(Até a detenção, versão Johson dos fatos)
A última semana fora tranqüila para Cleo. Aulas, deveres... estava com problemas na matéria de poções, “para variar”. Sempre havia tido dificuldade nesta disciplina, “entender o processo eu entendo, mas executar o preparo é o problema”, a teoria era mais fácil do que a prática. Ela precisava de uma ajudinha e já tinha conversado com Clara.
No início desta nova semana se iniciaria sua detenção. Era segunda-feira e seu dia passou mais rápido do que o esperado. Quando notou, já era hora do jantar. Logo teria que seguir para sua detenção. “Pelo menos sem o Malfoy!”. Quem sabe não poderia inclusive tirar algumas dúvidas sobre a matéria com Slughorn.
As últimas duas horas de espera se passaram. A transformação já tinha ocorrido. Era hora de ir para a sala de Slughorn. Saiu do Salão Comunal e seguiu, desceu as escadas, continuou por um corredor cheio de estátuas. Seguiu até mais um lance de escadas que levaria para as masmorras. Suspirou profundamente e desceu. Chegando a sala de poções, deu três batidinhas na grande porta de madeira escura e grossa.
‑ Entre senhorita Preston! – era a voz de Slughorn.
A garota entrou na sala e a primeira coisa que viu foi Draco Malfoy de pé ao lado do professor. Abriu logo a boca para reclamar, mas Slughorn começava a falar interrompendo qualquer intenção de Cleo.
‑ Minha querida, o diretor conversou comigo a respeito de seus horários. – disse o professor frisando as últimas palavras. – Infelizmente, como preciso organizar as aulas e corrigir muitos trabalhos, não poderei acompanhá-la nesta detenção, mas deixo a senhorita em boas mãos. – concluiu o professor apontando para Draco.
“Você não imagina quão boas!”, pensou a garota nervosa. “Que duplo sentido!”, terminou o pensamento quase soltando um sorriso.
‑ Você e o senhor Malfoy já se conhecem?
“Infelizmente sim”, pensou apenas confirmando afirmativamente com a cabeça.
‑ Que bom! A sua tarefa é limpar todos os caldeirões e organizar os ingredientes. – com um feitiço Slughorn tirou delicadamente a varinha das mãos de Cleo. – Sem o uso de magia. Obrigado! Sua varinha ficará com o senhor Malfoy até o final de seu horário de detenção. Os itens que precisa estão ali. – apontou para um armário velho e sujo, também de madeira escura, como tudo ali. – É isso, até a nossa próxima aula senhorita Preston. – frisou as últimas palavras dando uma piscadela para Cleo.
Logo depois, Slughorn saiu da sala, deixando Cleo totalmente desapontada pra trás. “Bom, vamos lá.”
‑ Boa noite Preston. Pode começar a limpar por aqui! – disse apontando para um caldeirão em que ele acabara de virar o restante do conteúdo no chão.
‑ Boa noite, Fraco Malfoy! – disse com um sorriso sarcástico.
‑ Andou criando apelidos infantis junto com a sua amiga, a Feinha? Acho que vocês andam convivendo muito, parece que falam pela mesma boca.
“Você nem tem ideia!”
‑ Você realmente se acha “o rei da cocada preta” né Malfoy?
‑ “O…” o quê?
‑ “O rei da cocado preta”, é uma expressão trouxa!
‑ Você é uma sangue-ruim? – disse o loiro com cara de nojo. – Preciso lavar minha boca com desinfetante.
‑ Idiota. Você quem me agarrou por vontade própria e quer saber mais? – a garota, que estava limpando o restante de poção derramada por Malfoy, se levantou, caminhou até o garoto e disse. – Você bem que gostou da sangue-ruim aqui! – terminou fuzilando o menino com o olhar.
O garoto ficou alguns segundos sem conseguir esboçar nenhuma reação. Apesar de suas feições serem sempre as mesmas, “sem expressão nenhuma”. O tempo para resposta foi o suficiente para Cleo perceber que o garoto “deve ter ficado no mínimo incomodado”.
‑ Apesar de suja, você até que serve para satisfazer meus desejos masculinos. – respondeu o Malfoy nitidamente analisando o corpo da garota.
‑ Que nojo Malfoy! Sai de perto de mim. – disse a garota fechando até o botão da gola de sua camisa. – E se me dá licença, preciso continuar a fazer as tarefas que Slughorn me pediu. – finalizou, deixando claro ao garoto de onde vinham as ordens nas quais ela cumpria.
Passou a ignorar a presença do garoto para conseguir se focar em suas tarefas.
Enquanto começava a organizar os ingredientes para poções uma idéia estalou em sua cabeça. “Cadê aquele papel com a receita da poção?”, começou a menina a procurar dentro de seu bolso discretamente enquanto fingia limpar uma prateleira. “AQUI!”, sorriu a morena. “Graças ao Malfoy poderei fazer umas comprinhas gratuitas”.
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(Até a detenção, versão Malfoy dos fatos)
Para ele a semana se arrastara lentamente. Após falar com a amiga “muito estranha da Preston”, Malfoy teve que mover seus próprios pauzinhos para garantir presença na detenção da mesma. Foi imediatamente falar com Slughorn e realmente não foi difícil convencê-lo.
‑ Professor, com licença! Vim apenas lhe avisar que a detenção da menina corvinal foi mudada para meia-noite e meia.
‑ Por que este horário senhor Malfoy?
‑ Ordens de Dumbledore.
‑ Como é o nome da aluna mesmo senhor Malfoy?
‑ Astória Preston professor.
‑ Você tem certeza? Não me lembro de nenhuma aluna com este nome.
‑ Sim senhor. O horário é muito ruim para o senhor?
‑ Sim garoto Malfoy. Tenho inúmeros trabalhos para corrigir esta semana. Será que teria como o senhor me auxiliar mesmo sendo este horário?
Draco abriu um sorrisinho discreto. “Mas é claro!”
‑ É um pouco tarde, mas tem sim professor. Apenas terei que colocar outro monitor para fazer a minha ronda, que é próxima a este horário.
‑ Quanta gentileza senhor Malfoy! Aprecio sua boa vontade. Verei com Dumbledore se não há problemas, mas pode vir até minha sala ao final da tarde e lhe dou a confirmação. Será de muita ajuda senhor Malfoy, tenho muitos trabalhos para corrigir.
‑ Tudo bem professor, estarei aqui!
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Ao final da tarde, Draco fez o que o professor lhe havia pedido. Retornou a sua sala.
‑ Boa tarde professor, venho apenas confirmar a detenção!
‑ Sim. Como havia lhe dito Dumbledore concordou com sua gentileza. O horário da detenção será meia-noite e meia, mas se o senhor puder chegar uns dez minutos antes será bom para repassarmos os afazeres da senhorita Preston.
‑ Sim professor, sem problemas.
‑ Como agradecimento, convidarei o senhor a participar da minha festinha particular. Seleciono sempre os melhores alunos e sei que o senhor tem excelentes notas em poções.
‑ Não sei se consigo professor, meus afazeres de monitor tomam muito tempo, mas obrigado pelo convite.
‑ Pense bem senhor Malfoy, a senhorita Granger da Grifinória também é monitora e já participou de minhas festinhas.
“Granger, a perfeita!”
‑ Vou ver professor. Mas agradeço muito o convite.
Dito isso o garoto se retirou da sala. “Festinhas do Slughorn, devem ser adoráveis, até contam com a presença da Granger”, pensou irônico.
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No restante dos dias que antecederam a detenção da corvinal, Draco estava preocupado em resolver detalhes de execução de seu plano. O Lorde das Trevas já vinha lhe cobrando resultados desde o começo do ano. O atentado ocorreria durante o próximo passeio a Hogsmeade.
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Segunda-feira havia chegado enfim. No horário combinado Malfoy chegou a sala de Slughorn, dez minutos antes da detenção. O professor lhe passou as diretrizes. “Nada demais!”
‑ ... e se achar necessário pode ajudar a garota com o uso de magia, se o trabalho estiver muito pesado e demorado. – concluiu o professor.
“Ah ta!”, pensou o loiro.
‑ Tudo bem professor. Acredito que não será necessário, não há muito que fazer.
‑ Não se iluda meu rapaz!
A conversa foi interrompida por batidas na porta.
‑ Entre senhorita Preston! – disse Slughorn.
A garota entrou na sala. Draco a viu abrir a boca para começar a reclamar, ele sorriu para ela.
‑ Minha querida, o diretor conversou comigo a respeito de seus horários. – disse o professor. – Infelizmente, como preciso organizar as aulas e corrigir muitos trabalhos, não poderei acompanhá-la nesta detenção, mas deixo a senhorita em boas mãos. – concluiu o professor apontando para Draco.
“Você não imagina quão boas!”, pensou o loiro animado.
‑ Você e o senhor Malfoy já se conhecem? – o loiro a viu afirmar com a cabeça‑ Que bom! A sua tarefa é limpar todos os caldeirões e organizar os ingredientes. – com um feitiço Slughorn tirou delicadamente a varinha das mãos da garota. – Sem o uso de magia. Obrigado! Sua varinha ficará com o senhor Malfoy até o final de seu horário de detenção. Os itens que precisa estão ali. – apontou para o armário. – É isso, até a nossa próxima aula senhorita Preston.
Logo depois Slughorn saiu da sala. “E que a brincadeira comece”.
‑ Boa noite Preston. Pode começar a limpar por aqui! – disse apontando para um caldeirão em que ele acabara de virar o restante do conteúdo no chão.
‑ Boa noite, Fraco Malfoy! – disse com um sorriso sarcástico.
‑ Andou criando apelidos infantis junto com a sua amiga, a Feinha? Acho que vocês andam convivendo muito, parece que falam pela mesma boca. – “Nossa, até parecem irmãs!”
‑ Você realmente se acha “o rei da cocada preta” né Malfoy?
‑ “O…” o quê?
‑ “O rei da cocado preta”, é uma expressão trouxa!
‑ Você é uma sangue-ruim? – disse o loiro com cara de nojo. – Preciso lavar minha boca com desinfetante.
‑ Idiota. Você quem me agarrou por vontade própria e quer saber mais? – Draco acompanhou a garota parar de limpar, se levantar e caminhar até ele. – Você bem que gostou da sangue-ruim aqui! – terminou fuzilando-o com o olhar. “Se eu fosse você não chegaria tão perto…”, pensou o garoto maldoso.
Depois das últimas palavras da garota, Draco ficou alguns segundos sem conseguir esboçar nenhuma reação. “Boa resposta sangue-ruim, saia ileso dessa agora Malfoy”.
‑ Apesar de suja, você até que serve para satisfazer meus desejos masculinos. – respondeu então olhando indiscriminadamente para o corpo da garota. “Belo corpo, definitivamente bonito”.
‑ Que nojo Malfoy! Sai de perto de mim. – disse a garota fechando até o botão da gola de sua camisa. – E se me dá licença, preciso continuar a fazer as tarefas de Slughorn me pediu. – finalizou deixando claro a Draco de onde vinham as ordens nas quais ela cumpria.
“Ela gosta de bater de frente então?”
Durante muito tempo a garota ficou ignorando a presença do loiro.
“Olhando assim, as pernas dela são mais gostosas que a da Pansy, o bumbum também. Os seios são um pouco menores, quanto a cintura, hum, que barriguinha lisa.”. Viu a garota se virar.
‑ Malfoy, terminei!
“De rosto não tem nem comparações, mil vezes melhor que a Pansy e estes olhos negros...”
‑ MALFOY, ESTÁ ME OUVINDO? – gritou a garota em seu ouvido.
‑ Não depois deste berro! Garota idiota! – disse irritado.
‑ Ah tá bom Malfoy, agora devolve a minha varinha para eu ir embora.
‑ Você não tem educação não? – disse ele tirando a varinha dela do bolso.
‑ Ah, não termina de me tirar a paciência não garoto!
‑ Ainda não... – disse o loiro guardando a varinha novamente no bolso.
‑ Você poderia devolver minha varinha, por favor, ó grande Malfoy? – disse ela irônica.
‑ Assim está melhor. – sorriu Draco lhe entregando a varinha.
‑ Obrigada! – finalizou ela fazendo uma reverência exagerada e saindo rapidamente da sala. “Como se estivesse com medo de mim”, Draco sorriu.
‑ Isso é bom!