eu também amo você.


Claro que aquele significado soara como um amor de pura amizade, mas tanto Hermione quanto Rony conseguiram entender nas entrelinhas o verdadeiro sentido daquela frase, mas ainda mantinham um pouco do próprio orgulho para não revelarem o que realmente sentiam. Ainda.


- Toda vez que você brigar comigo diante de hoje, eu já sei o que vou dizer para fazer você se calar. – Hermione disse, tentando quebrar o silêncio que pairou entre eles.


Rony cerrou os olhos.


- O quê?


- Simples; “Rony, esse são modos de tratar alguém que você ama?”.


Ela queria brincar? Okay, ele entraria no jogo... Com muito prazer.


Umedecendo os lábios, Rony num gesto ágil e rápido agarrou-lhe pela cintura, fazendo os corpos se chocarem num solavanco.


Hermione pode sentir a respiração do ruivo roçar perigosamente contra seus lábios entreabertos pelo espanto.


- E você sabe o que eu iria fazer, Hermione? – Rony perguntou, sua voz saindo rouca e arrastada.


Hermione pensou que cairia no chão por causa de suas pernas moles e fracas. Por isso, agarrou o amigo pelos ombros.


Ela não conseguiu articular nenhuma resposta, apenas ficou encarando-o com os olhos zonzos pelo calor que percorria seu corpo como uma serpente, enrolando-se dentro de si, deixando-a sem ar. Céus, só lhe faltava começar a suar!


- Eu iria concordar com você. – Ele informou, seus dedos se enterrando na carne da cintura dela com pleno desejo. – E lhe diria que o modo correto de tratar alguém que se ama é de outra forma muito diferente...


Okay! Ela estava preste a explodir se ele não se afastasse ou... Levasse-a para os fundos da loja ou qualquer outro lugar mais particular e lhe desse um belo beijo! Maldição! Desde quando Rony tornara-se tão bom em sedução? Ele parecia estar muito calmo, sereno, mas definitivamente convicto no que estava dizendo. E ela? Em que estado se encontrava? Quase subindo pelas paredes!


- Quer saber a maneira correta de tratar alguém amado, Hermione?


Sim, sim, sim! Sua mente berrou sem hesitar, mas ela não conseguiu articular a resposta. Sua voz havia se perdido em algum ponto em sua garganta, e toda sua sensatez voara para algum canto dentro de sua mente, provavelmente escuro e profundo sem pressa para se opor presente.


Rony sorriu de canto, um gesto malicioso e safado, deixando a amiga ainda mais atordoada com quilo.


Curvando-se sobre ela, parecendo bastante satisfeito com o estado em que a colocara, Rony sussurrou ao pé de seu ouvido:


- Eu a beijaria.


- Então o que está esperando? – Hermione falou quase que num reflexo, fazendo Rony abrir um largo sorriso satisfeito.


Ótimo! Quando tinha que manter a maldita boca fechada, ela falava uma coisa daquelas. E agora, o que iria acontecer?


Rony provavelmente estufaria o peito, parecendo um pombo e diria como era fácil deixá-la num estado de puro sôfrego. A largaria e se distanciaria sem nem ao menos piscar, indo conversar com Harry e Gina que estavam sentados lado a lado sobre o balcão da loja dos gêmeos observando-os como se fossem uma apresentação bastante divertida de um novo Circo.


Hermione já estava contentando-se com a própria frustração e que, quando chegasse A´Toca correria para um banho gelado quando, estupefata, viu Rony aproximar-se de si... Para beijá-la.





And you can't fight the tears that ain't coming
Or the moment of truth in your lies
When everything feels like the movies
Yeah you bleed just to know you're alive




- Você pegou a lista? – Rachel perguntou a outra assim que colocaram os pés dentro da Floreios e Borrões no Beco Diagonal.


Selliny bufou irritada, olhando com certo desprezo as pessoas que circulavam pela loja empoeirada. Apressadas para conseguirem seus próprios exemplares de um livro novo que saíra e que estava fazendo bastante sucesso. Lançando um olhar azedo para a prateleira posta na vitrine, onde se destacavam as novidades, ela viu um livro de capa prateada e o titulo com as letras num tom de dourado quase que chegava a cegar.


“Poções Milagrosas e Artefatos Malignos. Um guia para tornar-se seu melhor amigo” . Os dizeres informavam. Fazendo Selliny arquear as duas sobrancelhas.


- A ultima vez que vim, aqui as coisas eram menos...


- Doidas? Anormais? – Rachel completou o raciocínio, soltando uma leve risada divertida enquanto tentava desviar-se dos compradores enlouquecidos que corriam de um lado para o outro. – Eu sempre adorei essa loja.


Selliny girou as orbes.


- Não sei por quê. Tudo aqui cheira a mofo e coisas velhas demais. É bem provável que essa loja tenha mais anos de existência do que meus avós.


Rachel voltou-se para ela com um ar divertido no semblante.


- Liny, você nem conheceu seus avós. – a morena lhe lançou uma piscadela.


- Eu sei, mas apenas por serem nomeados dessa forma já podem ser consideradas pessoas da terceira idade. Simplificando; velhos. Artefatos cerebrais empoeirados.


Rachel soltou uma gargalhada e puxando a amiga pela mão, guiou-lhe até o balcão, se vendo obrigada a empurrar algumas pessoas e pedir desculpas por algumas cotovelas ou pisões no pé que se vira obrigada a dar.


- Se você fosse pedir desculpas para todas as pessoas que prejudicou e por cada erro que cometeu em sua vida, passaria o resto dela numa Igreja se confessando. – Selliny debochou colocando-se ao lado de Rachel que parecia completamente encantada com os livros novos postos sobre o balcão.


- Graças a Deus que eu não sou uma pessoa religiosa. – ela respondeu divertida, quase pulando de animação. – Oh, Liny, veja esses livros antigos onde contam os segredos do Egito e da Idade Média.


- Nossa! – exclamou. – Isso me animou tanto! Por que não nos sentamos na escada e lemos um desses livros de quase mil paginas, com certeza isso iria me esquecer de que ainda não almocei.


Rachel achou melhor ignorar o comentário amargo da melhor amiga e disse com ar sonhador:


- Sabia que eu, quando pequena, queria ser psicóloga? – Selliny olhou-a com espanto exagerado.


- Verdade? Vai querer conversar com o meu estômago?


- Se você não almoçou o problema é seu, Selliny, eu te chamei.


- Você não estava achando que eu ia mesmo me aventurar e comer aquela gosma de cor estranha?


Rachel virou-se para ela com os olhos cerrados e a boca numa linha séria.


- Aquela gosma de cor estranha se chama; sopa. – informou emburrada.


Selliny lançou uma madeixa de seus cabelos negros para trás num gesto ousado antes de responder com graça:


- Para mim aquilo parecia mais era vom...


- Em que posso ajudá-las? – Uma voz bastante simpática interrompeu a conversa das duas amigas. O balconista da loja parecendo bastante satisfeito por ter a chance de atender as duas mulheres a sua frente. Não pode negar a si mesmo – sendo um homem exigente – que nunca vira duas mulheres tão lindas, ainda mais vagando por ali; na Floreios e Borrões, onde raramente podia-se se dar ao prazer de flertar com alguma cliente.


Além de ganhar um bom pagamento pela comissão daquele dia, poderia arriscar a sorte grande e tentar algum encontro com uma daquelas duas. Tentar não arranca pedaço, certo?


Rachel observou o belo rapaz que aparentava ter quase vinte e cinco anos e sorriu de forma amigável. O atendente só faltou cair para trás, enfeitiçado por seu charme.


- Oh sim – ela disse da maneira mais suave que podia. – Liny querida, você trouxe a lista?


O barulho dentro da loja era quase ensurdecedor, mas o balconista não viu mal algum de inclinar-se para frente apoiando-se nos braços, aproximando sua face das duas mulheres para que pudesse ouvi-las melhor.


Selliny pareceu entender o jogo da amiga e assim direcionou sua atenção para o rapaz. Seus incríveis olhos negros fixando-se nas castanhas dele.


- Claro. – ela respondeu deslizando a longa unha do dedo indicador pelo peito – Ela esta bem... Aqui – e num movimento sensual tirou um pequeno papel do ninho entre os seios.


O rapaz arregalou os olhos e entreabriu os lábios, atônito por aquele gesto ousado.


Selliny entregou o papel a Rache que o desamassou com delicadeza e assim esticou a pequena folha sobre o balcão.


- Precisamos desses livros.


- Sim, claro, agora mesmo... - O balconista informou. – Esperem apenas um minuto. – e com eficiência invejável ele saiu pela Floreios em busca dos livros.


- Você nunca se cansa disso não é mesmo? – Selliny perguntou, cutucando a amiga com o cotovelo. Rachel deu de ombros, parecendo bastante satisfeita.


- Aquele idiota é tão inexperiente que, dos sete livros que está naquela lista, pelo menos quatro sairão de graça para nós, além do mais, apenas de olhar para a cara abobalhada dele prova que ainda mantenho o meu charme de anos atrás.


Selliny riu debochada.


- Tirando o fato de você estar entrando numa idade perigosa para as mulheres, onde tudo despenca...


Rachel lhe lançou um olhar perigoso.


- Nós duas temos a mesma idade. – alfinetou amarga. A morena inclinou um pouco a cabeça parecendo pensar sobre o que a amiga dissera.


- Mas aí as coisas são diferentes. – afirmou sem hesitar ou piscar.


- E por que seriam? – Selliny sorriu perante as faíscas que saiam dos incríveis olhos verdes de Rachel.


- Ora, porque eu sou uma S...


- Aqui estão os livros. – o balconista apareceu de repente, fazendo as duas mulheres terem um sobressalto por aquela aparição.


Rachel empurrou Selliny para o lado com o quadril e curvando-se sobre o balcão, deslizando as mãos pela lateral da pilha de livros a sua frente, pegou a lista na mão do rapas, não descartando a chance de fazer suas unhas arranharem os dedos do mesmo.


Ela notou quando o atendente prendeu a respiração.


- Ah, como você é gentil. – agradeceu. – Quando lhe devo?


O rapaz balançou a cabeça.


- Não, fiquem tranqüilas, vocês podem pagar por cinco livros, levando os sete.


Rachel lançou um olhar triunfal para Selliny como se quem dizia que ela estava em perfeita condições e que nada ali estava despencando ou se encontrado em algum estado perigoso. A morena cruzou os braços e bufou.


- Charme barato. Quero ver você conseguir fazer o Senhor Olivaras babar. – disparou como se fosse um feitiço perigoso, fazendo a amiga rir e começar a tirar o dinheiro dentro de uma bolsinha num tom de vermelho escuro.


Aquele seria um longo dia e para sua infelicidade; completamente entediante.





And I don't want the world to see me
'Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am






-... E VOCÊS ENTENDERAM? – a voz esganiçada da Senhora Weasley soou, fazendo Hermione e Rony se afastarem como se houvessem recebido um choque.


Cada um pulou para um lado e se entreolharam com as faces coradas e os olhos esbugalhados.


Molly caminhou até eles e se reparou em alguma coisa estranha no ar preferiu não comentar, sua cabeça estava cheia de coisas demais para ficar se preocupando com adolescentes empacados como Rony e Hermione. Ela preferia seguir o lema de; se tiver de ser será. Por isso, apenas esperava que aqueles dois se acertassem logo.


Voltando-se para Gina, deslumbrou com um enorme sorriso de alegria a filha apoiando a cabeça no peito de Harry, enquanto este havia a abraçado pelos ombros, aconchegando-a.


- Eu já falei com aqueles dois. – indicou a porta dos fundos com um olhar cético. – Eles não impuseram nenhuma reação negativa quando eu disse que você teria que ir comigo agora.


Gina sorriu de canto. Claro que os irmãos não iam discutir com a Matriarca Weasley. Os gêmeos carregavam um grande sentimento de carinho por seus dentes.


- Tudo bem... – ela falou, dando um salto para fora do balcão e colocando-se em pé em frente à mãe. Com o canto dos olhos reparou que Hermione e Rony ainda se mantinham em estado de transe. – Vamos aonde?


Molly suspirou.


- Eu queria levar você para almoçar, mas acho que não terei tempo. Por isso, iremos primeiro para a Madame Malkin provar os vestidos da festa de casamento, depois podemos ir tomar um sorvete.


- Para mim está ótimo. Eu como alguma coisa quando chegar em casa.


- Não mesmo. – Harry exclamou saltando também do balcão de atendimento da loja e colocando-se ao lado da ruiva que o fitou com uma sobrancelha erguida. – Senhora Weasley, a Senhora se importa se eu levar a Gina para comer alguma coisa? Ela encontra vocês – apontou incluindo Gabrielle na conversa que pareceu ser notada por todos naquele momento. A garota estava num canto encostada, com os braços cruzados e um olhar que mostrava todo o tédio que sentia. – na Madame Malkin em menos de uma hora. Não vai demorar muito.


Molly lançou um olhar estreito para as faces mais coradas da filha caçula. Pensando que todo aquele calor fosse pro causa de Harry, ela balançou a cabeça.


Não tinha culpa se havia criado dois gêmeos insensíveis e que tratavam a própria Irma como se fosse um capacho.


- Tudo bem. – disse por fim, virando-se para Gabrielle. – Vamos logo, não quero me demorar. Aquela mulher quando quer ser, torna insuportável!


Eles riram com aquela exclamação e assim, saíram da loja mergulhando no burburinho atiçado que novamente se encontrava o Beco Diagonal. Bruxos caminhando apressados para chegarem logo a seu destino. Mulheres com crianças que corriam pelas ruas, divertindo-se com o que viam.


O dia estava morno. O céu num tom de azul límpido, quase sem nuvens. O sol brilhava intensamente ao alto. Como uma enorme bola de fogo. A brisa era o único recurso que as pessoas tinham para se sentirem um pouco mais frescas. O vento assoprando de alguma direção incerta, farfalhando capas e cabelos. Alguns garotos faziam a festa quando observavam as saias que algumas garotas usavam subirem um pouco, os presenteando com uma visão mais exposta de suas pernas.


Gabrielle de tempo em tempo olhava para o casal a sua frente. Os dedos das mãos entrelaçadas, e sempre conversando, onde causava várias vezes risos em ambos. Ela não pode deixar de sentir uma pontada generosa de ciúmes. Harry raramente ria e parecia estar se divertindo, mas quando estava ao lado daquela ruiva pobretona, suas faces duras se suavizaram, e ele voltava a ser mais... Humano. Mas, essa transformação, acontecia apenas quando Harry estava com Gina. E aquilo começou a lhe corroer por dentro. Além do mais, era uma descendente de Veelas, e seu charme parecia ser ignorado completamente pelo moreno.


Bufando revoltada por não ser o centro das atenções ali, ela decidiu que seria melhor esquecer-se daquilo e começar a ocupar a mente com outras coisas. Se olhasse com mais atenção ao redor, poderia ver se encontrava algum garoto bonitinho e interessante para lançar seu charme.


- Bem, nós nos separamos aqui. – A Senhora Weasley alegou com a voz mais suave, mostrando que sua raiva anteriormente já havia desaparecido. – Harry querido, cuide bem da Gininha. Hermione você vem conosco?


Harry notou a careta que a ruiva fez ao ouvir o apelido carinhoso que a mãe se dirigiu a ela. Tentando conter o riso, apenas mordeu a língua segurando uma provocação. Não era hora e nem momento certo para tentar algum tipo de suicídio.


Hermione piscou algumas vezes, saindo dos próprios pensamentos e fitou a mulher que esperava por uma resposta.


- Ah, não. – falou, as faces corando levemente. Rony estava olhando para ela. – Eu vou com eles, nos encontramos na Madame Malkin.


Molly deu de ombros.


- Tudo bem então. – estendendo a mão para Gabrielle que a aceitou de imediato, as duas desviaram do caminho que levava ao Caldeirão Furado e pegaram outra rua menos movimentada.


Quando os quatro jovens se encontraram sozinhos, Rony, diferente de Harry, não segurou a provocação:


- Então... – ele pigarreou. – O que a Gininha vai querer comer?


A ruiva voltou-se para o irmão e com os olhos cerrados, retrucou:


- Alguma coisa que esteja bem distante de você. Com o buraco que tem no estômago Roniquinho, é bem capaz de comer o que seria para mim. Claro, se o buraco negro falar mais alto é até perigoso você acabar devorando as mesas e cadeiras.


- Pelo menos eu posso comer quando eu quiser e ficar em casa voando. Diferente de você que tem que ir toda tarde trabalhar com os gêmeos.


- Melhor trabalhar e fazer algo de útil durante o dia do que ser um pedaço de carne imprestável que só serve para atrapalhar.


Rony deu um passo em direção à irmã, as orelhas começando a ficarem em uma tonalidade mais rosada.


- O que você está insinuando? – perguntou com o cenho franzido.


Gina lançou-lhe um sorriso melado e zombeteiro.


- Vamos lá, Roniquinho... Não é difícil interpretar o que eu disse. Use o seu cérebrozinho.


A boca do ruivo se abriu, pasma, e notando a cara de tonto que ele estava fazendo, voltou a fechá-la antes de retrucar:


- Cérebrozinho? Pelo menos eu tenho noção de quanto devo ganhar de salário quando trabalho numa loja como se fosse uma escrava.


- Como pode saber se nunca trabalhou?


- Ora, eu uso o meu cérebrozinho. – Gina soltou a mão de Harry e se colocou em frente ao irmão. Ela teve que erguer um pouco a cabeça para encará-lo nos olhos. Rony era bem mais alto que ela, mas Harry pensou que a namorada saberia se cuidar muito bem numa situação como aquela. Mas, mesmo assim, colocou-se a suas costas num gesto protetor.


Gina ergueu o queixo tomando uma posição desafiante e alfinetou:


- Algo que você regulamente parece se esquecer que tem.


- É que eu não o uso para pensar em coisas inúteis. – Bingo! Gina ouviu aquela voz vencedora soar em sua cabeça, antes de, com um largo sorriso, retrucar:


- Nunca pensei que você achasse a Hermione uma cosia inútil, Roniquinho.


Aquilo serviu perfeitamente para calar a boca do irmão que, pela segunda vez, deixou a boca aberta e seu semblante contorcido numa fisionomia abobalhada.


Harry riu divertido e segurando a ruiva pela cintura, afastou-a de Rony que parecia preste a explodir, como um vulcão trêmulo faltando poucos segundos para entrar em ebulição.


- Muito bem, estou tirando o meu cão de briga da arena, tire o seu, Hermione.


A amiga notou o brilho de aviso nas irís verdes e fazendo a mesma coisa, segurou o braço de Rony, puxando-o para si.


- Calma Rony, a Gina está apenas brincando. – Hermione lançou um olhar de aviso para a ruiva manter-se calada, já que esta já estava abrindo a boca para provocar ainda mais o irmão.


- Vamos Harry, estou começando a ficar com fome. Deixe esses dois aí. – Gina disse, segurando a mão do moreno e puxando-o em direção ao Caldeirão Furado.


Hermione engoliu em seco ao ter seus olhos encontrando com os de Rony que apenas sorriu de canto.


Okay. Eles estavam sozinhos agora.





And I don't want the world to see me
'Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am






- Ah, eu ganhei três penas de brinde! – Rachel exclamou animada, fazendo Selliny olhá-la de lado.


- Pare de agir como uma criança, Rach. E uma dessas penas é minha!


Rachel girou os olhos tentando entender todo aquele mau humor da amiga enquanto continuava a balançar as três penas no ar, como uma criança que acabara de ganhar seu primeiro presente.


Haviam acabado de sair da Floreios e Borrões, e Selliny deu graças a Deus por conseguir respirar sem ser obrigada a segurar um pouco o ar dentro dos pulmões, tentando guardar dentro de si um pouco de oxigênio antes de voltar a luta para conseguir mais um pouco entre aquele ar abafado e quente.


Rachel massageou os ouvidos que zumbiam levemente. A gritaria dentro da loja havia mesmo deixado-a com um pouco de dor de cabeça, mas não falaria isso a Selliny, se não a outra começaria com mais um de seus discursos intermináveis e cansativos que instruía a famosa frase de; “Eu não disse? Simplesmente, não presta!”.


- Nenhuma é sua. Fui eu que paguei pelos livros. – Rachel retrucou, tentando acompanhar as passadas rápidas da morena.


- Sim, mas foi para os meus peitos que aquele vendedor olhou.


- Ah, ele não olhou para nada que já não tenha visto. – Selliny balançou a cabeça, as madeixas incrivelmente negras e lisas roçando contra suas costas, chegando quase a altura dos quadris.


- Então por que não volta lá e levanta a sua blusa? – resmungou, fazendo Rachel sorrir desdenhosa. O grande problema entre as duas eram que ambas vinham da mesma casa; Sonserina, e jamais se davam por vencidas.


- Ora, porque eu já consegui o que queria. – ergueu um pouco a sacola que levava os livros. Todos empacotados por um papel amarelado, parecendo quase um pedaço de papelão fino, onde estava amarrado num laço firme por um cordão grosso.


- Você adora se aproveitar dos outros, não é mesmo? – Selliny perguntou com o cenho franzido, fazendo a amiga dar de ombros.


- Eu não me aproveito – Rachel defendeu-se, parecendo ofendida. – Apenas não as corrijo. Tenho culpa se a grande maioria da população é feita por pessoas burras e ingênuas?


- Seu coração grandioso e bondoso chega a ofuscar meu brilho, Rach.


Rachel fitou-a com um falso ar de espanto.


- Oh, desde quando você brilha, querida?


- Desde o momento que eu sou mais bonita que você.


- Meu Deus! – a amiga exclamou atônita. – Quem foi o monstro que te iludiu dessa forma?


Selliny deu de ombros, como se quisesse dizer que aquele assunto fosse óbvio demais para ser discutido.


- Eu disse!


Rachel encolheu os ombros e colocando-se ao lado da morena, suspirou.


- Oh Merlin, eu moro sob o mesmo teto de uma parasita convencida.


- Olha quem está falando; o protótipo perfeito de um Trasgo-bebê pisoteado por Gigantes!


Rachel já tinha a resposta venenosa pronta na ponta de sua língua, mas jamais pode proferi-la já que um grupo de jovens lunáticos passou por elas correndo como se fossem raios chicoteando o ar. Fazendo-as se encolherem para não esbarrarem em ninguém.


Rachel pode ouvir Selliny blasfemar com palavras árduas e bastante originais para uma mulher que se declarava culta o bastante para causar inveja a uma Rainha. Xingou sem piedade de Deusas a gnomos, enquanto ela própria fazia de tudo para proteger os livros e as penas que agarrou com força e trouxe de encontro ao peito.


Depois do furação humano, as duas se encararam descabelas e quase pálidas.


- Pirralhos! – Selliny exclamou revoltada. – Na minha época o Beco Diagonal não... – mas ela foi bruscamente interrompida quando sentiu algum corpo musculoso se chocar as suas costas. Ela já estava pronta para voltar a exclamar uma palavra bastante grosseira para o indigente quando se virou nos calcanhares numa pirueta rápida e se deparou com as mais incríveis irís verdes que já vira em toda sua vida.


Ela perdeu a fala... E completamente o ar.


Não. Já havia visto aquela mesma tonalidade que se empregavam nos olhos do belo rapaz que estava acompanhado por uma garota ruiva.


- Desculpe. – ele murmurou educado, a voz rouca saindo entre seus lábios firmes e bem delineados.


Selliny abriu e fechou a boca algumas vezes, uma sensação estranha socando dentro de seu estomago. Por um mero instante pensou que fosse a fome voltando a incomodar mais uma vez, mas depois percebeu que, o que estava sentindo, passava-se de; dejá vu.


Em algum momento dentro de sua cabeça, a lembrança dela mais nova, correndo pelos corredores de Hogwarts e chocando-se com um garoto moreno de olhos castanhos, fez-se presente. A imagem do futuro encaixou-se com as fisionomias do rapaz de seu presente, e espantosamente elas colidiram quase que perfeitamente, se não fosse pelos olhos verdes.


Olhos que ela lembrou-se imediatamente que se identificavam a, Lilian Evans.


O garoto lhe mandou um sorriso de canto e passou por ela como se sua presença fosse de pouca importância. O ar arrogante e as maneiras rudes pareciam ser uma marca registrada dele, junto com uma força poderosa que emanava de seu corpo viril.


A garota ruiva que o acompanhava apenas assentiu com a cabeça. Pelo menos ela era mais educada e... Gentil.


Rachel aproximou-se de Selliny, e com as mãos tremulas tocou no ombro da amiga que parecia tão gelada quanto um defunto.


- Liny... – sussurrou com dificuldade, seus olhos, como os da morena, ainda fixas nas costas do jovem. – Você...


- Sim. – Selliny respondeu pontualmente, a garganta arranhada pelas palavras que disse com dificuldade. – Eu o reconheci.


- É muita coincidência.


- Não. Eu considero destino. – respondeu, umedecendo os lábios. Por alguma razão, teve a necessidade devastadora de beber alguma coisa.


Rachel tentou controlar as próprias batidas descompassadas do coração antes de levar sua visão para o semblante ainda bastante abalado da amiga.


- Você viu a cicatriz? – perguntou hesitante.


- Eu me foquei mais nos olhos. – Rachel assentiu.


- Iguais dos da Evans.


Selliny piscou algumas vezes, os olhos marejando levemente.


- Merlin, Rach... Tantos anos.


- Sim. Mas nós duas sabemos que mais cedo ou mais tarde iríamos nos deparar com ele. Se não fosse aqui, seria em Hogwarts.


- Mas até lá eu estaria preparada psicologicamente!
Rachel passou a mão pelos cabelos castanhos num gesto nervoso, seus dedos finos ainda tremendo de maneira absurda. Era como se houvesse tido a visão de um fantasma.


- Ele é igual ao pai... - falou com a voz embargada num sentimento amargo. As lembranças do passado estavam vividas demais dentro de si. Mais do que algum dia estiveram. Foi como se seus anos de estudante houvesse ultrapasso as linhas do tempo e se posto presente diante de si.


Selliny olhou-a com intensidade antes de murmurar:


- Acabei de ver Harry Potter, o garoto mais famoso do Mundo Mágico. – Anunciou, seus olhos tornando-se numa tonalidade de preto assustadora. Por meros segundos, Rachel teve a visão perfeita da Comensal da Morte impetuosa e sanguinária que um dia fora, e não de sua grande amiga. – Filho de James e Lilian Potter, e que é caçado por Aquele que um dia eu servi fielmente.


- Mas não foi isso que te abalou mais. – Rachel retrucou, mantendo fortemente sua postura séria. Selliny não emitia nenhuma emoção.


- Aquele garoto vai me odiar profundamente quando souber...


- Ele não precisa.


- Rachel. Sirius é padrinho dele.


- E agora Black está morto. – Selliny respirou com dificuldade, as unhas de sua mão se cravaram em sua palma. Ela não se importou com o sangue.


- Por minha culpa!





And I don't want the world to see me
'Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am

I just want you to know who I am
I just want you to know who I am
I just want you to know who I am




Continua...



Tradução




E eu desistiria da eternidade para tocar você
Pois eu sei que de algum modo, você me sente
Você é o mais próximo do céu que eu jamais estarei
E eu não quero ir para casa agora



E tudo que eu posso provar é este momento
E tudo que eu posso respirar é a sua vida
Porque mais cedo ou mais tarde isso iria acabar
Eu só não quero sentir a sua falta essa noite



E eu não quero que o mundo me veja
Porque eu não acredito que eles entenderiam
Enquanto tudo é feito para ser quebrado
Eu só quero que você saiba quem eu sou



E você não pode lutar contra as lágrimas que ainda estão por vir
ou o momento da verdade em suas mentiras
Quando tudo se parece como nos filmes
Sim você sangra apenas para saber que está viva



E eu não quero que o mundo me veja
Porque eu não acredito que eles entenderiam
Enquanto tudo é feito para ser quebrado
Eu só quero que você saiba quem eu sou



E eu não quero que o mundo me veja
Porque eu não acredito que eles entenderiam
Enquanto tudo é feito para ser quebrado
Eu só quero que você saiba quem eu sou





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