FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout  
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
 

(Pesquisar fics e autores/leitores)

 


 

ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

::Menu da Fic::

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo


Capítulo muito poluído com formatação? Tente a versão clean aqui.


______________________________
Visualizando o capítulo:

2. Capitulo 1


Fic: A Vidente


Fonte: 10 12 14 16 18 20
______________________________

Londres — três anos depois


Lutando para se manter em pé, Ronald Billus Weasley, O nono Conde de Colinsmoor, saiu do bordel para a noite fria e úmida de Londres. No entanto, relembrar-se de quem ele era não ajudou muito a recuperar o equilíbrio. A sua importância social não endireitou as costas, estabilizou as pernas ou limpou o espesso nevoeiro que tomava conta da sua mente, causado pelo excesso de bebida. Ele rezou para que conseguisse chegar ate a carruagem, que estava estacionada a uma distancia discreta. Embora fosse fato que estava demasiado bêbado para se divertir com uma das moças da Sra. Button, ele tinha imaginado que conseguiria, pelo menos, caminhar para sua carruagem. Mas já não tinha tanta certeza disso.


Pisando cuidadosamente, um passo de cada vez, ele caminhou na direção da carruagem. Um barulho a direita atraiu a sua atenção, mas, ao se virar para espiar nas sombras, ele sentiu uma dor aguda na lateral do corpo. Às cegas, saiu de lado, satisfeito ao ouvir um grito de dor e uma blasfêmia. Ronald labutava para conseguir sacar a pistola do bolso, quando notou uma sombra imensa avultando na sua direção. Viu então o brilho de uma lamina se aproximando do seu peito e se esquivou para a esquerda. Soltou um grito quando a faca fez um corte profundo no seu ombro direito. Uma pilha de barris podres cheirando a peixe impediu, de uma maneira um tanto dolorosa, que ele caísse para trás.


Justamente quando pensou que seja lá quem estivesse tentando matá-lo de fato poderia obter sucesso, outra sombra surgiu. Era bem menor e pulou da densa escuridão para aterrissar justamente sobre as costas do seu agressor. Ronald sentia-se cada vez mais fraco. Finalmente, sacou a pistola do bolso, mas acabou percebendo que não estava conseguindo enxergar com clareza suficiente para atirar contra o homem que o apunhalara. Para completar, a pistola parecia muito pesada para ele segurar. Se era alguém em seu socorro, temeu que tivesse chegado tarde demais.


Luna segurou firme enquanto o homem que tinha esfaqueado o conde fazia o que podia para tira-la de cima das costas. Ela desferia socos contra a cabeça do sujeito ignorando as inúteis tentativas que ele fazia para segura-la - enquanto ela esperava pela ajuda de Toddy e Wynn. No momento em que eles chegaram, ela largou das costas do homem e deixou que os homens grandalhões de Lupin assumissem a briga. Cada vez que ouvia o som dos punhos acertando a carne, seu rosto delicado se contorcia.


Quando ouviu algo que soou muito mais dolorido do que os seus socos acertando uma cabeça muito dura, ela correu para o lado do conde.


Ele não se parecia muito com o elegante cavaleiro que ela tinha visto vez ou outra ao longo dos últimos três anos. Não apenas porque as suas roupas elegantes estavam um desastre, mas também porque fedia a bebida barata, mulheres da vida, peixe e sangue. Luna apanhou a pistola da mão hesitante, colocou-a ao lado, e então, com tiras arrancadas do saiote, ela enfaixou os ferimentos do conde do melhor jeito que pode. Rezou para que conseguisse estancar o sangramento ate que pudesse levá-lo para a casa de Lupin para cuidar adequadamente dos ferimentos.


— Preciso dele vivo — Ronald disse sua voz fraca e rouca de dor. — Preciso fazer perguntas.


Olhando para trás, Luna viu o homem largado no chão, Todd e Wynn pareciam satisfeitos, esfregando os punhos cerrados. —Vocês o mataram?


— Não, moça, só o colocamos para dormir profundamente — respondeu Wynn.


— Ótimo. O lorde quer fazer algumas perguntas.


— Muito bem. Vamos amarrá-lo, então, e levá-lo conosco.


— Minha carruagem... - Ronald começou a falar.


— Já se foi, milorde — atalhou Luna.


— O seu cocheiro esta vivo e seguro. — Wynn vai carregar o outro homem – explicou Todd ao se aproximar de Luna.


— Eu carrego o lorde.


Ronald tentou protestar enquanto era erguido do chão e carregado, como uma criança, pelo homem imenso, mas ninguém lhe deu ouvidos. Ele olhava para a pequena figura que os conduzia para fora do beco quando, de repente, percebeu que um dos seus salvadores era uma mulher. "Isto só pode ser uma ilusão causada pelo excesso de bebida", ele pensou.


Quando foi colocado sobre o confortável assento da carruagem, viu o seu cocheiro sentado à frente. A cabeça de Danny estava ensanguentada, mas seu peito subia e descia: uma prova concreta de que ainda estava vivo. A mulher entrou na carruagem e se ajoelhou no chão entre os dois assentos, pousando uma mão sobre ele e a outra sobre Danny para mantê-los firmes quando a carruagem começou se mover.


—Quem é você? — ele perguntou, lutando para se manter consciente e ao mesmo tempo se perguntando por que se importava.


— Guarde as suas perguntas, por enquanto, milorde — ela respondeu. — E melhor que elas esperem ate que possamos costurar o seu ferimento e que um pouco de toda aquela bebida que o senhor ingeriu nesta noite tenha saído da sua cabeça e da sua barriga.


A sua salvadora obviamente tinha pouco respeito pela sua posição social, Ronald pensou quando finalmente se entregou a escuridão que tentava arrastá-lo.


Luna se sentou na cadeira ao lado da cama e tomou um gole de café enquanto estudava o Conde de Colinsmoor. Ele estava cheirando melhor agora, mas suas feições elegantes mostravam traços da vida desregrada que levou no último ano. Ela tinha ficado desapontada e ate mesmo um pouco desgostosa quando ficou sabendo que ele estava se afundando na bebida e se envolvendo com prostitutas, mas Lupin dissera que os homens tendem a fazer tais coisas quando sofrem uma grande traição de uma mulher. Luna supôs que se o seu coração tivesse sido dilacerado de modo tão brutal, talvez também pudesse ter feito alguma tolice. Mas se portar como um animal no cio e beber ate cair pareceu excessivo. Mesmo assim, ela questionou se talvez o conde não tivesse perdido o juízo. Ele quase morrera em outras três ocasiões, e, mesmo assim, continuou fazendo coisas que o deixavam numa posição vulnerável. Será que ele pensou que era simplesmente um homem muito azarado? Esperava que ele soubesse que estava marcado para morrer e que ao menos tivesse alguma idéia de quem tentava matá-lo e por que. Luna não ansiava por fazer com que o homem atendesse aos seus alertas, mas Lupin sentiu que eles não poderiam mais continuar simplesmente vigiando-o. Estava na hora de agir.


Pelo bem do pequeno Anthony ela aceitou. O garoto via Luna e Lupin como a sua família. Quanto mais tempo essa situação perdurasse, mas difícil seria juntá-lo ao seu verdadeiro pai. Seu coração iria se partir quando a reunião acontecesse, mas ela estava determinada a cuidar para que Anthony não sofresse. Além disso, o garoto precisava do pai vivo para ajudá-lo a clamar pela sua herança e garantir seus direitos. Entre os gastos crescentes do conde e a ganância da sua mãe, não iria restar muito para Anthony herdar, a menos que o jogo acabasse logo. Era inaceitável para ela: Anthony era um inocente em toda essa historia, não merecia sofrer pelas tolices dos pais.


Luna sorriu para o seu primo Lupin quando ele adentrou a passos lentos no quarto. Lupin não costumava se mover rapidamente, parecia que todos os seus movimentos eram sempre lentos. Esse estilo combinava com seu corpo alto e esguio. Os que não o conheciam bem o consideravam um sujeito amável, porém um inútil, que vivia da riqueza dos seus antepassados. No entanto, às vezes, as aparências enganam. Lupin tinha sido incansável na sua luta pela vigilância dos Weasley. Juntou uma grande quantidade de informações, conseguiu reunir um imenso grupo de associados que se dedicavam a manter o conde vivo e a buscar provas de quem estava tentando matá-lo. Ele próprio tinha salvado a vida do homem em três ocasiões. A Inglaterra também se beneficiava dos múltiplos talentos de Lupin, pois ele era um dos seus agentes mais dedicados e bem-sucedidos. Às vezes Luna se perguntava se havia algo sobre os inimigos do conde que fizesse Lupin pensar que eles pudessem representar uma ameaça para a Inglaterra também. Contudo, ela nunca ousou perguntar. Lupin guardava com afinco os segredos dos país.


— Ele vai sobreviver — Lupin disse depois de examinar cuidadosamente os ferimentos do Lorde Weasley.


— Mais uma vez. O homem tem mais vidas do que um gato — Luna falou de modo arrastado.


— Seus inimigos são persistentes. — Lupin sentou-se aos pés da cama, com as costas recostadas contra a madeira ricamente entalhada.


— E muito espertos, também. Sem nossa ajuda, eles já teriam vencido o jogo há muito tempo, mesmo depois do lorde ter descoberto a terrível verdade sobre sua esposa.


— Ah, mas ele não descobriu toda a verdade.


— Acho que ele desconfia da maior parte. Ele já tinha fortes suspeitas de que aquele bebê morto não era seu. E também de que a sua esposa nunca lhe foi fiel e que nunca se importou muito com ele.


— Como você sabe de tudo isso?


— O melhor amigo dele se tornou meu amigo. Não se preocupe, querida. Eu realmente gosto do sujeito. Nós nos encontramos na primeira vez em que salvei a vida desse pobre beberrão. Pensei que ele pudesse ser útil, mas logo percebi que se tratava de um homem que eu poderia chamar de amigo. E ainda mais importante... que ele era alguém em quem podia confiar.


Luna assentiu e colocou ao lado a xícara vazia.


— Quanto este tal amigo sabe?


— Quase tudo. Adivinhou sozinho a maior parte. Uma vez que eu já estava inclinado a não mentir para o homem, deixei subentendido que tinha começado a cuidar do caso logo depois do segundo atentado contra a vida do conde. Ele me contou que foi exatamente depois da segunda tentativa de assassinato que Lorde Weasley começou a acreditar que a esposa o queria morto, que ela havia deixado de se contentar em apenas traí-lo com outro.


— Quem é este amigo?


— É o ilustre Sir Neville Longbottom.


— Oh, eu o conheço. Nós nos encontramos uma vez na casa de Lady Millicent. Ele é muito gentil com Lady Millicent, muito mais do que a própria filha dela.


— Ele é um bom homem e se preocupa muito com o amigo. Foi por isso que enviei uma carta para ele nesta manha, informando sobre os ferimentos do Lorde Weasley e pedindo a ele para guardar segredo. Segredo absoluto. Ele deve chegar em breve.


— Tem certeza de que fez bem? Lorde Weasley pode não querer que outros escutem o que temos para lhe contar. — Lupin suspirou.


— Foi uma decisão difícil. Mas o conde não nos conhece, não e mesmo? Por outro lado, ele conhece Neville há anos, confia nele e se abriu com o homem em varias ocasiões.


— Desconfio que tenha sido depois de entornar vários copos.


— É exatamente nesses momentos que um homem se abre — Lupin falou de modo pachorrento e sorriu ao ver Luna revirando os olhos. — Achei que o conde pudesse precisar de um amigo, Luna, e Neville é o único amigo próximo que ele tem. As verdades que vamos revelar ao lorde são duras e ele precisa acreditar em nós. — Você disse que ele já suspeitava — Luna iniciou.


— Suspeitas não possuem o mesmo peso, nem exercem o mesmo estrago no coração de alguém. Preencheremos uma serie de vazios onde pairavam apenas suspeitas e ainda vamos lhe dar provas. Ainda há mais um fato frio e duro que teremos de apresentar a ele, um que poderia fazer muitos homens caírem de joelhos. Certamente me afetaria muito mais profundamente do que eu posso imaginar. Podemos precisar da ajuda de Neville para impedir que esse tolo não saia de arma em punho, convencê-lo a permitir que continuemos o jogo.


— Que jogo?


Luna e Lupin olharam surpresos para Lorde Weasley. Não tinha ocorrido nenhum alerta de que ele estava prestes a acordar, nenhum movimento, nem mesmo um leve ruído. Quando ele tentou se sentar, arfou de dor e ficou muito pálido. Rapidamente, Luna ajeitou um travesseiro em suas costas, enquanto Lupin o amparava para que ele pudesse beber um pouco de cidra com ervas para evitar infecções e fortificar o sangue.


— Conheço você — Ronald disse depois de respirar fundo algumas vezes, bem devagar, numa tentativa de se esquivar da dor. — Você é Sir Remus Lupin Wherlocke de Starkley.— Ele olhou para Luna. — Mas não a conheço.


— Luna Wherlocke. Sou prima de Lupin — Luna apresentou-se. Definitivamente havia algumas semelhanças entre os dois, Ronald concluiu. Luna também era esbelta, apesar de ser bem mais baixa do que o primo. Ronald duvidou que Luna tivesse mais do que um metro e meio. Ela tinha os cabelos de um tom de loiro tão claro que era quase branco, mas os seus pareciam ser muito lisos enquanto os de Lupin eram castanhos e não passavam de cachos e ondas indomáveis. Com seus imensos olhos azuis Luna era mais engraçadinha do que bela. Ronald  quase pulou de susto quando, de repente, se lembrou de onde tinha ouvido aquela voz suave antes.


— Você estava lá — ele disse. — Quando eu fui atacado.


— Sim, eu estava. — Luna decidiu que seria melhor não contar para o homem como ela soubera que ele precisava de sua ajuda. Era comum as pessoas terem dificuldades para entender, ou tolerar, as suas premonições. — Eu e os homens de Lupin, Todd e Wynn.


Com a mão esquerda Ronald tocou nas ataduras ao redor da sua cintura e do ombro.


— Qual a gravidade?


— O senhor vai sobreviver. Os ferimentos foram profundos o suficiente para necessitarem de pontos, mas não são mortais. A área foi bem limpa, o sangramento estancou rapidamente, e o senhor continua sem sinal de febre ou infecção. Além disso, o senhor dormiu tranquilamente por quase dois dias inteiros. O que é bom.


Ele assentiu abatido.


— Eu deveria ir para casa. Meu criado pode cuidar de mim e livrá-los do fardo.


— Isso não seria sensato — aconselhou Lupin. — É a quarta vez que alguém tenta assassiná-lo, milorde. Desta vez, aqueles que o querem morto quase conseguiram. Na verdade, chegaram muito perto. Acho que o senhor deveria considerar a possibilidade de deixar que eles fiquem pensando que conseguiram. Os rumores sobre o seu triste destino já começaram a se espalhar pelas rodas sociais.


Antes que Ronald pudesse perguntar como Sir Lupin sabia que este tinha sido o quarto atentado, ele foi surpreendido com a chegada de Neville Longbottom. Ele observou seu velho amigo cumprimentar Lorde Lupin de um modo acalorado e se perguntou quando os dois homens tinham se tornado tão íntimos. Mas Ronald ficou ainda mais surpreso quando Neville cumprimentou a Srta. Wherlocke como se também a conhecesse há um bom tempo. Finalmente Neville se aproximou da cama para estudá-lo.


— Ou aqueles que estavam tentando matá-lo são completamente incapazes ou você é um homem muito sortudo, Rony — disse Neville.


— Acho que as duas coisas — respondeu Ronald. — Você veio para me levar para casa? — Então, percebeu que Neville olhou para Lupin antes de responder e este acenava negativamente com a cabeça.


— Não — respondeu Neville.


— O que está acontecendo aqui?


Edgar se sentou na cadeira que Lupin tinha colocado ao lado da cama.


— Decidimos que já está na hora desse jogo mortal terminar, Rony. Você foi atacado quatro vezes. Quatro vezes alguém tentou matá-lo. A sua sorte não pode durar por muito mais. Você realmente quer continuar dando chance para eles conseguirem? Para eles vencerem?


Ronald fechou os olhos e sussurrou uma blasfêmia. Estava dolorido, mas se perguntava o que havia naquela bebida que tinham lhe dado, pois a sua dor definitivamente estava bem mais amena do que quando acordara. Mesmo assim, ele não tinha vontade de discutir aquele assunto. Por outro lado, Neville tinha razão. Até então ele tivera sorte, mas desta vez, não fosse pelos Wherlocke, estaria morto em um beco úmido do lado de fora de um bordel. Mas o que os Wherlocke tinham a ver com os seus problemas, ele não sabia. Seu olhar se voltou para Neville novamente.


— Não, eu não quero que eles vençam, seja lá quem sejam — ele respondeu.


— Acho que você sabe exatamente quem está por trás disso tudo, Rony — Neville disse calmamente, com um olhar gentil.


Sem vontade de dizer o nome, Ronald voltou suas atenções para os Wherlocke e franziu a testa.


— O que exatamente vocês têm a ver com isso tudo?


Luna sentiu uma pontada de simpatia pelo homem. Ela sabia que a dor que pairava naqueles olhos cor do mar não era apenas por causa dos ferimentos.


Mesmo que ele tivesse perdido todo o seu amor pela esposa, a traição ainda parecia feri-lo profundamente e ela estava prestes a adicionar mais dor. Quando seu primo retomou o lugar aos pés da cama, ela cruzou as mãos sobre o colo e tentou pensar no que ia dizer e qual seria a melhor maneira de fazê-lo.


— Creio que podemos deixar para mais tarde as explicações de como acabamos nos envolvendo nisso — Lupin respondeu.


— Assim será melhor — Luna concordou e em seguida lançou um leve sorriso para Ronald. — Estamos envolvidos com os seus problemas há algum tempo, milorde.


Neville assentiu. — Lupin foi quem o levou para minha casa da ultima vez que você foi  atacado.


— Mas não ficou até que eu pudesse lhe oferecer a minha gratidão pelo socorro prestado?— Ronald indagou.


— Não — Lupin respondeu. — O senhor não tinha se ferido tanto quanto desta vez e achei que ainda tínhamos tempo.


— Tempo para que?


— Para conseguir as provas que o senhor vai precisar para por um fim a este jogo mortal. — Lupin soltou uma leve imprecação. — Está na hora de sermos francos, milorde. O senhor sabe quem esta tentando matá-lo. Neville sabe. Nós sabemos. Posso entender a sua relutância em reconhecer a verdade cruel em voz alta.


— Você pode?


— Oh, sim, certamente. Nossa família sabe muito bem o que é uma traição.


— Certo — Ronald disse entre dentes cerrados. — A minha esposa deseja a minha morte.


— A sua esposa e o amante dela.


— Qual deles? — A amargura que escapou pela sua voz foi tão acentuada que Ronald quase estremeceu, embaraçado pela demonstração de emoção.


— O único que possivelmente poderia lucrar com a sua morte seria o seu tio, Percy Weasley.


Luna entrelaçou os dedos com forca e resistiu ao desejo de tocar em Lorde Ronald, de tentar aplacar a ira e a dor que ele sentia. Ela ficou aliviada quando Wynn chegou com chá e comida, incluindo um saudável prato de caldo de carne para o lorde. Era melhor que a dura verdade tivesse um tempo para assentar antes que eles continuassem. Ela começou a alimentar Lorde Ronald com o caldo e sentiu um alivio impar ao ver o modo como ele sorriu quase desanimado, para a porção ralinha, uma reação normal à maioria dos pacientes.


Neville e Lupin se moveram para a mesa colocada próxima a lareira para tomar chá, comer um pouco e conversar baixinho, enquanto ela cuidava de Lorde Ronald.


— Sobre o que eles estão falando? — Ronald perguntou entre uma colherada e outra do inesperadamente saboroso caldo.


— Suponho que seja sobre o senhor — Luna respondeu. — Devem estar fazendo planos para mantê-lo vivo e derrubar os seus inimigos.


— O interesse de Neville posso entender, mas ainda me pergunto o que você e o seu primo tem a ver com isso?


— Que tipo de pessoas seríamos se, ao sabermos que alguém corre perigo, virássemos as costas simplesmente por se tratar de um desconhecido?


— Seriam pessoas normais.


— Ah, mas poucas pessoas consideram os Wherlocke normais. — Depois de lhe dar a última colherada do caldo, Luna colocou o prato de lado e retomou o seu assento ao lado da cama. — Talvez simplesmente sintamos um dever não permitir que as pessoas se livrem da pequena nobreza de acordo com o humor delas. Ainda bem, pois imagine o caos que seria.


— Basta com o seu atrevimento — disse Lupin enquanto ele e Neville se juntavam aos dois. — Podemos dar continuidade aos nossos planos, milorde? — ele perguntou para Lorde Ronald enquanto mais uma vez se sentava aos pés da cama. — A menos, é claro, que o senhor aprecie um "pegue-me se for capaz", lento e suicida.


— E você me acusa de atrevimento — Luna murmurou, mas todos a ignoraram.


— Claro que não! Eu não gosto deste jogo — Lorde Ronald crispou, e então suspirou. — Mas eu gostaria de poder ignorar a dura verdade que esta diante da minha cara. É ruim o bastante saber que a sua esposa o traiu não uma, mas repetidas vezes. Imaginar que o próprio tio não apenas o traiu, mas que ele e a dita esposa desejam a sua morte e ainda pior. No entanto, nisso sou um completo idiota. Vocês estão certos. Desta vez, eles quase conseguiram. Só não sei ao certo o que pode ser feito quanto a isso. O homem apanhado disse algo de útil?


— Temo que não — Lupin respondeu. — Ele disse que o homem que o contratou estava bem escondido sob um casaco enorme, chapéu e um lenço de pescoço. A única certeza que ele tem é de que o homem era um nobre. Roupas finas, palavreado elegante, cheirando a limpo. Todas as pistas de sempre. Ele também disse que recebeu uma coroa para seguir o senhor até que uma oportunidade de matá-lo surgisse e então que deveria agarrar a oportunidade.


— Uma coroa? Só isso? — Ronald se sentiu insultado com o valor. — A vida de um conde deveria valer mais do que isso.


— Para aquele homem uma coroa era uma pequena fortuna. Também prometeram-lhe pagar mais se ele conseguisse provar que você estava morto. E, não, não há nenhuma possibilidade de conseguir apanhar alguém em flagrante.


Havia um plano para a entrega do restante do pagamento. Um modo que permite que o seu inimigo não seja descoberto. Além do mais, será preciso apresentar uma prova de que você está morto e isso não temos como forjar. Estou assumindo que você goste bastante da sua mão direita.


— Pode ter certeza disso. — Ronald franziu a testa ao olhar para a sua mão direita, mais exatamente para a cicatriz disforme que se espalhava sobre o dorso. — Foi quase que por um milagre que não a perdi na ocasião que ganhei esta cicatriz. Foi em um duelo — completou, ao notar a curiosidade que os Wherlocke não conseguiram esconder. — A primeira e última vez que lutei em nome da honra da minha esposa.


Ronald estava começando a se sentir muito cansado e sabia que não era apenas devido aos ferimentos. Era seu próprio turbilhão emocional que estava roubando suas forças. Sentia um peso no espírito e no coração. Não fora apenas seu orgulho que tinha sido estraçalhado pela traição da esposa, mas a sua confiança em si mesmo e no seu poder de julgamento. No entanto, ele já tinha se deixado arrastar na autopiedade por tempo suficiente. Por mais doloroso que fosse encarar a verdade, não havia como continuar ignorando-a... não se ele quisesse continuar vivo. Afundar na bebida e com prostitutas para alguns pode ter soado como uma forma lenta de suicídio, mas essa nunca tinha sido a sua intenção. Ele certamente se sentira arrasado, mas não o bastante para encarar o frio esquecimento do túmulo.


— Neville e eu achamos que você deveria se fingir de morto por enquanto — disse Lupin. —Exceto por nós, o único que sabe que você esta vivo é o homem que o atacou. Mas logo ele estará muito distante para contar a verdade para qualquer um.


— Quanto aos seus criados...


— Eles guardarão segredo. — Lupin soltou um leve sorriso para a fisionomia desconfiada de Ronald. — Você terá de aceitar a minha palavra, milorde. Nossa família e nossos primos, os Vaughn, têm criados cuja lealdade e silêncio são absolutos.


— Algo pelo qual muitos seriam capazes de pagar uma fortuna. Então, eu permaneço morto. E continuo escondido aqui?


— Você confia no silêncio dos seus criados?


— Não em todos. — Ronald suspirou. — Ainda não entendo como você acabou se envolvendo nessa confusão.


— Estamos envolvidos desde o inicio, milorde — disse Luna. — Desde a noite em que a sua esposa deu a luz...


— Ao filho de outro — ele esbravejou. — Aquela criança não era minha.


— Eu sei milorde. Aquele menino era o filho da minha irmã.


Ronald ficou sem palavras. Enquanto lentamente recobrava a consciência o suficiente para começar algumas perguntas, sentiu que antes precisava fazer algo muito urgente. Tentou nem pensar na necessidade, mas relutantemente acabou aceitando que seu corpo não escava disposto a esperar ate que ele tivesse as respostas que precisava.


— Maldição — ele murmurou. — Precisamos falar sobre isso, mas neste instante — hesitou, e em seguida disse: — Preciso de um pouco de privacidade.


— Sim, eu compreendo. — Luna se levantou, logo percebendo o motivo da pressa, e saiu caminhando rumo à porta. — Eu darei as respostas para as suas perguntas quando voltar.


— Como ela pode saber quais são as minhas perguntas? — ele perguntou para Lupin assim que Luna saiu e Neville rapidamente se moveu para ajudá-lo com as suas necessidades intimas.


— Oh, ela pode adivinhar facilmente — respondeu Lupin.


Ronald lutou contra o sentimento de humilhação enquanto os dois homens o ajudavam, lavando-o e trocando seu traje de dormir por outro limpo. Ele odiava se sentir tão fraco e indefeso, mas foi obrigado a aceitar que naquele momento aquela era a sua situação e ele precisava de toda a ajuda que pudesse conseguir. Quando finalmente abriu os olhos outra vez, percebeu que os dois o fitavam com um sorriso preocupado. Então ele se lembrou do que Luna tinha dito e franziu a testa. Ronald preferiu pensar que tinha entendido errado.


— Ela disse mesmo que aquela criança era da irmã dela? — indagou. — Que eu enterrei o filho da irmã dela na cripta da minha família?


Lupin suspirou e assentiu.


— Era o filho da irmã dela, Laurel. Laurel se casou com um homem pobre que morreu durante uma pescaria. Ela sabia que não iria conseguir sobreviver ao parto e que estava muito enfraquecida por causa de uma febre recorrente da tristeza. Dois homens apareceram, enquanto Laurel jazia a beira da morte ao lado do filho que tinha nascido morto, e levaram a criança.


— Mas por quê? Romilda estava fingindo a gravidez? Tudo não passou de uma mentira?


— Nem tudo — respondeu Luna ao entrar no quarto e se aproximar da cama, trazendo escondido atrás da saia o pequeno Anthony. — A sua esposa de fato estava grávida. Ela e Laurel deram a luz ao mesmo tempo, algo que a sua esposa sabia, pois tinha a parteira em suas mãos. Para dizer a verdade, creio que a parteira tenha planejado tudo para que as duas mulheres dessem a luz ao mesmo tempo.


— Isso não faz sentido — Ronald murmurou. — Se Romilda estava grávida, o que aconteceu com a criança? Onde ela foi enterrada?


— A criança não foi enterrada, milorde, apesar de Laurel e eu termos feito de tudo para que sua esposa acreditasse que o filho dela se encontra no túmulo ao lado de Laurel. Uma troca foi feita. O filho vivo de Lady Romilda foi trocado pelo filho morto da minha irmã.


— Mas por quê? Com que propósito?


— Por quê? Porque a última coisa que a sua esposa e o seu tio queriam era que o senhor tivesse um herdeiro.


— Mas se a criança nem era minha. Aquela mulher nunca foi fiel. — Luna o encarou por um momento e, então, sorriu.


— Então parece que o senhor tirou a sorte grande, milorde. Pois o filho é seu.


— Você viu a criança? Sabe o que aconteceu com o bebê?


— O bebê foi bem cuidado, — Luna puxou Anthony detrás do seu corpo. — Esta criança é a cara do pai. Milorde, conheça Anthony Peter Chadwick Weasley, o seu filho e herdeiro.


Ronald olhou no fundo daqueles olhos azuis como os seus. As madeixas ruivas cobriam a cabeça do garoto. Madeixas que lembraram Ronald dos seus próprios cabelos nos tempos da infância. Ronald olhou para os três adultos que o observavam atentamente e então contemplou novamente aqueles olhos que marcavam a criança como sendo sua. Quando abriu a boca para falar, ele sentiu que mergulhava na escuridão.

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo

Menu da Fic

Adicionar Fic aos Favoritos :: Adicionar Autor aos Favoritos

 

_____________________________________________


Comentários: 0

Nenhum comentário para este capítulo!

_____________________________________________

______________________________


Potterish.com / FeB V.4.1 (Ano 22) - Copyright 2002-2026
Contato: clique aqui

Moderadores:



Created by: Júlio e Marcelo

Layout: Carmem Cardoso

Creative Commons Licence
Potterish Content by Marcelo Neves / Potterish.com is licensed under a Creative Commons
Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License.
Based on a work at potterish.com.