- Grávidas? – elas disseram juntas muito baixo.
Vários minutos se passaram até que a primeira saísse do estado de choque. Foi Gina quem tomou a primeira iniciativa.
- Graviditas Probat. - a ruiva apontou a varinha para a amiga.
Dentro da barriga de Hermione uma luz avermelhada e quente apareceu e depois se foi. A morena acariciou o ventre imediatamente.
- Eu estou grávida. – Ela disse.
Hermione não conseguia se desesperar, ficar triste, preocupada, alegre ou sentir qualquer outra coisa que fosse. O estado de transe e atordoamento não lhe abandonava. Gina, por sua vez, voltou à varinha para si mesma e ao realizar o feitiço viu em seu ventre a mesma luz avermelhada e quente. Como Hermione, ela acariciou a barriga.
No entanto, diferente da amiga, Gina sentiu tudo que era possível em meio segundo; desespero de ser mãe tão jovem, tristeza pelo desapontamento que daria a sua família, preocupação diante de um futuro incerto e alegria por haver um pedacinho de Harry Potter vivendo em seu ventre.
- Severo vai me matar. – Foram as palavras de Hermione que atraíram a atenção da amiga. – Ele confiou em mim. Se eu tivesse visto que a poção estava vencida ele teria dado um jeito, teria me arrumado outra no mesmo dia.
- Tudo bem, Hermione, mas você não viu. – Gina era mais forte que ela naquele momento. – Se ele tivesse arrumado uma poção para você na mesma noite em vez de deixar você voltar pra grifinória e se virar sozinha, isso também não teria acontecido. Não é culpa de ninguém, somos humanos imperfeitos e nos descuidamos.
As palavras da amiga pareceram acalmá-la de alguma maneira. Ela respirou profundamente e se focou apenas no que Gina estava dizendo.
- Vamos lidar com isso juntas. – a ruiva disse. – O quanto antes melhor.
- Vamos lidar com isso agora. – Hermione recuperou-se do choque. – Primeiro Harry e Rony.
Agora foi Gina quem pareceu fraquejar, mas Hermione segurou sua mão e as duas voltaram para o salão comunal que agora estava vazio com exceção dos dois meninos.
- Abaffiato. – Hermione fez o feitiço por precaução.
- Voltaram? – Rony questionou.
- Temos algumas coisas para contar. – Hermione disse apenas.
Gina sentou-se ao lado de Harry no sofá e olhou para ele. Alguns segundos se passaram sem que a ruiva dissesse nada. Rony, Harry e Hermione assistiram, não sem susto, a coragem Gina Weasley falhar.
- O que houve, Gina? – Harry perguntou calmo, mas com uma preocupação aguda na voz.
- Harry... – ela murmurou. – Eu estou grávida.
- O que? – Os dois meninos disseram juntos, embora em tons muito diferentes. Enquanto Rony quase gritara em descrédito, a Harry parecia faltar voz.
- Havia uma poção vencida. – ela se explicou em um fiapo de voz – Eu não percebi no dia.
- Eu não posso acreditar. – Rony parecia furioso.
- Rony. – Hermione intrometeu-se, chamando a atenção do amigo. – Sei que é difícil para você, mas imagine a reação dos seus pais, o desapontamento que Harry e Gina terão que enfrentar em casa. Eles vão precisar de um apoio, de um ombro amigo dentro da família.
Rony considerou o argumento e respirou profundamente. Gina, por sua vez, ainda encarava Harry.
- Seus pais... – Harry disse. – Acho que vou deixar de ser um filho para eles agora.
Quando Rony viu a expressão de dor no rosto do amigo, entendeu o que Hermione queria dizer. Andou até sua irmã e seu melhor amigo e disse:
- É claro que não, Harry. Você sempre será um membro da nossa família, agora mais do que nunca. Sei que não é o momento ideal, mas vamos dar um jeito, os Weasley sempre dão um jeito.
Os dois olharam para Rony de forma muito agradecida. Um segundo depois os três já estavam abraçados; Harry e Rony estenderam a mão para a barriga de Gina que sorriu para o namorado e para o irmão.
Hermione ficou tão emocionada com a cena a sua frente que se esqueceu de si própria. Foram as palavras de Gina que a trouxeram para a realidade.
- Hermione também tem algo para contar. – A ruiva disse.
Os três se voltaram para a sabe-tudo da Grifinória.
- Vai dizer que está grávida também? – Harry disse em tom de brincadeira.
Hermione engoliu em seco.
- Você está grávida também? – Harry arregalou os olhos.
- Tomei mesma poção que a Gina. – ela disse como se se desculpasse.
- Quem é o pai? – Rony se intrometeu.
- Severo Snape. – Ela disse derrotada.
- SNAPE? – Rony descontrolou-se novamente.
- Eu já desconfiava. – Harry comentou.
- Você desconfiava? – Rony voltou-se para o amigo.
- Primeiro, ele passa um tempo enorme com Hermione na sala dele. – Harry disse. – Assim que ela para de ir até lá todas as tardes ele começa a ter uma série de atitudes a fim de provar que se tornou uma pessoa melhor.
- Nunca tinha pensado sobre isso. – Rony refletiu.
- Você não é muito observador Roniquinho. – Gina disse revirando os olhos.
- Na verdade, Rony, a culpa disso é sua. – Hermione provocou.
- Minha? – Rony indignou-se.
A partir desse momento Hermione contou toda a verdade aos amigos, desde o incidente com a Amortentia (que tinha sido mesmo culpa de Rony), até a situação atual. É claro, deixando de lado os detalhes quentes ou íntimos do relacionamento.
Rony ficou muito impressionado com a história, Harry nem tanto. Talvez porque já desconfiasse; talvez porque depois de ouvir que sua namorada está grávida, qualquer coisa que venha a seguir não é realmente impressionante.
- Tome. – Harry estendeu a capa de invisibilidade para a amiga assim que a mesma acabou de falar. – Vá contar a ele. Gostaríamos de ajudar, mas acho que dois Weasley e Harry Potter invadindo os aposentos dele tarde da noite não serão muito bem vindos.
- É. – ela disse pegando a capa. – Acho que não.
- Boa sorte, Mione. – Rony disse com sinceridade.
- Estaremos aqui esperando você voltar. – Gina a tranquilizou.
Severo Snape estava de cueca boxe e camiseta, deitado em sua cama confortável, o sono quase o invadindo. De repente ressoou pelo cômodo o barulho avisando que tinha alguém na porta.
Imediatamente o homem pensou em Hermione. Sem entender o porquê de uma visita tão tarde, principalmente quando haviam se despedido apenas há poucas horas; Severo correu até a porta de sua sala e a abriu.
A menina coberta pela capa da invisibilidade entrou sua sala como um furacão e Snape fechou a porta depois que ela passou. Hermione despiu a capa e foi andando sem ser convidada para os aposentos de Severo.
- Precisamos conversar – ela disse sem olhar pra ele.
Severo notou que ela parecia transtornada. Preocupado com o estado da jovem ele a seguiu sem contestar. Ao adentrarem o cômodo, Hermione o encarou com intensidade. O nervosismo era evidente, ela balançava o corpo de mexia as mãos de uma maneira obsessiva que não lhe era natural.
- O que está acontecendo? – ele nunca tinha visto a jovem daquele jeito.
- Severo, eu... – ela disse e olhou pra baixo. Parecia à beira das lágrimas. – Me perdoe, eu fui tão idiota.
- Hermione, se acalme. – ele se aproximou dela e afagou seu rosto.
Severo a fez sentar na beira de sua cama e ficou ao lado da menina. Ele a abraçava com carinho e procurava acalmá-la, mas Hermione já chorava tanto que não conseguia falar. Extremamente preocupado e atordoado com o estado dela, Severo apontou a varinha para Hermione e tentou invadir sua mente.
Hermione, por sua vez, não resistiu. Era melhor que ele visse por si só. Várias cenas passaram em seus pensamentos e Snape foi lendo cada uma delas. Gina lhe dando o frasco de poção anticoncepcional semanas atrás, Gina lhe mostrando hoje a data de validade no frasco, os cálculos em sua mente mostrando que Hermione tomara a poção após seu vencimento, o choque das duas, o feitiço que Gina fizera provocando uma luz vermelha e quente na barriga de Hermione. Hermione grávida.
Os olhos de Severo Snape se arregalaram em choque.
- Me perdoe. – a voz dela estava estrangulada.
As circunstancias foram capazes de atordoar Severo, mas o jeito que Hermione chorava e lhe pedia perdão o machucavam profundamente. Ele ia pensar no que fariam depois, agora ele só queria que ela se acalmasse e ficasse bem.
- Meu amor. – ele disse com tanto carinho que assustou a si mesmo. – Está tudo bem, pare de chorar. Não é culpa sua, nós vamos dar um jeito.
- Eu devia ter visto da data de validade. – ela se censurou. – Fui tão burra.
- Hermione. – ele murmurou. – O erro foi meu também. Eu desconsiderei sua inocência, desconsiderei que você era virgem e nunca tinha lidado com isso.
- Eu deveria ser capaz de ler um frasco. – ela explodiu. – Você não pode namorar uma pessoa tão burra que nem consegue ler um frasco.
- Chega Hermione. – ele disse com autoridade, mas sem perder o carinho na voz. – Pare de se torturar, você é culpada tanto quanto eu. Agora não adianta mais pensar no que poderia ter sido, vamos pensar no futuro.
- Você vai perder o emprego. – ela disse.
- Eu vou me aposentar no final do ano, Hermione. – Severo respondeu. – Isso já era um combinado meu com a diretora. Eu vou ficar trabalhando somente na área de pesquisa de novas poções.
- Bom... – ela se acalmou um pouco e começou a pensar no que poderia ser feito. – Vou conversar com meus pais, eles iam me ajudar a alugar um lugar pra eu morar durante a Universidade, mas agora nada disso faz sentido. Eu posso ir ficar com eles na Austrália e cuidar do bebê; você poderia ir nos ver sempre que não estiver trabalhando já que consegue aparatar nessa distancia...
- Do que está falando? – ele lhe dirigiu seu melhor olhar mestre de poções. – Não vai assumir a responsabilidade sozinha.
- O que sugere? – ela esperou.
- Venha morar comigo. – Severo convidou. - Eu vou fazer pesquisas em meu laboratório particular, cuidarei do nosso filho o tempo que for preciso. Você irá frequentar a Universidade e estudar.
- Você realmente deseja isso, Severo? – ela perguntou. – Está preparado pra isso?
- Hermione, nossa situação é muito diferente da de Potter e Weasley. Eles são muito jovens e os dois ainda precisam se formar em Hogwarts, buscar qualificação profissional, um emprego, um lugar no mundo. A sorte deles é que Potter já é alguém importante e eles têm o dinheiro dele e a família dela para ajudá-los. – Severo comparou. – Mas eu não tenho mais dezoito anos; eu tenho uma vida estável e estou preparado para assumir essa responsabilidade.
- Mas você quer um filho? Quer morar comigo? – Hermione parecia sentir dor. – Não quero ser uma obrigação, um fardo.
- Meu amor. – ele a chamou assim pela segunda vez. – Não há nada que eu queira mais do que morar com você e construir uma família ao seu lado. A única coisa que me preocupa é a sua juventude, mas prometo que farei o possível para que você não tenha que sacrificar nenhuma parte de seu futuro.
- Severo... – ela murmurou sorrindo pra ele.
- Agora chega de lágrimas. – ele disse e a puxou para um abraço apertado.
O futuro era mesmo incerto, mas ele tinha certeza de que queria estar do lado para sempre e ela tinha certeza de que ele faria de tudo para fazê-la feliz.
Severo Snape estendeu a mão e tocou a barriga de Hermione.
- Você será muito amado. – ele disse acariciando seu filho.
- Quem diria que o Morcegão das Masmorras ia ser um sentimental pai coruja. – Hermione disse em tom de brincadeira.
- Claro. – ele disse. – Imagina que orgulho quando ele for selecionado para Sonserina.
- Vai sonhando. – a menina provocou. – Este aqui já é grifinório.
Fim
Meus queridos leitores, essa fanfic chegou ao fim. Ainda teremos um lindo epílogo. Fiquem no aguardo.