James.
As coisas aconteceram tão rápidas entre mim e a Lílian que eu sequer parei para pensar nas consequências. Nós havíamos virado atração turísticaem Hogwarts. Poronde passávamos todos os alunos se viravam para nos encarar, parecíamos duas aberrações.
- Qual o problema desses alunos afinal? – Esbravejei sentando-me no sofá vermelho do salão comunal. A Lílian sentou-se ao meu lado com a cara emburrada.
- Até parece que você nunca namorou ninguém! – Ela bufou.
- Tenho a impressão que os bruxos olham mais para você do que para mim...
- Pode ser. Eu nunca namorei ninguém aqui em Hogwarts.
A frase “aqui em Hogwarts” não me passou despercebido.
- E fora de Hogwarts? Você já namorou alguém?
Observei a Lílian abaixar a cabeça, encabulada.
- Uma vez, mas não foi nada sério. Namorico de criança. – Ela me respondeu envergonhada.
- E porque acabou?
- Porque eu vim para Hogwarts...
- Sorte a minha, então. – Eu disse segurando na sua mão macia. Ela sorriu com o meu toque e me encarou de um jeito que ela não fazia antes. Ela nunca sustentou o meu olhar, mas depois da nossa primeira noite de amor ela sustentava o meu olhar até eu ficar encabulado e virar o rosto.
O Sirius e a Marlene apareceram juntos. Estava nítido que a cada dia estava mais difícil para eles ficarem separados.
- Lily, você não sabe o que estão falando de você! – Marlene disse sentando-se no tapete na nossa frente.
- De mim? – Lílian questionou preocupada, olhando para todas aquelas pessoas que ainda nos encaravam.
- Não faz isso, Lene... – O Sirius solicitou como quem pede a mesma coisa pela décima vez.
- Fala logo, estou surtando. – Lílian pediu.
A Marlene começou a sorrir feito uma gralha e minha impaciência atingiu níveis extremos.
- Estão dizendo... principalmente os meninos... que você deve ter mel na... você sabe, no meio das pernas!
- Mel? – Lílian repetiu confusa.
- É. O James nunca namorou uma menina de verdade. O que você tem de diferente para fazer com que o maroto mais safado de... quer dizer... o segundo maroto mais safado de Hogwarts fique de quatro por você?
- Indireta aceita com sucesso. – Sirius disse ao meu lado.
- Ai que gente idiota! – Lílian disse cruzando os braços no peito.
- Você. – Disse olhando para o Sirius. – Ouviu alguém dizer isso?
- Ouvi boatos. – Sirius me respondeu sério.
Meu sangue fervilhava nas veias. Então era por isso que as pessoas olhavam tanto para ela. Queriam saber o que ela tinha de mais para me manter amarrado. Saber que por minha culpa a curiosidade de outros homens a respeito da Lílian havia sido atiçada acabou comigo. Eu não queria as pessoas falando dela, ainda mais de um assunto assim.
- Eu vou matar todos que eu ouvir falando isso. – Eu rosnei entre os dentes.
- Eu te disse! – Sirius esbravejou encarando a Marlene.
-Não dê importância para isso, logo eles se esquecem de nós. – Lílian disse passando a mão pela minha coxa. Esse simples gesto fez com que todas as meninas que estavam no salão comunal se virassem para olhar. Era como se elas quisessem aprender como se faz para fisgar um maroto.
- Talvez. – Eu respondi irritado.
- Amanhã as aulas voltam ao normal. Dia ocupado, treinos de Quadribol, feitiços e tudo o mais. Logo isso passa. – Marlene disse sorrindo na minha direção.
- Por falar em Quadribol. – Sirius disse sugestivamente. – Já que não teremos aula hoje, acho que vou voar um pouco por aí.
Eu amava voar, mas agora eu namorava. Seria certo deixar a Lílian lá sozinha para sair com o Sirius?
- Vai com ele Jay. – Ela mesma respondeu aos meus devaneios. – É bom que você refresca a cabeça.
- Você não se importa de ficar aqui sozinha?
- Você está me tirando de merda nenhuma? – Marlene disse fingindo irritação.
Eu sorri do jeito dela. Combina tanto com o vira latas do Sirius.
- Tudo bem, eu vou. Mas volto logo. – Disse investindo contra os lábios da Lílian. O salão comunal ficou em silêncio e quando eu descolei nossos lábios um murmurinho alto tomou conta do ambiente.
- Deixa para lá. – Ela sussurrou em meus lábios antes de eu me levantar e sair.
Lílian.
Nem bem o James saiu e um aglomerado de meninas veio falar comigo.
- Conta para nós o que você fez assim de tão especial. – Uma garota loira com cabelos armados e encaracolados me questionou.
- Ela deve ter um jeito trouxa de fazer um boquete. – Marie, a piranha da Grifinória disse. – Porque eu sei bem que o Jay adora ser chupado.
A bili subiu do meu estômago até a minha garganta e eu senti uma vontade imensa de vomitar.
- Isso é verdade! – outra menina disse entre risinhos. – Ele segura firme a nossa cabeça e afunda nele de um jeito que... nossa!
- Vocês querem calar a boca! – Eu disse ríspida. – Eu não devo explicações da minha vida para nenhuma de vocês.
- Ela deve ter conseguido fazer a posição de coelhinho. Eu tentei com ele, mas não consegui. – Outra garota disse.
- Eu consegui! –Marie a respondeu. – Eu já fiz de tudo com o James na sala precisa...
Eu me levantei empurrando aquelas meninas para abrir espaço e passar. Meu coração estava muito acelerado, minhas mãos suavam e eu sinceramente achava que fosse vomitar. Subi as escadas do dormitório correndo e quando sentei na minha cama comecei a chorar de forma desesperada.
- Calma Lily. – Ouvi a voz da Marlene ao meu lado, eu nem havia notado que ela subiu comigo. – Elas foram te provocar.
- E conseguiram... – Eu disse entre os soluços do meu choro. – Você não faz idéia de como dói ouvi-las falar assim.
- Eu imagino amiga. Eu quase morro quando descubro que o Sirius saiu com alguma menina, e nós nem temos nada...
- Não é porque não deram nome ao que tem que vocês não possuem nada.
- Eu sei, mas... Ele nem estava mais me chamando para sair. Ele disse que não queria me iludir! Mas eu não aguento ficar longe dele... Aí eu vou lá e o seduzo até a sala precisa.
Eu sorri minimamente.
- Um homem daquele tamanho não iria com você a lugar nenhum se não quisesse, Lene...
- Mas ele quer qualquer menina que vá abrir as pernas para ele. – Ela disse-me triste.
- Assim como o Potter! – Eu deduzi irritada, chorando ainda mais.
- Não Lílian. O Jaymes não é mais assim. Eu vi o jeito que ele ficou quando te raptaram. Ele entrou em desespero.
- Estou com medo. E com ciúmes também. Aquelas meninas todas já tiveram o Jaymes para elas...
- Tiveram o corpo dele, e só. Você realmente o possui.
Eu sorri mais abertamente agora e abracei a minha amiga com vontade. Ela estava certa, eu tinha o Jaymes. Eu não tinha conhecimento de nenhuma menina que ele havia dito que amasse, e isso para mim era a maior das vitórias.
- Lene, porque você não fica com outro? – Disse de repente.
- Eu não sinto a menor vontade. – Ela me respondeu fazendo biquinho.
- Então finge... Só para ver a reação do Sirius.
- Ele nem vai ligar...
- Você só vai saber se tentar. – Eu respondi mirabolando um plano na minha mente.
James.
Ate uns dias atrás, voar era a coisa que eu mais amava fazer, mais até do que ficar com as meninas. Mas agora eu tinha que confessar que voar era a segunda coisa que eu mais gostava de fazer na vida. A primeira era satisfazer a minha ninfomaníaca. Eu sorri sozinho com o adjetivo que havia lhe dado, mas ela havia me surpreendido tanto no quesito sexo que eu não conseguia parar de pensar.
O Sirius passou por mim como um raio e girou a ponta da minha vassoura com força, fazendo-me rodopiar no céu.
- Acorda viado! – Ele gritou antes de sumir das minhas vistas. Eu acelerei e parti para cima dele. Ele era muito bom voando e sempre que eu chegava perto ele se desvencilhava de mim. Quando cansamos dessa brincadeira de “gato e rato” – eu sou o gato, lógico – voltamos para a terra firme.
- Ora vejam só, se não é o rapaz que faz de tudo para me superar. – Tom, o moleque arrogante da Sonserina disse caminhando na minha direção.
- Não sei do que está falando. – disse me desvencilhando da conversa. Eu queria ir ver a Lílian.
- Foi só eu dizer que já tinha ficado com a Lílian que você correu para ficar com ela... E agora se finge de santo para ver se consegue comê-la, só porque ela me regulou!
- Estupefaça. – Eu disse apontando a minha varinha bem na cara daquele desgraçado que caiu no chão inconsciente. Se ele usasse uma frase novamente contendo o nome da Lílian e a palavra “comê-la” eu o mataria!
- Você não pode fazer isso, cara. – Sirius disse-me, mas algo me dizia que ele estava segurando um sorrisinho irônico.
- Não enche a minha paciência! – Eu o respondi andando com passos duros para dentro do castelo.
Eu tomei um banho demorado para esfriar a cabeça e desci para o jantar. O refeitório estava apinhado de bruxos e desta vez as pessoas pareciam não notar a minha presença. Havia um círculo com muitos alunos no canto do refeitório mais eu não dei importância. Sentei-me de frente para a Lily e ao lado do cachorro mais sarnento de Hogwarts, como sempre.
- Você demorou. – Lílian disse olhando-me desconfiada.
- Estava tomando banho. – a respondi, mas parece que a minha resposta não a satisfez.
- O Sirius também tomou banho!
- Você que pensa. – bufei.
Lílian sorriu e para mim era o que bastava. Ela não costumava ser insegura.
- Onde está a Marlene? – Sirius perguntou depois de um tempo.
- Não sei. – Lílian o respondeu. – Ela disse que ia sair, eu achei que ela estivesse com você... Ela passou tanto perfume que quase me matou sufocada!
Sirius fechou o semblante na mesma hora. Sua mão fechou em punho e sua respiração ficou instável. Ele estava puto.
- Você está bem? – O questionei apenas para fazer o mal.
- E porque não estaria? – Ele me respondeu de forma rude.
O restante do jantar passou depressa, mas o Sirius nem tocou mais na sua comida. Quando estávamos prestes a nos levantar a Marlene aparece. Ela trajava uma miniblusa branca com um decote generoso e uma calça jeans mais justa do que Merlin. Ela saltativa na nossa direção com um semblante muito contente.
- Oieee. – Ela cumprimentou a todos. – Lyli, me empresta uma graninha?
- Quanto?
- Cinco!
Lílian pegou dinheiro no bolso de trás da sua calça e estendeu à amiga.
- Posso saber o que vai fazer com o dinheiro? – Lílian a questionou curiosa.
- Estão fazendo um bolão de aposta ali no canto do refeitório. – Eu me virei e vi que ainda havia muitos alunos aglomerados no mesmo local.
- O que estão apostando? – A questionei.
- Se o namoro de vocês durará mais do que um mês! – Ela respondeu piscando na minha direção.
- Fala sério. – Lílian disse soltando o ar dos pulmões.
Sirius olhou para mim, depois para a Lílian.
- Vou apostar tudo o que eu tenho hein, não se separem. – Disse se levantando apressado.
- Ele pensa que não sabemos que ele vai lá só por causa da Marlene. – Eu disse o observando sair correndo.
- Vai entender esses dois. – Lílian disse sorrindo.- Mas o bizarro é sermos alvo de apostas...
- Eu jamais imaginei...
- Eu estou tão cansada. – Lílian disse bocejando. – Acho que vou para o meu quarto.
- Nossa. Não vai ficar um pouco comigo? – Perguntei fitando os seus lindos olhos verdes.
- Não estou em um bom dia. – Ela respondeu desviando o seu olhar do meu. Algo não estava certo.
Eu a acompanhei até as escadas que levariam ao seu dormitório. Nossos dedos estavam entrelaçados, mas ela não emitiu um mínimo som durante todo o trajeto até o seu quarto.
- Boa noite. – Ela se virou e me desejou sorrindo, porém o seu sorriso era forçado.
- Porque não me diz o que está lhe afligindo?
- Não há nada me incomodando.
Eu encostei a minha testa na sua e fechei meus olhos inalando o seu aroma perfeito, depois eu busquei os seus lábios e os selei demoradamente. Havia algo acontecendo sim, eu podia sentir no beijo dela que ela não estava completamente ali, entregue.
- Antes de ser seu namorado eu quero ser eu amigo. Por favor, se tiver algo infestando essa cabecinha eu quero saber. – Eu disse baixinho a centímetros do seu rosto.
Eu a observei suspirar fundo e quando soltou o ar lágrimas escaparam dos seus olhos.
- Quando você foi voar – ela disse limpando as lágrimas do rosto. – Várias meninas vieram até mim e fizeram questão de me contar com riqueza de detalhes tudo o que vocês já haviam feito na cama. – seu choro ficou ainda mais intenso e eu a abracei forte contra o meu corpo. – Elas foram muito gráficas,.. Foi horrível.
Ter a Lílian em meus braços chorando por causa do meu imundo passado me destroçou. Se eu soubesse que um dia estaria nessa situação, jamais teria tido tantas aventuras.
- Me perdoa, Lily. – Eu disse beijando o topo da sua cabeça. – É tudo o que eu posso fazer. Te pedir perdão!
- Você não precisa me pedir perdão. – Ela disse se afastando, limpando o rosto com as mãos. – Nós não tínhamos nada. Mas eu fiquei magoada e só quero ir dormir agora.
- Tem certeza? Podemos dormir juntos na sala precisa.
- No momento eu estou com nojo da sala precisa. – Ela disse se virando, antes de subir correndo os degraus que a levaria até o seu quarto.
- Merlin! – Eu praguejei.
A Marlene passou correndo por mim e também subiu as escadas num rompante, deixando o Sirius parado bem ao meu lado nos pés da escada.
- Noite ruim? – Eu perguntei exasperado.
- O que acha de tomarmos cerveja amanteigada no nosso dormitório. – Sirius sugeriu.
- Excelente idéia.
Caminhamos lentamente e em silêncio até o dormitório masculino da Grifinória que estava vazio. Os meninos costumavam ir dormir mais tarde. Sirius foi até o nosso esconderijo e pegou duas cervejas, depois as abriu e me entregou uma. Sentamos cada um em uma cama, de frente para o outro e nos encaramos.
- Parece que algumas das meninas que eu já transei resolveram dar detalhes da nossa vida sexual para a Lílian. – Disse dando uma golada na minha bebida.
- Isso é ruim. – Sirius disse pensativo. – Eu acho que a Lene está saindo com outro cara. Eu não posso cobrar nada dela, porque não temos nada. Mas se tiver outro cara eu o mato.
Eu sorri e engasguei com a bebiba.
- O que faremos?
- No momento? – Sirius perguntou levantando uma sobrancelha. – Vamos beber!
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Aik delícia voltar a escrever essa fic depois de tanto tempo J