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8. Perguntas e Respostas


Fic: PROMESSAS DE VERÃO HG ULTIMO CAP POSTADO


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Perguntas e Respostas


Os dias que se seguiram foram como uma névoa sobre o mar. Era como se Gina soubesse que as coisas estavam acontecendo, mas não conseguisse distinguir os fatos com clareza. Tudo parecia meio fora de foco em sua mente.

Bob e Marta haviam se reconciliado após aquela briga e ambos vieram pedir-lhe desculpas. Marta ria como se tivesse sido algo sem consequência, enquanto as palavras de Bob foram carregadas de sincera preocupação com os sentimentos da sobrinha.

Marta sugeriu que fossem juntos passar alguns dias em San Francisco. Queria ir no dia seguinte e já havia feito as reservas de avião. Entretanto, com a ajuda do tio, Gina conseguiu persuadi-la a adiar o vôo, para que pudesse assistir ao funeral do Cedrico.

No dia do enterro, ela ficou um tempão na frente do guarda-roupa, tentando resolver o que vestir. Só tinha ido a dois velórios em sua vida, e eram de gente mais velha, e há muito tempo. Não se lembrava do que havia vestido. Não tinha nenhuma roupa preta. Além do mais, será que as pessoas ainda usavam preto em enterros?

Finalmente resolveu pôr a saia e a blusa velhas que usara no dia em que saíra para fazer compras com sua tia. Talvez esse conjunto não estivesse tão na moda, mas era algo conhecido, e sentia-se mais segura com ele do que com as roupas novas.

Encontrou o tio na cozinha, e descobriu que tia Marta havia-lhe preparado a bebida protéica, e já estava ocupada arrumando as malas para a viagem. Só Bob a acompanharia ao funeral.

Nenhum dos dois falou muito no carro. Quando Bob estacionou em frente à casa funerária branca, em estilo colonial, Gina teve uma vontade enorme de pedir a ele que virasse o carro e voltasse para casa. Entretanto mudou de idéia ao ver Harry e Hermione ali na escadaria da frente.

Não vira o Harry desde aquela manhã, no hospital, e ele só havia telefonado uma vez para dizer a hora e o local da cerimônia fúnebre. Gina respirou fundo e se dirigiu para onde estavam.

Ao vê-la, Harry sorriu.

- Ainda bem que você veio, Gina.

Parecia exausto. Gina queria chorar, mas em vez disso estendeu os braços para Harry. Ficaram abraçados por um bom tempo. Depois, sem palavras, se afastaram, e Hermione também lhe deu um abraço forte, enquanto Bob e Harry se cumprimentavam com um aperto de mãos.

Foram para uma pequena sala abarrotada de arranjos florais. O ar sufocava Gina, fazendo-a engasgar com o perfume forte e doce. A música de órgão, lenta e monótona, fazia sua cabeça latejar. Ela sentia vontade de vomitar.

Um padre careca, de batina preta, deu uma mensagem curta A mãe de Cedrico encontrava-se na primeira fileira, chorando sem parar. Uma mulherona gorda e loura, vestindo um tailleur cinzento, cantou um hino arrastado, juntando as mãos como se estivesse numa ópera e não num enterro.

O padre voltou para o púlpito, anunciando que um dos amigos mais chegados de Cedrico havia pedido para dizer algumas palavras. Com seu jeito firme e direto, Harry foi até a frente. Parecia confiante, mas Gina notou que suas mãos tremiam.

- Sou amigo do Cedrico há muito tempo, começou ele, e parou para limpar a garganta. Estive com ele na noite em que morreu. Provavelmente jamais me perdoarei por não ter insistido mais com ele para que parasse.

Sua voz ficou embargada.

- Éramos realmente muito unidos. Estávamos sempre juntos até o verão passado, quando me converti a Cristo. Eu queria que o Sam também se tornasse cristão. Não sei se o fez

Foi aí que Harry se entregou ao choro. Com um soluço profundo, limpou rapidamente os olhos com as mãos. Gina piscava para limpar as próprias lágrimas. Olhou para Hermione e percebeu que também estava chorando muito, sem nem tentar segurar.

Bob tocou ternamente o braço de Gina, oferecendo-lhe um lenço. Ela olhou para ele agradecida e ficou surpresa ao notar que ele não parecia emocionado. Não via em seu rosto nem um pouco de sentimento.

Harry ainda estava tentando controlar-se e parar de soluçar. O padre viera à frente e acenou-lhe para que se sentasse. Harry ergueu a mão como se dissesse: "Só mais um minuto". Respirou fundo e limpou as mãos nos lados da calça.

- Gostaria de ler uma coisa, disse ele com voz rouca. Eu... fez uma pausa, pigarreou e prosseguiu: encontrei um versículo no Evangelho de João que tem me ajudado muito. Folheou a Bíblia com mãos trémulas e, ao encontrar o versículo, colocou-a sobre o púlpito. Olhou então para o público, com os olhos marejados.


- No capítulo onze, um dos amigos mais chegados de Jesus havia morrido, e fico admirado em ver que Jesus chorou. Aqui diz que ele chorou. Assim, tudo bem, a gente pode se entristecer quando alguém a quem amamos morre.

Harry limpou as lágrimas que escorriam e continuou.

- Mas o que quero ler é o que Jesus disse para a família do amigo. Ele disse: " Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá!"

Fechando a Bíblia, Harry olhou para os pais de Cedrico. Seus olhos já não estavam tão vermelhos, mas Gina ficou impressionada ao ver como ele estava pálido: seu rosto parecia uma folha de papel.

- Bem, disse ele, dando uma rápida olhada para o padre que se encontrava de pé, atrás dele. O que eu estou querendo dizer é que gostaria de poder voltar no tempo uma semana. Queria que Cedrico estivesse vivo. Queria que ele tivesse crido em Jesus e entregado a vida a Deus.

Apertando os olhos como se tentasse encontrar as palavras certas, continuou:

- Não sei se estou sendo claro, mas o que quero dizer é que Jesus me transformou de maneira radical. Simplesmente orei pedindo-lhe para perdoar meus pecados e tomar conta da minha vida. Eu me entreguei totalmente a Cristo e agora sei que passarei a eternidade com ele no céu. Só queria... Só queria que Cedrico... e parou engasgado.

Harry não conseguiu terminar. Pegou a Bíblia, desceu e foi para seu lugar. Cobrindo os olhos com as mãos, chorou.

Gina achou que não agüentaria nem mais um segundo. O padre voltou ao púlpito e, com voz grave e sem emoção, finalizou com uma bênção formal.

O grupo se dispersou. Muitos fungavam, e a maioria olhava para baixo, em vez de olhar para as pessoas. Gina andou depressa até o carro, engolindo o choro. Queria ir embora imediatamente. Assistir ao sepultamento, jamais! Bob nem perguntou nada. Dirigiu em silêncio até chegar em casa.

Só quando já estava no avião, a caminho de San Francisco olhando o oceano Pacífico pela janela, foi que Gina soltou as emoções reprimidas na cerimônia fúnebre. Virando o rosto para a janela, deixou as lágrimas jorrar.

De olhos embaçados, tentava distinguir a linha da costa da Califórnia, em miniatura lá embaixo. De cima, as ondas pareciam uma linha fina de espuma de sabão. Inócuas, macias e espumantes. Como essas mesmas ondas podiam ter tirado a vida de Cedrico?! Será que é assim que Deus vê as coisas? Será que dessa altura tudo fica insignificante e sem valor para ele? Será que ele se importa com o que as pessoas sentem?

Então ela lembrou-se do que Harry falou: "Jesus chorou. Ele si importa."

- Gina, chamou Marta, interrompendo seus pensamentos com um tapinha no ombro. Tenho de lhe dizer uma coisa. Você não devia ficar assim tão emocionada com esse funeral. Seus pais lhe ensinaram que deve ser uma menina boazinha e cristã, e você não deve ficar pensando em coisas tristes e feias como a morte. Gina encarou a tia.

Como é que alguém consegue viver de maneira tão simplista, tentando fazer o mundo caber dentro de sua bolsinha de festa? Tem de haver mais na vida do que dinheiro, roupas, popularidade e todas essas outars coisas que ela vive martelando na minha cabeça.

Abaixou a poltrona com um puxão e colocou os fones de ouvido, deixando que o ritmo da música levasse pra longe aqueles pensamentos sombrios.
*****
Gina se sentia como um robô, enquanto andavam pelo aeroporto de San Francisco, e depois no táxi que os levaria ao hotel St. Francis. A cabeça latejava e o queixo doía de tanto cerrar os dentes. Deveria estar impressionada com o carpete espesso, o teto todo decorado e os lustres de cristal reluzentes do saguão. Deveria estar tentando memorizar cada detalhe para depois poder contar tudo à Paula, mas não estava nem ligando.

Ficou de lado, esperando Marta acabar de registrá-los. Mexia com a alça da bolsa e tentava não ouvir os ruídos ao redor. Havia gente falando em línguas estrangeiras, atendentes e carregadores colocando malas sobre carrinhos de rodas e, do outro lado do saguão, no restaurante anexo, alguém tocava piano.
Assim que chegaram às suítes, 1133 e 1134, Bob abriu sua mala e tirou um vidro de aspirinas para Gina.

- Isso deve ajudar, disse ele, saindo em seguida para o apartamento adjacente.

Cris desembrulhou o copo que estava no banheiro e encheu-o de água. Tomou duas aspirinas e olhou-se no espelho. Sua aparência não estava nada boa: olhos vermelhos e inchados, os cantos da boca voltados para baixo e o cabelo murcho. Além disso, não se sentia bem.

Dando uma volta pelo imenso quarto, tocou as maçanetas de vidro e passou a mão sobre o sofazinho cor de salmão. Abriu a cortina e estava olhando para a praça Union, quando Bob bateu à porta.

- Pronta para um passeio turístico? perguntou, entrando com Marta, que já trocara de roupa. O quarto se encheu da fragrância de seu perfume.

- Tudo aquilo ali são lojas de departamentos? perguntou Gina, apontando para os prédios altos que molduravam o parque, no meio da praça.

- É isso aí, disse Bob. Por que acha que nós sempre ficam no St. Francis?

- A Macy's é maravilhosa, acrescentou Marta, apontando à direita. Mas não podemos deixar de passar também no I. Magnin, Nordstroms e Saks.

- Puxa! exclamou Gina, nunca vi tantas lojas grandes num mesmo lugar!

- Vamos! sugeriu Bob. Vamos pegar um bondinho.

Mesmo sendo quatro horas da tarde de um dia de verão, todos levaram agasalhos. Depois de uma espera de quarenta minutos, conseguiram abrir caminho entre a multidão e pegaram o bonde que se dirigia ao Cais do Pescador. Gina ficou em pé no estribo, e firmou o braço no balaústre. O bonde sacolejava e balançava enquanto os cabos subterrâneos o conduziam morro acima, rumo à baía azul, à frente. Sem fôlego, Gina segurava com toda força. Que passeio!

E que clima festivo havia no ar! Será que vinha do bate-papo dos turistas no bonde? Ou daquele vento forte tão agradável. Talvez fosse das casas à beira do caminho, que pareciam tirada de um livro de histórias vitorianas, tornando o passeio ainda mais encantador.

Fosse o que fosse, Marta notou claramente a animação de Gina.

- Eu não lhe disse, Bob? cochichou, sentada no banco de madeira. A pobrezinha tinha que se afastar daquele estresse todo. Não é bom para uma menina de sua idade. Pode causar rugas precoces!

Bob sorriu concordando e virou-se para o condutor, que se encontrava atrás dele, manuseando as manivelas com mãos fortes, protegidas por luvas.

- Manejou muito bem o bonde naquela curva. Faz esse trabalho há muito tempo?

- Sim, senhor, respondeu ele, um homem alto, de quepe e uniforme elegante. Desde 1985, quando reabriram as linhas Antes disso, ficaram fechadas dois anos para reformas, sabia?

- É, lembro-me de ter ouvido sobre isso. Bob parecia realmente interessado.

- Temos o maior orgulho dessa linha de bonde. É a única do mundo que se encontra em pleno funcionamento.

- Que é divertido, é! gritou Gina, quando o condutor tocou o grande sino de bronze. Dim-dim-dim! Gina deu uma risada e imaginou-se num anúncio de televisão de arroz com macarrão, de San Francisco.

- Segura bem, mocinha! avisou o homem. Vamos passar por outro bonde.

Gina se encolheu toda, encostando o estômago nos joelhos de Marta. O bonde passou raspando, e ela sentiu que a alça de uma bolsa de alguém que estava dependurado no outro bonde, esbarrara nela.

- Essa passou perto! Exclamou.

Bob apertou seu braço. É bom ver esse sorriso de volta no seu rosto. O que você quer fazer? Comer primeiro ou dar umas voltas pelas "armadilhas" para turistas?

- Vamos andar um pouco, dar uma olhada por aí, não é, querido?

Era evidente que Marta já fizera seu itinerário.

- Bob, você pode ir ver o seu barco de pescaria e depois nos encontramos, digamos, às seis e meia no Alioto's para jantar.

- Tudo bem, concordou Bob. Quando o bonde parou, desceram e partiram em direções opostas.
- Esses lugarzinhos são meio cafonas, cochichou Marta para a sobrinha, ao entrarem numa pequena loja de suvenires. Mas pensei que talvez você pudesse encontrar uma lembrança para levar para sua casa. Amanhã faremos compras de verdade, no Centro comercial. Agora, se você achar alguma coisa de que gosta, basta falar.

Gina pegou uma caixinha de música colorida, com um bonde que subia e descia o morro de cerâmica, tocando: "l left my heart in San Francisco" (Deixei meu coração em San Francisco).

- Olha que bonitinho! exclamou.

Marta pediu à balconista que embrulhasse bem e colocasse numa caixa.

Enquanto a moça fazia o embrulho, Gina cantarolava baixinho aquela canção. Na verdade, pensou ela, deixei meu coração em Newport Beach. Sonhava em estar junto ao Harry no bondinho. Como seria bom sentir seu braço em volta de sua cintura enquanto subiam e desciam os morros de San Francisco...

Marta trouxe-a de volta à realidade, chamando um jinriquxá* para irem ao Cais 39. Papagaios de papel colorido voavam alto no céu da noite de verão, enquanto uma variedade de atores de rua atraíam as multidões.

*Pequeno veículo montado sobre uma bicicleta, utilizado como táxi. (N.E.)

Gina ficou fascinada por um malabarista que atirava facões de açougueiro para o alto, mas Marta insistia em ir adiante. Entraram numa loja especializada em enfeites de Natal, de toda espécie imaginável.

Então Marta teve uma inspiração repentina: resolveu escolher um tema para sua árvore de Natal e comprar todos os enfeites ali. Depois de muita indecisão, escolheu carneirinhos em vez de anjinhos e selecionou o suficiente para encher toda uma árvore.

- Vou ao caixa, Gina, disse Marta, animada com a compra. Encontrou alguma coisa que quer levar?

- Ainda não sei.

Gina mexia num enfeite, um ursinho de madeira com o nome "Harry", pintado com letras rebuscadas. Ela nunca havia compra do um presente para um homem antes, a não ser seu pai e seu irmão, e queria levar uma lembrança para o novo amigo.

- E então, querida? indagou Marta, lá do caixa, pegando um cartão de crédito para pagar a conta.

- Não, disse Gina, devolvendo o enfeite à prateleira. Não acho nada aqui. Talvez na próxima loja.

A loja seguinte em que entraram era só de moletons. Havia uma coleção incrível de todas as cores e tamanhos imagináveis, pendurada na parede, em grandes suportes de madeira.

- Este é legal! exclamou, mostrando à tia um blusão preto e branco com os dizeres: "Escaped from Alcatraz" (Fugitivo de Alcatraz).

Marta não pareceu gostar muito.

- Bem, não é muito feminino, querida, mas se é o que você quer, acho...

- Não, tia; não é pra mim! É pro Harry. Posso comprar pra ele Por favor?

- Entendi, disse Marta, examinando a blusa. É, suponho que não haja problema. Por que você não escolhe uma para você também? Aquela azul com veleiro branco está um amor, não acha?

Vinte minutos mais tarde elas encontraram Bob e sentaram-se numa mesa, ao lado de uma janela no Alioto's. Enquanto passavam manteiga no pãozinho quente, observavam a névoa que vinha lentamente cobrindo a baía. Gina pediu um prato que nunca havia experimentado: caranguejo. Com cuidado, quebrava a casca e puxava a carne branca, pelando de quente, e molhava-a em manteiga derretida. Que festa!

Estava limpando as mãos com um guardanapo de pano, quando Bob interrompeu a tagarelice de Marta para filosofar com Gina.

- Há muitas coisas para se provar na vida, Gina. É bom experimentar tudo que quiser, desde que saiba a hora de parar. Está entendendo o que eu quero dizer?

- Mais ou menos.

Na verdade, não estava entendendo nada.

- Bem, é como aquele passeio de bonde, continuou ele. Você estava-se divertindo dependurada do lado de fora, sentindo a total do vento e o ímpeto do bonde. Mas daí, na hora "H," quando íamos passar pelo outro bonde, você se jogou para dentro e ficou em segurança.

- O que está querendo dizer, tio? perguntou Gina, colocando na boca o último pedaço de caranguejo.

- Exatamente o que já lhe disse antes. Seja fiel a você mesma com o que tem vontade de fazer. Seja autêntica. Aproveite a vida ao máximo porque é a sua vida. É isso aí.

Pela primeira vez Marta permaneceu calada, enquanto Gina replicou:

- Mas tio Bob, o Cedrico fazia exatamente o que ele queria. Ele era mais ele, e olhe só o que aconteceu. Está morto. Depois de uma pausa, Bob respondeu:

- E isso que eu estava dizendo sobre o bonde. Você tem de saber se jogar para dentro na hora certa, para não se machucar.

- Sei não. Não tenho certeza se quero viver assim à beira do caos. E Deus? Onde ele se enquadra? Será que ele simplesmente me larga pra me virar sozinha e, caso eu não consiga me jogar para dentro a tempo, aí ploft, acaba tudo, e ele apenas diz: "Que pena, hein Gina "? concluiu ela recostando-se na poltrona.

Marta parecia envergonhada de que estivessem discutindo essas coisas num restaurante e tentou fechar a conversa dentro de seu embrulhinho compacto.

- Claro que não, querida! Deus é amor. Todo mundo sabe disso. Deus ajuda a quem se ajuda. Você só tem de ser uma pessoa boa, como Bob e eu sempre fomos.

- Sim; mas tia Marta, você tem certeza de que isso é tudo Por exemplo, como podemos ter certeza de que iremos para o céu ao morrer?

Marta armou-se com todas as suas defesas.

- Simplesmente não acho que esta seja a hora ou o lugar para uma discussão teológica, Ginevra. Voltando-se então para Bob, disse:

- Por favor, querido, pague a conta enquanto vou ao toalete Era como se um vento gelado tivesse varrido a sala quando Marta se retirou. Gina sentia a névoa emocional dos dias anteriores tornar a envolvê-la. Talvez fosse mesmo jovem, ingênua e inexperiente, mas sabia que não era boboca. Por que não conseguia raciocinar e chegar a uma conclusão?

Nunca lutara com tantas indagações assim antes. As respostas dos tios não satisfaziam, mas estava resolvida a tentar compreender o sentido da vida. E pretendia chegar a algumas conclusões antes de voltar para o Wisconsin.

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