E estavam terminando nossos dias de férias, e agora como seria?
Acordei meio desnorteada, sem noção do tempo. Tem alguém me sacudindo mas eu estou com muito sono e vou só ignorar essa pessoa, se eu não me mover ela pode pensar que eu ‘to morta e me deixar em paz pra eu voltar a dormir.
Silencio...
- AI QUE ZEUS ME DE FORÇAS! – eu gritei me levantando toda molhada. – QUEM FOI O INFELIZ QUE FEZ ISSO?
Uma daquelas duas pestes teve a audácia de me molhar por inteira, mas eles não vão viver tempo suficiente pra contar essa historia. Eu estava dormindo tão bem, calminha no meu canto e eles precisavam despertar a Poinê¹ de dentro de mim né? Mas eu vou me vingar (6)
Sai do quarto de Gina tentando me secar com uma cara de poucos amigos, e não há nenhum sinal deles pela casa. Nesse minuto estou me espremendo na parede para não ser notada e conseguir pegar eles de surpresa, infelizmente eu tive que controlar os meus artifícios para eles não perceberem alguma coisa de estranho. Quando estava na escada escondida, apurei meus ouvidos e consegui escutar algumas risadinhas abafadas atrás da porta de um armário na cozinha. Entrei com uma cara de revoltada reclamando do que tinha acontecido.
- Não acredito nisso! – berrei colocando as mãos na mesa da cozinha, por fora eu estava uma fera, mas por dentro ria incontrolavelmente. – Aqueles infelizes me molham toda e ainda me deixam sozinha nessa casa! Não tem problema, quando eles voltarem vou acabar com eles.
Me sentei na mesa e comecei a conjurar os ingrediente para o almoço que eu estou afim de preparar. Fiz muitos movimentos bruscos com as facas e as risadinhas cessaram conforme eles perceberam que eu estava de mau humor. Mas esse meu ‘mau humor’ não passa de uma tática pra prender aquelas duas bestas no armário enquanto eu faço a comida, eles vão ver só. Estou cozinhando lentamente e eu posso afirmar, esta com um cheiro muito bom.
Eu sei que a maioria das pessoas pensa que eu sou apenas livros e inteligência, mas todos esquecem que eu fui criada como trouxa e que meus pais gostam de coisas trouxas. Aprendi a cozinhar com minha mãe, ela tem uma mão ótima para doces, mas é obvio que quase ninguém sabe disso.
Harry e Rony são meus melhores amigos, mas eles são homens. Não tenho nada do que reclamar de todos esses anos de amizade, mas sempre senti falta de uma amiga pra compartilhar certas coisas que garotos não dão atenção. Quem eu deveria perguntar sobre roupas, reclamar do meu cabelo, contar sobre meus dotes culinários, falar sobre garotos ou cantarolar aquela musica brega e divertida? Com o passar dos anos as coisas foram mudando, e eu também.
Fiquei amiga de algumas meninas da Grifinória. Lila é uma grande companheira, apesar de alguns ataques de histerismo. Eu incentivei bastante para ela ficar com Rony e até que deu certo, já que mesmo com o termino sempre vejo os olhares de desejo escondidos de um pro outro. Gina e Luna são incríveis. Sei que posso contar com elas para o que eu precisar. Conto tudo que me acontece (quer dizer, quase tudo) para elas e sei que elas também fazem o mesmo. Nós quatro passamos horas divagando sobre as novidades de Hogwarts e sobre os meninos, que tem melhorado a cada dia naquela escola. O tempo passou e não foi só minha personalidade que mudou.
Juro que até hoje não me convenço de que meu corpo mudou, mas as meninas insistem em me dizer como estou linda e que transformei meu corpo magricela neste, digamos, ‘bem dotado’ que tenho hoje. Eu realmente gostaria de poder contar pra elas e para esses dois bestas no armário o porquê de toda essa minha mudança, mas ainda não está no momento certo. Não quero assustá-los.
Acabei de cozinhar tudo agora. Fiz peixe ensopado com arroz, salada, batatas ao creme e suco de abobora. Não é por que eu fiz não sabe, mas esta com uma cara deliciosa. E nesse momento eu posso ler os pensamentos dos dois, literalmente falando.
“Cara, eu preciso sair daqui! – Rony pensava em tom de urgência. – Esse cheiro esta me hipnotizando. Como a Mione aprendeu a cozinhar tão bem assim?”
“A Mione ‘ta fazendo isso de propósito, só pode! – pensou Harry – Ela sabe que eu amo a comida dela e ainda fica fazendo essas coisas gostosas... mas não são só as comidas que estão gostosas hoje (6)”
Cortei meu contato mental com os dois no segundo em que a palavra ‘hoje’ foi formada por Harry em seus pensamentos. Mesmo não me olhando no espelho eu tenho certeza de que meu rosto esta da cor dos cabelos de Rony e eu não posso deixar eles perceberem. Fiquei de costas para o armário onde eles estão e fui andando em direção ao quarto de Gina, só assim eles poderiam sair dali de dentro e eu poderia trocar de roupa.
Como ainda esta no final do verão o tempo continua morno e o sol brilhando, mas algumas nuvens já estão passeando pelos céus como um aviso e corre uma brisa fria do lado de fora da casa. Tomei um banho rápido, lavei os cabelos e abri o armário. Pensei um pouco em qual roupa eu iria usar e decidi por um short jeans que não é nem curto nem comprido demais, uma blusa azul de manga comprida e deixei meus cabelos soltos.
Desci as escadas e quando entrei na cozinha, ela estava vazia. Por incrível que pareça, aqueles filhotes de gigantes ainda estão escondidos no armário. Pra falar a verdade eu bem que estou com vontade de deixar os dois presos ai ate eu cansar, mas como sou uma ótima amiga eu vou fazer minha boa ação do dia.
- Potter e Weasley, saiam imediatamente de dentro deste armário. – falei de braços cruzados e com minha melhor imitação de Minerva. Tenho certeza absoluta que os dois se entreolharam espantados antes de saírem de dentro do armário e só de imaginar a cara dos dois eu cai na gargalhada involuntariamente. Lentamente as portas do armário se abriram e os dois foram aparecendo com a tal cara de espanto que eu imaginei, e isso me fez rir mais ainda.
Permaneceram alguns minutos apenas me olhando ficar sentada em uma cadeira quase enfartando de tanto dar risada e foi ai que eles entenderam que eu tinha os encurralado de propósito dentro daquele cubículo. Confesso que na hora em que eu olhei para os olhos dos dois, eu vi aquele brilho assassino e diminui minhas risadas.
- Vocês bem que mereceram! – eu disse me recompondo enquanto levantava. – Eu estava quieta dormindo e vocês me ensoparam.
- Hermione, o que você fez nem se compara a um pouquinho de nada de água! – respondeu Rony levantando a tampa das panelas. – Você já sentiu o cheiro disso? Eu quase morri de tanta fome dentro do armário
- Ronald, você ficou ali dentro uns quarenta minutos, do que você esta reclamando? – rebati com a cara fechada. – E eu não sei em que mundo aquilo foi ‘um pouquinho de nada de água’
- Bom, os dois podem continuar discutindo que eu vou atacar essa comida aqui. – falou Harry pegando um prato.
- Espera Harry, - falei segurando a mão dele, que logo se afastou. – vamos comer lá fora hoje?
- Ótima idéia. – respondeu Rony que já estava arrumando a mesa do lado de fora.
Percebi que Harry ficou constrangido com meu toque em sua mão, e não entendi por que, mas talvez fosse a presença de Rony. Nós estamos mantendo o máximo de sigilo possível, foi o que Harry me pediu e eu não liguei, apesar de não gostar de esconder as coisas de Rony.
Almoçamos e depois arrumamos a casa, que estava um verdadeiro campo de batalha de tanta sujeira. Passamos a tarde organizando nossas coisas para a volta a escola amanhã. A senhora Weasley já deixou as instruções para podermos chegar ate a estação, vai ser fácil já que um carro do ministério vem nos buscar logo cedo.
Quando entrei no quarto dos meninos quase não consegui andar graças à enorme bagunça que estava. É claro que tudo poderia ter sido arrumado com um simples feitiço, mas deixei eles se sacrificarem um pouco antes de ajudar.
Ficamos os três no quarto de Rony conversando ate tarde e quando já não agüentávamos mais ficar com os olhos abertos, cada um foi para sua cama e eu me arrastei ate o quarto de Gina.
Deitei na cama e encostei a cabeça no travesseiro, poucos minutos depois senti um peso a mais na cama e quando abri meus olhos me deparei com duas esmeraldas me encarando.
- Mione, eu não estou conseguindo dormir – ele falou com simplicidade. – Posso ficar aqui com você?
- Po-pode Harry – eu não acredito que eu gaguejei, ai meus deuses! – Mas por que isso?
- É que seu cheiro, o cheiro do seu cabelo me acalma. – respondeu já entrando debaixo das cobertas e passando a mão por cima de minha cintura. – Você tem um cheiro especial, diferente.
Fiquei olhando pra ele e sem dizer nada, ele me puxou mais pra junto de seu corpo e passou seu braço por debaixo de minha nuca. Me virei de frente para dele, deitei minha cabeça em seu peito enquanto ele ficou fazendo carinho em minha cabeça e brincando com meus cachos. Poucos minutos depois pegamos no sono, mas quando acordei Harry já não estava mais lá.
●●●
Levantei e tomei um banho rápido só pra despertar mesmo, troquei de roupa e desci as escadas levando meu malão para perto da porta da sala. Quando entrei na cozinha vi que os meninos já estavam prontos e Harry me olhava como se nada tivesse acontecido.
Quando foi mesmo que ele aprendeu a mentir assim?
Ficamos alguns minutos conversando até ouvirmos o som de um motor roncando levemente, cada um de nós pegou seu próprio malão e fomos caminhando em direção a um motorista sorridente. A viagem foi relativamente desconfortável, por que sentei no meio dos dois meninos e senti que escolhi a roupa errada. Vi vários olhares indiscretos de Rony e Harry para meu decote e isso estava me incomodando, mas graças a Nix a viagem ate a estação foi rápida.
Depois que nós atravessamos a estação foi que eu notei que nós estamos, mais ou menos, uma hora adiantados ate a partida do trem e graças a isso não tem quase nenhuma alma viva nesse lugar. Já que eu não tenho nada pra fazer dentro dessa cabine e esses dois tapados só falam sobre quadribol, vou explorar o ambiente. Preciso realmente pensar, colocar minha cabeça em ordem.
Eu sei que Dumbledor e minha família acham que Harry é o certo, e eu também achava, mas agora não estou tão certa disso. Acho que se ele fosse o certo me trataria diferente, gritaria para os quatro ventos que estamos juntos, mas é tudo tão relativo. Andei por todas as cabines olhando para ver se encontro algum rosto conhecido, mas não encontrei ninguém que eu goste. Estou andando desde a cabine dos professores, que é uma das primeiras e já estou quase chegando a ultima.
Fui passeando lentamente até chegar à porta dela, de todas as cabines essa era a mais escura sem duvida, e eu sei que nenhum aluno viaja nela graças a sua fama de ser ‘mal assombrada’. O tempo passou e o expresso começou a ficar lotado, voltei para a cabine onde os meninos estavam e vi que Gina já tinha chegado.
- Ginny! – exclamei sorridente e já puxando a ruiva pra um abraço apertado. – Estava morrendo de saudades de você, por que não escapou para a Toca?
- Não deu amiga. – respondeu risonha depois de se soltar. – Minha mãe e a tia Muriel me fizeram de prisioneira!
Fomos metade da viagem conversando e rindo dos acontecimentos das férias, até eu e Rony sermos chamados para receber as instruções da monitoria desse ano. Rony ia ao meu lado falando o tamanho da fome que estava e como desejava chegar a Hogwarts rápido, o típico papo de Rony Weasley. Entrei depois de Rony na cabine e vi que todos os outros já estavam lá. A professora Minerva nos aguardava sentada com alguns pergaminhos nas mãos.
- Sentem-se todos. – falou com seu típico tom autoritário e nós obedecemos. – Tenho alguns avisos para dar.
Ela falou bastante tempo. Focou mais na parte dos horários, sobre a monitoria em dupla e avisou que as duplas seriam divididas quando chegássemos no castelo, folgas, visitas a Hogsmead... Até que veio o assunto mais esperado de todos.
- Este ano a escolha dos monitores chefes foi relativamente difícil, já que temos aqui tantos alunos ótimos. – começou ela falando com um sorrisinho em seus lábios finos. – Mas depois de algumas reuniões entre os professores, a nova monitora chefe será a senhorita Hermione Granger!
- Muito obrigado professora. – falei ruborizada me levantando para receber meu novo distintivo e sendo parabenizada por muitos.
- Não há de que senhorita Granger, sei que a senhorita esta a altura de seu novo cargo. – respondeu depois de um breve aperto de mãos. – E para o cargo de monitor chefe, quem acompanhará a Srta. Granger nesta jornada será o Sr. Draco Malfoy!
Assim que a professora terminou de dizer o nome dessa doninha ridícula, um clima tenso se instalou no local e os únicos a comemorarem eram Blaise e Pansy. Ninguém mais ali dentro tinha ficado feliz com a nomeação desta aberração para monitor chefe, muito menos eu! Vou ter que agüentar Malfoy no meu pé mais do que o normal agora.
Ele estava com um sorriso vitorioso estampado em seus lábios. Passou as mãos nos cabelos displicentemente enquanto pegava seu distintivo, agradeceu a professora e voltou até o seu lugar sendo agarrado por Pansy indiscretamente. McGonagall deu uma olhada irritada para os dois e ainda nos prendeu por mais alguns minutos para os avisos finais e disse que quando chegarmos a Hogwarts me quer na sala dela, junto com Malfoy. Eu mereço né?
Rony saiu me desejando os pêsames e disse que tinha que encontrar uma pessoa. Como eu prefiro não descobrir quem é o rabo de saia que ele esta de olho, disse que encontraria com ele depois. Fui me arrastando silenciosamente até a porta da cabine onde Harry e Gina estavam, precisava desabafar com ele e contar como minha vida ia ser infernizada por Malfoy durante esse ano. Sabia que Harry ia me escutar pacientemente e eu ia me sentir bem quando ele me desse um abraço, mas ao chegar ate a porta da cabine eu ouvi um barulho e resolvi olhar antes de entrar nela, e pra falar a verdade, preferia não ter olhado.
Gina já não estava mais dentro da cabine, agora que ocupava seu lugar era Cho Chang. Aquela coisinha sem sal estava sentada no colo de Harry e eles estavam praticamente se engolindo. Cho agarrava seus cabelos com vontade enquanto o menino a puxava mais pra perto, o que era humanamente impossível.
- Harry, calma ai. – disse a menina afastando seu rosto do dele enquanto arfava. – Eu preciso te perguntar uma coisa.
- Pode falar Cho. – ele a olhava com um desejo estampado nos olhos que eu nunca vi antes – O que quer saber?
- Você ficou com alguém durante as férias? – ela o encarava e meu coração ficou apertado. – Fale a verdade.
- Fiquei sim – Harry respondeu e eu estava estática sem conseguir desgrudar meu ouvido da porta – Mas foi completamente sem importância, foi insignificante. Quando eu fiquei com ela, era em você que eu estava pensando. Não consegui tirar você da minha cabeça durante todas essas semanas...
Foi a gota da água pra mim. Eu não comecei a gritar, que seria a minha reação obvia, não sai correndo chorando e nem entrei azarando ninguém. A única coisa que fiz foi ficar ereta e olhar por toda a extensão dos corredores para ter certeza de que não tinha ninguém ali e então me dirigi até o ultimo vagão, o tal mal assombrado. Precisava ficar sozinha, e tenho certeza de que ali ninguém vai me incomodar.
Entrei naquela escuridão me jogando em um dos bancos, eu sei que ainda faltam uns quarenta minutos ate chegarmos ao castelo e por isso não me preocupei em trocar minhas vestes. Só fiquei ali, largada de olhos fechados, enquanto minha mente trabalha a mais de mil por hora. Como o Harry pode fazer isso comigo? Me chamar de insignificante, de sem importância.
Durante muito tempo eu só via Harry como um amigo, um grande amigo. Mas os anos passaram e nossa inocência foi pro ralo, o meu grande amigo se tornou mais do que isso em um piscar de olhos. Comecei a notar tudo nele, desde as pequenas rugas em seu nariz quando ele ri até sua comida preferida.
Os sonhos com ele passaram a ser mais constante a cada dia e então eu tive que admitir pra mim mesma de que gostava de Harry, não a ponto de amá-lo cegamente, mas o suficiente para me prender somente a ele.
Sabe, dizem que confiança leva anos para construir, e segundos para quebrr. Acho que concordo plenamente com essa frase. Harry nunca me fez juras de amor durante este final de férias em que passamos na Toca, mas me disse coisas lindas. Elogiava-me a todo tempo e dizia que nunca iria encontrar ninguém como eu, que eu era especial para ele.
Não sei quantos minutos se passaram, mas depois de algum tempo comecei a ficar com um pouco de frio e essa escuridão não esta ajudando a fazer com que me sinta melhor. Sentei-me com a cabeça entre as mãos até ouvir um barulho, levantei lentamente meu rosto e percebi que tinha mais alguém ali dentro. De repente a porta se fechou e com um estalo foi trancada, então a voz de Minerva soou alto.
- Todos os alunos permaneçam dentro da cabine em que estão. – falou em um tom levemente preocupante. – As portas de todas as cabines foram trancadas e se alguém colocar um fio de cabelo que seja para fora, não vai nem precisar descer do trem.
O que será que tinha acontecido? Esqueci momentaneamente que alguém tinha entrado na mesma cabine que eu, ate ouvir um murmúrio vindo do canto esquerdo, mas com a escuridão total da cabine não consegui ver seu rosto.
- Quem está ai? – perguntei – Responda, quem está ai?
- Eu não sei quem você é garota. – a voz rouca respondeu – mas, seja você quem for, eu vim pra esse vagão descansar então ficar quieta até podermos sair, meu dia já esta sendo ruim o suficiente.
- Tudo bem senhor simpatia. – respondi com raiva na voz. – meu dia também esta sendo maravilhoso – murmurei baixinho, mas ele ouviu e gargalhou. – Esta rindo do que?
- Você fala como se seus problemas fossem os piores do mundo – respondeu a voz amargurada. – o que te aconteceu de tão grave assim?
- Hum vamos ver... Narrei toda historia das minhas férias e dos acontecimentos dentro do trem para a voz sem corpo, mas tomei o cuidado de omitir todos os nomes já que eu não sabia em quem eu estava confiando. Apesar de estar falando pro nada, desabafar com ele me fez muito bem e os comentários que ele fez durante minha historia foram os mais hilários possíveis.
- Então esse babaca te perdeu pra uma magrela? – ele falou no fim da minha historia. – Homens são assim mesmo, não pensam antes de fazer as coisas. Mas é muito fácil você se sentir melhor, é só dar o troco nele oras.
- Você fala como se fosse muito fácil senhor sem corpo. – respondi rindo só de pensar em me vingar de Harry. – Mas como eu faria isso?
Ele riu graças ao apelido que dei para ele e eu senti um deslocamento de ar. Sabia que a voz, e seu corpo, tinham mudado de lugar e se sentado bem perto de onde eu estava. Isso me deixou meio tensa por não saber quem era que estava sentando bem ali mas ao mesmo tempo minha intuição me dizia que ele não era um perigo.
- Você é mulher, tem uma voz muito bonita. – ele ia falando e senti sua mão encostar em meu rosto. – Um cheiro incrível e parece ter feições bonitas, vai ser muito fácil dar o troco nele se você quiser.
Me afastei um pouco, mas não pude deixar de me arrepiar com o toque de seus dedos frios. Ele exalava um cheiro delicioso de perfume caro e forte, estava ficando inebriada com a fragrância de sândalo. Sacudi levemente minha cabeça pra sair do transe que aquele cheiro estava me colocando e virei meu rosto na direção da voz de novo. Passamos muito tempo conversando dentro da escuridão, confabulando sobre o que eu poderia fazer para me vingar e falando sobre todo tipo de assunto, como se já nos conhecêssemos a eras.
Ele é realmente muito educado e tem um senso de humor incrível, adorei ouvi-lo gargalhar, era uma risada sincera e sem medo. A cada minuto que ia passando ao seu lado, estava me sentindo mais descontraída e ele também.
- Então garota da voz sexy pode se saber o seu nome? – ele perguntou segurando minha mão. – estamos aqui há tanto tempo que já estou apaixonado só de ouvir você falar.
- Por que estragar tudo revelando quem eu sou? – respondi rindo e gostando das palavras que ele disse – Se for a vontade de Moros, vamos nos encontrar de novo.
- Entende de mitologia? – me perguntou intrigado fazendo carinhos em meu braço – Moros é o deus do destino, mas falar em destino é só uma desculpa que as pessoas usam pra deixar as coisas acontecerem, ao invés de fazer com que elas aconteçam.
- Que interessante. – respondi me arrepiando com o contato de sua mão – O senhor sem corpo é inteligente e, na verdade, eu prefiro deixar acontecer pra ver no que vai dar.
- Bom, enquanto Moros não faz a parte dele obrigando você a me dizer seu nome – ele falou com uma voz rouca se aproximando mais de mim. – Eu vou te dar algo pra se lembrar de mim.
Suas mãos hábeis me puxaram mais para perto de seu corpo e estávamos em uma proximidade muito perigosa, já que perto daquele cheiro meu cérebro parava de funcionar. Qual é o problema desses garotos de hoje em dia, por que nenhum deles pode ter um cheiro normal?
Pude sentir que nossos rostos estavam muito perto um do outro, seu hálito quente ia de encontro a minha pele com uma intensidade incrível. Era como se aquela respiração conseguisse me queimar por inteira, afastando todo frio que eu estava sentindo.
- Alunos do primeiro ano, por aqui! – berrou uma voz conhecida muito perto da porta onde nós estávamos – Andem seus gnominhos, andem logo!
Foi como se estivesse pegando uma chave de portal, pude senti meu corpo ser puxado avassaladoramente para baixo pelo umbigo ao ouvir a voz de Ronald e recobrei meus sentidos o suficiente antes de fazer uma coisa da qual eu ia me arrepender. Empurrei delicadamente ele para longe de mim e me levantei com certa dificuldade, parei um pouco pra pensar no que falar, mas ele foi mais rápido que eu.
- É meu jasmim, parece que chegamos a Hogwarts. – ele falou com um ar risonho. – Te vejo por ai então?
- Claro – eu respondi com um suspiro – Pode ir na frente que eu ainda tenho que trocar minhas vestes.
E assim, sem dizer nada o senhor sem corpo abriu a porta do vagão e foi andando com passos largos pelo corredor. A escuridão não me permitiu ver nem ao menos a cor de seus cabelos. Fiquei sentada por um instante ainda pensando sobre a viagem ate Hogwarts e seu desfecho inesperado como uma montanha russa.
Primeiro a nomeação como monitora chefe, depois ver Harry com aquela coisinha e passar a viagem trancada em um vagão com um estranho encantador. Levantei e fui andando pelo trem quase vazio, entrei no vagão onde estava meu malão e troquei minhas roupas pelas vestes da escola. Quando sai do trem tive que correr pra pegar a ultima carruagem antes que ela partisse sem mim, foi uma viagem silenciosa e angustiante.
Como eu vou olhar para o Harry e tratar ele da mesma maneira?
Pra mim ele não é mais a mesma pessoa de antes e todo aquele possível amor que eu sentia por ele desapareceu, eu sei que a nossa amizade ainda vai continuar, mas meu coração já não bate mais do mesmo jeito. Entrei pelo salão e logo vi Gina com seu sorriso estampado nos lábios acenando pra mim, ela estava sentada ao lado de Parvati e Lila que também sorriam.
Fui ate elas com minha mascara de felicidade gravada em minha face, e assim que sentei as meninas já despejaram milhões de novidades e começaram a tagarelar sobre as férias. Ficar com elas me animou e logo aquele sorriso forçado foi substituído por um genuíno, era bom lembrar que eu não estava sozinha naquele enorme castelo.
O professor Dumbledor entrou e deu a todos os alunos as típicas ‘boas vindas’ de inicio de ano. A seleção dos alunos do primeiro ano para as casas foi animada como sempre. Cada vez mais eu vou me sentindo velha ao me lembrar do meu primeiro ano, aposto que nenhuma dessas crianças vai conseguir chegar aos pés das travessuras que nós aprontamos.
Ao termino da seleção o banquete começou e pude ouvir Rony exclamando de felicidade ao ver tanta comida junta. Eu estou lutando bravamente pra controlar meus olhos e não os levar até o lugar onde Harry e Rony estão, quero adiar ao máximo esse momento. No termino da sobremesa, Dumbledor pigarreou e o silencio se instalou no salão principal.
- Agora que todos já estamos satisfeitos, eu tenho alguns avisos para dar. – ele falou percorrendo o salão com os olhos – Este vai ser um ano interessante, vamos receber visitantes e teremos atividades diferentes para os alunos do sexto e sétimo ano.
Começou um burburinho de conversas por todo o salão. As perguntas eram as mesmas para todos: que visitantes eram esses? Atividades diferentes como? Antes que alguém pudesse tentar desvendar esses mistérios, Dumbledor tossiu e todos se calaram.
- Este ano Hogwarts esta recebendo alguns estudantes vindos dos Estados Unidos e da Austrália. – ele falou com sua voz ecoando pelas paredes. – E, motivados por esse intercâmbio cultural, resolvemos implantar matérias extracurriculares que são: culinária, teatro, música* e fotografia. As risadas animadas e comentários irritados dos alunos mais novos explodiram pelo salão.
Todos estavam completamente animados com a idéia de alunos novos em Hogwarts que são de países diferentes e, principalmente, com as novas matérias opcionais.
- Silêncio! – ordenou o diretor com sua voz de trovão e todos se calaram. – Para comemorarmos os novos acontecimentos, teremos um baile de Boas Vindas! Ele acontecerá daqui a um mês e vai ser organizado pelos monitores chefes. Agora que todos os avisos foram dados, boa noite para todos.
Após dizer isso o diretor deus as costas e foi saindo do salão, assim como o restante dos alunos. Mas eu estava estática, como assim organizado pelos monitores chefes? Quem em sã consciência colocaria Hermione Granger e Draco Malfoy para fazerem alguma coisa juntos? Não tive muito tempo pra lamentar minha vida patética porque fui interrompida pela voz fina da McGonagall ao meu lado.
- Senhorita Granger queira minha acompanhar, por favor.
¹ - Poinê: é uma das Queres, a personificação do Castigo, identificada às vezes com as Fúrias, em cuja companhia vivia. Na mitologia romana Poinê aparece como mãe das Fúrias, sendo uma das Divindades Infernais.
* troquei pintura por música por que vai se encaixar melhor no que vai acontecer daqui pra frente na fic :D
N/A: Heey people, capitulo postado finalmente \o. Eu gostaria de agradecer ao pessoal que comentou na minha fic ate agora, mesmo eu sendo uma autora do mal que demora séculos pra postar :D Quem será o senhor sem corpo? e como assim artifícios Mione? alguns misterios a serem desvendados (; Espero que vocês gostem! Como sempre, ignorem os erros por que eu nao tenho beta .. Enjoy guys ;*
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