Voldemort se fora da Casa dos Gritos deixando Severo Snape quase morto no chão, com o veneno de sua cobra no organismo. Harry, Rony e Hermione se aproximaram do ex-professor que mal respirava. Snape deu suas lembranças a Harry que correu para a antiga sala de Dumbledore afim de descobrir as informações que elas traziam. Rony em seu encalço.
Hermione, no entanto ficou, desesperada vendo Severo Snape à beira da morte. Para ela o fato dele dar lembranças à Harry Potter no que acreditava ser seu último suspiro era o sinal de que havia uma explicação para tudo aquilo, havia uma explicação para a morte de Dumbledore. A menina já esperava há quase um ano por aquele sinal e ele finalmente chegou.
Hermione tirou de sua bolsinha uma poção para repor sangue e fez um feitiço para multiplica-la. A menina fez a primeira dose escorregar por sua garganta e logo viu um pouco de cor voltar a seu rosto. Ela tinha alguns minutos ainda, antes que a guerra recomeçasse. Voldemort havia retirado suas forças e estava esperando Harry procura-lo. Hermione tirou de sua bolsa uma chave de portal que estava guardando há um ano, esta chave levaria a menina de volta a seus pais, na Austrália. Segurou Snape com a mão direita, bem firmemente, e a chave de portal na mão esquerda e se sentiu sendo levada.
Snape chegou desacordado, estirado na calçada. Felizmente já era madrugada e não tinha ninguém no tranquilo bairro onde os Granger moravam. Era uma rua tipicamente residencial e as casas eram um pouco distantes uma das outras. A casa de seus pais era graciosa e toda verde, sua cor favorita. Será que os pais lembravam-se dela de alguma maneira? Ansiosa para ver os pais novamente depois da separação brusca Hermione tocou a campainha várias vezes até que finalmente um Sr. Granger sonolento atendeu a porta.
- Quem é você garota? Bater essa hora na casa dos outros, francamente.
Hermione não pode deixar de sorrir para o pai. Mas logo apontou a varinha para ele e lhe devolveu a lembrança. A mãe que já aparecia no corredor que levava à porta de entrada, a fim de saber o que estava acontecendo, também teve suas lembranças restauradas.
- Hermione? – Sra. Granger falou. – O que está acontecendo? Por que esquecemos de você? Por que estamos na Austrália?
Hermione se adiantou e abraçou seus pais. Estava muito emocionada por encontra-los novamente. Mas a preocupação por Snape ardia em seu âmago, de maneira que a moça se conteve e afastando-se dos pais, disse com muita seriedade:
- Depois, mãe, eu prometo. Agora me ajudem.
A menina se voltou para Snape, os pais assustados ao ver o homem quase morto no chão ajudaram a leva-lo para sala de estar. Por um momento esqueceram a emoção pelo reencontro com a filha diante do estado daquele ser humano.
Hermione multiplicou novamente a poção de repor sangue, dessa vez em muitas vezes. Enquanto isso dava instruções aos pais:
- Mãe, faça com que ele tome uma poção dessas a cada dez minutos.
- Ele está sangrando muito. Não vai resistir. – Sr. Granger falou olhava preocupado par ao homem que sangrava em seu sofá.
- Todo esse líquido esverdeado saindo da ferida dele. – Sra. Granger estava horrorizada.
- Ele foi ferido por uma cobra mágica. Por enquanto é bom que o veneno dela esteja saindo pela ferida, sendo expelido do corpo dele. – Hermione explicou. – Essa poção vai ajudá-lo a limpar o sangue. Eu vou sair daqui e garantir que a cobra seja morta. Quando isso acontecer, credito que a magia vá acabar e o veneno vá deixar de existir. Vocês perceberão que o líquido verde de extinguirá. Continuem a dar a poção pra repor sangue mesmo assim, e passem a se empenhar em estancar o ferimento.
Hermione se encaminhou para porta. A mãe fez menção de ir atrás dela, mas ter um homem quase morto agora sob sua responsabilidade a fez parar. A filha tinha uma missão a cumprir. Ela sentiu que a maneira de ajudar era mantendo aquele homem vivo. Depois elas teriam tempo para todas as explicações. Sra. Granger procurava então, se empenhar em sua tarefa e aquietar seu coração de mãe.
Depois de alguma tempo, como Hermione havia falado, o líquido esverdeado parou de sair da ferida de Severo Snape, e os Granger entenderam que era hora de começar a tentar estancar o ferimento.
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Quando o veneno deixou seu corpo Snape começou a voltar a si. Ele ficou, a partir deste momento, consciente; embora não tivesse forças nem para abrir os olhos. Apenas ouvia o que falavam a sua volta e sentia mãos gentis tentando curá-lo, em meio a um mar de dor.
Ouviu então a voz de uma mulher:
- Ela vai ter que explicar direitinho por que fez isso. – parecia indignada. – Ora, nos enganar desse jeito. Tínhamos uma vida na Inglaterra.
- Querida. – um homem, que pareceu ser o marido da mulher que falara anteriormente, respondeu. – Não finja que você liga pra vida que tínhamos na Inglaterra. Eu te conheço. Estamos casados há tantos anos... O seu pesar é porque ela nos afastou da vida dela.
- Isso é pouco para você? – a mulher questionou, sentida.
- Claro que não, querida. – o homem falou com condescendência. – mas não acho que ela tenha feito isso por ingratidão, ou porque não nos ama. É claro que ela também deve ter sofrido muito com essa separação.
Quem era essa de quem o casal falava afinal? Snape se perguntava. A última coisa que o homem lembrava era de ter dado a lembrança a Potter, na casa dos gritos. Tinha esperado a morte, mas ela não viera. E agora fora parar, não sabia como, na casa de estranhos que o estavam ajudando sem que ele soubesse o porquê.
- Acho que algo muito sério está acontecendo no mundo dela, querida. Algo que a fez tentar nos proteger nos fazendo esquecer dela. – o homem falou novamente.
Então eram trouxas. Pelo jeito falando de uma bruxa. Ele começava a desconfiar do que se tratava.
- Nós que deveríamos protege-la. – a mulher disse, parecia a beira das lágrimas. – Nós somos os pais dela.
- Hermione é uma bruxa, querida. O que nós faríamos por ela?
Então Severo finalmente compreendeu. Hermione o salvara. O levara para casa dos próprios pais, em algum país longínquo, pra onde ela os tinha mandado – após apagar suas memórias. – a fim de protege-los. Ela era mesmo uma jovem brilhante.
- Está na hora de dar a poção para ele de novo. – Sra. Granger falou. – Hermione disse de dez em dez minutos.
- Sim, dê a ele querida. – Sr. Granger falou. – Consegui estancar o ferimento, farei um curativo agora.
Severo engoliu toda a poção que a mãe de Hermione levou a seus lábios. Ele sentia que o veneno da cobra tinha deixado seu corpo, o que significava que a cobra estava morta. A poção para repor sangue, que ele logo reconheceu o gosto, deveria ter ajudado a limpar seu sangue a princípio. E agora, que o veneno se fora, ela estava de fato repondo o sangue perdido. Hermione deve ter mandado seus pais estancarem o ferimento quando o veneno parasse de escorrer. Ela sabia mesmo o que estava fazendo. Ele não esperava menos da maior sabe tudo que Hogwarts já tivera.
A essa altura ele já se sentia capaz de abrir os olhos. A mulher foi a primeira a reparar que ele estava acordado.
- Olá. – ela falou em um tom tranquilizador. – Está tudo bem com você. Procure não se esforçar muito.
- Sei que deve estar estranhando o lugar. – Sr. Granger falou. – Você está na Austrália, em nossa casa. Somos os pais de Hermione Granger.
- Não sabemos onde ela está agora - a mãe falou. – Mas ela voltará em breve.
- Ela está na guerra. – Severo Snape murmurou. – Na última batalha.
- Guerra? – Sra. Granger exclamou.
- Se acalme. Se eles conseguiram matar a cobra é um bom sinal. – ele falava baixo, mas sem sentir dor. – Há um bruxo muito poderoso e cruel; Hermione e muitos outros estão lutando contra ele.
- Há quanto tempo isso está acontecendo? – Sr. Granger questionou.
- Há décadas. – Severo respondeu. – Mas se agravou bastante no último ano.
- Por isso apagar nossa memória e nos mandar pra Austrália. – Sr. Granger afirmou, compreendendo. – Viu, querida? Já sabemos o que houve.
Sra. Granger olhou com firmeza para uma marido. Severo viu que ela sentia orgulho da filha, mas não queria admitir em voz alta que Hermione crescera e já podia se cuidar sozinha.
- É melhor não falar muito. – ela disse para Severo. – Descanse senhor...?
- Snape. – ele murmurou. – Severo Snape.