Fevereiro/Março de 1999.
Ouviu a porta bater de leve, distraindo-a do dever.
- Entre.
As cabeleiras ruivas de Ginevra Weasley apareceram. Hermione sorriu ao ver a amiga se aproximar. Gina sentou na cama, à sua frente, parecendo hesitante.
- O que foi?
- Nada – ela forçou um sorriso. – Faz tempo que não tiramos um tempo para conversar.
Hermione teve que concordar.
- Não devia estar no treino?
- Não. Harry nos liberou há mais de meia hora – comentou remexendo no caderno da morena. – E o que está fazendo?
- O exercício que o professor de Defesa Contra as Artes das Trevas nos passou. Sobre Patronos.
- Ah! – Gina abriu um sorriso – Já fiz. Confesso que foi o dever mais fácil do ano!
Hermione concordou mais uma vez. Sorriu para a amiga.
- Mas sei que não está aqui para ver meus trabalhos – sondou a moça. – Ou porque está com saudades. Diga de uma vez, Gina.
Ela sorriu, envergonhada.
- Preciso de uns conselhos seus.
A moça mais velha afastou os livros de perto, chegando mais próximo da ruiva e segurando suas mãos.
- Diga tudo.
Gina respirou fundo antes de dizer timidamente:
- Tenho medo de estar fazendo besteira.
Hermione a olhou, confusa.
- Poderia ser mais clara, que tal? – brincou, fazendo a amiga rir e relaxar.
- Recebi uma carta de mamãe... Ela me pediu, com todas as letras, que acabasse de uma vez com meu namoro com Draco, porque ele não é o cara certo para mim.
Os olhos da morena arregalaram-se.
- Você contou para sua mãe sobre Draco?
- Não. – falou tristemente. Ela respirou fundo outra vez. – Rony o fez.
- O quê? Mas... Por quê?
- Ele não é o maior fã de Draco, sabe? – ironizou a jovem. Ela deu de ombros, cansada. – Acho que nunca aceitou nosso namoro. Só tinha ficado calado porque não tinha como impedir. Agora ele percebeu que ainda pode apelar para mamãe.
- Que absurdo, Gina! Rony não tem o direito de se meter na sua vida!
- Eu sei. Acredite em mim, já fiz o maior escândalo por causa disso. Ele não vai me perturbar por um bom tempo, mas... – suspirou – Não tem mais importância. Uma hora meus pais iriam ficar sabendo...
- E o que dizia a carta?
Gina não respondeu, tirando um pergaminho de dentro de um bolso e entregando à Hermione.
- Veja você mesma.
“Querida Gina...
Fiquei sabendo por intermédio de seu irmão coisas que não esperava de você!
Minha filha, que história é essa de se envolver com Draco Malfoy? Sei que agora todos vocês são amigos, e não tenho nada contra. Apesar de tudo, já o recebi em minha casa e tive a prova de que ele realmente mudou.
Mas tudo tem limite, Ginevra! E namorar esse rapaz está, com toda certeza, muito além desse limite!
Quero se afaste do menino Malfoy, minha querida, e o mais rápido possível. Antes que as coisas fiquem fora de controle... Lembre-se: ele ainda é um MALFOY! A família dele já nos humilhou muito no passado, e por mais que não o façam agora, é bastante claro o quanto são diferentes de nós. Seu pai também está querendo o fim desse romance, e já!
Esperando que você tome juízo,
Mamãe.”
- Gina... – falou Hermione, completamente pasma – Estão proibindo você de namorar Malfoy!
- É, eu notei – respondeu a moça, pegando a carta e voltando a guardá-la no bolso. – Honestamente, eu tinha um palpite que isso iria acontecer, por isso não contei antes.
A morena notou o quanto aquilo estava sendo desconfortável para a amiga.
- E como se sente? – falou carinhosamente.
Gina deu de ombros.
- Como deveria me sentir, não é? – falou triste – Horrível.
- Oh Gina...
A ruiva ficou com os olhos marejados, mas não chorou.
- Sabe o que é pior, Mione? – a outra moça negou – Eu realmente gosto dele... De Draco. Aquela doninha... – ela riu ao lembrar que o namorado detestava o apelido – Realmente me faz bem.
Hermione ficou sem saber o que dizer. Voltou a segurar as mãos da amiga, enquanto ela lutava para não chorar.
- Tenho medo de estar fazendo besteira, Mione... Tenho medo de que namorar Draco seja a coisa errada...
- Mas você o ama.
Gina a olhou, como se estivesse surpresa com o comentário. Teve que confessar para si mesma que nunca tinha pensado na possibilidade de amar de verdade o namorado.
- Eu não sei. – falou sincera – Apenas gosto de estar com ele. Ele sempre me dá chocolates...
Hermione sorriu junto com ela.
- E ele gosta de mim, eu sei que sim... – deu um sorriso bobo ao dizer, fixando seus olhos na paisagem além da janela – Ele sempre parece ansioso quando nos encontramos, com aquele sorriso misterioso que sempre tem nos lábios. É como se carregasse um segredo que só ele sabe, e sorri satisfeito quando percebe que eu não sei o que se passa em sua mente... – uma lágrima solitária caiu em seu rosto, e ela voltou seu olhar para Hermione, forçando um sorriso divertido – Acho que estou apaixonada por ele.
- Eu acho que o ama... – falou docemente, enxugando o rosto de Gina – Apenas não está preparada para admitir isso.
- Claro que não estou! Até ano passado achei que amava Harry!
- Eu sei, mas... – ela soltou um suspiro – Não é diferente agora? Ou você sente por Draco algo que sempre sentiu por Harry?
A ruiva hesitou.
- Você o ama, Gina. – falou firme, mas sem deixar o tom meigo – Não cometa o mesmo erro que eu: não negue seu amor por mais tempo...
Os olhos castanhos de Gina marejaram com as palavras de Hermione. Não resistiu e rendeu-se a um abraço, chorando no colo da amiga pelo que pareceram horas. A morena acariciava os cabelos da caçula Weasley, sofrendo ao ver a amiga tão triste.
- Eu lhe contei do natal que passei com Harry? – comentou de repente, chamando a atenção da outra – Harry e Draco formaram uma dupla e fizeram muito sucesso na festa!
- É mesmo?
- Sim – sorriu ao ver que a amiga se distraíra do assunto anterior. – Cantaram músicas lindas, você precisava ter visto! Acho que tenho uma foto aqui, em algum lugar.
Hermione saiu da cama e remexeu em sua escrivaninha, achando uma pequena fotografia.
- Consegui com Dênis Creevey. – ela lhe deu a foto – Achei que ia gostar de saber que Draco cantou para você.
- Para mim? – ela perguntou confusa, ao mesmo tempo em que admirava, sorridente, Harry e Draco cantando em um palco pequeno, cada um segurando uma guitarra.
- Sim. Sabia que aquele loiro não iria lhe contar, então gravei firmemente na memória! – Hermione pegou a varinha e um frasco, puxando um filete prateado da cabeça e guardando no pequeno vidro. – Tome. Peça à McGonagall para usar a Penseira de Dumbledore um dia. Diga que fui que lhe pedi.
- Tanta moral assim? – ironizou, e Hermione riu, dando de ombros.
- Acontece quando se é a melhor aluna da escola.
- Por que demorou tanto? – Harry falou indignado – Estou te esperando há quase meia hora!
- Desculpe, demorei a acordar – Hermione se aproximou, enlaçando-o pelo pescoço e beijando seus lábios com paixão. O moreno se rendeu rapidamente, abraçando a namorada com carinho e retribuindo o beijo na mesma intensidade. Ela parou o beijo, um sorriso vitorioso nos lábios. – Estou perdoada?
- Com certeza – ele murmurou, voltando a beijá-la.
Draco caminhava apressado pelos corredores, perguntando-se que motivo Gina poderia ter para chamá-lo em plena manhã de domingo. Mal prestava atenção nos alunos que passavam ao seu lado, olhando curiosos para aquele loiro ligeiramente desarrumado. Subiu depressa as escadarias, um sorriso bobo nos lábios. Ainda perdido em pensamentos, ficou imaginando que, há alguns meses, a ideia de encontrar-se com um Weasley (principalmente com uma Weasley) teria lhe deixado apavorado. “Enojado, talvez”, pensou irritado. Mas agora... O sorriso em seus lábios aumentava ao pensar na bela ruiva com quem namorava. “É Malfoy, o cupido realmente te acertou!”, riu consigo mesmo. Só em pensar nos beijos de Gina... Ele fechava os olhos, extasiado!
Amava-a...
Passou semanas tentando negar, mas isso já não era mais possível. A simples companhia de Ginevra Weasley era o suficiente para iluminar seu dia. Mesmo quando ela apenas comia chocolates em silêncio ao seu lado, Draco não conseguia imaginar outro lugar para estar além de ali, bem do lado dela. E as risadas bobas após grandes doses do doce pareciam deixá-la mais linda...
“Preciso encontrar Gina”, pensou três vezes, indo e voltando na frente de uma parede vazia. Uma porta surgiu do nada, revelando a Sala Precisa. Entrou sem fazer barulho, deparando-se com uma sala grande e confortável, decorada nas cores vermelho e dourado. “Mania de grifinórios”, pensou sorridente. Gina apreciava a vista de uma janela do lado oposto à porta.
- Hei... – ele se aproximou dela, afastando seus cabelos e beijando seu pescoço. A moça deu um pulo, assustada. Ele riu. – Desculpe.
Gina virou-se, um pequeno sorriso em seu rosto. Draco a beijou.
- Vai me dizer o motivo desse encontro matinal? – ela confirmou com a cabeça, e o loiro notou uma sombra passar por seus olhos – Hei... O que foi?
Ela não falou nada. Tirou um pedaço de pergaminho do bolso e entregou ao rapaz, que começou a ler rapidamente, curioso. Seus olhos arregalaram-se ao fim da carta, incapaz de dizer alguma coisa.
- Gina...
- É, eu sei – ela tomou a carta de suas mãos, jogando-a na lareira ali perto. – Nada agradável, não é?
Há semanas que aprendera sobre as constantes alterações de humor da garota à sua frente... Há dias ele notara que ela nem sempre demonstrava o que sentia... Draco a abraçou, esperando por sua rendição, que chegou mais rápido do que esperava.
- Ela não tem o direito... – ouviu-a falar chorosa em seu ouvido – Eles não têm direito nenhum de me dizer o que fazer... Nós dois...
- Shh, vem cá... – ele a puxou para um confortável sofá. Gina sentou ao seu lado, escondendo o rosto em seu ombro, e ele a abraçou carinhosamente, acariciando seus cabelos macios.
Gina não demorou a recuperar a compostura, enxugando rapidamente o rosto e voltando a olhá-lo.
- Fui falar com Hermione ontem, e... – ele notou sua hesitação – Ela acha que não devo desistir de nós dois.
- Pois eu concordo com ela! – falou divertido, arrancando um sorriso da moça – Nós sabíamos que iria ser difícil, não é? – ela concordou – Mas não se preocupe... Não vai se livrar de mim assim tão fácil!
Gina riu.
- Você é um conquistador barato!
- Sim, sabíamos disso também... – ele brincou, e riu quando ela deu um tapinha em seu ombro, indignada – Estou brincando, ruiva!
Ela balançou a cabeça em negativa, reprovando sua atitude. Mas Draco sabia que tentava controlar o sorriso com todas as forças.
- Ah! – exclamou a moça – Hermione me contou uma coisa que, juro que se não tivesse uma foto para provar, nunca iria acreditar!
Tirou de outro bolso uma fotografia bruxa, em que ele e Harry estavam cantando no último natal.
- Olha só! Não é que registraram mesmo?
Gina o olhou confusa.
- Pedi para gravarem, já que não estava ali. – ele respondeu à sua pergunta muda, distraído com a imagem em movimento – Você precisava ter visto a quantidade de garotas que ficaram loucas quando terminamos de cantar! Fui assediado por quase um mês!
A jovem deu-lhe outro tapinha, fazendo-o rir.
- Era para mim a música que cantou? – ela perguntou depois de um tempo, tirando-o de seus pensamentos.
Ele lhe sorriu, beijando delicadamente seus lábios.
- Para quem mais seria?
- Para as garotas malucas que ficaram pedindo bis? – ironizou.
- Hermione te contou isso também? – falou sorridente.
- Não, eu vi.
- Viu?
- Sim... Em uma lembrança...
Draco engoliu em seco, nervoso. Na festa dissera que a música era para uma pessoa especial, e até brincara que era para gravarem. Mas, por Merlin, ele estava com Gina há apenas três semanas! Na hora nem percebeu a profundidade de suas palavras, e temia que Gina soubesse daquilo justamente por ainda não saber o que sentia pela ruiva...
- Gina...
- Eu sou uma pessoa especial, Draco? – ela perguntou direta.
- Claro que é! Que pergunta imbecil...
- Você não me entendeu – ela desviou o olhar por alguns instantes. – Eu estou mesmo valendo uma briga entre nossas famílias?
Draco teve vontade de gritar “sim” mil vezes! Ou segurá-la pelos braços, sacudi-la até que entendesse de uma vez por todas que aquilo tudo deixara de ser brincadeira há muito tempo. Deixara de ser apenas um “vamos ver se esse namoro dá certo”, transformando-se num profundo “não posso mais viver sem você”... Mas nada saía de sua boca.
- Malfoy, eu...
O loiro a interrompera bruscamente, segurando o rosto dela com ambas as mãos e puxando-a para um beijo apaixonado.
- Eu a proíbo... – ele sussurrou a centímetros de seus lábios, encarando aqueles olhos castanhos firmemente – Para sempre... Nunca mais me chame pelo sobrenome.
Ela deu um sorriso triste.
- Você é um idiota...
- Não importa. – ele a beijou mais uma vez – Eu te adoro demais pra te deixar sair da minha vida! – outro beijo – Você é para mim como o chocolate é para você: um vício maravilhoso, que me faz sorrir a cada dia que passa... – beijou-a de novo, respirando fundo antes de dizer, encantado com aqueles olhos cor-de-chocolate: – Eu a amo...
Ted tagarelava sem parar. Olhava para ele e para Hermione, perguntando-se como ela não ficava confusa com tantos monossílabos ininteligíveis.
- É mesmo, meu amor? – ela perguntava ao garotinho, genuinamente interessada no que ele tinha a dizer, apesar de não entender nada. Harry sorriu.
Os três estavam na casa de Andrômeda há algumas horas. Hermione se oferecera para dar sua primeira papinha ao menino, que adorou a mudança na hora de comer. A moça ficara lambuzada até os cabelos! Harry gargalhara com a sujeira, Hermione logo o acompanhando nas risadas. Ela foi se limpar no pequeno banheiro ao lado da sala, e o moreno resolveu limpar o garotinho em seu quarto. A jovem apareceu logo depois, já arrumada, e pegou Teddy do colo de Harry, colocando-o no chão e passando a brincar e a “conversar” com ele. O rapaz teve que admitir que a namorada era muito jeitosa com seu afilhado, demonstrando uma infinidade de vezes uma paciência surpreendente.
- Harry? – ouviram a voz de Andrômeda vinda do andar de baixo.
- Aqui em cima – gritou de volta.
Ela apareceu em poucos segundos, dando um beijo no neto e chamando Harry para conversarem em particular.
- Está tudo bem, Sra. Tonks? – perguntou assim que ela fechara a porta do escritório.
- Harry, eu andei pensando esses dias e... O aniversário de Teddy não está longe, e... – ele a olhou, curioso com sua hesitação – É pedir demais para Hermione ser madrinha de Ted?
O rapaz arregalou os olhos, surpreso.
- Tudo bem se não puder, é sério – ela falou logo. – Só achei que... Eles se dão tão bem! Eu vejo o quanto Ted se sente bem na companhia dela... E agora que vocês dois estão namorando, imaginei que seria ótimo para os dois lá em cima...
Andrômeda hesitou mais uma vez.
- É claro que foi só uma ideia. Eu vou entender se não quiser, se ela for apenas mais uma namorada, e...
- Está brincando? – ele a interrompeu, um grande sorriso brotando em seus lábios – Eu adorei! Tenho certeza que Hermione ficará empolgadíssima com o pedido.
A animação da morena foi dez vezes maior do que Harry descrevera. A moça até deixara escapar algumas lágrimas de emoção.
- Claro que aceito, claro que aceito! – falou bobamente, abraçando o menino em seu colo – Há tempos que venho pensando em pedir isso da senhora, mas pensei que gostaria de outra pessoa para ser madrinha de seu neto, afinal eu e Harry somos tão jovens...
Ela parou de falar com o olhar que recebeu do namorado. “Está falando demais!”, dizia seus alegres olhos verdes, e Hermione lhe sorriu, agradecida.
- Ótimo, ótimo – disse a senhora. – Quando podemos registrar isso no Ministério?
Os olhos de Gina demonstraram surpresa, tentando assimilar o que Draco acabara de dizer.
Ele a amava...
O coração da jovem disparou, e ela achou que não teria forças para continuar...
- Você... – gaguejou – Você me ama?
Draco a olhou com carinho, acariciando seu rosto com as mãos.
- Amo – falou olhando em seus olhos. – Desculpe ter demorado tanto para dizer.
- Sem problema – foi o que conseguiu responder, envergonhada.
O rapaz pareceu decepcionado por um instante, e Gina percebeu o quanto ele desejava que o sentimento fosse recíproco. “E é!”, pensou consigo mesma. “Só não sei se é tão profundo quanto o dele”.
- Preciso... – ela se levantou bruscamente, de repente necessitando de ar fresco – Preciso ir.
E saiu da Sala Precisa, deixando um sonserino dividido entre a decepção e a raiva.
- Posso falar com você? – Hermione tomou um susto com a voz, repreendendo-se por sentir um leve temor no coração.
- O que quer? – falou mais grossa do que pretendia.
- Só conversar, eu juro.
Ela o olhou fixamente pelo que pareceram vários minutos, tentando entender o que Ronald Weasley teria para falar com ela. Depois de concluir que não tinha do que ter medo, convidou-o a sentar ao seu lado no sofá, no vazio Salão Comunal. O ruivo aproximou-se, hesitante. Hermione tirou os livros do colo e os apoiou numa mesa próxima, virando-se para Rony e o olhando firmemente nos olhos.
- Diga logo o que quer.
Ele hesitou.
- Sinto falta de vocês... De ti e de Harry...
Hermione franziu o cenho, desconfiada.
- Pensasse nisso antes de agir como um idiota!
Levantou-se furiosa, mas Rony segurou seu braço a tempo.
- Solte-me!
- Não vou machucá-la, Mione! – falou aflito – Só quero uma chance para conversar!
- Teve milhões de oportunidades de se tornar uma pessoa melhor, Weasley! – ela percebeu que o ruivo tremera ao frisar seu sobrenome – Mas não... Preferiu me trair, arranjar um caso com Luna! E ainda por cima ter a indecência de sair com nós duas! Achou o quê? Que sou um troféu para você?! E que Luna era só um passatempo passageiro?
- Claro que não! – falou rapidamente – É por isso que estou aqui! Vim lhe dizer que estou apaixonado!
Hermione deixou o queixo cair, a surpresa tomando conta de cada pedaço de seu ser. Rony deve ter notado isso em seus olhos, pois a soltou aos poucos.
- Por favor, deixe-me falar tudo...
Ela confirmou com a cabeça, sem saber direito como agir.
- Sim, eu confesso – ele começou nervoso. – No começo fiquei com Luna apenas por diversão. Eu a achei... Exótica. – Hermione o olhou feio – Mas isso mudou com o tempo! As palavras dela me deixavam cada vez mais fascinado! Eu sempre a achei demais, mas conviver com ela me pareceu tão... – ele procurou uma palavra apropriada – Certo...
A morena engoliu em seco, sentindo o coração palpitar ao ouvir aquilo. Não amava mais Rony, talvez nunca o tivesse feito. Mas, mesmo assim, era difícil...
- Sim mais uma vez, eu não me separei de você na época porque a considerava como um troféu – ele falou envergonhado. – Sempre tive ciúmes de você com Harry, e temia que ficassem juntos. Sempre odiei ser a sombra de Harry Potter! – ele soltou um longo suspiro – E quando eu percebi que você tinha se apaixonado por mim, eu agarrei a chance. “Eu conquistei Hermione Granger, a garota mais inteligente de Hogwarts!”, eu pensava. Eu a tratei como recompensa por tanto sofrimento que passei, quando deveria ter te tratado como uma mulher especial que Merlin colocou em minha vida...
Hermione deixou cair uma lágrima, o rosto ainda sério pelas palavras do ruivo. Ele aproximou a mão, a fim de enxugar seu rosto, mas ela se afastou. O rapaz soltou outro suspiro.
- Quando terminamos, eu fiquei irado com tudo que aconteceu. As coisas tinham fugido de controle, e a situação ficou muito pior do que eu pensava... Luna brigou comigo por semanas a fio, você e Harry se afastaram de mim e começaram a namorar, Gina e Draco estão mais firmes do que nunca...
- Bem lembrado! – ela o interrompeu – Você não tinha direito nenhum de escrever aquela carta! Gina ainda não estava pronta para contar para seus pais sobre o namoro!
- Eu sei! – falou agoniado – Apenas não gosto de vê-los juntos! Draco sempre foi um idiotazinho mimado e arrogante. Ainda acho que está apenas com segundas intenções para com a minha irmã!
- Não está – respondeu firme. – Draco a ama. Tenho certeza disso a cada dia que passa.
- Como pode...?
- Eu vejo nos olhos dele... – interrompeu novamente – Ele tem o mesmo brilho nos olhos que vejo em Harry. Um olhar apaixonado, capaz de fazer qualquer coisa pela mulher que ama...
Rony engoliu em seco.
- Você está muito longe de entender o que é o amor, Ronald. – falou decidida, levantando mais uma vez e o olhando friamente antes de decretar: – Eu tenho pena de você...
Estava se aproximando de seu quarto quando ouviu um último sussurro de Rony:
- Eu amo Luna... De verdade.
- Eu devo ser um idiota por estar aqui de novo! – falou irritado, assim que entrou na Sala Precisa.
A decoração da sala estava a mesma de quando entrara ali de manhã. Draco pareceu ainda mais furioso.
- Vim pedir desculpas por ter partido tão bruscamente hoje mais cedo.
O loiro não demonstrou a surpresa que sentia. Gina estava longe de aparentar qualquer tipo de sentimento, quanto mais arrependimento.
- Nossa, como você é sincera! Estou emocionado – falou irônico. Ela deu de ombros.
- É um dom.
- Odeio sua frieza, Weasley! – voltara à sua ira – Faz com que eu me sinta um insignificante!
- É uma pena que não o seja.
Draco viu um lampejo em seus olhos. Fora tão rápido, que ele ficou em dúvida se realmente vira o que seu coração tanto ansiava... Ela rebatia suas frases depressa e com maestria, mas ele notou um pingo de emoção em seus olhos.
- O que quer?
- Já disse. Vim pedir desculpas. Acho que minha atitude deve ter te deixado chateado.
- Chateado?! – ele quase gritou, indignado – Eu pareço ''chateado''? Estou FURIOSO, Weasley! Você não faz ideia do quanto!
- Sinto muito.
- Não parece.
- É uma pena.
O rapaz não aguentou mais aquilo. Andou rapidamente na direção de Gina, enlaçando sua cintura e roubando um beijo na boca, que ela retribuiu com vigor.
- Não tente parecer uma insensível, Gina... – ele sussurrou, bem próximo aos lábios dela – Não combina com você.
Os olhos cor-de-chocolate que Draco tanto adorava rapidamente ficaram marejados, demonstrando uma tristeza sem fim. Ele sentiu suas bases tremerem ao ouvir a doce voz da moça declarando:
- Eu também te amo...
Ele encarou seus olhos, vendo a sinceridade e a paixão, e rendeu-se completamente ao sentimento que o transformava cada vez mais. Beijou-a outra vez, sentindo o coração bater mais forte a cada segundo que passava. O beijo foi ficando mais intenso, mais apaixonado, e ele se perguntou se conseguiria parar a tempo. Gina, felizmente, decidiu por ele, afastando os lábios dos seus e o olhando apaixonadamente.
- Me ame esta noite, Draco... – sua voz estava carregada de emoção, e Draco tremeu mais uma vez – Torne-me sua mulher. Só sua...
Hesitou.
- Tem certeza?
Ela confirmou com a cabeça, um lindo sorriso nos lábios. O loiro viu o sofá ao seu lado se transformar numa grande cama branca com dossel, decorada com belos tecidos da mais pura seda. Depois de conseguir assimilar tudo aquilo que voltou os olhos para sua ruiva, devolvendo-lhe o sorriso. Andaram até a cama e ele a deitou com cuidado, sentindo-a tremer.
- Você confia em mim? – ele perguntou docemente em seu ouvido. A moça confirmou, nervosa. – Então relaxe. Não vou machucá-la.
- Sei que não.
Draco a beijou tão carinhosamente em seguida, que Gina relaxou de vez, entregando-se por completo ao amor que sentia...
- Por que está acordada a essa hora?
Hermione abriu um sorriso.
- Estou sem sono.
Harry chegou mais perto, abraçando-a por trás e escondendo o rosto em seu pescoço.
- Adoro seu cheiro... – ouviu-o sussurrar, encantado. Ela sorriu novamente, encostando sua cabeça na dele.
- Preciso te falar uma coisa.
- Diga.
Ela hesitou.
- Rony me procurou essa noite, antes de eu chamá-lo para vir aqui. – Harry levantou o rosto no mesmo instante, soltando-a e encarando firme seus olhos. Hermione temeu uma explosão do namorado. – Por favor, não me olhe assim. Não aconteceu nada.
Não é com isso que estou preocupado.
Suspirou.
- Ele queria conversar – falou rapidamente. – Tentei ignorá-lo, mas não consegui. Suas palavras foram sinceras, Harry! Tenho certeza que sim.
- Tão sinceras quanto ele foi durante os meses que namorou contigo?
Sua ironia a magoou.
- Por favor, deixe-me terminar... – implorou, tentando a todo custo evitar as lágrimas – Ele está apaixonado, Harry. Apaixonado por Luna.
O rapaz ficou ainda mais sério, e Hermione teve certeza que ele entendera errado.
- Imagino que isso deve ter te afetado muito.
- Harry... Por Merlin, eu amo você! Não duvide disso, por favor! – ela se aproximou dele, abraçando-o forte. – Eu o amo...
- O que mais ele disse?
- Que sente nossa falta... Que o tempo que passou com Luna o fez enxergar que a ama e que ainda somos os melhores amigos que ele poderia ter.
Ele se afastou um pouco, apenas para olhá-la.
- E eu sei que também sente falta dele. – Harry ficou sério novamente – Eu também sinto.
- Ronald é um monstro! Ainda tenho vontade de matá-lo quando o vejo.
- Mas nunca seria capaz disso, porque apesar de tudo, ele também é seu melhor amigo. – percebeu que o rapaz ficara com a respiração acelerada, hesitante com as palavras que saíam de sua boca – Vamos esquecer o passado, Harry, por favor! Eu não aguento mais ter medo de Rony cada vez que nos cruzamos pelo corredor.
Harry a soltou mais uma vez, desviando seus olhos e voltando para a cama. Hermione o seguiu, abraçando-o assim que se deitaram.
- Prometa que ao menos vai pensar nisso.
O moreno hesitou.
- Por mim...
Olhou para aqueles olhos verdes, e eles brilharam. Harry a beijou antes de decretar:
- Eu prometo.
“I could stay awake just to hear you breathing (Eu poderia ficar acordado só para ouvir você respirar)
Watch you smile while you are sleeping (Ver você sorrir enquanto você está dormindo)
While you're far away and dreaming (Enquanto você está longe e sonhando)
I could spend my life in this sweet surrender (Eu poderia passar minha vida nesta doce rendição)
I could stay lost in this moment forever (Eu poderia ficar perdido neste momento para sempre)
Every moment spent with you (Cada momento gasto com você)
Is a moment of treasure (É um momento precioso)” (*)
Acordou nas primeiras horas da manhã, com o sol dando suas primeiras aparições depois de um longo inverno. A primavera ainda estava longe, mas Gina logo se animou ao ver seu “deus” forte e amarelado. Olhou para o outro lado e viu Draco esparramado na cama, os cabelos loiros completamente desarrumados e caindo sobre seus olhos. Sorriu envergonhada ao vê-lo somente com as partes íntimas cobertas, enquanto ela tinha o cobertor até o pescoço.
Tentou não pensar na noite que passara ao lado dele, mas foi impossível. Naquela madrugada, Gina conhecera um lado de Draco que nunca imaginara existir... Surpreendera não somente pelo carinho que tinha ao beijar cada pedacinho de seu corpo, mas pelo respeito que demonstrara ter... Ele tirou suas peças de roupa devagar, sempre olhando nos olhos dela e a beijando docemente em cada parte descoberta. A ruiva logo ficara ofegante com os beijos cada vez mais quentes do namorado, chegando a implorar que ele fizesse todo aquele calor passar.
Seu rosto corou ao lembrar-se das últimas roupas tiradas de cada um, e no quanto ficara envergonhada ao vê-lo completamente nu. Draco sorrira ao ver que ela desviava o olhar de seu corpo, sussurrando docemente em seu ouvido:
- Você é linda, minha flor...
Ela sentiu o coração acelerar tanto quanto na hora que ele lhe dissera aquilo. Abriu um sorriso bobo ao olhá-lo novamente e relembrar o momento que eles se tornaram apenas um... O loiro fora um perfeito cavalheiro, tomando-a em seus braços fortes na hora que a penetrava devagar. Sentira uma dor incômoda, mas Draco a abraçara forte, movendo-se devagar e fazendo a dor passar aos poucos.
- Eu a amo... – ele murmurara vez ou outra em seu ouvido.
Gina entregara o coração mais uma vez, passando a movimentar-se junto com ele. Draco acelerou as investidas, o fogo dentro de cada um aumentando a cada segundo. Chegou um momento que a moça já não tinha mais forças para continuar, e deixou uma força maior que ela tomar conta de seu corpo, fazendo-a se arrepiar e tremer o corpo. O rapaz lhe sorrira, satisfeito, beijando-a mais apaixonado e entregando-se ao orgasmo logo em seguida. O corpo do loiro pesara sobre o seu, e ela soube que a partir daquele momento não havia mais volta.
Eles se amavam.
- Pensando em mim?
Gina se assustou com a voz de Draco ao seu lado, olhando-a tão bobamente. Ela lhe sorriu, apaixonada, e o beijou. Draco a abraçara com força.
- És minha agora – ele falou em seu ouvido, notando um leve temor em sua voz. – Nada nem ninguém será capaz de te afastar de mim...
A jovem o olhou, emocionada.
- Nunca...
Draco sorriu também, passando a beijá-la e repetir a dose de amor daquela madrugada...
O sábado não demorara a chegar, e Hermione agradeceu aos deuses pelo excelente começo de fim de semana. O sol mostrara suas primeiras aparições naquela longa semana, e agora parecia que ficaria de vez. Ela sorriu, bem-disposta, e tomou um banho antes de sair do quarto. Procurou Harry no dormitório do sétimo ano, mas Dino lhe informara que o moreno descera havia horas. Estranhou, pois não eram nove da manhã. Deu de ombros e resolveu descer para o café da manhã, acenando para Gina que tomava o desjejum na mesa da Sonserina.
Pensava em Gina, e no quanto parecia mais radiante ao lado de Draco, quando alguém lhe abraçou pelas costas. Sorriu ao sentir o carinho dos braços de Harry.
- Senti saudades, minha pequena...
Hermione se virou, passando seus braços ao redor do pescoço do moreno e o beijando apaixonadamente.
- Minha nossa, parece que passei a semana sem você! – falou dengosa, mexendo nervosamente nas roupas do rapaz.
- Nem me fale. Ainda tenho uma pilha de trabalhos me esperando lá em cima.
Ela fez uma careta incômoda.
- Poderia ter feito durante a semana.
- E o que acha que tentei fazer?
A moça riu de sua indignação, puxando-o para a mesa da Grifinória.
- Planos para hoje? – perguntou casualmente.
Harry engasgara-se, evitando seus olhos enquanto murmurava um simples “sim”.
- O que foi?
- Nada.
- Harry...
- Depois, Mione.
A curiosidade sempre fora seu ponto fraco, e Harry sabia disso. Só relaxou ao perceber que ele a chamara pelo apelido, então não poderia ser algo tão sério, certo?
- Ora, vamos! Está me enrolando! – falou indignada, depois de vê-lo comer por quase meia hora – Diga logo o porquê de tanto suspense.
Ele soltou um longo suspiro, sussurrando um “aqui não” e puxando-a pela mão para fora do Salão Principal.
- Onde estamos indo?
- Atrás de uma sala vazia no primeiro andar.
- Por que no primeiro andar?
Harry não respondeu, continuando a andar calmamente até o andar superior, onde não demoraram a achar um cômodo vazio.
- Aqui está bom.
- Bom para quê?
O garoto a levou até a mesa do professor e colocou ali uma pequena caixa marrom, tirada do fundo do casaco.
- Isso é para mim? – perguntou desconfiada.
- Não.
- Ainda vai continuar com suspense?
Harry a olhou, mostrando nervosismo.
- Vem aqui...
Ele a segurou pela mão e a trouxe para mais perto de si. Harry demorou a fixar seu olhar no seu, acariciando e admirando seu rosto e cabelos por um longo tempo.
- Harry? – ele a olhou, e a moça teve medo do que via nos olhos dele. Tristeza? Confusão? – Está tudo bem?
- Sabe que eu a amo, não sabe? – falou rouco.
- Claro que sei.
- E sabe que faço qualquer coisa por você, não é?
- Harry... – indagou cautelosa – O que você fez?
O rapaz uniu seus lábios num singelo beijo, brincando com seu nariz ao fim, e olhando fixamente para seus olhos castanhos.
- Eu a amo tanto...
- Harry, – falou preocupada – diga de uma vez o que aconteceu!
- Ele me chamou aqui.
A voz alta de Ronald Weasley ecoou pela sala vazia.
Rony encontrou um bilhete ao lado de sua cama assim que acordara. Leu o recado no pedaço de pergaminho e os olhos arregalaram-se com o pedido:
“Encontre-me na primeira sala vazia do primeiro andar, logo após o café da manhã.
Precisamos conversar.
Harry.”
Arrumou-se depressa, querendo partir para o Salão Principal logo cedo. Seus colegas de quarto provavelmente pensaram que já estava com fome, mas não se importou. Apressou-se mais ao perceber que Harry já saíra do quarto. Ficou algumas horas esperando-o no salão, mas ele só apareceu por volta das nove, junto de Hermione. O conhecido ciúme tomou conta de si, mas lembrou-se que aquilo não fazia mais sentido. Hermione não era mais sua namorada, e sim de Harry. Deveria ficar feliz por vê-los juntos...
Mas não conseguia.
Apesar de ter pedido desculpas da moça no último domingo, ainda se sentia traído por seus melhores amigos, que nunca lhe confessaram que estavam apaixonados. Tudo bem, Harry praticamente jogou na sua cara que era louco por Hermione na tarde que lhe batera, mas o ruivo não ligara para isso na hora. Todas as frases que o moreno lhe proferira, sempre com um lado apaixonado oculto, voltaram à mente apenas quando os vira aos beijos pela primeira vez.
Saiu de seus pensamentos ao perceber que o casal terminara de comer e saíra do grande salão, aos cochichos. Rony deu-lhes alguns minutos de dianteira, respirando fundo antes de se levantar e seguir pelo mesmo caminho. Chegou ao primeiro andar e ouviu as vozes dos dois, ainda baixas. Abriu a porta da primeira sala que encontrou, silenciosamente, e os viu abraçados, trocando olhares profundos e apaixonados.
- Sabe que a amo, não sabe?
Hermione sorriu, os olhos brilhando.
- Claro que sei.
- E sabe que faço qualquer coisa por você, não é?
“Até mesmo falar comigo”, pensou Rony tristemente. Ele engoliu em seco, finalmente entendendo o que Hermione lhe dissera em sua última conversa.
“Muito longe de entender o que é o amor...”, a voz da moça ecoou em sua cabeça.
Olhando para os dois, tão belamente juntos e apaixonados, Rony não teve como negar.
“Talvez eu finalmente tenha entendido...”.
- Harry, – falou Hermione com a voz fina e preocupada – diga de uma vez o que aconteceu!
- Ele me chamou aqui – anunciou sua presença, tentando parecer mais calmo do que aparentava.
Harry virou-se para o rapaz na porta da sala, franzindo o cenho sem perceber. “Por Mione... Somente por ela!”, pensou o rapaz, tentando controlar a repentina raiva. Hermione afastou-se um pouco, o rosto mostrando confusão.
- O que está fazendo aqui? – a voz da moça mostrando sua clara indignação.
- Harry me chamou aqui.
- Por que fez isso? – ela se voltou para o moreno, que tinha o rosto sério.
- Porque me pediu...
Hermione arregalou os olhos, finalmente entendendo o que tudo aquilo significava. Harry confirmou com a cabeça ao ver a compreensão passar pelos olhos da garota.
- Tem certeza? – o nervoso estava claro em sua voz – Não precisa fazer isso se não quiser.
- Eu quero.
Os olhos dela marejaram.
- Sente falta dele, não é? – ela falou baixinho, e ele confirmou mais uma vez.
Harry desviou o olhar do dela, fixando-o em Rony, que permanecera quieto em seu canto, o rosto impassível.
- Eu o chamei aqui... – hesitou por um instante, sem saber direito como continuar – Porque quero ouvir da sua boca o que Mione me contou.
O jovem Weasley mudou o semblante, o rosto ficando vermelho como um tomate.
- Fui pedir desculpas de Mione, por tê-la magoado tanto. – ele começou nervoso – E dizer que estou sentindo a falta de vocês dois.
- Por que essa mudança tão de repente?
- Eu percebi... – falou envergonhado – Que vocês dois se gostam, e que não tenho nada com isso. Acho que até aprovo... Vocês sempre se gostaram tanto, e... – ele deu uma risada nervosa – A escola inteira achou que era só uma questão de tempo até ficarem juntos.
- E Luna?
Rony deu um sorriso pequeno.
- Eu gosto dela, de verdade. Estamos nos conhecendo melhor, e a cada dia que passa sei que meu lugar é ao lado dela...
Harry engoliu em seco, fazendo esforço para acreditar nas palavras de Rony. O ruivo parecia sincero, mas Harry ainda estava magoado demais para perdoar. “Por Hermione!”.
- Tem algo dentro da caixa – o moreno falou apontando para a mesa, tentando parecer indiferente. – Veja se lhe serve.
Rony fez uma careta confusa, enxergando a pequena caixa marrom e se aproximando dela. Abriu-a, e o casal pôde ver os olhos do ruivo brilharem em contentamento.
- Como... – ele gaguejou, olhando para Harry, ainda abalado pela surpresa – Como...?
- Um pequeno favor que pedi a Kingsley.
Hermione também pareceu confusa, aproximando-se de Rony e finalmente entendendo a causa de tanta emoção. Dentro da caixa repousava um par de luvas para goleiro, de primeira qualidade. A moça apostou que os olhos do rapaz ao seu lado não brilhavam apenas por causa das luvas novas, mas sim pelo autógrafo do tão conhecido goleiro do Chuddley Cannons, assinado na costa da luva esquerda.
- Para dar sorte – Harry falou simplesmente, e Rony o olhou agradecido. – Espero você no treino de hoje à tarde.
Harry então partiu em direção à porta, com Hermione tratando de segui-lo.
- Harry! – o outro rapaz chamou no último instante. O moreno o olhou. – Como posso agradecer?
Deu de ombros, um pequeno sorriso em seus lábios.
- Não deixe nenhum gol da Lufa-Lufa passar por aqueles aros, e considerarei a dívida paga.
Rony sorriu novamente, a felicidade e a gratidão estampada em seu rosto. Harry saiu da sala acompanhado de Hermione, que lhe sorria emocionada.
- O que foi?
- Foi um gesto nobre que tomou. Ele não merecia tanto...
- Eu sei. Mas acho que ele deve ter sofrido o suficiente na segunda-feira.
- É verdade – ela comentou, pensativa. – Mas não dava para esperar que chegássemos com ele e vibrássemos com seu aniversário, não é?
Harry riu de sua ironia, passando o braço por sua cintura e a levando para um passeio pelos jardins de Hogwarts.
“Laying close to you (Deitado perto de você)
Feeling your heart beating (Sentindo seu coração batendo)
And I'm wondering what you're dreaming (E eu estou querendo saber o que você está sonhando)
Wondering if it's me you're seeing (Querendo saber se sou eu que você está vendo)
Then I kiss your eyes and thank God we're together (Então eu beijo seus olhos e agradeço a Deus que estamos juntos)
And I just want to stay with you (E eu só quero ficar com você)
In this moment forever, forever and ever (Neste momento para sempre, para sempre e sempre)” (*)
Olhou para sua ruiva, deitada na cama, dormindo como um anjo. Sorriu ao vê-la sorrir em seu sonho, e se perguntou diversas vezes se devia mostrar a carta em suas mãos. Optou por não fazê-lo. Pelo menos não agora... Guardou-a no fundo de suas vestes e deitou ao lado de Gina. Ela se remexeu um pouco quando repousou sua cabeça entre seus seios, abraçando-a com carinho. A garota não acordou, apesar de ter envolvido seus braços ao redor do rapaz, que sorriu satisfeito.
“Mais uma noite incrível”, ele pensou ao recordar de todos os detalhes das horas de amor que passara ao lado da bela jovem que abraçava. Ela parecera insaciável durante a noite, o que aumentava mais o desejo do loiro de levá-la ao clímax com mais voracidade, mais paixão...
Gina deu uma risada baixa em seu sonho, despertando-o. O coração da moça batia tranquilo sob sua pele, e Draco imaginou que a paz deveria ser aquilo: estar junto da pessoa que ama, observá-la rir enquanto dorme, e imaginar um futuro ao lado dela...
A ruiva foi despertando aos poucos, sorrindo envergonhada ao vê-lo abraçado a ela de forma tão íntima.
- Bom dia!
- Dia... – murmurou preguiçosamente, espreguiçando-se gostosamente pela cama. Draco voltara a ficar excitado, principalmente ao ver os olhos castanhos de Gina brilhando em malícia.
- Você é um demônio...
Ela riu com sua provocação, beijando-o calidamente e entregando-se novamente à paixão...
~x~x~x~x~x~
N.A.: (*) - Trechos retirados da música "I Don't Wanna Miss a Thing", do Aerosmith.
Aviso mais importante de todos: Eu mudei a N/C da fic!! Ela agora é para maiores de 16 anos, por conter cenas de sexo. Sei que há leitores por aqui (não necessariamente nessa fic) que não têm idade apropriada para ler essas histórias, e também não tenho como controlar quem aparece por aqui, então vai pela consciência de cada um...
Aliviando agora: Ai, ai... Um dos motivos para não gostar de demorar a postar é a quantidade de perguntas que me fazem em longos períodos, rsrs. Eu fico louca tentando organizar os pensamentos para responder tudo de forma coerente. ^^" Ok, vamos lá...
Eu andei notando uma dúvida por algo não tão importante na fic: suas continuações. Gente, a minha história é uma "trilogia", e essa é a parte 1. Não comecei pela fic do meio ou do fim (apesar de ter sentido vontade de postar as 3 ao mesmo tempo), então relaxem. E quanto à separações do casal principal, isso é algo que vocês não tem que se incomodar agora. Faz parte da história... Tanto que na parte 2 eu colocarei "Drama" como tipo 1, em vez de "Romance". É algo complicado de explicar, mas peço que não esquentem a cabeça com isso. Não tem "nada a ver" com agora...
Outra coisa... Mudei praticamente todo esse capítulo!! Desisti dos barracos do Rony (e ainda tô decidindo se me arrependo), diminuí um pouco a cena de amor entre o Draco e a Gina (tô guardando pro casal principal), coloquei os primeiros "eu te amo" do casal secundário (achei fofo!),e estou fazendo o Harry de difícil/orgulhoso em relação ao Rony (algo que não vai durar muito), apesar do moreno gostar muito do amigo. Pode parecer decepcionante para alguns, mas achei que ia ser informação demais para um capítulo novo. Uma bagunça, por assim dizer... Então resolvi maneirar, apostando mais no romance e deixando as brigas de lado. Para mim, é tempo de reconciliação... =D
Agora vamos para as respostas aos (numerosos e gigantes) comentários:
Laauras - Abro um sorrisão cada vez que vejo seus comentários, rsrs. Obrigada por isso!! E que bom que gostou do último capítulo! xD E sim, eu conheço a música, mas pela versão do Westlife, que é quase tão perfeita quanto a original! E nem esquente, ela já está na fic, mas só na parte 2. *-* Espero que esse "capitulozão" tenha agrado. Não ficou tão "forte" quanto eu gostaria, mas deu pra curtir um pouco, não é? ^^"
Melissa Hashimoto - Acho que já expliquei sua dúvida maior, não? ^^" Essa é a parte 1, de 3. Mas não se incomode com as outras. Não agora, pelo menos... Voltando à história: você me surpreendeu mais uma vez! Achei que a ficar com raiva da Hermione, pelos ciúmes sem sentido. Até eu fiquei! Metade dos comentários diziam que odiaram essa bobagem dela, mas você... Você me surpreendeu ao ver o lado dela da história! Ela magoada, com medo de confiar novamente... Parabéns para você, que percebeu algo que eu mesma demorei a notar! Que reviravolta, hein? xD Obrigada pelo comentário, me agradou muito! =D
Della Torre - Em primeiro lugar, seja bem-vinda à minha fic! =) Em segundo lugar... Seis comentários! Seis enormes comentários! Espero que não se incomode ao ter que ler uma gigante resposta, rsrs. Sabe, eu fiquei realmente mexida com tudo o que você disse... Palavras sérias, precisas, direto ao ponto da questão! Poucos foram os leitores/leitoras que fizeram isso por aqui, e, mesmo não parecendo, eu gostei! Claro que adoro os comentários empolgados que aparecem por aqui (sou uma autora comum), mas as "críticas" são as melhores, pois me fazem refletir bastante, tentando decifrar onde está errado, por que está errado, e a melhor formar de consertar. Seus comentários me fizeram pensar durante esses dias longe do site, e senti uma extrema necessidade de responder cada um deles! Infelizmente não anotei a ordem que você os escreveu, então vou tentar explicar pela ordem dos dias...
Tudo bem não gostar do Harry chorando; eu mesma fico indecisa da hora de escrever essas partes. É um lado do Harry que não costumamos ver nos livros, então resolvi explorar para ver se ficava bom. Coloquei esse rapaz para cantar e dançar também! Esse Harry romântico teve uma boa aceitação por aqui... E eu sou uma romântica (com um ligeiro toque para o drama), então resolvi "fazer" Harry Potter do jeito que merece ser: um adolescente comum, com tanto direito à decepções e tristezas quanto à emoções que um grande amor pode trazer... =) Quanto ao plano dele com a Gina... Foi algo da fic que não gostei, mas não pude apagar por já fazer parte da história. Já pedi desculpas aos outros leitores, e peço a você também. Acho que não estava em uma das minhas melhores fases quando o escrevi... --"
Ah, e você falou sobre a fama que o Harry deve ter ganhado com o fim da guerra. Sim, ele ficou ainda mais famoso, jornais dançaram e rolaram, mas (alerta de spoiler! Se não quiser saber, pule para o próximo parágrafo!) ele pediu gentilmente aos alunos de Hogwarts que o tratassem da forma mais normal possível, pois o assédio dos meios de comunicação pertubavam demais. Os amigos e colegas aceitaram o pedido, obviamente, pois muitos deles também estavam sendo incomodados com a "mídia". Esse tópico era algo que não pretendia nem mencionar agora, pois é um pequeno trecho que diz tudo isso, e em um capítulo mais para o fim da fic. Espero que não tenha decepcionado mesmo assim...
Quanto ao Rony... É difícil saber o que dizer... Acabei por fugir um pouco do personagem (erro digno de uma autora iniciante), e ultimamente ando confusa no modo com ele deve passar a agir, tanto em relação ao casal quanto em relação à Luna... Nesse capítulo eu propus uma tentativa (nossa, que redundância!) de reconciliação, fazer o trio voltar a ser O trio, entende? Mas ainda estou pensando... Fiquei louca para escrever um barraco, mas me controlei. E ainda estou querendo entender o porquê... Confuso, eu sei. Mas é assim que está minha mente. A ideia original da fic era focar no casal principal, mencionando os outros vez ou outra. Mas isso foi impossível! Os outros personagens são especiais demais para ficarem em segundo plano!
E coloquei Draco no time dos bonzinhos aqui, rsrs. Eu sempre fui fã do personagem, apesar de não aprovar 90% de suas atitudes nos livros/filmes. Resolvi juntá-lo com Gina Weasley, seu oposto total, e testar se aquela famosa frase "Os opostos se atraem" funciona... Ele mudou, e nesse capítulo é bastante notável isso. Espero que não se importe com "meu" Draco bonzinho... ^^"
E, por fim, obrigada pelos seus comentários! Eu adorei! Todos eles! Adoro comentários que me fazem pensar no futuro da fic, mesmo quando ainda estamos "no começo"! =D E o melhor: adorei saber que a fic lhe lembre de pessoas especiais! É assim que me sinto quando a leio também... ^^"
(E uma pergunta: você é fã do ship H/G? Nada contra, mas a maioria de seus argumentos me fizeram imaginar que agiria da mesma forma em uma fic H/G, ou R/H...)
EnigmaticPerfection - Primeiramente, lamento ter tirado as confusões desse capítulo. Deu um surto na escritora aqui, e eu acabei achando que brigas seria informação demais para um fim de fic. Mil perdões! =/ Mas se consola, parece que a fic vai ter mais um capítulo... Não é nada certo, por isso não coloquei como aviso principal. Mas é quase certo... ;) E o período da faculdade acabou... Significa que terá capítulo novo na sua fic? *-* Ai, ai, já fiquei boba só de lembrar, rsrs. Obrigada pelo comentário, e desculpa qualquer coisa. =)
liana kyle - Ok, agora eu fiquei surpresa! 10 anos? o.O Nada contra, apenas não esperava uma leitora tão jovem. ^^" Que bom que tenha gostado da fic! Eu aconselharia você a não ler esse capítulo, mas duvido que vá prestar atenção, rsrs. Talvez já tenha lido se está lendo essa resposta... Só não diga que não avisei, ok? A fic não é mais apropriada para sua idade. =)
livia de carvalho rodrigues - Adorei que tenha reparado nas partes que me dão trabalho na fic: as últimas frases. Eu sempre achei que elas deveriam ser carregadas de mistério, ou apenas com aquele gostinho de "quero mais". Acho essencial numa história, pois sem elas, os leitores não têm curiosidade de continuar, certo? E sem curiosidade dos leitores, a fic não vai pra frente... =) Obrigada pelo comentário, ele foi ótimo! Suas indignações sempre me deixam feliz, rsrs. Ah, espero já ter tirado suas dúvidas nas explicações lá em cima. =) Obrigada por tudo e até a próxima! xD
Sem mais delongas, pessoal, agradeço por tudo! Os comentários estão cada vez mais importantes para mim, obrigada! Obrigada demais! *-*
E, se chegaram até aqui, devo lhes dizer "Parabéns!". O capítulo ficou enorme... o.O
Próximo capítulo deve chegar pela madrugada de sábado para domingo. Até lá! xD