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4. Surfe e Algas Marinhas


Fic: PROMESSAS DE VERÃO HG ULTIMO CAP POSTADO


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Surfe e Algas Marinhas



Na manhã seguinte, se houvesse um concurso para ver quem leva mais tempo se aprontando no banheiro, Gina teria tirado o primeiro lugar. Depois de quase uma hora e meia de preparativos, abriu a porta e encontrou tia Marta no corredor, prestes a bater na porta do quarto.

- Você está aí, querida? Nós já estávamos preocupados. Vamos ver, como está?

Esperando algum sinal de aprovação, Gina perguntou:

- E então, que tal estou?

- Seu cabelo, meu bem... seu cabelo parece... bem, digamos que, sendo a primeira vez, você fez um bom trabalho.

- Acho que usei demais daquele treco de espuma: minha franja está grudada.

- Sim, talvez você deva usar menos da próxima vez. E pode maneirar um pouco no lápis de olho. Mas o maiô... o maiô ficou lindíssimo em você, com essas suas pernas compridas. Não vai ter sempre essas coxas se puxar a família da sua mãe; por isso se quiser manter as pernas sempre esbeltas, tem de evitar comer massas.

- Está bem, tia Marta.

A voz de Gina demonstrava a irritação que sentia por causa dos constantes conselhos.

- Bem, você sabe o que dizem por aí: "Dinheiro e boa forma física nunca são demais", acrescentou Marta.

As duas riram e desceram para o térreo.

- Você tem algum bom livro para eu levar pra ler na praia? perguntou Gina.

- Claro, de todos os tipos, querida. Estão na estante no escritório. Escolha o que quiser. Vamos à sua bebida matinal?

Gina ficou arrepiada só em pensar.

- Eu não estou com fome, tia. Só vou levar alguma coisa para beber na praia.

Tirou então um romance da estante.

Marta voltou da cozinha com duas garrafas de água mineral e colocou-as na sacola nova de Gina.

- Aí está. Divirta-se e lembre-se: tente fazer amizade com outros jovens na praia.

- Sim, tia Marta.

Gina foi depressa para a cozinha, onde Bob lia o jornal.

- Psiu, sussurrou ela, com o dedo sobre os lábios e, abrindo a geladeira, trocou a água mineral por duas latas de refrigerante.

Bob deu uma piscadela e voltou ao jornal.

Algumas nuvens finas velejavam pelo céu naquele final de manha, enquanto Gina caminhava pela areia. Os "jovens", como Marta os chamava, estavam reunidos perto do quebra-mar, onde os surfistas ficam. Gina aprendera com o tio Bob, em seu primeiro dia ali, que o quebra-mar é uma longa península artificial feita de rochas. Ele funciona como um divisor de águas no oceano, criando uma baía calma de um lado e as maiores ondas da praia, do outro.

Gina parou e olhou a arrebentação batendo contra o quebramar. As ondas do norte se formavam a certa distância, vindo como um enorme muro estourar com força sobre as rochas.

“Controle seu destino!" As palavras de Marta ecoavam na martelando-lhe os seus nervos. Ergueu a cabeça e para o mesmo grupo que tinha rido dela poucos dias atrás. Com um novo penteado e um novo maiô, esperava que pensassem que fosse outra garota.

Estendeu a toalha e notou que alguns dos rapazes pareciam olhar para ela. Até aqui, tudo bem! pensou.

Então, deitada de bruços, começou a ler seu romance, mexendo na areia com os dedos do pé. Não sabia o que seria pior: se eles a ignorassem de novo, ou se alguém viesse conversar com ela.

Pouco depois, arriscou uma olhadela tímida para ver se os rapazes ainda a estavam olhando, mas não estavam. Tinham agora os olhos fixos numa garota incrivelmente bonita que vinha em sua direção.

Alta e magra, ela estava de biquíni e óculos de sol, e vinha caminhando com leveza sobre a areia. Seu cabelo negro caía até a cintura, parecendo a crina de um cavalo selvagem.

Parou bem perto de Gina. Depois, enquanto todos olhavam, aquele modelo de beleza de praia acomodou-se na areia e olhou para o mar, como se estivesse posando para uma propaganda de bronzeador.

"Que é que ela está tentando provar?" perguntou-se Gina, fingindo não notá-la. "Por que veio sentar perto de mim? E se os rapazes vierem aqui conversar com ela? E se puxarem conversa comigo?" Uma vontade imensa de fugir apoderou-se de Gina. Mas, contudo, ignorou o jeito que seu coração acelerava e fixou os olhos no livro. A voz da tia ressoava em sua cabeça: "Controle seu destino! Dê o primeiro passo! Seja ousada!"

O cheiro doce de óleo de coco que emanava da garota perturbou tanto Gina que ela acabou virando-se e dizendo um tímido "Oi!"

A moça respondeu prontamente.

- Esse livro é ótimo. Já chegou à parte em que eles ficam presos num táxi em Hong Kong?

Gina espantou-se com a simpatia da moça.

- Não.

- Então não vou estragar o suspense, disse com um sorriso. Mas a parte em Hong Kong é ótima, e muito sensual.

- Ah, bem, replicou Gina, tentando estudar a garota mais a fundo. Parecia muito boazinha, para uma esnobe. Então a moça perguntou:

- Já entrou na água? Está muito fria? Gina notou que ela tinha um sotaque diferente ao dizer certas palavras.

- Não, disse Gina.

Depois, percebendo que não estava acrescentando nada à conversa, gaguejou:

- Quer dizer, ontem não entrei; hoje também ainda não. Mas antes de ontem ela estava uma delícia.

Gina hesitou um pouco, mas acabou perguntando:

- Você esteve aqui ontem?

- Não, nós chegamos ontem. Meu nome é Cho. E o seu?

- Gina. De onde você vem?

- Acabamos de chegar de Boston, da casa de minha avó, mas no ano passado morávamos na Alemanha.

- É mesmo! Você é da Alemanha? Meu pai tem uns parentes lá. Sempre quis conhecer...

- Só ficamos na Alemanha dois anos. Antes disso moramos no Havaí e na Argentina.

- Deve ser legal!

- Tem suas vantagens e desvantagens. Meu pai era da Força Aérea. E você? Mora aqui?

- Não. Estou passando uns dias na casa de uns tios aqui. Eu moro no Wisconsin.

O Wisconsin parecia tão sem graça em comparação com a Argentina e o Havaí...

Entretanto Cho não fez nenhuma gozação. Ao contrário, convidou-a para dar um mergulho. Gina sentiu o olhar dos surfistas acompanhá-las enquanto caminhavam devagarinho em direção ao mar. Quando estavam já com água na altura da cintura, mergulharam numa onda espumante.
Gina sentia a água fria em cada poro. "Não existe no mundo sensação igual a esta!" pensou com entusiasmo. Virando-se então para Alissa, disse:

- Adoro o mar! E você?

- Sem sombra de dúvida! Respondeu Cho, flutuando numa pequena onda. Você adoraria as praias do Havaí. A água é tão morna e clara... Dá vontade de ficar o dia todo. E as ondas são perfeitas para pegar jacaré.

- Eu queria saber pegar jacaré, lamentou Gina. Sou desajeitada demais.

- É tudo questão de pegar a onda certa, na hora certa, explicou Cho. Veja essa que está chegando, por exemplo. Se esperar demais, ela quebra em cima de você e a leva ao fundo. A gente tem de começar a bater os pés e nadar enquanto a onda está formando a crista atrás. Daí deixamos que ela leve a gente até a praia, como se estivéssemos dentro dela.

A onda surgiu atrás delas grande demais para que pudessem boiar. Então prenderam a respiração e mergulharam fundo, onde a água estava tranqüila. Quando subiram, viram a onda quebrar-se numa curva espumante em direção à praia.

- Essa teria sido perfeita para pegar jacaré, disse Cho, alisando o cabelo encharcado. Tá vendo aqueles rapazes lá embaixo? Eles pegaram a onda. Uns surfistas me disseram no Havaí que a sétima onda é a melhor.

Haviam flutuado sobre mais quatro ondinhas quando Cho disse:

- Olha a sétima onda. Deve ser a melhor dessa série. Passe por cima dela, que eu vou tentar pegá-la. Talvez veja o que quero dizer com bater os pés antes da onda começar a quebrar.

A onda ergueu Gina como um pai levanta seu bebê. Ela observou Cho navegando sobre ela com graça e destreza até a praia. "Ela dá a impressão de que é tão fácil!" pensou, com um suspiro.

A galera da praia estava igualmente de queixo caído com a graça de Cho. Quando ela saiu da água, quatro surfistas largaram a prancha e correram para puxar conversa.

Gina olhava de longe, com inveja, enquanto Cho, pingando água, puxava o cabelo comprido sobre o ombro e o torcia.

"Ah, se eu tivesse um corpo e uma personalidade como da Cho! Ela tem tudo que se possa desejar." Gina a admirava e, ao mesmo tempo, sentia antipatia por ela.

Distraída com o que acontecia na praia, Gina não viu a onda enorme que surgia por trás dela. Inesperadamente, a onda quebrou, puxando-a para baixo com uma força esmagadora. Ela virou cambalhota debaixo d'água e, apavorada e sem ar, engasgou, engolindo muita água. O pavor que sentira no pesadelo retornou, dando-lhe a sensação de que estava lutando com um perigo maior do que o do oceano. Sem dó, a onda deu-lhe mais um golpe, jogando-a na praia e raspando seu cotovelo na areia grossa.

Era seguida, a onda retrocedeu, deixando-a como uma foquinha ilhada na praia, bem perto de Cho e dos surfistas.

- Ah não! exclamou ela, enquanto o grupo disparava a rir. Saia água do seu nariz, seus ouvidos estavam cheios de areia, as al;as dos maiô estavam retorcidas e um pedaço grande de alga marinha envolvia seu tornozelo. Pior de tudo, seu cabelo estava em pé na parte de trás e o lado direito emplastrado sobre o rosto, cobrindo o olho. Ela piscou, olhando para o grupo em busca de uma "força", mas eles continuavam rindo. Cho mais que os outros.

Havia um surfista alto e bonitão, de cabelo louro, próximo a Cho.

- Radical! gozou ele. Isso foi totalmente chocante!

Nesse instante notou que escorria sangue do seu cotovelo, que ardia quase tanto quanto seu orgulho ferido. "Este é, sem sombra de dúvida, o pior momento da minha vida", pensou.

Um dos surfistas aproximou-se e ajudou-a a desembaraçar as algas do tornozelo.

- Você está bem?

Era mais uma declaração do que uma pergunta.

- Sim.

Gina olhou para cima e viu um dos rapazes mais interessantes que já vira em toda a sua vida. Era exatamente como o "cara perfeito" que ela descrevera para Paula meses atrás: cabelo pretos, olhos azul-prateados ou será que eram extremamente verdes.

Ele a tomou pelo cotovelo e ajudou-a a levantar-se.

- Estou me sentindo ridícula! confidenciou ela.

- É posso imaginar. A maneira como ele falou expressava bondade. Parecia realmente entender como ela estava se sentindo.

Os outros voltaram a paquerar Cho. Gina caminhou pela areia até sua toalha. O cara bonitão a seguiu e ficou ali, enquanto ela se enxugava e tentava tirar a areia dos ouvidos.

Finalmente ela quebrou o silêncio.

- Obrigada por ter me ajudado.

- Claro, disse ele, sentando-se sobre a toalha de Cho. Sua amiga se importa se eu me sentar aqui?

Gina olhou para a "amiga", que flertava tanto com os surfistas que parecia nem lembrar que ela existia.

- Acho que não.

- Meu nome é Harry. Disse ele, com um sorriso franco e amistoso.

- Eu sou Gina, respondeu ela, surpresa por estar tão calma ao lado desse cara maravilhoso. Você mora aqui?

- Sim, durante o verão, com meu pai.

- E sua mãe? Perguntou Gina.

- Tallahassee.

- Onde é isso?

- Na Flórida. Meus pais são divorciados, e minha mãe mora em Tallahassee. Moro com ela durante o ano letivo e passo o verão e alguns feriados com meu pai.

Naquela hora, Cho e um dos surfistas vieram para perto deles. Pareciam estar se dando muito bem. Ele estava com o braço na cintura da jovem, e cada um segurava uma lata de cerveja.

- Quer um pouco? ofereceu o rapaz a Gina.

- Não, obrigada, respondeu, sentindo-se meio desajeitada.

- Ah! disse ele, com ar de superioridade. Você deve ser daquele tipo de amigos que o Harry tem.

- Na verdade, eu trouxe uns refrigerantes, balbuciou ela, sem saber o que ele queria dizer com "aquele tipo de amigos do Harry" Tenho dois. Você quer um, Harry?

- Claro. Harry aproximou-se de Gina, e o outro surfista sentou-se com Cho, na outra toalha. Harry apresentou o rapaz como Cedrico, e Gina apresentou Cho.


Isso é bom demais pra ser verdade! pensou Gina. Sabia que sua tia ficaria encantada.

Ficaram papeando durante cerca de uma hora. Cho praticamente dominava a conversa. Tinha muitas histórias sobre vida na Alemanha. Gina gostou do seu sotaque, que devia se uma mistura do jeito de falar de todos os lugares em que vivera.

- E aqui os carros vão tão devagar nas "autovias". Mas não é essa a palavra que vocês costumam usar. Como é que vocês dizem? "Autopistas"?

- Não, disse Gina.

- Sim, disse Harry ao mesmo tempo.

Olharam um para o outro.

- Na Califórnia nós as chamamos de autopistas, explicou Harry..

- Bem, no Wisconsin nós as chamamos de rodovias, respondeu Gina, com uma risada.

- Bem, seja como for, vocês dirigem muito devagar aqui, observou Cho. Em Stuttgart não era nada dirigir a 120 por hora.

Harry e Cho começaram então a falar sobre carros, e Gina ficou escutando. Não sabia sequer a diferença entre um Fiat e um Fiesta e tinha medo de dizer alguma bobagem. Cedrico também ficou quieto. Parecia não estar nem aí, e seus olhos tinham um brilho estranho. Gina sentia-se mal quando ele olhava para ela. Não tinha certeza, mas achava que o olhar dele era o que os livros chamam de "lascivo".

- Olha só! exclamou Cedrico de repente, apontando na direção da água. Essa é de rachar!

- O que ele quer dizer? perguntou Gina baixinho a Harry.

- Ta vendo aquele menino na prancha branca? Só tem uns oito anos e já surfa muito bem.

- Quantos anos você tem? perguntou Cho a Gina.

Pensando que provavelmente era a mais nova dos quatro, mentiu a princípio.

- Tenho quinze. Entretanto corrigiu-se logo em seguida. Na verdade tenho quase quinze. Faço aniversário daqui a algumas semanas. E você?

- Dezessete.

Gina não sabia se Cho estava mentindo ou não. Sua aparência era mesmo de uma garota dessa idade, mas quando ria, parecia não ter mais que uns quatorze anos. Além do mais, se tinha mesmo dezessete, por que estaria se relacionando com ela, que tinha quinze?

- Vocês meninos, não nos disseram sua idade. Falou Cho.

- Eu não me lembro, brincou Cedrico.

- Vamos lá Cedrico! disse Harry. Nós dois temos dezesseis anos. Ele esta com medo de que você não queira sair com um cara mais novo.

- Não é isso não, negou Cedrico.

- Depende da minha fome, desafiou Cho, lançando a Cedrico um olhar que deixou Gina envergonhada.

Não sabia bem por que, mas sentia-se como uma intrusa numa brincadeira particular.

Certamente Cedrico conhecia todas as regram do jogo, pois se abaixou e beijou Cho nos lábios. Gina desviou o olhar para o quebra-mar.

- Está com fome?

A voz de Cedrico tinha um timbre forte.

- Faminta, respondeu Alissa.

Cedrico levantou-se, puxando Cho consigo, quando Harry quebrou aquele clima romântico.

- Vamos surfar, Cedrico! As ondas parecem legais.

- Ah, mas é claro, debochou Cedrico. Cho pegou sua toalha e os dois atravessaram depressa a areia em direção à casa de Cedrico.

- Eles vão preparar um lanche ou algo assim? Perguntou Gina, confusa pela saída repentina do casal.

Harry olhou para ela meio espantado.

- Não exatamente.
Gina não sabia bem o que ela não "pegara", mas percebeu que; o Harry não estava muito contente com a saída do Cedrico. Contudo! ela não se importou nem um pouco.

Adoraria passar o resto do dia sentada ali, conversando com o Harry, olhando para seus enormes olhos verdes. Nunca gostara de um cara como estava gostando dele. E só o conhecera hoje Será que ele estava gostando dela? Parecia que sim, mesmo não tendo tentado beijá-la, como Cedrico fizera com Cho. Na verdade o pensamento a deixava atônita. E se ele tentasse beijá-la assim?

- E aí, o que você quer? Perguntou Harry, interrompendo se devaneio.

O coração de Gina deu um salto.

- Quer o quê?

Será que ele estava lendo seus pensamentos?

- Quer surfar?

- Ah! disse Gina, com uma risada. Não sei. Como você deve ter notado, não tenho muita coordenação na água.

- Eu lhe ensino.

- O que eu queria mesmo aprender é a pegar jacaré. Era o que a Cho estava tentando me ensinar.

- Não sou o melhor nisso por essas bandas, mas posso lhe ensinar o que sei.

Mergulharam no mar, e Gina teve novamente aquela sensação de bem-estar, agora ainda mais intensa por causa da presença de Harry.

Como dois golfinhos, eles enfrentaram juntos as ondas, conversando e rindo. Com paciência, Harry tentou ensiná-la a pegar jacaré, mas ela não conseguia se cronometrar. Cada onda que passava levava Harry em sua crista e a deixava para trás, encharcada.

Depois de certo tempo, outro surfista passou por eles e Harry apresentou-o. Chamava-se Ronald. Era uma gracinha, e ela o achou muito mais simpático que os outros surfistas que encontrara antes.

- Experimente isso, disse Rony, oferecendo-lhe sua prancha de Body Board.

- Como se usa? perguntou Gina, insegura sobre o que fazer com a prancha macia, amarelo-cheguei, que ele oferecia.

- Bem... você só tem que subir nela e, e... ah, eu não sei! Usa-se como se usa uma prancha de Body Board, disse Rony.

- Aqui, eu mostro, ofereceu Harry.

Prendeu com velcro uma tira em volta do punho e esperou um instante. Quando veio a onda seguinte, deitou-se de bruços na pranchinha e começou a bater furiosamente os pés, deslizando à frente dela.

Gina e Rony ficaram boiando e observando Harry, enquanto aonda estourava atrás dele, levantando-o sobre a prancha de Body Board até à praia.

- Legal! exclamou Gina. Posso tentar?

- Claro, concordou. Use-a o quanto quiser.

- Obrigada.

Harry remou de volta com as mãos e entregou a prancha curta e esponjosa para Gina.

- Isso facilita pra pegar as ondas!

Meio sem jeito, Gina deitou sobre a pranchinha. Espero que meu traseiro não esteja muito saliente! preocupou-se.

- Taí. Comece a bater os pés!

A garota bateu os pés sem parar e não olhou para trás. De repente a força da onda levantou-a, puxando-a para cima e para a frente. Antes que conseguisse perceber o que estava acontecendo, a onda a cobriu. Agarrou a prancha com toda força e sentiu o ímpeto do mar impelindo-a para a praia. A prancha escorregou sobre a areia grossa da praia e, imediatamente, a onda recuou.
Gina ficou de pé, sem um arranhão, e acenou para Harry e Rony, que acenavam parabenizando-a.

Quero fazer isso de novo! É por isso que o pessoal gosta tanto de surfar. Imagine como seria fazer isso de pé numa prancha grande! Mesmo deitada nessa pranchinha já é uma delícia de tirar o fôlego!

Enfrentou as ondas e voltou para onde estavam Harry e Rony.

- Que bárbaro! disse Rony quando ela chegou.

- Que bárbaro? repetiu Harry. Ninguém mais diz "Que bárbaro" hoje em dia!

- Pois eu digo, respondeu Rony rindo. Gina, você foi bárbara naquela onda. Aliás, em todo o percurso!

- Ei, que horas são? perguntou Harry.

- Quase três e meia, respondeu Rony, consultando seu relógio de mergulho.

- Tenho de ir, disse Harry. Vou dar uma carona à Mione para o trabalho. Virou-se então para Gina e perguntou:

- Você virá aqui amanhã?

Gina assentiu com a cabeça, tremendo um pouco por causa da água fria.

- Ei, essa aí parece uma boa!

Harry apontou para a imensa onda que se aproximava. Vamos todos nela!

Gina deitou-se sobre a pranchinha e os dois rapazes seguraram nas beiradas. Os três estavam batendo os pés ao mesmo tempo, mas, quando a onda os alcançou, o impacto separou-os, empurrando a garota mais depressa. Ela deu um gritinho ao sentir a força que arrancou a prancha de debaixo dela. Virou urna vez debaixo da onda e saiu por trás dela. A amarra no pulso permitiu que puxasse a prancha de volta. Harry e Rony, agora ambos à sua frente, saíam da água na beira da praia.

Gina deitou-se novamente sobre a prancha e deixou que a onda que veio em seguida, menor e menos forte, a impelisse suavemente para a praia, onde Harry sacudia vigorosamente a água do cabelo.

- Então vejo vocês amanhã, disse ele.

- Até mais! respondeu Rony e, virando-se para Gina, perguntou:

- Você vai pegar mais onda?

Ela hesitou um instante e depois disse:

- Estou com um pouco de frio. Acho que vou tomar um solzinho. Obrigada por ter-me emprestado sua prancha. Foi divertido!

De nada, disse ele, pegando-a de volta. Está sempre às ordens.

Ela esticou a toalha e deixou que o sol quente a tostasse. A água salgada secava formando manchinhas nas suas pernas, e ela sentia a pele ressequida e coçando, e a boca muito seca.

Rony ainda estava na água, curtindo sua prancha de Body Board, e Harry não voltaria mais naquele dia. Então ela resolveu ir embora.

Enquanto ia caminhando com cuidado na areia quente, pensava: Esse dia foi realmente bárbaro, como diria o Rony. Minha tia vai se orgulhar de mim! Ela tinha razão: eu só precisava de um bom maiô e um belo corte de cabelo. Adorei me enturmar com a galera do Harry. Nossa! A Paula nem vai acreditar...


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