Concideracões:
Olá pessoal! Prazer, meu nome é Juane Vaillant e sou uma roteirista, escritora e procutora cultural, que é apaixonada por Harry Potter (e principalmente pelo Sirius Black) que ficou 6 anos sem escrever uma fan fic e está de volta!
Escrever sobre a saga de Sirius Black saindo da prisão, é um pensamento antigo que agora resolvi executar. Pretendo atualizar com uma certa frequência e espero que vocês gostem.
É sempre bom lembrar, que essa história é uma fan-fic. E embora eu vá usar muitos elementos da história original, e tentar menter o tom, muitas coisas saem da minha cabecinha e é para isso que as fan-fics servem afinal.
Então, bora lá?
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Prólogo: Prisioneiro de um silêncio cão.
Ler realmente me fazia falta.
Fui uma criança que leu muito. Que alternativa você tem quando não se identifica com as crianças ao seu redor? Nem com os adultos? Nem com os elfos domésticos? Com ninguém?
No meu caso, eu arrumei um mundo particular.
Então é claro que eu sentia falta de ler. Especialmente porque não tinha nada pra fazer. Uma das piores sensações do mundo. Nada pra fazer. Nem nas paredes, nada escrito. Um homem tinha se matado na minha cela. Antes que eu estivesse nela, claro. Tinha se debatido de um lado para o outro durante um surto de loucura. Ficou uma grande sujeira, para dizer o mínimo. Alguém usou um feitiço de limpeza, tiraram tudo. As paredes ainda estão feias e os fungos voltaram a aparecer pouco depois. Porém parecia mais nova do que as outras. Nova e sem o mínimo de vida.
Eu já tinha me acostumado com a umidade, com o chão frio, com a falta do sol. Você acredita se eu disser que tinha me acostumado com os dementadores?
Eu tinha.
Mas eu achava aquele silêncio desesperador.
Não o “de fora”. Havia muita gritaria em Azkaban. Mas o silêncio de dentro. Outrora eu fui alguém de muitas ideias, muitos planos, muitas inquietações. Agora eu tinha pouca coisa pra pensar. E o motivo de eu não ter muita coisa para pensar era também a única coisa em que eu pensava.
Mas vamos com calma.
Eu queria mesmo um jornal aquele dia. As vezes eu conseguia. Dependendo do guarda, e do humor dele, rolava. O Profeta Diário é um lixo e todo mundo sabe. Mas ainda assim é melhor do que nada. E sempre tem as matérias sobre a copa de quadribol e alguns contos bacanas, e esses eu gostava de ler. Eram as que eu deixava por último.
O quarda que passou por mim foi o Carl. Carl Morgan. Ele era um cara legal. Foi auror um dia, e nós trabalhamos juntos certa vez. Ele tinha me visto uma vez na vida antes de Askaban. E mesmo assim, me salvou da loucura.
Eu tinha chegado aqui há dez meses. Minha fase da raiva havia passado. Minha fase da exprema depressão também. Eu estava começando a achar que ia pirar. Um dia, que poderia ter sido só mais um dia nesse lugar bolorento, Carl dividiu uma garrafa de Whisky de fogo comigo. Disfarçadamente, por entre a grade. Dois presos novos haviam chegado e os dementadores adoram carne nova. Estamos sós no corredor. Quer dizer, outros dois presos enlouquecidos estavam gritando em suas celas, mas eles não estavam exatamente observando nada.
Carl tinha terminado um relacionamento de sete anos. Era uma trouxa que era cantora. Motivo do termino: Ela estava ficando famosa. Os bruxos tem que ser discretos para os trouxas, ou muita confusão pode acontecer. Ela queria muito a carreira, achou melhor terminar. Enfim, essas coisas da vida.
Quando a garrafa terminou, entre um soluço e outro, ele disse:
- Black, eu sei que não foi você.
- O que vocês está dizendo Morgan? Eu perguntei meio incerto. Quase um ano sem beber faz isso com uma pessoa.
- Eu sei que você é inocente. - Ele disse, esperando um tempo. - Ela riu, sabe.
- Ela quem?
- Lestrange. Bellatriz. Quando perguntaram no julgamento se "outros Black" além de vocês eram Comensais.
- Ela não acusou a irmã? Nem meu irmãozinho? Disse eu sarcastico.
- Não. Mas isso não importa. - Ele disse confuso. - Ela disse que você nunca seria o braço direito de… Você-sabe-quem. E que você nunca teria coragem suficiente para se juntar com os comensais.
- Ela não me deixaria ficar com o mérito mesmo. - Eu disse e ele me olhou de soslaio. - Não que eu ache isso um mérito. Mas ela acha. E muito.
- Pois bem… Ele disse e foi se levantando e se preparando para sair, levando a garrafa vazia.
- Carl! Eu disse, falando o primeiro nome dele pela primeira vez.
- Fala Black. Ele respondeu, ainda usando meu meu sobrenome.
- Obrigado. Eu falei com o coração apertado.
Carl era um dos únicos guardas “bruxos” de Azkaban. Fazia duas rondas por semana. E ganhava muito bem. Até porque, trabalhar tão perto de dementadores é o que definitivamente pode-se chamar de profissão “insalubre”. Poucas pessoas sabiam da existência desses guardas. Eles basicamente garantiam que seria providenciado um enterro digno para o bruxo caso ele morresse. Enfim... Eu chamei Carl, mas ele não me ouviu. Devia estar com a cabeça cheia de coisas. Droga. Tinha perdido minha chance de ler o jornal.
Mas minha vida sempre foi baseada no seguinte ciclo: Eu vejo uma possibilidade > crio expectativas sobre > planejo o que vou fazer quando acontecer > percebo que o que eu esperei não não vai acontecer > sou surpreendido por alguma coisa maluca do acaso.
Eis que duas horas depois, ele aparece. O acaso. E o Fugde. Aquele abobalhado escroto. Eu sei que ele nunca foi com a minha cara. desde os tempos de auror. Talvez eu fosse “demais” em muitos sentidos. Um encomodo muito grande para se lidar. As vezes parecia que existia um fundo de felicidade nele, pelo fato de eu ter sido prezo. Ele disse umas três vezes quando eu fui detido: “Eu avisei, eu avisei”. Cuzão.
Mas hoje não era dia para rancor. Eu queria um jornal e ele tinha um.
- Oi Sr. Ministro, como vai? Eu falei, o mais simpático que pude parecer.
- O que você quer, Black? Ele perguntou me olhando de lado, falando com aquela voz vacilante que os covardes tem.
- É, já que você perguntou, eu gostaria de ler o jornal. Será que você pode me emprestar?
- Pode ficar, eu já li. Ele disse com certo desdem, jogou o jornal para dentro e saiu. Eu sorri em agradecimento. Mas ele não viu. Porém se visse, poderia achar que era um sorriso de deboche, uma vez que meu rosto estava tão sem carne e atrofiado, que eu só conseguia dar um meio sorriso.
Fui para o canto da cela, e ia começar meu ritual. Escolher uma matéria e ler. Deixar o resto para o outro dia. Mas lá vem ele, o acaso. Quando olhei para a capa do jornal, paralizei. A reportagem mostrava uma familia bruxa que havia ganhado um prêmio em dinheiro e decidido usar-lo para uma viagem ao Egito. Todos na foto tinha cabelos ruivos brilhantes e demonstravam estar muito felizes. Eu até jurava que conhecia os “pais” ali. Mas me subiu um odio imediato. Uma sensação tão pesada e sombria, que parecia estar alojada na minha garganta e que ia explodir a qualquer momento. A familia em questão não tinha muita culpa por isso. Mas havia uma pessoa que não era da familia na foto.
Mas porque ninguém achou isso estranho, só eu? Bem, ele não estava na sua forma humana. Peter. Peter Pettigrew. A pessoa que eu tinha sido acusado de matar, logo após trair a confiança de dois dos melhores amigos, as pessoas que eu mais amava no mundo. Peter estava ali, e vem vivo. Na sua forma de rato. Que apesar de não ser a forma que ele nasceu, era a que lhe cabia melhor.
Uma lágrima quente e grossa rolou pelo meu rosto. Há muito tempo eu não sentia nada quente perto de mim. Foi um sentimento tão bom, e ao mesmo tempo tão cruel, que acho que os dementadores, se estivessem ali por perto, seriam confudidos, não saberiam como agir.
Todos os anos eu queria muito provar que eles estavam errados. Que eu definitivamente não tinha feitos aquilo. Ficar na prisão era ruim, ser acusado de assassinato era ruim, mas nada, nada nesse mundo se comparava a dor que eu sentia por ter sido culpado de trair James e Lily. Eu tenho um milhão de defeitos. Sim, tenho. Sou arrogante, debochado, não sei a hora de parar uma brincadeira e muitas vezes quero ser o dono da verdade. Assumo tudo isso. Mas não, eu não sou um amigo falso. Um mau agradecido, um traidor. Eu teria morrido por eles dois e Harry. Eu queria que Harry soubesse disso. Mas ele provavelmente nem sabe da minha existência.
Continuei lendo a matéria quase impedido pelas lágrimas que me inundavam, enquanto minha cabeça se enchia de lembranças dos meus aureos tempos em Hogwarts, junto com James, Lily e Lupim.
Em meio a informações que não me interessavam como que um dos membros da familia da foto morava no egito, eu li algo que fez meu coração pular. Quase todos os filhos daquela familia estavam em Hogwarts.. Eles iam para lá em pouco tempo. Ou seja, Peter ia também.
Eu sinseramente não sei como ele foi parar ali, junto com aquela familia, e nem queria saber, mas o fato é que ele estaria perto de Harry. Muito perto. O que ele poderia fazer? Eu não queria pagar para ver. Eu não queria abrir um outro jornal, em um dia qualquer, e ler sobre a morte do “menino que sobreviveu”.
Eu tinha que sair dali.
Se Peter pode usar a forma dele de rato para se safar de tudo, eu poderia usar a minha para mais alguma coisa que não fosse virar um cachorro vez ou outra para despistar os dementadores.
Eu ia sair dali.
E essa história, bom, é sobre tudo que eu pensei enquanto planejava e executava essa, que seria a primeira fuga de Azkaban da história.
Tudo que você precisa é um motivo certo.
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Espero que tenham gostado, em breve tem mais.
E como de costume, comentem!