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3. CAPÍTULO TRÊS


Fic: Romance à Italiana - UA - HH


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Harry observou Hermione através da extensa janela na sala de estar, de onde podia vê-la de pé no anexo convertido em uma piscina coberta pelos proprietários originais da casa. Ele a via de costas, com as mãos apoiadas na cintura, supervisionando os trabalhadores. As mangas do suéter largo estavam arregaçadas até os cotovelos e embaixo da saia podia-se ver um par de resistentes galochas verdes.
Passava das 17 horas e Harry acabara de visitar o padrinho, que se recuperava bem.
— A comida é horrível — reclamara Sirius. — Sem gosto — e então olhara um tanto tímido para Harry. — Essa história de trabalho. Não vai impor sua ridícula rotina de trabalho a Hermione, vai?
— Ridícula?
— Bom, você sabe que é viciado em trabalho... Havia um leve toque de reprovação na voz, o que aborreceu Harry.
— Não posso ter sucesso na direção de um negócio se passar meu tempo jogando golfe e tirando férias, Sirius.
Jamais jogara golfe em toda a sua existência, e quanto a férias... Bem, era algo que esporadicamente encaixava em sua vida frenética. Sempre gostara disso. A última vez que o convenceram a tirar uma semana de folga fora seis meses antes, quando ele e Ginevra, por insistência dela, viajaram para as Ilhas Seychelles. Após dois dias, ficara ansioso para voltar ao ritmo normal. Isso fazia dele um viciado em trabalho? Pelo visto, sim.
Sirius forçou um pigarro e em seguida indagou, estreitando os olhos:
— Você não vai maltratá-la, não é?
Ele faz com que ela pareça um coelho assustado. Harry pensava agora, observando-a gesticular para alguém que não estava ao alcance de sua vista. Os cabelos castanhos ondulados estavam presos em um rabo de cavalo. De onde ele estava, vestida com suas roupas fora de moda, Hermione mais parecia um pardal que um coelho.
Retirou-se da sala de estar com passos vigorosos, atravessou a cozinha e seguiu para o anexo, onde se surpreendeu ao ouvi-la falar com os operários cheia de autoconfiança, e até rir. Quando, porém, tossiu educadamente atrás de Hermione, ela retomou a costumeira expressão tensa, como se fosse uma máscara.
— Você voltou.
— E você parece feliz — disse Harry, posicionando-se próximo a ela a fim de verificar como estavam as coisas. — Tão feliz quanto alguém que perdeu uma nota de dez e achou cinco centavos. Quero que me coloque a par do que está acontecendo.
Afastou-se de Hermione com impaciência e ela, após alguns segundos de indecisão, seguiu-o e começou a apontar as áreas em que já haviam feito progresso. Não obedecera as ordens de estabelecer regras e fazer exigências. Na verdade, tinha sido bastante tímida e hesitante ao visitar a imensa loja nos arredores da cidade e receber um grande número de negativas quando explicou o nível de deterioração da piscina. Explicara que dinheiro não seria problema desde que conseguissem terminar o trabalho antes de Sirius estar de volta.
Gastara tempo demais falando sobre o patrão, sobre o ataque cardíaco repentino e a necessidade de que a piscina estivesse pronta para que ele iniciasse a rotina de exercícios moderados. Seus olhos se encheram d'água, e o gentil senhor de meia-idade apanhou uma caixa de lenços de papel sob o balcão.
Harry teria uma síncope se fosse uma mosca na parede durante a conversa. Hermione ficou aliviada por ele estar bem longe, em Londres.
Os cinco operários, cujas idades variavam de vinte e poucos a cinqüenta e muitos, pararam o que estavam fazendo e explicaram as tecnicidades de sua tarefa. Enquanto falavam, Harry inspecionava a área em silêncio, fazendo o mínimo de perguntas, porém deixando claro que era um especialista no assunto e que, portanto, não poderiam enganá-lo.
Hermione admirava isso. De longe, toda aquela autoconfiança era impressionante. Ao se aproximar, no entanto, era possível ver o quanto isso podia ser assustador.
Harry fez suas averiguações na área da piscina e instruiu os homens a continuarem, ressaltando que contava que se empenhassem ao máximo tendo em vista o prazo escasso para a obra.
— Bem — disse quando retomaram à cozinha — tudo parece satisfatório.
Retirou a jaqueta, atirando-a em uma cadeira, e olhou para Hermione, cujo cabelo tornara-se um emaranhado. Ela se livrara das galochas na porta da cozinha, trocando-as por confortáveis mocassins. Felizmente, esse serviço de secretária se restringiria à casa, pois em hipótese alguma toleraria que um membro de sua equipe no escritório aparecesse para trabalhar totalmente desarrumado e desleixado como ela estava. Aliás, como sempre estava.
— Obrigada. Eu... não tinha certeza se a obra poderia ser feita a tempo... mas...
— Não falei que vale a pena ser rigoroso? — disse, satisfeito.
— Disse — concordou Hermione, recordando sua abordagem nada rigorosa ao tratar com o Sr. Hawkins, proprietário da empresa de construção. — Aceita um café? Chá? — Passava das 6 da tarde. Talvez quisesse algo mais forte. — Alguma outra coisa? — perguntou, prestativa. — Acho que tem bebida alcoólica na despensa e vinho na geladeira.
— Um café está bom.
— Molly fez uma torta — ofereceu, ocupando-se de preparar o café. —- De frango. Posso esquentar, se quiser. Tem legumes também. Ela se ofereceu para ficar e lavar a louça, mas eu disse que podia ir embora. Tudo bem? — Fitou Harry, que se sentara em uma das cadeiras em um ângulo de onde pudesse acompanhar os movimentos de Hermione.
— Não costumo comer às 18:30 — informou, sarcástico. — Normalmente, ainda estou no trabalho a essa hora.
— Claro — Hermione deu uma risada nervosa. — Sirius e eu temos o hábito de comer cedo. E, antes disso, eu jantava com as crianças — passou-lhe a caneca de café e sentou-se do outro lado da mesa. — Meu relógio biológico não segue um ritmo muito sofisticado, suponho. Harry sentiu-se dividido entre ir direto ao que interessava, ou seja, Sirius e a rotina que ela imaginava para ele quando saísse do hospital, ou rebater o comentário sobre o horário da refeição. Com o rosto de menina e o cabelo desalinhado, mais parecia uma adolescente que uma adulta, mas já tinha quase vinte e quatro anos! Quantas mulheres dessa idade se contentariam em ficar trancafiadas em uma casa tomando conta de um idoso, por mais encantador que ele fosse?
— Nunca a incomodou? — irritou-se ao se ouvir dizer.
— Como? — Hermione ergueu a cabeça, pois estivera contemplando o redemoinho na superfície do café, e olhou-o perplexa.
— Com isto — fez um gesto com a mão para indicar que se referia à casa. — Ficar aqui com Sirius. Jantar às 18:30, levar uma vida pacata — ele sorveu um gole de café e recostou-se na cadeira, com as longas pernas estendidas.
Hermione enrubesceu ao perceber a crítica implícita na voz de Harry e não sabia o que fazer.
— Por que deveria? — acabou por responder. Cruzou o olhar com os penetrantes olhos verdos e estremeceu levemente. — Não sou uma pessoa de festas, embora — acrescentou depressa — eu saia de vez em quando, é lógico. Na minha folga, encontro alguns amigos que conheci na cidade. São professores. Eu os conheci na biblioteca.
Os ouvidos de Harry se aguçaram e ele considerou a possibilidade de o pequeno pardal levar uma vida dupla.
— Amigos do sexo masculino?
Hermione ficou vermelha.
— Na verdade, não acho que isso seja da sua conta — murmurou, aflita ao perceber que o rosto sombrio e tenso relaxara, adquirindo uma expressão de diversão.
— Tem razão. Não é — completou, sem o menor traço de arrependimento na voz. — Fui visitar Sirius antes de vir para cá — mudara de assunto, mas continuava a observá-la, fascinado com a transparência de seu rosto. Que vivera recolhida a vida inteira ficava óbvio até para um idiota, só de olhar para ela. Todo o universo da malícia feminina lhe tinha passado ao largo. Pensou em Ginevra e sua beleza sofisticada e glamurosa, e se perguntou o que uma pensaria da outra.
— Sirius está bem, não está? — inquiriu ansiosa, com empolgação estampada no rosto ao recordar a visita que ela própria lhe fizera aquela tarde. — Os médicos e as enfermeiras estão animados com a evolução dele.
— Parece não estar tão animado com a comida.
— É um danado — disse, rindo; um riso doce e suave que envolveu todo o rosto. — Espero que não estivesse tentando comovê-lo, pois ele sabe que comida temperada está proibida. Já deixei isso bem claro.
Harry deu um risinho e mostrou-lhe um sorriso travesso.
— Acho que é exatamente o que ele tentou fazer. Comida sem gosto, saudável e uma piscina. Posso ver Sirius adotando essa nova filosofia de vida com todo prazer — seus olhos se encontraram num momento de diversão mútua, e Hermione piscou e desviou o olhar, sentindo-se repentina e inexplicavelmente confusa.
Harry era, pensava, trêmula, um homem muito bonito, com um quê de perigo que atiçaria qualquer mulher. Procurou imaginá-lo como uma fruta tentadora que esconde um veneno mortal. Não era tão difícil. Não agora, que o momento em que se divertiram juntos passara, nem no dia seguinte quando, às 8:30 em ponto, ela chegou ao escritório e o encontrou com as mangas arregaçadas, sentado em frente ao laptop.
Harry lançou-lhe um rápido olhar e disse-lhe com impaciência que entrasse e fechasse a porta.
Era o arquétipo do pior patrão que poderia imaginar. Após dar a ela dez minutos para se acomodar diante do computador de Sirius, passou a despejar instruções.
O relatório número um consistia de uma carta extensa sobre um contrato multimilionário, que incluía palavras que Hermione nunca tinha ouvido, e muito menos digitado.
Quando Hermione por fim suspirou de puro desespero, Harry encaminhou-se para onde estava e debruçou-se sobre ela para ver a carta, que estava coalhada de erros. — Achei que tinha dito que sabia digitar — declarou, censurando-a, e a seguir sentou-se na beirada da mesa e encarou-a com a fisionomia carregada.
— Eu disse que não seria uma boa idéia — murmurou, sentindo o rosto queimar. — Estou me esforçando, mas você dita muito rápido. Como posso acompanhá-lo?
— Isso está cheio de erros.
— Eu sei! — reconheceu com tristeza. — Nunca ouvi metade dessas palavras! É tudo linguagem jurídica! Sua secretária deve ser mestra em digitar esse jargão porque está acostumada, mas eu não! Sirius não ditava documentos de negócios, ditava coisas normais — percebeu uma oscilação na própria voz e sentiu um desejo incomum de jogar o laptop na cabeça dele.
— Vai ter de corrigir. E, se ajudar, pode usar um dos dicionários jurídicos da prateleira — saiu de cima da mesa, dando a ela tempo de se acalmar e pegar o dicionário na prateleira, ciente de que estava sendo observada com ar de reprovação.
Contudo, pela meia hora que se seguiu, ele não ficou colado no seu pescoço. Relaxou na cadeira de couro, que acomodava Sirius tão bem e na qual ele parecia fazer encolher com o corpo grande e forte, e começou a dar uma série de telefonemas, enquanto Hermione corrigia o odioso documento.
Se fosse uma funcionária contratada temporariamente, não tinha dúvidas de que ao final do dia o ouviria dizer: "Seus serviços não serão mais necessários."
Ao terminar as correções, deu-se conta de que Harry continuava ao telefone e constatou, surpresa, que se tratava de um telefonema diferente dos outros. Ele arrastara a cadeira para longe e falava em voz baixa e rouca. Uma voz muito íntima.
Hermione fixou o olhar na nuca de Harry e continuava a mirá-lo quando ele girou a cadeira para pousar o forte.
— Terminou? — perguntou amável, e Hermione assentiu e desviou o olhar.
— Se quiser privacidade para fazer ligações pessoais, não me importo de sair — deixou escapar, corando com a gafe.
— O que a faz pensar que eu estava numa ligação pessoal?
— Não é da minha conta — murmurou, incapaz de afastar o olhar.
Harry nada disse. Pareceu apenas refletir sobre a pergunta e, em seguida, encolheu os ombros como se tivesse tomado uma decisão.
— Talvez fosse — ele se levantou, foi até a janela e recostou-se na borda para observá-la melhor. — Você tinha razão. Eu estava numa ligação pessoal. Nada que requeira privacidade, posso lhe assegurar.
— Está bem — aquilo era estranho. Se ela estivesse numa ligação pessoal com um homem, e ela imaginava que se tratava de uma mulher do outro lado da linha, desejaria o máximo de privacidade possível. Quem ia querer que suas palavras de carinho fossem ouvidas por qualquer um? Acontece que Harry não era um homem normal. Talvez nunca dissesse palavras de carinho.
— Sirius costuma falar sobre minha vida particular?
— Não exatamente — respondeu evasiva. Seu corpo, com o sol brilhando por trás e iluminando sua silhueta, parecia esbelto, e os ombros, largos e musculosos.
— O que quer dizer com "não exatamente"? Sim ou não?
— Ele mencionou uma ou duas vezes que você... é muito popular com as mulheres.
A colocação pareceu agradá-lo e ele ergueu as sobrancelhas de forma expressiva.
— E ele acha que saio com todas?
— Não foi o que ele disse!
— Não, mas é o que pensa. E desaprova. Mas... — Harry manteve o suspense até Hermione estar prestes a pedir que completasse logo a frase — ele pode ter uma grata surpresa ao retornar. Nunca trouxe nenhuma das mulheres com quem saí para conhecer Sirius.
— Eu sei — disse, sem querer, e depois se deteve.
— Embora eu saiba que há muito Sirius deseja que eu tenha um relacionamento sério o bastante para trazer uma mulher aqui. — Harry pensou nas inúmeras vezes em que o padrinho lhe fizera perguntas sobre sua vida amorosa, dando todas as pistas de que queria que o afilhado sossegasse.
— E acho — declarou pensativo — que talvez tenha chegado a hora de trazer uma mulher para conhecê-lo.
— Alguma em particular? — ela não conseguiu evitar a ironia, pois não havia romantismo em seu modo de falar.
Harry fitou-a sem achar graça.
— Estou saindo com uma pessoa há alguns meses e acho que talvez tenha chegado a hora de me estabilizar.
— Apenas porque Sirius sofreu um ataque cardíaco e quer deixá-lo feliz agora que está se recuperando?
— Porque estou envelhecendo e o tempo não nos espera — vindo de alguém que se orgulhava da destreza verbal, era um tanto irritante ouvir um clichê vindo de sua boca. — De qualquer forma, Ginevra será uma esposa perfeita. Ele vai ficar impressionado.
— Tenho certeza que sim — concordou Hermione. E se surpreendeu com sua curiosidade. — Como ela é?
— Alta, ruiva. Na verdade, já foi modelo. O pai é dono de uma das maiores empresas de informática do país. Por que essa expressão no seu rosto? — questionou, irritado.
— Ela parece ser... a esposa ideal — pronunciou Hermione, na falta de algo melhor para dizer. — Quando a convidará para conhecer Sirius?
— Assim que ele sair do hospital. É claro que inicialmente não lhe contarei minhas intenções. Vou dar tempo para que a conheça bem. Surpresas demais podem enviá-lo de volta para o hospital de vez. Agora que isso está decidido, podemos prosseguir?
Assim, sem mais nem menos. Em um momento falava de algo que deveria ser o maior acontecimento de sua vida e, no momento seguinte, com a mesma indiferença, de volta ao trabalho, como se as duas coisas estivessem interligadas.
Por alguma razão, Hermione achou ainda mais difícil se concentrar no restante do dia. Seus pensamentos se dirigiam para a modelo ruiva e alta que surgira do nada e que estava prestes a se tomar mulher de Harry e nora de Sirius. Seria calada? Extrovertida? Autoconfiante, decidiu Hermione. Harry não se interessaria por uma mulher insegura. Autoconfiante, chique e bem arrumada. Sirius ia adorá-la.
Sentira-se tentada a deixar escapar algo durante as visitas ao hospital que se seguiram, mas felizmente havia assunto suficiente sem que falassem sobre a vida particular de Harry.
Em certo momento, tivera vontade de confidenciar-lhe os repetidos desastres com o computador e com a metralhadora de palavras de Harry ao ditar. Entretanto, após uma semana, descobriu que estava se adaptando ao estilo dele.
Não se apavorava mais quando Harry se aproximava para inspecionar o que escrevera e estava aprendendo a discernir suas mudanças de humor.
Se bem que, oito dias depois de ter começado a trabalhar para Harry, não se considerava mais uma infeliz, pensou ao sair do hospital.
Na verdade, sentia-se culpada por reconhecer que jantar com ele tornara-se um dos pontos altos de sua vida. Harry lhe falava de contratos, levando em conta suas idéias como se ela fosse uma pessoa, e não alguém que a tivesse contratado por falta de opção melhor. Quando perguntava sobre sua família, Hermione não tinha mais vontade de desaparecer.
Pelo menos, não se sentia mais intimidada. E encara¬va Harry quando ele falava, em vez de desviar o olhar. Ele a curara de vez quatro dias antes, quando delicada¬mente encostou um dedo no seu queixo e ergueu sua cabeça até que seus olhos se encontrassem, dizendo que ela tinha de perder a mania irritante de falar olhan¬do para objetos inanimados.
A piscina estava ficando pronta, o que enchia Hermione de satisfação, já que tudo ficara por sua conta. Harry apenas comentava o andamento ao fim do dia.
Hermione acompanhava uma música no rádio ao estacio¬nar na frente da casa, e se deparou com um carro esporte baixo estacionado em um canto do pátio. Parou o Range Rover com uma profusão de perguntas na cabeça.
Foram todas respondidas no instante em que abriu a porta da frente e ouviu duas vozes vindas da sala de estar. Reconheceu uma delas e não teve dificuldades em identificar a outra, pois era de mulher e o carro lá fora irradiava glamour e dinheiro. Ginevra, a mulher misteriosa que em breve se tornaria esposa de Harry. Sentiu o estômago embrulhar ao se encaminhar lenta¬mente para o local de onde vinham as vozes.
A porta para a sala de estar estava escancarada, e Hermione teve alguns segundos para observar a cena. Harry estava recostado na janela, com uma das mãos apoiada no vidro, e sorria, olhando para baixo, para a mulher sentada no sofá e de costas para Hermione. Seus corpos pa¬reciam se tocar e Harry foi o primeiro a se afastar logo que deu pela presença de alguém que os observava da porta.
— Você voltou. Esteve no hospital? Hermione entrou na sala.
— Sirius queria que eu lhe levasse alguns livros. Ele tem reclamado do tédio.
— Hermione, esta é Ginevra.
— Eu... vi o carro esporte lá fora... — Hermione sorriu timidamente e avançou de modo a poder ver melhor a ruiva de pernas longas no sofá. O cabelo tinha uma mistura de tons e um movimento em volta do rosto, na altura do queixo, que atraía a atenção.
— Meu pequeno quebra-galho — a voz era fria e entediada. — Fabuloso para estacionar em Londres e veloz para longas distâncias. Então você é a secretária que está trabalhando para Harry — os olhos castanhos fi¬zeram um rápido inventário e ficaram satisfeitos com o que viram. — Ele me falou tudo sobre você.
— Ah, falou? — Hermione concluiu que, não importando o que Harry tivesse dito sobre o tema secretária, não poderia ter sido muito elogioso.
— Aparentemente, Sirius adora você, querida. Por que não se senta perto de mim para termos uma conver¬sa de garotas? Harry, querido, por que não serve a Hermi...?
— Hermione.
— Claro. Por que não serve a Hermione algo para beber? Trouxemos algumas bebidas conosco. Harry disse que o bar estava deserto. Não sei como agüentam viver sem uma ou duas taças de vinho à noite!
Hermione sentou-se no sofá próximo à ruiva. Sentiu-se atirada em uma espécie de filme bizarro no qual era forçada a se comunicar com um extraterrestre, e a sensação perdurou pelo restante do que se revelou uma noite bem desagradável.
Ao menos para ela. Ginevra estava bem à vontade e era possessiva com Harry. Muitos toques casuais nos braços, nas coxas, olhares secretos e piadas com a intenção de demonstrar que formavam um belo casal. Harry, taciturno como não era do seu feitio, parecia ver tal comportamento com um misto de avaliação e prazer, o que enervava Hermione.
Molly preparara um jantar maravilhoso para os três, e Hermione estava agitada, pondo a mesa da sala, enquanto sua mente não parava. Ela se perguntava o que os dois estariam fazendo na sala de estar. Depois riu de si mesma por se dar ao trabalho de perder tempo com isso. Analisou os temas de que tinham tratado e chegou à conclusão de que, ao lado de Ginevra, ela ficava ainda mais desajeitada e simplória que o habitual. Uma pe¬quena mariposa marrom perto de uma borboleta mag¬nífica. Suas roupas confortáveis pareciam as de uma solteirona em comparação ao ousado e provocante ves-tido de Ginevra.
No fim da noite, estava cabisbaixa por começar a entender por que Harry se mostrara tão chocado com o estilo de vida que ela escolhera. Em comparação a Ginevra, ele deve tê-la visto como alguém vindo do meio do mato.
A única coisa que a surpreendeu foi a insistência de Harry para que Ginevra voltasse para Londres. Fora uma benção para Hermione, que não conseguia imaginar acordar no dia seguinte e ter de suportar sentir-se inadequada diante da beldade.
Trabalho, alegara ele, dizendo que não conseguiria se concentrar, pois seria uma tentação tê-la por perto.
Hermione imaginou, pela primeira vez na vida, como se sentiria se fosse descrita por um homem como uma ten¬tação. Havia algo de frívolo e sexy nessa palavra, so¬bretudo na boca de Harry.
Hermione colocava a última peça do faqueiro na máquina de lavar louças quando ele adentrou a cozinha, e ela o olhou desconcertada.
— Não precisa fazer isso — disse, franzindo o ce¬nho. — Molly o faria pela manhã — Harry caminhou pela cozinha, sentou-se na cadeira e relaxou.
— Ah, não faz mal — retrucou, ligando a máquina e erguendo-se. — É bobagem deixar tudo sujo a noite toda. Fica mais difícil de lavar no dia seguinte.
Sentiu o rosto corar imaginando o que ele estaria vendo ao olhá-la agora.
— Você não é paga para lavar — declarou, irritado. — Não é uma empregada doméstica.
— Se há serviço a fazer, eu o faço — levando-se em conta que acabara de passar um bom tempo com a mulher com quem se casaria, estava de péssimo humor.
— Ainda vai... precisar de mim? Estou bem cansada...
— Ainda não são nem 9 horas da noite! Como pode estar cansada?
— Não é preciso se exaltar — respondeu Hermione, com a raiva tomando conta dela. — Se está chateado porque Ginevra voltou para Londres, não é culpa minha! Ela po¬dia ter passado a noite aqui. Sirius nem está aqui para se ofender. Aliás, tenho certeza de que ele não se ofen¬deria, de qualquer forma.
— Não seja ridícula. É claro que não estou chateado porque Ginevra voltou para Londres. Caso tenha esque¬cido, fui eu que sugeri que ela partisse! Amanhã terei um dia cheio. Não havia por que mantê-Ia aqui, para ficar entediada.
A perplexidade de Hermione deve ter transparecido por¬que Harry fechou a fisionomia.
— Você parece estar lutando contra alguma coisa. O que é? Ponha para fora em vez de ficar aí boquiaberta.
— Bem... isso que você disse não é muito simpático, não acha? Sobre a mulher que ama e com quem preten¬de se casar? — ela se perguntava se a inexperiência a fazia romântica demais e sem noção do que se passa no mundo real. — Não devia querer passar tempo com sua noiva? Tenho certeza de que poderia tirar um dia de folga...
— Ela não é minha noiva.
— Mas você disse...
— Eu disse que talvez estivesse na hora de me esta¬bilizar e me casar. Tenho trinta e quatro anos e sair com várias pessoas não cai bem a partir de certa idade. Ginevra daria uma esposa perfeita, o que não significa que eu tenha conversado com ela a respeito.
— Ah.
Naquele exato momento, a expressividade do rosto de Hermione o irritou profundamente, pois podia ver o que estava pensando e não gostava nada. Qual o problema em ser prático em relação ao casamento? Já passara pelos casamentos precipitados da mãe com os dois pa¬drastos, ambos terminados em lágrimas. Uma união para a vida toda devia ser muito bem pensada. Ginevra era adequada, isso era certo. Preenchia todos os requi¬sitos necessários e ele explicava essa lógica quando Hermione o interrompeu com voz de pena:
— Mas e o amor? O romance? A magia?
— Não estamos falando de alguém que mal conhe¬ço, pelo amor de Deus! Talvez tenha esse ponto de vis¬ta porque não gostou dela...
A observação a pegou de surpresa e ela enrubesceu.
— Isso não é verdade! — o silêncio que se seguiu estendeu-se até que Hermione gaguejou: — Ela parece mui¬to... muito...
— Sim? Mal posso esperar para ouvir o que vem a seguir...
— Muito elegante — disse com ênfase. — Muito sofisticada. E, é claro, muito bonita e muito, muito fina.
— Elegante, sofisticada, bonita, fina — Harry enu¬merou as qualidades contando-as nos dedos. — Mas não possui as qualidades certas para uma esposa?
— Eu nunca disse isso e, de qualquer modo, não importa o que eu penso.
Ele se levantou e olhou o relógio. A conversa acaba¬ra porque a opinião dela não tinha importância. Hermione via isso na expressão que ele trazia no rosto.
— Tenho uma conferência importante amanhã, às 9 horas. Vou precisar que digite várias cartas e vai ter de acelerar o passo um pouco se quisermos acabar todas até às 17 horas. Talvez seja necessário voltarmos ao traba¬lho depois de visitar Sirius. Tinha algo planejado? Respondeu, embora desejasse poder dizer que sim. Mal podia esperar para que Sirius voltasse para casa e Harry fosse embora.

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Continua...
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Bjus a tds q lêem embora naum comentem...

ashashashashashahsahshasha...

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