Quando Severo Snape a beijou, Hermione sentiu como se tudo no mundo se apagasse e só existissem eles dois. Nunca havia sentido nada igual com nenhuma outra pessoa.
- Acho que você me conquistou no primeiro beijo. – ela se pegou dizendo. – Nunca foi assim antes...
- Para mim também não. – ele respondeu. – Só me apaixonei assim uma vez...
- Lílian. – ela disse devagar, com medo de chateá-lo ao tocar em um assunto tão intimo.
Hermione não sentia ciúmes. A menina sabia que Lílian fora uma parte importante da vida de Severo, ela trouxera Severo de volta para o caminho da luz. Foi por ela que ele deixou de lado uma ideologia de comensal da morte para viver movido por algo muito mais nobre, o amor.
- É. – ele respondeu, mas não ficou sério. – Ela era muito parecida com você. Era inteligente, bonita, cativante e uma grifinória completa.
- Que tristeza. – Hermione comentou em tom de brincadeira. – Um sonserino com um fraco por grifinórias.
- Nunca tive sorte com elas. – ele brincou, mas Hermione sabia que no fundo isso era uma ferida.
– Quando você se apaixonou por Lílian, era um homem muito diferente do que é hoje. – ela deu um beijo rápido em seus lábios e completou rindo. - Você se tornou alguém por quem uma grifinória pode morrer de amores.
- Eu espero realmente que sim, Hermione. – ele disse intenso de repente. – Porque pelo jeito meu destino é morrer de amores por uma delas.
- Se for sempre pela mesma daqui pra frente... – Hermione sorriu, mas também havia intensidade em sua voz. – Não farei objeções.
- Para sempre, Hermione. – ele assegurou. – Só vai existir você.
Hermione o beijou urgentemente diante daquela declaração. Ela era dele e ele era dela. Para sempre. O destino dela estava traçado e nada poderia deixa-la mais feliz.
- Eu tive uma ideia. – ele disse, mudando de assunto. – Mas só colocarei em prática com a sua aprovação.
- Diga. – ela pediu.
- Eu tenho uma casa aqui na Inglaterra com toda proteção mágica existente. – Severo começou. – Lá tem uma lareira conectada com esta lareira dos meus aposentos em Hogwarts.
Hermione encarou a lareira da qual ele falava.
- Pensei em ir até a Austrália e devolver as lembranças de seus pais. Posso explicar a eles porque tiveram a lembrança apagada e contar como está a situação atual no mundo bruxo. – ele disse. – Acho que eles vão entender. Sendo assim eu vou me dispor a levá-los para minha casa sempre que quiserem, por meio de aparatação acompanhada. E você pode ir até lá por pó de flu.
A jovem já tinha pensado em fazer algo parecido. Visitar os pais na Austrália e pedir que eles continuassem lá, explicar a situação. Mas vários pontos tornaram a ideia inviável.
Em primeiro lugar, seus pais eram bastante teimosos e iam querer voltar pra Inglaterra de qualquer maneira para ficar perto dela. Agora eles tinham a opção de ficar na Inglaterra o tempo que quisessem. Talvez eles pudessem passar o verão juntos na casa da Snape.
Em segundo lugar, aparatar até a Austrália não era algo que ela tinha certeza de conseguir fazer. Era uma distancia muito grande e ela não conhecia nada do lugar para visualizá-lo antes de tentar a aparatarão.
- Acho brilhante, Severo. – ela disse emocionada com a preocupação dele. – Mas aparatar com duas pessoas da Austrália até a Inglaterra, isso não é meio arriscado?
- Confie em mim. – ele disse. – Se estou dizendo que sou capaz de fazer isso é porque é verdade. Jamais arriscaria a vida dos seus pais.
Ela sabia que Severo Snape era um bruxo muito poderoso, se havia alguém no mundo capaz de fazer aquilo, era ele.
- Claro que não. – ela disse e sorriu. – Obrigada por fazer isso, Severo. Era o que faltava para minha felicidade ficar completa.
Ele a beijou calmamente. As mãos acariciavam o rosto da jovem. Ele faria tudo no mundo para fazê-la feliz.
Algumas semanas se passaram desde aquele encontro. Nesse meio tempo Hermione equilibrava os seus dias da seguinte forma: Durante o dia assistia as aulas e estudava para os N.I.E.M.s, durante a noite aproveitava a companhia dos grifinórios para conversar ou estudar.
Pelo menos uma noite durante a semana, Hermione saía para encontrar Severo em seus aposentos. Nos finais de semana, jovem dividia seu tempo entre Severo e seus pais que vinham encontra-la todo domingo.
Naquele exato momento ela estava chegando ao salão comunal da grifinória depois de uma tarde muito agradável com seus pais e uma noite muito romântica com Severo Snape. Hermione disse a senha à mulher gorda e entrou.
- Hermione, venha até aqui que queremos conversar com você. – Rony disse com uma voz acusadora.
A menina respirou profundamente e sentou-se na poltrona ao lado de Harry. Os dois amigos e Gina estavam reunidos em volta dela e a ruiva a olhava com cumplicidade.
- Este seu sumiço completo no sábado à noite e nos domingos está nos deixando muito preocupados. – Harry começou tentando parecer gentil.
- Sabemos que Gina sabe de tudo, mas pelo jeito não vai nos contar. – Rony reclamou. – Mas nós dois sempre fomos seus melhores amigos e queremos saber porque não confia em nós.
- Tudo bem, meninos. – Hermione decidiu contar uma verdade parcial. – Estou saindo do castelo todo domingo para encontrar meus pais. Não contei até agora porque o professor Snape pediu que não dissesse nada.
- O que Snape tem a ver com isso? – Questionou Harry.
- Assim que meus testes a tarde começaram teve um dia que ele estava mais simpático e eu lhe contei sobre meus pais. Então, há algumas semanas atrás Minerva me procurou dizendo que Snape tivera uma ideia para me ajudar. – ela contou sobre a casa de Snape, o pó de Flu e a aparatação acompanhada.
Era uma versão bem distorcida da verdade.
- Primeiro o quadribol, depois os pontos para grifinória e agora isso? – Harry comentou. – O que diabos está acontecendo com Snape?
- Você não nos contou porque SNAPE pediu? – Rony estava revoltado.
- Sim, Ronald. Eu estou muito grata ao professor Snape por me devolver os meus pais. – ela disse com aspereza. – E você também deveria estar depois de tudo que ele fez por você.
As orelhas de Rony ficaram vermelhas e ele baixou a cabeça.
- Fico feliz que tenha nos contado agora e entendo porque demorou tanto a fazer. – Harry disse com calma.
- Obrigada, Harry. – a menina sorriu para o amigo.
- Mas, e no sábado à noite? – Rony já havia se recuperado. – O que você tem feito?
- Nada muito diferente de vocês todos. – ela disse levantando o queixo. – Me encontrando com o meu namorado.
- E quem é esse cara? – Rony questionou.
- Ainda não quero dizer. – ela respondeu.
- O que? – Rony disse. – Eu te contei quando comecei a sair com Ana Abbott.
- Contou dois meses antes pra Harry. – ela disse friamente. – Eu só soube quando vocês assumiram para toda a escola. Sendo assim, tenho o direito de contar somente para Gina por enquanto.
Rony bufou. Harry estava curioso, mas parecia considerar o argumento da amiga. Gina veio logo em sua defesa.
- Agora que terminamos a inquisição, Hermione e eu vamos subir para uma conversa de meninas.
As duas amigas subiram para o dormitório deixando Harry e Rony no salão comunal. Algumas meninas dormiam no local.
- Abaffiato. – Hermione disse ao se sentar na cama de Gina.
A ruiva abaixou-se ao lado de seu malão e começou a tirar alguns papéis e vários frascos de poção anticoncepcional e jogar tudo em uma sacola, na intenção de jogar no lixo na manha seguinte.
- Achei meio arriscado você dizer que Minerva sabe que você está encontrando seus pais na casa de Snape. – a ruiva disse sem tirar os olhos do malão. – E se eles perguntarem algo a diretora?
- Ah, a diretora realmente sabe que estou fazendo isso. – Hermione explicou. – Snape contou a ela. Disse que eu lhe contei sobre meus pais quando ele estava sobre o efeito da Amortentia e que ele queria ajudar. A diretora ficou bastante sensibilizada com a minha situação e permitiu.
- Você acredita que ela não desconfia mesmo do envolvimento entre vocês? – Gina questionou.
- Talvez. – Hermione admitiu. – Mas se desconfia está fazendo vista grossa.
De repente Gina parou. Segurava dois frascos idênticos de poção anticoncepcional que tirara de dentro da caixa vazia na qual eles vieram.
- Estes frascos eram os dois últimos que nós tomamos antes de Snape começar a preparar as poções. – Gina murmurou.
- E o que é que tem isso? – Hermione questionou.
Gina estendeu um dos frascos para a amiga. Hermione encarou o objeto e a expressão em seu rosto deixou bem claro que ela via o mesmo que Gina. A data do vencimento marcada no vidro era anterior ao dia que ambas tomaram a poção em questão.
- Você já menstruou depois daquele dia? – Gina questionou.
- Não. – Hermione disse e ficou claro que a resposta da amiga era a mesma. - Mas temos tomado a poção com tanta regularidade que isso é normal, não é?
- Será? – foi só o que Gina falou.
Naquele momento no qual as amigas se encaravam, elas pareciam estar de frente a um espelho. As duas levaram as mãos à barriga e eram máscaras idênticas de pavor.
NA: Queridos leitores, gostaria de informar que estamos chegando ao final desta fanfic. Este é, provavelmente, seu penúltimo capítulo. Muito obrigado por todo o carinho nos comentários e por acompanharem a história até aqui.