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9. Capítulo IX


Fic: Krumione: A Garota das Poções - CONCLUÍDA NC18


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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* * *


 


O haras Gauntlet West ficava num lindo vale ao norte de San Diego. Quando a fazenda surgiu lá embaixo, Hermione, não conteve uma exclamação de admiração. O que via era o sonho dourado de qualquer criador de hipogrifos: quilômetros e quilômetros de pastos de um verde permanente, que se estendiam até onde a vista alcançava.


Viktor parou ao perceber o deslumbramento de Hermione. Com evidente orgulho, começou a descrever o cenário que se descortinava diante deles. Do alto, o lugar assemelhava-se a um enorme trevo: a estrada era o caule e as cocheiras e outras construções da fazenda formavam as folhas. Fascinada, Hermione acompanhava com o olhar as indicações de Viktor: à esquerda ficava a cocheira das fêmeas; a dos machos, à direita e na do centro estavam instalados os filhotes. Em seguida, apontou para a enorme arena ao ar livre, onde os hipogrifos eram treinados e para o pasto reservado às fêmeas. Cercas brancas cortavam as campinas, separando as diversas áreas da fazenda.


No centro de tudo erguia-se a casa. Seu estilo era tão diferente da cobertura onde Viktor morava, que Hermione logo adivinhou que a influência de Elaine não chegara até ali. A casa fora construída em madeira e tijolos vermelhos, que, com o passar do tempo haviam adquirido uma suave tonalidade rosa. As flores, arbustos e árvores que a cercavam davam-lhe um ar acolhedor que nada lembrava a frieza do apartamento de Viktor.


Hermione desviou os olhos da paisagem e voltou-se com vivacidade para Viktor. Pretendia dizer como achava lindo o lugar, mas, quando seus olhares se encontraram, as palavras morreram em sua garganta.


 


— E então? Você gostou? — perguntou ele, ao ver que ela continuava em silêncio.


— É... lindo — balbuciou Hermione.


— Então você não está arrependida de ter vindo?


 


Hermione balançou a cabeça, incapaz de dizer qualquer coisa. O braço de Viktor estava apoiado no encosto próximo a dela, o que os deixava bastante próximos. Durante um longo momento, apenas se olharam. E então ele inclinou a cabeça e beijou-a com delicadeza na boca. Seguindo um impulso irresistível, Hermione ergueu a mão e acariciou-lhe o rosto. No instante seguinte estavam abraçados e beijavam-se apaixonadamente.


Viktor tentou puxá-la mais para perto, mas os dois perceberam ao mesmo tempo que haviam coisas no caminho. Rindo muito eles se separaram. Hermione pensou naquele corpo forte e musculoso, que o jeans e a camisa esporte deixavam ainda mais atraente e balançou a cabeça.


 


— Bom então o que você me diz de irmos atrás de um lugar mais confortável? — sugeriu ele, ao mesmo tempo em que dava a partida.


— É uma ótima idéia.


 


O beijo de Viktor havia sido suficiente para deixar todos os sentidos de Hermione alerta. Quando ele se viu diante da casa, ela ainda sentia as pernas trêmulas e as palmas das mãos úmidas. A promessa que fizera a si mesma de manter-se distante dele parecia-lhe agora impossível de ser cumprida. Quando Viktor passou um braço pelos ombros dela e subiram juntos os degraus da entrada, Hermione mal podia conter a própria ansiedade.


 


 


Hermione não poderia imaginar uma casa de fazenda mais acolhedora e confortável. Enormes janelas tomavam o ambiente claro e arejado; o piso era de tábuas largas e sobre ele estavam espalhados diversos tapetes trançados. A decoração não tinha um estilo definido, mas era evidente que fora projetada no sentido de oferecer o máximo em conforto. Bastou um rápido olhar para que Hermione percebesse que aquele lugar era muito mais condizente com a personalidade de Viktor do que a cobertura ultramoderna.


Na outra extremidade da sala, portas altas e envidraçadas conduziam ao jardim. Através delas, Hermione viu nada menos do que três piscinas. Com uma exclamação de espanto, atravessou a sala para ver de perto aquele cenário cinematográfico.


 


— Nós não tivemos chance de experimentar a piscina da minha cobertura, mas agora temos estas três à nossa disposição — falou Viktor, parando ao lado dela. Num gesto espontâneo, passou um braço pela cintura de Hermione. — As três piscinas têm temperaturas diferentes: a primeira, onde você vê aquela cachoeira artificial, é a mais fria. A segunda tem a temperatura ambiente e a terceira é de água quente.


— É incrível. Viktor! Foi você quem fez o projeto?


— Eu mesmo. É uma boa terapia para diminuir a tensão.


 


Hermione virou-se lentamente para ele.


 


— Você está tenso agora?


— Você está?


 


Se ela estava tensa? Hermione sentia cada músculo do corpo retesado. A mão de Viktor em sua cintura bastava para acelerar-lhe o pulso.


 


— Depende do que você entende por tensa — respondeu.


 


Viktor sorriu e, apesar de parecer seguro como sempre, ela o sentiu tremer ligeiramente.


 


— Venha, quero lhe mostrar o resto da casa — falou com voz rouca. — Depois, se você quiser, poderemos dar uma olhada nos hipogrifos.


 


Mas só bem mais tarde Hermione viu os duzentos puros-sangues que Viktor mantinha no haras. Subiram as escadas de madeira e ele a conduziu ao quarto de hóspedes. Assim que entraram, tomou-a nos braços. Beijando-se com ardor, a respiração entrecortada, os corpos trêmulos era a antecipação do que viria a seguir. O beijo de Viktor era mais exigente agora, a língua provocando a de Hermione, travando com ela um duelo cheio de sensualidade.


Sem parar de beijá-la, Viktor empurrou-a delicadamente na direção da cama. Caíram sobre ela, abraçados, deixando que a paixão os arrebatasse para um outro mundo, que era só deles.


 


— Aqui é um pouco mais confortável do que antes, não é? — murmurou Viktor, olhando para ela.


— Eu acho que você está mesmo ficando velho — provocou-o Hermione.


 


Ele riu e, com um movimento ágil, deitou-se sobre ela.


 


— Cuidado com as palavras, mocinha, ou eu a farei pagar caro por elas.


— Você sempre trata as suas hóspedes assim?


— Só quando elas são incríveis mestres de poções e têm a pele mais macia do mundo. — A voz dele estava mais rouca e as mãos tremiam ligeiramente quando começaram a desabotoar a blusa de Hermione. O olhar de Viktor abandonou o rosto dela e desceu em direção ao corpo.


— Você é tão linda... — sussurrou, acariciando-lhe a curva dos seios. — Sua pele é como seda...


 


Hermione sorriu e mergulhou os dedos nos cabelos macios e espessos de Viktor. Sentiu a mão dele escorregar para dentro do sutiã, acariciando um dos seios excitados, o mamilo ereto. Prendeu o fôlego quando ele abriu o fecho e livrou-se daquela peça delicada e transparente. Um gemido escapou dos lábios de Viktor e em resposta, Hermione segurou-o pelo rosto, puxando-o para mais perto, a boca entreaberta. Beijaram-se e, inflamados pelo mesmo desejo, livraram-se de suas roupas, cada um deles ansioso por explorar o corpo do outro. Quando estavam totalmente nus, Viktor deitou-se sobre ela outra vez. Sorrindo, Hermione empurrou-o para o lado e apoiou a cabeça no peito dele. Podia ouvir as batidas aceleradas do coração de Viktor enquanto suas mãos percorriam os músculos daquele tórax de atleta e desciam pelo estômago, até alcançar as. Quando as carícias se tornaram mais íntimas, um som abafado escapou dos lábios de Viktor.


Hermione ergueu a cabeça e sorriu ao ver aqueles olhos castanhos tornarem-se mais escuros e as pupilas dilatadas pelo desejo que, deliberadamente ela havia aguçado. Viktor segurou-a pela cintura e puxou-a até que ela ficasse deitada sobre o corpo dele. Uma das mãos alcançou-lhe um seio e a boca apoderou-se da de Hermione com sofreguidão.


As mãos de Viktor eram quentes e moviam-se experientes pelo corpo de Hermione, tocando, acariciando, levando a excitação dela ao limite máximo. Rolaram pela cama, bocas unidas, corpos abraçados. E então, Hermione prendeu-o entre as coxas, guiando-o para dentro de si. As mãos de Viktor estavam mergulhadas nos cabelos dela e ele ergueu-lhe a cabeça até que seus rostos estivessem bem próximos. Os lábios que se moveram sobre os dela eram quentes; a língua, instigante. Hermione correspondeu com uma paixão que se igualava à dele. Desejava prolongar aquele momento, mas, um segundo depois, já era tarde demais.


Gritou o nome dele e nem ao menos percebeu que enterrava as unhas nas costas de Viktor. Segurando-o com força pelos ombros, puxou-o mais para perto ainda, ansiosa por sentir cada parte do corpo dele.


Viktor murmurava palavras entrecortadas de prazer aos ouvidos de Hermione, até que um último gemido uniu-se ao dela e ambos ficaram abraçados, imóveis, sem forças para mais nada.


 


Algum tempo depois, Viktor sorriu. Hermione deitou a cabeça no ombro dele e começou a acariciar-lhe o peito.


 


— Deve ser essa ligação com poções — murmurou Viktor.


— O quê?


 


Ele acariciou-lhe os cabelos e sorriu.


 


— Bem que me avisaram para tomar cuidado com as garotas que gostam desse tipo de arte — falou em tom de brincadeira. — Agora eu sei por quê.


 


Hermione ergueu a cabeça e olhou para ele.


 


— Por quê? — perguntou, os olhos cintilantes.


— Elas conhecem truques de feitiçaria tão incríveis... — explicou, com ar grave. — Nenhum homem consegue resistir.


— Pois eu conheço muitos que conseguem.


— Pior para eles então. — Beijou-a de leve na testa. — Fico feliz por não ser tão forte.


 


Hermione deu um longo suspiro, traçando com o indicador o contorno dos lábios de Viktor.


 


— Eu também. — Apoiou a cabeça no ombro dele novamente acrescentou: — Que bom que minha varinha não chamou-me nenhuma vez.


— Deve ser porque eu a escondi.


 


Hermione ergueu a cabeça outra vez.


 


— Você fez isso?


— Bom, alguém tem que salvá-la desse fanatismo pelo trabalho.


— Mas... Viktor eu não posso... E se alguém estiver precisando de mim?


— Não se preocupe. Wilma prometeu transferir qualquer chamada de urgência para outro tratador.


— Como você sabe?


— Porque fui eu que lhe dei essa sugestão.


 


Hermione abriu a boca para replicar, mas fechou-a sem dizer nada. Não sabia se ficava zangada ou não. Por fim, acabou caindo na risada.


 


— Você é um louco. E como Wilma reagiu quando você lhe deu essa sugestão?


 


Viktor abraçou-a e puxou-a mais para perto.


 


— Ela disse — murmurou, mordiscando a ponta da orelha de Hermione — que esperava que nós nos divertíssemos muito.


 


Hermione sorriu e beijou o pescoço de Viktor quando ele se deitou sobre ela.


 


— Definitivamente, Wilma é uma mulher que sabe das coisas — afirmou, decidida a seguir o conselho da secretária.


 


 


O sol já começava a cair quando Viktor levou Hermione para dar uma volta pela fazenda. Enquanto caminhavam de mãos dadas na direção das cocheiras ela se sentia leve e feliz. Aspirou profundamente enchendo os pulmões com o ar puro do campo. A tarde estava quente, mas uma brisa suave soprava, agitando os cabelos castanhos de Hermione, bem como as folhas das árvores. O sol parecia uma bola vermelha agora e as silhuetas dos hipogrifos que ainda estavam no pasto destacavam-se contra o tom entre rosa e púrpura do horizonte. Era um cenário incrível, que dava à fazenda um quê de irreal, de fantástico.


Era a hora do dia que Hermione mais apreciava e naquela tarde ela se sentiu em paz consigo mesma, totalmente integrada à paisagem à sua volta. Os problemas no Ministério pareciam-lhe uma coisa muito distante; há muito tempo não se sentia tão descontraída e feliz.


Como se houvesse lido os pensamentos dela, Viktor voltou a cabeça e sorriu.


 


— Ainda está contente por ter vindo?


 


Ela balançou a cabeça, confirmando, e sentiu que Viktor pressionava-lhe a mão com mais força. Que homem atraente, pensou, observando-o. Nunca havia conhecido outro igual. Admirava-lhe os traços marcantes e tão masculinos do rosto, o perfil enérgico, os cabelos pretos e brilhantes. Viktor transpirava força e segurança e Hermione adivinhava nele uma personalidade que não se dobrava facilmente.


Para o dia ser perfeito, faltava apenas... Aquela linha de seus pensamentos deixou-a irritada consigo mesma. O que estaria acontecendo com ela afinal? Por acaso não podia esperar nem mais um segundo para ouvi-lo dizer que estava apaixonado e que não podia viver sem ela? O relacionamento deles era muito recente e Hermione não tinha o direito de exigir que ele fizesse uma declaração de amor, mas, ainda assim, daria tudo para saber que pensamentos se ocultavam por trás daqueles olhos castanhos e impenetráveis.


A cocheira das fêmeas possuía trinta baias, todas elas ocupadas. Em cada uma delas, havia uma plaqueta de bronze com o nome do animal, mas Viktor podia reconhecer todas as fêmeas sem precisar recorrer às plaquetas. Enquanto caminhavam pela cocheira, ia apresentando cada uma delas a Hermione. Muitas estavam ocupadas demais com a ração que haviam acabado de receber e nem sequer notavam a presença deles. Outras, um pouco mais curiosas erguiam a cabeça e olhavam tranqüilamente para os dois.


Viktor parou diante da última baia, que tinha duas vezes o tamanho das outras e deu um tapinha amigável na que a ocupava,


 


— Esta é Fortune in Gold — apresentou com orgulho. — A mãe de King's Ransom.


 


Hermione aproximou-se para examinar melhor a fêmea. Como o filho, Fortune in Gold tinha o pêlo acastanhado, quase dourado, olhos vivos e uma bonita estrutura.


Viktor abriu a porta e, ao vê-lo fazer uma reverência, a fêmea repetiu o gesto e foi até ele. Só então Hermione notou que uma das patas do animal era defeituosa.


 


— Como foi isso?


— Ela se feriu na sua terceira corrida, quando ainda estava no partidor à espera da largada, mas o jóquei só notou o ferimento no final do páreo. — Passou a mão carinhosamente pelo pescoço do animal. — O esforço foi demais e ela acabou quebrando a quartela. Ao ver o estado em que ela se encontrava, seu dono queria sacrificá-la.


— Foi aí que você decidiu comprá-la?


— Eu não podia deixá-la morrer — Viktor falou com simplicidade. — Ela havia vencido o páreo com apenas três pernas. Merecia uma chance depois de tanto esforço. Nunca vi um hipogrifo com tanta garra.


 


Garra. O termo que os criadores de hipogrifos usavam para designar os animais que para vencer ultrapassavam os limites da resistência e da dor. Uma qualidade que distinguia os campeões, pensou Hermione.


 


— E ela lhe deu King's Ransom para recompensá-lo pelo seu gesto — afirmou, acariciando o focinho da fêmea.


— Isso mesmo — confirmou Viktor, dando um último tapinha no dorso do animal.


 


Foram para a cocheira seguinte, onde as fêmeas de outras fazendas aguardavam o momento ideal para serem cruzadas com os garanhões de Gauntlet West. Ali ficavam também as que já estavam prenhas. Hermione ficou admirada com as câmaras que havia em cada baia e que permitiam que as fêmeas fossem acompanhadas através de um monitor que ficava na casa. Ficou ainda mais impressionada com os equipamentos modernos, a última palavra em sofisticação, que ficavam à disposição do tratador.


 


— É incrível. Viktor! Trabalhar aqui deve ser uma brincadeira — falou entusiasmada. — É uma pena que a maioria das fazendas não tenha um equipamento como este. Às vezes, numa emergência, cada minuto é importante e o tratador é obrigado a desperdiçar um tempo precioso, transportando o hipogrifo para um lugar que ofereça condições para uma operação.


— Quer dizer que você aprovou as instalações?


— Se eu aprovei? Isto aqui é o sonho dourado de qualquer tratador!


— Eu espero que sim. Em breve, vou precisar de um tratador que se dedique em tempo integral ao meu haras. Talvez você se interesse pelo emprego.


 


Hermione não sabia se Viktor estava falando a sério ou não. Riu, insegura e, por um momento, teve a tentação de aceitar a oferta só para ver como ele reagiria.


 


— Eu não sei, Viktor — falou em tom casual. — É melhor deixarmos para discutir isso quando chegar a hora, concorda?


 


Ele ficou em silêncio durante alguns segundos, observando-a atentamente. Sua fisionomia estava impenetrável e Hermione recriminou-se por ter falado com tão pouco caso, mas em seguida, Viktor sorriu, dissipando a tensão que havia no ar.


 


— É, acho que você tem razão. — Apagou as luzes e os dois saíram da cocheira.


 


Enquanto caminhava ao lado de Viktor, Hermione podia jurar que alguma coisa havia mudado entre eles. Não era apenas o silêncio da fazenda que a fazia sentir-se tão vazia por dentro.


A caminho da casa ela tentava convencer-se de que Viktor não havia feito aquela proposta a sério. Com certeza, fora apenas um comentário fortuito, uma conseqüência natural dos momentos de intimidade que haviam dividido pouco antes. Tinha certeza de que fora isso. Viktor não podia pretender que ela abandonasse a clientela conquistada a duras penas no Ministério, para dedicar-se apenas à fazenda dele, mas como podia ter tanta convicção das intenções de Viktor? Ela simplesmente não sabia o que ele queria nem o que pensava. Tinha que admitir que não conhecia Viktor Krum. Ele era um homem fechado, que dificilmente falava da própria vida. Hermione, até aquele momento, não tentara forçar a barra. Tinha horror de invadir a privacidade de outra pessoa.


Desde que começara a trabalhar no Ministério, havia entendido que nunca seria aceita naquele círculo dominado pelos homens. Seria sempre considerada uma intrusa, apenas porque era mulher, mas isso nunca a preocupara muito. Queria trabalhar e não estava interessada num relacionamento mais amistoso com os outros; bastava que a respeitassem como profissional.


Mas justamente porque estava habituada a se manter a distância dos outros é que estava tão confusa agora. Tinha receio de cruzar aquela linha invisível que ela mesma traçara. Simplesmente não sabia quando parar de agir como uma profissional e começar a se comportar com uma mulher que precisava conhecer os sentimentos do homem que a interessava.


 


 


Durante o jantar, que foi servido no jardim, à beira das piscinas, Viktor continuou calado e distante. Hermione mal tocou na comida. Estava preocupada demais com a mudança de humor dele. Quando estavam no fim da refeição ela sentiu que não poderia agüentar aquela situação nem mais um segundo. Uma coisa era respeitar a privacidade de uma pessoa; outra era torturar-se por não conseguir fazer nem ao menos uma simples pergunta.


 


— Você está tão estranho, Viktor — arriscou, finalmente. — Aconteceu alguma coisa?


 


Ele negou, fingindo espanto e perguntou:


 


— Por quê?


 


Hermione tomou um gole de vinho e depois olhou diretamente para ele. Agora que havia tocado no assunto, não poderia recuar.


 


— Você mal disse duas palavras durante o jantar. Se está aborrecido com alguma coisa, fale, por favor.


 


Estavam sentados um diante do outro, separados por toda a extensão da mesa. Já havia escurecido e as chamas das velas nos castiçais formavam muitas sombras, que dançavam pelo rosto de Viktor, impedindo-a de ver-lhe a expressão. Aguardou a resposta dele, tentando aparentar calma, mas seu coração estava agitado e ela estava com receio do que Viktor poderia dizer. Nervosa, amassou o guardanapo, que estava em seu colo.


Viktor levantou-se de repente e aproximou-se dela.


 


— Eu sinto muito, Hermione — falou em tom contrito, segurando-lhe uma das mãos. — Eu não pretendia ser mal-educado.


 


As mãos dele estavam quentes e Hermione reprimiu o impulso de apertá-las entre as suas. Não podia ignorar a mudança repentina de Viktor, fazer de conta que não havia acontecido nada. Havia passado a tarde inteira fazendo amor. Por que se comportavam como dois estranhos agora?


 


— Foi alguma coisa que eu disse? — insistiu Hermione.


— Vamos nos sentar naquelas cadeiras à beira da piscina — sugeriu Viktor, fugindo de uma resposta direta. — Eu queria conversar com você:


 


Hermione olhou-o apreensiva. A gravidade na voz dele não deixava dúvidas de que o assunto era sério. Com o coração aos saltos ela se levantou e acompanhou-o até as cadeiras de vime.


Sentaram-se, mas, durante alguns momentos. Viktor não disse nada. Aquele silêncio, quebrado apenas pela cachoeira artificial, torturava Hermione. Por que estava tão certa de que Viktor pensava que fora um erro convidá-la? Por que tinha a intuição de que ele ia dizer que não pretendia envolver-se mais seriamente com ela? Esse receio era uma prova de que ele já representava muito em sua vida, constatou amargurada.


 


— Eu estava falando sério quando disse que gostaria que você trabalhasse só para mim — afirmou Viktor, surpreendendo-a totalmente. — E gostaria que você pensasse na minha oferta.


 


No primeiro momento, Hermione ficou sem fala. Estava irritada consigo mesma por ter dado uma conotação romântica ao assunto enquanto Viktor estava apenas preocupado com os negócios da fazenda.


 


— Eu lutei muito para conquistar uma posição estável no Ministério — falou. — Foi um sonho que me acompanhou durante anos.


— O Ministério não é lugar para mulheres. Você pode constatar isso pelas moças que trabalham nas áreas. Com o tempo elas acabam se tornando pessoas rudes, porque a vida lá é muito dura. Você quer que isso aconteça com você?


— Eu não corro esse risco.


— Como pode ter tanta certeza?


— Porque não espero um tratamento especial apenas porque sou mulher. Eu não...


— Nenhuma daquelas moças espera tratamento especial — interrompeu-a rudemente. — E é justamente isso o que...


 


Em outra ocasião, Hermione teria ficado comovida com o tom protetor de Viktor, mas agora envergonhada como estava de suas divagações românticas, reagiu em tom áspero:


 


— Eu nunca lhe disse como dirigir a sua vida, Viktor. Por favor, deixe que eu mesma cuide da minha.


— Pois você não parece capaz disso. — Seu ar era quase paternal. — Eu não quero que você se machuque....


 


Mas ela já se machucara. A vida no Ministério era mesmo difícil, muito dura. Nisso Hermione concordava com ele, mas ela aprendera a sobreviver. Num esporte dominado pelos homens, como eram as corridas de hipogrifos, uma mulher tinha que seguir as regras que eles haviam estabelecido, ou estaria fora. Havia sido duro, mas ela sufocara o próprio orgulho e engolira muitos sapos, mas havia aprendido aquelas regras. E, graças a isso, vencera a batalha. Não iria desistir de tudo apenas porque Viktor Krum a julgava frágil demais para aquele tipo de vida.


 


— Agradeço o seu convite, Viktor — falou com frieza. — Mas não pretendo me desviar do caminho que eu mesma escolhi.


 


Sabia que havia ido longe demais, mas simplesmente não conseguira se controlar. Ficara desapontada demais quando ele havia começado a falar de negócios. Por que aquele romantismo então fora de propósito? Ela nunca agira como uma boboca sentimental antes. Estava esperando o que, um pedido de casamento em lugar de uma proposta de trabalho?


Essa descoberta deixou-a aturdida. Só agora se dava conta de que a idéia de casar-se com Viktor insinuara-se em sua mente há algum tempo. Casamento! Ela queria mesmo casar-se com ele? Ridículo! Naquele momento, chegou até a odiá-lo. Ele era o responsável por aquele descontrole emocional. Pretextando uma dor de cabeça, despediu-se e entrou na casa, amargamente arrependida de haver aceito aquele convite para o fim de semana.

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