Capítulo Quatorze – Expulsão
Nove da manhã. O frio intenso que fazia naquele domingo fez a maioria dos alunos ficar no castelo ao invés de ir para Hogsmeade, o que o fez ficar cheio e bastante confortável. Havia muita gente no salão principal, espalhados pelas mesas, aquecendo-se com as lareiras, mas a maioria estava mesmo em suas respectivas casas, como Harry, Ronald, Hermione e Ginny, que jogavam cartas mágicas com vários outros colegas. Era um clima muito bom, que não demonstrava a tensão que estavam vivendo.
Rafaela, antes de desaparatar para o portão do castelo, despediu-se de Snape e Sophia e cobriu-se com a capa de invisibilidade. Pai e filha foram para a estação de trem para ir para Hogwarts. Invisível, Rafaela abriu um pouco o portão e entrou, levando sua mala. Caminhou pela neve e entrou pela porta de carvalho que estava entreaberta. Esquivou-se de várias pessoas no corredor e entrou na sala especial, que estava vazia. Usou a passagem de cima de sua cama para ir para a torre da Gryffindor. O quarto estava vazio, ela deixou a mala na cama, protegida pelas cortinas trancadas, e usou um corredor secreto (que ela já conhecia quase todos) para sair perto da ala hospitalar. Escondida, esperou um grupo de alunos passar e tirou a capa. Pegou o caminho de volta para a torre.
Ronald a viu e apontou pros outros. Pararam de jogar, dando a vez pra outras pessoas que estavam esperando.
Hermione a abraçou e falou alto – Que bom que você já está bem!
– Ficamos preocupados. Era mesmo o apêndice? – disse Harry
– Não era. Quero dizer, era, mas não foi grave. – disse Rafaela – O problema foi que doeu muito e a madame Pomfrey achou melhor me deixar de repouso.
– E porque ela não deixou a gente visitar você? – perguntou Ronald
– Sei lá! Devia estar meio estressada!
Arrumaram uma desculpa e deixaram a casa. Rafaela perguntou tudo sobre como foi a simulação do sábado. Hermione, Ginny e Rony contaram sobre todas as situações e provas que passaram, mas resumiram bastante. Queriam mesmo saber se ela e Snape haviam encontrado a filha dele. Rafaela contou tudo, detalhe por detalhe, até mesmo diálogos.
– Mas o pior vocês não sabem. O Snape chegou lá hoje de manhã e encontrou a menina com a mala prontinha pra vir pra Hogwarts.
– O quê? – espantou-se Hermione – Ela achou que vinha pra cá?
– Ela está aqui. – respondeu Rafaela enfaticamente – Aliás eu preciso encontrar o Albus, o Snape pediu pra eu...
– Espera aí! – interrompeu Ronald – Como assim, ela está aqui?
– Está vindo com ele no expresso. A essa hora já devem ter embarcado.
– Mas o Snape está louco?! – disse Ginny – Essa menina não pode vir pra cá, não hoje em dia!
– Eu sei disso, gente, mas eu não tenho culpa! Ele que quis traze-la, eu não podia fazer nada! O problema vai ser dele com o Albus.
– E nosso também, né? – disse Hermione – O que teremos que fazer pra fingir que temos uma rotina super normal, poxa, a menina não pode saber!
– Mas que estranho! O Snape sempre tão sério, tão disciplinado, agora vem com uma loucura dessas...
– Ih, gente, guardem aquele Snape que vocês conheciam na memória, porque a partir de hoje vai chegar outro Snape aqui.
Harry sorriu – Sério?
– Sério, cara, agora ele é uma pessoa que sorri!
– Ah, essa eu preciso ver! Eu preciso muito presenciar isso! – riu Ronald
– Hum, espero que isso não mude a qualidade dele como professor, porque ainda temos muito o que aprender e...
– Ah, Mione, esquece isso, vai, hoje é domingo! – disse Ginny
Às nove e vinte. Rafaela voltou do escritório de Dumbledore, onde o avisara sobre a situação de Snape e Sophia, e foi para a sala especial. A sala estava vazia e ela, cansada, sentou-se em um dos sofás, cruxando as pernas sobre ele e fechando os olhos.
– Rafaela!
Rafaela abriu os olhos e se levantou – Remus! Eu achei que você nunca ia aparecer!
Sorrindo, ela praticamente se pendurou nele, que correspondeu com um forte abraço.
– Fiquei com saudades.
– Eu também fiquei, queria ter te levado comigo. – olhou pra ele, ainda pendurada
– Valeu a pena, pelo menos?
– Valeu sim. Senta aqui comigo – segurou a mão dele – que eu te conto tudo.
Snape e Sophia desembarcaramem Hogsmeade. Elefalou tudo sobre o povoado, que era o centro de diversão da região, e Sophia desejou fazer amigos para poder freqüentar também aquele lugar. Para ir até Hogwarts, pegaram uma carroagem. Assim que se acomodaram, uma coruja passou voando sobre suas cabeças e deixou cair um pacote no colo de Snape. Ele o abriu e leu a mensagem num pequeno pedaço de pergaminho:
“Severus, coloque a capa na srta. Snape e vão direto para a minha sala. Albus.”
* * *
– Não acredito! O Severus é completamente maluco!!
– Foi a mesma coisa que o Albus falou, agora que eu fui lá, mas ele disse que podia entender o lado dele. Escreveu um bilhete, embrulhou de qualquer jeito a capa de invisibilidade que estava comigo e mandou urgente até ele em Hogsmeade.
– Sei... O pior é que ninguém conhece de verdade essa Sophia, então não sabemos se podemos confiar nela, deixar ela saber sobre a sala especial.
– É, vai ser difícil esconder dela, porque eu aposto que ela vai ficar com a gente.
– Com certeza. Mas deixa isso pra lá, está feito, não é?
– É. Eu estava agora antes de você chegar pensando em uma coisa, calculando...
– Calculando?
– Sobre a fase da lua. Essa noite é a última da crescente.
Remus respirou fundo e deitou a cabeça no sofá – É... O Albus me arrumou uma sala meio escondida e bem segura pra eu não precisar sair do castelo. Ele acha que hoje em dia não é muito seguro ficar la na Casa dos Gritos.
Rafaela ficou olhando pra ele e deitou a cabeça em seu ombro, olhando seu rosto bem de perto – Eu vou ficar muito mal essa semana... Sabendo que você vai estar lá sofrendo.
Remus virou o rosto e seus narizes quase se tocaram. Ele sorriu – Faz bem saber que você se preocupa comigo. Isso já faz tudo ser diferente.
Rafaela levou a mão até o rosto dele e acariciou sua barba. Ele fechou os olhos brevemente e suspirou.
– Não consigo mais fazer isso... – ele sussurrou – Não estou conseguindo ficar longe de você.
Rafaela sorriu de leve – Eu também não...
– Foi uma idéia idiota. Depois que eu te vi indo viajar pra longe e que não foi comigo... Deixar de ver você, mesmo que de longe, durante esses dias me mostrou que não dá, simplesmente não dá pra ltar contra isso. Eu só tomei aquela decisão porque achei que era a coisa certa, mas não era.
Rafaela apenas sorriu e continuou olhando pra ele.
– Se alguém descobrir, nós vamos ter que lidar com isso, torcer para que não nos expulsem daqui e da Ordem...
– Eles não fariam isso. – Rafaela respondeu – Não com tudo o que está acontecendo.
– Talvez não. Então... O que você me diz? Posso ser seu namorado de novo?
Rafaela sorriu muito abertamente – É claro que pode, Remus! Você nunca deixou de ser meu namorado.
Remus deu-lhe um beijo na testa. Rafaela sentia o coração disparado e um frio no estômago, e sabia que estava demonstrando. Sorria feliz, ainda com a mão no rosto dele, olhando em seus olhos, e começou a se aproximar mais.
Harry, Ginny, Hermione e Ronald entraram correndo na sala especial, fazendo muito barulho, rindo e falando. Rafaela parou e fechou os olhos em expressão de descontentamento e Remus começou a rir. Afastaram-se e se levantaram.
– Porque essa bagunça toda? – Rafaela perguntou, impaciente
– O Snape está vindo aí, mas parece estar sozinho. – disse Harry
– A filha dele está com a capa do Albus, ele mandou uma coruja entregar pra eles lá na estação... Mas essa bagunça toda é por isso?
– É claro! Quem é que não está curioso pra conhecer a tal Sophia? – respondeu Hermione
– Mas eles não virão pra cá, gente, eles vão pra sala do Albus primeiro. Ou vocês acham que essa menina vai entrar aqui na sala?
– Não, Rafaela, a gente estava procurando você pra avisar que eles estão vindo. Porque está impaciente?
Remus sorriu, contendo uma risada, e olhou pra ela, que também disfarçou – Não é nada, Harry, me desculpa. Vamos lá pra fora, então?
Snape disse a senha e subiu na escada giratória que levava ao escritório de Dumbledore. Estava novamente com sua aparência usual. Soltara o cabelo, vestira a capa preta e nao esboçava nenhum tipo de sentimento.
– Essa capa está me sufocando. – disse Sophia
– Já estamos chegando.
Entraram e, vendo que apenas Albus estava na sala, Snape tirou a capa da filha. O diretor se levantou e saiu de trás da mesa.
– Bem vindo de volta, Severus.
– Obrigado, Albus. Essa é a minha filha, Sophia.
Sophia estendeu a mão para Albus, que a segurou – É um prazer, srta. Snape. Você é muito parecida com a sua mãe quando esteve em Hogwarts.
– O prazer é meu. Meu pai falou muito sobre o senhor.
– Espero que aproveite muito bem essa semana no nosso castelo. Mandei arrumar um quarto para que fique melhor acomodada.
A porta foi aberta e McGonnagal entrou no escritório. Cumprimentou-os.
– Mandou me chamar, Albus?
– Sim, Minerva. Pode, por favor, levar a srta. Snape até o quarto dela, se este já estiver pronto?
– Já está pronto. Venha comigo, querida.
Sophia saiu com Minerva, sem capa de invisibilidade, e Snape e Albus sentaram-se à mesa. Albus ficou sério e Snape esperou que ele falasse.
– Sabe que foi insano da sua parte trazer a sua filha pra cá. Ela seria bem-vinda em qualquer momento, menos agora. Você sabe disso.
– Eu sei. Eu sei disso, mas não tive como evitar. Ela me pegou de surpresa, e eu não consegui faze-la desistir, desfazer a mala...
– Isso não importa agora. Agora ela já está aqui, e precisamos saber como faremos para disfarçar tudo o que está acontecendo. Vou marcar uma reunião hoje, antes das primeiras aulas especiais. Sophia estará dormindo, poderemos conversar livremente sobre isso na sala especial.
– E sobre o resto da escola? Ela poderá andar livremente pelo castelo?
– Isso é com você. Se você e sua filha não se importarem com o falatório dos estudantes, você pode assumir que ela é sua filha à vontade.
– Eu não me importo com o que vão dizer.
Albus o observou por alguns instantes por cima dos óculos – Você está diferente, Severus. Isso é muito bom.
Snape alargou o sorriso – Estou vivo novamente.
– Isso é magnífico. Mas infelizmente preciso insitir nos pontos negativos de tudo isso. Já pensou em como serão as coisas com Voldemort? Quando ele ficar sabendo que você tem uma filha e não o contou, e que ela está aqui no castelo?
– Pensei muito sobre isso. E, com toda a experiência que eu tenho em esconder segredos dele, esse será apenas mais um. Caso ele venha a saber, eu dou um jeito de mandar a Sophia embora e fazer parecer que eu tentava trazê-la como aliada.
– Confio em você, Severus. Espero que dê tudo certo.
– Não sei porque essa curiosidade toda, gente, é uma menina normal como nós, e nem é muito gente boa.
– Isso eu posso imaginar. Filha de quem é... – concordou Harry
– A mãe dela também era Sonserina? – perguntou Ronald
– Não, era Ravenclaw. – respondeu Rafaela
– Mesmo assim melhor não deixar ela chegar perto do povinho de lá, senão vai se unir. – disse Ginny
– Mas é obvio que ela vai ficar pro lado do pai dela. – disse Hermione – Se ele disser a ela que eles não são flor que se cheire, aposto que ela não vai ficar amiguinha.
– Só se ela for muito das trevas, mesmo. – concordou Ginny – Por isso que não pode deixar ela saber sobre a sala, ninguém sabe se ela é confiável.
– Nem mesmo o próprio Snape sabe! – disse Rafaela, irritada – Ele a conheceu anteontem!
Cinco para a dez. Os amigos viraram um corredor e viram, vindo na sua direção, Minerva acompanhada de uma garota desconhecida.
– Olha ela aí. Oi, Sophia! – disse Rafaela
Sophia e Minerva pararam perto deles. Minerva apresentou – Srta. Snape, esses são Potter, Granger, Weasley e Weasley. Salles a srta. já conhece.
Rafaela riu – Reformulando, Sophia. Esses são Harry, Hermione, Ronald e Ginny, meus amigos que eu te falei.
Sophia apertou a mão de um por um – Prazer. Eu sou a Sophia, aquela que ninguém sabia que existia!
– Seu quarto é esse. – disse Minerva – Está enfeitiçado para só entrar quem você quiser. Por favor.
Uma porta que ninguém havia reparado que estava lá, e que ninguém jamais havia visto, levava ao quarto feito pra ela passar aquela semana. Minerva o mostrou para Sophia a se retirou. Sophia convidou todos a entrar. Havia uma cama quase de casal, encostada na parede, e uma saleta com dois sofás e uma lareira, além da cômoda para ela colocar as coisas dela e uma porta que levava ao banheiro.
– Capricharam, heim? – riu Ginny – Imagina se a gente tivesse, cada um, um quarto desses!
– Ah, pra convidados especiais, né? – disse Rafaela
– É, o Charles tem um quarto assim também. – contou Ronald
– Quem é? – perguntou Sophia
– Amigo da escola. Quer conhecer o castelo, Sophia? – Rafaela cortou o assunto
– Ah, eu gostaria de me acomodar primeiro, mas adoraria que vocês me levassem pra dar uma volta por aí.
– Tudo bem, a gente deixa você e nos encontramos depois. – disse Hermione – Se você se perder, é só ir sempre pro lado sul que você acaba chegando no salão principal, ok?
Sophia sorriu – Ok! Até mais, então.
Os cinco deixaram o quarto e, assim que a porta se fechou, começaram os comentários. Harry e Ronald a acharam muito bonita, mas obviamente não disseram isso. Todos a acharam muito simpática, e não entenderam porque Rafaela havia dito que ela não era tão gente boa.
Aos poucos espalharam-se pelo castelo. Os casais ficaram juntos, Rafaela foi dar uma volta. Encontrou Madam Hooch em um corredor e foi avisada sobre a atividade especial de vôo que teria. Voltou a andar pelo castelo procurando por Harry, mas não conseguia parar de pensar em Remus. Havia acabado de reatar o namoro com ele mas, ainda assim, não conseguira dá-lo ao menos um beijo e nem o vira novamente. Sabia que seria assim na maior parte do tempo, pois teria que namorar secretamente, mas naquele momento, quando havia acabado de recomeçar, queria apenas estar com ele, antes que a lua cheia aparecesse.
– Harry! Achei você! – ela disse interrompendo seus pensamentos ao encontrar o amigo
– Que foi?
– Acabei de encontrar a Madame Hooch, ela disse que resolveram fazer a prova hoje de tarde.
– À tarde? Mas tem treino de quadribol!
– Eu falei isso pra ela, ela disse que vai ser antes, já tem tudo na cabeça, já. Depois da prova você vai pro treino.
– Mas como vai ser a prova?
– Vai ser no meio de todo mundo, mesmo, a gente vai ter que dar uma de alunos indisciplinados e ficar voando dentro do castelo, vai ser meio corrida de obstáculos, alguma coisa assim. Depois ela explica melhor.
Sophia agradou-se com o quarto que lhe foi concedidoem Hogwarts. Arrumoutodas as suas coisas no armário e no banheiro, para se sentir em casa.
– Quem sabe, se eu me divertir, eu fico mais uma semana?
Saiu e fechou a porta, que sumiu aos olhos de qualquer outra pessoa que não ela ou quem ela convidasse. Sem saber onde estava, pegou o corredor para o lado direito e saiu andando, observando sorridente as pessoas e os quadros, que a cumprimentavam cordialmente. Como Hermione havia dito para ela fazer, Sophia foi caminhando sempre para o sul, guiando-se sem saber como, e chegou à escadaria que descia até o salão principal. Já era quase hora do almoço, e lá encontraria algum conhecido. Algumas pessoas do salão a olharam curiosas, pelo rosto desconhecido, mas Sophia não se importou. Foi até a mesa transversal, onde viu Minerva conversando com alguém que ela ainda não conhecia.
– Olá, profa. McGonnagal!
– Olá, srta. Snape.
– Já me instalei. Gostei muito do quarto!
– Que bom, sinta-seem casa. Viseu pai agora pouco, ele estava à sua procura.
– Ah, sei... Eu também estava tentando saber onde ele está.
Snape entrou no salão, viu a filha e sorriu, indo mais rápido em sua direção.
– Ficou confortável no quarto?
– Fiquei! Eles arrumaram um quarto muito bom pra mim, fiquei contente.
– Fique à vontade, srta. Snape – continuou McGonnagal – pode se sentar aqui conosco, ou se quiser à mesa da Gryffindor. O almoço deve ser servido a qualquer momento.
Hermione e Ronald haviam contado a Parvati e Neville sobre Sophia, filha de Snape. Como obviamente todo o resto dos alunos fariam, eles ficaram muito curiosos para ver quem ela era. Os quatro entraram no salão principal que começava, aos poucos, a ficar mais cheio.
– Olha lá o Snape. – disse Parvati
– Então, aquela que está lá com ele que e a Sophia. – informou Ronald
– Durante o almoço a gente apresenta pra vocês. – disse Hermione
– Já ficou amiga dela, então, Hermione? – estranhou Neville
– Não, só cheguei a ser apresentada. Quem conhece ela é a Rafaela.
– Como?
– Ahm... Do Brasil. – Hermione pensou rápido – Maior coincidência, elas moravam na mesma rua. Por falar em Rafaela, eu preciso falar com a Ginny. A gente se vê no almoço, tá, gente? Tchau, Ron.
Rafaela entrou pelo quadro, com cara de desanimada, e se jogou em uma das poltronas da sala comunal da Gryffindor, bufando.
– Quê foi, maluca? – perguntou Ginny
– Lobisomem evapora?! – ela perguntou e todos riram – É sério, gente! Não é possível! Eu estou rodando faz tempo esse castelo pra encontrar o Remus, e sabe quantas vezes eu encontrei o Malfoy?! Três! Três vezes! E quantas vezes eu vi o Remus? Nenhuma mísera vez!
– Mas peraí! – disse Harry se sentando e olhando para Rafaela – Porquê esse desespero de vocês dois? Ele também estava te procurando na ultima vez que eu o vi. Ele te procurando feito louco, você maluca pra encontra-lo? O que acontece?
Ginny riu, olhando para Rafaela. Sabia que não podia demonstrar que sabia de nada.
– Ai, Harry, você está muito devagar! – Rafaela disse, ainda brava
– Como assim?
Ginny e Hermione estranharam a resposta de Rafaela, que as respondeu com um gesto que dizia que ela já não se importava mais que ele e Ronald soubesse.
– Está na cara, Harry – disse Hermione – se você não perceber é muito ingênuo!
Harry olhou para as três, Ginny e Hermione riram mais e Rafaela estava quase séria.
– Ah! É o que eu estou pensando?
Rafaela se levantou num impulso – É claro que é, Harry! Eu vou almoçar porque senão eu desmaio.
Hermione, Ginny e Harry também se levantaram e saíram com ela da torre. Harry, animado, perguntando se era tinha mesmo entendido direito, mas ninguém tocou mais no assunto nos corredores até o salão. Já era meio-dia. O salão se encheu de alunos barulhentos e famintos. Ronald, que estava sentado com Seamus e Dean à mesa, levantou a mão para chamar os amigos que entravam no salão. Hermione cutucou Rafaela e apontou Sophia, em pé perto da mesa dos professores conversando com Snape.
– Convida ela pra sentar com a gente? – disse Hermione
– Por quê? Se ela quiser ela vai.
– Política de boa educação, Rafa – concordou Ginny –, a menina vai ficar boiando por aqui se a gente não a integrar, coitada.
– Coitada, coitada... Tá, eu vou lá.
Ginny, Hermione e Harry foram para a mesa e se sentaram entre os amigos, enquanto Rafaela passou reto por eles e foi até a mesa dos professores. Parou perto dos três e sorriu.
– E aí? Beleza? – disse para Snape
Snape curvou um pouco os lábios em um sorriso – Tudo bem.
– Quer sentar com a gente, Sophia?
Sophia sorriu e olhou pro pai – Posso?
– É claro.
– Então vam’bora porque eu estou ficando verde de fome! – falou em português
– Ai, eu também.
Sob olhares curiosos, Rafaela e Sophia sentaram-se à mesa da Gryffindor, junto com os amigos, que deram-lhes espaço. Todo mundo começou a puxar conversa com Sophia, querendo saber quem era ela, e tudo mais o que pudessem, inclusive Harry, Ronald, Hermione e Ginny. Rafaela ficou meio de fora e detestou aquilo.
Enquanto isso, Remus estava a caminho do salão principal, com Hagrid e Nick-quase-sem-cabeça. Os dois conversavam, mas Remus estava com a cabeça em outro lugar. Assim que entraram no salão, Nick atravessando uma parede, Remus viu Rafaela á mesa, de costas para ele. Entraram e passaram ao lado das mesas dos alunos. Remus a encarou, mas Rafaela estava olhando chateada para seu prato. Harry, que estava bem na frente dela, estendeu a perna e acertou exatamente em sua canela.
Rafaela gritou – Ai, Harry!
Ele não tivera a intenção de chutar forte – Desculpa! – e fez um gesto pra ela olhar pro lado
Rafaela sibilou – Quê?
Ele repetiu o gesto e ela olhou. Remus passava devagar há alguns metros, na ponta da mesa, olhando-a profundamente. Os olhares se encontraram e ela, tremendo por dentro, sorriu. Tímida, ela olhou novamente para Harry, que sorria.
– Agora sim eu vi que entendi certo!
Sophia estava se integrando bem com as pessoas da Gryffindor. Ela improvisou algumas desculpas para explicar como ela e o pai haviam se encontrado, porque não podia contar que Rafaela fora com o professor para o Brasil. Por ser tão bonita, a maioria dos meninos que tinha idade para isso haviam se interessado por ela, menos Harry e Ronald, que não conseguiam se imaginar traindo as namoradas, ainda mais com a filha de Snape. Já Parvati estava detestando ver o namorado Neville todo sorridente conversando com Sophia. Não havia gostado muito dela, mas não saiu de perto. Rafaela começou a conversar com Lavender, que estava ao seu lado esquerdo, afastando-se da conversa.
O almoço passou se arrastando, principalmente para Remus. Ele olhava para a direção de Rafaela toda hora, mas não conseguia vê-la por causa das várias cabeças que atrapalhavam. Começava a ficar irritado, e sabia que naquele dia não conseguiria mais falar com ela. Seria uma tarde agitada, mesmo sendo domingo: Harry e Rafaela fariam o exame de vôo, que deveria durar de uma hora e meia a duas horas, e logo estaria anoitecendo. Aquela seria noite de lua cheia, Remus ficaria uma semana afastado. Era tempo demais, mas era um professor responsável e sabia que não podia simplesmente pará-la no meio de um corredor e beija-la. Precisaria esperar.
Completamente desanimada e agindo de maneira bem diferente dos outros alunos, Rafaela levantou-se assim que terminou de almoçar. Caminhou para o corujal. Faria dias que não via Panther, queria saber se ele estava bem alimentado e não queria que ele se desacostumasse com ela.
Remus conseguiu localizá-la somente no momento em que ela saiu. Reparou que ninguém estava olhando e saiu disfarçadamente pela porta próxima à mesa dos professores. Entrou na primeira passagem secreta que encontrou e correu, saindo de dentro de um quadro próximo à escadaria principal. Já sentia-se um pouco abatido: apesar de nem haver sinal de noite, a lua já estava em algum lugar do céu, oculta, só esperando o escurecer para transformá-lo. Encontrou Rafaela subindo calmamente a vazia escada do corujal.
– O que uma aluna faz sozinha nessa escadaria tão perigosa?
Rafaela sentiu uma pontada no coração e virou-se rapidamente – Remus!
Rafaela quase correu escada a baixo para abraçá-lo, mas ele fez um sinal para ela parar e subiu até ela. Puxou-a para dentro da passagem mais próxima.
– Onde você se meteu? – disseram juntos
– Te procurando! – responderam também juntos
– Eu procurei você a manhã toda... – disse Remus
– Pois é, o Harry me contou, eu também, corri esse castelo inteiro... Que bom te ver, Remus... Queria pelo menos ver você antes de ter que... Enfim, você sabe.
– Sei e sei também que não estou nada bem, Rafa... A lua pode não estar aparecendo, mas já está em algum lugar só esperando anoitecer... Como estamos no auge do inverno, vai anoitecer bem cedo, e não quero correr riscos. Isso significa que não é nada seguro ficarmos juntos agora... Voltarei para a mesa e daqui a pouco já vou para o meu esconderijo... Aliás, o que você está fazendo aqui?
– Não tinha nada para fazer lá na mesa... Eu estava indo ao corujal, preciso ver o Panther e queria mandar um bilhete para a Madame Hooch para ter certeza do horário da atividade para eu antes poder falar com você...
– Ok, mas pode ser muito perigoso... Não estou me sentindo nada bem, e sinto cada vez mais forte que daqui a pouco eu não serei mais eu... Não queria nunca que você presenciasse nem o início dessa transformação, então já vou indo. – ele disse e virou-se abruptamente
– Espera, Remus! Queria conversar um pouco mais...
Remus, apesar do frio, começou a suar – Rafa, por favor, eu também queria, mas... Me entenda, está ficando mais forte... Desculpa... Faz um favor, mande um bilhete ao Dumbledore dizendo que me encontrou no caminho e que eu disse que já estava indo. Não estou bem, Rafa... Avise também ao Charlie, a gente combinou de ele me ajudar.
– Você precisa de uma Wolfsbane urgente!
– Eu sei, mas antes já preciso estar lá, Rafa.
– Vou chamar o Severus!
– Não, o Severus não! – ele disse imediatamente. Ainda não havia cosegudio engolir a viagem dele com Rafaela naquele final se semana
Rafaela o deu um beijo rápido e Remus virou as costas e se foi. Sem nem pensar, Rafaela arrancou suas meias, transformou uma em uma caneta e a outra papel. Rabiscou um bilhete para Snape, outro para Dumbledore e outro para Charlie e abriu a passagem secreta, sumindo imediatamente. Apenas dois minutos depois entrava uma coruja diferente no salão principal. Ninguém reparou nisso, afinal corujas diferentes indo levar bilhetes para os professores era algo tão comum quanto um aluno do primeiro ano explodir alguma coisa na aula de Poções. Severus levantou-se rapidamente e saiu do salão ao ler o bilhete que a coruja soltou em frente a ele. McGonnagal ficou um pouco paralisada de espanto ao ver a coruja, mas preferiu não demonstrar nada aos colegas. Rabiscou, também, um bilhete e entregou à corujinha:
– Entregue isso à Rafaela. Eu preciso conversar com ela.
– Rafa, o que deu em você para sair daquele jeito no meio do almoço? – perguntou Hermione, assim que a encontrou novamente
– Ah, então alguém reparou que eu saí no meio do almoço.
– Credo, Rafa, que foi?
– Desculpe, Mione, mas estou nervosa... O Remus não está bem, acho até que essa hora ele já se transformou...
– Encontrou com ele?
– Agora a pouco, assim que eu saí. Fiquei meio chateada e vim para cá.
– Ok, mas você vai ter que sair aqui do quarto daqui a pouco. Harry mandou avisar que já está quase na hora da atividade de vôo.
– É, a Madame Hooch me enviou um bilhete agora a pouco... O problema é que a Minerva também quer falar comigo...
– Por quê?
– Acho que ela percebeu que tenho alguma coisa com o Remus... Droga, isso seria o fim! Essa escola é muito conservadora...
– É, isso é, mas vamos lá que eu não quero te ver pra baixo. Você é boa em disfarçar as coisas... Finge que é atriz! – ela disse sorrindo, tentando animá-la
– Atriz? Mais do que já estamos sendo com essa história toda? Bom, deixa pra lá, melhor a gente não ficar conversando muito sobre essas coisas assim, sem proteção... Tô indo.
– Boa sorte!
Rafaela saiu desanimada da torre, arrastando a vassoura, mas assim que encontrou o primeiro – que foi Neville Longbotton – fingiu que estava muito animada. Disse pra ele que estava com vontade de bagunçar, pra acabar com o tédio.
– Não empolga não que ultimamente os professores têm estado bem rígidos. – disse Neville
– Ah, Neville, é nosso ano de formatura, a gente tem que aprontar umas, né? Vivo ganhando pontos para a nossa casa, torrar um ou outro com uma diversão a mais não custa nada! Acho que vou apostar uma corridinha com o Harry, e lá fora não dá porque tá frio demais!
Rafaela subiu na vassoura e Neville ficou nervoso – Ah não, Rafa! Não faz isso, var dentro do castelo é proibido!
Sem ouvi-lo Rafaela de um impulso e voou escadas abaixo. Voando pelos corredores, começou a assustar todos os alunos. Encontrou Harry “casualmente” no corredor próximo à biblioteca e o desafiou.
– E então, Harry? Duvido que você seja melhor que eu aqui dentro!
Harry montou na sua vassoura (ele estava com a desculpa de estar indo para fora do castelo treinar quadribol) e aceitou o desafio.
– Ok! Quem percorrer mais rápido o castelo inteiro...
– Ganha um balde de cerveja amanteigada! – ela gritou, animada
– Feito!
Começaram a chamar a atenção de alunos do primeiro ano que estavam por ali. Rafaela e Harry enfeitiçaram suas vassouras de modo que a de Rafaela soltasse uma leve névoa laranja que ficaria em cada lugar onde passasse e a de Harry uma névoa amarela.
– Esse castelo vai ficar todo Gryffindor! – gritou Rarry
Rafaela gargalhou, chamando atenção de um grupo de Ravenclaws dos primeiros anos que passavam por ali. Já estavam formando torcida.
– Um... Dois... Três...
– JÁ!
Ambos voaram o mais rápido que puderam, usando toda a habilidade possível para desviar das pilastras, objetos e pessoas; abrir portas rapidamente e entrar no máximo de cômodos que pudessem, prestando atenção em todos os lugares por que passavam, para não perder alguma situação que fosse perigosa no momento da invasão. Rapidamente os corredores mais usuais tiveram seus pisos praticamente pintados por uma fumacinha laranja e amarela. Crianças dos primeiros anos começaram a fazer algazarra, querendo pegar também suas vassouras. Os alunos mais velhos decepcionaram-se com a maluquice dos dois, que pareciam duas criancinhas. Os Slytherins, apesar de ficarem irritados, gostaram um pouco da idéia e começaram a correr atrás de professores e monitores para procurá-los e tirarem-lhes pontos. Em pouco tempo o castelo inteiro estava uma bagunça. Apesar de terem se preparado para isso, os professores já não agüentavam tanta confusão. Ninguém conseguia alcançá-los, afinal não passavam de pontinhos coloridos subindo e descendo escadas muito mais velozes que normalmente faziam em campo – afinal, eram muito mais treinados que os outros alunos. Ginny, Hermione e Ronald seguravam-se para não demonstrar que sabiam de tudo e, inclusive tinham que fingir estar bastante bravos com eles. Snape foi o melhor ator de todos. Ficava com aquela cara de fúria como se um aluno tivesse feito uma caricatura dele e mostrado a todos na sala de aula. Sophia estava espantada mas tinha a expressão de quem já esperava aquilo de Rafaela. Ela e Harry, sem ninguém saber, realizavam a prova com exatidão e atenção, mas ao mesmo tempo sentiam as barrigas doerem de tanto rir.
Uma hora e meia depois Madame Hooch amplificou sua voz como uma locutora de quiddich, gritando em alto e bom som, de forma a ser ouvida em toda parte do castelo.
- Chega!!!
Com uma expressão muito séria, juntamente a outros professores – todos fingindo estar muito fulos ou decepcionados – Hooch parou Rafaela e Harry na entrada das masmorras.
– Chega!! Daqui vocês não saem!
Rafaela e Harry não disfarçaram que estavam rindo, mas ao mesmo tempo fingiam ter ficado preocupados. A criançada toda gritava sem parar seus nomes, aclamando-os como heróis, enquanto os professores não agüentavam mais o efeito da poção cara-fechada, para disfarçarem bem.
– Agora mesmo para a sala do diretor!! Onde já se viu?
Rafaela e Harry abaixaram a cabeça, ainda rindo por dentro e foram, arrastando seus vassouras, na direção da diretoria. Os alunos voltaram, aos poucos, às salas comunais, bibliotecas, quartos e até mesmo para a parte de fora do castelo. Assim que entraram, professores, Rafaela e Harry, na sala de Dumbledore, absolutamente ninguém conseguiu deixar de dar uma boa gargalhada. Rafaela estava triste ao saber que o seu Remus estava isolado do mundo em uma sala qualquer, mas ao mesmo tempo ficava feliz por ver todos os outros professores pelo menos vivendo em harmonia.
– Espero que vocês inventem bons motivos para fazer-nos recuperar esses pontos que vamos perder. – disse Harry
– Ora, Potter, vocês são os alunos mais mimados dessa escola. Vivem ganhando pontos sem motivos! – disse Snape
– Assim como vivíamos perdendo pontos sem motivo nos primeiros anos, né, Snape?
Snape simulou um sorriso – Temos que ser rudes com os alunos do primeiro ano, senão não saem do lugar!
– E do segundo, e do terceiro e do quarto também, né? Principalmente quando são Gryffindors!
– Potter, pare de resmungar!
– Vocês podem fazer o favor de chamar um ao outro pelo nome? – disse Rafaela – Que coisa!
Hermione havia deixado Ronald em algum lugar para ia falar com uma colega sobre uma questão de Aritmancia que a menina a havia perguntado e, enquanto voltava, entrou em um corredor vazio e meio escuro do segundo andar. Viu que na outra ponta havia algumas pessoas, mas não conseguiu distingui-las.
– Me parece que o destino está agindo nesse lugar!
– O que é que está fazendo aqui, sozinha, Granger? Cadê o namoradinho?
Eram Crabbe e Goyle. Antes que ela respondesse, uma outra pessoa apareceu às suas vistas. Era um aluno da Slytherin que ela já até havia visto, mas realmente nunca havia dado a mínima importância. Ele era alto, um pouco mais que Rony – que era bem grande – estava com os braços cruzados e olhava diretamente nos olhos de Hermione. Ela franziu a testa, perguntando pra si mesma o que ele queria. Este era David Dwaine, um setimoanista.
– O que vocês querem?
– Eu não quero nada! – respondeu Goyle – Quem quer é o nosso colega, aqui.
Dwaine andou na direção de Hermione, que deu um passo para trás – O que você quer?
– É a primeira vez em sete anos que eu consigo ficar sozinho com você.
– Você não está sozinho comigo.
– Ah, não? Onde estão os seus amiguinhos Gryffindors pra te defender?
– Defender de quê? Você pretende me atacar?
– Eu não chamaria exatamente de atacar.
Hermione começou a andar de costas, mas não estava com medo. Estava treinando pra enfrentar situações difíceis, e aquela era bem mais leve do que o que estava por vir.
– Se você fizer qualquer coisa contra, mim, vai se dar muito mal, porque eu vou revidar.
Dwaine riu – Eu não tenho medo de você. O que eu sinto é outra coisa.
– Dane-se o que você sente. Se você encostar um dedo em mim vai se dar mal. Não diga que eu não avisei.
– Ah, é? Você vai revidar como? Vai usar algum feitiço? – e, num movimento rápido, chegou até ela e segurou seus braços, impedindo-a de chegar até a varinha
– O que você está fazendo?! – ela disse agora já um pouco assustada
Dwaine empurrou-a com força e bateu suas costas na parede, segurando-a de perto de com força – Adivinha o que eu quero de você?
– Me solta!!
– Tão bonita, tão diferente dos primeiros anos! É uma pena que tenha tanto mau gosto pra homens, namorando com aquele babaca do Weasley!
– Ele é mil vezes melhor do que você, seu desgraçado!
Dwaine riu – Ah, então a menina certinha também sabe ser grossa? É assim que eu gosto!
Crabbe e Goyle riam gargalhando, de braços cruzados, observando Hermione ficar cada vez mais desesperada, e Dwaine segura-la com força, beijando seu rosto e pescoço, rindo com maldade.
– Seu verme!!! Me solta!
– Você vai ser minha, Granger, minha!
Ginny encontrou-se com Neville, Parvati, Lavender e Seamus saindo do salão comunal. Ela foi andando com eles, entrando na conversa. Lavender estava contando sobre a briga que viu acontecer em Hogsmeade, naquela manhã, entre um aluno da Corvinal e um da Sonserina, por causa do último envelope de figurinhas que havia na loja. O assunto morreu abruptamente quando entram em um corredor que deveria estar vazio. Viram alguém agarrando uma pessoa encostado na parede, e reconheceram Crabbe e Goyle rindo de braços cruzados.
– Ei! O que é isso?! – disse Neville
Imediatamente, Crabbe e Goyle saíram correndo e Dwaine, segurando Hermione com força e escondendo-a, olhou para eles – Vão embora!
– Me ajudem! – Hermione gritou, escondida
– É a Hermione! – disse Ginny
Ela saiu correndo, seguida por Seamus e Neville. Seamus empurrou Dwaine, que não caiu e ainda ficou segurando os pulsos de Hermione. Ginny voou pra cima dele, dando diversos socos que não lhe causaram nenhuma dor. Enquanto Neville preparava-se pra dar um soco, Ginny usou a habilidade Magine. Dwaine desmaiou ao mesmo tempoem que Nevilleacertou o soco em cheio no nariz dele. Hermione correu e Ginny a abraçou.
– Calma, amiga, está tudo bem!
– Ele me agarrou, se vocês não chegassem eu não sei o que ele ia fazer!!
Neville olhou para a própria mão e Seamus comentou – Está com o braço forte, heim?
– Meninas, chamem algum professor, qualquer responsável... – disse Ginny para Parvati e Lavender, olhou com ódio para o desmaiado Dwaine – ...esse cara tem que pagar por isso.
– Eu vou quebrar a cara desse desgraçado!!
Ronald tentou sair correndo e Harry ficou na frente, segurando-o – Não faz besteira, Ron, vai piorar as coisas!
– Ele agarrou a minha namorada! Dá pra piorar?!
– Ele vai ser expulso, Ron! – disse Ginny, em voz alta – Está lá com o Albus e o Snape, você acha que eles vão deixar isso barato?
– É pouco! Eu queria quebrar o nariz dele!
– Não, Rony... – Hermione disse baixinho, sentada no sofá da sala comunal da Grifinória – Não precisa fazer isso.
Ronald ajoelhou-se na frente da namorada e segurou seu rosto – Você tem certeza que está bem? O que foi que ele fez?
– Só o que eu já te contei, meu amor... Eu estou bem, nossos amigos chegaram na hora certa.
– Eu não me perdôo por não estar com você!
– Ron, pára. Deixa isso. O Albus vai dar a lição que ele merece, pronto.
A professora Minerva entrou na comunal e encontrou os alunos – O Sr. Dwaine está na diretoria, já foi acordado e está dando explicações. Mentiu muito, o detector não parou de disparar. Ele será expulso hoje, numa cerimônia no salão principal.
– Aí, viu? – disse Ginny – Pronto, o cara vai sofrer a maior humilhação que um estudante bruxo pode sentir.
– Tem cerimônia pra isso? – perguntou Harry
– Tem. É muito triste para nós ter que preparar esse tipo de cerimônia, mas não a evitaremos. Faz mais de vinte anos que nenhum aluno é expulso daqui.
Ronald sentou-se ao lado de Hermione e a abraçou – Professora, não é bom levar a Mione pra ala hospitalar, pra ver se está mesmo tudo bem?
– Não precisa, amor, eu estou bem. Só quero me deitar, fiquei exausta.
Ronald a ajudou a se levantar – Eu levo você, meu amor.
Minerva fez sinal de reprovação – Não vai leva-la pra cama, Ronald. Ginny pode fazer isso, você fica do lado de fora.
Ginny se levantou – É, eu cuido dela, Ron, não se preocupa.
Rafaela entrou na sala especial. Harry e Ronald estavam lá, sentados nos sofás da sala comunal. Ela parou em silêncio e os olhou por alguns instantes.
– Wow... O que aconteceu?
Harry a olhou – Problemas...
– O que aconteceu? – ela repetiu, se aproximando mais
– Um desgraçado da Slytherin agarrou a Hermione! – vociferou Ronald – E se ninguém tivesse chegado, eu não sei o que é que ele teria feito com ela. Ou melhor, eu sei sim, e é isso que me deixa com mais ódio! – levantou-se – Eu quero quebrar aquele cara!
Rafaela o parou – Calma! Quem foi?
– David Dwaine. – Harry respondeu, também já em pé – Aquel que Crabbe e Goyle disseram pro Ron deixar o caminho livre.
– Ah, eu sei quem é. O que foi que o filho da puta fez?
– Rafa! – disse Harry– Eu estou tentando fazer ele se acalmar.
– Ah, desculpa. Senta aí, Ron. – ele se sentou novamente – O que acontece com o cara agora?
– Vai ser expulso. É o mínimo que podia acontecer com ele!
– Rafa, mudando de assunto, a professora McGonnagal disse que está te esperando na sala dos professores.
Rafaela gritou – Ah!! Eu achei que ela estaria aqui! – e saiu correndo. Parou na porta – E a Mione, como ela está?
– Foi se deitar no quarto, disse que estava cansada, mas está fisicamente bem.
– Ah... Depois eu vou lá.
Hermione tomou um banho rápido, enquanto Ginny separou um pijama bem confortável pra ela. Depois que se vestiu, Hermione deitou-se com a cabeça no colo de Ginny, que ficou fazendo carinho nos cabelos da amiga, para acalma-la. Logo ela estava com sono, bem mais calma, e Ginny deixou-a dormindo sozinha, protegida pelo acortinado com feitiço anti-ruído, para que nada atrapalhasse seu descanso.
Harry e Ronald ainda estavam na sala comunal, meio silenciosos. Ginny desceu e se sentou entre os dois, deitando a cabeça no ombro de Harry.
– Eu não vejo a hora de chegar a hora do jantar. – ela disse
– Quero ver de perto a cerimônia do desgraçado. – disse Ronald, com muita amargura na voz
Rafaela bateu à porta que se abriu lentamente. Colocou a cabeça pra dentro.
– Entre, Srta. Salles, estamos sozinhas. – disse a professora
Sem graça, ela entrou e fechou a porta. Aproximou-se da mesa – Desculpe, professora... Eu me atrasei...
– Eu percebi que você se atrasou! Mas não quero explicações. Não tenho muito tempo.
– Desculpe... Posso me sentar?
– Claro. O que eu quero é te perguntar uma coisa breve.
– Sim?
– Vi o seu bilhete falando sobre o professor Lupin. Você estava sozinha com ele quando ele começou a sentir os sintomas da transformação.
Rafaela tremeu mas não demonstrou – Sim.
– O que estavam fazendo sozinhos, enquanto deviam estar no salão principal almoçando?
– Não saímos de lá sozinhos, professora. Nos encontramos por acaso.
– Explique melhor.
– Eu saí para ir ao corujal, sozinha, e ele chegou. Estava indo pra lá pra mandar os bilhetes pra avisar que já estava chegando a hora de se recolher para a transformação, mas como me encontrou, pediu pra eu mandar os bilhetes e foi direto pra lá. Eu fiz um favor pra ele.
Minerva ficou em silêncio, olhando pra ela. Parecia que, de repente, a professora adquiriu o dom de Albus de enxergar a verdade nos olhos dos alunos. Ficou em silêncio, e Rafaela entendeu que não adiantava dizer que não havia nada entre eles.
– Não tem nada acontecendo, professora.
– Eu sei que vocês estão muito amigos.
– Estamos.
– Eu não posso impedir que nasça um sentimento maior entre vocês, embora não concorde com isso. Mas eu posso, sim, impedir que algo errado aconteça dentro deste castelo.
Rafaela desencostou-se da cadeira e apoiou os cotovelos na mesa, ficando mais próxima da professora – Minerva... Eu tenho convivido muito com a senhora, eu acho que sou a aluna que acabou ficando mais próxima, pelo menos eu me sinto assim, por isso eu... – respirou – ...eu só queria fazer uma pergunta.
– Fique à vontade.
– A senhora acha que nós estamos... Pensando em namorar. – ela concordou com a cabeça – Eu acho estranho porque... Tem tantos casais de namorados nessa escola, os especiais mesmo, Hermione com o Rony, Harry com a Gina, e mais, Parvati e Neville... E eu não entendo o porquê disso.
– Porque ele é um professor, Rafaela. Professor não namora com aluno.
Rafaela ficou quieta um pouco, encostando-se novamente na cadeira – Não aconteceu nada entre nós. Nem hoje no corujal, nem nunca. – mentiu, com um nó na garganta
– Eu não concordo, Rafaela, não concordo mesmo. Mas se você sente alguma coisa por ele, vai ter que esperar estar fora de Hogwarts.
Rafaela ficou em silêncio olhando para as próprias mãos. Preferiu nao dizer mais nada, com medo de que acabasse piorando as coisas.
– Ok, Rafaela, mas não foi por isso exatamente que eu quis falar com você.
Rafaela sentiu-se como se tivesse acordado de um pesadelo – Como?
– Sim, achei estranha toda aquela história, mas... Rafaela, acho que você está tendo problemas com as suas transformações.
Rafaela novamente sentiu um peso nas costas, porém menor – Ah, professora, hoje é domingo!
– Rafaela, isso é muito mais importante do que você pode imaginar. – e fez uma pausa. – Entenda, não é normal que um animago demore tanto para decidir em qual animal irá se transformar.
– Mas eu já descobri, eu posso me transformar em um pássaro...
– Mas em que pássaro, Salles?
– Eu não tenho culpa, é instantâneo... – e sentiu um nó na garganta, sentindo-se uma aluna problemática – Eu me esforço, mas.. Hoje, por exemplo...
– Eu sei o que aconteceu hoje e foi por isso que eu te chamei. Você acha mesmo, Rafaela, que eu não te reconheceria transformada em uma coruja? Eu conheço todas as corujas desse castelo, e definitivamente a que você me mandou não era uma. Sendo uma animaga há tantos anos, eu posso sentir a presença de outro. Era você mesma?
Rafaela abaixou a cabeça. Não queria contar que foi sem querer, ela simplesmente precisava urgentemente de uma coruja e transformou-se em uma, quase involuntariamente, e sabia que uma coruja não ra exatamente a ave que queria ser. Não era o que sentia ser.
Quando Hermione acordou, encontrou o salão comunal relativamente cheio. Os alunos que já haviam ido para Hogsmeade agora queriam descansar antes de começar mais uma semana. A lareira estava acesa, a maioria das pessoas estava nos sofás, diante do calor. Harry, Ginny, Ronald e Rafaela estavam mais distantes de todos, desanimados e querendo que aquele dia acabasse logo. Hermione cumprimentou alguns colegas e se aproximou, Ronald se levantou e abraçou-a apertado, em seguida sentaram-se juntos. Rafaela contou resumidamente a conversa que teve com e Minerva. Ronald conseguiu apenas tentar animar o grupo dizendo que seria uma ótima idéia ter uma coruja como amiga e que esse era um ótimo disfarce, mas não obteve sucesso.
– E a Sophia? – Ginny perguntou e todos pareceram acordar
– Deixamos menina sozinha? – perguntou Hermione
– Já está quase na hora do jantar! – disse Ronald
– Não está tão quase assim. – Rafaela disse baixo, quase para ela mesma
– Vamos lá, gente, vamos procurar a menina, coitada. – disse Harry, se levantando
Todos se levantaram e Rafaela, contrariada, os seguiu.
Bateram à porta do quarto dela e ninguém atendeu. Desceram até o salão principal, vazio, e encontraram Snape conversando com Hooch e Flitwick.
– Ô, Snape! – disse Harry, se aproximando
Snape olhou – O quê?
– Cadê a Sophia?
– Não está com vocês? – mostrou preocupação
– Não, a gente estava na Gryffindor, agora. – Harry respondeu
– Não a encontramos no quarto, mas deixa, a gente procura. – disse Ginny
– Tragam-na pro jantar, não quero que fique deslocada.
Rafaela sibilou um palavrão em português – Agora viramos babá dessa menina. Pô, depois de tudo por que passamos hoje!
– Vamos ver no mapa do maroto... – disse Harry
– Ah, gente, deixa para lá, talvez ela queira ficar sozinha... – disse Rafaela
– Não seja ciumenta, Rafa, ninguém gosta menos de você por causa dela! – entendeu Hermione
– Quem disse que eu sou ciumenta? Apenas não quero virar babá de uma garota mais velha do que eu!
– Bom, na verdade não precisa ir todo mundo atrás dela, eu e Harry poderemos fazer isso. – ofereceu Ronald
– Pô, Ron, nunca tenho tempo para ficar com meu namorado e você quer levá-lo para ir procurar outra menina? – ralhou Ginny
– Eu também queria ficar um pouquinho com você, Ron... – disse Hermione, frágil – E não acho que você quer perder nenhum momento da cerimônia dessa noite...
Todos olharam para Rafaela que, alguns segundos depois, cruzou os braços, contrariada.
– Isso significa “sobrou para você”? Esquece! Vou é procurar o Charlie para saber como está meu lobisomem.
Ela saiu, porém não conseguiu dar dois passos com os olhares dos outros.
– Ah, tomar banho, tá, alguém me dá esse mapa que depois vou atrás da menina!
– Está lá no meu quarto, dentro da minha cama. – informou Harry
– E na bundinha não vai nada? – em português
– O quê?
Rafaela saiu resmungando e pisando duro em direção ao salão comunal novamente e foi pegar o mapa do maroto. Percebeu que Sophia estava indo em direção ao salão principal, mas muito perto da saída das masmorras, parecendo que estava vindo de lá.
– De certo estava querendo conhecer a área do comando de Severus Snape... Espero só que não se meta naquela Slytherin!
Vendo que não precisaria mais ir procurá-la, imediatamente procurou Charlie e Remus no mapa, e percebeu que ambos estavam em uma salinha que saía da área dos professores da sala de DCAT. Não pensou duas vezes.
– O que você está fazendo aqui, Rafa? – perguntou Charlie, do lado de dentro da porta
– Vim ver o lobisomem! Agora abre, por favor!
– Não!
– Senhor Weasley, eu não estou ouvindo barulho nenhum, eu sei que ele está sob o efeito da poção! Se você não abrir, eu entro como passarinho.
– Que passarinho, senhoria Salles?
– Ah, perdi a paciência! – Rafaela verificou que a porta estava selada apenas com feitiços normais, que impedissem qualquer aluno de formação normal, mas ela não, e transformou-a em papelão, rompendo-a facilmente e entrando, transformando-a novamente em madeira – Fácil demais, Charles, inventa outra de outra vez. Por que aqui está tão escuro? Posso vê-lo?
– Eu já não disse que não?
Rafaela aumentou o “lumos” de sua varinha e assustou-se com a imagem de Remus como lobisomem. Sentiu uma pena imensa, afinal aquele era o homem que ela amava muito, um homem tão bom, e agora daquele jeito, sentado em uma cadeira qualquer, amarrado com diversas cordas e com um olhar frio e triste, para o nada... Como um grande cão machucado em formato de homem. Não sabia exatamente o que dizer.
– É... realmente estranho. Muito diferente dos livros... – e sentiu mais um aperto – Nem parece que é o... – e começou, sem querer, a chorar. Charlie consolou-a.
– Eu disse para não vir... É bastante forte. Agora volte para lá, Rafa. Se você quiser, agora que você já viu, pode voltar uma outra vez, outro dia, mas você precisa descansar um pouco disso tudo... Está sendo muito rápido para você, não é?
Rafaela concordou com a cabeça e secou o rosto. Olhou para Charlie.
– Obrigada... E desde quando você sabe?
– Sobre vocês? – ele perguntou – Desde antes do baile. Ele me procurou e contou tudo. Percebeu aquela pressão que todo mundo estava colocando pra eu te convidar, e preferiu ele mesmo me dizer
– Ele não me contou...
– Pode ficar tranquila. O segredo de vocês está seguro comigo.
Apesar de toda a expectativa criada, a cerimônia não era muito diferente daquela da escolha das casas dos alunos, no primeiro jantar, só que ao contrário. Dwaine estava com a maior cara de sonso possível, fazendo-se de coitado. Dumbledore explicou o motivo e disse que com muita dor no coração era obrigado a tomar uma decisão como aquela, mas que a atitude não deu-lhes outra alternativa. Minerva reforçou dizendo que, mesmo que o ato não fosse visto por alunos e impedido, que de alguma forma isso seria impedido, porque no castelo há um sistema de monitoramento para coisas realmente graves – o que aliviou os alunos que adoravam “escapar” à noite para se aventurar, como Harry adorava fazer há alguns anos – e de qualquer forma ele seria expulso.