A manhã seguinte chegara rápida demais e eu estava naquele momento deitada em minha cama olhando para o teto sem uma expressão fixa. É completamente bipolar ou tripolar por assim dizer afinal de cinco em cinco minutos eu sentia um tipo de emoção diferente crescendo dentro de mim, dentre elas o medo, a ansiedade e a alegria. Sim, alegria também afinal não era todo dia que você descobria que é na verdade uma bruxa e pode ingressar em uma Escola de Magia por mais que isso ainda parecesse um tanto quanto irreal para mim. A verdade era que alguma coisa acontecia comigo e todas aquelas coisas estranhas que sempre me aconteciam estavam agora explicadas era algo um tanto quanto lógico demais para ser ignorado, mas ainda assim irreal para mim. Estava acostumada a ser sempre a renegada nerd da sala e agora que estava revertendo à situação eu iria para outro lugar e sabe-se lá Merlin o que iria acontecer comigo. Sim, Merlin eu já havia até pego essa expressão de tanto ouvir o professor com falta de shampoo falar comigo na tarde anterior.
E falando naquele professor... Tinha algo nele que me dava arrepios e eu havia reparado seus olhares destinados a mim, beirava a rancor e curiosidade com um pingo de ódio e outra coisa qualquer que eu não consegui de fato identificar. Seja lá o que fosse boa coisa não parecia ser pelo jeito com que ele me tratava e falava comigo nada muito desrespeitoso, mas ainda sim nada amigável ou sequer agradável. Fui desperta de meus devaneios e pensamentos por uma batida na porta de meu quarto enquanto a voz de minha mãe me chamava do outro lado me dando apenas 15 minutos para me arrumar e descer para o café da manhã reforçado antes de irmos ao centro de Londres onde segundo o professor ficava a entrada para o Beco Diagonal, um lugar bruxo onde poderia comprar todos meus materiais necessários para as aulas desse ano assim como meu uniforme e uma varinha.
Não me demorei em me arrumar colocando um tênis all star básico, uma calça jeans e uma blusa de manga curta deixando meus cabelos soltos. Odiava meus cabelos armados daquela forma e a um tempinho atrás Evelyn havia conseguido fazer com que eles ficassem lisos usando algum tipo de produto, mas minha mãe fizera um escândalo me proibindo de usar aquilo de novo o que me fez ficar de cara feia um bom tempo com ela. Porém uma coisa eu não podia negar eu nunca gostei de ser normal, por assim dizer é claro, mas como eu sempre tinha aquele problema de me enturmar por ser a nerd da turma ou me acharem irritante demais eu havia adotado meu estilo próprio que consistia em “ser o que sou sem medo de ser feliz”. Mas isso realmente entre aspas afinal eu não saia por ai com Evelyn demonstrando que éramos namoradas e nem contando, apenas nós sabíamos de nosso namoro e fim até porque se a avó dela soubesse temíamos sermos separadas e levando em consideração meus pais eu também havia nutrido o medo de ficar sem ela.
O caminho de casa até o centro de Londres se passou todo em um profundo silêncio entre eu e meus pais, eu particularmente não sabia o que se passava entre eles, mas ao mesmo tempo em que pareciam animados com a ideia de existirem bruxos e eu ser uma eles pareciam temerosos com alguma coisa. Não sabia o que temiam, mas algo me dizia que boa coisa não era e que eu devia ficar esperta com qualquer coisinha que acontecesse nos meus próximos anos de estudos... Estudos de magia. Ao chegarmos no tal bar que segundo Severo escondia a passagem para o Beco Diagonal, eu senti um leve calafrio por meu corpo afinal o lugar não parecia nada como eu havia esperado era um bar como outro qualquer do centro londrino, cheio de homens de vestimentas estranhas e com uma escada que levava para andares superiores me levando a concluir que ali era uma estalagem. Um estalajadeiro corcunda de aparência estranha veio caminhando até nos exibindo um sorriso não muito bonito que foi respondido por mim com outro não muito animado.
- Boa Tarde, senhora! Meu nome é Tom e eu sou o estalajadeiro do Caldeirão Furado em que posso lhes servir? – Perguntou o corcunda fazendo uma reverencia exagerada.
- Boa Tarde, senhor – Começou meu pai sem perder a pose enquanto olhava para os lados – estamos a procura da passagem para o Beco Diagonal, minha filha precisa comprar os materiais escolares.
- Ah sim a passagem – falou o bruxo com certo desanimo na voz – devo presumir que vocês são trouxas correto? Para não conhecerem o caminho até a passagem – Perguntou o bruxo em tom cortes.
- Sim – respondi fria ao homem, afinal eu ainda não tinha me acostumado com aquele chamamento estranho dirigido aos meus pais.
O corcunda então apenas acenou com a cabeça para que o seguíssemos e saiu andando na frente abrindo caminho por entre os outros homens e mulheres da estalagem que olhavam para nós com visíveis olhares curiosos e em alguns de desprezo. Ignorava todo eles me mantendo firme em meu propósito enquanto caminhava junto de meus pais atrás do bruxo corcunda. Olhava cautelosa do corcunda à frente para o caminho que fazíamos afinal alguma coisa me dizia que algo não tão bom acontecia por ali naquele momento, não que eu me importasse é claro, mas ainda assim gostava de me precaver. Assim que chegamos a uma portinha pequena atrás do bar o bruxo corcunda pegou o que parecia ser um pedaço de pau que reconheci imediatamente como a varinha do mesmo e então começou a bater em alguns tijolos da parede em frente que em poucos minutos começaram a se mover me mostrando então uma visão da qual eu nunca iria me esquecer.
[...]
O Beco Diagonal era assim como dizia o nome um enorme beco cheio de lojas bruxas de todo o tipo de coisas, desde vassouras voadoras e varinhas até sorvetes de sabores estranhos e animais mágicos. O primeiro lugar ao qual nos dirigimos foi ao Gringots, que segundo o professor Snape dissera era o banco dos Bruxos e onde meus pais poderiam trocar a libra pelo dinheiro bruxo: galeões, sicles e nuques. O lugar era bem imponente por assim dizer, mas as criaturas que dirigiam o mesmo eram um tanto quanto... Digamos... É estranhas. Os Duendes – segundo um homem alto de cabelos loiros que estava falando com um ali perto – eram criaturas orgulhosas também, afinal quando meu pai falou algo sobre o dinheiro bruxo percebi uma espécie de orgulho inflado por ali.
Meus pais não eram do tipo rico, por assim dizer, mas também não éramos pobres e apesar do preço das coisas não se importaram com o “preço” da conversão pegando o suficiente para comprarmos bons materiais. Estranhava o comportamento de mamãe desde que havíamos saído do banco dos bruxos, ela jurava que eu não havia notado e nem mesmo meu pai, mas eu notei o olhar que ela havia lançado ao homem loiro assim que entramos no Banco e também percebi sua inquietação depois puxando eu e meu pai para o outro lado. Sentia que meus pais escondiam de mim um segredo e daqueles segredos bem complicados, mas não iria forçar a barra com eles depois das ultimas semanas, além do mais ainda queria certa distancia deles e aquilo de certa forma seria uma “reaproximação” maior.
Assim que saímos do banco eu chequei a lista de materiais e decidi que iria querer ver primeiro os livros mágicos. Sim, meu amor por livros e conhecimentos era maior do que minha anciosidade para comprar uma varinha e sair fazendo mágicas.
- Quero ir ver os livros primeiro – Disse em voz alta para que os dois me escutassem.
- Tem certeza? – Perguntou meu pai com um sorriso nos lábios como quem já esperava que aquela fosse ser a minha escolha. Apenas sorri travessa para ele e peguei em sua mão estendida em minha direção. De certa forma não tinha tanta raiva de meu pai, era mais de minha mãe que nutria a maior parte de meu rancor pelo fato de que ela era quem mais me prendia e sempre dava um jeito de influenciar meu pai.
- Vocês vão... Eu acho que vou pra casa não estou me sentindo bem – Anunciou mamãe que estava agora branca como um fantasma me fazendo erguer a sobrancelha.
- Aconteceu alguma coisa mamãe? – Perguntei curiosa lançando a ela meu melhor olhar analítico que provocou dessa vez certo incomodo na mulher a minha frente ao em vez do costumeiro sorriso.
- Está tudo bem Mih eu só preciso descansar acho que alguma coisa não me fez bem – Ela disse ainda não me parecendo nada bem.
- Tem certeza que não quer nos acompanhar querida? – Perguntou Paul demonstrando preocupação enquanto a olhava de forma cúmplice.
- Tenho sim Paul, mais tarde conversamos – Ouvi minha mãe responder enquanto lançava um olhar cheio de significados para o meu pai. – Irei à frente e começarei a fazer o jantar... O que prefere para hoje filha? – Ela me perguntou enquanto arrumava a bolsa perto do corpo.
- Qualquer coisa mãe, desde que haja sorvete de sobremesa! – Sentenciei com um sorriso no rosto antes de deixar que eles se despedissem.
Era incrível como meu pai parecia cada vez mais superprotetor enquanto caminhávamos pelo Beco Diagonal. Ele não me deixava nem ao menos olhar para o lado em paz, buscava sempre estar por perto e aquilo me incomodava um pouco, era como se tivesse medo de alguma coisa. Enquanto andávamos era praticamente impossível não notar na variedade de bruxos estranhos que passavam por nós, todos vestidos com imensas vestes e alguns nos lançando olhares estranhos. Posso afirmar com todas as letras que quando entrei na livraria o garoto loiro que ia saindo olhou para mim e meu pai com nojo, mas tinha me limitado apenas a lhe devolver o olhar até que a mulher que o acompanhava ralhou com ele. Ainda ria ao lembrar-me de seu desconforto quando ele ouviu o “Draco Malfoy” da loira e saiu em direção à saída.
Havia me demorado o máximo possível na livraria folheando livros dos mais diversos e bizarros assuntos que conseguia encontrar. Infelizmente com o dinheiro sendo a continha de meus materiais, não consegui levar todos os livros que pretendia além dos já listados para Hogwarts, mas consegui flagrar meu pai comprando um livro bruxo escondido. Havia rido do mesmo ao tentar esconder o embrulho e depois ele me fizera jurar de pé junto não contar para minha mãe e assim havia o feito, na condição de que ele me deixasse ler o livro se assim fosse, coisa que ele não recusou de forma alguma. Saíamos da livraria com os braços carregados de livros e logo em seguida comprávamos todos os artigos para as aulas de poções e mais outras coisas essenciais antes de irmos ao local onde compraria a minha primeira varinha.
“Varinhas Olivaras” era o nome da loja que parecia ter um maior destaque no Beco Diagonal pelos bruxos mais novos saindo e entrando acompanhados dos pais. Ainda observava a fachada um pouco apagada da loja quando me virei para meu pai respirando fundo e tomando coragem para lhe propor o que eu queria.
- Pai? – Falei tentando fazer com que minha voz não falhasse de forma alguma.
- Diga minha princesa – Respondeu – me o homem que me olhava desconfiado agora.
- Se incomodaria de ir levando essas coisas para o carro enquanto eu compro minha varinha? É que queria fazer isso sozinha – Falei tentando esboçar um sorriso confiante, mas no lugar disso conseguindo apenas um tremulo.
- Tudo bem, mas não saia da loja antes deu voltar e nem conte para sua mãe isso me entendeu? – Falou o homem após ficar alguns segundos pensativo.
- Não vou contar papai! Obrigada – Falei não conseguindo conter a minha crescente animação.
Deixei meu pai com as coisas compradas do lado de fora da loja e entrei no lugar sem muita calma observando tudo a minha volta. Devo admitir que fosse meio “broxante” ver a loja do lado de dentro se você imagina um lugar bem arrumado e cheio de maravilhas como eu imaginava. O lugar era simples, tinha várias estantes cobertas de pó com caixinhas que supus guardarem varinhas mágicas. Tirando a incrível sujeira da loja com relação ao pó não consegui encontrar ali mais nada de incomum além da mercadoria. Dei mais alguns passos para frente parando de frente a um grande balcão, ou não tão grande assim para um adulto, mas apesar de estar já com 11 anos eu ainda era um pouco baixinha – só que ninguém nunca falava isso por ter amor à vida.
Toquei pacientemente uma espécie de campainha que tinha ali em cima e aguardei por alguns segundos até que um pigarro atrás de mim me chamou a atenção. Tive que me segurar no balcão quando me virei e dei de cara com um senhor já de idade bem próximo a mim sustentando um sorriso gentil no rosto. Cruzes! Será que aquele homem tinha mania de fazer aquilo com todo mundo? Uma hora ele pegaria um cardíaco para atender aí sim queria ver. Tentei sorrir, mas depois do susto tomado era quase algo impossível enquanto meu rosto ficava bem avermelhado.
- Boa tarde senhorita – Começou o senhor de idade enquanto me estendia a sua mão – sou Olivaras fabricante de varinhas e dono deste lugar – Anunciou o homem em tom gentil.
- Boa Tarde – Falei um tanto incerta enquanto apertava a mão do Sr. Olivaras. Senhor de idade, dono do lugar ou não aquele homem era estranho e mais gentil que vários bruxos com os quais havia topado naquele dia.
- Presumo que a senhorita... ? – Começou ele fazendo uma educada pausa perguntando meu nome.
- Granger, senhor, sou Hermione Granger – Falei exibindo um sorriso educado.
- A senhorita Granger – Voltou a falar ele com um sorriso no rosto – esteja a procura de uma varinha nova, correto?
- Sim
O meu “sim” de resposta saíra tão rápido que nem eu conseguia acreditar naquilo. O homem mais velho, porém só sorriu e partiu para as prateleiras falando algo sobre como todos os bruxos mais novos ficavam ansiosos para ter suas próprias varinhas. Ignorei o que o homem falava de forma automática enquanto prendia minha atenção nos detalhes da loja que só poderiam ser vistos após a primeira impressão passar. Já estava me perguntando porque o homem não trocava as flores quase murchas do vasinho de flor quando ele retornou para o meu lado.
- Muito bem, vejamos se esta varinha lhe serve – Anunciou o homem que depositou três daquelas capinhas a minha frente e abriu a primeira me entregando ela. Era uma varinha branca e levemente curvada, varinha que me fez rever conceitos de “com o que” e “como” eram feitas aquelas varinhas.
Peguei a varinha meio sem jeito e fiquei olhando para ela com cara de idiota enquanto virava ela em minhas mãos. O homem me sorriu de forma gentil e em seguida pediu para que eu a testasse e assim o fiz agitando a varinha que imediatamente fez uma ventania subir a gravata do homem de forma tapar – lhe a visão por um tempo. Tive de controlar a vontade de rir ao ver seus óculos todos tortos e os cabelos ainda mais emaranhados que antes. Suspirei baixinho quando o homem me mandou baixa – la e me passou a próxima varinha falando algo como “aquela não serve”. Peguei a outra varinha que desta vez era bem mais bonita, reta e cheia de detalhes parecendo flores em toda a sua extensão. Analisei – a atentamente antes de balançar a mesma e sentir meu corpo inteiro se arrepiar.
Era como se algo quente subisse de meus dedos por minha mão, braços, ombros e continuasse se espalhando pelo resto do corpo. Sentia como se a varinha fizesse parte de meu corpo e aquilo era extremamente bizarro, mas em um dia cheio de normalidades eu não poderia esperar mais nada. Estava visivelmente impressionada e ouvi quando o senhor de idade começou a rir e aplaudiu dizendo que aquela era a varinha perfeita. Estava tão absorta com aquilo que mal prestei atenção nas outras coisas que ele foi falando, tive até mesmo que ter a atenção sendo chamada quando foi à hora de pagar pela varinha.
Quando saí da loja não consegui achar meu pai por ali, mas pude notar que a movimentação do Beco já era menor e ver algumas pessoas estranhas começarem a rondar o lugar com algumas me olhando torto. Se eu não tivesse tão no mundo da lua, teria percebido os quatro vultos encapuzados que me observavam das sombras analisando todos os meus movimentos. Ficara certa de 10 desconfortáveis minutos a espera de meu pai até ele reaparecer.
- Você demorou! – Acusei com meu melhor olhar inquisidor enquanto ele apenas parecia pálido e sorria torto para mim.
- É fácil se perder por aqui com essas pessoas estranhas andando pelas ruas há essa hora – Ouvi meu pai tentar explicar e apenas balancei a cabeça concordando.
Sabia que ele não se reveria aos bruxos que havíamos visto o dia todo pelo lugar e sim aqueles novos e estranhos que caminhava o tempo todo por ali. Com um ultimo olhar cúmplice me juntei ao meu pai em uma rápida caminhada para fora do lugar. Não queria que um grupo de pessoas estranhas estragasse aquele dia tão perfeito.
Eu havia descoberto um mundo novo! Um mundo especial e escondido da maioria das pessoas, um mundo cheio de mistérios e novidades. Um mundo ao qual agora eu poderia chamar de meu! E tento em vista que ainda não havia conseguido superar totalmente a perca de minha namorada - por mais ridículo que pudesse soar isso pela minha idade - eu precisava mesmo urgentemente de uma nova distração.
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N/A: Quanto tempo não meninas? Pois é custei a atualizar aqui... Explico isso com vida off agitada e meu apego infinito a RPG's de HP. Rescentemente ocupei um cargo de ADM em um e acabei mergulhando de cabeça em tramas e etc e esquecendo de atualizar a fic.
Esse capitulo em particular não é algo realmente muito "chamativo", mas achei que gostariam de saber mais sobre a ida de Hermione ao Beco Diagonal. Pretendo atualizar o proximo capitulo essa semana mesmo aproveitando que estou mais "inspirada" e posso corrigir algumas coisas mais rápido. Dessa vez eu realmente pretendo cumprir a promessa juro kkkkkkkkk
Bjinhos meninas <3