Scórpius olhava de mim para Sirius com um olhar que era um misto de confusão, irritação, ciúmes, tristeza e raiva... Raiva... Scópius nunca me olhou com raiva antes.
Agora, ele encarava apenas Sirius, como se quisesse mata-lo. Sirius estava paralisado, mas pude perceber que ele segurava a varinha no bolso das vestes. Senti uma onda de arrependimento e lágrimas brotarem nos meus olhos.
- Scórpius... – comecei, mas ele me interrompeu.
- Foi isso, não é? Foi ele quem você foi ver depois do que aconteceu no lago negro, por isso você me empurrou quando eu te beijei na ala hospitalar. Por isso você me chamou de Sirius...
- Vamos conversar... – falei calmamente, mas sentindo as lágrimas caírem.
- NÃO! – gritou. – Não vamos conversar, Potter! – eu me assustei ao ouvi-lo me chamar pelo sobrenome. Pude ver que ele quase chorava também. – Eu sinto nojo de você, Lilian Potter! – sinceramente, eu também sentia nojo de mim. – Se você prefere esse viado, pode ficar com ele!
Quando Scórpius disse isso, Sirius sacou a varinha irritado, extremamente irritado e gritou:
- Alarte Ascendere! – Scórpius subiu no ar e depois caiu no chão com um estrondo.
- Sectumsempra! – gritou Scórpius ao se levantar. Mas Sirius desviou e o feitiço só acertou seu braço, que não demorou em começar a sangrar.
Os dois começaram a duelar loucamente. Entrei em desespero! Precisava fazer alguma coisa, e rápido, antes que eles se matassem. Foi então que tudo aconteceu muito rápido.
Vi um “Avada” se formar nos lábios de Scórpius. Sirius não podia morrer, isso mudaria todo futuro. Então me joguei na frente dele, ouvi meu nome falso, Parker, vindo de trás de mim e um “Protego” que não consegui identificar de onde veio e então vi a escuridão.
Pov’s Sirius Black
No momento em que a Parker entrou na minha frente, na frente daquele Avada Kedavra, eu senti que meu mundo ia acabar. Gritei seu nome e, então, tudo parou naquele segundo.
Ela morrendo... Por minha causa. Não poderia deixar. Então tentei pegar minha varinha que estava no chão, já que aquele Scórpius tinha me desarmado. Mas não ia dar tempo, meu braço estava doendo muito por causa do Sectumsempra. Já era, ela ia morrer.
Senti mais uma vez lágrimas nos meus olhos. Ouvi então um Protego, olhei pro lado e vi o Pontas segurando a varinha na direção da Parker. Só que ela já estava desacordada no chão.
- EU JURO QUE EU MATO VOCÊ, SCÓRPIUS MALFOY! – gritou o irmão da Parker, Tiago, indo até Scórpius e colocando a varinha no pescoço dele. Espera só um minuto. Malfoy? Esse imbecil é parente do Lúcio? Agora entendo porque ele é um idiota e vai ser agora mesmo que eu vou ajudar o Tiago. Quando comecei a me preparar para ir ajuda-lo, Pontas me segurou e disse:
- Calma gente, ela ainda tá viva. – apontou para Parker que respirava com dificuldade, mas ainda desacordada. Tiago foi correndo até ela.
Nessa hora, pensei que Scórpius ia sair correndo ou sei lá, mas ele parecia estar preocupado com a Luna também. Se bem que ele não tem mais esse direito, aquele corno que me chamou de viado. Ele que é.
- NÃO IMPORTA! – gritou mais uma vez Tiago. – A MCGONAGALL VAI SABER DISSO E VOCÊ VAI SER EXPULSO, SCÓRPIUS!
- Calma, Potter, por favor... – falou Scórpius com um tom de desespero.
- CALMA? O CARAMBA QUE EU VOU TER CALMA! VOCÊ QUASE MATOU A MINHA IRMÃ!
- Tiago... – começou Pontas. – é muito estranho dizer meu próprio nome, mas isso não vem ao caso... Acho melhor não irmos até a McGonagall.
- Por quê? – perguntou Tiago indignado.
- Isso, por que? – perguntei também indignado. Eu aqui querendo mata aquele cara e ele achando que não devemos leva-lo para a McGonagall? Pontas vira casaca!
- Porque se levarmos ele para a McGonagall, nós também nos ferramos. O Sirius principalmente, porque estava duelando. – respondeu Pontas – por mais que não sejamos desse tempo, isso pode acabar dando merda.
- Passado? – perguntou Scórpius com uma cara confusa.
- Sugere que façamos o que então? – perguntei ignorando Scórpius. Então, antes que Pontas respondesse, ouvi passos vindos do corredor ao lado.
- Vish! O Pirraça deve ter trazido a McGonagall. – falou Tiago. Por que raios o Pirraça está envolvido nisso? – Rápido, vamos para a Sala Precisa na capa da invisibilidade e lá a gente pensa. – concluiu quase como um sussurro.
- Ok, eu levo a Parker em uma capa e vocês vão na outra. – falei me levantando.
- Com esse braço ai você não vai muito longe. – falou Tiago – pode deixar que eu levo ela.
Então Tiago pegou a Parker no colo e sumiu em baixo de uma capa da invisibilidade. E eu, Pontas e Scórpius entramos embaixo da outra. E assim que o fizemos, a McGonagall apareceu seguida pela Madame Pomfrey e pelo Filch. Ficamos mudos, então continuamos andando.
Só quando já estávamos na Sala Precisa, foi que Pontas falou:
- O que exatamente aconteceu lá embaixo Almofadinhas?
- Acho melhor eu te contar depois... – falei me sentando em uma poltrona.
- O que? Não quer falar na frente do Potter que você beijou a irmã dele? – falou o imbecil do Scórpius que estava sentado em uma poltrona mais afastada.
- Olha Scórpius, fica quietinho aí que você não tá com muita moral pra falar agora! – falei.
- Você beijou a Lilian? – perguntou Tiago que estava sentado na cama com uma Parker desacordada ao seu lado.
- Você que começou a briga, eu só me defendi! – Scórpius gritou, como se nem tivesse ouvido o que o Tiago falou.
- Eu estava na minha e ai você me chamou de viado!
- Você estava beijando a minha namorada!
Quando eu ia responder senti meus pés saírem do chão e o sangue subir para a minha cabeça. Eu e o Scórpius estávamos de cabeça para baixo no ar.
- Você curte mesmo esse feitiço, não é Pontas? – falei ao ver os dois Tiagos com a varinhas apontadas para nós.
- Só queríamos fazer vocês pararem de brigar. Parecem um casal de idosos. – falou Pontas. Os dois baixaram as varinhas e nós caímos no chão. – Agora senta aí Almofadinhas que eu vou tentar dar um jeito nesse seu braço.
- Só tenta não arrancar ele fora! – falei me sentando. O Pontas se sentou do meu lado. Tiago voltou a se sentar na cama e o Scórpius se sentou do outro lado da sala, aparentemente muito mal-humorado.
***
Pontas estava quase acabando de fazer um curativo, muito mal feito e que estava muito bizarro também, no meu braço. Eu já havia contado a ele tudo o que aconteceu. Primeiramente ele deu risada porque o Scórpius me chamou de viado, já que normalmente eu faço isso com ele, mas depois parou quando viu minha cara de mau humor porque aquilo não era engraçado.
Tiago ainda estava sentado aos pés da cama da Parker e Scórpius ainda estava sentado em silencio do outro lado da sala - ainda bem, porque se não eu já teria jogado um Avada Kedavra nele.
- Terminei. – falou Pontas. – Não tá muito bom, mas dá pro gasto.
- Não tá muito bom?! Tá uma merda isso aqui. – falei apontando para o meu braço e o monte de pano enrolado nele.
- Lili! – gritou Tiago.
Eu e Pontas nos levantamos e fomos até a cama onde estavam ele e a Parker. Então vi minha Luna abrindo os olhos. Ela realmente estava viva. Não explicar a alegria que senti na hora em que essa ruiva acordou.