Parte 1: The Scientist (Coldplay)
Come up to meet you, Tell you I'm sorry
You don't know how lovely you are
I had to find you, Tell you I need you
And tell you I set you apart
Tell me your secrets, And ask me your questions
Oh let's go back to the start
Running in circles, Coming up tails
Heads on a silence apart
Nobody said it was easy
It's such a shame for us to part
Nobody said it was easy
No one ever said it would be this hard
Oh take me back to the start
I was just guessing at numbers and figures
Pulling the puzzles apart
Questions of science, science and progress
Do not speak as loud as my heart
And tell me you love me, Come back and haunt me
Oh and I rush to the start
Running in circles, Chasing tails
Coming back as we are
Nobody said it was easy
Oh it's such a shame for us to part
Nobody said it was easy
No one ever said it would be so hard
I'm going back to the start
Aah oooh ooh ooh ooh ooh (x4)
********************
Suspirou e fechou o livro com força, emitindo um baque surdo.
Ela relia aquele parágrafo pela oitava vez, mas simplesmente não conseguia se concentrar. Era como se as letras apenas passeassem diante de seus olhos, mas nenhuma informação era fixada.
E ela pensou pela primeira vez na vida que os livros não seriam capazes de ajudá-la a passar o tempo. O pior de tudo, é que aquilo não era um passa tempo! Precisava estudar! Precisava se dar bem naquele maldito exame! Precisava conseguir aquela promoção no Ministério! Precisava! Precisava... Precisava...
Precisava aquietar aquele maldito aperto que lhe comprimia o coração há tanto tempo que ela já nem sabia quanto!
O engraçado é que tudo parecia tão perfeito! Sempre desejara que terminasse exatamente da forma como estava: Harry feliz, Gina também, o mundo bruxo em paz, todos superando seus traumas depois da Guerra... Ela e Rony juntos...
Então porque se sentia daquela forma? Como se as coisas não estivessem em seus devidos lugares?
Certamente tudo estava em seu lugar!
Apesar de tentar o máximo possível, Hermione não conseguiu conter as lágrimas que mais uma vez rolaram de seus olhos.
Mais uma vez...
Imaginou que depois dos funerais de Guerra, jamais choraria de novo. Pensou que seus olhos tinham secado. E, francamente, tinha se enganado redondamente.
Agora era assim: sempre que estava sozinha, chorava como um bebê. Como se estivesse se afogando e clamando por ajuda. O problema era que ninguém ouvia seus soluços.
Na verdade, ela não queria que ninguém ouvisse. Principalmente ele, o motivo de tantas lágrimas. Rony não podia sonhar que ela estava daquele jeito. Afinal, ele não tinha culpa.
E ela percebeu que pela primeira vez estava chorando por ele, sem que o próprio tivesse feito nada para fazê-la sentir-se dessa forma.
Nenhum comentário insensível.
Nenhuma atitude grosseira.
Nenhum um grito.
Nenhuma discussão.
Tudo na mais perfeita harmonia e ela estava se sentindo daquele jeito.
Ela se amaldiçoava por isso.
Esfregou os olhos e se levantou fazendo a cadeira emitir um barulho fino ao ser arrastada pelo chão. Resolveu descer e beber um copo d’água. Nada de feitiços convocatórios, queria sentir-se trouxa, como em sua origem.
Passou diante do espelho de corpo inteiro que havia perto da porta e deixou que seu olhar cruzasse rapidamente com o reflexo da mulher abatida que era ela. Desceu as escadas lembrando da vez em que Rony fora buscá-la para sair e ela ainda estava se arrumando. Naquela noite, ele recebeu permissão da mãe dela para subir e apressá-la.
Ele havia batido na porta de uma forma estranhamente delicada, ouvindo uma resposta malcriada dela:
“Mãe, pare de me apressar sim! Ou eu saio somente de roupas íntimas!”
“Você não está falando sério, está?” - Foi a resposta dele enquanto colocava a cabeça para dentro do quarto devagar.
Ela se assustou, mas permitiu que ele entrasse e ficasse observando enquanto colocava os brincos e terminava de se maquiar. Ele apenas sentou-se na cama enquanto examinava minuciosamente as fibras da colcha que a cobria, a qual parecia muito interessante, ou ficava mexendo as mãos de maneira nervosa fazendo Hermione suspirar algumas vezes. Então, quando ela estava passando o batom nos lábios ele se aproximou abraçando-a pelas costas, os dois ficaram um tempo somente observando suas imagens refletidas no espelho. Abraçados. O queixo dele descansando no topo da cabeça morena. Ela acomodando-se no tórax dele. Até que a voz rouca ecoou junto ao ouvido dela:
”Mas eu adoraria vê-la usando somente roupas íntimas. Não aqui... Er... Não na rua... Você... Er... Bom, você sabe o que eu quero dizer...”
Os olhos de Hermione se abriram como tigelas e ela percebeu que as orelhas de Rony estavam mais vermelhas que um explosivin enfurecido. Não que eles nunca tivessem ido além dos beijinhos... Na verdade, os abraços já tinham deixado de ser apenas abraços há algum tempo. Mas era a mais pura verdade que eles ainda não tinham ido até o fim. E sinceramente, ela sabia que ele queria. O corpo dele dizia isso claramente como um letreiro de luzes néon. E Hermione também podia sentir ardentemente que tinha de ser com ele. Mas, dizer isso em palavras... Em voz alta... Eles não tinham experimentado antes.
Não. Não havia sido naquela noite que tinha mandado sua razão para o espaço e se jogado sobre ossos dele. Na verdade, eles planejaram tudo muito bem. O lugar, a ocasião, ficou atenta ao seu ciclo menstrual. Ela estudou sobre o assunto. Leu várias revistas e surpreendentemente, ele também! Hermione achava uma gracinha quando ele dizia que queria ser perfeito para ela. Bom, a preparação havia sido bem racional, mas quando eles estavam lá e trocaram as primeiras carícias... Ah, foi puro magnetismo. E foi perfeito. Bom, para os padrões de uma primeira vez, claro.
Ela sorriu ao ter essas recordações. Abriu a geladeira e retirou a garrafa de água, levando-a até perto do armário, onde tirou um copo verde translúcido, enchendo-o logo em seguida. E enquanto engolia a água, começou a sentir novamente: a angústia, o vazio, aquela vontade de ficar sozinha... Sem ele.
Droga! Eles se amavam desde antes de saberem disso! Desde sempre! Então o que diabos estava acontecendo? Porque os silêncios desconfortáveis, a falta de vontade de vê-lo... Essa tristeza que só aumentava.
Era ilógico! Totalmente irracional! Onde tinha ido parar todo aquele entusiasmo que ela sentia? Cadê o friozinho na barriga ao saber que ele estava chegando? Porque não tinha mais vontade de ir à Toca no fim da tarde só para surpreendê-lo quando chegasse do trabalho? Porque não se derretia mais ao simples sorriso dele?
Inferno sangrento! Era tudo tão complicado!
Devia ter uma lei natural que impedissem dois melhores amigos de se apaixonarem um pelo outro.
Simplesmente não podia ter acabado assim! Como um floreio de varinha. Como um floco de neve derretendo. Como uma bolha de sabão estourando. Isso é tão injusto...
De todos aqueles sentimentos maravilhosos, só tinha restado a sua suave cordialidade e a admiração pela beleza dos olhos e movimentos másculos dele. Isto, obviamente, culminava em agradáveis momentos de prazer, para ambos. Ele sabia como fazê-la se sentir desejada. E isso era tão gratificante! Havia uma forma como ele a beijava... Ela simplesmente não podia resistir a isto.
Ela gostava. Não ia mentir. Todavia era tão... Físico! Cadê o sentimento? Ela não conseguia achar. Maldição! Só podia ser um problema psicológico. É claro! Uma tendência masoquista. Estava tão habituada em viver com problemas e perigos a cercando que uma vida comum, repleta de paz e amor era estranha, quase como se não pudesse ser real. Só podia ser isso.
Suspirou.
Depositou o copo no balcão ao lado da pia com um som baixo do encontro entre o vidro e o mármore. Caminhou para a sala de estar e jogou-se no sofá. Pensou em voltar para o quarto e tentar estudar novamente, mas percebeu que não conseguiria se concentrar de jeito nenhum e isso só a deixaria mais irritada. Pegou o controle remoto debilmente e o apontou para a TV de plasma que era o xodó do seu pai nos últimos dias, ligando-a e mudando os canais distraidamente.
Beisebol. Futebol. Talk show. Reality show. Programa musical. Desenho animado para adultos. Desenho animado para crianças. Um seriado policial. Uma comédia. Um seriado adolescente. Neste ela parou por mais tempo prestando atenção. Se passava em uma escola, ao menos era o que parecia. E pelo que podia perceber um casal estava acabando de se declarar depois do primeiro beijo. Ele dizia o quanto havia esperado por esse momento e ela sorria com um brilho no olhar. Bons atores, foi o que Hermione pensou. Então ela ouviu as palavras proferidas pela mocinha:
“Eu te amo. Nada irá nos separar...”
E a resposta do galã:
“Nunca. Eu te amo pra sempre.”
Ao ouvir isso uma revolta começou a borbulhar dentro dela explodindo em lágrimas que brotaram de seus olhos. Como é que podiam colocar no ar um programa daqueles? E colocar na boca de personagens tão bonitos uma mentira daquelas?
- Não existe vida perfeita! Não existem amores eternos! – Hermione gritou.
Quando se deu por si, estava respirando pesadamente, então percebeu o papel ridículo que estava fazendo ao gritar com uma TV. Agarrou uma almofada e a levou à boca para impedir-se de soluçar alto.
E chorou. Por minutos incontáveis, ela chorou.
Pensou sobre amores eternos, sobre as histórias dos romances, nas peças de Shakespeare e então a realidade caiu coma uma pedra de três toneladas em sua cabeça. Não que ela internamente não soubesse, mas a frase formulada com todas as letras era como um punhal frio atravessando seu estômago.
Ela já não amava mais Rony
E sentiu como se todo o seu mundo estivesse sendo implodido, com toneladas de explosivos em seus alicerces. Pois sua relação com aquele ruivo era seu pilar de sustentação, sempre fora. Havia Harry... Mas era diferente. Ela sempre soube disso.
Entretanto, ela ainda podia sentir... Ainda o amava, só que era diferente. O amava como se ama a um amigo. E percebeu que nunca havia sentido isso por Rony antes, sempre havia um contorno diferenciado. Com ele sempre teve o ardor e a paixão junto do carinho fraterno, mas agora... Só havia restado a ternura.
Quando ergueu os olhos novamente, já controlando as emoções, viu a cena de um casamento, mas não o dos personagens anteriores. E não pôde conter um sorrisinho doce.
Certamente havia belas histórias de amor. Como contos de fada.
Hermione tinha certeza que Harry pediria Gina em casamento em breve. O convite que ele lhe fizera para almoçarem juntos em um shopping trouxa devia ter sido puramente casual, mas tinha certeza que não era. Harry a conduzira por um corredor onde ficava uma das maiores joalherias de Londres. E Hermione obviamente tinha, discretamente, comentado sobre os anéis que estavam na vitrine, dando ênfase a um que ela tinha certeza de que Gina gostaria. Era engraçado como conseguia se comunicar com Harry apenas com um olhar. Ele era seu irmãozinho. Ambos sabiam disso e se orgulhavam da relação que tinham.
Sabia também que tão logo Gina e Harry ficassem noivos, a comunidade bruxa inteira ficaria na expectativa de ela e Rony fazerem o mesmo.
Era muita pressão!
E ela já não o amava!
Deixou-se cair de costas no sofá, frustrada. Uma nova onda de compreensão invadiu sua mente fazendo com que abrisse os olhos e soltasse uma imprecação não muito educada.
E se Rony tivesse feito o mesmo que Harry? Se tivesse pedido ajuda a Gina para escolher um anel? Se já tivesse comprado o anel?
Ela sentou-se totalmente petrificada.
E se ele estivesse por aí, andando com uma caixinha de veludo no bolso somente esperando um momento para pedir a mão dela?
Oh, Merlin! Oh, Merlin! Oh, Merlin!
Levantou-se e ficou andando de um lado para o outro pela sala diante da TV ligada.
Tinha que faze-lo saber. Que contar para ele que as coisas haviam mudado.
Imaginou uma cena, onde ele a levaria ao cinema (coisa que adoravam fazer juntos), depois iriam a um restaurante no Beco Diagonal e de repente ele tiraria uma caixinha de veludo verde musgo do bolso e a abriria. Ali estaria um anel dourado com pequenos brilhantes incrustados no metal. Então Rony olharia em seus olhos e ela poderia ver as orelhas vermelhas, assim como as bochechas sardentas, um sorriso radiante nos lábios, os olhos profundamente azuis como um lago refletindo um céu de primavera. Também conseguia ouvir a voz dele gaguejando até conseguir pronunciar a frase: “Mione, casa comigo?”
E no devaneio de Hermione, ela ficaria sem ação, como uma estátua de gelo. Os olhos lacrimejando, e ele pensaria ser de felicidade, mas a voz dela seria como metal frio: “Rony, não podemos nos casar... Eu não te amo mais.”
A Hermione da vida real parou no meio do tapete e percebeu que tinha pronunciado seu último pensamento em voz alta. Estava respirando fundo. A frase “Rony, eu não te amo mais” parecia tão ridícula! A cena imaginada por ela era ridícula. A situação era tão absurda! Mas estava ali, diante dela. Ou pior, dentro dela.
Sentia-se como se afundando cada vez mais em um pântano gelado. E novamente pensou: Por que isto está acontecendo?
Sobressaltou-se e deu um gritinho baixo quando ouviu a campainha tocando. Quem devia ser? Não estava esperando ninguém. Seus pais estavam viajando. Gina devia estar com Harry e ela tinha dito a Rony que queria estudar. Ele prometera respeitar.
Passou a mão pelo rosto tentando esconder as marcas das lágrimas e tentou dar um jeito no rabo de cavalo meio desfeito. Caminhou devagar até a porta, a fim de se acalmar. E nesse meio tempo a campainha tocou mais duas vezes.
- Já vou! – gritou começando a se irritar.
Antes de abrir a porta, ficou na ponta dos pés para averiguar seu visitante pelo olho mágico. E ela viu.
- Oh, não! – murmurou para si mesma sentindo as pernas tremerem.
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Parte 2: Crying (Aerosmith)
There was a time
When I was so brokenhearted
Love wasn't much, of a friend of mine
The tables have turned, yeah
'Cause me and them ways have parted
That kind of love, was the killin' kind
All I want, is someone I can't resist
I know all right I need to know by the way that I got kissed
I was cryin' when I met you
Now I'm tryin to forget you
your Love is sweet, misery
I was cryin' just to get you
Now I'm dyin' 'cause I let you
Do what you do-down on me
Now there's not even breathin' room
Between pleasure and pain
Yeah you cry when we're makin love
Must be one and the same
It's down on me
Yeah, I got to tell you one thing
It's been on my mind
Girl I gotta say
We're partners in crime
You got that certain something
What you give to me
Takes my breath away
Now the word out on the street
Is the devil's in your kiss
If our love goes up in flames
It's a fire I can't resist
I was cryin' when I met you
Now I'm tryin to forget you
your Love is sweet misery
I was cryin' just to get you
Now I'm dyin' 'cause I let you
Do what you do to me
'Cause what you got inside
Ain't where your love should stay
Yeah, our love, sweet love, ain't love
'Till you give your heart away
I was cryin' when I met you
Now I'm tryin to forget you
Your Love is sweet misery
I was cryin' just to get you
Now I'm dyin' just to let you
Do what you do what you do down to me, baby, baby, baby
I was cryin' when I met you
Now I'm tryin to forget you
Your Love is sweet misery
I was cryin' just to get you
Now I'm dyin' 'cause I let you
Do what you do down to, down to, down to, down to
I was cryin' when I met you
Now I'm tryin to forget you
Your Love is sweet...
I was cryin' when I met you
Now I'm dyin' 'cause I let you
Do what you do down to, down to, down to, down to
Suspirou e deixou-se cair no colchão.
Olhou para o teto e, de repente, o laranja estampado no pôster de seu time de quadribol preferido pareceu berrante de mais, quase ferindo sua retina.
Fechou os olhos e suspirou alto. Estava com sono. Morrendo de sono. Não conseguira dormir direito. Mais uma vez.
Era de se surpreender que ele, Ronald Weasley, estivesse sofrendo de sintomas tão estranhos... O sono leve. Extremamente leve. Leve em excesso! Se uma folha caísse do lado de fora da sua janela, ele já despertava e ficava horas com os olhos secos, sem conseguir pegar no sono de novo. E isto vinha acontecendo há alguns dias já.
Resumindo: estava exausto.
E o pior e mais preocupante: toda essa falta de descanso estava afetando seriamente seu treinamento para auror. Justamente quando faltava menos de dois meses para o exame final.
Inferno sangrento!
Virou-se para o lado e deu de cara com a janela. O dia estava terminando. Havia laranja também no céu. Aquela cor idiota que o seguia onde quer que ele fosse. Fechou os olhos. Talvez pudesse dormir. Talvez, se dormisse agora, só acordaria no dia seguinte.
Isso! O dia seguinte. Era para essa constante esperança que estivera vivendo os últimos meses. Quem sabe no dia seguinte tudo voltasse a ser como antes.
O amanhã brilharia em um dourado dia de domingo. A casa ficaria cheia novamente para o almoço delicioso de Molly Weasley. Todos os seus irmãos com as respectivas esposas, Andrômeda e o pequeno Tedd, Harry... E ela...
Hermione viria, com certeza ela viria. Afinal foi o acordo feito entre eles: ela estudaria o dia inteiro no sábado, para no domingo ficarem juntos.
E ela apareceria deslumbrante, vestida casualmente, provavelmente um jeans claro e uma blusa básica embaixo da capa. O rosto limpo, apenas um batom bem claro nos lábios. Um sorriso sincero para todos, e para ele, um rápido e envergonhado beijo nos lábios.
Pois ela sempre se envergonhava em beijá-lo diante de outras pessoas.
E ele, como de costume, a prenderia em seus braços e aprofundaria o beijo até Jorge fazer alguma brincadeirinha sem graça sobre os dois ficarem sem apetite para o almoço, depois de terem devorado um ao outro. Obviamente, Rony ficaria fulo e Hermione, ainda corada, tentaria acalmá-lo, dizendo para não se importar com as gracinhas de Jorge, enquanto Molly olharia feio para os dois e começaria um sermão sobre a união entre os irmãos, que logo seria interrompido por Gui, que diria estar morrendo de fome. Então todos poderiam seguir para o quintal e arrumar a mesa, enquanto Molly terminava de aprontar o almoço, com Gina, Fleur (para o desespero das duas Weasley) e Hermione a ajudando.
E apesar de um clima tenso, de briguinhas entre irmãos, reinar, todos estariam satisfeitos, pois, somente pelo fato de Jorge estar fazendo brincadeira, mostrava que uma vida tranqüila e de paz fora conquistada.
Seria isso. Um belo dia de domingo em família.
Como de costume.
Um costume que talvez não fizesse mais tanto sentido.
Não que não gostasse das reuniões em família. Na verdade ele adorava! Embora ninguém precisasse saber deste detalhe. Mas algo ali estava meio que fora de lugar sabe?
E o pior. Ele sabia exatamente o que estava fora de lugar.
Hermione.
Não! Ele não achava que ela não devia estar ali! Pelo contrário. Se ela não estivesse não seria a casa dos Weasley. Ela já era parte da Toca, como as escadas tortas e o próprio pôster do Chudle Cannons na parede dele.
Mas ultimamente as coisas estavam diferentes.
Bem diferentes.
Ela estava mais distante, mais calada, mais distraída, mais ocupada...
Enfim, menos atenta ao relacionamento deles.
Talvez ela estivesse muito ocupada, com a cabeça cheia daquelas leis todas... Talvez estivesse um pouco sufocada... Ou simplesmente estivesse reagindo. Porque... Afinal, ele também estava meio distante, não estava?
Sim, ele estava.
Oras! Ele não era feito de ferro! Estava treinando exaustivamente, estava cansado. Cansado demais para sair direto dos treinos e correr para vê-la.
Mas isso antes não era problema. E agora, parecia que era a coisa mais difícil do mundo. O que diabos estava acontecendo com ele? Hermione sempre fora seu maior desejo... Sempre! Desde os onze anos de idade, ele sempre quis que ela o notasse...
Claro que ela era um pesadelo! Atormentava-o com sua presença forte e decidida e não estava nem aí para ele. Isso o tirava do sério! A solução, então, fora tentar chamar a atenção dela de todas as maneiras possíveis. Ele sabia que era um idiota, por pensar daquele jeito e na verdade, naquela época ele nem tinha consciência de que agia com aquela motivação.
Até o maldito Baile de Inverno.
“Hermione, você é uma garota” – de onde foi que ele tirou aquela frase idiota, afinal?
Oh, sim... Ela era uma garota... E estava tão linda... De braços dados com aquele brutamontes búlgaro. Pior! Ela estava sendo abraçada pelo imbecil búlgaro! E sinceramente, naquele dia, Rony teve medo dele quebra-la no meio...
Ele podia ter ido até a pista de dança e a puxado dos braços dele. A beijado na frente de todos... Sim, isso se Rony fosse Dino Thomas ou mesmo Vítor Krum... Mas ele não era. E no dia seguinte admitiu para si mesmo estar loucamente apaixonado pela sua melhor amiga. Somente para si mesmo.
E foram três anos para poder sentir os lábios dela entre os seus. Três malditos anos! No meio de uma batalha horrenda!
Só não conseguia entender o motivo de não sentir mais aquele calor no peito toda vez que a beijava. Isto era tão estranho. Será que era isso? Que a paixão deles só fazia sentido em momentos difíceis e de grande pressão? Sim, porque eles sempre estavam a ponto de explodir... Tantas brigas...
E ele amava Hermione...
Amava... Não amava?
Amava...
No passado. Não. Era surreal demais!
Merlin, o que está acontecendo?
De repente, o barulho da porta rangendo chegou ao seu ouvidos e ele lentamente direcionou seu olhar para lá. A porta se abriu e Molly entrou no quarto, seus olhares se cruzaram por um breve momento. Nos dela, havia a urgência de conversar e nos dele o pedido silencioso para ficar sozinho. Obviamente, Molly não se deteve, sentando-se ao lado de seu filho, na cama. De repente, o apelo para o diálogo foi substituído por uma chama altamente inquestionável de proteção materna.
- Vamos lá mocinho... Pode ir falando o que é que está acontecendo. – ela atirou como um feitiço a queima-roupa.
Rony arregalou os olhos.
- Do que a senhora está falando? – seu tom, como quem ergue a varinha para se defender.
- Você não está bem. – ela foi mais suave agora.
- Eu estou ótimo, obrigado – o mesmo tom de defesa na voz vacilante. Ele tentou se levantar, mas a mão da sua mãe em seu peito o fez ficar deitado.
- Pois não é o que está parecendo... E olhe para mim enquanto estou falando! – definitivamente, estavam medindo forças ali.
E todos sabem que ninguém pode medir forças com Molly Weasley. Principalmente se ela for sua mãe.
Meio a contra-gosto, ele fixou o olhar na mãe.
- Você não tem comido direito. Praticamente não tocou no almoço, está abatido, não tem dormido...
- A senhora está me espionando, por acaso? – “Isso. Tente virar as acusações contra ela... Vire o jogo!”
- Não é preciso espionar, suas olheiras já denunciam claramente. – então a voz dela adquiriu um tom mais doce – Você não está bem, meu filho... Talvez seja melhor eu leva-lo ao St. Mungus...
- Quantos anos eu tenho mesmo, mãe? – ele disse se levantando, a voz um pouco mais “forçadamente grave”. Quando ela ia aceitar que ele não era mais seu “Roniquinho”?
- Se você não se cuida, alguém tem que fazer.
- Eu estou bem! – ele disse com convicção, mas por algum motivo não conseguiu encarar a mãe.
Molly se levantou e foi em direção ao filho, devagar. Olhando para cima, a fim de encarar seus olhos de cobalto. O fato era que Molly Weasley havia ficado mais cuidadosa com seus filhos depois da guerra. Depois de ter perdido seu Fred. Ela não suportava ver seus filhos sofrendo, precisava que tudo estivesse bem ao seu redor. Precisava de felicidade e harmonia para prosseguir.
- Qual foi o motivo da briga? – ela disse cuidadosa.
- Que briga?
Oh, droga... Ele ainda era “seu Roniquinho”...
- Com a Hermione.
- Mãe, meu namoro com a Hermione é assunto meu e dela.
- Claro que é... Então porque vocês dois não resolvem o que está errado? Ou melhor, porque não fazem isso logo?
- Ela está estudando... Combinamos que ela precisava ficar sozinha hoje...
- E desde quando você respeita regras?
Os dois sorriram mansinho.
- Resolva logo esse assunto, não me interessa qual é, mas, pela felicidade de vocês, é melhor resolver logo... - ela suspirou – A felicidade não espera por nós meu filho.
Ela disse e se encaminhou para a porta. Mas se deteve quando Rony a chamou.
- Nós não brigamos.
- Isso não é um bom sinal, meu querido. Aliás, eu percebi que a Hermione também não está bem.
E saiu fechando a porta.
Rony ficou ali, encarando a porta , as palavras da sua mãe ecoando em seu ouvido.
“Isso não é um bom sinal”
O que ela estava querendo dizer com isso?
Não brigar é ótimo! Aquele sentimento de paz, aquela harmonia. Não ouvir gritos, não gritar. Não ter que ficar emburrado... A quem ele estava querendo enganar?
Todo esse excesso de calma o estava deixando ainda mais impaciente.
Uma vontade de não ficar parado. Vontade de gritar com Hermione, de ver o rosto dela corado de tanta raiva... Vontade de sentir de novo tudo aquilo que sentia antes... De agarrá-la pelos ombros e de repente sentir a raiva se transmutar em paixão e necessidade pelos beijos e abraços.
Não conseguia entender o desinteresse que estava sentindo. Em outros tempos, teria choramingado até ela desistir da idéia de passar um dia sem vê-lo. Mas agora... Ele simplesmente disse: “tudo bem, se é importante para você...”
Ele estava frio.
Não esteve frio assim nem mesmo após a guerra...
Porque ele estava com ela. E ela o fazia sentir quente.
Ele queria se sentir quente, precisava disso!
Pegou sua capa e jogou sobre os ombros. Colocou a varinha no cós do jeans enquanto descia as escadas correndo.
- Hei, aonde você vai com essa pressa toda?
- Sair Gina, sair... – foi a resposta curta que ele deu.
Gina parou na porta da cozinha, estreitando os olhos para o irmão.
- Grosso!
- Deixa ele Gina... – Molly disse de dentro da cozinha.
Rony não ouviu a resposta que sua irmã deu, pois já estava no meio do quintal. Parou por um momento e então percebeu que estava ofegando. Tinha corrido tanto assim? Olhou para cima e pensou no bairro tranqüilo, na casa branca com janelas azuis, no jardim bem cuidado. Então, desaparatou.
Quando abriu os olhos viu que estava diante da casa dos Granger. A maioria das janelas estavam apagadas, somente uma, a da sala de estar, tinha as luzes acesas.
Ficou um tempo admirando a construção bem acabada e cuidada. Aos seus pés, a grama verde exalava um cheiro forte, como se tivesse sido cortada recentemente. O que ele imaginou ser bem provável, já que Hermione tinha passado o dia em casa, podia ter aproveitado e chamado alguém para cortá-la.
De repente a sombra de alguém através da cortina o sobressaltou. Era uma figura magra, de longos cabelos presos. Aquela silhueta... Era ela.
Afinal, os pais dela estavam viajando mesmo...
Era simples. Ele bateria na porta e seria recebido por uma Hermione furiosa. Ela lhe perguntaria o que estava fazendo ali e ele daria um sorriso amarelo, agarrando-a pela cintura e fingindo estar loucamente maluco de saudades.
Ou, ele poderia ser homem de verdade e contar para ela como estava se sentindo.
“Oi Hermione... Olha, eu sei que não devia estar aqui, mas tem uma coisa me perturbando... Quer dizer, tem alguma coisa acontecendo entre a gente. Na verdade tem alguma coisa não acontecendo...”
De repente ele parou seus pensamentos. Pensou ter ouvido alguma coisa... Hermione gritando...
Ficou em silêncio. Apurou os ouvidos.
Nada.
Somente o som da TV. TV? Ela não tinha dito que ia estudar? Francamente, ela podia estar apenas descansando... Talvez ela não fosse uma máquina de leitura, afinal.
Suspirou e sentou-se no batente da porta, passando a mão nos cabelos. Ela não estava estudando... Ele podia, simplesmente se aproveitar e entrar lá. Beija-la até perder o fôlego, dizer que a ama...
Mas ele não podia mentir para ela.
Não mais.
Estava acabado. Dolorosamente acabado.
Deixou a cabeça pender sobre os joelhos. Uma angústia em seu peito. Um nó na garganta.
Rony chorou.
E constatou que não estava chorando por não a amar mais, mas por estar iludindo ela. Dando esperanças vãs.
Ele sabia que Harry a tinha convidado para comprar a aliança de Gina... Harry não sabia que ele sabia, lógico. Mas, francamente, Rony não era tão burro assim. Toda aquela agitação do Harry, era tão perceptível para ele.
Bom, o fato é que talvez Hermione estivesse esperando o mesmo. E ele não poderia dar.
Era um covarde.
Sempre fora.
Mas precisava deixar de ser. Tinha que ser homem para encarar seus sentimentos... E os dela. Não podia ficar vivendo em uma bolha de ilusão só por medo, pois ia acabar machucando-a, e muito.
Levantou-se decidido e encarou a porta á sua frente. Deu dois passos e sorriu ao perceber que ia ter que tocar a campainha. Aquele simples gesto ainda lhe trazia lembranças doces.
Era um fim de tarde. Um sábado e ele estava deixando Hermione em casa após terem saído para jantar. Ele pensou em aparatar ou ir à casa dela direto da lareira do restaurante bruxo. Obviamente, ela odiou a idéia. Foram como trouxas, metrô e algumas quadras à pé.
- Não se pode aparatar ou usar o flu o tempo todo Rony! – ela vinha falando sem parar – Apesar de tudo, meus pais são trouxas, lembra-se? Eles não precisam ter sustos o tempo todo. Assim com eu aprendi a ser bruxa, você tem que aprender a ser um pouquinho trouxa tá?
- Ok, Hermione. Apenas pare de falar, sim? Eu já entendi.
- Mas eu tenho que continuar falando, senão você esquece...
- Eu não vou esquecer. Pode deixar que eu vou tocar essa tal de...
- Campainha, Rony.
- Certo. Então toda vez que eu vier te buscar - ele foi dizendo e se aproximando dela lentamente – basta eu apertar esse botãozinho que você aparecerá, linda, com num passe de mágica.
- Pare de jogar charme... – ela estava séria – Eu estou brigando com você.
- E eu estou jogando charme. Pare de brigar comigo...
Ele foi aproximando os rostos, ia beijá-la.
- Você está jogando sujo – ela disse já se rendendo.
- Eu sou um bastardo trapaceiro... – ele disse já encostando os lábios.
- É sim – e ela não o deixou responder, apenas o beijou enquanto ele a encostava na parede. E se beijaram lenta e sensualmente.
Até que a porta se abriu e a Sra. Granger apareceu fazendo sua filha, ruborizada, empurrar o namorado para longe.
- Mãe! O que você...
- Você tocou a campainha. – ela disse simplesmente.
Então Hermione percebeu que Rony a havia prensado em cima do botão.
- E como eu não...
- Ela está com defeito, esqueceu? Está com o volume baixo, não se ouve daqui de fora.
Hermione corou mais ainda. E Rony, de repente sentiu as orelhas esquentarem.
- É melhor eu entrar, então... Tenho que estar no Ministério bem cedo amanhã... Boa noite, Rony... – ela não conseguiu olhar nos olhos dele, apenas deu um casto beijo em seu rosto.
- Boa noite, amor – ele disse baixinho e pôde ver o envergonhado sorriso nos lábios dela, antes de seus cabelos sumirem pela porta. E de repente ele se viu ali, sozinho com a mãe da sua namorada que tinha acabado de presenciar uma cena um tanto... quente entre ele e sua filha.
Suas orelhas, definitivamente, deviam estar em brasas... Ele pigarreou.
- Então... Boa noite, Sra. Granger – disse rápido.
- Boa noite Ronald.
Ele levantou os olhos para ela, culpa nas íris azuis.
- Desculpe.
- Tudo bem – ela disse com um sorriso sincero e ele desceu as escadas para o jardim, onde aparataria.
E agora ele teria que tocar aquela campainha, mas não como antes... Depois dessa noite, nada seria como antes.
Contou até três e apertou o botão. Uma. Duas. Três vezes.
E ela apareceu. Suas pernas tremeram.
Os olhos dela estavam vermelhos?
Oh, Deus... Seus olhos estavam vermelhos?
- Rony? – ela disse parecendo assustada.
- Oi. – ele precisava se acalmar... Precisava...
Mas como?
*~*~*~*~*~*~*~*
Olá pessoal!!!
Olha eu aqui de novo ^.^
Tava morrendo de saudades de escrever, mas o tempo anda curto e talz...
Muita coisa mudou desde a última vez que postei, trabalhos acumularam... Mas eu tinha que voltar.
Enfim, eu não consigo deixar o vício. herhehe
À propósito, a fic não acabou viu? Por tanto, não queiram me bater, por favor. Eu ainda sou H/R fervorosa ^.^
Será uma fic curta, três capítulos no máximo. Tentarei postar o mais rápido possível tá?
Ah, deixam eu fazer uma propaganda? O meu blog, para textos não potterianos: maishorizontes.wordpress.com Apareçam por lá!
Beijos a todos, espero que gostem!!!
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