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3. Capítulo III


Fic: Cárcere, DHr


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Os cabelos louros balançavam às suas costas. Estavam um pouco mais longos do que o habitual, mas ainda acima dos ombros. Entrou carregando a bandeja de sempre, com um conteúdo diverso, além do almoço. Hermione o olhou, sentada num canto e coberta dos pés ao pescoço.

- Como você está? - Ele perguntou, a encarando com os olhos acinzentados que pareciam adquirir uma tonalidade azul clara.

- Estou melhor, obrigada.

Abaixou-se e colocou a mão sobre sua testa, gesto que a surpreendeu e pareceu incomodá-lo. Não parecia mais estar com febre. Levantou-se num salto.

- Tem mais uma dose daquela poção para você aí na bandeja. Acho que você já está bem, mas melhor garantir.

Ela sorriu, apesar de achar um tanto desconfortável aquela nova personalidade que lhe aflorava. O sonserino respondeu com um aceno de cabeça e partiu.

Hermione arrastou-se até o objeto plástico visando examinar a refeição. As sopas, após o seu desmaio, continham agora uma maior quantidade de legumes, e por vezes um pedaço de carne. Talvez, no fundo, Draco se importasse. Talvez ele estivesse apenas cumprindo as ordens do Lord empenhando-se em mantê-la viva: uma poderosa arma contra o-menino-que-sobreviveu. Reconheceu pelo aroma a costumeira sopa de abobrinhas com cenouras, mas surpreendeu-se ao visualizar algo além dos talheres. Um pedaço de plástico vermelho? Se a luminosidade não fosse tão escassa talvez conseguisse desvendá-lo. Algo no canto direito assemelhava-se a um botão, desses encontrados em artefatos trouxas. A garota apertou-o instintivamente e observou, um tanto receosa, um feixe de luz abandonar o objeto. Uma lanterna.

Pôde enxergar então um livro de palavras-cruzadas, tipicamente trouxa, acompanhado de uma caneta esferográfica. Era tudo o que parecia necessitar para evitar a loucura. Sorriu. Draco se importava. Ainda que infimamente, mas se importava.




Draco espiou pela pequena abertura de metal antes de adentrar a cela. A grifinória sequer o notou. Encolhida a um canto, envolvida pelo corbertor, segurava com uma mão a pequena lanterna e com a outra a caneta que durante intervalos quase regulares levava à boca. O livro de atividades repousava sob suas pernas e parecia fasciná-la. Hermione mordia o lábio inferior e logo após exibia um sorriso.

O sonserino despertou, surpreso, de seus devaneios quando a garota emitiu uma exclamação. Descobrira uma palavra que estava a atormentá-la. Ele entrou por fim, carregando o jantar: uma porção de macarrão. Ela o olhou, ainda com a sombra de um sorriso nos lábios. O garoto deixou o jantar no chão, razoavelmente desconfortável, e recolheu a bandeja onde transportara o almoço. Já estava na porta quando ela o chamou.

- Malfoy?

Olhou-a.

- Conhece algum sinônimo para "propósito"? No sentido de "objetivo", sabe?

Ele refletiu por uns instantes.

- Intuito?

Ela sorriu.

- Isso! Não conseguia lembrar. Obrigada. - Agradeceu. Um agradecimento que ultrapassava a gratidão pela descoberta da palavra.

Ela sorriu em resposta e partiu.




Ele acabara de deixar a bandeja contendo o almoço. Parou para observá-la, antes de sair. Desde que lhe dera o tal do livro trouxa, Hermione parecia radiante. Era quase paradoxal que ela fosse a prisioneira e ele estivesse no comando da situação. Draco definhava a cada dia: as conversas com os companheiros rareavam; dentre estes, muitos sucumbiam à pressão e fugiam, mesmo conscientes do final trágico e doloroso que teriam caso o mestre os encontrasse; a comida acabava aos poucos e o local onde se instalavam decaia. A situação estava prestes a ultrapassar a tenue barreira do suportável.

- Como isso funciona? - Ele perguntou, assustando-a.

- O jogo? De palavras-cruzadas?

- Isso. - Ele concordou.

Ela sorriu.

- É simples. Está vendo esses quadradinhos? Devem ser preenchidos com letras, e de uma mesma letra acabam saindo várias palavras. E aqui estão as dicas da palavra com a qual você deve preencher. - Concluiu, apontando com a caneta os lugares que citara.

O loiro sentou-se ao seu lado, interessado. Ela reprimiu qualquer tipo de reação que demonstrasse seu espanto e explicou novamente, usando exemplos. Ele pareceu gostar. Draco Malfoy simpatizando com uma criação trouxa? O fim do mundo deveria estar próximo.

- Aqui... Seria inexorável? - Perguntou indicando com o dedo. Ela contou o número de letras e concordou com um aceno de cabeça, enquanto preenchia o espaço correspondente. - Isso é interessante.

- É uma ótima distração. Excelente método para esquecer os problemas. - O clima tornou-se ligeiramente denso. - Costumava comprar esses livrinhos quando íamos viajar e chovia.

Ele sorriu. Passou uma parte da tarde ali com ela.





Um milhão de perdões pela demora! Eu me envolvo em mais coisas do que sou capaz de dar conta, viu? E sem contar que esse ano as coisas estão terríveis, estou sem tempo para nada. Mas a gente dá um jeito ;)
Espero que tenham gostado do capítulo. O próximo tente a ser um pouco mais agitado. Desculpem pelo ritmo lento da fic, mas ao contrário de "Desejo", a relação deles aqui é muito mais conflituosa e tensa e eu vejo essa aproximação gradativa como algo natural e tal.
Obrigada pelos comentários, pelos puxões de orelha e tudo mais. Pretendo não demorar tanto com o próximo. Beijos.

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