Olá Thaiana, tudo bem???? valeu pelo comentário.... esses dois realmente se amam e sabem disso, mas ainda assim dificultam tanto as coisas... coisas faceis viram completas tempestades.... mas vamos ver no que da neh... bjusss
Capítulo 14 – Alguns minutos, alguns toques
- Estou com fome – Disse Rony depois de algumas horas – Vamos lá comer?
- Lá onde? - Perguntou Harry
- Na velha do carrinho, ela fica lá no começo do trem.
Harry, Rony e Gina foram atrás da mulher prometendo trazerem uns doces para Hermione. A grifinória levantou-se e foi até a porta vendo seus amigos se distanciarem, ela não tinha a menor vontade de sair daquela cabine.
Ela suspirou e fechou a porta e as cortinas, logo que trancou a porta impedindo que alguém entrasse naquele momento, ela sentiu ele atrás de si e suas mãos em sua cintura apertando-a levemente.
- Está me provocando senhorita? Não sabe com quem está se metendo.
- Eu – Foi mais para trás encostando-se inteira no corpo dele – Não estou provocando ninguém.
Hermione conseguiu ouvir um mínimo e silencioso gemido quando se encostou nele e sorriu vitoriosa, ainda sorrindo ela se virou sem desgrudar do corpo dele.
- Granger, Granger. Não provoque um homem como eu, não depois do que...
Ele se calou, os olhos castanhos dela tornaram-se verde, seus cabelos volumosos estavam lisos e vermelhos. Lily. A dor começava a aumentar dentro de si, estava ali, no trem de Hogwarts, com o corpo colado ao dela, suas mãos apertando sua cintura, ele não deveria fazer isso, mas precisava, necessitava tocá-la, vê-la. Ele soltou a respiração que estava segurando sem nem perceber e olhou para ela, novamente aquele maldito sentimento de abandono o dominava.
Os olhos dela voltaram a ser castanho, os cabelos volumosos. Hermione. Abandono da mesma forma, brincadeira com a mesma música, o mesmo coração.
Será que ter sofrido uma única vez não bastava?
Ter sentido no coração a falta de uma mulher já não era demais, tinha que sentir agora a falta de mais uma grifinória?
Aquilo doía, talvez mais que qualquer tortura que já tivesse sentido. Estar assim, colado nela, sentir seu perfume, ver seus olhos, sentir sua pele, ouvir sua respiração, sua voz e ainda assim estar tão longe a ponto de não conseguir enxergá-la.
Aquilo doía
E Hermione viu nos olhos dele. Depois do que? Ela iria perguntar, mas a pergunta morreu, pois já sabia a resposta.
- Acho que desculpas não são o suficiente.
- Não precisa pedir desculpas por nada senhorita Granger, basta que me faça um favor.
- Qual?
- Seja feliz... com ele
As palavras saíram rasgando sua garganta, mas se a felicidade dela era com outro, o que poderia um professor de poções fazer? Matá-lo, sim poderia, mas do que adiantaria se o sentimento dela iria com ele para o tumulo?
Snape levou suas mãos até o rosto dela e aproximou-se. Hermione podia sentir o hálito dele, estava a milímetros de seus lábios, era só se aproximar mais, mas igualmente rápido ele se afastou das mãos dela, agarradas em seu casaco e sentou-se no mesmo lugar olhando para fora. Hermione aguardou alguns segundos e destrancou a porta caminhando-se até a frente dele, ele fechou os olhos e não a olhou, nem mesmo quando ela colocou seu cabelo negro atrás de sua orelha e se debruçou beijando demoradamente seus lábios em um beijo casto antes de sussurrar em seu ouvido.
- Desculpa
Snape apenas permaneceu de olhos fechados e concentrou-se em respirar, ele só precisava respirar enquanto ela se sentava ao lado dele tocando em sua mão, entrelaçando seus dedos aos dele, sentindo-o apertar levemente sua mão não querendo largar. Hermione encostou sua cabeça no braço dele e fechou os olhos sentindo o perfume natural de Snape e sua respiração cada vez mais alterada, só se afastou quando Harry, Gina e Rony voltaram com comida, Snape dispensou as guloseimas que só faria mal ao seu estomago e continuou olhando para fora vendo o céu escurecer enquanto pensava no toque dos lábios dela. Depois de mais algumas horas o expresso de Hogwarts parou e todos partiram para a escola em carruagens puxadas por testrálios que agora muitos conseguiam ver. Snape lamentava esse fato.
O castelo estava lindo como sempre com suas luzes em todas as janelas, imenso e magnífico. Os alunos deixaram as malas na entrada e foram para seus dormitórios descansar enquanto a festa de iniciação não começava. Os passos de Hermione eram lentos enquanto subia a escada sendo observada pelos olhos negros de Snape parado na entrada do castelo. Ela olhou para trás e mais uma vez sentiu o peso dele. O tom amargurado na voz dele quando pediu que ela fosse feliz a acompanhava por todo o caminho. Quando chegou no quarto deitou-se na cama e sem nem perceber, chorou.
Silenciosamente
Dolorosamente.
A hora passou rápido e logo os alunos desceram para a festa de iniciação do ano. Cada um sentou-se em sua mesa, os professores estavam em suas cadeiras e Snape já estava com sua carranca habitual. Claro que Hermione sabia que aquela carranca era apenas fachada. Talvez somente ela conhecesse os sorrisos belos que ele podia dar, ou mesmo o quanto ele poderia ser terno em suas caricias, pois foi somente à ela que ele mostrou esse lado.
Hermione ainda estava na porta do salão, mas logo entrou acompanhada de Rony e Harry, todos se levantaram aplaudindo-os e gritando seus nomes. Eles eram os heróis. Após muita bagunça o diretor conseguiu fazê-los ficar em silêncio e começou a seleção dos novos alunos. Como sempre o chapéu seletor cantou uma canção, dessa vez ele dizia que a união havia, no fim, feito a diferença e que todos deveriam deixar suas mentes abertas para novas amizades e vínculos. Parecia que somente Hermione percebera o citar que mesmo em tempos de alegria e paz, os olhos deveriam estar abertos e atentos. Somente ela e Snape sabiam que aquela citação não era a toa. Snape sabia bem mais.
- Boa noite crianças – Disse Dumbledore levantando-se - Sejam bem vindos. Mais um ano juntos para os mais velhos e o primeiro de muitos para os mais novos. Viemos de um tempo negro que clareou. A guerra acabou.
Os olhos de Snape postaram-se em Hermione, uma tensão passou por sua espinha ao vê-la o encarando também. Quase sem fazer movimento algum ele olhou para o diretor e seu sorriso mais belo dizendo que a guerra chegara finalmente ao final, a paz reinaria. Suspirou fundo, pesado. Não contara, mas contaria, essa noite.
- Lord Voldemort morreu – Disse a voz alegre do diretor.
No meio de aplausos e vivas somente Hermione percebera, somente ela olhava para ele para conseguir ver, sentir na própria pele até, que a marca queimava no braço de Snape, braço que ele esfregava com a mão direita sem nem ao menos prestar atenção à isso. Seus olhos passaram do braço para os olhos que o encaravam, ela não baixou o olhar.
Ele sentiu dor, em intensidade grande, como se somente de se falar no nome dele fizesse que seu braço ardesse em chamas e depois esfriou, a dor passou, os olhos dela eram ternura, preocupação, pura e inocente.
- Finalmente – Continuou o diretor – Podemos viver em um mundo de paz e amor. Claro que tal fato não poderia acontecer sem que tivessem feito algo. Por isso peço que todos levantem e dêem uma salva de palmas para Harry Potter.
Haviam tantas vivas, tanta gritaria em um único lugar que o diretor pensou que o castelo desmoronaria diante do entusiasmo dos alunos, mas para Hermione e Snape o salão estava silencioso e vazio, nem ao menos fantasmas existiam para eles. Permaneciam no jogo de olhares sem que ninguém percebesse e depois de muito tentar o diretor continuou a falar, mas eles continuaram a não escutar.
- Mas um único homem não pode mudar o rumo da historia. Ele precisa de alicerce, alicerce que o sustenta e sem a qual ele cairia. Amigos que o consola nos momentos em que tudo parece terminado, em que o fim parece perto, aqueles que mostram o amor que sentem no coração, que não o abandonaram nem mesmo nos momentos mais difíceis que existiram. Que sacrificaram o convívio de suas famílias deixando tudo para trás para estarem ao lado dele. Uma salva de palmas para Hermione Granger e Ronald Weasley.
Mais palmas, todos os cumprimentaram, mas somente o pequeno sorriso de canto e a singela palma de Snape eram importantes para Hermione, como se nada no mundo fosse mais valioso.
- Agora dêem uma salva de palmas para os amigos, guerreiros e corajosos alunos de Hogwarts, amigos de Harry Potter que no momento mais difícil não lhes deu as costas, que lutaram dando suas vidas para que a vida dele estivesse salva e que conseguisse fazer o que era destinado a fazer. Palmas a vocês.
Até mesmo os sonserinos gritavam vivas felizes de terem se livrado do compromisso de seguir o destino da família, seguir o Lord das Trevas.
- Muito obrigado.
Só isso? Pensava Hermione que não ouvia nada, mas estava atenta a qualquer menção do nome dele. Nada.
- Espere! – Ela gritou, seus olhos nele – O senhor esqueceu da pessoa mais importante.
Snape ficou apreensivo em sua cadeira, mas não demonstrou tal reação. Ele sabia que Harry havia mostrado suas lembranças, todos no mundo bruxo conheciam a história dele, até suas brigas com os marotos. Tal artifício fora usado para livrá-lo de Azkaban e mostrar todo o plano de Dumbledore quanto a sua morte.
Ela andou graciosamente até a frente da mesa dos professores, os olhos dele estavam enfeitiçando a menina, ela não o deixava, estava ali grudada nele, seus olhos praticamente o comendo vivo. Sua mão fina pegou uma taça de vinho na frente da professora McGonaggal e andou até ele, parando na sua frente. Os olhos de Snape estavam duros feito pedras nos olhos dela, suas mãos fechadas em punho.
Tensão
Era a reação que Snape teve ao ver os olhos dela, famintos à sua frente. Sua mão segurando o copo de vinho. Convidativa, chamativa. Ela então se virou para os alunos e falou alto, mas em um tom mágico que encantava os ouvidos de todos.
- Sem ele nada seria possível. Ele lutou durante anos de sua vida por uma causa boa. Sofreu nas mãos dos Marotos em sua época de escola, apenas por ser um sonserino, mas mesmo assim não desistiu de ajudar, de proteger o filho de James Potter.
Snape sentia uma certa humilhação quando todos olharam para ele, odiava ser alvo de chacota publica o que Hermione estava fazendo era exatamente isso. Ele a olhou com ódio, como ela pudera fazer isso a ele?
- Ele que viveu anos ao lado do inimigo sem cair – Mas ao contrário do que Snape pensava, as intenções de Hermione não eram essas, ela não queria humilhação, ela sentia dentro de si que se não desse o mérito que ele merecia, ela sofreria – Ele que lutou bravamente anos após anos impedindo que algo acontecesse a Harry Potter. Ele que nunca pediu ajuda a ninguém, que fez tudo sozinho e na surdina. Ele que fora odiado por todos, inclusive eu e o eleito, sendo que foi ele quem mais o ajudou. Ele que só teve a confiança do diretor e ele que foi o mais corajoso. Nem mesmo Harry Potter, grifinório, poderoso, o menino que derrotou o Lord das Trevas tem a coragem que esse sonserino teve. Eu saúdo Severus Snape – Levantou a taça olhando para ele, ele queria fuzilá-la por isso, mas não conseguia mais sentir ódio dela, ela era linda demais – O maior guerreiro desta guerra. Todos devemos nossas vidas à ele – Baixou a voz, como se quisesse que somente ele ouvisse seu sussurro – Eu devo minha vida à ele - Levou seu copo à boca e tomou um longo gole de vinho deixando seus lábios vermelhos e chamativos.
- Eu não escolheria palavras melhores senhorita Granger – Disse Dumbledore sorrindo
O diretor a seguiu no brinde e bateu palmas em seguida. Se Hermione esperava que todos fossem gritar vivas e desmoronar a escola com sua comemoração ela se decepcionaria, pois apenas a mesa da sonserina gritou enquanto os outros tomavam silenciosamente seus copos com suco de abóbora a mando do diretor.
Ela não queria vivas, nem gritos, nem nada, ela só queria mostrar à ele, de uma maneira exposta que estava grata por tudo e dar à ele os devidos créditos pela vitória contra o Lord.
- Agora – Disse o diretor – Vamos ao banquete