N/A: Bem vindos mais uma vez! Esta fic já existia, mas devido a diversas alterações elas está sendo repostada! Apreciem sem moderação.
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As batidas do coração ecoavam como os passos do rapaz pelos corredores do lugar que um dia chamou de casa – incertos, inseguros, vacilantes. Um suor pegajoso e frio escorria por sua nuca, demonstrando um temor que ele não admitia sentir.
“Por que diabos, não tinha matado o velho?”, a pergunta rondava sua mente.
Desacatar uma ordem direta do Lorde Voldemort tinha sido uma grande estupidez, sabia disso. O sangue gelava ao pensar no castigo que receberia antes de morrer. Era óbvio que sua morte seria dolorosa e lenta, pois o Lorde não era generoso com aqueles que desobedeciam e o usaria como exemplo para outros.
Respirou fundo tentando controlar as emoções. Fechou os olhos esvaziando a mente e bloqueando-a da melhor maneira que a situação lhe permitia. Colocou a máscara da indiferença tão habitual em seu rosto e riu com a ideia de que essa poderia ser a última vez que a usaria.
Parou frente à porta e esta se abriu sozinha. O ambiente estava iluminado apenas pelo fogo, ao longo das paredes tochas estavam penduradas e no fim da sala velas flutuavam. Pelo vidro das janelas a luz do luar fazia desenhos no luxuoso tapete que recobria grande parte do chão de madeira escura. Os móveis estavam afastados a um canto da sala dando espaço para poltronas onde os Comensais de mais prestígio estavam acomodados, enquanto outros estavam espalhados de pé pela sala.
O rapaz nem bem tinha dado dois passos quando caiu de joelhos curvado pela dor da Maldição Cruciatos. Sentia seus ossos se contorcendo, o sangue queimando, a cabeça latejando como se estivesse sendo apertada. Não conseguia manter os olhos abertos e só não gritava em desespero pela dor por pura força de vontade. Sentiu os efeitos de o feitiço diminuírem e mesmo sabendo que não deveria colocou-se de pé e com maior intensidade foi atingido.
–Levante-se Malfoy! – Sibilou a voz fria e raivosa de Voldemort.
Com esforço o garoto pôs-se de pé e encarou seu carrasco. O bruxo estava com uma veste verde esmeralda em contraste com seus olhos vermelhos e a pele pálida. Sentado numa grande cadeira de espaldar alto que mais parecia um trono, aos seus pés estava a cobra Nagini. Sua boca estava deformada num sorriso cínico.
– O que o faz pensar Draco que você pode desacatar uma ordem minha? – O Lorde riu com desdém. – Ser um Malfoy? Ser sobrinho de Bela? Afilhado de Snape? – Ele sibilou algo para cobra e esta se moveu em direção a Narcisa. – Nenhum deles pode te ajudar agora.
A raiva queimou no corpo de Draco em ondas quentes como o fogo, extinguindo todo o medo. O sangue queimava veloz, a cabeça doía pelo esforço de cerrar os dentes contra o grito de revolta que apertava sua garganta. Precisava agir rápido para escapar desta situação. Seus olhos acompanhavam todos os movimentos da cobra. Como pudera ser tão ingênuo ao ponto de pensar que suas atitudes acarretariam consequências somente a ele? Como pudera ser tão egoísta? Voldemort era cruel e o faria sofrer através da única pessoa que amava – sua mãe.
Sua raiva aumentou diante de sua impotência. O que poderia fazer? Estava de mãos atadas, não poderia contra todos os Comensais, sem contar Voldemort.
– Belatriz. – Chamou Voldemort. A mulher morena levantou-se indo em direção ao Mestre dando um olhar de repulsa ao rapaz.
– Sim Lorde. – Disse a mulher ao se ajoelhar.
– Acho que sua irmã merece uma correção por não ter educado corretamente o filho, você não acha minha querida? – Bela sorriu deliciada. Sabia que nada atingia Draco a não ser Narcisa e ela o castigaria.
– Sim mestre, ela merece. – Disse com um sorriso de escárnio.
– Aplique-o! – Sibilou Voldemort.
Nagini afastou-se com a aproximação da morena que puxou a irmã pelos cabelos a arrastando até chegar à frente do sobrinho. Derrubou-a no chão e aproximou a boca da orelha de Draco.
– O que vai acontecer agora é sua culpa sobrinho! – Sussurrou.
Draco não raciocinou, apenas deixou-se levar pelos instintos. Enquanto a Comensal ria insanamente, o rapaz juntou todas as suas forças e a atingiu com um soco no peito, fazendo seu corpo parar alguns metros de distância. Inúmeros flashes de cores voaram na direção de Draco, fazendo seu corpo sofrer inúmeros espasmos de dor, se contorcendo no chão. Os cabelos loiros cobriam parte da face pálida, os belos olhos cinza estavam cerrados, a boca numa linha tensa, os traços do rosto bonito, deformados pela dor. Ele sentiu o gosto de sangue inundar a boca tamanha era a força que usava para não gritar. Sentiu as mãos frias de sua mãe tocar seu rosto e sua voz desesperada pedindo para pararem.
O sorriso cínico aumentou na boca de Voldemort, tornando sua face ainda mais odiosa. O sabor da vitória o embriagava. Draco Malfoy se tornaria seu Comensal da Morte naquela noite.
Afinal, tudo tinha sido mais fácil do que ele supusera. O amor era a única fraqueza de Draco e era essa fraqueza que o faria sucumbir.
– Parem todos! – A sala voltou à penumbra da luz do fogo. Lorde Voldemort aproximou-se lentamente do rapaz caído no chão. Seus olhos eram apenas uma fenda vermelha brilhando de maldade.
– Afaste-se Narcisa. – A mulher olhou para ele em desespero, numa súplica muda pedindo para não fizesse mal a seu filho. – Agora. – Ele sibilou.
– Por favor! – Ela pediu com lágrimas nos olhos azuis.
Draco estava desperto e lúcido apesar dos feitiços. A raiva tinha esse efeito sobre ele, aumentava suas forças, lhe dava ânimo para reagir. Tentou mover-se e todo o corpo gritou em protesto, respirou fundo tentando buscar mais forças.
– Narcisa, levante-se! – Ordenou Lucius com a voz gelada.
A mulher loira abraçou-se mais fortemente ao filho e ficou balançando a cabeça freneticamente de um lado para o outro numa negativa. Queria proteger o filho de qualquer maneira, ninguém machucaria seu menino se pudesse evitar. Sentiu algo gelado tocar seu pé e logo todo seu corpo estava sufocado pelo corpo da cobra. Ela sibilava em seus ouvidos e aquilo lhe dava nojo e medo. Seu coração queria saltar do peito, estava congelada de pavor.
Quando Draco se sentiu com forças suficientes colocou-se de joelhos e abriu os olhos, chocando-se com a cena que viu. Sua mãe estava sendo esmagada por Nagini, seus lábios já estavam ficando azuis e a pele do rosto arroxeada. Implorou a Merlin para que ela não morresse. Um bolo formou-se em sua garganta, o remorso cobrava o preço de seu ato impensado através da mãe. Sentiu olhos em sua nuca e com muito esforço virou-se para ver Voldemort o encarando cinicamente. A maldade irradiava dele atingindo Draco como lâminas afiadas.
– Por favor, pare a Nagini! – A voz do rapaz era apenas um sussurro rouco irradiando desespero.
– E o que eu ganho com isso? – Perguntou debochado Voldemort.
– O que quiser de mim! – A firmeza com que Draco pronunciou as palavras abalou Voldemort. O Lorde não entendia o amor, como um sentimento podia valer tanto, ele se questionava.
– Malfoy, eu não sei por que fugiu tanto da Marca Negra... – Riu sarcástico o Lorde. – Se quer tanto que Nagini não faça sua mãe de refeição, ajoelhe-se diante a mim e jure-me fidelidade, aceitando a Marca.
O amor cobrava sacrifícios e o rapaz de cabelos loiros e olho cinza estava disposto a pagar pelo dele. De cabeça erguida e olhando nos olhos daquele que se tornaria seu mestre, ajoelhou-se e estendeu o braço esquerdo desnudo.
– Faça seu juramento Draco! – A voz de Voldemort não escondia sua satisfação.
O corpo dele gritava em protesto pelo que ia fazer, não queria ser como o pai – nunca! Não era um covarde estúpido, não queria ser um capacho... Todas as células do seu corpo vibravam em repulsa pelo que se obrigaria a fazer.
– Juro fidelidade a ti, Lorde das Trevas, aceitando a Marca Negra e me tornando teu servo! Seguirei seus desígnios e lutarei contra qualquer inimigo teu. Meu sangue pagará meu fracasso e traição a ti, Lorde Voldemort.
A dor no braço esquerdo tornou-se insuportável. O sangue que brotava da pele era purulento e fedido, queimando como ácido. Uma luz enegrecida mostrava os contornos da maldita Marca Negra que surgia em seu corpo. Várias pequenas bolhas de sangue estouravam na ferida respingando no rosto bonito. As lágrimas queimavam nos olhos e neste momento ele jurava vingança ao homem a quem prometeu servir. Pois ele era Draco Malfoy e só pertencia a si mesmo.
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