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17. Oclumancy


Fic: A Armada de Hogwarts


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Capítulo Dezessete – Oclumancy


 


Extremamente irritada, Rafaela foi pisando duro pelos corredores até parar perto da escadaria principal. Lá, encostou-se ao corrimão e tirou o Mapa do Maroto do bolso. Localizou a todos: Harry, Hermione, Ronald e Ginny estavam perto de outros colegas, dentro do salão comunal da Gryffindor. Snape continuava em seu escritório, andando pra lá e pra cá. Não havia ninguém nos corredores normais que levavam até o quarto de Remus, mas era melhor não arriscar. Quase todos os alunos, depois de alimentados, já havia se retirado, e não seria bom para ela se Filch ou Norris a vissem perto do quarto dele. Subiu a escada, ainda de olho no mapa, e entrou na primeira entrada secreta que encontrou. Seguindo o labirinto de corredores escuros e úmidos, encontrou-se numa saída que levava direto ao corredor para o qual pretendia ir. Esperou Filch, Norris e um fantasma sumirem de lá, para depois aparecer.


Remus pulou da poltrona ao ouvir a porta sendo aberta, lentamente. De coração acelerado, parou no meio do quarto, esperando que ela aparecesse. Rafaela colocou a cabeça para dentro e sorriu ao vê-lo. Em seguida, entrou e trancou a porta.


– Que bom que você não demorou!


– Foi mais rápido do que eu imaginava. – Rafaela disse se aproximando – Mas você sabe como ele é, me irritou como se tivesse sido um dia inteiro.


– O que ele fez?


– Foi o velho professor Snape, só isso. Mas no final deixei ele de boca aberta, fiz a melhor poção da minha vida!, mas é obvio que ele não deu o braço a torcer.


– Lógico. Mas que história foi essa de que você bateu na Sophia?


– Ah... – apoiou-se na cama de Remus para tirar os sapatos – Bati, meti a mão na cara dela.


Remus riu, indo na direção de uma mesa que havia arrumado – Eu queria ter visto isso! Mas o que foi que ela fez?


Rafaela, já de meias, tirou seu sobretudo do uniforme – Ela falou merda. Eu estava querendo saber se ela não ia voltar pro Brasil, e tal, aí ela engrossou e me insultou.


– Eu não conhecia esse seu lado violento.


Rafaela riu – Nem eu! Nunca tinha feito isso antes, e não estou afim de ter motivos pra repetir!


– Então o Snape ficou nervoso por isso, certo?


– Ficou um estresse só, precisava ver! Mas eu já aprendi a lidar com ele, tem nada, não.


– Então está bom. E aí, com fome?


Rafaela viu a mesa que Remus havia feito, com dois pratos, jarro de suco e algumas refratárias de comida, ainda vazias, duas velas brilhando e uma rosa de cristal em uma delicada taça de vidro – Remus! Que lindo!!


Remus puxou uma das cadeiras – Mandei um elfo arrumar e ficar de boca fechada... Mas a flor é coisa minha.


Rafaela se sentou e as tigelas se encheram de comida, arroz, carne e salada de batatas. Remus se sentou diante dela – Sabe que eu também não comi nada?


– Porque não? – perguntou começando a se servir


– Pra jantar com você. – ela sorriu – Só belisquei alguma coisinha pra disfarçar.


Rafaela ficou meio vermelha – Que legal! Mas amanhã eu vou ter que ir pra detenção de novo...


– De novo? Porque, bateu outra vez na menina?


Rafaela contou a Remus sobre a detenção, e ele adorou saber que ela o havia deixado sem resposta, de boca aberta.


– Ah, pois é, mas cabeça dura do jeito que é, um minuto a mais foi muita coisa.


– Mas você consegue. Anima-Alma não é nada simples e você conseguiu...


– Espero que ele use a poção!


– Se for assim tem que dar um cálice pra cada um desse time.


 


 


– Nossa, essa comida está muito boa! Quem foi que trouxe?


– O Dobby e a Winky. Mandei eles ficarem calados sobre isso, é claro que vão obedecer.


– Claro. Sabe que é interessante essa história de namorar escondido?


– Preferia poder assumir.


– Eu também! Mas já que não pode, né...


– Ah, mas não será por muito tempo. É só terminar o ano letivo, você saindo de Hogwarts ninguém mais vai poder interferir.


– Isso aí. – falou voltando a comer – Pensamento positivo. A gente vai passar pela invasão, vamos vencer e vamos ficar juntos fora da escola.


– Sabe o que eu acho..?


– O quê?


– Que nós todos estamos tranqüilos demais com tudo isso. Porque você sabe, a gente tem certeza do que vai acontecer, que eles virão, invadirão a escola, terão armas, magia negra, aliados fortes... E que apesar de estarmos todos nos preparando para isso, podemos não ser o suficiente.


– É, sabemos disso...


– Mas eu acho isso bom, sabe? É melhor mesmo ficarmos todos calmos, pensando com a cabeça no lugar, do que entrar em pânico e não saber o que fazer na hora.


– Exatamente. Nós, digo, nós alunos, já conversamos sobre isso e concordamos que o melhor é ficar de boa como estamos, aprendendo, levando a sério, mas no fundo fingindo que nada está acontecendo.


– Quando for acontecer é outra história, mas também a gente não tem que ficar pensando nisso.


Rafaela deu um sorrisão – O presente é muito melhor!


Terminaram o jantar em pouco tempo. Apesar de não parar de falar um minuto, ambos estavam com muita fome. Ainda ficaram juntos por quase uma hora, namorando o tanto quanto aqueles poucos minutos os permitiram, mas estavam também muito cansados, como em todos os dias normais. Rafaela foi para sua cama trancada na Grifinória, tomou alguns Tumble Taurus, dormiu pelo que valeu por cinco horas, depois, ali mesmo, usou seu vira-tempo e chegou até as quatro da tarde, ao mesmo tempo em que os amigos. Deu tão certo que ela empolgou. “Minerva não sabe a arma que me deu me deixando com essa ampulheta...


 


* * *


 


Depois de horas de cansativas aulas, finalmente os alunos foram tomar café no salão principal, às oito da manhã do dia seguinte.


– Você notou, não é? – Ronald perguntou para Harry


– O que?


– O Remus, todo feliz.


– Claro que eu notei! Ele não consegue esconder. Estava sorridente na aula de hoje.


– Ah, mas isso é também porque nós melhoramos cem por cento nas aulas.


– Sim, eles não têm mais motivos pra xingar muito a gente. Mas que ele estava mais sorridente do que nunca...


– Ah, isso estava. E o Snape?


– Porra, o Snape é outro!


– Não que seja o cara mais dócil do mundo...


– Não, mas é mais... Sei lá, conversável, tolerável.


– Milagres de Sophia.


– Eu diria milagres de Rafaela, porque se não fosse por ela...


– É, mesmo ela tendo socado a Sophia, o Snape ainda é grato... Não pode deixar de ser, né?


– É, ela até comentou hoje na hora da pausa...


– Quando?


– No jardim, você ficou sozinho com a Hermione, ela ficou conversando com Ginny e eu. Disse que mesmo com raiva por causa do soco, ele não fez nada de grave na aula, elogiou algumas vezes...


– Será que não tem alguém usando uma Polissuco pra substituir o Snape, não?


Harry riu – Isso acontecer duas vezes numa só escola é demais pra cabeça, né não?


– É que é muito estranho. Ele era um monstro, cara, agora virou humano!


Eles estavam sentados lado a lado, fingindo tomar seu café em silêncio, mas cochichando. Ninguém conseguia ouvir de que se tratava a conversa. Hermione, ao lado de Ronald, o cutucou.


– O quê? – perguntou depois do susto


– O Snape acabou de chamar a gente.


Parvati estava sentada próxima. Olhou meio sem expressão para Harry e disse – É que a filha dele está indo embora hoje.


– O quê?


– É, está.


– Quem te contou?


– Ninguém. É mais uma daquelas coisas. – ela disse e saiu da conversa


Todos se entreolharam e consideraram a premonição. Rafaela sorriu.


– Ficou feliz, heim? – disse Ronald


– Aliviada. Não só por mim, por todos nós.


Depois do café, eles disfarçaram e fugiram para o escritório do professor Snape. Ele não estava lá, mas a porta estava aberta. Quando ele chegou, cinco minutos depois, Ronald quase fez uma piada sobre o atraso, mas achou melhor evitar.


Snape já entrou falando – Albus mandou que eu avisasse a vocês. Sophia decidiu ir embora, mas vocês não devem relaxar. As medidas de segurança continuarão sendo as mesmas, como se houvesse sempre alguém observando.


– Ela resolveu assim de repente? – perguntou Harry


Snape olhou para Rafaela – Ela deve ter tido seus motivos.


Rafaela segurou uma risada, abaixando a cabeça.


– Quando ela vai? – perguntou Hermione


– Daqui a pouco. Disse que quer se despedir de vocês, no quarto dela.


Rafaela riu – Eu não vou! Fala que eu mandei um beijo e desejei boa viagem.


Eles saíram, seguidos por Snape. Rafaela foi na direção da sala de transformações, onde teriam sua primeira aula, e quando a professor Minerva chegou, ela explicou o porque de os amigos ainda não estarem lá.


À noite, na hora do jantar, Rafaela foi mais uma vez para o escritório de Snape. Tinha na cabeça que desta vez conseguiria fazer a poção em sete minutos, “só pra esfregar na cara dele”.


– Por favor, sente-se. Temos que conversar.


Rafaela franziu a testa. Achou extremamente irreal o tom amigável do professor, não respondeu e se sentou. Snape ficou em pé, colocou as mãos nos bolsos e deu alguns passos pra lá e pra cá perto da porta.


– Você realmente me impressionou ontem com a sua poção. Ela ficou perfeita, o que é mesmo muito raro num tempo tão curto como o que você conseguiu. Não pensei que posse capaz de fazer em menos de nove minutos.


– Mas mandou fazer em sete...


– Sim, foi o que eu disse, mas não esperava que fosse conseguir. Eu mesmo fiz essa poção em oito minutos, como você, mas foi impossível fazer em menos tempo.


Rafaela baixou o tom de voz – Ah, é..?


– É. Mas eu queria que você não conseguisse, sabia que você não ia conseguir e que ia sentir raiva e foi por isso que eu mandei que fizesse em sete minutos.


Rafaela abriu a boca e o encarou – Você queria que eu não conseguisse?


Snape continuou calmo – Queria. Mas você me surpreendeu, eu sabia que era boa, mas não imaginava isso. A raiva que você estava sentindo repôs a sua energia, e essa capacidade poderá ser muito útil no futuro.


– Mas, mas...


Snape tirou uma das mãos do bolso e fez sinal para ela esperar – O que eu quero dizer, Rafaela, é que eu queria que você pagasse pelo que fez, mas quem acabou pagando fui eu. Eu fiquei completamente surpreso e comecei a pensar sobre diversas coisas, e me toquei que você realmente não faria aquilo por nada.


Rafaela balançou a cabeça, como se fosse pra arrumar o que ouvia lá dentro.


– Além disso, eu conheço você muito melhor do que conheço a minha filha. Mas... – a foi na direção da mesa, indo se sentar – eu realmente preciso e quero muito saber, o que foi que ela disse de tão grave?


Rafaela gaguejou um pouco – Bem, ela... Ah... Ela falou várias coisas, entre elas me confirmou que estava andando com o Malfoy, e que não sabia se era ele a má companhia ou “nós”. E, bem, não foi só isso, ela me insultou pessoalmente, falou coisas sobre mim e, poxa vida, eu não consegui me segurar.


– Então ela realmente se aproximou do Malfoy...


– Sim. E, você sabe, ele parece ter um bom poder de persuasão.


– Pelo menos ela já foi embora.


– Pelo menos? Não estava feliz com ela aqui?


– É claro que estava, mas eu sei que esse não era o momento. Quem sabe depois que tudo acabar...


– É verdade.


– Eu digo “pelo menos”, porque assim ela não vai se envolver, não vai ter que ficar de um lado ou de outro, pelo menos está longe, e eu me sinto mais seguro assim.


Rafaela deu um sorrisinho – Bem coisa de pai, mesmo.


Snape sorriu minimamente de lado – Exato. E não faz sentido eu ficar nesse clima todo com você, brigando, se foi graças a você que eu me tornei um pai!


– Bom... – Rafaela riu – Se você falar essa frase perto de outras pessoas vai soar muito, muito mal! – ela riu de novo e voltou a falar antes que Snape estourasse mais uma vez com ela, quando o viu ficar um pouco vermelho – E achava que depois da viagem pro Brasil e tal a gente ia se dar melhor, até me assustei com o jeito que você ficou...


– Foi a raiva, o momento, mas passou. Confesso que peguei pesado, mas espero que isso tenha passado.


– Ah, claro, passou... Já te vi em momentos muito piores, Severus, precisaria de algo muito mais sério pra me assustar de verdade. Mas e a poção?


– Poção?


Rafaela sorriu abertamente – É! Como ela ficou? Você provou?


Snape retribuiu o sorriso – Tomei a taça toda.


Ela riu – Ah, notei mesmo! Que bom, cara. Legal, mesmo. Quer dizer que ela ficou perfeita?


– Ficou. O cheiro estava delicioso, o gosto parecendo com mel.


Ela gritou sorrindo – Mel?! Uau!!


– Pois é, muito bom. Ah, e não vai precisar tentar fazer em sete minutos, não, eu mandei que você voltasse para termos essa conversa.


– Ok, então fica assim. A gente esquece o soco, esquece as brigas, e nos tornamos amigos, ok?


Snape sorriu – É essa a intenção.


 


* * *


 


Com a chegada de Dezembro, o frio aumentou bruscamente de intensidade. As tempestades de neve ficaram mais intensas, e ninguém mais saía do castelo. Albus preocupou-se quando constatou que, devido ao tamanho frio, ficariam no castelo mais alunos do que o normal, para o Natal. Reuniu os professores e funcionários, além dos alunos especiais, para pensarem em uma maneira de esvaziar o castelo. Acabaram decidindo que “fariam uma dedetização intensa no castelo, para acabar com os Doxies que estão se reproduzindo intensamente”, e para isso todos precisariam ir embora. Para não levantar nenhum tipo de suspeita, os cinco alunos especiais também levaram seus malões (vazios) para o trem e foram para King’s Cross. Despediram-se de todos os amigos e, quando não havia mais ninguém por perto, esconderam-se e desaparataram de volta para os portões do castelo.


Foi muito estranho aquele lugar todo quase vazio. Ao todo, ficaram apenas treze pessoas: os cinco alunos especiais, Albus, Minerva, Snape, Remus, Flitwick, Charlie, Hagrid e Pomfrey. O clima, apesar de tudo, ficou ainda melhor; uma grande intimidade de família surgiu entre eles, que agora só ficavam na sala especial, que podiam, então, deixar aberta para a sala de transformações.


Não entraram em férias de aulas especiais, muito pelo contrário. Agora que tinham todo o castelo livre, teriam que treinar o tempo inteiro. Os professores, fantasmas e até quadros estariam testando-os sempre, sem folga.


No terceiro dia de castelo vazio, Harry estava andando tranqüilamente, sozinho, na direção na cozinha, para comer qualquer coisa entre o café da manhã e o almoço, que agora eram servidos na sala especial, e ouviu um barulho estranho vindo do final escuro do corredor. Parou e olhou em volta, tirou uma das mãos do bolso e pegou a varinha, voltando a andar. O barulho lembrava pedras sendo trituradas, parava e depois aparecia o barulho de um maçarico. Franziu a testa. Já havia ouvido aquilo antes, mas não conseguiu identificar o que era. Com cuidado, passou por uma leve curva do corredor e ouviu os sons ainda mais altos. Corroído de curiosidade, apertou o passo e, ao chegar à próxima curva, olhou protegendo-se pela parede.


– Um carangueijo-de-fogo...


O bicho, que estava perto de uma parede, percebeu a presença de Harry. Mais uma vez, fez os barulhos de pedras sendo trituradas, parecendo bastante nervoso. Harry o encarou. Sabia exatamente o que fazer com ele. O Caranguejo fez fortes barulhos de pedras e deu um pulo, virando-se de costas para Harry e se abaixando. Harry voltou para a esquina do corredor, protegendo-se das chamas lançadas pelos flatos dele. Assim que parou, voltou a encara-lo.


Rictusempra!


O animal ficou atordoado e caiu, ficando de costas para o chão. Harry sorriu e se aproximou, analisando o corredor. Ali ficava a sala de Aritmancia, e logo na frente havia um pequeno armário de vassouras. Harry abriu a porta – Filipendo! – e o empurrou para dentro, fechando a porta e trancando-a em seguida.


– Essa foi fácil, heim?


Hagrid saiu de uma passagem secreta, sorrindo abertamente para Harry – Muito bem, Harry, muito bem! Só espero que ele não tenha se machucado muito.


Harry riu – Ele podia ter me machucado muito, Hagrid.


No mesmo dia, quando os cinco alunos estavam sozinhos à mesa no salão principal, comendo qualquer coisa, entraram voando por janelas e portas centenas ou milhares de Diabretes. Todos se entreolharam sem muita preocupação, enquanto Hermione, Harry e Rafaela tiravam suas varinhas, e Rony e Gina apenas olharam para os bichos. Em poucos segundos todos eles estavam boiando no ar sem reação alguma, e os alunos voltaram a conversar e comer como se nada tivesse acontecido.


Quando chegaram à sala especial, para terem suas aulas especificas, encontraram Albus, que os convidou a sentar-se à mesa, todos juntos. Todos se acomodaram, na presença dos professores que deviam ensinar àquela hora.


– Estamos chegando ao final da primeira semana de Dezembro, e até agora houveram apenas pequenos testes ao longo dos dias. Todos, sem exceções, se saíram perfeitamente bem, trabalharam tranqüilamente em seus atos e receberam cinqüenta pontos a mais em suas médias pessoais. – eles se entreolharam sorrindo abertamente – Mas isso ainda não foi nada, porque temos apenas mais três semanas, e vamos aproveitar muito bem todos os minutos. A partir de hoje, os testes e simulações serão mais intensos e de maior gravidade. Vocês podem sair machucados se não tiverem muita atenção, clareza e rapidez de pensamento. – então ele se calou e sentou-se á cadeira da ponta da mesa, segurando e encarando as mãos. Em segundos, respirou mais fundo e voltou a olhar para os alunos – Hogwarts ainda está muito bem, mas eu tenho certeza de que isso não vai durar por muito tempo. O mundo bruxo está passando por um grave problema. – todos se assustaram. Estavam bem lá dentro, e não imaginavam que o mundo podia estar com problemas.


– O que está acontecendo? – Harry perguntou


– Uma doença misteriosa surgiu há alguns dias, e está se alastrando de forma incontrolável.


Hermione deu um gritinho fraco e colocou a mão sobre os lábios – Uma doença?


– Não parece ser simples. É uma peste. Uma magia negra muito forte, e se não for tratada com a magia correta nas primeiras horas...


– ...o que acontece? – Ronald perguntou


– A pessoa não consegue mais falar, depois começa a perder sangue... Seu coração fica ferido, causando a morte em menos de dois dias.


Houve alguns segundos de silencio, onde todos tentavam absorver a informação. Os professores que estavam ali pareciam já saber sobre a peste, e estavam muito preocupados.


– Quem está sendo infectado..? – perguntou Rafaela


– Bruxos. Apenas bruxos, mas eu não duvido que isso possa rapidamente chegar aos trouxas.


– O que pode ser feito pra acabar com essa magia? – disse Hermione


– É preciso encontrar o lugar onde a magia foi feita, e fazer o contra-feitiço. Isso é um problema, porque ele pode ter feito em qualquer lugar da Grã-Bretanha.


– Só pode ter sido ele... – dise Harry em voz baixa


– Mas já tem gente cuidando disso, não tem? – perguntou Ginny – Procurando de alguma forma onde a magia foi feita...


– Quase todos os aurores do ministério estão trabalhando nisso. Eu tentei alertar ao ministro de que isso é um erro, mas ele...


– Por que é um erro? – Ronald interrompeu


– Há poucos aurores disponíveis, se acontecer mais algum problema, será um efetivo muito pequeno.


– Então ele pode ter criado isso justamente para afastar a maioria deles..! – disse Rafaela


– Exatamente. E tenho quase certeza que é isso, mas ele não quis me ouvir.


– E nós? O que nós podemos fazer? – perguntou Harry


– Vocês continuam aqui e se empenham cada vez mais. Eu vou me ausentar do castelo por...


– Ausentar?! – Ronald


– Mas, Albus... – disse Hermione


– E se acontecer alguma..? – preocupou-se Harry


– Nada vai acontecer, não ainda. Eu tenho tudo em mente, sei o que ele deve estar pensando... Invadir Hogwarts não é o único plano dele.


– Mas o que mais..? – começou Rafaela


– Coisas como essa peste. Seria pequeno demais para ele fazer apenas a invasão, que não vai acontecer agora. A peste tem algum outro intuito.


– Mas e se você se infectar, Albus? – perguntou Ginny, preocupada


– Vocês podem ficar tranqüilos quanto a isso. Eu estou preparado. A maldição não pega em qualquer um. O que impede é uma magia parecida com a Oclumancia, que você devia ter aprendido ano retrasado, Harry. Aliás, todos vocês terão que aprender, a partir de já. Temo que ele tente usar mais uma vez as mesmas armas.


Rafaela e Harry se entreolharam, tensos. Sabiam que eram os mais vulneráveis entre eles.


– Mas eu não tenho sentido nada... Nada como aquilo. – disse Harry


– Inclusive eu acho isso muito estranho. Já era hora de sentir, como já sentiu. – Rafaela


– Vocês acham que o feitiço que ele colocou na Rafaela ainda pode ter algum efeito? – Hermione perguntou


– Acredito que possa. – Albus respondeu e Rafaela fez cara de medo – O poder usado foi muito forte, e se antes de perder todo o poder ele refizer a magia, pode voltar, sim.


Rafaela sibilou um palavrão.


– Mas essa Oclumancia pode protege-la, como pode proteger ao Harry? – Ronald perguntou


Albus baixou um pouco o olhar, depois olhou para Rafaela – Dificilmente.


Os professores até então ouviam tudo em silêncio, mas a partir do momentoem que Albusse levantou dizendo que estava de partida, alguns deles começaram a protestar, acreditando que seria pior se o diretor deixasse a escola.


Albus levantou a voz para sobrepor-se e faze-los ouvi-lo – Eu confio e vocês e sei que este castelo ficará seguro. Não são apenas vocês, são também os guardiões que já estão a postos, temos os alunos – apontou levemente para a mesa, onde eles continuavam sentados – e se acontecer qualquer coisa que saia dos planos, eu saberei imediatamente e voltarei no mesmo instante.


Alguns, assim como Minerva, Flitwick e Snape, acompanharam Albus até o lado de fora do castelo, caminhando com dificuldade sobre a neve. Na sala especial, alunos, Remus e Charlie, estavam sentados à mesa, sem saber o que dizer.


– Não deve adiantar pra muita coisa a gente ficar assim. – Hermione quebrou o silêncio


– Por que é que ele não faz de uma vez..? – disse Harry – Se ele não sabe que estamos nos preparando, então porque essa demora toda? Por que, se não é pra deixar a gente cada vez mais ansioso?


– A vantagem é nossa, Harry. – disse Remus – Se eles não sabem que estamos nos preparando, não se preocupará em se organizar completamente.


– Achando que nos pegarão de surpresa, pensam que podem nos vencer com facilidade. – completou Charlie


– E isso não é verdade. – Remus disse claramente


Harry fez um ruído de impaciência e raiva e deixou a cabeça cair sobre os braços apoiados na mesa – Como isso cansa! – gritou lá de baixo


– O pior... – começou Rafaela – é saber que nem a Oclumancia vai me ajudar se ele resolver... De novo.


– Não dá pra fingir o tempo todo que está tudo bem. – Hermione falou de olhos baixos e Ronald passou o braço por suas costas, fazendo um carinho em seu rosto


– A Oclumancia pode não fazer efeito, mas você pode vencer. – disse Remus


Rafaela o olhou demonstrando seu medo, mas com muito carinho – Como..? Eu me lembro como era horrível saber que ele ouvia cada palavra e tinha controle sobre tudo o que eu fazia. Eu não quero passar por aquilo de novo... – disse sentindo os olhos se encherem de lágrimas e o queixo tremer


Remus sentiu como se a tristeza fosse nele. Sentiu o coração se apertar e uma vontade incontrolável de abraça-la e afastar todo o mal de seu caminho. Ela sentiu isso pelo seu olhar, o que a deu ainda mais vontade de chorar. Respirou fundo, tentando de controlar. Ginny, que estava ao seu lado, colocou a mão sobre seu ombro e a olhou com carinho – Não precisa segurar o choro, amiga...


Rafaela a olhou quase transbordando e resolveu não segurar mais. Foi abraçada por Ginny, que também começou a chorar. Harry que estava de frente para Ginny buscou sua mão e quase sentiu a emoção das duas em si mesmo. Logo, as três garotas estavam chorando, e os homens dali sentiram raiva por não poder fazer nada para mudar tudo aquilo.


Ronald passou bruscamente as mãos pela cabeça e se levantou enfurecido da mesa. Hermione o olhou com lágrimas nos olhos – O que foi..?


– Raiva de não poder fazer nada! Minha namorada sofrendo, minhas amigas, todo mundo... E não posso fazer nada! Quando a Ginny era criança eu podia tentar defende-la, mas agora eu não posso! Nem ela nem ninguém!


Hermione se levantou – Calma, Ron. – abraçaram-se – É claro que você pode, nós podemos. Nesse momento não dá, mas vai ser possível, nós vamos conseguir superar tudo isso, você vai ver.


Pela porta aberta do salão, entraram Snape, Minerva e Flitwick. Logo todos os alunos já estavam recompostos e foram para suas aulas. Mesmo sem combinar nada, sem ter falado sobre isso, cada um deles deu o máximo de si, absorvendo muito mais em aula do que nas anteriores, praticando tudo com vontade e ate raiva, vontade de fazer direito. Ao final das aulas do dia, os professores comentaram entre si que ficaram impressionados, todos eles.


 


* * *


 


 “Na madrugada passada, dia oito de dezembro, os moradores do Bairro do Hipógrifo acordaram assustados com várias explosões vindas da rua dos Martírios, onde fica a mansão do Ministro da Magia, Cornelius Fudge. O enviado especial do Profeta Diário, Oliver Brown, esteve no local e entrevistou alguns dos moradores...”.


– Tá, aí tem um monte de gente falando, blá, blá, blá – disse Hermione enquanto lia a notícia, e continuou


Os portões da mansão foram arrombados com as explosões, um feitiço não identificado, e as portas da casa não foram abertas por pouco, graças aos seguranças do Ministério. O jornaleiro Carl Memphis, 41, foi preso imediatamente para averiguações, medicado e liberado em seguida, pois foi contatada sua total inocência no caso. Memphis foi obrigado a invadir e tentar matar um ministro por uma maldição imperdoável, o Imperius. Memphis disse não se lembrar de como foi parar ali, muito menos de quem o amaldiçoou. ‘Eu estava chegando para trabalhar, eram quatro da manhã... Ouvi passos atrás de mim e... Depois não me lembro de mais nada.’ Uma seleção especial de Aurores Investigadores estão tentando averiguar o caso. Corneluius Fudge não sofreu nenhum ferimento.”.


Hermione fechou o jornal e pousou-o à mesa, ao lado de sua xícara de chá.


– Estava demorando. – comentou Ginny – É claro que eles tentarão até o fim.


– Se aumentarem mais a segurança dele, daqui a pouco o efetivo de aurores vai ficar esgotado. – preocupou-se Harry


As aulas específicas daquela tarde foram canceladas. Os professores Minerva, Snape, Remus, Flitwick e Charlie ficaram cada um com um aluno, para começar a ensinar a Oclumancia. Harry, que já sabia do que se tratava e detestara as aulas que tivera dois anos antes, foi desanimado e de má vontade para o escritório de Snape, seu professor naquela matéria, já imaginando o que sofreria naquelas horas; Hermione foi animada e confiante para a sala de Minerva, achava que seria plenamente capaz de fazer aquilo com perfeição; Ginny foi para a aula com Charlie sem saber o que fazer, mas disposta a se dedicar muito, como estava fazendo em tudo; Ronald foi para a sala de Flitwick com medo de não conseguir aprender nada, e Rafaela foi nervosa para a sala de Remus, sabendo que estaria lá apenas, mesmo, para ter aulas.


– Você já sabe como funciona. Mas dessa vez eu quero que se esforce de verdade, e que as aulas dêem resultado.


Harry fez um muxoxo – Eu sei...


Na mesa do professor, estava uma penseira, da mesma maneira que dois anos antes. Snape já havia depositado ali muitos dos seus pensamentos e lembranças, para facilitar a aula. Harry desejou poder usar uma também, para não ser obrigado a se lembrar de coisas horríveis de seu passado.


Legilimens.


Harry não teve tempo de fazer nada ao ouvir a voz do professor. Viu-se nos degraus de pedra, no meio de uma verdadeira batalha, onde Sirius e Bellatrix duelavam. Sentiu mais uma vez o desespero ao perceber que ele não voltaria mais detrás daquela cortina, sendo segurado por Remus...


 


Rafaela sentou-se exausta num sofá, aparando a cabeça com as mãos, bufando alto. Remus continuou em pé, passou a mão pelos cabelos e barba, baixou a cabeça.


– Eu não entendo! O Albus falou que não adianta, pra que eu tenho que ficar aqui me matando pra aprender isso?!


– Se Voldemort estiver diante de você quando tentar usar aquela maldição novamente, você pode tentar se defender com isso.


– Mas dificilmente conseguiria, certo?


– Ele não vai usar a maldição na sua frente. Se usar será de longe, antes que todo o efeito daquela primeira acabe...


– Pois então! De que adianta? Essa coisa é um saco, é difícil, me faz lembrar só de coisas ruins... Pra quê, se eu nem vou usar?


Remus abaixou-se diante dela e buscou suas mãos, olhando-a nos olhos – A minha opinião, de verdade, era que o único que precisa saber Oclumancia era o Harry. Só ele tem a tal ligação com Voldemort, mas o problema... Rafaela, você também tem essa “ligação”. A maldição que ele usou em você foi muito forte, e ele pode sim faze-la mais uma vez... E você precisa saber...


– Mas se ele não estiver diante de mim...


– Isso pode depender do seu talento.


– Como..?


– Se você realmente aprender e absorver essa técnica, você poderá fazer isso de longe... Foi essa a forma que Voldemort usou pra te enfeitiçar, um Legilimens muito poderoso.


– É... Eu nunca pensei nisso, ele... Ele não estava presente quando aconteceu a primeira...


– Força, Rafa. Não desista, você é capaz de conseguir isso.


Sentindo-se apoiada, Rafaela concordou em continuar tentando. Por diversas vezes não era rápida o suficiente ao se proteger e via suas memórias sendo expostas. Remus viu, entre outras cenas, Snape aparecendo na casa delaem São Paulo, o velório de sua mãe, a luta contra o comandante no palácio, o amigo Daniel sendo derrubado na invasão, pessoas a observando enquanto tocava flauta em uma escola, o próprio Remus aparecendo quando Rafaela abria a porta de seu quarto na hospedaria, e um beija-flor voando pela janela na direção do céu azul. Já cansada, Rafaela decidiu tentar mais uma vez, determinada e, finalmente, conseguiu. O feitiço de Remus bateu nela e voltou para ele mesmo. Imediatamente, Rafaela via um Remus adolescente, de cerca de 13 anos, cercado por outros três garotos, andando feliz pelos corredores de Hogwarts. Remus gritou para fazer a conexão acabar, e houve silêncio. Os dois estavam arfantes, Rafaela não acreditava que havia conseguido, e Remus fora pêgo de surpresa.


– É isso. – começou Remus – Você conseguiu.


– Aqueles eram... Eles, não eram?


– Eram. Eram os meus amigos.


Rafaela já havia percebido que em todas as vezes que o assunto sobre qualquer um de suas amigos do tempo de escola, os Marauders, surgia, uma certa mágoa surgia na voz de Remus.


– Você não gosta de falar sobre eles, não é..?


Remus baixou a cabeça e, em seguida, sentou-se ao lado de Rafaela – É duro saber que daqueles quatro jovens, tão amigos, só eu restei. O James nós perdemos tão precocemente... E ao mesmo tempo perdemos o Peter... Restamos apenas Sirius e eu, mas ele ficou em Azkaban, por treze anos. Depois que ele saiu nós tivemos poucas oportunidades de nos ver e... Há pouco eu o perdi também. De todos os Marauders... Apenas Moony restou, e quem sabe por quanto tempo?


– Ah, não, Remus, não fala assim..


– Mas é verdade, Rafa. Eu vi a nossa turma acabar, um por um, dois mortos, um perdido... Dá impressão que de nós vai restar apenas lembrança.


Rafaela o olhou em silêncio e virou-se de frente para ele. Seguraram-se as mãos – Eu te entendo tanto! Já vi isso acontecer comigo... Algumas vezes. Só resta memória, fatos passados, objetos...


– Quando isso aconteceu com você? – perguntou com ar preocupado


– Minha família, por exemplo. Eu... Era todo mundo unido, amigo, a casa vivia cheia, tinha aquele monte de criança correndo pra lá e pra cá, minha mãe, meus tios... Mas aos poucos, os primos mais velhos foram crescendo, sumindo de casa... Eu sou uma das mais novas, e eu ainda era criança quando a casa passou a ficar vazia, meio desanimada... Mas o que fez tudo começar mesmo a desandar foi... Quando meu pai foi embora.


Remus segurou sua mão mais forte – Você nunca me falou sobre ele... O que houve?


– Um belo dia ele simplesmente não estava lá. Foi durante a noite... Minha mãe disse que eles não haviam nem mesmo brigado. Ele simplesmente pegou as coisas e foi embora, em silêncio, não explicou, não deixou ennhum recado, nada.


Remus levou a mão ao rosto dela e secou a lágrima que escorrera.


– Logo que aconteceu a família toda ficou mais unida do que nunca, estavam todos sempre por perto, pra dar um apoio pra minha mãe, pra ajudá-la comigo. Mas aos poucos foram sumindo de novo, e logo eu já estava sozinha com a minha mãe. Bom, e depois... Depois você sabe. A família acabou, simplesmente desvaneceu... Eu notei isso mesmo no dia em que fui visitar uns primos, durante as férias... Claro, ainda tem amizade, mas nunca mais vai ser igual. Aquela família é só lembrança agora.


– Eu tenho certeza de que você vai ter uma família novamente. Não a mesma. Uma nova, feliz e unida como a sua foi.


– Eu sei que vou... Mas a que se foi não vai voltar mais...


Remus baixou o olhar – É, eles não vão mais voltar. – e deu um riso triste – Consegue acreditar que até doPeter eu sinto falta? AquelePeter que nunca fazia nada demais... Ele só ia na nossa, principalmente Sirius e James, que eram os mais bagunceiros de nós.. No começo da escola eles chegavam a ser meio arrogantes com os outros colegas, por causa de chamarem tanta atenção, de serem populares, talentosos...


– O Harry me contou que viu uma vez... Numa ocasião passada, uma lembrança do Snape.


– É, eu sei. Ele apareceu na lareira procurando por Sirius e eu, logo que entrou na penseira... Ele queria saber se o pai dele era mesmo daquele jeito. Ele foi, sim, daquele jeito, mas deixou de ser. Todos já fomos moleques um dia.


– É claro. Se não, vocês não teriam sido Marauders! – ele deu um sorriso um pouco mais alegre – Me escuta, Remus... Da mesma maneira que você disse que eu voltarei a ter uma família como já tive, eu sei que você também vai voltar a ter. Nunca será igual, como foi durante o tempo de escola, mas você tem novos amigos, e também terá uma família.


Os dois ficaram se olhando por um tempo, acariciando-se as mãos. Logo Rafaela respirou bem fundo, baixou a cabeça e se levantou – Vamos voltar a treinar.


 


Depois de quase cinco horas sem parar, os alunos foram dispensados. Os professores, assim como eles, estavam extremamente cansados, porque atacar com Legilimens também era bastante estafante. Alguns minutos antes do jantar todos apareceram pela sala especial e quase não disseram nada. Rafaela foi direto para seu quarto tomar um banho, enquanto todos os outros ficaram esperando pelo jantar.


Hermione, com a cabeça caída sobre o ombro do namorado, perguntou em voz fraca como ele havia se saído.


– Melhor do que imaginava... No começo não consegui fazer nada, mas do meio da aula pro final... Consegui me defender ou rebater o feitiço algumas vezes seguidas. – Hermione levantou a cabeça e o olhou de perto, com um leve sorriso no rosto – Gostei de ter conseguido, sabe... Apesar de ficar tão cansado... E a minha cabeça está estourando.


– Oh, Ron... Isso é tão bom! Estou orgulhosa de você.


- E você? Aposto que foi perfeita, certo?


Hermione perdeu o sorriso do rosto e voltou a deitar sobre o ombro de Rony – Achei que me daria melhor.


– Porque, não se deu bem? – perguntou incrédulo


– Até que sim, sabe... Consegui me livrar várias vezes, mas esse cansaço que deu não é bom sinal.


– Ora, Mione, não é possível não ficar assim. Precisa de concentração demais, além disso, passamos uma tarde inteira sem parar.


– É... Espero melhora nas próximas aulas...


Sentado ao lado deles, em silêncio até então, Harry resmungou – Espero não ter essa aula nunca mais.


 


* * *


 


Harry sentiu o vento no rosto e a mesma sensação boa de sempre. Estava sobre sua vassoura voando ao longo de um campo gramado com algumas grandes árvores lá e cá. Estava se sentindo bem porque de alguma forma sabia que estava tudo bem, uma tranqüilidade imensa encheu seu coração. De alguma forma, também, ele sabia que não estava sozinho. Sorrindo, olhou para trás, ainda voando, e viu que havia outra vassoura, logo atrás dele. Era um garoto.


– Uma corrida, James?


O garoto sorria, parecendo excitado de emoção, segurando firmemente o cabo de sua vassoura. Tinha os cabelos extremamente negros e despenteados, e seus olhos verdes brilhavam felizes. Ao ouvir Harry, James acelerou e chegou até ele. Sorrindo, disse em bom tom:


– Até o castelo?


– Até o castelo e voltar! – Harry respondeu


– Eu só não ganhei da última vez porque estava com a vassoura velha, mas dessa vez eu ganho, papai!


 


Harry acordou com uma tremida e fazendo um som estranho. Piscou repetidamente e olhouem volta. Todosainda estavam na sala. Haviam reparado quando, depois do jantar, Harry cochilara numa das poltronas.


– Tudo bem, Harry? – perguntou Hermione


Harry, atordoado, ajeitou-se – O quê?


– Teve algum daqueles sonhos? – perguntou Ronald, temeroso


– Sonho..? Ah, sim, eu tive um sonho... Mas, mas... Não foi nada demais, não... Nada grave – e se levantou – Eu vou dormir na minha cama.


Na manhã seguinte, enquanto todos tomavam café à mesa (reforçado com poções animadoras suaves), algumas corujas entraram pela porta aberta, que levava ao jardim. Quase todos receberam alguma coisa. Pelo menos cinco cópias do Profeta Diário se espalharam entre todos eles, algumas cartas pessoais ou encomendas, além de uma revista The Quibber que caiu diante de Harry. Na capa, uma foto de Sirius, diferente daquela usada em seus pôsteres de procurado, o olhava confiante. Abaixo, lia-se a manchete “Sirius Black: a Verdade”.


- Finalmente foi publicado! – disse Harry, correndo os dedos pelas páginas até encontrar a entrevista.


- Você não falou com o pai da Luna no começo do ano? – perguntou Ronald


- Sim, já faz meses. Mas o Sr. Lovegood preferiu publicar agora durante as férias. É quando a revista mais vende.


A revista passou pelas mãos de todos os ocupantes da mesa. Satisfeitos com o tom que a revista usou para falar sobre o assunto, sem desacreditar nada do que Harry havia contado, toda a história de Sirius Black foi contada e sua inocência publicada. Harry sabia que aquela não era a garantia de que ele seria finalmente inocentado depois de sua morte, porém saber que muitas pessoas leriam aquelas informações e que era provavel que a grande maioria realmente acreditasse, o fez sentir que pelo menos aquele dever estava cumprido.


Porém, antes que aquilo pudesse trazer alguma satisfação para mais alguém da mesa, Hermione exclamou ao ler O Dialy Prophet, triste e horrorizada – Leiam isso, gente!


Minerva, que também havia lido a reportagem, começou a ler em voz alta.


 


‘Peste mata dezesseis’


Segundo o Departamento de Controle de Doenças e Pestes, a assustadora maldição que caiu sobre o Reino Unido há menos de duas semanas já atingiu mais de cinqüenta pessoas. Entre elas, dezesseis morreram. O último óbito ocorreu nesta madrugada, 10 de Dezembro. Dilan McKennity, 34, morava em Bristol. Vizinhos e parentes estão preocupados e já procuraram pelos curandeiros mais próximos. A doença é altamente contagiosa, o que faz com que ela se alastre com muita rapidez. O primeiro caso aconteceu há exatamente onze dias. Shirley Douglas, 61, morreu em menos de vinte e quatro horas, e três pessoas de sua família estão doentes.


O Ministério, em aliança com todos os hospitais e curandeiros do Reino Unido, conta com a colaboração de voluntários que queiram se arriscar em prol do bem dos bruxos da humanidade. Diversas pessoas já se apresentaram, mas a maioria desistiu quando viu a gravidade dos casos. Os voluntários que permaneceram estão sendo protegidos por fortíssimos feitiços a cada dez minutos, e atuam em diversas posições. A maioria deles ajuda aos curandeiros com feitiços e poções.


Um time especial de voluntários saiu em busca do fim da peste. O grupo está viajando e não mantem contato há várias horas. O Departamento de Controle de Doenças e Pestes está confiante de que o time, comandado por Albus Dumbledore, Ordem de Merlim, Primeira Classe, (...), consiga rapidamente descobrir um modo de acabar com a Peste, antes que ainda mais pessoas se contaminem e morram.”


 


– Eles não deviam ter escrito isso. – disse Snape, assim que Minerva terminou de ler


– Ninguém deveria saber que ele não está no castelo. – Harry concordou


– Mais uma vez o Ministério sendo imprudente... – disse Remus


– Deixando vazar informações valiosas eles podem complicar muito as coisas para o nosso lado. – completou Snape


– E agora? – perguntou Harry – O único bruxo que Voldemort teme é Albus, sabendo que ele não está aqui, pode querer... Eu não sei, adiantar a invasão!


Depois de uma manhã inteira de treinamentos realmente cansativos, os alunos não conseguiam fazer mais nada além de pensar, decorar e praticar tudo o que estavam aprendendo. Até mesmo durante o almoço que, naquele dia, foi no grande salão do castelo. Enquanto comiam, sem a ajuda dos professores tiveram que se livrar de Crustáceos-de-Fogo que começaram a surgir por todas as portas que haviam no local, até mesmo por entradas secretas e buracos surgidos do nada.


– Se tudo do que precisássemos nos defender fosse isso, eu estaria feliz. – disse Hermione, assim que se livrou do último


Um coruja entrou e largou uma carta perto da cadeira onde estaria Dumbledore. Minerva pegou-a e abriu. Depois limpou a garganta e leu em voz alta – Noticias ruins estão por vir, acho que alguém vai morrer, fora do castelo. E tomem cuidado com as varinhas. Preocupadamente, Parvati Patil.


– As premonições dela estão ficando cada dia piores... – Harry cortou o silêncio que se fizera.


Ao final do dia, quando ninguém mais agüentava ficar de pé, o balanço havia sigo mais negativo que positivo. Naquela tarde haviam chegado outras más noticias. Os membros da Ordem da Fênix, que trabalhavam fora do castelo, haviam mandado notícias em primeira mão, antes mesmo que houvesse tempo de o Profeta Diário saber sobre o ocorrido. Duas pessoas havia sido encontradas mortas naquela tarde. Uma delas tivera, aparentemente, uma problema cardíaco e morrera. Essa seria a notícia dada pelo jornal, mas todos sabiam que havia sido um Avada, lançado por algum bruxo das trevas. Não houvera testemunhas. A segunda pessoa morta havia sido atacada na rua, em público.


– No meio da rua, dos trouxas? – Rafaela perguntou, espantada


– Foi, a sangue-frio. – disse Hermione – Alguém lançou um Crucio nele, e sei lá, ele já era velhinho...


– O coitado não resistiu. Foi bem no coração. – completou Harry


– Mas quem..?


– Elphias Doge. – Harry respondeu – Era membro da Ordem da Fênix desde sua primeira formação, já não tinha uma participação muito significativa, parece que não tinha mais muita energia... Foram muitos anos lutando contra as artes das trevas.


– Pobre homem. Não estava fazendo nada contra ninguém! – lamentou Hermione


– Por que, então, atacaram um homem que não faria diferença pra eles? – perguntou Ronald, a voz demonstrando temor


– Pra gritar bem na nossa orelha: acordem, a guerra está acontecendo, não estamos pra brincadeira! – respondeu Ginny


Antes de os primeiros raios de sol caírem sobre o castelo, os professores estavam acordados e agitados à sala especial, atordoados com a notícia que haviam acabado de receber via lareira por um dos membros da Ordem. Snape, com seu sono leve e atento, notara que havia fogo na lareira da sala comunal especial, mesmo longe de lá. Apressara-se e deparara-se com um colega da Ordem, com feições graves e muito agitado. Snape fora até ele e sentara-se em um sofá, curvando-se até quase a altura do rosto do homem. Com a notícia inesperada, ele correra pelo castelo acordando todos os professores para reuni-los na sala especial. Contara a notícia e, enquanto todos ainda estavam assustados e atordoados, os alunos saíram de seus quartos, tendo ouvido todos os burburinhos e exclamações de horror.


– Cornelius Fudge foi assassinado.

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