* * *
Hermione pegou uma revista e sentou-se no sofá de sua sala. Folheou algumas páginas e tornou a fechá-la. Olhou para o relógio e, desanimada, constatou que ainda faltava meia hora para a chegada de Viktor. Levantou-se e foi até o quarto. Pela décima vez examinou-se no espelho para ver se estava bem. Já havia trocado de roupa três vezes, mas ainda não estava satisfeita com a sua aparência. Por um momento, teve a tentação de se despir e começar tudo de novo, mas antes que seguisse esse impulso, fechou a porta do armário, impaciente. Não havia nada de errado com o que estava vestindo. O problema, se é que havia um, estava em sua cabeça. Nunca se sentira tão nervosa com a perspectiva de encontrar Viktor. Seu sexto sentido lhe dizia que aquele jantar seria o fim de tudo, mas se aparecesse uma emergência ela não poderia sair com ele. Quase chegou a rezar para que o telefone tocasse.
— Não seja ridícula, Hermione Granger — falou em voz alta.
Talvez um copo de vinho a ajudasse a relaxar, pensou. Foi até a cozinha e tirou uma garrafa de vinho branco da geladeira. Ainda estava ocupada em abri-la, quando a campainha tocou. Suas mãos tremeram e ela quase derrubou a garrafa. Por que justamente na noite em que precisava ter suas emoções sob controle estava se comportando de uma forma tão infantil? Respirou fundo e foi até a porta. Não tinha a menor idéia do que Viktor pretendia dizer-lhe, mas estava decidida a manter-se calma em qualquer circunstância.
Com a mão no trinco, fechou os olhos e contou até dez. Então colocou um sorriso nos lábios e abriu a porta. Viktor estava praticamente escondido atrás de um enorme buquê de crisântemos brancos.
— Flores! — exclamou Hermione com espontaneidade. — E as minhas favoritas. Como você adivinhou?
Ele sorriu e entregou-lhe o buquê.
— Fiquei quase uma hora na floricultura, indeciso entre rosas, crisântemos e flores do campo. Estou feliz por ter acertado.
— Obrigada, Viktor. — Nem se lembrava da última vez que havia recebido flores de um homem.
— Eu posso entrar?
— Ah, é claro. — Riu ao se lembrar da primeira vez em que haviam jantado juntos. — Mas só se estiver sozinho. Naquela outra noite, havia um verdadeiro séquito de elfos atrás de você.
— Não se preocupe. Eu não costumo ser repetitivo. Desta vez trouxe uma pizza e cerveja.
— Sério?
Ele riu ao ver-lhe a expressão de espanto.
— Estou brincando. Eu podia arriscar um palpite nas flores, mas não tinha a menor idéia se você gostava de calabresa ou de atum.
— Eu detesto atum.
— Ótimo. Acabo de descobrir que temos mais um ponto em comum.
Hermione foi até a cozinha colocar as flores em um vaso e Viktor a seguiu.
— Hermione...
Dessa vez a voz dele estava séria e ela sentiu uma necessidade urgente de interrompê-lo. Não estava certa de querer ouvir o que ele tinha a dizer. Pelo menos, não tão cedo.
— Não quer um pouco de vinho branco? Eu estava justamente abrindo uma garrafa quando você chegou, mas se preferir tinto...
— Não, branco está ótimo, mas...
— Vamos até a sala? — sugeriu, interrompendo-o outra vez e entregando-lhe dois copos. Depois pegou a garrafa e saiu cozinha.
Viktor sentou-se no sofá, parecendo um tanto confuso. Hermione tirou uma pilha de revistas da mesa de centro e colocou a garrafa ali. Para disfarçar o nervosismo, ocupou-se em dar um último retoque no arranjo de flores, que já estava mais do que perfeito, mas sabia que não adiantava fugir, refletiu, mordendo o lábio. Não poderia manter a conversa num plano inofensivo durante toda a noite. Estava bancando a tola e Viktor, com certeza, estava estranhando seu comportamento.
— Alguma coisa errada, Hermione? — perguntou Viktor, oferecendo-lhe um copo de vinho.
— Não... claro que não. — Tentou rir, mas sem grande sucesso.
— Claro que sim — contestou Viktor. Colocou o copo vinho na mesa e voltou-se para Hermione. — Você está... estranha. Aconteceu alguma coisa no Ministério hoje?
Se ao menos fosse uma coisa tão simples. Balançou a cabeça e decidiu enfrentar a situação.
— Não, não é nada com o meu trabalho. É que... Bom, eu e você...
— Sim?
— Nós precisamos conversar, Viktor.
Ele sorriu, parecendo aliviado.
— Eu sei disso. Foi por isso que a convidei para jantar, não foi? — Hesitou um pouco antes de continuar. — Eu havia planejado falar no final da noite, mas acho que agora é um momento tão oportuno quanto qualquer outro.
Segurou-lhe as mãos e olhou-a fixamente. Estavam tão próximos que ela podia sentir o magnetismo da presença dele. Antes de dizer qualquer coisa, Viktor puxou-a para um abraço e seus lábios desceram sobre os dela. Hermione não tentou resistir; nos braços dele dissipavam-se todas as suas dúvidas e ela só tinha consciência do quanto o desejava.
— Hermione — sussurrou. — Eu queria...
Bem nesse momento, a campainha tocou. Olharam um para o outro e Viktor afastou-se um pouco.
— Você está esperando alguém?
— Não — respondeu, sem se mover dali, odiando a pessoa que estava do lado de fora, mesmo sem saber quem era.
— Você não vai atender?
— Não. Seja lá quem for, talvez desista e vá embora.
— Mas pode ser importante.
— Eu não me importo — replicou, decidida. Nada podia ser mais importante do que aquele momento.
A campainha tocou novamente e, antes que um dos dois se movesse, a porta se abriu e Gina entrou.
— Oi, Hermione, você... — Calou-se de repente ao ver Viktor. — Eu sinto muito. Não sabia que você tinha... companhia.
Hermione fez um esforço tremendo para sorrir. Gina continuava parada ao lado da porta, indecisa entre ficar ou sair. Era tão fora do comum vê-la assim embaraçada, que Hermione perdoou-a por aquela interrupção.
— Entre, Gina. Eu quero que conheça Viktor Krum. Viktor, esta é minha amiga Gina Weasley.
A expressão de Gina mudou na hora.
— Então você é Viktor — falou estendendo-lhe a mão. — Eu pensei que nunca fosse conhecê-lo. Agora sei por que Hermione faz tanto mistério em torno de você. Um homem tão atraente, a gente deve esconder das outras mulheres, até mesmo da melhor amiga.
— Gina! — Hermione estava escandalizada.
— Mas ele é mesmo atraente — insistiu Gina com um sorriso. — E aposto que não é a primeira vez que alguém lhe diz isso. Certo, Viktor? Você não se importa que eu o chame de Viktor, não é? Acho que podemos dispensar as formalidades já que, com certeza, vamos nos tornar amigos.
— É claro que eu não me importo — afirmou ele, divertido. — Hermione fala muito de você, mas não parecia interessada em nos apresentar — brincou, piscando um olho para Hermione.
— Mas isso é muito natural. Não sou inibida como Hermione e ela sabe que eu não hesitaria em roubá-lo na primeira oportunidade.
— Gina!
— Está vendo como eu tenho razão? — insistiu a moça. — Ela leva tudo tão a sério! Ainda bem que você conseguiu afastá-la um pouco do trabalho.
— Mas confesso que não foi nada fácil — afirmou Viktor e não conseguiu conter um sorriso ao ver a expressão mortificada de Hermione.
— Gostaria que vocês dois parassem de agir como se eu não estivesse presente — protestou Hermione.
— Ah esse é outro problema — comentou Gina, sem se deixar intimidar pelo olhar significativo que a amiga lhe endereçara. — Ela é temperamental, mas acho que você já te chance de descobrir por si mesmo.
— É verdade — confirmou Viktor.
— Mas, no seu lugar eu não daria muita importância a isso. Você deve conhecer o ditado: "Cão que late não morde", se aplica a ela também.
— Não confie muito nisso, Gina — advertiu Hermione.
— Será que interrompi alguma coisa? — perguntou Gina, de repente. Só agora havia reparado nas flores e na garrafa vinho. — Acho que vocês não precisam responder. Bem, eu estava mesmo de saída.
— Tome um pouco de vinho conosco, Gina — convidou Hermione esforçando-se para ser gentil. — Pensei que você fosse ficar alguns dias em San Francisco.
— Eu acabei o meu serviço mais depressa do que havia imaginado e, como não conheci ninguém interessante o bastante para me prender por lá mais alguns dias, decidi voltar. — Seus lábios entreabriram-se num sorriso malicioso. — Nem todos têm a sua sorte, Hermione.
— Gina...
— Calma eu não vou dizer mais nada. — Estendeu novamente a mão para Viktor. — Até mais, Viktor.
— Foi um prazer conhecê-la. Espero encontrá-la novamente.
— Pode apostar nisso — afirmou Gina e riu ao ver a expressão da amiga. — Não precisa me acompanhar até a porta, Hermione — falou embora a outra não tivesse esboçado o menor gesto nesse sentido. — Eu sei o caminho. Foi um prazer conhecê-lo, Viktor. Se um dia você se cansar de Hermione, não se esqueça de que eu moro aqui ao lado.
Saiu, fechando a porta atrás de si e Viktor caiu na risada.
— Sua amiga é muito simpática. E franca também.
— Ela é do tipo que diz tudo o que pensa. — Às vezes, desejava ter a mesma segurança de Gina e sua facilidade para se relacionar com as pessoas.
É claro que Viktor sabia que Gina estava brincando, mas o gênio alegre da moça conquistara imediatamente a simpatia dele. Era impossível ficar triste ao lado de Gina ou deixar de rir de suas brincadeiras.
— Agora eu entendo por que vocês são tão amigas — afirmou Viktor, sentando-se ao lado dela no sofá.
— E por quê?
— Como Gina disse, você é séria demais e ela procura fazer com que você encare o mundo de uma forma mais descontraída. E quando Gina está sendo estouvada demais, você interfere com o seu modo mais prático e comedido de ser.
Hermione fez uma careta.
— Séria... prática... — murmurou. — Acho que não fiquei muito lisonjeada com esses adjetivos. Às vezes, gostaria de ser como Gina.
— Não diga bobagens, Hermione — replicou, puxando-a mais para perto.
— Mas Gina é tão...
— Gina não é você — interrompeu-a Viktor. — E eu estou cansado de mulheres que não levam nada a sério.
— Verdade?
— Juro — murmurou contra os lábios dela.
Nos braços dele, Hermione esqueceu-se de que era inibida, prática e séria demais. Sem parar de beijá-la, Viktor empurrou-a delicadamente até que ela ficasse deitada no sofá. Uma das mãos dele escorregou para dentro do decole de Hermione e fechou-se sobre dos seios, fazendo-a gemer de prazer,
— Viktor — sussurrou Hermione. — Vamos para o meu...
Mas o telefone tocou antes que ela acabasse de falar.
— Droga! — praguejou Viktor erguendo a cabeça. — Quem será agora?
Hermione não estava menos decepcionada com a interrupção. Sentou-se e acariciou o rosto dele.
— Eu não vou atender.
Mas, quando o telefone continuou, insistente e Viktor, com uma exclamação de raiva, afastou-se um pouco, Hermione entendeu que o clima já estava quebrado. Mais uma vez. Zangada estendeu braço e pegou o fone.
— Srta. Granger. — Fosse quem fosse ela diria que não estava disponível. Que procurassem outro tratador. Qualquer um. Por nada desse mundo sairia de casa naquela noite.
Mas sua decisão não durou mais do que dois segundos ao reconhecer a voz de um dos seus mais antigos clientes, o primeiro que confiara nela. Uma de suas fêmeas estava para dar cria e, pela aflição do homem, haviam surgido complicações. Ela não podia abandonar o animal à sua própria sorte.
— Eu preciso sair, Viktor — falou depois de desligar.
— Eu percebi.
— Sinto muito.
— Eu também.
— Acho que vou demorar.
— Não faz mal.
— Por favor, não fique zangado.
Viktor deu um sorriso pálido, que não a deixou mais tranqüila.
— Eu não estou zangado. Só um pouco decepcionado.
Ela não soube o que dizer. A decepção de Viktor não podia maior do que a dela.
— Preciso trocar de roupa. — Odiava ser obrigada a mandá-lo embora, mas sabia que não havia tempo a perder.
— Vá em frente. Eu espero.
— Você não vai embora?
— Claro que não. Eu vou com você.
— Não é necessário.
— Prometo que não vou atrapalhar.
— Não é isso — protestou Hermione.
Ele se levantou e, segurando-a pelo ombro empurrou-a delicadamente na direção do quarto.
— Ande logo, Hermione. O tempo está correndo.
— Viktor...
— Está tudo bem, Hermione. Eu havia planejado passar esta noite com você e é o que vou fazer. Vá trocar de roupa.
Felizmente, a fazenda não ficava muito distante da casa de Hermione. Mal atravessaram a porteira, avistaram um homem que caminhava de um lado para outro na frente da cocheira.
— Como estou feliz em vê-la, srta. Granger — falou, jogando fora o cigarro que ainda estava pela metade. — Eu acho que ela está morrendo.
Hermione não perdeu tempo fazendo perguntas. Depois de pegar o material necessário, correu para a cocheira. A mulher de Jack, o fazendeiro, estava ajoelhada ao lado da fêmea.
— Srta. Granger! Graças a Deus! Desculpe-nos por chamá-la a esta hora, mas...
— Nem pense nisso — interrompeu-a Hermione, ajoelhando-se ao lado da fêmea, o estetoscópio em uma das mãos. A fêmea estava mesmo com problemas. Sua pulsação estava acelerada e o corpo banhado de suor. Hermione tirou o estetoscópio e virou-se para Jack.
— Há quanto tempo começaram as contrações?
A pergunta deixou-o ainda mais abatido.
— Não sabemos. Como ela devia dar cria só na semana que vem, nós saímos para jantar. Quando voltamos ela já estava assim.
Hermione sabia que precisava agir rápido ou o animal poderia ficar sufocado. Tirou da valise um par de luvas de plástico, tão compridas que quase chegavam até os ombros. Depois de calçá-las, começou um exame interno. Quando tocou o pescoço da cria, percebeu que ela estava na posição errada e não nasceria sem ajuda externa. Hermione precisava agir rápido ou o filho seria estrangulado pelas poderosas contrações da mãe.
— Eu vou anestesiá-la — explicou aos donos da fêmea enquanto preparava a seringa. — Esta dose vai nos dar mais ou menos dez minutos para tirarmos a cria. Viktor, vou precisar de uma corda que está na caminhonete. Você poderia...
Antes que ela terminasse de falar, Viktor saiu rapidamente da cocheira, voltando em poucos segundos.
A anestesia havia interrompido as contrações e agora ela podia colocar a cabeça da cria na posição correta, mas como não poderia contar com a ajuda da fêmea, Hermione teria que realizar o parto. Com a mão que estava livre, indicou a corda.
— Vou amarrar uma ponta nas patas do potro — explicou enquanto iniciava aquela complicada manobra. Seu braço doía e gotas de suor rolavam-lhe pelas faces, mas ela não podia parar nem um segundo. — Agora um de vocês puxe a outra ponta da corda enquanto eu mantenho a cabeça na posição correta. — Olhou para Jack, que estava branco como uma folha de papel. — Vamos! Não podemos perder tempo.
— Eu... eu...
— Pode deixar eu cuido disso. — Viktor se ofereceu, ao perceber que o homem estava transtornado demais para servir de alguma ajuda.
— Você está pronto?
Viktor abaixou-se ao lado dela e confirmou com um gesto de cabeça.
Hermione mantinha a cria na posição e Viktor puxava a corda lentamente. O cabelo de Hermione estava grudado na testa e suas faces, vermelhas. Seus braços doíam terrivelmente, mas ela não podia descansar. Os minutos estavam passando e a fêmea recobraria a consciência a qualquer momento.
Um minúsculo casco surgiu, logo seguido por outro. Quando a cabeça já estava do lado de fora, Hermione sentiu a tensão diminuir. Mais alguns minutos e o corpo todo escorregou para o chão. O potro estava vivo, constatou exultante. Eles haviam conseguido!
— O que há de errado com ele? — perguntou Betty, aflita, ao ver que o potro estava de olhos fechados e imóvel.
— O sedativo que eu dei para a mãe passou para o filho através da placenta — explicou. Olhou para o casal e sorriu. — Não se preocupem. Ele vai voltar a si assim que eu lhe der alguma coisa para estimular a respiração.
A tensão dissipou-se por completo quando o potrinho moveu a cabeça e olhou em volta. O casal sorriu e abraçou-se, comovido.
— Não sabemos como lhe agradecer, srta. Granger — falou Jack. — Nem ao senhor, Sr....
Só então, Hermione percebeu que não havia apresentado Viktor. Ia dizer alguma coisa, quando ele se antecipou.
— Viktor Krum. Eu sou o assistente da srta. Granger.
No caminho de volta, Viktor não disse uma só palavra e Hermione estava exausta demais para perguntar o motivo. Seu corpo todo doía e ela estava ansiosa por um banho quente. Sentia-se tão cansada pela tensão e pelo esforço que poderia dormir durante uma semana.
— Eu sinto muito. Viktor — falou quando estavam na frente de sua casa. — Não esperava que isto fosse acontecer justo esta noite.
Viktor continuou em silêncio e ela olhou para ele, apreensiva.
— Não precisa se desculpar — disse, finalmente. — Eu suponho que estas emergências façam parte do seu trabalho.
Aquelas palavras não conseguiram tranqüilizá-la. Havia alguma coisa na voz dele que... Olhou outra vez para Viktor, mas a fisionomia dele estava indecifrável. Sem saber por que, Hermione sentia que se erguera uma barreira entre eles, que Viktor não parecia disposto a derrubar.
— Sobre o que você queria conversar comigo? — perguntou Hermione, incapaz de tolerar aquele silêncio por mais um segundo.
Ele não respondeu de imediato.
— Não era nada importante — falou, finalmente.
Hermione não teve coragem de insistir. Como poderia? Ele parecia decidido a não dizer mais nada naquela noite, nem em outra qualquer.
— Viktor...
— Já é tarde, Hermione. Você deve estar cansada. Vamos deixar para conversar num outro dia.
Enquanto procurava a chave na bolsa, Hermione imaginou que seria inútil convidá-lo a entrar. Talvez Viktor estivesse com a razão. Era muito tarde e eles estavam exaustos. Não era o momento para uma discussão séria.
— Obrigada por tudo, Viktor — falou depois de abrir a porta. — Eu não teria conseguido sem a sua ajuda.
— Pois eu acho que você está enganada. Você se sairia muito bem mesmo sem a minha ajuda. Aliás, acho que não existe nada que você não seja capaz de resolver sozinha.
Sem dizer mais nada, deu-lhe as costas e partiu. Hermione sentiu vontade de correr atrás dele, pois tinha a horrível sensação de que se não esclarecessem tudo naquela noite, não o fariam nunca mais.
— Viktor — gritou, aflita e correu na direção dele, mas era tarde demais. Todos os encontros deles estariam destinados a se transformar num completo desastre? Voltou para casa, mal enxergando o caminho através dos olhos embaçados pelas lágrimas.
O buquê de crisântemos, que a deixara tão feliz no início da noite, parecia-lhe agora uma dolorosa ironia. Uma das pétalas se desprendera e jazia, solitária, ao lado dos dois copos de vinho que eles nem haviam chegado a provar. Desesperada, Hermione jogou-se no sofá, soluçando amargamente.
