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1. Maçã Mágica


Fic: Maçã Mágica - Femmeslash


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Uma coisa que sempre soube desde pequena era que seria precoce.


 


            Era simples.


 


            No dia em que completara cinco anos ganhara de presente uma vassoura de brinquedo. Dessas que não saem sequer um metro do chão.


 


            Ficou tão entusiasmada com a ideia de poder voar e se sentir livre que roubou a Comet 180 de seu pai...


 


            Dois anos depois, um primo um ano mais novo (que não obtinha poderes mágicos, o menino era filho do irmão trouxa de seu pai) fora visitá-la.


 


            Sua mãe deixou de aviso prévio e bem esclarecido que ela se comportasse e não assustasse o pobre menino que não fazia a menor ideia de que bruxos existiam na face da Terra.


 


            Bom, se não assustar o menino significava transformar os próprios olhos em olhos de tartaruga e endurecer os cabelos como espinhos de um porquinho da índia... ela conseguiu.


 


            O menino precisou de um bom obliviate.


 


            Ela permaneceu de castigo por pelo menos sete horas no sótão. Seu pai furioso explicou que cada hora representava um ano de sua idade... Anos de travessuras inexplicáveis.


 


            Depois de tirar toda a poeira dos livros e decorar quase todos os nomes das ervas existentes em Plantas medicinais milagrosas, ela finalmente teve permissão para deixar o lugar. Pena que ao descer as firmes escadas tropeçou em um taco solto no 4º degrau e rolou escada abaixo, assim quebrando pela primeira vez seu braço esquerdo.


 


            Ela precisou passar um dia inteiro no St. Mungus enquanto seu osso fraturado era reconstituído.


 


            A segunda vez que quebrara o braço esquerdo fora na festinha de seu 9º aniversário. Em compensação sua mãe conseguiu que ela permanecesse sendo curada em casa.


 


            Uma menininha da mesma idade e bruxa também havia acabado de se mudar para a casa ao lado. Ela não a conhecia muito bem, mas uns dias antes tinham brincado com alguns caldeirões em seu quintal, então Tonks a convidara para sua festa.


 


            A garotinha que se chamava Andy Jenkins visitou naquele dia mais tarde a nova amiga, que não podia sair da cama.


 


            Era ali que sua vida sentimental se tornava precoce.


 


            Andy levara de presente para ela uma enorme torta de maçã. E só tinha uma coisa na vida que Tonks amava mais que torta de maçã.


 


Liberdade.


 


            Pois de alguma forma, naquela visita, Andy mostrou a ela que poderia ser uma porta extremamente segura para sua liberdade emocional, e assim, juntas, comeram a torta de maçã.


 


            Depois de alguns dias já tinham se tornado melhores e grandes amigas.


 


            Tonks quase sempre almoçava na casa de Andy, e Andy por sua vez jantava todas as noites com Ted, Andrômeda e Ninfadora.


 


            Brincavam todos os dias com a terra fofa do quintal de ambas, e em uma tarde resolveram construir um túnel subterrâneo para uma base secreta que nomearam de “Maçã Mágica”.


            Andy tinha uma adoração inenarrável por Tonks. E depois de construída a confortável base subterrânea das duas, passavam as tardes descobrindo novas coisas.


 


            Certo dia a metamorfomaga resolveu se transformar quase inteira em um menino. E por total curiosidade elas se beijaram.


 


            Aquela ideia de certa forma foi muito bem recebida pelas meninas, que continuaram fazendo o mesmo a cada dia. Era o segredo delas. Um segredo puro.


 


            Uma tarde não muito distante dos primeiros beijos que trocaram, Andy resolvera que não era justo só Tonks estar beijando uma menina. E exigiu que naquele dia a garota continuasse com a aparência normal.


 


            Elas experimentavam os sabores mais diferentes e singulares a cada vinte e quatro horas juntas. Aos poucos. E cada vez mais não conseguiam se desgrudar.


 


            Três dias antes de Tonks completar dez anos houve uma discursão na casa de Andy. Os três Tonks na sala de jantar quase podiam ouvir os gritos.


 


            No dia seguinte os Jenkins se mudaram. Nem se quer se despediram, nem se quer... A inocência de Tonks talvez não tivesse permitido deixá-la ver que aquele afastamento tinha sido premeditado e forçado.


 


            Aquele ano se passou um pouco arrastado, e quando finalmente entrou para Hogwarts pensou que veria novamente a melhor amiga.


 


            Infelizmente aquilo não aconteceu.


 


            Tonks superou aos poucos e começou sua nova vida.


 


            As surpresas e descobertas nunca pararam, nunca foram suficientes para ela.


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


            - Ninfadora, acorde! – disse a voz irritante de Moody que sempre ousava lhe acordar. – Temos reunião.


 


            - Ok, ok! – levantou-se atordoada e correu em direção ao banheiro.


 


            Enquanto lavava seu rosto sentiu algo cair em seu cabelo espetado e roxo. Era uma teia de aranha.


 


 


            - Vocês ainda não limparam aquele banheiro no segundo andar? – perguntou à Sra. Weasley e a Sirius quando adentrou a cozinha.


 


            - Ah Tonks, você sabe, ainda não tive tempo... – respondeu Sirius irônico.


 


            - Se quiser ajuda eu estou à disposição! – informou Tonks sorridente.


 


            - Não precisa querida, Hermione estará chegando hoje a tarde, ela e Gina podem fazer isso – se apressou a dizer a Sra. Weasley.


 


            - Hermione quem é? – perguntou Tonks curiosa como só ela era capaz de ser.


 


            - Vamos começar logo – Snape entrou pela porta da cozinha apressado. Sirius revirou os olhos.


 


            Dumbledore não estava lá daquela vez. Mas o restante de toda a Ordem se encontrava no local.


 


            A reunião durou cerca de duas horas. Quando finalmente terminou, Snape e quase todos da sociedade se foram.


 


            A Sra. Weasley ficou preparando o almoço enquanto Gina e Tonks a ajudavam. Ao menos Tonks tentava ajudar, mas a Sra. Weasley definitivamente não parecia querer muito a intromissão da metamorfomaga.


 


            Uns minutos e o almoço estava pronto.


 


- Hoje você vai estar de olho no bairro do Harry não é? – perguntou Rony enquanto colocava um enorme pedaço de carne na boca.


 


            - Vou sim – respondeu. – À noite. Tenho que estar no ministério agora à tarde, então minha ronda será noturna.


 


            Gina a observou com atenção.


 


            - Dê uma olhada nele por mim? – pediu Rony mastigando ferozmente. – Quero saber se ele está bem...


 


            - É claro que ele está Rony – disse Gina em tom de desaprovação.


 


            - Eu daria Rony, mas não estarei perto da casa dele – adiantou-se Tonks. – Quem costuma ficar de olho em Harry é o Mudungo...


 


            - Mas eu nunca consigo falar direito com Mudungo – reclamou Rony olhando rápido para a Sra. Weasley que fazia algo na pia. – Mamãe sempre está de olho para que não conversemos com ele... – continuou um pouco mais baixo.


 


            - É verdade, quando ele não está pelos cantos dormindo, mamãe sempre está atenta – confirmou Gina.


 


            - Hum... – ponderou Tonks. – O jeito é você achar uma brecha, não posso me aproximar do Harry... Vou acabar chamando a atenção...


 


            - Ok Tonks – disse Gina simpática. – O Rony vai achar uma brecha, sabemos das suas obrigações – terminou lançando a Rony um olhar que o reprovava.


 


 


           


 


O dia se passou tranquilamente, e quando a noite chegara, Tonks se dirigira à Little Whinging.


 


            Assim que a manhã subiu, a metamorfomaga voltara ao Largo Grimmauld.


 


            Foi direto à cozinha tomar um copo de suco de abóbora. Ainda era muito cedo, mas o Sr. Weasley e Gui já estavam de pé e saindo para o trabalho.


 


            Tonks permaneceu sentada sozinha na cozinha escura e levemente empoeirada. Viu monstro passar resmungando algo.


 


            Seus olhos deviam estar bem pequenos e quase remelentos... estava morrendo de sono.


 


            Resolveu apoiar a cabeça na mesa. Fechou os olhos e a imagem de uma enorme torta de maçã lhe veio à mente. Seu estomago roncou.


 


            - Olá...


 


            Ela levantou o rosto rapidamente, seu pescoço estalou.


 


            - Ai – disse levando a mão ao pescoço enquanto mirava a imagem da jovem menina de cabelos castanhos bem rebeldes. – Oi... – indagou com um sorriso sem graça.


 


            - Tudo bem com seu pescoço? – perguntou a menina se aproximando e também sorrindo.


 


            - Tudo sim, foi só um mal jeito!


 


            - Posso ajudar se quiser – disse se sentando.


 


            - Ah, nem está doendo... – Tonks a olhou melhor. – Quem é você?


 


            - Hermione.


 


            - Claro! – E a abraçou ali, sentada mesmo. – Prazer Hermione, eu sou a Tonks – se apresentou já de volta ao lugar.


 


            - É... Já me disseram quem era você... e que estaria na ronda noturna em Little Whinging...


 


            - Sim, eu estava.


 


            - Ele está bem? – perguntou Hermione apreensiva. – Eu cheguei aqui ontem a tarde... meus pais me fizeram passar a primeira semana de férias em casa, só comecei a ter noticias concretas ontem... e Rony não soube me dizer nada sobre o Harry – ela falava um pouco apressado.


 


            - Está tudo bem – tentou acalmá-la Tonks. – Nenhum comensal ou coisa parecida se atreveu a aparecer pelas redondezas.


 


            - Ele deve estar louco de ansiedade e preocupação... Não podemos mandar cartas a ele... Dumbledore pediu...


 


            - Fiquei sabendo. – Tonks tomou mais uns goles do suco de abóbora e se serviu de um pedaço do bolo que estava em cima da mesa. Hermione a observou. – Quer? Pode pegar.


 


            - Não estou com fome.


 


            - Gosta de torta de maçã?


 


            Hermione a olhou curiosa.


 


            - Não sei... nunca provei.


 


            - O que? – perguntou Tonks quase cuspindo o bolo que estava em sua boca.


 


            Hermione riu.


 


            - Nunca provei... – repetiu.


 


            - Nossa! – exclamou Tonks se levantando prontamente da mesa. – Pois eu vou fazer uma agora mesmo para você provar.


 


            - Que isso... Não precisa! – disse Hermione acenando com as mãos.


 


            - É sério, uma amiga que tive, que parece muito com você inclusive, fazia uma torta de maçã incrível – Tonks falava enquanto já começava a pegar os ingredientes e a ordená-los com um aceno de varinha a se misturarem. – Nunca fui muito boa com esses feitiços domésticos, mas vai dar certo – terminou de falar se apoiando no armário enquanto os ingredientes se mechiam sozinhos em uma grande bacia.


 


            - Tudo bem então – concordou Hermione sorrindo. – Já que você insiste.


 


            Elas se fitaram por um tempo mais prolongado.


 


            Tonks percebeu o olhar distante da menina e como era bonito o jeito que ela se sentava.


 


            - Parece preocupada... – comentou a metamorfomaga.


 


            Hermione a encarou melhor.


 


            - E estou... qualquer um está... não é?


 


            - É... Tem razão – concordou virando-se até o armário e pegando uma pequena forma de alumínio. Com mais um aceno de varinha o conteúdo já preparado da bacia estava completamente posto à forma. – Agora esperamos assar uns minutos e ela estará pronta – concluiu se sentando ao lado de Hermione novamente. Tomou mais um gole de seu suco de abóbora.


 


            - Você deve estar com sono – disse a menina de cabelos rebeldes.


 


            Tonks a mirou surpresa.


 


            - Agora que você disse, é verdade – indagou a metamorfomaga com ar de curiosidade.


 


            - O que?


 


            - Eu estava com sono...


 


            Hermione riu fracamente.


 


            - Esqueceu que estava com sono? – perguntou a garota, divertida.


 


            - Sim, veja – disse apontando para o próprio cabelo, que estava roxo como de costume.


 


            - O que tem seu cabelo?


 


            - Quando estou com muito sono ele fica automaticamente verde claro...


 


            Hermione arregalou levemente os olhos.


 


            - E quando estou nervosa ao extremo fica amarelo-vivo.


 


            Agora eles estavam quase soltando da órbita...


 


- Metamorfomaga – respondeu à pergunta muda de Hermione.


 


            - Uau!


 


            Tonks sorriu.


 


            - Você nasceu assim? Isso é muito raro! – exclamou uma radiante Hermione.


 


            - Sim, nasci assim – sorriu mais.


 


            - Muda para eu ver?


 


            - O que quer que eu mude?


 


            - Qualquer coisa! Eu nunca conheci um metamorfo!


 


            - Ok. – Tonks espremeu os olhos com força e seu cabelo cresceu alguns centímetros tornando-se negro.


 


            Hermione arregalou mais os olhos.


 


            - Merlin! – exclamou maravilhada.


 


            Quando Tonks voltou a fitá-la seus olhos já não eram negros e cintilantes, e sim cor de mel bem vivo.


 


            - O que achou? – perguntou sorrindo.


 


            - Extraordinário, muito extraordinário... – A garota parecia ter ficado sem palavras.


 


            - Como fico melhor?


 


            - Não sei... - teve a impressão de ver Hermione enrubescer. – Gostei das duas formas... mas nada como sermos nós mesmos.


 


            - É claro...


 


            Pressionou mais uma vez os olhos e voltou ao normal.


 


            - Nunca tinha visto ninguém de cabelo roxo... acho...


 


            - Então é uma honra ser a primeira.


 


            A torta já cheirava deliciosamente.


 


            - Parece que vai ficar boa – comentou Hermione.


 


            - Espero que fique, não quero fazer feio.


 


            As duas sorriram.


 


            - O que você faz na Ordem? – perguntou uma curiosa Hermione.


 


            - Basicamente faço vigias, me informo no ministério...


 


            - Você é uma auror mesmo?


 


            - Sim! Como sabe?


 


            - Rony me contou... ele acha bem legal... – Pausa. - Você deve ter estudado muito para conseguir...


 


            - É, foi preciso – confirmou sorrindo. – Mas eu sou bem novata.


 


            - Eu ainda não sei o que vou fazer, mas tenho algumas ideias...


 


            - Quantos anos você tem?


 


            - Quinze.


 


            - Tem que decidir logo, os Nom’s estão chegando não é?


 


            - É, tenho pensado e já me preparado bastante.


 


            Tonks se levantou e retirou a torta do forno. A levou até a mesa, um aroma magnífico entorpeceu as narinas das duas.


 


            - Nossa, cheira muito bem – disse Hermione enquanto se debruçava na mesa para contemplar melhor a torta.


 


            - Vamos, o primeiro pedaço é seu – informou já cortando uma parte da torta e a estendendo para Hermione. Em seguida cortou para si.


 


            As duas provaram ao mesmo tempo.


 


            Hermione pareceu atingir as nuvens e Tonks se manteve radiante com a grande conquista. Nunca tinha conseguido fazer uma torta com sabor tão especial quanto àquela.


 


            - Mas o que está havendo aqui? – a voz da Sra. Weasley invadiu a cozinha.


 


            - Ah, bom dia Sra. Weasley! – Tonks se levantou rapidamente dando um abraço na simpática senhora.


 


            Hermione também a cumprimentou.


 


            - Fiz uma torta de maçã Sra. Weasley, prove!


 


            - Você o que?


 


            - Fiz uma torta de maçã – repetiu sorrindo feliz.


 


            O olhar da mãe de Rony recaiu sobre a mesa, ela sorriu sem graça.


 


            - Está uma delicia Sra. Weasley – informou Hermione. – Deveria mesmo provar.


 


            - Ah... bom... – ela parecia insegura – eu tenho que preparar o café... Sirius e os meninos já devem acordar... Temos muito o que fazer aqui hoje...


 


            - Não custa provar! – disse Tonks fazendo a Sra. Weasley se sentar na cadeira onde ela própria estivera minutos antes. – Um pedacinho não levará muito de seu tempo...


 


            Ela continuava insegura. Tomou um pedaço em suas mãos e mordeu quase que com uma careta. Em seguida abriu os olhos radiante.


 


            - Está deliciosa querida! – elogiou para Tonks.


 


            - Ah... agora estou satisfeita... Se a Senhora gostou, realmente ficou boa.


 


            As três comeram mais um pedaço e então a Sra Weasley começou a preparar o café da manhã.


 


            - Acho melhor você dormir um pouco querida – opinou a Sra. Weasley. – Você tem


que ir para o Ministério mais tarde, não?


 


            - Sim... depois do almoço.


 


            - Então, eu lhe chamo, pode descansar tranquila. Quim também está dormindo aqui hoje, provavelmente irá com você. – E sorriu amigável.


 


            - Certo – confirmou indo em direção à porta. – Até mais Hermione – e com um breve aceno lançou um último olhar à garota.


 


 


 


 


 


 


Tonks chegou tarde da noite do Ministério.


 


            O Largo Grimmauld estava em breu total. Todos já pareciam estar dormindo.


 


             Conseguiu não tropeçar no porta-guarda-chuvas logo à entrada da casa e se encaminhou imediatamente pelos corredores escuros até o banheiro. Não via a hora de um banho.


 


            Enquanto tirava a roupa e se divertia com as mudanças que fazia em seu corpo deixou a banheira enchendo.


 


            Distraiu-se por um momento com um corte em seu queixo. Não se lembrava de onde o tinha conseguido.


 


            A água da banheira estava quase transbordando quando ela se acomodou no lugar.


 


            A espuma cobriu todo o seu corpo e ela relaxou completamente.


 


            “Em um transe pôde deslumbrar uma figura enrolada em lençóis brancos... assim como a pureza de uns tempos atrás.


 


            Ao se aproximar percebeu que a figura representava uma menina de cabelos cacheados e muito rebeldes...


 


            Andy...?


 


            Não, não era Andy...


 


            A garota estava encolhida a um canto de um quarto muito escuro.


 


            Quando ela fitou os olhos brilhantes de Tonks, a metamorfomaga percebera um tom incomum.


 


            Perdeu o foco por um segundo. Sentiu como se algo devorasse seus pensamentos.


 


            Você...?


 


            A voz não saiu, ela se abaixou de fronte à garota.


 


            A mão gelada da menina encontrou o rosto pálido de Tonks.


 


            O que faz aqui...?


 


            A voz não saiu mais uma vez.


 


            A menina abriu os braços e o lençol quase transparente também se abriu. Ela estava sem roupa. Seu corpo quase moreno era escultural... Era realmente apenas uma menina?


 


            Tonks de alguma maneira se sentiu impulsionada e se aproximou mais da garota. Esta também a cobriu com o lençol, em um enorme abraço.


 


            Sentia a respiração dela pesada e sufocante ao pé de seu ouvido.


 


            O cheiro de seu pescoço era como água espumante...


 


            Estavam em um casulo?


 


            Tonks não se perguntou mais nada...


 


            No envolto daqueles braços se sentia extremamente acolhida, a escuridão não era ameaçadora...


 


            A quentura da respiração da menina a atingia cada vez mais... Colocou uma de suas mãos atrás do pescoço dela e desejou beijar seus lábios...”


 


            - Hermio... – suspirou alto acordando abruptamente.


 


            Engoliu grandes goles de espuma. Havia imergido na banheira.


 


            Levantou-se atordoada e rapidamente.


 


A água já transbordava àquela hora. Como podia ter adormecido?


 


Enrolou-se na toalha marrom enquanto tossia profundamente e deu-se conta de que não havia sequer pegado uma roupa em seu malão.


 


            Segurou firme as peças sujas e varinha entre os dedos.


 


Antes de sair do banheiro olhou seu rosto no espelho.


 


            “No que está pensando Tonks?” – perguntou à sua própria imagem um pouco anuviada por conta do vapor da água quente.


 


            Tentou não fazer barulho enquanto se dirigia ao segundo patamar. As escadas rangeram um pouco.


 


            Estava molhando o corredor inteiro. Se Sra. Weasley visse isso com certeza soltaria um berro não muito agradável...


 


            Ao lado da porta do quarto que costumava ocupar quando dormia no Largo Grimmauld havia outra que estava entreaberta. Lembrou-se que era o quarto de Gina.


 


            Quase imperceptivelmente não se conteve em olhar para dentro. Viu Gina coberta e adormecida... Seus olhos correram para o outro lado do quarto e encontraram o rosto de Hermione... olhos fechados, boca semi-aberta...


 


            Sentiu uma fisgada no peito e então entrou no aposento.


 


            Bem devagar se dirigiu até a cama de Hermione.


 


            Mirou bem seu semblante. Não sabia por que estava ali.


 


            Estava sendo guiada por um sonho?


 


            Aquilo fora mesmo um sonho...? Em uma certeza falha se mantinha nessa duvida.


 


            Percorreu o corpo coberto da garota e voltou a fixar-se em seu rosto... Era tão ameno e livre de incertezas... Parecia estar vivendo um sono perfeitamente seguro e saudável...


 


            Olhou ao lado da cama a mesinha de cabeceira. Havia um porta-retrato em que a foto não se mexia. Aquilo atiçou sua curiosidade.


 


            Tonks se adiantou e pegou o objeto. Olhou atentamente as figuras no retrato. Hermione estava entre um homem e uma mulher muito elegantes e sorridentes.


 


            Era interessante como um único momento poderia ser registrado em uma fotografia...


 


            De repente ouviu um ruído forte de passos no andar de baixo. Assustando-se brevemente deixou o porta-retrato estatelar-se no chão. O barulho foi um pouco estridente... Tonks emitiu um gritinho abafado e levou a mão agora desocupada à boca.


 


            Hermione abriu os olhos instantaneamente, não parecia muito assustada. De imediato encarou o semblante de Tonks.


 


            - Tonks...? – ouviu-se a voz embargada de uma Gina sonolenta.


 


            A metamorfomaga virou-se para Gina, por algum motivo precisou desviar-se do olhar de Hermione.


 


            - É... desculpe o incomodo Gina! – ela apressou-se a dizer.


 


            - Claro... mas o que houve? – A ruiva estava sentada ainda enrolada nos lençóis, sobre a cama.


 


            - Eu... – pensou em algo para dizer. – Eu... estava vindo do banho e pensei ter visto o Monstro entrar aqui...e ai... vi essa fotografia que não se mexia e fiquei curiosa – falou rapidamente apontando quase descontrolada para o retrato com vidro repartido no chão.


 


            Em seguida se abaixou e retirou a varinha do amontoado de suas roupas seguras na mão.


 


            - Reparo – pronunciou bem baixo e o vidro se reconstituiu. O pegou novamente e o repôs na mesinha de cabeceira.


 


            Ainda nervosa olhou novamente para Gina que a encarava com olhos quase arregalados.


 


            - Agora já vou... desculpe! – E foi caminhando rápido em direção à porta. Pensou em virar-se e olhar mais uma vez Hermione em sua cama, mas não estava conseguira.


 


            - Ok... boa noite então – ouviu a voz de Gina em um tom desconfiado.


 


            Antes de se retirar por completo do local, parou à porta e permaneceu ali por alguns segundos.


            Pôde ouvir a cama de Gina ranger com o movimento da garota voltando a se deitar. Virou o rosto levemente e encarou a face de Hermione, que a mirava compenetradamente. Pensou ter visto um risco em seu olhar.


 


            Tentara sorrir para a garota e seu brilho meio ofuscado pela penumbra. Também não conseguira.


 


            - Seu cabelo está amarelo-vivo... – ouviu a menina pronunciar.


 


            - Ah... – Virou-se melhor para ela, as roupas e varinha quase caindo, seguras molemente por sua mão. – Certo... vou corrigir isso... Boa noite...


 


            Fechou com cuidado a porta do quarto e entrou correndo no seu, vestiu apressadamente uma roupa seca enquanto pensamentos e turbilhões eram devorados por seu cérebro.


 


            Olhou-se brevemente no espelho fosco da porta de um velho guarda-roupa que havia no quarto. Seu cabelo ainda estava amarelo-vivo... Apertou os olhos e tentou torná-los em qualquer outra cor. Não conseguiu.


 


            “Ok” - disse a si mesma e ainda profundamente perturbada deitou-se.


 


            Fechou os olhos imaginando que o sono poderia chegar a qualquer momento.


 


            Passaram-se alguns minutos. Ela não conseguiu adormecer.


 


            Começou a tremer... Não sabia se pelo ainda nervosismo – o qual ainda não conseguia entender o porquê – ou se realmente estava esfriando.


 


            Cobriu-se com uma manta quente e confortável. Cheirava um pouco a mofo... mas ainda assim estava confortável...


 


            Tentou se concentrar em algo terrível... Em você-sabe-quem torturando alguém... Não, não obteve sucesso, isso também era demais... Era pior...


 


            Pensou em Fred e George aparatando a todo o momento e arrancando gritos da Sra. Weasley...


 


            Sorriu um pouco...


 


            Lembrou-se de três dias atrás, quando na hora do jantar após uma reunião com toda a ordem, Gui prendeu o dedo em uma travessura dos gêmeos...


 


            Lembrou-se de Gina morrendo de rir naquele momento... Lembrou-se de seus olhos espremidos cheios de lágrimas em riso... Bem diferentes de olhos quase arregalados há minutos atrás...


 


            Lembrou-se novamente de Hermione... “Seu cabelo está amarelo-vivo...”


 


            - Seu cabelo ainda está amarelo-vivo... – O pensamento tornou-se real.


 


            Tonks despertou de seus devaneios um pouco mais nervosa que antes ao se deparar com a menina em pé à porta do aposento.


 


            - Ah, olá Hermione. – Um batimento incomum se apoderava dela.


 


            - Posso entrar?


 


            - O que? – indagou sem saber o que estava falando.


 


            Hermione a fitou pensativa, com um pequeno sorriso nos lábios.


 


            - Perguntei se posso entrar.


 


            - Sim, claro! – Tentou parecer espontânea. Sentou-se na cama e fez sinal para que Hermione se sentasse ao seu lado se quisesse.


 


            Quase involuntariamente, enquanto a garota se aproximava da cama e se sentava, Tonks reparou melhor em seu corpo, apesar da escuridão, seus olhos já estavam acostumados a ela. Hermione vestia uma camisola fina e branca, não conseguiu evitar a lembrança da menina nua por baixo dos lençóis brancos... Por um segundo, amaldiçoou-se por isso.


 


            - O que está havendo? – indagou Hermione.


 


            - Como assim? – perguntou puxando a manta mais para si.


 


            - Você está nervosa, muito nervosa pelo que me disse mais cedo...


 


            - Ah, é. – Não estava conseguindo raciocinar direito. Precisava acabar com aquilo.


 


            - Quer conversar...? - Hermione recostou sua mão na mão de Tonks pousada na cama. Assustada com o toque inesperado a metamorfomaga trouxe a própria mão para si.


 


            A garota a fitou surpresa. Tonks via o desentendimento em seu olhar.


 


            - Perdão... eu estou um pouco assustada apenas... – Recolocou a mão por cima da mão da outra. Sentiu algo subir por seu estômago.


 


            - Dá para perceber... – sorriu gentil.


 


            - Acho que não tive um dia muito bom de trabalho... – mentiu.


 


            - Entendo...


 


            - Depois que cheguei aqui... tive um... pesadelo... no banheiro...


 


            - Pesadelo no banheiro?


            - É – afirmou tentando arrumar um disfarce para o fato.


 


            - Como?


 


            - Eu cochilei na banheira – riu com um fino resquício de descontração.


 


            Hermione também riu um pouco. Recostou-se na parede retirando a mão da mão de Tonks e coçando o olho.


 


            - Pode ir dormir se estiver com sono, daqui a pouco já estarei melhor com certeza!


 


            - Não, eu não estou mais com sono... e como vi que você estava nervosa pensei em vir tentar ajudar...


 


            - Obrigada mesmo... – sorriu sem graça.


 


            - Mas não parece que está melhorando... – indagou Hermione. – Continuam da mesma cor.


 


            - Eu sei, não consigo mudá-los.


 


            - Você está com frio? – perguntou. - Está tão enrolada na manta...


 


            - Sim, você não? – percorreu novamente a camisola fina da menina. – É... não parece com frio – deduziu sorrindo amarelo.


 


            - Será que você está com febre? – perguntou se adiantando a por uma mão na testa da metamorfomaga.


 


            Tonks observou seus movimentos atentamente. Não conseguiu deixar de reparar como sua camisola branca era quase transparente... assim como certos lençóis... em certas banheiras... Não pôde deixar de reparar na boca rosada semi-cerrada enquanto a garota sentia sua temperatura...


 


            - Não está – concluiu já recostada novamente na parede.


 


            - Quer saber? – disse Tonks tentando parecer animada. – Tem sempre uma coisa que faz passar meu nervosismo... quando esse tipo de eventualidade acontece comigo. Uma não, duas.


 


            - E o que é?


 


            - Não achei que seria necessário... mas já que não consigo deixar de tremer...


 


            - O que? – perguntou Hermione em tom de irritação.


 


            - Chocolate e cerveja amanteigada.


 


            - Mesmo?


 


            - Sempre funciona...


 


            - Será que temos?


 


            - Acho que sim, vou ver na cozinha – disse enquanto retirava a manta e se levantava.


 


            - Não, fique aqui coberta – a garota disse segurando o pulso de Tonks. – Eu vou.


 


            Hermione também se levantou ainda segurando o pulso da outra. Elas se encararam brevemente.


 


            Tonks ainda achava ver um risco incomum nos olhos da menina. Sentiu emanar dela um calor profundo. Sentiu vontade de abraçá-la, de ter o calor para si.


 


            A metamorfomaga sentou-se molemente na cama. Hermione caminhou em direção à porta.


 


            - Já volto!


 


            Ela recostou-se na parede enquanto via a imagem da menina desaparecer no breu do corredor.


 


            Suspirou e cobriu-se novamente.


 


            Continuava tremendo.


 


            Seus pensamentos foram invadidos pela possibilidade de conseguir o calor da menina para ela...


 


            Balançou negativamente a cabeça.


 


            “O que está havendo? Controle-se...” – indagou bem baixo e pausadamente na tentativa de fazer as palavras penetrarem sua mente.


 


            Passaram-se mais uns minutos e mais pensamentos atordoantes e incomuns lhe torturavam.


 


            - Consegui, havia chocolate e cerveja amanteigada! – anunciou Hermione sorridente ao entrar no aposento novamente.


 


            Ela estava com uma jarra grande de cerveja e vários sapos de chocolate nas mãos.


 


            - Que bom!


 


            A morena sentou-se também e assim elas começaram a comer o doce e a degustar devagar a bebida.


 


            Primeiro ficaram em silêncio por algum tempo, até que Hermione o quebrou.


 


            - Você gosta do que faz?


 


            Tonks a olhou surpresa.


 


            - Sobre o que?


 


            - Sobre ser auror... – informou como se fosse óbvio.


 


            - Claro, gosto muito mesmo.


 


            - Deve ser muito legal... Você deve ser uma mulher poderosa e de personalidade.


 


            - Ah, não é para tanto... – Riu um pouco vermelha.


 


            - Não precisa ficar sem graça, é sério.


 


            - Ok – concordou. – Mas o que me diz de você? – perguntou enquanto lambuzava os dedos de chocolate.


 


            - O que quer saber?


 


            - Provavelmente é boa nos estudos... parece...


 


            - Sim, eu gosto muito de estudar.


 


            - Mas... você nasceu trouxa...?


 


            - Nasci.


 


            - Eu deduzi por causa da fotografia... e sabe, meu pai é nascido trouxa e é muito inteligente...


 


            - Eu me esforço, gosto de ler, de me informar, essas coisas.


 


            Tonks sorriu.


 


A menina lambeu um pouco os dedos e em seguida tomou alguns goles de cerveja amanteigada.


 


A metamorfomaga contorceu o sorriso.


 


            - Devem ter alguns garotos bem interessados em você, não? – perguntou Tonks.


 


            Hermione levantou os olhos que estavam fixados em seu copo de cerveja.


 


            - Hum... não sei...


 


            - Não sabe? Como não sabe?


 


            - Nunca liguei muito para isso...


 


            - Sério?


 


            A garota balançou a cabeça afirmativamente.


 


            Silêncio.


 


            O barulho de papel de chocolate era grande. Os olhos de Tonks estreitavam-se de minuto em minuto para o lado, onde Hermione relaxava recostando-se melhor no travesseiro. Percebeu a camisola erguer-se um pouco. Amaldiçoou-se um pouco mais por isso.


 


            - Agora você parece estar mais calma mesmo – a garota disse apontando para os cabelos de Tonks. – Já estão novamente roxos.


 


            Tonks não esboçou reação, continuou divagando sozinha.


 


            - Mas já esteve com algum menino, não é? – não conseguiu segurar a pergunta que estava em sua mente. Simplesmente saiu. Manteve-se calma. Finalmente estava conseguindo se controlar...


 


            - Estive.


 


            - E como foi? – Estava sendo indiscreta?


 


            - Foi bom... Nós não tivemos muita coisa, apenas um beijo...


 


            Tonks a fixou melhor. A garota parecia rubra.


 


            - E ele foi carinhoso com você?


 


            “- Foi...


 


            - O beijo foi... excitante...? – perguntou colocando de lado a jarra de cerveja amanteigada e o resto do chocolate.


 


            Aproximou-se de Hermione.


 


            - Não sei...


 


            - Como não sabe...?


 


            - Eu deveria experimentar outro para saber o nível de excitação... – respondeu puxando mais para si a metamorfomaga pela camiseta.


 


            Tonks deitou-se vagarosamente sobre a menina, sentindo todo o desejado calor de seu corpo, teve vontade de retirar a camisola dela naquela mesma hora.


 


            As coisas estavam meio embaçadas, sentiu as mãos da menina enlaçarem suas costas por baixo de sua camiseta. Percorreu-lhe a espinha até chegar a seu pescoço. Sua respiração estava descompassada... Sentiu algo molhado...”


 


            - Levante-se rápido! – Mirou de repente a imagem de uma Hermione em pânico tentando levantá-la da cama.


 


            - O que aconteceu? – perguntou desnorteada se levantando.


 


            Olhou para cama, a jarra de cerveja amanteigada estava derramada sobre ela.


 


            Hermione estava respirando rápido. Retirou a jarra e os chocolates do colchão encharcado.


 


            - Você pareceu estar tendo algum tipo de alucinação, não sei – ela disse rápido.


 


            - Alucinação...? – Agora ela se lembrava perfeitamente.


 


            - Eu respondi sua pergunta e você não esbanjou reação nenhuma – começou a menina. – Te chamei e você não me respondeu, estava com olhos completamente distantes, mirando o nada.


 


            - Olhos distantes mirando o nada? – perguntou em tom de espanto. O que estava acontecendo com ela afinal?


 


            - Sim. Esperei um pouco, te chamei de novo, e pareceu que você ia se aproximar... Foi quando derramou a jarra na cama.


 


            - Ah... me desculpe... – estava começando a entender que realmente tivera uma alucinação.


 


            - Bom, pelo menos, você não está mais nervosa... – ela disse sorrindo. – Chocolate e cerveja amanteigada também te fazem ter alucinação? – completou sorrindo mais.


 


            - Pelo visto... – concordou sorrindo também. – Vou dar um jeito nisso.


 


            Pegou sua varinha e com um feitiço não verbal secou a cama rapidamente.


 


            - Eu disse alguma coisa além do que você me descreveu? – perguntou tentando não demonstrar preocupação enquanto retirava os restos de papéis dos sapos de chocolate da cama.


 


            - Não, só isso – respondeu displicente.


 


            - Que bom, poderia ter dito alguma besteira... não é? – indagou em tom de brincadeira.


 


            - É? – ela pareceu esbanjar um sorriso maldoso.


 


            “Minha imaginação” – Tonks pensou.


 


            - Se eu soubesse que falar do Vitor ia causar tantos estragos... – riu um pouco. – Não teria falado...


 


            - Vitor? – perguntou desinformada a metamorfomaga.


 


            - Sim... eu respondi que o beijo do Vitor foi bem carinhoso.


 


            - Ah, claro! O beijo do Vitor... Ainda bem que foi carinhoso, Hermione.


 


            Elas se encararam.


 


            - Eu vou levar essas coisas para cozinha e depois vou dormir... – disse a menina.


 


            - Certo.


 


            - Você pode me ensinar a praticar feitiços não verbais?


 


            - Você quer?


 


            - Igual ao que fez agora com a cama.


 


            - Hum... Eu não sei... Talvez...


 


            - Ficaria feliz se tentasse – ela sorriu com os olhos. – Poderia me dar umas dicas sobre os Nom’s também...


 


            - Ok, veremos então – disse decidida. – Amanhã sairei cedo para o ministério e farei uma ronda noturna... mas entre o fim da tarde e inicio da noite estarei aqui. – Pensou um pouco. – Provavelmente depois da ronda não voltarei, ficarei alguns dias indo para casa e só vindo para as reuniões... Então podemos tentar algo amanhã nesse horário... Pode ser?


 


            - Pode – respondeu Hermione satisfeita. Deu um beijo no rosto da outra e foi saindo.


 


            Tonks ficou sem ação, apenas encarando por alguns segundos.


 


            - Boa noite – disse baixo.


 


            - Boa noite – ouviu a voz da morena em resposta. Olhou na direção da porta, ela ainda estava lá parada.


 


            A garota sorriu mais uma vez e se foi.


 


            Naquele momento ela se sentia quente. Bem diferente de alguns momentos atrás.


 


            Deitou-se calmamente na cama e ficou mirando o teto.


 


            O nervosismo agora estava bem distante dali. Ela fechou os olhos e lembrou-se do risco no olhar oposto. Do sorriso carinhoso, da forma bonita de se sentar, de se portar, de conversar...


 


            Adormeceu sem se dar conta.


 


 


 


 


 


            Como se isso fosse possível, acordou no dia seguinte feliz e melancólica ao mesmo tempo.


 


            Uma pontada de disposição a atingia. Tomou um café rápido e saiu para o trabalho.


 


            Foi um dia corrido e agitado. Sua cabeça por muito tempo se deteve ocupada.


 


E apesar disso em determinados momentos de distração se pegava imaginando como poderia impressionar Hermione com seus feitiços...


 


            Tentou diversas vezes afastar tais pensamentos, não obtendo muito sucesso.


 


            Quando chegou ao Largo Grimmauld a noite estava quase caindo.


 


            Sra. Weasley, Gina, Rony, Hermione, Sirius, Fred e George estavam na cozinha devorando alguns sanduíches. Todos estavam bem empoeirados e pareciam exaustos.


 


            - E ai galera, beleza? – perguntou animada quando entrou no aposento.


 


            - E ai Tonks! – cumprimentaram os gêmeos.


 


            Rony e Gina apenas acenaram brevemente. Não estavam com uma expressão muito feliz.


 


            - Como foi no Ministério querida?


 


            - Tudo como sempre, um pouco corrido hoje – levou seu olhar até Hermione.


 


            - Oi – a menina disse percebendo que a metamorfomaga a encarara.


 


            - Oi... – respondeu Tonks de volta.


 


            - Coma querida, enquanto ainda tem.


 


            - Claro, estou com bastante fome! – disse se sentando ao lado de Rony, já pegando um razoável sanduíche. – E como foi por aqui?


 


            - Bem aproveitável... – disse Sirius, como sempre irônico e em tom infeliz.


 


            - Ora Sirius, não deveria reclamar, estamos todos seguros aqui – enfatizou a Sra Weasley.


 


            - Não deveria reclamar Molly? – levantou-se Sirius rápido. – Me sinto um inútil... – E saiu apressado pela porta da cozinha.


 


            A Sra. Weasley se adiantou até a porta da cozinha.


 


            - Aonde vai? – conseguiu pronunciar antes que ele desaparecesse através da escada.


 


            - Dar comida ao Bicuço! O que mais eu poderia fazer? – gritou em tom muito irritado.


 


            Todos olhavam um pouco atônitos, a Sra. Weasley voltou-se para a pia.


 


            - Ele não entende... – resmungou mais para si mesma do que para os outros ali.


 


            - Ainda está de pé? – perguntou Hermione de repente à Tonks.


 


            Tonks a olhou sorrindo.


 


            - Sim, está! – disse animada.


 


            - O que está de pé? – Gina que estava sentada ao lado de Hermione perguntou curiosa.


 


            - Hum... eu vou ensinar...


 


            - Ela vai me ensinar algumas coisas – interrompeu Hermione.


 


            - Que coisas? – insistiu a ruiva.


 


            - Coisas... Sobre os Nom’s...


 


            - Ah Hermione, você não para de pensar em estudo não? – indagou Gina um pouco zangada.


 


            - Gina, é necessário, preciso me preparar... Você também deveria Ronald! – disse em tom briguento para o ruivo à sua frente.


 


            - O que? – indagou completamente distraído.


 


            - Nada... – respondeu a morena revirando os olhos.


 


            Logo terminaram e Hermione e Tonks foram subindo juntas para o quarto da metamorfomaga.


 


            - Você se incomoda se eu tomar um banho rápido primeiro? – perguntou Hermione enquanto se dirigiam pela escada.


 


            - Não, pode ir, eu espero – concluiu sorrindo.


 


            - Ok, vai ser rápido.


 


            Ao chegar ao quarto, abriu as cortinas. Tossiu um pouco com a poeira arremessada em seu rosto.


 


            Olhou bem para o velho guarda-roupa com o espelho fosco ao canto do aposento. Em seguida mirou a parede de fronte e o criado-mudo ao lado da cama.


 


            Pegou um antigo livro em seu malão, o deixou em cima do pequeno móvel e se sentou na cama.


 


            Tentou se concentrar em assuntos do trabalho. Logo seu olhar vagou.


 


            Fitou a figura de uma cartola antiga na capa do livro. Seu olhar vagou mais uma vez.


 


            Percorreu todo o criado-mudo e notou um arranhão na parte lateral do móvel.


 


            Lembrou-se do arranhão em seu queixo na noite anterior... Lembrou-se da banheira... do calor de Hermione...


 


            Balançou a cabeça quase freneticamente pressionando as mãos fortemente nos cabelos espetados.


 


            Não podia se desesperar novamente.


 


            - Pronto, podemos começar! – Hermione chegou feliz ao quarto.


 


            Tonks a fitou assustada.


 


            - Já? – perguntou expressiva e surpresa.


 


            A morena se deteve no meio do quarto. Entre a cama e a porta de entrada.


 


            - Por que você sempre parece atordoada com alguma coisa?


 


            Sentiu algo revirar seu estômago.


 


            - Eu? – indagou querendo ganhar tempo enquanto se levantava. – É impressão sua, acredite. – Terminou forçando um sorriso.


 


            Hermione a mirou mais profundamente.


 


            - Ok então – determinou a garota.


 


            - Pensei em te ensinar um feitiço que... meio que inventei... – informou apontando para o livro velho em cima do criado-mudo. – O que acha?


 


            A garota procurou o que a metamorfomaga apontava.


 


            - Ótimo! Mas o que é?


 


            - Foi uma junção que tentei fazer entre feitiços – respondeu sacando a varinha de seu bolso e a mostrando para Hermione. – Trouxe?


 


            - Sim, está no meu bolso também.


 


            “Eu não entendo vocês!” Ouviram um berro vindo do corredor de baixo.


 


            - O que foi isso? – perguntou Tonks.


 


            “Gina, acalme-se!”


 


            - Acho que a Gina... – disse Hermione suspirando cansada.


 


            - Mas por quê?


 


            Os gritos continuavam, e fortes.


 


            - Hoje ela e Rony tiveram uma discursão muito feia e forte com a Sra. Weasley...


 


            - Mesmo?


 


            A garota balançou a cabeça afirmando.


 


            - Por qual motivo?


 


            - Eles não conseguem se conformar em não participar das reuniões... – começou. - Fred e George também não, mas levam as coisas mais na esportiva.


 


            - Entendo...


 


            - Já disse para eles tentarem se acalmar, mas parece que acordaram com o espírito da confusão hoje.


 


            - E você, está conformada em não participar das reuniões?


 


            Os gritos pareciam estar se aproximando mais.


 


            - Eu tento não é? – disse com obviedade na voz. – Queria muito poder escrever para o Harry e lamento em não deixarem, em não poder ajudar... Mas o que posso fazer se não obedecer?


 


            - E você obedece a tudo que lhe mandam? – Se amaldiçoou mais uma vez por estar fazendo aquela pergunta. Por não conseguir ficar com a mente sossegada em um único ponto.


 


            Hermione estreitou seus olhos para ela.


 


            - Provavelmente.


 


            Tonks sorriu.


 


A discussão parecia progredir e estar bem mais perto.


 


            As duas olharam para a porta fechada.


 


            - Ok. – Segurou o pulso de Hermione firme. – Vamos entrar no armário – E a puxou para o guarda-roupa antigo.


 


            - Perdão, mas o que faremos dentro de um armário? – indagou com a voz quase abafada.


 


            - Meu feitiço precisa ser feito em um lugar fechado e escuro – explicou abrindo a porta. Não havia roupas nem cabides no estreito cubículo. – Ainda bem que nós duas cabemos ai.


 


            Entrou no armário. Hermione hesitante a seguiu.


 


            Fechou as portas dando lugar à escuridão total.


 


            Amaldiçoou-se mais ainda por sentir o cheiro dela tão perto, por lembrar-se de alucinações e devaneios... Pensou como seria se tivesse mais um ali naquela mesma hora.


 


            A claridade se esgueirava para dentro do local apenas pela mínima fresta que havia entre as duas portas.


 


            Tonks observou o quarto ao lado de fora pela pequena fresta.


 


            - Está um cheiro de mofo aqui...


 


            - Está calor aqui – Tonks a cortou. Fitou seus olhos, os próprios acostumando-se ao escuro.


 


            - Sim, também – Hermione concordou enquanto passeava levemente com sua mão pelo rosto da metamorfomaga. – Você está suando.


 


            Um arrepio subiu-lhe pela nuca.


 


            - Por isso mesmo devo te mostrar logo o feitiço! – disse apressada.


 


            - Então mostre – disse Hermione enquanto também olhava por entre a pequena fresta de luz do armário. – O que você olhou lá fora?


 


            Tonks sentiu o cheiro de seus fios castanhos perfurarem suas narinas. Quase se entorpeceu.


 


            - O meu feitiço é uma mistura de Accio com Lumus... Você verá.


 


            Hermione se afastou o pouco máximo que podia e Tonks olhou novamente pelo pequeno feche de luz. Apontou a varinha e murmurou fortemente: “Amus


 


            Ao mesmo tempo em que uma pequena luz em sua varinha acendeu, o velho livro em cima do criado-mudo voou em direção ao guarda-roupa, e ao invés de ser detido pela madeira do móvel, ultrapassou magicamente a barreira indo parar seguro à mão da metamorfomaga.


 


            Sorridente, ela fitou Hermione. Agora a visão um pouco mais agradecida pela claridade da varinha.


 


            A garota a olhava com surpresa nos olhos. E havia também, novamente um risco em seu olhar.


 


            - Como fez isso? – perguntou animada.


 


            - Legal não é? – disse também animada. – Inventei em uma tarde de tédio... Mas achei que poderia ser útil. – Terminou mais sorridente.


 


            TABUM!


 


            A porta do quarto havia sido escancarada.


 


            As duas se miraram com olhos arregalados.


 


- A Tonks vai me ajudar, me apóia, eu garanto! – ouviram os gritos de Gina invadir o aposento.


 


            - Não envolva a Tonks nessa conversa Ginevra! – Agora a voz da Sra. Weasley também inundava o lugar.


 


            - COVERSA? – gritava quase descontrolada. – Que conversa? Não dá para conversar com você!


 


            - Por que você me pede coisas absurdas!


 


            Silêncio.


 


            As garotas começaram a respirar rápido, Tonks balançou a varinha e esta se apagou. Em seguida colocou um dedo na boca em sinal de silêncio para que Hermione entendesse.


 


            O que pensariam das duas se saíssem àquela hora do armário empoeirado? Não, não podia pensar nisso.


 


            - Ué, onde está a Tonks? – perguntou Gina em um tom absurdamente calmo.


 


            - Oras, eu não sei. – Sra. Weasley ainda parecia levemente alterada.


 


            - Ela deveria estar aqui com a Hermione! – O tom voltando ao habitual estresse.


 


            Tonks se adiantou a olhar pela fresta. Hermione se abaixou um pouco para que também pudesse, ao mesmo tempo em que a outra, ver a discussão das duas.


 


            - Enfim, você não tem direito de fazer isso conosco! Até Sirius anda revoltado com a Senhora!


 


            - Todos da ordem concordam que vocês não podem, não sou só eu!


 


            - Sirius não!


 


            - Sirius não conta!


 


            - Por que Sirius não conta?!


 


Os gritos ficavam cada vez mais fortes. E cada vez mais forte Hermione respirava.


 


Tonks não conseguiu deixar de olhar rapidamente para baixo e ver o rosto de Hermione a bem pouco espaço do seu, o suor descendo pelo nariz bem feito... Não conseguiu deixar de permanecer olhando por alguns segundos.


 


- Você deveria pensar mais em nós! – continuava gritando Gina.


 


            - Mas eu estou justamente pensando em vocês!


 


            Hermione levantou seu rosto. As duas se encararam a pouquíssimos centímetros de distância.


 


            Um surto de palpitação se apoderou de Tonks.


 


            Não sabia se era mais uma vez sua imaginação... mas conseguia ouvir a palpitação da morena a sua frente também...


 


            Sem pensar, com um dedo enxugou levemente a gota de suor que descia agora pelo rosto da garota.


 


            Hermione segurou a mão da outra na altura de seu rosto.


 


            Roçou suavemente seus lábios no dedo da metamorfomaga.


 


            Tonks não conseguia pensar. Os gritos haviam desaparecido.


 


            Estava tendo novamente uma alucinação? Aliás, por que estava tendo tantas alucinações? Nunca havia tido devaneios ou coisas parecidas na vida... Aquela garota a sua frente estava a enlouquecendo?


 


            Continuaram se encarando, a boca da menina ainda pousada em seu dedo. A respiração contida dela em sua pele deixava Tonks firmada cada vez mais fora de seus próprios eixos.


 


Subitamente Hermione ergueu-se bem pouco e encostou seus lábios nos pedintes lábios de Tonks.


 


            Uma sensação de onde seu estomago era arrancado pelas suas entranhas se formou por todo o seu corpo.


 


            Uma quentura irradiante, um torpor imediatamente passivo e estrutural...


 


            Sua estrutura parecia querer desmoronar sim. E a morena continuava com os lábios colados nos seus.


 


            Deixou o livro até então seguro entre os dedos cair no chão do guarda-roupa.


 


            Hermione finalmente se afastou.


 


            Não, daquela vez não fora fruto de sua imaginação.


 


            A garota se sentou rápida e vagamente no pequeno armário. Parecia meio... inconsolada... Não encarou os olhos de Tonks, tão desesperados de uma explicação. De... um algo mais...


 


            - Que barulho foi esse? – ouviu-se a voz de Gina perguntar, um pouco alterada.


 


            A metamorfomaga conseguia se sentir a pessoa mais confusa, estranha e feliz da face da Terra. Sentia-se...


 


            - Então chega Ginevra, eu não vou mais discutir com você! – Ouviu-se a Sra. Weasley saindo do quarto forçando os pés no chão. Gina a seguiu, batendo violentamente a porta.


 


            O silêncio prosseguiu como nunca.


 


            A respiração de Hermione era nitidamente forte.


 


            Tonks não conseguia pensar no que fazer. Simplesmente abriu uma das portas devagar, deixando a claridade invadir o cubículo.


 


            Hermione saiu rapidamente do lugar. Dirigiu-se até a porta fechada.


 


            - Aonde você vai? – conseguiu perguntar Tonks.


 


            - Eu não sei... – disse com uma voz triste.


 


            - Tudo bem... Eu preciso me arrumar... tenho que fazer a ronda... e... – olhou melhor para a garota. Ela estava com a mão na maçaneta e com a cabeça um pouco baixa. – Não sei quando vou voltar para cá, para dormir aqui.


 


            Hermione levantou os olhos. Tinha um risco tão distante e extremo agora...


 


            - Você não vai voltar hoje? – perguntou em um tom um pouco... desesperado?


 


            - Não, prometi a meus pais que passaria uns dias com eles... – tentou se justificar. – Você sabe, com tudo que está acontecendo não tenho ido em casa.


 


             - E não sabe mesmo quando vai voltar? – continuava com o tom levemente desesperado.


 


            - Não... Mas não devo demorar muito, é muito mais cômodo dormir aqui.


 


            - Ok...  – a garota a encarou fundo, sem medo. – Até logo então.


 


            Saiu do quarto.


 


            Junto com ela alguma coisa de Tonks se foi junto.


 


            Ela não entendia a parte do nervosismo, confusão, felicidade, tristeza. Ela ainda não entendia o que estava sentindo ou pensando.


 


             Só conseguia lembrar-se perfeitamente do momento em que seus lábios se tocaram... e... pela vontade dela, pela vontade de Hermione.


 


            Um sorriso involuntário se formou em seu rosto.


 


            Ela começou a arrumar sua mala.


 


            Perdeu muito tempo fazendo aquilo enquanto milhões de vontades se apoderavam dela. A felicidade que sentia em relembrar aquele momento era imensa.


 


            Começou a rir descontroladamente. Enquanto calçava a bota de couro.


 


            A porta se abriu rápido.


 


            - Tonks, você está aqui agora! – Era Gina.


 


            Continuou rindo descontrolada. Não conseguiu responder, apenas continuou amarrando o cadarço enrolado.


 


            - Tonks!


 


            A metamorfomaga a olhou rapidamente.


 


            - O que foi? – indagou em meio ainda às risadas.


 


            - Por que está rindo tanto, e sozinha? – Gina perguntava com olhar incrédulo. – Eu estive aqui agora a pouco com minha mãe e você não estava para me ajudar!


 


            Continuava rindo. Tentava parar, mas era inevitavelmente gostoso.


 


            - Onde estava? Está me deixando nervosa com essas risadas loucas! – exclamou meio rindo também.


 


            Tonks a mirou novamente conseguindo finalmente conter as risadas.


 


            - Fui dar uma volta Gina... – riu ainda um pouco, enquanto se voltava a terminar o outro cadarço.


 


            - Foi aonde? – indagou a ruiva como se a coisa mais improvável fosse dar uma volta.


 


            Tonks se levantou e a encarou plenamente agora. Séria.


 


            - Montanha russa. – E apontou para o próprio cabelo, que agora estava vermelho berrante. – Quando fico extremamente feliz ele fica assim.


 


            Pegou seu malão e foi passando por Gina, ainda parada à porta.


 


            - O que?


 


            - Até mais. – Deu um beijo na bochecha da menina e se foi.


 


 


 


 


 


            Os dias seguintes foram ao mesmo tempo em que conturbados, gostosos.


 


            Ela sabia que precisava ver Hermione. Ela queria e precisava desesperadamente ver Hermione.


 


            Todas as noites que teve que estar no Largo Grimmauld para as reuniões da Ordem não conseguiu topar com a garota pelo caminho... Começou a ter a sensação de que a morena fugia dela.


 


            Tinha sonhos estranhos, onde percorria uma estrada escura e nebulosa.


 


            A cada dia se sentia mais descontrolada, tentando controlar o que não deveria sentir...


 


            Aquilo a perturbava demasiadamente.


 


            Começou a sentir um medo que se estendia mais do ela própria poderia imaginar. Ele se apoderava de cada pedacinho seu, de cada pensamento seu.


 


            Era o medo de estar sentindo algo tão forte e perturbador por uma menina, por uma menina apenas... Era sufocante...


 


            Era o medo de não conseguir estar em paz consigo mesma...


 


            Era o medo de não conseguir tocar aqueles lábios novamente...


 


Era o medo de Hermione não lhe encarar nunca mais...


 


            Determinou não mais esperar.


 


            Em menos de uma semana já arrumava a mala, e se preparava para voltar a dormir na sede.


 


           


 


 


O vento soprou em seus ouvidos quando desaparatou entre o número 11 e 13 da rua com pouca claridade e sem movimento.


 


            O número doze logo surgiu.


 


            Como sempre, se desvencilhou do porta-guarda-chuvas e disparou para o quarto que normalmente ocupava.


 


            O lugar parecia um pouco mais empoeirado que o normal.


 


            Colocou a mala embaixo da cama e logo deixou o aposento novamente.


 


            A porta ao lado estava fechada. Ouviu um burburinho ao passar por ela, sentiu um enorme impulso em abri-la e dar um oi para quem quer que fosse, estivesse lá dentro.


 


            Desistiu da ideia e seguiu para a cozinha.


 


            A casa estava estranhamente quieta e mais sombria que o normal.


 


            Quando começou a abrir a pesada porta da cozinha, esta se escancarou fortemente com um baque. A cabeça fora jogada contra a parede.


 


            - Ai!- Ela tombou para o lado colocando as mãos no rosto. Olhou completamente atordoada para frente e viu Snape apoiado na porta com uma das mãos à boca e a outra segurando firme a varinha, a apontava para um Sirius de olhos arregalados e punhos cerrados.


 


            - Como você se atreve, seu imundo? – Snape dizia com desdenho. Tremia o cenho como se estivesse morrendo de raiva. Seus olhos desprendiam ódio.


 


            Sirius parecia chocado e irritado ao mesmo tempo.


 


            - Eu te daria mais mil socos se eu pudesse, Ranhoso – soletrou as palavras nitidamente aborrecido, seu corpo mostrava querer avançar mais até Snape. – Não duvide nunca de mim!


 


            - Vocês estão loucos! Pelo amor, não façam isso! – O Sr. Weasley agora corria para deter qualquer movimento que Sirius pudesse pensar em fazer.


 


            A Sra. Weasley estava parada em pé imóvel perto da pia, a boca entreaberta, completamente perplexa.


 


            Snape abaixou a varinha e limpou bem o sangue que escorria dos lábios feridos enquanto um Sr. Weasley completamente apavorado fazia Sirius se sentar contra a vontade em uma das cadeiras da mesa.


 


            Tonks passou por Snape sem o encarar e entrou no aposento inebriado de pavor e rancor.


 


            - Como é desagradável ter que olhar nesse seu rosto estúpido e incapaz Black, não se atreva a dirigir-se a mim mais uma vez – disse com a voz impassível antes de balançar a longa capa preta e se retirar.


 


            - O que houve aqui? – perguntou Tonks se sentando ao lado de Sirius.


 


            - Sirius, nunca mais repita isso! – A Sra. Weasley agora havia se aproximado da cadeira dele também. – Nunca mais sequer olhe na cara de Snape se possível... Se você não consegue se controlar, não fale, não olhe, não dê socos nele!


 


            - Você perdeu a cabeça homem! – enfatizou o Sr. Weasley.


 


            - Eu estava com a razão! Não tenho sangue de Gnomo!


 


            - Você perdeu a razão quando resolveu socá-lo Sirius! – advertiu seriamente a Sra. Weasley.


 


            - O que ele te disse? – insistiu nervosamente Tonks olhando para Sirius.


 


            - Vamos esquecer isso, é melhor não falar disso – começou mais calmo o Sr. Weasley. – Foi apenas um incidente lamentável. – Terminou afastando-se de Sirius e o encarando profundamente como se quisesse que as palavras ficassem gravassem em sua mente. 


 


- Certo, certo, sempre estão certos! – Sirius mau-humorado se levantou e saiu nervosa e rapidamente da cozinha.


 


            A Sra. Weasley começara a picar uma série de cenouras como se sua vida dependesse disso e o Sr. Weasley fitou Tonks parecendo confuso.


 


            - Não vão mesmo me dizer o que aconteceu?


 


            - Lamentável minha querida, nem tenho palavras para me expressar... dois aliados brigando desse jeito... – a Sra Weasley murmurou em seu canto.


 


            Olhou pedinte para o conturbado Sr. Weasley.


 


            - Preciso olhar uma papelada do Ministério Tonks, depois nos falamos... – Ele também se retirou.


 


             - O que, não vão...? – começou a indagar Tonks, mas desistiu da pergunta. Subiu furiosa para seu quarto.


 


 


            A noite caia pesadamente, uma chuva deixava um clima gélido e ameno pela casa.


 


            Tonks tentava desde que chegara concentrar-se em um livro.


 


            Deveria terminá-lo para poder prosseguir com assuntos no trabalho.


 


            Mas o tormento do quarto ao lado lhe vinha toda hora à cabeça.


 


            Ansiava pelo momento em que tivesse que acidentalmente esbarrar em Hermione.


 


            Ela precisava matar a expectativa, finalizar todo seu medo... Ceder ao prazer de encarar aquela menina que era tão... tão perigosamente inocente e... tão sedutora ao mesmo tempo.


            Desde a noite em que havia devaneado na banheira não conseguia esquecer-se das curvas de Hermione, de toda a sutiliza em seu olhar, em seus toques e palavras.


 


            O que significava tudo aquilo afinal?


 


            Não obtinha uma resposta, e definitivamente, precisava procurá-la.


 


 


            Mirou as horas no minúsculo relógio de pulso sobre a cabeceira.


 


            Já se passava da meia-noite.


 


            Seu estômago roncou um pouco, não havia descido para jantar.


 


            Teve medo de encontrá-la.


 


            Irônico e contraditório, queria tanto vê-la, mas o medo de não ter uma palavra amiga e um olhar carinhoso de volta era maior que tudo.


 


            Resolveu descer até a cozinha e achar algo para comer.


 


            Percebeu pela fraca luz por baixo da fresta da porta da cozinha, que havia alguém no lugar.


 


            Seu estômago se revirou imaginando a possibilidade de ser ela.


 


            Entrou bem devagar no aposento, era Sirius. Uma grande taça bem distinta com liquido preto dentro e duas garrafas bem compostas à sua frente. Os olhos cerrados, não sabia se na bacia com frutas bonitas ao centro da enorme mesa, ou se na ilustre faca que estava ao lado do objeto.


 


            Ela se encaminhou até ele e sentou-se ao seu lado. Sirius desviou rapidamente o olhar até a metamorfomaga.


 


            - Olá Tonks – disse frio, crispou um pequeno sorriso nos lábios.


 


            - Olá... – fitou melhor o líquido no copo do primo. Era um líquido decididamente estranho. – O que está fazendo acordado a essa hora? – perguntou em tom agradável, não queria ser inconveniente.


 


            - Tentando relaxar. – Ele mirou as duas garrafas.


 


            Uma era de um vinho muito saboroso, a outra um hidromel bem envelhecido.


 


            - Ah, claro – concordou.


 


            - Uma velha receita – começou Sirius calmamente. – Misture vinho e hidromel, e encontrará a paz – terminou sorrindo irônico para a prima.


 


            - Nossa então eu precisava disso – disse divertida.


 


            - Então, beba comigo.


 


            Foi até o móvel, pegou um prato e uma enorme taça. Sentou-se enquanto pegava a faca e um bom cacho de uvas na bacia.


 


            - Não jantei hoje – explicou Tonks.


 


            - Eu percebi – comentou Sirius dando um grande gole em sua bebida. – Quer que eu misture os dois para você? – perguntou segurando a garrafa de vinho.


 


            - Não, na verdade só vou querer o vinho... Prefiro não misturar.


 


            - Certeza? – perguntou arqueando uma sobrancelha. – Achei que também estava precisando encontrar a paz – disse sorrindo.


 


            - O vinho me dará a paz – concluiu também sorrindo.


 


            - Ok...


 


            Enquanto Sirius colocava a bebida na taça de Tonks, com a faca ela começou a cortar ao meio, as uvas do cacho no prato que havia pegado.


 


            - Por que não veio jantar? – ele perguntou quando a garota pôs a primeira metade de uva na boca.


 


            - Hum, preciso terminar de ler um livro para o trabalho.


 


            - Oh, sim.


 


            Silêncio.


 


            Tonks continuou comento e bebericando o vinho.


 


            Pensou um pouco.


 


            Até que não conseguiu conter mais sua curiosidade.


 


            - Sirius...


 


            - Oi. – Ele a fitou.


 


            - Você pode me dizer por que socou o Snape? – Observando o olhar dele curvar-se resolveu adiantar. – Se não te incomodar é claro.


 


            - Ele estava me provocando desde que chegou.


 


            - Mas o que ele disse exatamente para você ficar tão possesso?


 


            - Disse que duvidava muito que eu teria ajudado Lílian e Tiago se eu soubesse... – seus olhos refletiram tristeza e rancor, ódio.


 


            Tonks suspirou desacreditada.


 


            Pensou um pouco mais. Não sabia exatamente o que dizer.


 


            - Não dê ouvidos a ele – arriscou algo. – Ele só quer te provocar.


 


            - Mas dessa vez ele foi longe demais! – explodiu erguendo-se um pouco e socando a mesa.       


 


            - Você sabe qual é a verdade! – exclamou Tonks tentando alertá-lo da realidade.


 


            Sirius respirava pesadamente e rápido. Recostou-se novamente na cadeira.


 


            - Sei... – repetiu baixo para si mesmo.


 


            - Não fique assim, por favor – pediu Tonks.


 


            Ele balançou a cabeça em sinal afirmativo.


 


            Mais silêncio.


 


            - Parece que a minha cabeça vai explodir... – comentou Tonks o quebrando.


 


            - Por quê?


 


            - Coisas... Você não entenderia, eu acho.


 


            - Se quiser falar, posso tentar entender.


 


            Sorriu para o primo.


 


            - Acredite, se eu falar posso piorar... – avisou enquanto começava a cortar mais algumas uvas.


 


            - Quer mais vinho? – perguntou Sirius. Tonks assentiu com a cabeça e ele colocou o conteúdo na taça vazia de garota. – Então se acha que vai piorar, é melhor não contar mesmo...


 


            - Pois é...


 


            Sirius deu mais alguns goles em sua bebida.


 


            - Acho que vou subir e continuar com o livro, preciso terminá-lo.


 


            - Certo.


 


            Tonks levantou-se, pegou o prato com as uvas e a taça.


 


            - Boa sorte com seu estudo – desejou Sirius esbanjando um pequeno sorriso.


 


            - Valeu! – agradeceu enquanto andava em direção à saída. – E boa noite!


 


            Quando passou pelo corredor do segundo andar tentou ignorar a vontade de abrir a porta do quarto de Hermione e Gina e estreitar os olhos até a morena. Só o fato de pensar em vê-la a fazia se remoer, seu coração disparava.


 


            Por um momento até achou engraçado que aquela menina de apenas quinze anos pudesse estar lhe causando tantas sensações absurdas.


 


            Quando abriu a porta de seu quarto e mirou a cama, pôde ver através da pouca luz que entrava pela janela exatamente o que não queria ver. Ou ver demais, talvez fosse o mais correto.


 


            Hermione estava sentada no meio da cama, recostada na parede. A bandeja com as uvas e a taça com vinho quase tombaram até o chão.


 


            Encararam-se por alguns momentos.


 


            - Desculpe entrar aqui sem avisar... mas você não estava... – começou finalmente a garota – e eu definitivamente precisava falar com você. – Sua voz estava levemente estremecida. Parecia estar receosa.


 


            - Tudo bem – tranquilizou Tonks. – Eu fui pegar algo para comer e beber na cozinha – terminou enquanto andava até a cama.


 


            Observou que havia três rosas bem vermelhas ao lado de Hermione. Ela as segurava pelo caule com força.


 


            Tonks colocou a taça ao lado do livro sobre a mesinha de cabeceira e se sentou em cima do travesseiro. Pôs o prato no colo e nervosamente comeu uma parte das uvas.


 


            Permaneceu fitando o perfil aparentemente apavorado de Hermione. A garota mirava a porta fechada como se não houvesse nada mais belo naquele quarto.


 


            - Pode falar... – pediu Tonks.


            - Primeiro, eu pensei em não te encarar mais. – A garota continuava fixa na porta. –


Mas depois repensei, e não seria nem um pouco justo...


 


            Silêncio.


 


            Tonks pensou que desmaiaria naquele momento. Tomou um grande gole de seu vinho.


 


            - Então... – começou novamente – resolvi que precisava pelo menos ter a coragem de te pedir desculpas.


 


            Tonks arqueou as sobrancelhas surpresa. Tossiu levemente.


 


            A garota finalmente a fitou.


 


            - Você quer me pedir desculpas...? – indagou ainda sem entender.


 


            - Claro...


 


            - Mas pelo que exatamente? – arriscou.


 


            - Por aquilo que fiz no armário! – exclamou como se fosse óbvio. – Eu juro que isso nunca tinha acontecido antes comigo, eu juro! É errado, é horrível! – Hermione obteve um olhar extremamente desfocado se desesperando. Tonks percebeu que a menina ia se levantar, provavelmente para sair correndo dali. A interrompeu colocando um braço em sua frente.


 


            A garota engoliu em seco e encarou novamente a metamorfomaga.


 


            - Não precisa ficar desse jeito – disse com confiança.


 


            - Não? – perguntou ainda completamente insegura.


 


            - Não mesmo – confirmou. – Era só isso que você tinha para me dizer?


 


            - Não...


 


            - Então vem aqui – alisou com uma das mãos o espaço vazio à sua frente. – Senta, me olha nos olhos, e diz tudo o que você quer – disse com ainda mais confiança. – Sem medo.


            Hermione hesitou um pouco. Até que por fim se sentou à frente de Tonks. Permaneceu mirando o livro em cima da cabeceira.


 


            Tonks comeu mais um pedaço das uvas e tomou um gole do vinho.


 


            - Toma – estendeu a taça para a menina. – Vai fazer você relaxar e conseguir falar melhor.


 


            - O que é?


 


            - Vinho.


 


            - Eu nunca bebi vinho.


 


            - É gostoso.


 


            - Ok – concordou pegando a taça e bebendo um bom gole.


 


            Tonks a olhou um pouco apreensiva.


 


            - É mesmo. Muito gostoso. – Devolveu a taça ao móvel.


 


            Silêncio.


 


            - Por que você diz que não preciso ter medo? – perguntou de repente Hermione.


 


            - Por que sim, vou entender qualquer coisa que me disser.


 


            - Tem certeza?


 


            - Tenho.


 


            - Certo... – A garota pegou uma das rosas e a mostrou para Tonks. – São para você.


 


            Tonks arqueou mais uma vez as sobrancelhas, surpresa.


 


            - Essa significa desejo – começou Hermione, com um sorriso fraco e lindamente sem graça. – Vontade incontrolável.


 


            Tonks a pegou sorrindo.


 


            Logo a menina estendeu a próxima rosa.


 


            - Essa significa loucura – respirou fundo. – Loucura extrema de seguir com o desejo inesperado.


 


Tonks a pegou sorrindo um pouco mais.


 


            - Essa – disse enquanto alcançava a última rosa –, significa as desculpas por não conseguir conter a imaginação e os atos...


 


            A garota parecia muito envergonhada. Tonks segurou a rosa sem rir daquela vez. Deixou sua mão encostar-se à mão trêmula de Hermione.


 


            - Obrigada pelas rosas, são lindas. – Pôs a última junto com as outras duas e o prato com uvas em cima do criado-mudo. Pegou novamente a taça e bebeu mais uns goles. Ofereceu novamente para a menina. Ela aceitou.


 


            Ficou a observando beber. Ainda parecia nervosa. Tonks agora, incrivelmente tranquila, feliz.


 


            Pegou a taça das mãos da garota e a repôs no pequeno móvel.


 


            A encarou profundamente.


 


            - Você não precisa nem em um milhão de anos me pedir desculpas por aquilo.


 


            Foi a vez de Hermione arquear surpresa as sobrancelhas.


 


            - Como? – indagou com voz falhada.


 


            - Não precisa...


 


            - Eu ouvi o que disse... – começou com a voz um pouco menos fraca. – Só não entendi o por que... Você não se incomodou com aquele beijo...?


 


            - De jeito nenhum – respondeu calma.


 


            - Como não? – perguntou uma Hermione bem confusa. – Eu acabei de admitir que senti desejo de te beijar!


 


            - E ainda sente?


 


            - O que? – indagou incrédula.


 


            - Hermione, eu também senti – conseguiu pronunciar. - Eu sinto.


 


            - O que? – Mais incrédula.


 


            - Foi o que você ouviu...


 


            - Você está falando sério...?


 


            - Estou, é claro – disse Tonks sorrindo. – Nunca brincaria com uma coisa dessas.


 


            Hermione pegou a taça e bebeu todo o líquido restante de uma vez. A devolveu para a metamorfomaga.


 


            - Calma, não precisa disso... – avisou Tonks olhando a taça vazia. A colocou novamente na mesinha de cabeceira.


 


            - Precisava sim, acredite. – Hermione finalmente sorriu um pouco.


 


            - Ok. – Tonks a encarou bem. Suas expressões estavam bem relaxadas.


 


            - Você gosta de garotas? – perguntou Hermione.


 


            - Gosto... há um tempo...


 


            - Só de garotas? Já beijou garotas? – Ela mexia as mãos sem parar. – Ah, me desculpe, devo estar parecendo uma imbecil.


 


            - Não, não está – respondeu firme. – Já beijei garotas, e não gosto só de garotas.


 


            - Ok... – Colocou uma das mãos no rosto. – Juro que nunca tinha sentido essa vontade com nenhuma garota, foi muito surpreendente para mim... – Respirou fundo. – Mas com você foi completamente diferente... Eu senti muita vontade... Você é muito... interessante... – ponderou um pouco mais – até mesmo apaixonante...


 


            - Mesmo? – brincou rindo.


 


            - Não ria, é sério!


 


            - Ok.


 


            - Eu esqueci, e esqueço que você é uma garota.


 


            Silêncio.


 


            Tonks ficou apenas a observando.


            - Eu posso ficar um pouco aqui com você? – arriscou a menina. – Ficar deitada do seu lado, para te ver...


 


            - Pode claro.


 


            Como se fosse extremamente necessário elas se deitaram rápido e se cobriram com a manta.


 


            Ficaram se encarando e respirando fraco por um bom tempo.


 


            Tonks não conseguia pensar e ao mesmo tempo imaginava mil coisas.


 


            - Quer dizer que você sente vontade de me beijar? – perguntou Hermione de repente, muito corada.


 


            - Sinto – respondeu Tonks sem rodeios.


 


            - Eu queria te perguntar uma coisa...


 


            - Pode perguntar...


 


            - Não quero ser indiscreta... Só que estou muito curiosa...


 


            - Pode perguntar – repetiu.


 


            - Já tocaram você?


 


            A metamorfomaga esbanjou uma careta bem surpreendida.


 


            - Ah, me desculpe, não acredito que perguntei isso! – Hermione colocou as duas mãos sobre o rosto.


 


            Tonks sorriu.


 


            - Tudo bem... Pode perguntar o que quiser...


 


            Retirou as mãos, seus olhos pareciam de criança que fez alguma arte.


 


            - Sim – respondeu finalmente. – Já me tocaram.


 


            - Uma menina?


 


            Ela afirmou com a cabeça.


 


            Silêncio.


 


            - Eu posso?


 


            Por aquilo Tonks definitivamente não esperava. A garota que inundou seus pensamentos por dias a fio havia declarado que sentia atração por ela, e não satisfeita, tinha acabado de pedir para tocá-la? Aquilo era mesmo verdade... ou outra alucinação?


 


            - Não acredito que acabei de te pedir isso... – Parecia um pouco arrependida. – Mas é que eu precisava saber como é a sensação...


 


- Pode – respondeu na tentativa de descobrir se era verdade o que estava acontecendo.


 


            A garota não desviou os olhos dos olhos de Tonks.


 


            Escorregou uma das mãos por baixo da manta até a cintura da metamorfomaga.


 


            Tonks sentiu sua barriga arder com a aproximação da mão da menina.


 


            A viu hesitar até que finalmente a sentiu invadir sua calça...


 


            Hermione percorreu todo o calor de Tonks por cima da peça intima. Tonks estremeceu ferozmente.


 


            Massageou um pouco a metamorfomaga a arrancando pequenos suspiros.


 


            Colocou a mão por dentro da calcinha da já ofegante Tonks.


 


            Pôde sentir o quanto estava úmida quando a garota a tocou completamente.


 


            A sensação era demasiadamente atordoante.


 


            Não conseguia se manter em si.


 


            A menina começou a masturbá-la sem parar, a excitação da metamorfomaga a ajudando completamente naquilo.


 


            Tonks fechou os olhos para se deliciar completamente ao momento.


 


            Agora tinha certeza de que era real.


 


            Não se deteve em arquear um pouco a perna.


 


            Hermione passeava com seus dedos livremente, sem inibição alguma.


 


            Tonks gemia sem parar. Um tremor sem beiras se apoderava de si.


 


            Hermione escorregou seus dedos como se fosse penetrar a outra. Mas em seguida retirou a mão.


 


            Tonks abriu os olhos.


 


            Encararam-se mais, por alguns segundos.


 


            A metamorfomaga não aguentava mais, a vontade de ter Hermione era imensa...


 


            A beijou calmamente.


 


            Quando sentiu a língua da outra acompanhar seus sutis movimentos pensou que seu coração iria sair pela boca...


 


            Ela tinha sabor de maçã... Mesmo tendo bebido vinho, seu sabor era como maçã...


 


            Uma maçã mágica que lhe entorpecia os sentidos...


 


            Enquanto seus lábios não se desgrudavam Tonks enlaçou Hermione pela cintura. Finalmente estava sentindo a quentura tão desejada do corpo da menina.


 


            A garota também enlaçou a metamorfomaga.


 


            Beijaram-se por minutos. Quando Tonks desviou sua boca até o pescoço da outra, Hermione se afastou.


 


            - Podem acordar e me verem aqui... Acho melhor eu ir para o meu quarto... – ela disse um pouco rápido, já se desvencilhando do quase abraço de Tonks e se levantando.


 


            - Ah... assim? – perguntou meio confusa.


 


            - Você sabe, a Sra. Weasley... – afirmou sem olhar nos olhos da outra e caminhando até a porta.


 


            - Ok então...


 


            - Amanhã a gente se vê – disse olhando fracamente para Tonks. Sorriu também fraco. – Boa noite...


 


            - Boa noite Hermione.


 


            A garota se foi e Tonks não conseguira mais ficar em paz.


 


            Foi até a cozinha deixar as coisas que tinha pegado, leu mais do livro, e nada mais além de Hermione lhe entrava no pensamento.


 


            Lembrava-se daquele beijo, daquela loucura de toque... No que aquela menina estava pensando?


 


            Será que não iria querer mais nada?


 


            Tonks sabia, sabia que nunca ficaria bem se não tivesse ao menos mais uma vez aquela garota em seus braços...


 


            Era preciso, precioso para si.


 


            Depois de tanto pensar, adormeceu sem perceber com o livro aberto sobre sua barriga.


 


 


            Acordou atordoada e se sentindo enjoada... Tomou um café da manhã rápido.


 


            Viu apenas a Sra. Weasley antes de sair para o trabalho.


 


            O dia foi extremamente agoniante e macabro.


 


            Não conseguia se concentrar em nada.


 


            Esbarrou em tudo que era possível, e em determinado momento quebrou a pequena estatueta de vidro de um superior.


 


 


            Na saída do ministério resolveu caminhar um pouco. Queria e precisava por as ideias no lugar.


 


            Uma chuva fraca começou a cair.


 


            Naquela noite ela ficaria com Hermione novamente. Para valer.


 


           


            Chegou ao Largo Grimmauld um pouco molhada.


 


            Já era tarde.


 


            Cumprimentou Gui que estava lendo algo na abafada sala de visitas e subiu para seu quarto.


 


            Retirou a capa de viagem e a colocou em cima do móvel.


 


            Decidiu esperar um pouco.


 


            Estava decididamente começando a ficar nervosa.


 


            Andou de um lado ao outro do aposento e olhou-se no espelho mais de dez vezes.


 


            A meia-noite se aproximava. Sentou-se na cama.


 


            Meia noite lhe lembrava Hermione.


 


            Sempre que a garota aparecia em seu quarto, já havia passado de tal horário.


 


 


 


            A porta se abriu de vagar. Seu coração saltou.


 


            Era a Sra. Weasley.


 


            - Tonks querida – começou ela quando pôs a cabeça para dentro do lugar.


 


            - Olá Sra. Weasley...


 


            - Desculpe incomodar, achei que já estivesse dormindo... – disse calmamente. – Só vim ver se estava tudo bem...


 


            - Está sim, tudo bem. – Sorriu enviesado.


 


            - Você parece um pouco molhada... – apontou a Sra. Weasley para a roupa da metamorfomaga.


 


            - Ah sim, eu peguei um pouco da chuva.


 


            - Então se troque querida, pode pegar um resfriado.


 


            - Sim, já irei. – Sorriu mais enviesado.


 


            - Certo – sorriu também a Sra. Weasley. – Boa noite.


 


            - Boa noite.


 


            Ela se retirou e Tonks continuou sentada olhando imóvel para a porta de madeira.


 


            Ela não viria então? Ficara chateada com algo da noite anterior? De arrependera?


 


Permaneceu minutos encarando o nada.


 


            Quando pensou em se levantar e trocar de roupa, a porta se abriu de vagar novamente.


 


            Seu coração mais uma vez palpitou eletricamente.


 


            Era ela. Era Hermione.


 


            A garota entrou com a cabeça baixa, completamente inibida no aposento.


 


            Fechou com cuidado a porta, e se recostou nela.


 


            Mirou Tonks, agora, em pé.


 


            - Pensei que você não viesse... – começou arriscando Tonks. – Pensei que estivesse chateada com algo de ontem...


 


            - Não... Eu apenas... – desviou o olhar para o cortinado empoeirado.


 


            - Apenas?


 


            - Apenas não sei se estou fazendo algo muito errado...


 


            - Ficar com garotas não é errado Hermione.


 


            - Tem certeza? – Se encararam de novo.


 


            - Tenho.


 


            - E como?


 


            Tonks começou a se aproximar da garota. Ela tentou dar um passo para trás. Em vão. A porta a impedia.


 


            - Se você quiser achar errado, e nunca mais olhar na minha cara, tudo bem – respondeu enquanto entrelaçava os dedos nos dedos da menina. – Mas não tire esse último momento... de mim...


 


            - De você...? – indagou trêmula, apertando um pouco a mão da metamorfomaga.


 


            - De nós.


 


            - De nós...?


 


            - Se você não o quisesse, não teria vindo aqui.


 


            - Eu vim para conversar...


 


            Tonks apoiou a outra mão na porta, acima do ombro de Hermione. Pôde sentir a respiração da outra descompassar. Pôde sentir o perfume de seus cabelos quando tocou o pescoço da garota com seus lábios.


 


            Hermione soltou fracamente os dedos enlaçados em sua mão.


 


            Tonks roçou mais sua boca pela pele da garota... Subiu de vagar, perpassando a língua sutilmente. A morena suspirou pesadamente.


 


            Tonks envolveu com o braço a cintura da garota. A colou em si.


 


            A menina estava mole.


 


            A metamorfomaga segurou bem os fios castanhos da menina e os arqueou.


 


            Começou a beijar o outro lado de seu pescoço. Ainda sutilmente.


 


            Desenhava uma linha indecente com sua língua.


 


            A garota suspirou mais pesado ainda e finalmente envolveu com os braços o pescoço de Tonks.


 


            Encararam-se.


 


            - Me leva para cama, por favor... – disse a morena com um sorriso sem graça. – Antes que eu desista...


 


            Tonks afirmou com a cabeça desajeitada, enquanto se encaminhava com a menina até a cama.


 


            Sem se desgrudarem deitaram. Tonks levemente por cima de Hermione.


 


            A beijou.


 


            O gosto de maçã continuava ali.


 


            Tonks prosseguiu com o beijo calmo e atento a cada movimento.


 


            Um gostoso arrepio cortava seus sentidos.


 


            A garota colocou as mãos por dentro de sua blusa, pelas costas.


 


            A metamorfomaga sentiu as unhas da menina passearem em uma brincadeira provocativa por sua pele.


 


            Ergueu-se um pouco com o contato. Também ergueu Hermione.


 


            Retirou de vagar a camisola da morena, ela estava sem sutiã. Tonks engoliu em seco. Lembrou-se de todos os seus devaneios...


 


Antes que a metamorfomaga percebesse, Hermione já estava tirando sua blusa.


 


            - Sua blusa está molhada – disse Hermione tentando afastar os olhos do colo agora nu de Tonks.


 


            - Eu peguei chuva – disse no ouvido da menina.


 


            Se beijaram mais.


 


            Era extremamente necessário e calmo.


 


            Tonks perpassou uma das mãos pela barriga da garota. Brincou por um momento com seu umbigo.


 


            Os beijos não cessavam.


 


            Sentia cada vez mais seu corpo estremecer com o contato.


 


            Sentiu Hermione subir as mãos até o feche de seu sutiã.


 


            Parou por um segundo quando sentiu a peça cair por sua pele.


 


            O tirou completamente.


 


            Por algum motivo aquela garota a deixava plenamente inibida.


 


            Permaneceram se beijando mais.


 


            Agora as mãos da morena percorriam as costas nuas de Tonks.


 


            Desceram até sua calça.


 


            Começaram a desabotoá-la. Tonks também não segurou seu impulso de retirar a calcinha da garota.


 


            Nuas.


 


            Tonks não conseguia se concentrar em nada palpável.


 


            Quando seu corpo completamente despido encaixou-se no corpo completamente despido de Hermione não soube o que estava sentindo. Era tantas sensações, impossível juntá-las em uma só.


 


            Era um verdadeiro turbilhão.


 


            Beijou todo o corpo da garota.


 


            Desceu por seu colo, se perdeu em minutos pelos seios extremamente perfeitos... Percorreu sua barriga com a língua ágil e molhada...


 


            Ouvia a menina gemer baixinho, como se não quisesse ser ouvida... Sorriu intimamente.


 


            Levou sua boca até a parte mais intima de Hermione.


 


            A morena gemeu mais forte.


 


            Enquanto massageava com sua língua o clitóris da menina, continuou fazendo um carinho leve por seu corpo.


 


            Hermione continuou gemendo baixo, contida. Embora estremecesse com cada movimento da língua da outra.


 


            Depois de alguns minutos se deliciando com o prazer que proporcionava à menina, Tonks voltou a beijar-lhe o resto do corpo.


 


            Passou seus lábios pelas coxas da garota, subiu de vagar pela barriga, umbigo, seios, pescoço...


 


            Hermione a enlaçou novamente.


 


            Começaram a se beijar mais uma vez.


 


            Tonks escorregou sua mão até o sexo completamente umedecido da morena.


 


            Ela suspirou pesado em seu ouvido.


 


            Quando a metamorfomaga começou a massageá-la Hermione não se conteve em gemer cada vez mais forte em seu ouvido. Parecia querer enlouquecê-la.


 


            E estava funcionando.


 


            A cada toque mais profundo e cuidadosamente delicado à medida certa, Hermione gemia contida e indecentemente em seu ouvido. Tonks não conseguia raciocinar.


 


            Colocou cuidadosamente um dedo dentro da garota.


 


            Hermione se agarrou mais à metamorfomaga.


 


            Tonks continuou a penetrando calmamente.


 


            Colocou mais um dedo, e ao mesmo tempo em que a penetrava, a masturbava da forma mais gostosa que conseguia buscar e imaginar.


 


            Depois de um minuto, Hermione já não conseguia controlar seus gemidos.


 


            As duas respiravam rápido e forte.


 


            Tonks sentiu a garota se contorcer em baixo de si, sentiu a garota palpitar...


 


            Retirou sua mão e a levou ao rosto da menina.


 


            Sorriu.


 


            - O que você fez comigo? – a morena conseguiu pronunciar.


 


            - O que você fez comigo? – usou suas palavras.


 


            Hermione a beijou.


 


            Um beijo lindo e perfeito.


 


            Recostaram-se uma na outra e ficaram divagando entre o escuro e o silêncio...


 


            As mãos se encontraram e se enlaçaram molemente.


 


            - Já pensou em rosa? – indagou de repente uma sonolenta Hermione.


 


            - Rosa? – perguntou Tonks sem entender.


 


            - Seria uma cor interessante para o seu cabelo...


 


            Pausa.


           


- Não... Ainda não tinha pensado...


 


            Adormeceram sem nem mesmo perceber.


           


           


 


Tonks despertou com um pequeno barulho.


 


            Hermione estava vestida calçando suas pantufas.


 


            Olhou o pequeno relógio de pulso na cabeceira. Quatro e meia da madrugada.


 


            - O que...? – indagou Tonks.


 


            A garota a encarou. E impressionantemente, não parecia envergonhada.


 


            - Você sabe... – começou com a voz mais firme que o normal. – Foi nosso último momento...


 


            A metamorfomaga refletiu um pouco.


 


            - Então seria assim mesmo para você? – perguntou de repente


 


            - Tem que ser... – disse a morena enquanto caminhava até a porta. – Se não, nunca mais conseguiria viver em paz...


 


            - E você acha que vai viver em paz, deixando o que tivemos hoje para trás? – perguntou um pouco brava se erguendo um pouco na cama.


 


            - Eu não posso me lembrar disso, por melhor que tenha sido... – Suspirou forte. – E foi perfeito, maravilhoso.


 


            Tonks abriu a boca, e fechou novamente.


 


            - Boa noite Tonks. – Hermione sorriu sem graça. – Vamos voltar a dormir, e sonhar se quiser...


 


            A garota se retirou do quarto.


 


            Tonks continuou olhando a porta.


 


            Nem sabia se estava realmente incrédula... Já esperava por aquilo... No fundo esperava...


 


            Deitou-se por completo novamente. Ainda estava nua.


 


            Fechou os olhos e lembrou-se do gosto de Hermione.


 


            Lembrou-se do rosto, do toque, do corpo... Do cheiro...


 


            Abriu os olhos.


 


            Focou o teto empoeirado.


 


 


            Aquela noite ela não dormiu mais. E muito menos teve um tranquilo dia de trabalho...


           


           


           


           


           


                                               


 

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