Capítulo 15 – Convidado de Honra
“Isso é muito bom”, comentei, dando mais uma mordida na varinha, “O que vocês colocaram?”, perguntei, olhando de um para o outro, enquanto mastigava, saboreando o misto de sabores que dançavam na minha boca.
“Conseguimos descobrir a receita dos feijõezinhos de todos os sabores, misturamos os melhores sabores e fizemos no formato de varinhas. Precisamos pedir alguns livros de magia avançada com Gui para conseguir colorir as... você está ouvindo?”, Fred perguntou, desviando a atenção da paisagem a sua frente, mas ainda segurando o volante com firmeza.
“Não”, dei mais uma mordida, “Começou a ficar chato depois do ‘livros’”, expliquei, a boca cheia de doce.
“Ficamos contente que tenha dado certo”, Jorge se pronunciou, “Precisávamos de alguém para provar a amostra”
“Por que vocês não provaram?”, perguntei, o cenho franzido em confusão, mordendo mais um pedaço, “É muito bom...”, então, me interrompi e fuzilei-os com os olhos, “Qual é o efeito colateral disso?”
“Havia a possibilidade”, Fred começou, escolhendo cuidadosamente as palavras, “Da sua língua ficar inchada, azul e com alguns furúnculos. Mas, olha que sorte, parece que conseguimos neutralizar tais efeitos com o uso da poção... Rony, você está me ouvindo?”
“Não”, informei, voltando a dar uma mordida generosa, a atenção fixa na paisagem que passava rapidamente pela janela.
XxXxX
“Tem certeza que é aqui?”, perguntei, lançando um olhar de relance para a casa pequena e comum, enquanto Fred, cauteloso, manobrava o carro para que ele ficasse lado a lado com a janela com grades.
“Foi o endereço que ouvi papai mencionar”, ele disse, os olhos ainda presos nos postes de eletricidade.
“Quem diria... não é que ele está mesmo em uma jaula?”, Jorge balançou a cabeça, “Deveríamos ter trazido uma bomba de bosta colorida para jogar aí dentro, depois do resgate”, murmurou, revoltado.
“Um pouco mais para frente, Fred”, pedi, enquanto abria a janela e me inclinava na direção dela, mas, mesmo com os braços esticados, mal conseguia tocar as grades, “Não consigo...”
Lentamente, o carro se moveu e meus dedos se fecharam sobre uma das grades. A janela da casa estava fechada e, embora não conseguisse ver Harry naquela escuridão, consegui ver Edwiges em sua gaiola.
“É aqui mesmo”, balbuciei, “E agora nós amarramos a corda?”, questionei, pensativo.
Jorge esticou-se, fechou os dedos sobre a corda, enrolada no outro canto do banco traseiro e puxou-a, desenrolando-a e passando-a para mim.
Aquiesci e peguei-a, passando todo o meu torso pela janela aberta do banco do passageiro. O vulto na cama mudou de posição, mas estava obviamente adormecido.
Fred aproximava lentamente o carro, trazendo-o mais próximo da janela e tornando minha missão um pouco mais fácil.
“Puxe as grades”, sugeriu Fred, enquanto olhava por cima dos ombros, enquanto manobrava o carro.
Fechei as mãos com firmeza em volta de duas delas e puxei-as, com toda a minha força, elas tremeram.
“São fracas”, observou Jorge, pensativo.
“Hey!”, soltei, ofendido, como assim elas ‘são fracas’? Eu sou muito forte para o governo deles.
Mas, então, um movimento pelo canto dos meus olhos chamou a minha atenção, e voltei-me para o vulto na cama.
Harry mudou de posição novamente, e, então, sentou-se, sonolento, olhando em volta, confuso. Então, me viu e sorriu, surpreso. Ele falou alguma coisa, mas não ouvi – suponho que tenha exclamado meu nome, mas o som do motor do carro e a janela não estavam facilitando nada -, então, lançando um olhar cauteloso em direção à porta do quarto, ele se encaminhou até a janela e abriu-a.
“Rony, como foi que você... Que é...?”, os olhos verdes se arregalaram ainda mais, quando ele percebeu que estávamos num carro.
Que voava.
Seus olhos rapidamente deslocaram-se para o banco dianteiro e meus irmãos o saudaram, alegres.
“Que é que está acontecendo?”, perguntei, voltando a atenção de Harry novamente para mim, “Por que você não tem respondido às minhas cartas? Convidei-o para vir nos visitar umas doze vezes e então papai chegou em casa e disse que você tinha recebido uma advertência oficial por usar mágica na frente dos trouxas...”
“Não fui eu...”, o rosto de Harry se franziu numa expressão de irritação, “E como é que ele soube?”
“Ele trabalha no Ministério”, dei de ombros, “Você sabe que não temos permissão para usar mágica fora da escola...”, acrescentei, veemente. O que tinha acontecido? Ele tinha ficado tão bom em ignorar Percy que o discurso que ele dera no final do último ano letivo passara batido?
“Olha quem fala”, Harry ergueu as sobrancelhas, os olhos fixos no carro de papai.
“Ah, isto não conta”, descontei com um aceno desdenhoso de mão, “É só emprestado”, o que não é estritamente verdade, mas eu posso explicar melhor quando estivermos a caminho da Toca, “É do papai, não fomos nós que enfeitiçamos. Mas fazer mágica na frente desses trouxas com quem você mora...”
“Eu já disse que não fiz...”, Harry cortou-me, incomodado. Ergui as sobrancelhas, curioso, ele negou com um aceno de cabeça, “Mas vai levar muito tempo para explicar agora. Olha, será que você pode avisar em Hogwarts que os Dursley me trancaram e não vão me deixar voltar e, é claro, não posso sair usando mágica, porque o Ministério vai achar que é a segunda mágica que faço em três dias e aí...”
Eu já estava ficando com dor de cabeça.
“Pare de falar coisas sem sentido”, grunhi, “Viemos levá-lo para casa conosco”
“Mas vocês também não podem me tirar usando mágica...”, Harry pareceu aturdido com a idéia.
Ás vezes era difícil acreditar que ele tinha vencido Voldemort com um ano de idade.
Francamente.
“Não precisamos”, indiquei com a cabeça os gêmeos, “Você esqueceu quem foi que eu trouxe comigo”, cantarolei.
“Amarre isso nas grades”, instruiu, enquanto eu jogava a corda para Harry, que segurou-a, ainda parecendo perplexo.
“Se os Dursley acordarem, estou morto”, ele me alertou, enquanto amarrava firmemente a corda, envolvendo três grades próximas a mim.
Recuei, colocando todo o meu corpo para dentro do carro, enquanto Fred acelerava. Jorge voltou-se para Harry, com um sorriso maroto.
“Não se preocupe... e dê distância”, acrescentou, com uma piscadela.
Harry, imediatamente, recuou alguns passos, enquanto, com os olhos arregalados por trás dos óculos, observava o carro se afastar, voando rapidamente. Por alguns segundos, o carro encontrou alguma resistência, mas, depois, com um barulho horripilante, as grades cederam, ficando penduradas por uma corda para o lado de fora do carro, pouco mais de um metro acima do chão. Rapidamente, comecei a puxar a corda, trazendo as grades para dentro do carro e jogando-as de qualquer jeito ao meu lado. Ofeguei, massageando os músculos do braço, enquanto Fred continuava a, lentamente, aproximar o carro da janela, agora sem proteção.
Harry olhou por cima dos ombros, receoso, em direção à porta.
“Entre”, convidei, enquanto abri a porta do carro. Harry arregalou os olhos.
“Mas todo o meu material de Hogwarts... minha varinha... minha vassoura...”, ele ainda parecia não acreditar no que via.
“Onde estão?”, perguntou Jorge, abrindo a sua porta e começando a soltar o cinto.
“Trancado no armário embaixo da escada, e não posso sair deste quarto...”, ele começou, em tom apologético.
Ele realmente não conhece meus irmãos.
“Não tem problema. Saia da frente, Harry”, Jorge saltou para dentro do quarto, perante o olhar ainda mais incrédulo de Harry, e, Fred, rapidamente, soltou o seu cinto e puxou o freio de mão, escorregando para o banco que outrora Jorge ocupava e também pulou para dentro do quarto do garoto.
Os dois rapidamente correram para a porta do quarto de Harry e, perante o olhar chocado de Harry, Jorge tirou um grampo do bolso e abaixou-se ao lado da porta, concentrando-se em abri-la.
“Tem muito bruxo que acha que é uma perda de tempo conhecer macetes de trouxas como esse”, Fred comentou, casualmente, enquanto Jorge fazia o que quer que estivesse fazendo, “mas nós achamos que vale a pena aprender essas habilidades, mesmo que sejam um pouco demoradas”
Com um clique baixo, a porta se entreabriu e Jorge observou o corredor, cauteloso.
“Então”, Jorge voltou-se para nós, murmurando, “vamos pegar o seu malão, e você pega o que precisar do seu quarto e passa para o Rony”
“Cuidado com o último degrau”, Harry disse, de imediato, embora ainda parecesse um tanto aturdido, “Ele range”
Os gêmeos aquiesceram e saíram sem fazer barulho. Harry e eu ficamos olhando a porta entreaberta por alguns segundos, até que o garoto pareceu se lembrar do que tinha que fazer a saiu pelo quarto, buscando o que precisava e me entregando. Algumas roupas, meias, e outras coisas de pouca importância e, em um tempo horrivelmente curto, ele já tinha passado tudo o que precisava para mim.
“Vou ajudá-los”, Harry disse, quase sem conseguir conter suas emoções; era claro que estava animado, ao mesmo tempo que seus olhos, ansiosos, checavam a porta a cada segundo, temeroso que seus tios acordassem e proibissem sua saída.
Harry saiu do quarto nas pontas dos pés e voltei-me para encarar as roupas amontoadas ao meu lado, em meio às grades. Suspirei e, empurrei as grades para o chão, deixando apenas as coisas que Harry me passara sobre o banco. Enojado, joguei uma camiseta – bem maior que ele, por sinal – em cima de uma cueca.
Não ia matar ser discreto, não é?
Não é como se eu me importasse de ver cuecas – afinal, eu tenho as minhas, sei como são e para quê funcionam -, mas isso não quer dizer que eu goste de ver a dos outros.
Alguns segundos depois, meus irmãos entraram no quarto, acompanhados por Harry e os três traziam o malão. Olhei, em pânico, para o bando, perguntando-me como diabos faríamos para caber nós dois, mais aquele trambolho.
Eu não ia sentar no colo de ninguém, isso era certeza.
Bom, Harry que se virasse no meio daquela bagunça – que era dele, afinal de contas.
Fred pulou pela janela para dentro do carro e foi para o banco de trás, posicionando-se ao meu lado, Jorge e Harry conseguiram equilibrar o malão sobre a batente da janela e, empurravam-no com os ombros, arfantes, mas evitando qualquer som.
Foi quando uma tosse alta e seca fez-se ouvir. Todos nós erguemos os olhos, receosos, mas o corredor continuava engolido pela escuridão. Voltamos a nos concentrar com mais empenho, Fred e eu puxando o malão pela alça, enquanto Jorge e Harry o empurravam com os ombros.
“Mais um pouquinho”, Fred arfou, enquanto nós dois puxávamos o objeto pela alça, “Mais um bom empurrão”, senti os músculos do meu braço se retesarem, exaustos, e tremerem com todo aquele esforço – sinceramente, o que é que o garoto tinha guardado lá dentro, tijolos para construir uma casa secreta e se virar daquela prisão onde morava?
Com dificuldade, Fred e eu passamos o malão para a outra janela, jogando-o em cima das roupas de Harry.
“Muito bem, vamos”, Jorge cochichou, enquanto movimentava os ombros, aliviando a tensão.
Fred escorregou para o banco da frente, posicionando-se atrás do volante, enquanto Jorge pulava para o banco do acompanhante, Harry estava com um dos pés apoiado na batente da janela, quando um pio alto e furioso veio de suas costas, seguido pela voz rouca de sono e raiva do tio dele.
“ESSA CORUJA DESGRAÇADA!”, ele berrou. Todos nós nos entreolhamos.
“Eu esqueci a Edwiges!”, Harry soltou, perplexo. Girou nos calcanhares bem no momento que a luz do corredor se acendeu, atravessou o quarto correndo – o que não é muito -, agarrou a gaiola e voltou correndo em direção à janela e entregou-a para mim.
Rapidamente, agarrei-a e escorreguei para o meio do banco, pressionando-me contra o malão, dando espaço para que Harry entrasse. Ágil, ele se apoiou na cômoda para entrar no carro, quando a porta escancarou-se, revelando um homem de bigodes grisalhos e fartos, os cabelos – já rareando – despenteados e o corpo redondo envolto por um robe.
“Rápido!”, resmunguei, apressado, bem no instante que o tio dele soltava um uivo irritadiço, como um urso enfurecido – um urso gordo e patético, mas um urso de qualquer forma.
Harry rapidamente tentou entrar no carro, mas, com um reflexo surpreendente, o homem enganchou seu tornozelo, puxando-o para fora. Fechei minhas mãos em torno do antebraço esquerdo de Harry, Jorge agarrou o direito e Fred puxou-o pelos ombros.
Era um cabo de guerra interessante. Seria engraçado, não fosse o fato de que Harry tinha um brilho desesperado nos olhos e que, de perto, o “Tio Válter” parecia bem mais com um urso do que eu gostaria de admitir.
“Petúnia”, Válter rugiu, “Ele está fugindo! ELE ESTÁ FUGINDO!”, o berro foi tão alto que todos nós fechamos os olhos, como se isso servisse de muita coisa.
Respiramos fundos e concentramos nossa força em puxá-lo com ainda mais força. Por um instante, pensei que iríamos rasgar o Menino-Que-Sobreviveu no meio. Seria até engraçado, se não fosse trágico e acarretasse a perda do meu melhor amigo.
E, então, conseguimos puxá-lo para dentro. Jorge, num movimento rápido, fechou a porta.
“Pé na tábua, Fred!”, berrei, enquanto massageava o músculo dolorido do meu braço, com uma careta; afinal ele fora posto à prova: primeiro a grade, depois aquele malão e agora o Harry, Merlin está me castigando enquanto eu salvo meu amigo.
Fred obedeceu. Logo, estávamos todos ofegantes, olhando para trás, satisfeitos. Harry, rapidamente, abriu a janela e o vento brincou com seus cabelos, voltou os olhos para a casa de seus tios e sorriu quando viu três vultos à janela.
“Vejo vocês no próximo verão!”, berrou, animado.
Eu ri, acompanhado por Fred e Jorge, enquanto Harry se recostava contra o banco, parecendo muito mais alegre do que nós três juntos.
“Solte a Edwiges”, Harry voltou os olhos para a gaiola em meus braços, “Ela pode voar atrás do carro. Há séculos que não tem uma chance de esticar as asas”, acrescentou, e imaginei que, de certa forma, Harry e Edwiges sofreram dos mesmos males durante essas semanas com os Dursley.
Jorge enfiou a mão dentro do bolso e tirou um grampo do seu interior, entregando-o para mim. Dei um meio-sorriso, enquanto agradecia, mentalmente, as aulas particulares que os gêmeos me deram, ensinando-me a arrombar fechaduras. Encaixei o grampo na entrada do cadeado e com alguns puxões e movimentos bruscos, ele se abriu com um estalo baixo.
Harry sorriu, enquanto me observava baixar a janela e abrir a gaiola. Em silêncio, vimos Edwiges fazer a transição de seu cativeiro para a liberdade do ar noturno, batendo as asas alegremente, acompanhando o carro.
A essa altura, a curiosidade quase me consumia, então voltei-me para o meu amigo.
“Então, qual é a história, Harry?”, perguntei, “Que aconteceu?”
“Ah”, Harry coçou a cabeça, pensativo, “Não sei direito como explicar. Mas eu não tinha recebido nenhuma carta de vocês... até achei que vocês tinham”, ele corou, “se esquecido de mim, ou algo do tipo. Mas, então, o Dobby apareceu”, antes que eu pudesse perguntar quem era esse, ele acrescentou, “Ele é um elfo doméstico. Eu não o conheço. Quero dizer, conheço agora, mas não conhecia antes. Ele apareceu no meu quarto, me dizendo que eu não devia voltar para Hogwarts, porque minha vida estava em risco, e que vai ter uma trama... e um perigo mortal”
“Você acha que Aquele-Que-Não-Deve...?”, comecei, sentindo meu corpo todo se arrepiar em horror.
“Não”, Harry interrompeu-me, com um olhar sério, “Eu perguntei, e ele disse que não tem nenhuma ligação direta com ele e, outra coisa estranha é que, todas as vezes que ele chegava perto de me revelar alguma coisa sobre seus mestres – é como ele os chama, mestres -, começava a se bater”, houve uma pausa, enquanto digeríamos a informação, “Enfim”, Harry suspirou, “descobri que ele estava guardando as minhas cartas”
“Um elfo doméstico estava escondendo as suas cartas?”, Fred ergueu as sobrancelhas.
“É”, Harry deu de ombros, “Ele achou que se eu achasse que meus amigos não ligavam para mim, eu não quereria voltar para Hogwarts. E eu fiquei bravo e ele disse que não tinha outra escolha, então ele levitou o pudim da tia Petúnia...”, Harry estremeceu.
“Porque se o Ministério te expulsasse, você não poderia voltar para Hogwarts”, conclui, “O filho da mãe é inteligente”, observei, admirado.
Harry deu de ombros novamente.
“Muito esquisito”, disse Fred, depois de um silêncio.
“Decididamente suspeito”, Jorge concordou, acenando com a cabeça, “E ele nem quis lhe dizer quem estava tramando isso?”
“Acho que ele não podia”, Harry retrucou, pensativo, “Eu lhes contei, todas as vezes que ele estava quase deixando escapar alguma coisa, começava a bater a cabeça na parede”
Fred e Jorge trocaram olhares. Eles sempre tiveram essa mania estranha de se comunicar daquela maneira. Era irritante.
“O quê, vocês acham que ele estava mentindo para mim?”, Harry pareceu receoso.
“Bom”, Fred parecia escolher as palavras com cuidado, “Vamos colocar a coisa assim... elfos domésticos têm poderes mágicos próprios, mas em geral não podem usá-los sem a permissão dos donos. Calculo que o velho Dobby foi mandado para impedir que você voltasse a Hogwarts. Deve ser a idéia que alguém faz de brincadeira. Você pode imaginar alguém na escola que tenha raiva de você?”
Harry e eu nos entreolhamos, as sobrancelhas erguidas.
“Claro”, respondemos, em coro.
“Draco Malfoy”, Harry voltou os olhos para meus irmãos, “Ele me odeia”
“Draco Malfoy?”, Jorge olhou para nós por cima do ombro, “O filho de Lúcio Malfoy?”
Não, gênio, o filho de Langberto Malfoy. Quantos outros Malfoys existem? Como se só uma família dessa peste não fosse o suficiente para infestar o mundo.
“Deve ser, não é um nome muito comum, é?”, Harry pareceu tão temoroso quanto eu, “Por quê?”
“Já ouvi papai falar nele”, Fred explicou, os olhos fixos na paisagem à sua frente. Recordei-me de papai comentando, amargo, sobre como o Malfoy era um grandíssimo idiota e como era uma pena que ainda houvesse bruxos como ele na sociedade atual, “Era um grande seguidor de Você-Sabe-Quem”, acrescentou.
“E quando Você-Sabe-Quem desapareceu”, Fred complementou, voltando a atenção para Harry, “Lúcio Malfoy voltou dizendo que nunca tivera a intenção de fazer nada”, claro que não, ele é uma pessoa tão boa, “Um monte de bosta... Papai acha que ele fazia parte de um círculo íntimo de Você-Sabe-Quem”, concluiu, sombrio.
Sério, que tipo de coisa é o ‘círculo íntimo de Você-Sabe-Quem’? O que eles podem fazer? Jogam críquete juntos, enquanto os outros serviçais matam os trouxas a rodo?
“Não sei se os Malfoys têm um elfo doméstico...”, Harry retrucou.
Verdade, animais como elfos domésticos – mansos e submissos de natureza – não fazem muito o estilo deles. Aposto como eles têm um calabouço cheio de crianças gordinhas e felizes que obrigam a fazer coisas horríveis como lavar a louça, varrer o chão e lutar contra aranhas gigantes, peludas, venenosas e carnívoras. Usando aventais rosas com bolinhas brancas e com uma escrita no bolso ‘servimos aos Malfoys e somos felizes’. Horripilante.
Pobres crianças, alguém devia salvá-las. Mentalmente, instrui-me a escrever uma carta para o Ministério, desmascarando aquela víbora sem coração.
“Bom, seja quem for”, Fred pronunciou-se, afastando-me de meus pensamentos, “, os donos dele devem ser uma família de bruxos antiga e rica”
“É”, Jorge aquiesceu, “Mamãe sempre desejou que a gente tivesse um elfo doméstico para passar a roupa, mas só o que temos é um vampiro velho e incompetente no sótão e gnomos por todo o jardim. Elfos domésticos combinam com grandes casas senhoriais, castelos e lugares do gênero; você não toparia com um na nossa casa...”, certo, isso mesmo. Humilha. O amigo não é seu mesmo, porque você iria ligar?
Houve um breve silêncio.
“Em todo o caso”, falei, chamando a atenção para mim, “fico contente que a gente tenha vindo buscá-lo. Eu estava ficando realmente preocupado quando você não respondeu minhas cartas. Primeiro, pensei que tinha sido culpa da Errol...”
XxXxX
“E seu pai sabe que você está dirigindo o carro?”, Harry perguntou, curioso, os olhos na paisagem que deixávamos rapidamente para trás.
“Ah, não”, dei de ombros, “Ele teve que trabalhar hoje à noite. Com sorte, conseguiremos guardar o carro de volta na garagem antes que mamãe note que saímos com ele”
“Afinal, que é que seu pai faz no Ministério da Magia?”
“Ele trabalha no departamento mais monótono de todos”, respondi, exasperado, enquanto me ajeitava melhor entre Harry, o malão e a gaiola, “O do Controle do Mau Uso dos Artefatos dos Trouxas”, recitei, entediado.
“O quê?”, Harry estava genuinamente confuso.
“Tratam do feitiço lançado em objetos feitos pelos trouxas, sabe, no caso de acabarem indo parar numa loja ou numa casa de trouxas. Como no ano passado, uma velha bruxa morreu e o seu serviço de chá foi vendido a uma loja de antiguidades. Uma mulher trouxa comprou o serviço, levou para casa e tentou servir chá aos amigos. Foi um pesadelo, papai ficou trabalhando depois do expediente durante semanas”, suspirei. Era o trabalho mais chato do universo.
“Que aconteceu?”, para meu horror, Harry parecia realmente interessado.
Pobre garoto, se contentava com tão pouco.
“O bule de chá endoidou e espirrou chá fervendo para todo o lado, e um homem foi parar no hospital com as pinças de açúcar presas no nariz”, fiz uma careta, “Papai quase ficou louco, só existe ele e um velho bruxo chamado Perkins no escritório, e os dois tiveram que usar feitiços para apagar lembranças e outros tipos de recursos para abafar o caso...”
“Mas o seu pai... este carro...”, Harry olhou em volta, ainda maravilhado.
Fred riu.
“É, papai é doido por tudo que os trouxas produzem; nosso barraco de ferramentas é cheio de coisas trouxas”, acrescentou, “Ele desmonta um objeto, enfeitiça e torna a montá-lo. Se ele revistasse a nossa casa teria que se dar ordem de prisão. Mamãe fica danada”, deu um sorriso maroto.
“Aquela é a estrada principal”, Jorge informou, olhando pela janela do carro para a paisagem abaixo, “Estaremos lá em dez minutos... Antes assim, já está clareando...”, afastou o rosto da janela, satisfeito.
Voltei meus olhos para a janela e vi o céu tingido de um rosa pálido. Se mamãe acordasse e nos pegasse... ah, não. Harry também observava a paisagem, fascinado.
“Moramos um pouquinho fora da cidade”, Jorge explicou para o garoto, “Ottery St. Catchpole...”
Fred fez com que o carro começasse a descer em direção ao solo, desviando-se habilmente dos galhos mais altos das árvores até que, num tranco, os pneus encontraram com a estrada de terra batida.
“Pousamos!”, Fred exclamou, contente.
Impaciente, esperei que Harry abrisse a porta do carro e saísse, para que pudéssemos levar suas coisas para dentro, mas ele observava a silhueta da Toca, os olhos verdes arregalados em curiosidade e admiração.
É sempre assim que as pessoas reagem.
Admito que a Toca não é o lugar mais bonito do mundo – ela é torta e desproporcional -, mas tem algo nela, que faz com que você se sinta aconchegado por dentro. Suponho que é isso que os lares fazem com que nos sintamos, mas a Toca vai muito além disso.
“Não é muita coisa”, falei, constrangido.
“É maravilhosa”, Harry rebateu, finalmente abrindo a porta do carro e descendo, ainda olhando em volta, surpreso.
De verdade, esse garoto não teve vida, ele provavelmente foi criado num calabouço igual ao das crianças domésticas dos Malfoy.
Fred e Jorge estavam do outro lado do carro, puxando o malão de Harry do banco traseiro, enquanto eu ainda segurava a gaiola de Edwiges. Quando finalmente lograram tirar o trambolho de dentro, junto com os poucos pertences avulsos que Harry tinha me passado, Fred voltou-se para nós, lançando um olhar cauteloso para a casa, ainda silenciosa.
“Agora, vamos subir muito quietinhos...”, instruiu, puxando o malão, enquanto caminhava em nossa direção, “E esperar mamãe nos chamar para tomar o café da manhã. Então, Rony, você desce correndo e diz: ‘Mamãe, olha só quem apareceu durante a noite!’ e ela vai ficar contente em ver o Harry e ninguém vai precisar saber que saímos voando no carro”, concluiu.
Era ridículo, mas, dadas as circunstâncias, não poderíamos pedir ou armar nada melhor.
“Certo”, concordei com um aceno de cabeça, “Vamos, Harry, eu durmo no... no alto...”, mas então percebi um movimento com o canto dos meus olhos e senti meu estômago borbulhar.
Minha mãe, o rosto franzido numa expressão de fúria, cortava o quintal na nossa direção. Estremeci e me perguntei quanto tempo demoraria para ela me acertar com um feitiço do Corpo Preso se eu saísse correndo em zigue e zague em direção ao bosque.
Dois segundos?
Três, talvez?
“Ah!”, Fred engoliu em seco.
“Essa não!”, Jorge ofegou.
Mamãe parou na nossa frente, as mãos gorduchas nos quadris, o pé pequeno batendo, ritmadamente contra a grama, enquanto nos analisava com os olhos castanhos semi-cerrados, como se estivesse pronta para nos fatiar com o poder da mente.
Instintivamente, Fred, Jorge e eu aproximamo-nos uns dos outros.
“Muito bem”, sibilou, sua voz baixa e perigosa.
“Bom-dia, mamãe”, Jorge tentou soar jovial e animado, mas seus olhos escuros arregalados terminaram por estragar o ato.
“Vocês fazem idéia da preocupação que tive?”, a voz ainda baixa e aterrorizadora.
Droga, estávamos tão ferrados.
“Desculpe, mamãe”, pronunciei-me, num ato cego de coragem, “, mas, sabe, tínhamos que...”
“As camas vazias!”, finalmente berrou, e nós três nos encolhemos, “Nenhum bilhete! O carro desaparecido... podia ter batido... louca de preocupação... vocês se importaram?... nunca em minha vida... esperem até seu pai voltar, nunca tivemos problemas assim com o Gui, nem o Carlinhos, nem o Percy...”
“O Percy perfeito”, Fred cuspiu, rabugento.
“VOCÊS PODIAM SE MIRAR NO EXEMPLO DO PERCY!”, mamãe enfiou o dedo indicador no peito de Fred, “Vocês podiam ter morrido, podiam ter sido vistos, podiam ter feito seu pai perder o emprego...”, a essa altura, uma lesma jogada num tanque de sal estaria se sentindo melhor do que eu.
Mamãe continuou falando por algum tempo, mas acredito que os termos ‘arrumar as suas camas’, ‘sem sobremesa’ e ‘por que vocês não podem ser mais como seus irmãos?’ foram repetidas mais de cinco vezes, no mínimo.
Então, para a nossa surpresa, mamãe voltou-se para Harry, as bochechas avermelhadas graças aos berros e os cabelos despenteados. O menino recuou, assustado.
“Estou muito contente em vê-lo, Harry, querido”, deu seu sorriso bondoso novamente, deixando todos nós perplexos, “Entre, venha tomar café”
Ah, não acredito.
XxXxX
Sentamo-nos, obedientes, à mesa.
Um silêncio chato instalou-se entre nós, enquanto minha mãe marchava em direção ao fogão, abrindo e fechando as portas do armário, pegando o necessário para cozinhar nosso café da manhã, sempre resmungando.
Lançava, ocasionalmente, um olhar acusador por cima dos ombros para um de nós três, depois voltava a atenção para a frigideira, e voltava a resmungar, bufando.
Com um aceno de sua varinha, os pratos limpos depositaram-se sobre a mesa. Os meus e dos meus irmãos com um baque, enquanto o de Harry pousou cuidadosamente, mal produzindo som algum.
Ela afastou-se do fogão, caminhando em direção à mesa.
Colocou três salsichas e um ovo frito no prato de cada um de nós. Caminhou para perto de Harry e, perante meus olhos perplexos, depositou o restante das salsichas no prato dele.
“Não estou culpando você, querido”, acrescentou, com um sorriso dócil, “Arthur e eu estivemos preocupados com você, também. Ainda na outra noite estávamos falando que iríamos buscá-lo pessoalmente se você não escrevesse para Rony até sexta-feira. Mas, francamente”, observei, atento, enquanto ela jogava três ovos fritos sobre o monte de salsichas no prato de Harry, meu estômago soltou um ronco, invejoso, “atravessar metade do país num carro ilegal, vocês podiam ter sido vistos...”, voltou os olhos acusadores na nossa direção.
Tudo bem, eu admito: sou culpado.
Mas precisava me matar de fome por causa disso?
Eu mesmo respondo: não, não precisa.
“Estava nublado, mamãe!”, Fred exclamou, aborrecido.
“Você”, apontou para meu irmão com a espátula, “fique de boca fechada, enquanto come”, resmungou.
“Estavam matando-o de fome, mamãe!”, Jorge protestou.
“E você!”, mamãe mudou a direção da espátula e, com um resmungo, Jorge voltou a comer.
Eu estava me deliciando com as míseras três salsichas que tirana – digo, minha mãe – tinha colocado no meu prato, quando ouvimos passos na escada. Todos ergueram os olhos de seus pratos bem a tempo de ver Gina surgir, os cabelos despenteados, usando sua camisola comprida e velha.
Ela arregalou os olhos castanhos, ao perceber a presença de Harry e, com um gritinho, girou nos calcanhares e subiu as escadas correndo.
Harry estava com os olhos arregalados, parecendo assombrado.
“Gina”, falei, num sussurro, “Minha irmã. Andou falando em você o verão inteiro”, acrescentei.
“É, ela vai querer o seu autógrafo, Harry”, Fred zombou, mas, então, percebeu que mamãe o fitava, as sobrancelhas erguida.
Abaixamos a cabeça e continuamos a refeição em silêncio.
XxXxX
Nosso castigo foi desgnomizar o jardim.
Bocejando, Fred, Jorge, Harry e eu saímos porta afora, embora nossos corpos berrassem por uma cama quente e confortável.
“Percy, eu amaldiçôo o dia em que você nasceu”, Fred resmungou, enquanto chutava a grama.
“Por que é que vocês não podem ser mais que nem o Percy?”, Jorge grunhiu, numa voz fininha, imitando mamãe, “Porque nós temos uma vida social, esse é o porquê”, rosnou.
Ergui os olhos e vi Gina observando-nos pela janelinha da cozinha. Quando percebeu que eu a tinha flagrado, ela corou furiosamente e fechou a cortina de retalhos.
Franzi o cenho.
“Os trouxas também têm gnomos de jardim, sabe?”, perguntou Harry, fazendo com que eu voltasse a minha atenção para ele.
XxXxX
Assim que papai chegou, corremos para dentro de casa, suados e exaustos, graças à desgnomização – Harry, como viemos a descobrir, tinha um arremesso muito bom e, depois de algum tempo, estabelecemos uma competição para ver quem arremessava as criaturas mais longe -, ansiosos por conversar com ele sobre os casos de seu departamento daquele dia – o trabalho dele podia ser monótono e inútil, perante os olhos de muitos, mas alguns casos poderiam ser hilários.
“... mas as coisas que o nosso pessoal anda enfeitiçando, vocês não iriam acreditar...”, papai concluiu, exausto, enquanto afrouxava a gravata e sentava-se, depositando a xícara de chá na mesa.
“COMO CARROS, POR EXEMPLO?”, a voz de mamãe ecoou pela casa e nós cinco nos sobressaltamos. Ela segurava um atiçador e, imediatamente, todos nós nos afastamos o máximo possível de seu alcance – sim, minha mãe era pequena, mas nunca sabíamos do que era capaz quando estava irritada, imagine, então, com um atiçador.
Imaginou? É, também dá calafrios em mim.
Papai nos lançou um olhar surpreso, provavelmente achando que nós o tínhamos delatado.
“C-carros, Molly, querida?”, questionou, no que foi uma tentativa patética de parecer inocente.
“É, Arthur, carros”, mamãe rosnou, “Imagina só um bruxo comprar um carro velho e enferrujado e dizer à mulher que só quer desmontá-lo para ver como funciona, quando, na realidade, o enfeitiçou para fazê-lo voar”, nos termos ‘realidade’ e ‘voar’, mamãe movimentou o atiçador de maneira fatal – o que me faz pensar se ela não tem um passado oculto do qual nós ignoramos.
Papai piscou os olhos, aterrorizado como um ratinho enquadrado por um gato grande, feroz e impiedoso.
O que nem era tão longe assim da realidade.
“Bom, querida, acho que você vai descobrir que ele estava agindo de dentro da lei quando fez isso, mesmo que... ah... tivesse agido melhor, hum, se tivesse contado a verdade à mulher... Há um furo na lei, você vai descobrir... Desde que ele não tivesse intenção de voar no carro, o fato de que o carro poderia voar não...”
“Arthur Weasley”, mamãe cortou-o, a voz um pouco acima der um sussurro e, imediatamente, o homem se calou, “Você providenciou para que houvesse um furo nessa lei quando a escreveu!”, sibilou, “Só para você poder continuar a se distrair com aquela lixaria dos trouxas no seu barraco!”, berrou, “E, para a sua informação, Harry chegou hoje de manhã naquele carro que você não tinha a intenção de fazer voar!”, acrescentou, carrancuda, e voltando o olhar acusador na nossa direção.
“Harry?”, papai ecoou, a testa franzida, “Que Harry?”, olhou em volta e, finalmente, papai notou que Harry – que estivera ao meu lado o tempo todo -, “Deus do céu, é Harry Potter? Muito prazer em conhecê-lo. Rony tem falado tanto em...”
Os olhos de mamãe tinham se espreitado tanto que não eram mais do que duas frestas escuras.
“Os seus filhos foram naquele carro até a casa de Harry e voltaram de lá ontem à noite!”, ela soltou um berro tão estridente que meus ouvidos ficaram zumbindo por alguns segundos, “Que é que você me diz disso, hein?”
“Vocês fizeram mesmo isso?”, o tom de voz de papai era de fascinação, “E o carro voou bem?”, mamãe cruzou os braços, o atiçador movendo-se para frente e para trás, os olhos fixos em papai, com uma expressão mortal, “Eu... eu quero dizer”, ele gaguejou, “que... isso foi muito errado, meninos... muito errado mesmo”
Olhei para Harry que observava tudo com os olhos arregalados, parecendo achar tudo muito interessante.
“Vamos deixar eles discutirem”, sussurrei, quando percebi que mamãe ia começar a berrar com papai de novo, “Vamos, vou-lhe mostrar o meu quarto”, e, na ponta dos pés, nós saímos da cozinha e subimos a escada que subia em zigue e zague, levando-nos até o terceiro andar.
Quando passamos pela frente do quarto de Gina, a porta estava entreaberta e ela espiava-nos, os olhos castanhos atentos, mas antes que eu pudesse falar qualquer coisa, ela fechou a porta.
“Gina”, falei, por cima dos ombros, “Você não sabe como é estranho ela estar tão tímida. Normalmente, ela nunca pára de falar...”, comentei, pensativo.
O pior de tudo é que, nem então, eu tinha me tocado.
XxXxX
“Mãe, nós vamos jogar um pouco de quadribol!”, Fred anunciou, enquanto nós quatro saíamos em direção ao jardim.
“Chamem à irmã de vocês”, mamãe ordenou, ainda com as costas viradas na nossa direção, enquanto lia um livro de receitas e, com movimento circulares da varinha, mexia o conteúdo de uma panela.
Todos resmungamos, baixinho.
“Vamos lá”, puxei Harry pelo cotovelo, escada acima, em direção ao quarto de Gina.
Encontramo-nos com ela na metade do caminho. Ela arregalou os olhos e encarou-nos, silenciosamente.
“Gina, você quer ir jogar quadribol com a gente?”, perguntei, a contragosto.
As bochechas dela ficaram de um vermelho vivo e ela balançou rapidamente a cabeça de um lado para o outro, negando, antes de girar nos calcanhares e correr escada acima.
Franzi o cenho.
“Estranho... Bem...”, dei de ombros, “Vamos”
Harry e eu descemos as escadas correndo.
Enquanto voávamos em círculos, percebi Gina nos observando pela janela do seu quarto. Quando nossos olhos se encontraram, ela corou e fechou a janela rapidamente.
Realmente, muito estranho.
Continua...
N/A: Como prometido, aqui está o novo capítulo!
Espero que tenham gostado dele tanto quanto eu! :D
Fico muito contente com os comentário e é bom saber que ainda estão acompanhando!
Gente, eu gostaria de dizer que estou começando uma nova história – minha mesmo – e tenho intenções de postá-la num blog! Eu gostaria de saber se vocês acompanhariam? ;) Aguardo a resposta de vocês sobre isso!
Renata Nofal: Aqui está o novo capítulo! Gostou? ;D Espero que sim! A Hermione aparece no capítulo que vem!! \o\ Aguardo pelo seu comentário!!
Rafael Oliveira Souza: Fico contente que tenha se divertido, Rafa! O que achou do novo capítulo??
Hermione Granger Weasley: Passarei, sim! Gostou do capítulo?? :)
Trícia Guima: Concordo com seu comentário sobre a coruja e, de fato, nem eu nem os quinhentos betas perceberam! Muito observadora, Tri! ;D Espero que tenha gostado do novo capítulo também!! Aguardo pelo seu comentário!! :D
Pollitá: hauihaiuahuiah Fico feliz que você tenha gostado do capítulo anterior e se divertido com ele! O que achou dele? Aguardo pelo seu comentário!! ;)
Obrigada a todos que comentaram!
Aguardo por comentários sobre o que acharam do capítulo!
Beijos,
Gii. |