- Bom-dia, senhores. – ouvi dizer uma voz de mulher. Parecia a voz da Madame Hooch. Mas por que raios a Madame Hooch estava no meu quarto? Não... Espera ai... Eu não fui para o meu quarto ontem... Eu estou no...
Abri os olhos e me sentei assustada. Ainda estávamos no campo de Quadribol. Madame Hooch me encarava brava e Sirius nem se mexeu ao meu lado, ele dorme feito uma pedra. Balancei o braço dele e, para a minha surpresa, ele não demorou em acordar, confuso olhando pros lados.
- Oi! Oi! O que é que... – falou se levantando, mas assim que viu a Madame Hooch congelou. Por sorte, ao menos, ela não o reconheceu.
- Perderam a hora? – perguntou Hooch com os braços cruzados nos encarando.
- É... – comecei, mas ela me interrompeu.
- Para a sala da diretora, agora!
Ótimo, agora nós estamos encrencados.
***
Estávamos sentados na frente da mesa da McGonagall, ainda de pijama. McGonagall se sentou na cadeira e nos olhou por um longo tempo em silêncio.
- Os senhores tem alguma coisa a dizer? – perguntou quebrando o silêncio de repente.
- Professora, - começou Sirius com cara de inocente. – a gente não transou. – olhei pra ele sem conseguir acreditar. Provavelmente minha cara dizia: “Por que raios você falou isso?!”.
- Q-q-que bom saber, senhor Black. – falou McGonagall com uma cara meio assustada. É claro que ela não esperava que Sirius fosse falar isso, eu muito menos. Ela pigarreou voltando a pose de diretora. – Bom, mas os dois vão sofrer detenções por uma semana.
- Mas Diretora, eu não vou ficar aqui por todo esse tempo, ou vou? – falou Sirius. – Vou voltar para o passado, não é?
- Eu receio que não tão cedo. – falou McGonagall – Ainda está sendo muito difícil convencer o ministério a me devolver o vira-tempo, já que só existem dois no mundo.
- Nesse caso, eu vou ficar aqui por mais tempo?
- Sim, senhor Black. – ela falou. Sirius tentou disfarçar a alegria que estava sentindo, só que sem sucesso. – Mas se o Senhor voltar a aprontar, eu farei questão de mantê-lo o dia inteiro preso nessa sala.
- Certo, Professora. – falou Sirius ainda empolgado.
- Agora recomendo que vocês troquem de roupa. E, senhorita Potter, você tem que ir para a aula, certo?
- Sim, Senhora. – falei.
- Ah, – falou levantando um dedo - hoje ás oito horas na sala de Poções, o professor vai gostar da ajuda de vocês para organizar as poções. E não quero mais saber de ninguém dormindo no campo de Quadribol.
Eu e Sirius nos levantamos e saímos pela porta. Passamos pela porta da sala da diretora e assim que começamos a descer a escada de caracol, falei:
- A culpa é sua.
- Minha culpa? – ele questionou atrás de mim.
- É, você quem deu a ideia da gente ir “dar uma volta”. – falei sem olhar pra trás.
- Mas foi você quem aceitou. – falou, revirei os olhos.
- A gente não devia ter adormecido.
- Como íamos controlar isso? Simplesmente dormimos, ué. Eram três e meia da manhã e estávamos exaustos.
- E agora vamos ter que cumprir detenções. – acrescentei.
- Só que você não pode negar que gostou da nossa voltinha. – falou ficando de frente pra mim quando tínhamos terminado de descer a escada.
- É...
- Quero aproveitar esse pouco tempo que temos pra ficar juntos.
- E, pelo que a McGonagall falou, você vai ficar pelo menos mais umas duas semanas. – sorri.
- Continua sendo pouco, considerando que eu gostaria de ficar com você pela eternidade. – falou me puxando para um beijo.
- He, He! Não sabia que hoje tinha festa do pijama! – gritou Pirraça, que passava por ali, com uma bomba de bosta na mão.
- Se você ousar jogar essa bomba na gente, eu vou avisar para o Barão Sangrento! – falei para ele, me soltando de Sirius.
- Calma, Senhorita Potter. Essa daqui é para o Filch. – riu indo embora. – Até mais Almofadinhas.
- Até mais Pirraça. – respondeu Sirius dando um aceno. Olhei para ele com aquele olhar a lá “Lilian Evans” – O que foi? Somos amigos. – eu revirei os olhos.
- Vamos voltar para a Sala Precisa. – falei colocando a capa da invisibilidade sobre nós e então começamos a subir.
- Lilindinha. – chamou Sirius quando já estávamos na frente da Sala Precisa.
- Oi, Sirius?
- Por que vocês não podem explicar direito esse lance do Rabicho?
- Porque não!
- Qual é Lili? – ele parou na minha frente. – prometo que não vou mudar as coisas. – ele se aproximou um pouco de mim, me olhando com aquela cara de cachorro perdido.
- Quem garante que você não vai mudar as coisas? Você não sabe como elas acontecem!
- Você me conta como as coisas acontecem. – se aproximou mais. – Vamos Lilindinha. – ele me deu um selinho.
- Bom... Nesse caso... – falei com a voz mais doce que consegui. – Não. – ele suspirou bravo.
- É difícil te convencer, hein? – falou cruzando os braços, irritado.
- Sirius, querido, eu sou uma Sonserina, eu manipulo, não sou manipulada.
- Vou começar a tomar cuidado com você então. – falou dando aquelesorriso maroto.
Entramos na Sala Precisa, onde encontramos Pontas jogado em um sofá, imóvel, aparentemente dormindo.
- Pontas? – chamou Sirius. Tiago se levantou de um salto.
- Filhos da Puta, onde é que vocês estavam? – perguntou irritado. Arregalei os olhos. – Eu estava aqui definhando de fome, sem o mapa, sem a capa e sem saber onde estavam. Trouxeram comida?
Legal, a preocupação dele era com a comida.
- A gente foi dar uma volta porque estávamos sem sono. E acabamos dormindo no Campo de Quadribol. – falou Sirius, ignorando toda parte da comida.
- Ah, sei... - falou Pontas, meio malicioso. – Entendi, Almofadinhas.
- Tiago! – exclamei batendo no braço dele. – Mais respeito, sim?!
- Ah, vai dizer que não rolou nada? – perguntou empolgado.
- NÃO! – gritei indignada.
- Hum... Tô sabendo.
- Af, vocês garotos! – falei impaciente. Os dois riram. – Agora prestem atenção! Eu estou indo para a aula. Por favor, por favor, por favor, não aprontem nada, nem saiam daqui.
- E o que a gente vai comer? – perguntou Pontas, lembrando da comida.
- Sobrou comida da janta? – perguntei.
- Sobrou, mas...
- Ótimo! Comam isso e depois na hora do almoço eu trago alguma outra coisa pra vocês. – peguei a capa da invisibilidade da mão de Sirius, pra não correr o risco de eles saírem, e sai da sala deixando os dois sozinhos.
Corri para o meu quarto e me troquei, peguei meu material e sai correndo para a Estufa. Tinha aula de Herbologia com a Lufa-Lufa. Cheguei a porta da sala e vi que o professor tinha acabado de começar a aula, dei uma rápida passada de olhos pela estufa e então me lembrei... Eu e Scórpius somos dupla em Herbologia e em quase tudo.
- Com licença, professor. – falei da porta. O Professor Longbottom olhou para mim, parando sua explicação. – Posso entrar? Eu estava na sala da Diretora. – ele me olhou com os olhos desconfiados, talvez porque eu nunca vá para a diretoria.
- Claro, Senhorita Potter. Pode entrar.
Fui até o lugar onde Scórpius estava sentado e me sentei ao lado dele. Ele olhava fixamente para as plantas com que estava trabalhando, se obrigando a não olhar para mim.
- O que temos que fazer? – perguntei colocando as luvas.
- Plantar mudas de Valeriana. Respondeu seco e sem tirar os olhos do que estava fazendo.
E essas foram as únicas palavras que ele me dirigiu a aula inteira.
Pov’s Sirius Black.
Eu e Pontas já tínhamos comido e estávamos jogando truco, apenas para passar o tempo. Eu estava largado em um sofá e Pontas em outro. Já tinha ganhado pelo menos umas cinco partidas enquanto ele apenas uma. E isso porque eu estava distraído, e é claro que, na verdade, o Pontas nunca ganha de mim.
- Ganhei. De novo. – falei jogando um três em cima do dois dele.
- Nossa, Almofadinhas! Não dá pra jogar com você!
- Eu sei. – falei rindo.
- Então, - ele começou – você e a Parker realmente não...?
- Não, é sério! – falei sem rir. – Por que mentiríamos sobre isso?
- Sei lá. Só achei estranho, porque... É você, né Almofadinhas?
- O que você quer dizer com isso? – perguntei.
- Nada – ele se sentou no sofá. – O que aconteceu então?
Eu suspirei impaciente. Por que ele queria tanto saber?
- A gente foi até o Campo de Quadribol tomar um ar e acabamos dormindo lá.
- Só isso?
- Só. – falei – Mas ai uma mulher, que eu acho que é a professora de voo, apareceu e mandou a gente para a sala da diretora. Agora eu e a Lili vamos ter que cumprir detenção por uma semana. – ele riu.
- O que vocês vão ter que fazer?
- Ajudar o professor a arrumar a sala de Poções. Começa hoje à noite.
- E eu vou ter que ficar sozinho aqui, sem fazer nada?
- É isso, ou ir cumprir a detenção com a gente.
- Eu fico aqui. – pequena pausa. – Você descobriu alguma coisa sobre o lance do Rabicho?
- Não, não é fácil convencer a Lili a contar alguma coisa.
- Pode chamar ela de alguma outra coisa que não seja Lili? – ele falou. Olhei pra ele confuso. – É que eu penso que você tá falando da Evans e eu sinto vontade de te matar.
- Uou! Ok, então... Luna tá bom?
- Tá ótimo.
- Certo, então. Não é fácil convencer a LUNA a contar as coisas. – falei. Ele riu.
- Assim tá melhor. – outra pausa. – Só sei que eu nunca mais vou confiar no Rabicho.
- Mas isso pode mudar o futuro! – falei, isso de “pode mudar o futuro” estava me afetando também, graças a Lili.
- Mas como eu vou confiar nele sabendo que a minha vida está em jogo? Que a vida da Lili está em jogo?
- Temos que tentar, Pontas.
- Sabe, Almofadinhas, pelo que eu entendi, eu e a Evans morremos e deixamos nosso filhos a Deus Dará por causa da traição do Rabicho. Eu não pretendo deixar que ele mate a mim e a minha Evans. Tenho a chance de mudar tudo, e não vou deixar essa oportunidade passar. – ele falou, então senti o chão tremer um pouco. – O que foi isso?
- Não sei, mas coisa boa não deve ser. – falei olhando em volta.
- Não deve ser nada.
- Então, Pontas. Se você mudar o passado, a Lili... A Luna, os irmãos dela, tudo isso pode deixar de existir.
- Mas talvez também possa continuar igual, só que com eles tendo avós.
- É...
- A gente só precisa fazer com que a Parker nos conte tudo o que tem que acontecer. Então é só controlarmos para manter as coisas “balanceadas” e eu sei como vamos fazer isso. – ele se sentou do meu lado no sofá e começou a explicar seu plano.
Pov’s Lilian Luna.
Eu já tinha contado ao pessoal onde eu tinha ido parar na parte da manhã. Só não expliquei todos os detalhes pro Tiago, porque ele pode querer matar o Sirius.
Ele estava estranho hoje, o Tiago. Toda hora ele esquecia das coisas, tipo como abrir o Mapa do Maroto, ou onde ficava o Salão Principal e até mesmo o nome do melhor amigo dele. Temo que isso tenha a ver com os dois marotos que estão escondidos na Sala Precisa. Mas acho que não. Ele só deve ter treinado o feitiço Obliviate no espelho e este acabou voltando para ele.
O dia passou e o Scórpius não falou comigo, tirando aquela imensa conversa que tivemos na aula de Herbologia. Eu sei que a gente terminou, mas não significa que não podemos ser amigos. E também temos os trabalhos para fazer. Só sei que esse gelo que ele me dá está me incomodando imensamente.
Acabei de jantar e resolvi ir chamar o Sirius para irmos cumprir a detenção que a McGonagall nos deu. Entrei na sala precisa e lá estava os dois jogando cartas. “Obrigada Mérlin, eles não aprontaram nada!”
- Oi gente. – falei. Os dois me olharam. Eles estavam jogados no sofá sem camisa e no caso do Sirius, apenas de cueca. Eles amam ficar sem camisa, pelo que posso ver. Desviei o olhar, parando no bolo de carta. – É... Vamos para a detenção, Sirius?
- Vamos. – ele falou se levantando e jogando suas cartas no chão. Veio até a porta, mas eu coloquei a mão em seu peito o parando.
- Acho melhor colocar uma roupa primeiro. – falei. Ele usava uma cueca samba canção com vassouras desenhadas.
Ele colocou uma roupa rapidamente e então fomos para as masmorras. Entramos na Sala de Poções, mas não tinha ninguém.
- Professor? – chamei.
- Podem entrar. – falou uma voz grossa e séria, uma voz que não parecia ser a do Slughorn. – Vamos arrumar meu estoque de poções.
Então, uma pessoa usando uma capa preta, que tinha os cabelos escuros e oleosos na altura dos ombros, surgiu de uma portinha no canto da sala. Sirius colocou a mão na testa e abaixou o rosto tentando não ser reconhecido.
Ele já sabia quem era, mas eu demorei algum tempo para perceber que aquele era Severo Snape.