Capítulo Um
- St. Mungus -
Lily acordou no meio da noite, sentia como se o seu estômago estivesse em um trampolim dentro dela. O mundo girava ao seu redor, ela teve que se sentar. James se revirou na cama, incomodado com a movimentação. Depois do fim das aulas, ela havia ido passar um tempo na casa dele, não havia mais nada para ser feito mesmo, por mais que procurasse emprego não conseguia nada.
Os tempos eram difíceis, ninguém se sentia a salvo, e o hospital estava proibido de efetuar novas contratações, o ministério estava cortando os custos para contratação de novos aurores. James por outro lado não parecia nem um pouco preocupado com o futuro, muito menos em conseguir um emprego, o que o fazia muito feliz, mas parecia fazer os pais dele ficarem bem irritados. Lembrava-se da quase briga que havia presenciado a aquela manhã.
- Bom dia filhinho. - Lembrava-se do beijo melodramático que a mãe dele havia dado, para depois recair com um olhar frio sobre ela.- Bom dia, Evans.
- Bom dia, senhora Potter. - Tentou sorrir, o que era difícil para aquela mulher. - Senhor Potter.
- Bom dia, Lily, como vão as entrevistas? - O senhor Potter sim era um homem muito simpático.
- Ah, não muito bem, acho que eu escolhi a profissão errada. - Ela lamentou, pegando um pão de queijo.
- Não desista, Lily, o ministério está uma bagunça, mas pode ter certeza que você persistindo mais um pouco, consegue.
- Eu sei, vou persistir. - Ela sorriu, era tudo o que precisava ouvir, bem diferente de James que vivia dizendo para ela largar aquela ideia de tentar arranjar um emprego dizendo que eles já eram ricos e não precisavam de mais.
“Seu pai é rico, não você, James” sempre tinha que o lembrar naquelas situações.
- E você, James, está tentando algo? - E foi exatamente ali que o problema havia começado, o moreno encarou o pai como se tivesse lançado um crucio nele.
- Oh, Harry, deixe James em paz, por Merlin. - Saiu a mãe de James em socorro ao filho, como sempre fazia. Lilian sabia que aquela era a melhor hora para se levantar e sair dali, mas não conseguia encontrar a brecha para isso, então se afundou na cadeira, se concentrando em seu pão de queijo como se fosse algo impressionante.
- Você ainda não arranjou nada? Quer dizer, você realmente está procurando algo? James, você quer ser esse moleque inconsequente pra sempre?!- Estrilou Harry, batendo contra a mesa, fazendo com que Lily desse um pulo.
- Eu não sou moleque, muito menos inconsequente! - Gritou James para o pai, e pronto, o problema estava posto a mesa, Lilian começou a sentir aquele enjoo que estava se tornando tão familiar para ela, mas resolveu se calar.
- Não é como você está agindo! O mundo está uma bagunça, e você está ai, sentado fingindo que não está acontecendo nada, sem nenhum futuro!
- Harry! Não fale assim com o James! - E lá estava a mãe dele novamente.
- Está tudo bem, mãe, eu perdi a fome, vem Lilian. - E ele a puxou para fora dali.
A ânsia de vômito fez com que a ruiva voltasse a realidade, saindo daqueles pensamentos sobre o passado. Por mais que não quisesse admitir, James estava se provando suficientemente imaturo, e completamente descomprometido. Mas poderá, eles só tinham dezessete anos. Ela sempre soube como o namorado era, e talvez por isso não se surpreendesse tanto com as atitudes dele, tinha certeza que o pai dele acabaria por encontrar um emprego para ele, e mesmo que James relutasse, acabaria aceitando, e tudo estaria resolvido.
Ela teve que levar a mão a boca, precisava mesmo vomitar.
- Lily? O que foi? - Ela ouviu a voz sonolenta de James.
- Não... Eu não to passando bem, eu acho.. - Lilian sentiu seus joelhos baterem contra chão, e depois não viu mais nada.
- Lily, por Avalon, o que? - O moreno se levantou para acudir a ruiva que estava caída no chão. - PAI! MÃE! SIRIUS! ALGUÉM, POR MERLIN!
- Mocinha, é hora de acordar. - Lilian sentia alguém acariciar seus cabelos, seus olhos se abriram de vagar, as imagens pareciam turvas e nada fazia muito sentido. Ela piscou de novo, esperando até que o mundo todo estivesse em seu devido lugar. - Finalmente, Bela Adormecida.
Ela então pode distinguir a voz de Lilith, e viu os grandes olhos escuros dela sobre si, olhos que mesmo que tentassem ser divertidos, carregavam uma preocupação jamais imaginada.
- Lil? - A ruiva se certificou, até que finalmente tudo pareceu claro. - Onde eu estou?!
- No seu lugar preferido no mundo todo, o hospital! - A menina olhou ao redor, finalmente percebendo que estava em uma maca, no Mungus.
- Oh, nossa. O que aconteceu?
- Até onde James me contou, você acordou no meio da noite, disse que estava passando mal e de repente desmaiou, ele ficou desesperado, precisava ver a cara do paspalho.
- Eu.. Desmaiei? - Ela tentava se lembrar da noite passada, mas não conseguia pensar em nada, lembrava-se de ficar pensando sobre o emprego de James, e depois tudo não passava de uma sequência estranha de sentimentos e dores. - E o médico já disse o que eu tenho?
- Não é nada grave, eu garanto. - As duas ouviram uma terceira voz na conversa, e perceberam que na porta havia uma enfermeira morena e alta, aparentando beirar os cinquenta anos, era corpulenta e seus cabelos pareciam se negar a serem vencidos pela idade. - Senhorita Ludov, será que eu posso conversar com Evans por um minuto?
- Ah, claro, eu vou avisar para os outros que você acordou, todos estão uma pilha de nervos. - Lilith procurou a melhor saída, para depois dar um beijo na testa da amiga. - Se cuida, Potter.
A menina assentiu, tentando sorrir para a amiga, enquanto a mesma saia, mas algo dentro dela dizia que não era boa coisa o que vinha. Sabia talvez por conta do olhar da enfermeira, aquele olhar de “poxa vida, não acredito que me escolheram pra contar isso a ela”, como quando alguém perdia nos palitinhos e tinha que contar a família do paciente que ele não havia resistido. Mas se não era nada sério, o que mais poderia ser?
- Senhorita Evans, está se sentindo bem?
- Oh, sim, estou me sentindo ótima, me disseram que eu desmaiei, o que está havendo comigo?
- Hmm, estou reconhecendo você, esteve aqui esses dias para a entrevista, para o emprego na enfermaria não foi? - Ela estava mudando de assunto, e aquilo tudo só estava deixando a garota mais irritada, a enfermeira sentou-se na maca, pegando a ficha dela. - Tem dezessete, não? Acabou Hogwarts agora?
- Sim, há alguns meses, o que eu tenho é grave? - Ela voltou a insistir, queria ouvir logo independentemente do que fosse.
- Não, não é nada grave, o que está havendo, na verdade, é que você está grávida, senhorita Evans.
Lilian franziu o cenho, e balançou a cabeça negativamente por alguns instantes, ela estava em choque. Como poderia estar grávida? Pensou em perguntar isso a enfermeira, mas teve medo que ela fosse de fato explicar como aquilo havia ocorrido. Sua boca se abriu e fechou várias vezes e a mulher a sua frente esperou pacientemente.
- Grávida? - Ela finalmente conseguiu repetir, para ver a mulher assentir a ela. - Você já... Contou aos outros?
- Não, a senhorita prefere que eu diga?
- Não! - Se apressou, engolindo a seco, não imaginava qual seria a reação de James a aquilo. - Pode deixar que eu conto.
- Tudo bem, o doutor vai te dar alta daqui a pouco, vá para casa, descanse, evite fazer esforço, e qualquer emoção forte, quando estiver mais calma, volte aqui para conversar com o médico, está certo? Você receberá um correio com a data de sua consulta, e cuide bem dessa criança, pode ser que agora esteja assustada, mas todo o nascimento é uma dádiva, menina. - Ouviu as instruções da enfermeira muito vagamente, e só percebeu que ela havia terminado quando recebeu os dois tapinhas dela na perna, e depois viu a mulher se levantar, seus olhos acompanharam os movimentos da mulher, mas seu pensamento estava muito longe dali. Grávida. Como ela podia ter feito uma coisa como aquela? Grávida! Seu maior desejo naquele momento era chorar. O que seria de sua vida agora? O que ela e James fariam?
- E olha só quem voltou dos mortos! - A menina foi tirada de seus pensamentos pela voz de Sirius, aos gritos em sua porta, que foi seguida de muitos 'shius' dos que estavam atrás dele. - E então, Evans, não gostou de lá e resolveu voltar? Muito sensato da sua parte, ia perder a melhor parte da festa e..
- Saia da frente, cachorro. - James empurrou Sirius para longe da porta, e então ela pode ver Remus, Peter e Lilith adentrarem, o namorado sentou-se em sua cama, dando um forte abraço nela, e Rem colocou um buquê de flores amarelas sobre o criado mudo. - Como você está, amor?
- Eu estou ótima, Jay. - Ela mentiu, com seu melhor sorriso.- Foi só um mal estar, me desculpe por ter preocupado tanto vocês.
- Nada disso, ruiva, você é uma de nós. - Assegurou Peter, se largando na cadeira ao lado da cama dela. - Tudo que queremos é ver você bem, não queremos que o James cometa algum suicídio poético a la Romeu e Julieta ou nada do tipo.
- Eu consigo imaginar, “Oh, meu lirío, meu bombozinho, meu recheio de amor, o que farei eu da vida sem você? Prefiro a morte, a morte!” - Encenava Sirius, colocando a mão contra a testa e fingindo cair morto sobre Peter, que o empurrou dizendo “sai pra lá, que você não faz meu tipo”.
- Deixa esses idiotas pra lá, Lily, estamos felizes que você esteja melhor. - Decretou Remus, entregando as floresa ela, que se esticou para dar-lhe um beijo no rosto.
- Por que o Remus ganhou beijo e eu ganhei só um abraço, está criando preferências, é isso, senhora Potter? - James colocou as mãos na cintura, fingindo estar irritado.
- Vai ver que ela descobriu que você é viado. - Sirius deu de ombros ainda sentado no chão, para receber um dos travesseiros de Lilian na cara. - Ei, que ataque é esse? Cadê a liberdade de imprensa? Lilith, amor, olha os repressores aqui!
- Minha única preferência e escolha é você, senhor Potter. - Assegurou Lilian, ignorando os gritos de Sirius, e segurando o rosto do maroto com as mãos, juntou os lábios do namorado aos dela.
- Ok, chega de melodrama, Lilian está liberada, vamos dar o fora daqui antes que chamem os seguranças para o Sirius. - Lilith estava na porta, com as roupas da amiga na mão. E de repente tudo parecia tão normal e banal, que Lilian quase se esqueceu do por que realmente estava ali, tudo parecia tão bem com seus amigos ao seu redor que ela quase parece de imaginar sobre o que o futuro lhe guardava. O grande problema é que o futuro, pelo visto, não se esquecia dela.