Capítulo Dezenove – O Perdão
– Hermione, acorda!
A manhã ainda não havia chegado, mas as más notícias começaram cedo.
– O que foi?
– Acabei dormindo lá na sala, de preocupação. A Ginny acabou de aparecer lá na lareira, parece que o estado do Percy está piorando.
Hermione pulou da cama. Tinha no fundo do coração um enorme medo de que ele morresse, sentia medo pelo sofrimento da família Weasley, por Ronald. A família já estava no hospital, assim que recebeu a coruja urgente na hospedaria onde tentavam descansar. Molly e Arthur haviam acompanhado uma enfermeira até o filho, e os seis irmãos ficaram na sala de espera, em estado cada vez mais lastimável. Quando Hermione e Rafaela chegaram, Ronald abraçou a namorada e chorou como criança.
– Não estou aguentando isso, Mione...
– Calma, Ron! Vai ficar tudo bem..!
– Disseram que ele piorou! Eles não sabem nem o que fazer mais, eu estou com medo.
– Vocês precisam ser fortes... – disse Rafaela – Imaginem o sentimento dos seus pais ao verem vocês assim!
– Você sabe que não é fácil... – disse Charlie
Rafaela sentou-se ao lado dele – Eu sei. Eu entendo bem o que vocês estão sentindo. – e notando que ele queria chorar, abraçou-o, sabendo que era só o que podia fazer por eles naquele momento
Ginny, com muitas lágrimas no rosto – Ai, como eu queria que Harry estivesse aqui!
Arthur e Molly apareceram de repente na sala de espera, ambos chorando muito. Todos os filhos se levantaram e os cercaram, jogando-lhes perguntas desesperadas. Soluçando, Molly explicou que Percy quase havia morrido, mas que os curandeiros havia conseguido controlar a situação.
As únicas pessoas dali que tinham cabeça para pensar em qualquer coisa eram Hermione e Rafaela. As duas levaram todos os Weasleys de volta para a hospedaria, onde eles se trocaram (ainda estavam com roupas de dormir), tomaram um café da manhã forte e, todos mais calmos e com a cabeça no lugar, dividiram-se para voltar ao hospital. Era muita gente para ficar ocupando espaço na sala de espera de St. Mungo. Arthur voltou com Fred, George, Charlie e Rafaela. Molly tomou uma poção calmante preparada rapidamente por Hermione, e foi se deitar.
– Mas, e agora? Como vai ficar o Ministério? – Rafaela perguntou
– Ninguém sabe, ainda. – Arthur respondeu – Nunca houve um plano pré-estabelecido de o que fazer no caso da morte do Ministro. Esse deve ser o segundo ou terceiro que morre em toda a história, o resto ficou até aposentar ou ser expulso...
– Mas não há um vice ou coisa assim pra tomar o lugar dele?
– Não, o Ministro sempre é escolhido por discussões entre os funcionários e autoridades. Eu tenho certeza que dentro de poucas horas saberemos quando acontecerão essas discussões.
– Uma reunião com todo mundo falando ao mesmo tempo ou votações?
– Os dois, na verdade. A votação em segundo lugar. Também votam as autoridades trouxas, como o Primeiro Ministro e a Rainha deles. Mas antes disso todos os que querem ficar com o cargo se apresentam, falam tudo de bom que têm e tudo o mais...
– Ai, propaganda política...
– É, se parece com essa coisa que os trouxas fazem, mas é tudo em, no máximo, uma semana. Depois da votação, o resultado sai ali na hora, e ninguém mais pode contestar.
– O Sr. vai se apresentar como candidato, não vai?
Arthur corou e deu um sorrisinho tímido – Alguns amigos já me sugeriram isso, mas a “alta sociedade” do Ministério jamais me colocaria como Ministro...
Rafaela sorriu – Ora, quem sabe? Acho que o Sr. devia, sim. Agora não há mais toda aquela persuasão do Malfoy, as coisas ficam bem mais fáceis. Eu, particularmente, acredito que o Sr. é o Ministro que todos precisamos. Ainda mais com essa revolução que vem por aí.
* * *
Ronald, William, Ginny e Hermione ficaram juntos em um dos quartos. Os três irmãos haviam tomado um pouco da poção de Hermione, então não demorariam a dormir, também.
– Então você já avisou a Minerva do ocorrido, Ginny? – perguntou Hermione
– É, logo depois do café. Eu pedi para que liberasse Harry, e pelo que eu entendi, ela vai deixa-lo vir. Ela deixou comigo um quadrinho de um dos ex-diretores de Hogwarts, provisoriamente. A qualquer outra notícia é só falar para o quadro que chegará aos ouvidos do pessoal rapidamente.
– Você deveria ter deixado que eu fizesse isso, Ginny...
– Ah, Mione, qualquer coisa que eu faça para me distrair é melhor. Todos temos que manter a calma o máximo possível. Eu estou com medo, sabe, realmente foi um feitiço forte. E o pior é que mamãe contou que o Percy também é um Magine, sabia? Aliás, acho que todos somos, mas no caso de Fred e Jorge, preferiram não investir um estudo sério em cima.
– Sério? Mas acho que só você e Ron estão realmente desenvolvendo isso especificamente. Na escola as bases são muito fracas, porque é o máximo até onde a maioria não-Magine consegue ir. Para mim a matéria básica é difícil, mas para vocês... levam de letra.
Ronald se manifestou – É...
Hermione levantou-se e sentou-se ao lado de Ronald, abraçando-o – Oh, meu amor, não fique assim. Não tenho muito o que dizer, mas calma, seu irmão melhorou, ele está bem agora, foi só um susto. Vai dar tudo certo...
– É, eu espero... – fez uma pausa – Sabe o que soubemos, Mione? Que ele quis mesmo participar da segurança pessoal do Ministro. Por puro puxa-saquismo. Acho que sabendo que era um dos poucos Magines, sentiu-se meio que imune a qualquer mal. E que ele tentou refletir, com o pensamento, o feitiço vindo na direção do ministro, mas como não era bem treinado, além de acertar Fudge, alguns reflexos foram para ele mesmo, então... ele ficou assim. E com certeza aproveitaram para lançar alguns outros feitiços... horríveis nele.
Charlie levantou-se, inquieto – Sabe o que eu não consigo entender? Tudo bem, Percy foi um miserável agindo como agiu, e não é porque está mal que virará santo. Mas poxa, isso era coisa que o tempo resolveria. Temos os laços familiares tão bem cultivados desde a nossa infância! Nossa mãe sempre nos ensinou a sermos fraternos, e mesmo que ele continuasse escroto por toda a vida, isso era um problema nosso! Como pode alguém vir, assim, e interferir na nossa vida? Hoje é o Ministro, o Percy ferido, a qualquer momento pode ser nossos pais, qualquer um de nós! Meu Deus, acho que fazemos tudo tão automaticamente que não percebemos a gravidade da situação! Imaginem Voldemort realmente invadindo o castelo? Imaginem se nós não conseguirmos conter! O que será da gente? Nossos pais perdendo todos os filhos, assim?
– Charlie, calma. – disse Hermione, com vontade de chorar – Nós não ficamos pensando sempre na situação para não ficarmos loucos. Se acontecer alguma coisa, teremos feito a nossa parte! Mas eu tenho uma profunda esperança que tudo isso irá acabar, sabe? Que logo estaremos todos vivendo nossas vidas normais, preocupando-nos com nossos problemas pessoais, e apenas com eles. Sabe, como era antes?
– Como nunca foi, né, Mione? – disse Ginny – Parece que essa sombra nunca deixou de existir! Eu nasci em época de relativa paz, mas que não durou até um ano antes de eu voltar a Hogwarts. E, a partir de então, tanta coisa, tanto susto...
– Sim, realmente. Tanta coisa que poderemos, quando estivermos velhinhos, escrever livros e livros sobre isso. – disse Ronald – Contar para nossos filhos e netos de como fomos bravos, de que fomos verdadeiros heróis. Pessoal, vamos olhar para frente? Mione tem razão. Sejamos esforçados e sensatos, para que tudo passe depressa e acabe logo. E acabe bem. Não é porque Percy está doente que todos nós morreremos amanhã, calma. Agora... Eu estou começando a ficar com sono. Quando levantarmos iremos visitar Percy, certamente conseguiremos falar com ele e quem sabe nossa família não volta a ser unida novamente, hein? Hein, Charlie? Quem garante que amanhã ou depois não estaremos todos juntos na mesa do café da manhã, fazendo aquelas brincadeiras bestas de sempre?
Hermione queria ser forte, mas não conseguiu segurar as lágrimas que saíam, vendo seu namorado defendendo a tanto custo o espírito familiar, mesmo em um momento de poucas esperanças. Disfarçou um pouco e ficou por lá até todos dormirem. Acabou cochilando, também, abraçada a Ronald.
* * *
– Desculpe-me, professora, mas eu preciso ir visitar os meus amigos. – insistia Harry – Eles são como família para mim, não vou conseguir me concentrar em nada, e não só em Oclumancia, sabendo que o clima está tenso dessa maneira.
– Acalme-se, Potter. Eu falei com Ginny pela manhã e Percy já teve uma melhora. – informou Minerva – Hoje a tarde será o horário de visitas, mas como a família é numerosa, provavelmente a visita limitará-se apenas aos irmãos e pais.
– Mas eu preciso, não é nem pelo Percy, mas pela Ginny, o Ron, a Molly, enfim, todos, eu preciso estar lá para ajudar, eu sempre precisei de pessoas ao meu lado nas horas difíceis e eles sempre foram...
– Tudo bem, Potter. Depois do almoço você poderá partir.
Harry calou-se no meio da frase – Obrigado, Minerva.
Quando Harry chegou a St. Mungus estava toda a família unida novamente, agora na cantina, tentando enganar o estômago. Hermione e Rafaela também estavam presentes. Quando Ginny o viu, deu seu primeiro sorriso depois de todo aquele tempo, levantou-se e correu até ele.
– Oi, meu amor! – disse Harry quando ela pulou nele
– Que bom que você veio, Harry! Eu senti tanto a sua falta! – ela disse chorando
– Não consegui ficar lá, sem te ver, sabendo o que vocês devem estar passando...
Soltaram-se e deram um selinho, depois ficaram se olhando de perto. Harry secou uma lágrima que rolava no rosto da namorada e ela voltou a abraça-lo.
– Eu estou com medo.
– Venha, vamos nos sentar... Você está com cara de quem precisa se alimentar.
À mesa, Ronald e o amigo também se abraçaram. Harry não precisou dizer nada, apenas olhou para ele e o fez saber que estaria lá, com eles, para qualquer coisa. Às duas da tarde acontecia o horário de visitas do hospital. Ninguém sabia se seria possível entrar para ver Percy, mas alguns minutos depois do horário, uma enfermeira chamou Arthur e Molly. Todos os filhos quiseram entrar também, mas não foi permitido.
Percy estava deitado, pálido, combinando com o travesseiro e os lençóis brancos. Acordado, olhava na direção da janela e tinha, nos dois braços, tubos que lhe injetavam alguma poção nas veias. Quando os pais entraram silenciosos pela porta, virou a cabeça e os fitou. Por alguns segundos eles se olharam. Na última vez em que estiveram juntos haviam brigado, acusando-se das coisas mais horríveis que conseguiam falar. Principalmente Arthur e Percy. O pai, que no começo deprimia-se com as más atitudes do filho, começara aos poucos a se irritar e ter também raiva dele. Molly apenas chorava quando o assunto surgia.
Os olhos de Percy ficaram marejados. Molly foi até ele e pegou sua mão.
– Meu filho...
– Percy... Meu filho, como se sente?
Meio trêmulo e de voz fraca, Percy falou, deixando as lágrimas escorrerem – Estou... Acho que melhor.
Molly se sentou na beirada da cama – Meu filho... Por que, meu filho..?
Percy a olhou nos olhos – Não precisa tentar me convencer que o que fiz foi uma grande besteira... – Arthur olhou para os lados, impaciente, imaginando que Percy defenderia mais uma vez a idéia estúpida que estava carregando – ... porque eu já tomei consciência disso.
Molly apenas passou a mão no rosto do filho e fitou-o por algum tempo. Arthur ficou sem palavras, e sentou-se na poltrona ao lado da cama.
– Eu sei... que tudo o que fiz foi idiotice. O desejo de ascensão muito rápida, negar minha própria família... Eu não fui leal aos princípios que vocês sempre ensinaram a todos nós. Eu fui mesquinho, covarde, briguei com as pessoas que mais me amaram em toda a vida por puro puxa-saquismo... Para tentar uma promoção, talvez... Eu fiz muita coisa errada, muita coisa, e estou completamente arrependido disso.
– Calma, Percy, vai dar tudo certo. – disse Arthur, a voz trêmula – Quando você sair daqui voltaremos a viver normalmente, você poderá continuar a trabalhar no Ministério e ajudar-nos a resolver os verdadeiros problemas que aparecem por lá. Você nem imagina como está conturbado o mundo mágico hoje, mas isso é coisa que resolveremos depois. O que importa agora é você cuidar da sua saúde.
– E os outros? Como eles estão?
Molly secou as lágrimas – Bom, o ministro foi morto, como você deve saber, mas os outros aurores e seguranças estão bem...
Percy colocou uma de suas mãos em cima das mãos de sua mãe – Não, mamãe, estou falando dos meus irmãos.
Molly caiu no choro – Eles estão bem, meu querido, estão bem, estão todos aqui, mas não puderam entrar...
Percy pareceu emocionado – Até Fred e George?
– Todos. – disse Arthur – Estão todos muito tensos, preocupados, mas aposto que ficarão melhor depois que sairmos.
– Pai... Mãe... eu escrevi uma carta para vocês e meus irmãos... Achando que vocês não viriam, e, caso acontecesse alguma...
Molly pegou a carta que estava em cima da mesa de cabeceira e ficaram alguns minutos em silêncio.
Percy virou-se para o pai – Eu fui covarde... – e quase começou a chorar. Arthur levantou-se e abraçou o filho, pedindo que se acalmasse, mas ele continuou – Papai, eu deveria me ferir, eu deveria até morrer, protegendo o senhor, a mamãe, meus irmãos... Eu fui um covarde deixando-os de lado defendendo uma pessoa que nunca me deu valor só por ser uma autoridade... Uma autoridade que nunca sequer pediu para que eu protegesse... Que nunca acreditou no meu potencial, ao contrário de vocês... – e começou a chorar com mais força
Molly também inclinou-se para abraçar seu filho, com cuidado para não feri-lo – Calma, meu amor, está tudo bem, o que importa é o que virá, e não o que foi feito! Nós o perdoaríamos mesmo se não pedisse...
Os pais levantaram-se quando a respiração de Percy começou a vacilar. Ele começou a tossir e, assustados, Molly e Arthur foram chamar os enfermeiros. Percy ficou de mão dada com o pai até ser removido do quarto e levado para a área de cirurgia mágica.
Os irmãos ficaram tensos na sala de espera, quando perceberam uma movimentação entre os curandeiros próximos dali. Ginny levantou-se imediatamente e colocou a cabeça na janelinha da porta que dava para o corredor do hospital. Pouco tempo depois viu seus pais caminhando em direção à sala, abraçados e muito emocionados, com uns papéis nas mãos.
– Pai, mãe! O que aconteceu?
Molly e Arthur chegaram, e Arthur disse – Ele está arrependido de tudo, escreveu uma carta para todos nós, e... Houve uma piora, e ele teve que ser enviado à área especial de cirurgias mágicas.
Ronald levantou-se em direção aos pais e abraçou a mãe, confortando-a. Os outros irmãos ficaram meio sem saber o que fazer, então levantaram-se também, talvez para mostrar que estavam por perto. Harry, Rafaela e Hermione ficaram mais sem ação ainda.
Minutos depois uma enfermeira apareceu – Família Weasley? – e não demorou para identifica-los. – Bom, o hospital aconselha a vocês a voltarem para a casa, procurarem descansar um pouco. O próximo horário de visitas, de qualquer forma, será só amanhã, e o estado de saúde de Percy não vai melhorar com vocês estando tensos dessa forma.
Harry, Rafaela e Hermione entraram em ação conduzindo a família novamente para a pensão. Todos estavam com um clima bastante pesado dada a incerteza da melhora de Percy. A presença de toda a família no hospital definitivamente atrapalhava o funcionamento do mesmo, mas seria importante se apenas uma ou duas pessoas ficassem lá até mesmo para receber os boletins médicos, então Rafaela se predispôs e, logo ao chegar foi um tomar um banho e voltou imediatamente. Apesar dos pedidos, ninguém a acompanhou de volta e todos tomaram poções tranqüilizantes que Hermione mais uma vez providenciou.
Às cinco e meia todos já haviam levantado e estavam tomando o chá das cinco, comendo alguma coisa e conversando até que de maneira mais animada. Mione sentiu algo estranho, a vibração do celular, saiu da mesa e foi ao banheiro.
– Oi, Rafa, está tudo bem? – Hermione perguntou e houve silêncio – Rafa., tudo bem?!
– Ele... Morreu. – disse Rafaela, a voz fraca
Hermione gelou, derrubou o celular no susto e encostou-se na parede. Não acreditava que aquilo estava acontecendo. E justamente ela teria que dar a notícia para toda a família.
O castelo, pela primeira vez em muito tempo, ficou quase vazio. Apenas guardiões, fantasmas e dragões ficaram tomando conta. Professores e diretores saíram às oito da noite, sabendo que a família Weasley precisaria de muito apoio. Foram todos direto para o Ministério, desaparatando no Átrio. Num silêncio constrangedor, caminharam até a fonte onde havia cinco estátuas: um bruxo apontando sua varinha para o céu; uma bela bruxa, um centauro, um duende e um elfo-doméstico. Perto desta, foram recepcionados por um velho bruxo de cabelos e barba tingidas de castanho.
– O velório, por favor.
Fazendo uma discreta reverência com a cabeça, ele se virou e, lentamente, caminhou na direção de um corredor que saía de uma discreta porta do Átrio. Depois de mais ou menos cinqüenta metros, o corredor abria-se em uma grande sala branca, sem nenhuma decoração, iluminada por lanternas penduradas no teto. Lá estavam todos. Os oito Weasley estavam espalhados, alguns sentados em bancos perto de uma das paredes, alguns chorando desconsolados próximos ao caixão. Junto com eles, estavam Harry, Ronald, Hermione e alguns outros amigos de Hogwarts que haviam ouvido a notícia. Vários funcionários do Ministério, colegas de Arthur e de Percy também estavam presentes. Luna e Neville chegaram pouco depois dos professores, para não parecer que haviam chegado todos juntos.
No começo da madrugada os professores retornaram ao Castelo, vários dos amigos foram embora e o velório ficou quase vazio. Penélope Cleanwater, a namorada com quem Percy ficaria noivo em pouco tempo, não conseguiu parar de chorar, ficou a maioria do tempo sentada com Molly, abraçadas e tentando se consolar. Arthur, além de triste como nunca, preocupava-se com a esposa, queria poder sentir o sofrimento por ela. Os filhos mais velhos, William e Charles, tentavam passar que estavam firmes e fortes, para confortar os pais e irmãos, mas não conseguiam se dar muito bem nessa tentativa. Fred, George e Ronald não faziam nada, não falavam, apenas choravam, e Ginny, além de chorar profundamente triste, andava sempre de um lado para o outro, tentando falar com todo mundo, mais preocupada do que todos os outros com a família. Durante a longa madrugada, Harry, Rafaela e Hermione convenceram alguns deles a ir pra casa. Arthur e Molly ficaram irredutíveis, assim como William e Ginny. Todos os outros voltaram para a hospedaria, onde apesar de deprimidos, não precisaram de nenhuma poção para dormir.
Antes do amanhecer já estavam todos de volta ao velório. Arthur e Molly não descansavam há muitas horas, mas não se importavam com isso. William e Ginny haviam adormecido juntos, um no ombro do outro. Além disso, mais ninguém passou a madrugada. Às vezes aparecia alguém para perguntar se precisavam de alguma coisa, para levar um chá ou novos lenços de papel. Quando a movimentação já se fazia maior, com a proximidade do fim do velório, chegaram um repórter e um fotógrafo do Profeta Diário, ao mesmo tempo em que os amigos de Ginny e Ronald, de Hogwarts, também chegaram. Neville e Parvati estavam juntos, pareciam não ter brigado sobre o fato de ela ter escondido sobre suas premonições. Dean, Seamus, Luna, Padma e outros estavam presentes.
Parvati, ao lado de Hermione, a cutucou, apontando para a entrada da sala – Olha lá. O Profeta Diário. Isso vai trazer problemas.
Hermione fez cara de sofrimento e impaciência – O que vai acontecer..?
– Perguntas extremamente indiscretas. Acho bom alguém tira-los daqui antes que comecem.
Não houve tempo. Quando perceberam, as duas pessoas já estavam se aproximando de Arthur, Molly e alguns dos filhos. Oliver Brown chegou colocando uma coisa parecida com microfone perto do rosto de Arthur – Com licença, com licença, pode nos dar algumas declarações? – e antes que alguém falasse qualquer coisa, olhou de relance para o fotógrafo e voltou a falar – O que o senhor tem a dizer sobre a morte do Ministro?
– Er... Eu... Eu não...
– O que aconteceu com o seu filho, Sr. Weasley? Ele tentou defender o Ministro e acabou perdendo a própria vida, não foi isso?
– Ele... Ele...
– Como o sr. se sente sobre isso?
Antes que os dois mais velhos pudessem falar qualquer coisa, Ginny avançou e postou-se entre o pai e o repórter – Eu acho melhor que o sr. saia daqui agora, sr. Brown.
– Srta. Weasley? Gostaria de fazer alguma declaração sobre esse fato comple...
Ginny aumentou a voz – Eu não desejo fazer declaração alguma, nem eu e muito menos os meus pais. Agora, por favor, saia daqui.
– Temos o direito de imprensa, querida.
Harry intrometeu-se, abraçando Gina pelas costas – Seu direito de imprensa acaba onde começa o direito dos Weasley de ficarem silêncio. Saiadaqui, eles já estão sofrendo o bastante.
– Harry Potter. Se os Weasley não querem falar nada, talvez o sr. possa falar por eles, talvez suas impressões sobre o que...
Harry passou para a frente de Ginny, encarando Oliver de perto – NINGUÉM vai dar declaração alguma. Entendeu ou quer que eu desenhe?
Oliver gaguejou, olhou em volta sem-graça e foi saindo, sem falar mais nada. Arthur colocou uma mão sobre o ombro de Harry e deu um breve e emocionado sorriso.
Minutos antes do término do funeral, todas as pessoas presentes pararam de falar ao notar uma nova pessoa entrando na sala. Harry, sentado entre Ginny e Molly, não conseguiu conter um sorriso.
– Albus!
Ele passava os olhos por toda a sala, parecendo muito triste, e parou junto aos olhos de Harry. Cumprimentou-o brevemente e foi andando na direção de onde ele estava, junto com toda a família Weasley. No fundo, surgiu alívio em todos: se Albus estava lá, era porque não tinha mais trabalho a fazer do lado de fora de Hogwarts, ou seja, devia ter conseguido bons resultados com a peste. Ele permaneceu junto com a família daliem diante. Nãoconversaram sobre nada sério, doença, treinamentos ou coisa alguma, já que aquele não era o momento.