7) Coexistência quase pacífica
-Pronto, agora vamos pra lá, tem uma caverna atrás da cachoeira, mas vou precisar te levitar, então fique quieto! Feitiços é uma das minhas melhores matérias, mas não costumo fazer algo que se debate levitar. –fala seriamente e ele resmunga algo que ela prefere não ouvir.
Calmamente Gina começou a levitar Draco, deixando que “por acidente”, o loiro que resmungava sem parar, fosse molhado por uma grande quantidade de água e quase caísse da cadeira, mas passado o “susto”, a levitação correu bem e ambos se acomodaram em um lugar seguro e completamente fora do alcance de lobisomens.
- Eu aposto que fizeste isso de propósito, Weasley! – Draco disse irritado, completamente encharcado.
- Eu? Claro que não, alteza - havia um discreto sorriso em seus lábios.
- Pagarás por toda essa humilhação – ele ameaçou, fazendo-a erguer a sobrancelha.
- Estás realmente me ameaçando? Sugiro que guarde tuas ameaças em tua cabeça oca, ou acidentes podem acontecer durante a noite... – Draco fez uma careta.
- Eu não tenho medo de ti, Weasley! – a ruiva cerrou os olhos, aproximando-se rapidamente da cadeira, encurralando-o.
- Pois deverias, príncipe Malfoy... Pelo menos, durante o período em que estiver sob meus “cuidados”. Esquece-se frequentemente de que estás machucado e dependes de mim, além de estar fora de teus domínios, longe de teus servos... Eu, se fosse tu, aprenderia a ficar calado e a me respeitar.
- Respeitar-te? – ele riu, aumentando a raiva dela – Não exageres.
- Respeitar-me sim, eu não sou tua escrava para ficar ouvindo desaforos teus.
- Mas eu sou o príncipe aqui e...
- És o príncipe, mas onde está tua coroa? De que vale teu sangue real nesse momento? Bom... Talvez, se um lobisomem o encontrar, possa refletir após matá-lo, o quão saboroso é teu sangue. O que achas? – ele bufou de raiva, mas conteve-se.
- Está bem, Weasley. Eu vou tentar “aprender” a respeitar-te – o bruxo revirou os olhos.
- Ótimo! – ela sorriu vitoriosa, enquanto pegava a varinha para iluminar melhor a caverna. O espirro de Draco, contudo, desviou a atenção da ruiva para o príncipe.
- Viu só o que fizeste, Weasley? E ainda quer que eu te respeite... – ele resmungou, antes de espirrar novamente – Se eu morrer de pneumonia será tua culpa!
- Não sejas dramático – ela revirou os olhos – Tu não terás uma pneumonia, muito menos morrerá... – Gina apontou a varinha para o loiro – Eu vou dar um jeito em tuas roupas molhadas, não te preocupes.
Ele ficou em silêncio, enquanto a via murmurar o feitiço. Reparou em como a moça parecia concentrada, e se tornava bela em tais momentos, já que suas expressões mesmo quando estava séria, eram suaves e delicadas. Balançou a cabeça, ao perceber que não deveria achar pessoas do nível dela bonitas ou interessantes. Era um nobre, um príncipe... E somente pessoas de prestígio social mereciam elogios seus.
Seu olhar encontrou o de Gina por alguns instantes, e mais uma vez, sua mente não conseguiu evitar um elogio. Eram belos e brilhantes olhos azuis que a depender da situação refletiam facilmente os sentimentos dela. Naquele momento, por exemplo, pareciam exibir confusão, talvez até insegurança, como se ela também estivesse tendo pensamentos que preferisse evitar.
A ruiva se afastou logo, ficando de costas para Draco. Voltou a examinar a caverna com a varinha, tentando ignorar a presença do loiro. Ainda ouviu mais um espirro dele, embora tivesse certeza de que o secara completamente. Desejou, internamente, que ele não ficasse doente.
- O que teremos para o jantar, Weasley? – Draco quebrou o silêncio.
- Eu não sei...
- Como assim não sabes? Eu preciso me alimentar! – ela respirou fundo, tentando manter a calma.
- Alteza... O que combinamos sobre respeito há poucos minutos? – perguntou ela.
- Mas eu estou lhe respeitando, perceba que eu não ordenei que vá buscar algo para mim...
- Ainda – ela murmurou, mas Draco não lhe deu atenção.
- Apenas perguntei sobre o jantar e...
- Certo, príncipe. Não se preocupes que irei providenciar nosso jantar... Qualquer coisa é melhor que ficar ouvindo-te resmungando! – ele sorriu discretamente.
- Ótimo – Gina caminhou até a entrada da caverna – Não demore, Weasley... – a bruxa não respondeu.
Quase uma hora depois, Gina retornou para o esconderijo, encontrando Draco sentado no chão, a cadeira, ao seu lado. As expressões de Draco eram as mesmas, mas Gina conseguiu perceber certa “alegria” ao vê-la. Caminhou até o príncipe, sentando-se em sua frente.
- Cansou de teu trono real, alteza? – ele revirou os olhos.
- Tu também deverias tentar me respeitar... – a ruiva deu um pequeno sorriso.
- Tens razão, perdoe-me – Draco ergueu a sobrancelha, surpreso com a reação dela – O que foi?
- Nada... – ela não insistiu, e começou a retirar algumas frutas da pequena cesta que levara para buscar o jantar.
- Frutas... – ele suspirou. Estava cansado de comer frutas no café da manhã, almoço e jantar.
- Não reclame... Elas serão ótimas sobremesas – ele a olhou confuso, então viu a ruiva tirar dois peixes do fundo da cesta – Consegui pescar para nós.
- Graças a Mérlim! Eu não agüentava mais comer apenas frutas – ambos sorriam.
Com a varinha, Gina acendeu uma pequena fogueira para assar os peixes, e assim que eles estavam prontos, ela apagou o fogo e dissipou a fumaça que se acumulara na caverna. Depois, ambos jantaram, em silêncio. Terminando, ainda comeram algumas das frutas recolhidas pela moça.
- Bom... Acho que devemos descansar agora... Teremos um longo dia amanhã... – ela falou.
- Tens razão... – ele se ajeitou no chão, e no pequeno travesseiro que a ruiva conjurara para ele – Boa noite, Weasley.
- Boa noite, alteza – Gina respondeu, deitando-se distante dele, mas na mesma direção.
Sentia-se cansada, e desejava poder continuar dormindo, mas o som de um trovão a despertou. Gina suspirou lentamente, antes de finalmente abrir os olhos. A caverna estava iluminada por uma simples tocha que a bruxa acendera, a qual proporcionava pouca luminosidade. Mirou a parede ao seu lado, o som da cachoeira a impedia de ouvir a chuva, mas pelos trovões que escutava e os relâmpagos que vez ou outra clareavam a caverna, Gina imaginou que uma tempestade deveria estar caindo.
Ela se virou; seu olhar voltando-se agora para o teto da caverna. Podia sentir a respiração pesada do príncipe, e ao virar para a esquerda, percebeu que este se encontrava praticamente ao seu lado. Talvez, ela se questionasse como poderiam estar tão perto, mas as expressões de Malfoy chamaram sua atenção.
Gina sentou para observar melhor a face do loiro, que estava bastante suada. Ela percebeu também que o príncipe parecia estar respirando com dificuldade, e de maneira irregular. A ruiva, então, tocou-lhe a testa com o dorso da mão para constatar sua suspeita; ele estava queimando em febre. Amaldiçoou-se mentalmente, sentindo-se culpada pelo que estava acontecendo.
Draco ainda estava muito debilitado e certamente não deveria ter ficado tanto tempo com as roupas molhadas. Não conhecia nenhum feitiço de cura para febres, e só conseguiu pensar num método trouxa que descobrira há algum tempo atrás. Levantou-se, e após transfigurar um pedaço de madeira em uma pequena bacia, correu até a entrada da caverna, e aparou água da cachoeira. Um trovão soou forte, assustando-a, mas passado o susto, ela concentrou-se em conseguir a água.
A ruiva voltou para perto do príncipe, ajoelhando-se ao seu lado. Rasgou um pedaço do próprio vestido, e o molhou na bacia. Sem demora, o colocou sobre a testa dele. Percebeu que ele tremia levemente, e desejou ter um cobertor naquele momento. Ao perceber que o pano esquentou, ela o colocou novamente na água, e após espremer recolocou na testa de Malfoy.
Repetiu aquele ritual inúmeras vezes, sempre verificando a temperatura dele, embora, ainda parecia alta. Gina o observava, preocupada. Não sabia exatamente por que estava tão ansiosa, mas não conseguia evitar. Se ele morresse, tinha sua consciência tranqüila, afinal fez tudo que podia para ajudá-lo...
- Maldição! – ela resmungou, frustrada.
Não poderia deixá-lo morrer. Por mais que o odiasse, algo em si não queria que ele morresse. Além disso, não tinha realmente a consciência tranqüila. A voz de Draco reverberava em sua mente... “Viu só o que fizeste, Weasley? Se eu morrer de pneumonia será tua culpa!”. Resmungou mais uma vez.
- Não vais morrer assim, não é alteza? – ela molhava o pano mais uma vez – Só irei confirmar minhas suspeitas de que és um fraco inútil... – Gina sorriu imaginando as possíveis respostas que o loiro estaria dando se realmente a escutasse.
Quando a água da bacia parecia ter ficado quente, ela resolveu encher mais uma vez com a água fria da cachoeira. Voltou para perto dele, e recomeçou seu ritual. Sequer viu o tempo passar; o cansaço dissipou-se. Contudo, a febre não cedia. Aquilo não estava adiantando. Tentou pensar em alternativas, e a lembrança de uma erva veio a sua mente. Teria que deixá-lo sozinho por algum tempo, mas era necessário. Voltou a molhar o pano com água fria e recolocou na testa do loiro, antes de caminhar até a entrada da caverna. Com a varinha, fez um feitiço para impermeabilizar seu corpo, e saiu.
A chuva forte agitava as águas da cachoeira, e os trovões de vez em quando soavam fortemente. Gina teve dificuldades em conseguir descer. Quando alcançou a floresta, caminhava lentamente, pois a terra molhada fazia seu pé afundar. Buscava com o olhar uma erva que geralmente crescia nas raízes de árvores grandes. A lama e a água dificultavam a procura, irritando a bruxa. Quando finalmente encontrou arrancou imediatamente algumas folhas e correu de volta para a caverna.
Assim que entrou na caverna, transfigurou outro pedaço de madeira, agora numa pequena panela. Ascendeu o fogo, e após colocar água na panela depositou-a sobre o fogo para que seu conteúdo fervesse. Voltou para perto de Draco, ao mesmo tempo em que secava seus cabelos com um feitiço. Tocou-lhe a face, constatando que ainda estava febril. Retirou o pano de sua cabeça, e o molhou, recolocando sem demora na testa do príncipe.
Em alguns minutos, o cheiro do chá espalhava-se pela caverna. Gina levantou e após perceber que a água tornara-se levemente esverdeada, apagou o fogo e com cuidado retirou a panela. Despejou seu conteúdo num copo e caminhou até Draco. Ajoelhou-se ao seu lado, e com uma das mãos suspendeu um pouco a cabeça do rapaz. Entretanto, antes de ofertar-lhe o líquido, o esfriou um pouco com um feitiço.
Cuidadosamente, encostou o copo aos lábios de Draco. Inclinou o objeto para que o líquido derramasse em sua boca, e apesar de boa quantidade escapar-lhe da boca, ele engolia o chá. Quando o copo esvaziou, Gina o deitou novamente. Limpou-lhe a boca e o pescoço, e mais uma vez, verificou a temperatura. Ainda estava alta, mas depois do chá, tinha certeza que em poucos minutos baixaria.
Continuou a colocar o pano molhado em sua testa, enquanto esperava que o chá fizesse efeito. Aos poucos, começou a perceber que a febre estava cedendo, e que ele não mais tremia. Um pequeno sorriso aliviado esboçou-se em seus lábios, e quando foi mais uma vez buscar água, percebeu que não mais trovejava. A tempestade provavelmente passara.
Agradeceu mentalmente aos trovões que a fizeram-na despertar. Se não tivesse controlado a febre talvez o príncipe acabasse tendo uma convulsão e morrendo enquanto ela dormia. Percebeu os primeiros raios de sol chegarem parcialmente à caverna, e sentiu a exaustão tomar-lhe o corpo. Draco não tinha mais febre, quando Gina não conseguiu vencer o sono e adormeceu, sentada ao lado dele.
Quando Draco acordou algumas horas mais tarde, não se sentia bem. Sua cabeça doía, assim como sua garganta. Abriu os olhos, e surpreendeu-se ao encontrar Gina adormecida ao seu lado. Ergueu a sobrancelha, confuso, percebendo então que havia algo em sua testa. Era um pedaço de pano, o qual Draco não fazia idéia de o que estava fazendo em sua cabeça. Mirou mais uma vez a ruiva, e só então percebeu que ela estava sentada, uma pequena bacia ao seu lado.
- Weasley... – sua voz saiu rouca, então ele pigarreou – Weasley...
Gina murmurou algo inaudível, permanecendo dormindo. Ele revirou os olhos, e após tentar despertá-la novamente, sem sucesso, começou a se irritar. Sentou, e começou a balançá-la, ao mesmo tempo em que a chamava.
- Ainda não... – ela sussurrou, seus olhos fechados, mas já consciente. O que dormira não pareceu ter sido suficiente, e desejava permanecer dormindo.
- Vamos, Weasley... Está na hora de acordar... – ele falou num tom mais baixo que o normal, já que sua garganta continuava doendo. Ela suspirou, frustrada, e abriu os olhos.
- Deixe-me dormir, príncipe...
- Weasley, eu não sabia que eras tão preguiçosa e...
- Preguiçosa? – Gina corou de raiva – Então é isso que achas que sou?
- Claro, se continuas a querer dormir uma hora dessas!
- Talvez eu queria dormir porque permaneci acordada praticamente toda a madrugada – ela confessou, irritada.
- E por que ficou acordada?
- Simplesmente porque vossa alteza resolveu ter uma febre muito alta, a qual não queria ceder de modo algum!
- Febre? Eu tive febre? – questionou ele.
- Sim... Eu acabei acordando no meio da noite, e percebi que tu estavas ardendo em febre. Não conheço feitiços de cura para febre, restando o método trouxa – ela mostrou a bacia ao seu lado – Mas ainda assim, continuava febril, e quando me lembrei de uma erva desci para procurá-la... Só então sua febre cedeu – ele ainda sentia um gosto amargo na boca.
- Ah... – ele não soube o que dizer, estava grato por ela ter cuidado dela, mas não queria admitir.
- Portanto, deixe-me dormir...
- Bom... Eu te avisei. Tu não fizeres mais que a obrigação ao cuidar de mim, afinal por tua culpa tive a febre... E provavelmente é por tua culpa que estou com essa dor de cabeça e de garganta...
- Mais que minha obrigação? – ela bufou de raiva – Nada disso era minha obrigação... Eu já deveria ter te deixado para trás a muito tempo!
- Não conseguirias, Weasley! – um sorriso brincava nos lábios dele.
- Ah... Não me provoques, alteza... – Gina o ameaçou, enquanto levantava e caminhava para o outro lado da caverna, bem longe de Malfoy.
- Ei... Eu estou com fome. Preciso de comido.
- Frutas não faltam para teu café da manhã – a ruiva falou, enquanto deitava-se.
- Sim, mas... Não vais servir-me? – ela decidiu contar até dez para se controlar e não enforcá-lo. Draco sorriu, e deitou-se novamente. Não tinha fome, apenas desejava provocar-lhe. Sua cabeça ainda doía, resolveu fechar os olhos na tentativa de que a dor o deixasse. Acabou adormecendo novamente.
Espreguiçou-se preguiçosamente, ao mesmo tempo em que bocejava. Suspirou e um pequeno sorriso se formou em seus lábios. Sentia-se bem mais relaxada agora. Abriu os olhos, e mirou o teto por alguns instantes, até ouvir um barulho ao seu lado. Ao virar-se, encontrou Malfoy sentado, comendo uma maça. Gina sentou também, chamando a atenção do loiro.
- Oh, finalmente acordaste! – ele zombou – Cheguei a pensar que queria hibernar, Weasley!
- É bem melhor dormir ao ter que conviver, alteza... – sorriu forçadamente.
- Quando sairemos daqui, então, Weasley?
- Queria que fosse agora mesmo, mas ainda estás debilitado, e esse é nosso melhor abrigo – ela falou – O ideal é esperarmos que tuas feridas cicatrizem, e esse resfriado passe.
- Maldição! – Draco resmungou, enquanto mordia a maça. O estômago de Gina reclamou, e só então ela percebeu o quanto estava com fome. Levantou, indo até perto de Malfoy. Sentou ao seu lado, e serviu-se de uma das frutas – Eu preciso encontrá-la!
- Quem?
- A princesa Hermione, claro! – disse como se fosse o óbvio.
- Ainda pretende casar-se com ela? – a ruiva perguntou.
- Infelizmente. O poder algumas vezes exige sacrifícios...
- Então o casamento é um sacrifício para ti?
- Certamente... Se pudesse, jamais me casaria. Pra quê? – ele deu de ombros. Gina o olhou, aterrorizada.
- Para construir uma família. Ter um companheiro, filhos...
- Bobagens... – Draco comentou – Pretendo ter um filho apenas para ter um herdeiro.
- Eu tenho pena de ti, alteza – ele a olhou, surpreso – É triste saber que desprezas coisas tão belas como família, filhos, esposa... E será triste também se tu realmente conseguires casar com Hermione... Vejo que ela seria a mulher mais infeliz de todos os reinos.
- Como assim, se eu conseguir? É claro que me casarei com ela!
- Eu não estaria tão certo, eu realmente acho que o Harry gosta dela e...
- Harry? Aquele camponês ridículo? Oras... Ele não é ninguém, Weasley! Hermione é uma princesa! – Draco disse – Ela merece um nobre!
- Não... Ela merece alguém que a ame – ela deu um pequeno sorriso, deixando-o em silêncio – E você não a ama, príncipe Malfoy...
Draco não responder. Gina deu-se por satisfeita, e após pegar uma outra fruta, ficou de pé, e caminhou até a entrada da caverna.
Cinco dias se passaram desde que chegaram à caverna. Malfoy estava curado do resfriado, e apesar de ainda caminhar com dificuldade, seus ferimentos já estavam quase cicatrizados. As brigas ainda existiam, mas havia uma discreta harmonia entre eles. A ruiva comunicou que passariam apenas mais dois dias ali, antes de finalmente seguirem viagem. Ele concordou.
Na noite da véspera da partida, Draco encontrava-se sozinho, a espera de Gina. A moça retornou com dois pedaços de madeira na mão, e ele não entendera para quê. Gina sorriu, enquanto se aproximava.
- Já que não está completamente curado, mas também a cadeira não é mais necessária... Eu achei que esses pedaços de madeira seriam úteis – ela falou – Para servir de apoio...
- Algumas vezes, eu confesso, tu me surpreendes, Weasley – ele comentou, fazendo-a corar de leve com o possível elogio.
- Bom... O melhor agora é dormir e descansarmos bastante, afinal amanhã teremos um longo dia!
- Para onde está indo?
- Para o sul... Para o Reino de Avalon! Vais seguir comigo? – ela perguntou.
- Tenho escolha?
- Retornar para teu reino – Gina falou.
- Não posso voltar sem Hermione... Ela também está indo para Avalon, certo? Preciso encontrá-la – Draco disse.
Gina não retrucou, apenas deu um pequeno sorriso, antes de deitar-se. Fechou os olhos, não demorando a adormecer.
Acordou e logo ouviu o som da água que caía constantemente. Sentiria falta daquele lugar, pois de alguma forma, o barulho da água a acalmava. Suspirou, antes de sentar-se, e ao procurar Malfoy com o olhar, encontrou-o adormecido. Deu um pequeno sorriso, e levantou. Decidiu que buscaria algumas frutas frescas para o café da manhã, e aproveitaria para banhar-se.
Procurou não fazer barulho enquanto caminhava até a entrada da caverna; em seguida, deixou o lugar. Demorou cerca de vinte minutos para recolher as frutas que desejara, e assim que sua cesta estava cheia, retornou para a cachoeira. Ao aproximar-se da água, deixou a cesta sobre o solo, e após checar o seu redor, começou a despir-se, mantendo apenas as roupas íntimas.
Mergulhou na água fria que a princípio a fez tremer levemente de frio. Com o tempo, acostumou-se com a água, que se tornou incrivelmente refrescante. Nadou por algum tempo, sem perceber que alguém lhe espiava.
Assim que despertou, ele procurou Gina na caverna; não a encontrando deduziu que a ruiva havia ido buscar alimentos. Permaneceu deitado por mais algum tempo, antes de finalmente levantar-se. Caminhou lentamente até a entrada da caverna, a fim de aparar alguma água da cachoeira e lavar seu rosto. Franziu o cenho ao notar algo além das águas que caiam a sua frente, mas era difícil enxergar com nitidez do que se tratava.
Andou, então, até a esquerda, inclinando-se um pouco para ver sem que a água o bloqueasse. Piscou rapidamente, dando um passo para trás, ao ver Gina banhando-se. Ele não ousou olhar novamente. Ou pelo menos, essa era sua intenção inicial.
- Controle-se, Malfoy! Ela é uma dama – disse a si mesmo. Sua mente, entretanto, lembrou-lhe que Gina era uma mera camponesa – Ainda assim, eu sou um cavalheiro... Não devo ficar espiando moças a banhar-se!
Repetiu aquilo várias vezes, mas a imagem da ruiva nadando ainda estava viva sua em mente. Engoliu em seco, ficando imóvel por alguns segundos.
- Uma espiada rápida não fará mal... – murmurou antes de inclinar-se novamente. Ela ainda nadava, e como suas vestes estavam no solo, ele constatou que deveria estar apenas de roupa íntima. Corou. Balançou a cabeça na mesma hora em que uma imagem de Gina completamente despida veio a sua mente – Por Mérlim, estou virando um pervertido!
Afastou-se completamente da entrada da caverna, refugiando-se no seu interior. Não era certo ter aquele tipo de pensamento, muito menos em relação a uma camponesa. Amaldiçoou-se mentalmente, decidido a esquecer o ocorrido. Entretanto, não era uma tarefa fácil. Ainda podia vê-la nadando tranquilamente em sua mente. Balançou a cabeça várias vezes, mas era inútil.
- Maldição! – resmungou baixo, enquanto cruzava os braços. Permaneceu numa luta mental por algum tempo que sequer percebeu quando Gina voltou.
- Bom dia, alteza – ela cumprimentou, assustando-o. Ela sorriu das expressões dele.
- Quer mesmo matar-me, não é Weasley? – questionou irritado, e levemente corado. Conseguiria esquecer as imagens dela banhando-se?
- Não achas que já tive oportunidades melhores? – Gina brincou enquanto se aproximava, a cesta de fruta em suas mãos.
- Talvez – ela sentou ao seu lado, e franziu o cenho ao encará-lo.
- Algum problema, príncipe? – a ruiva o olhou bem nos olhos, aumentando o desconforto dele.
- Problema nenhum, Weasley! Tudo ótimo!
- Parece-me um pouco corado... Deixe-me ver se é febre... – ele ficou imóvel ao vê-la se aproximar, e tocar-lhe a testa. A pele dela era lisa e macia, e aquilo o deixou mais nervoso – Hum... Não está com febre!
- Já disse que não é nada... – ele afastou a mão dela rispidamente. Gina fez uma careta.
- Tudo bem, eu já entendi... – a moça suspirou contrariada – Não vamos começar uma discussão, por favor... Logo estaremos viajando e será insuportável se formos em clima de discórdia! – ele deu de ombros, ficando em silêncio – Vamos comer... Colhi essas frutas há pouco.
Draco a mirou por breve instante, antes de concordar em pegar a fruta. Aquela convivência com a ruiva era mais complicada que poderia imaginar. Não falaram nada enquanto se alimentavam. Quando estava satisfeita, Gina levantou.
- Partiremos assim que terminares... – ela avisou.
- Está certo – ele concordou enquanto mastigava.
Não demorou para Draco terminar, e logo ele ficou de pé. Gina trouxe-lhe os pedaços de madeira e ele os colocou abaixo da axila. A viagem certamente demoraria mais, já que o loiro caminhava mais devagar que o normal. Assim que deixaram a caverna, seguiram para o sul, como combinado. Não faziam paradas, a não ser quando desejavam se alimentar. Antes que escurecesse, eles decidiram parar a fim de procurar um abrigo seguro para a noite.
Draco ajudou Gina a catar lenha para uma pequena fogueira, além de pedaços de madeira para uma simples cabana. Com magia, ela conseguiu melhorar o local onde passariam aquela noite. Era bem mais apertado que a caverna, mas certamente melhor que ficar exposto. Após acender a fogueira, eles se sentaram perto dela. A noite estava fria naquele dia.
- Eu torço para que não chova – Gina comentou distraidamente, enquanto mirava o céu negro, parcialmente coberto por nuvens.
- Eu também... – ele deu um discreto sorriso.
- O que mais gosta em sua vida de príncipe? – ela questionou, fazendo-a encarar.
- O poder...
- Imaginei – ela revirou os olhos.
- E o que menos gosta?
- As responsabilidades que o poder requer... – Draco suspirou – Às vezes, eu... – o loiro pausou.
- O quê? Continue...
- Eu sou obrigado a fazer coisas que se pudesse não faria. Nem sempre eu tenho liberdade para fazer as minhas próprias escolhas.
- Por que não?
- Geralmente meu pai discorda delas. E bem... Eu posso ser o príncipe e mandar em quem eu quiser, mas... Não posso mandar no rei! – ela deu um pequeno sorriso.
- E não se sentes... Mau por não poder fazer suas próprias escolhas? – Gina o olhou bem nos olhos.
- Claro, mas é necessário. Meu pai tem mais experiência e conhecimentos que eu, então ele sabe o que é melhor.
- Foi seu pai quem decidiu que se casaria com a Hermione?
- Sim. Será melhor para meu reino, para o reino dela... Será melhor para mim – ele disse – Eu serei o governante de inúmeras terras... Terei mais poder que qualquer outro.
- E estás seguro de que com tanto poder conseguirá ajudar todos seus súditos?
- C-como?
- Bom... O dever do rei é também cuidar de seus súditos, não é? – Gina indagou, deixando em silêncio por algum tempo.
- O que está tentando fazer, Weasley?
- Eu? Nada, alteza... Que poder eu tenho para fazer alguma coisa? – havia um pequeno sorriso em seus lábios – Eu vou dormir agora. Boa noite.
Ele não respondeu. Gina levantou-se e seguiu para a pequena cabana. As palavras dela, entretanto, permaneceriam por muito tempo com Malfoy.
Enquanto caminhavam no outro dia, Gina percebeu que Draco estava mais quieto que o normal. Notou também que as expressões dele estavam sérias, como se estivesse pensando em alguma coisa. Pensou em questioná-lo, mas desistiu. Manteve o silêncio, até que o som de cavalgadas chamou a atenção de ambos. Assim que os cavaleiros ficaram a vista, um sorriso se esboçou nos lábios de Malfoy. Não demorou a ser visto, e logo os homens cavalgavam em sua direção.
- Acho que nossa viagem se adiantará a partir de agora... – ele falou. Gina, contudo, não parecia estar tão feliz quanto o príncipe.
N/A: Bom... Eu sei que faz muito tempo desde a última vez que atualizamos, e como a culpa foi minha *da Pink xD*, eu estou aqui deixando esse NA pra vcs... Mill desculpass pela demora, mas eu realmente estava sem condições de escrever fics... Ainda assim, eu fui escrevendo de pouquinho em pouquinho, e finalmente terminei... \o/ Era para termos postado na semana passada, mas infelizmente estávamos sem beta... Anyway... Aqui está o cap, espero que vcs curtam, perdoem-me pelas falhas... =D E até breve!! \o/ Agradecemos a todos que leram, comentaram e votaramm!! \o/ Obrigadaa!! Bjus!! =D
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