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16. Recesso Escolar


Fic: Lembranças de Harry Potter


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Dezembro de 1998.


               


- Planos para hoje, Sr. Potter?


Harry riu e voltou sua atenção para Hermione.


- Draco estava me desafiando a uma guerra de bolas de neve – apontou para o loiro, que estava sentado à sua frente na mesa da Grifinória. Harry pôde ver os olhos de Hermione brilharem. – Interessada?


- Muito! – falou a moça divertidamente, olhando desafiadoramente para Malfoy – E como seria esse desafio?


- Cinco rodadas de três pontos. Quem ganhar leva tudo.


- E tudo seria...?


- O que você quiser.


- Estou começando a ficar interessado também! – Neville chegou anunciando, sentando ao lado do sonserino – Posso entrar também?


- Claro! – falou Draco animado – Poderemos jogar em duplas. Que tal?


Harry e Hermione confirmaram entusiasmados, tomando rápido seus cafés-da-manhã.


- Nos encontramos no portão do castelo em... – Hermione olhou para o relógio – Vinte minutos.


Draco e Neville aceitaram, e a moça segurou a mão de Harry e o puxou de volta ao Salão Comunal. Hermione entrou em seu quarto de monitora e Harry subiu as escadas de seu dormitório. Encontraram-se alguns minutos depois na saída do salão.


- Hei... – ele a chamou carinhosamente, segurando sua mão – Feliz Natal. De novo.


Oferecia uma caixa pequena, enrolada em papel de presente colorido. Hermione sorriu.


- Achei que estava mesmo faltando um presente na minha pilha – brincou e pegou o presente. Desembrulhou cuidadosamente, encontrando um colar de corrente fina e prateada, com uma pedra marrom-avermelhada como pingente.


- É ágata – esclareceu o rapaz. – A vendedora disse que trazia sorte para os que nasciam em setembro.


Hermione sorriu, agradecida. Virou-se de costas e pediu para que ele colocasse ao redor de seu pescoço. Harry o fez, sentindo a pele da moça se arrepiar com seu toque. Ele mesmo ficara nervoso quando tocara a pele macia e delicada de Hermione.


- Como ficou?


- Linda...


A moça ficara corada com o elogio e segurara a mão do rapaz novamente, puxando-o para fora do Salão Comunal.


- Não acha que deveria pôr um cachecol? – perguntou o rapaz, preocupado – E mais um casaco? Está bastante frio lá fora.


- Estou bem assim, papai! – ela brincou.


Ele ficou emburrado com a brincadeira.


- Mais que coisa fofa, Potter! – ela pulou em seus braços – Ficou chateado? – ela falou dengosa, enchendo o rosto do rapaz de beijos.


Harry logo abriu um sorriso bobo.


- Não acha estranho irmos brincar com Malfoy? – perguntou o rapaz no último lance de escadas – Justo o Malfoy?


- Acho! E muito! – riram – Mas fico contente que a rivalidade tenha ficado para trás. Significa que estamos crescendo.


- Nunca tivemos muito tempo para sermos crianças.


- É verdade... – falou pensativa – Que tal dedicarmos nossas férias a isso, então? Sermos crianças?


- Gosto da idéia.


Hermione sorriu e os dois encontraram Draco e Neville discutindo as regras do jogo.


- O que houve?


- Neville acha que os pontos deveriam ser marcados por boladas no rosto! – falou o loiro impaciente – Eu discordo! Acho que só sairemos do jardim no ano que vem!


- Draco tem razão, Neville... – falou Hermione cuidadosa – O jogo vai demorar muito assim.


- Eu andei pensando... – Harry intrometeu-se – Acho que não devemos usar varinhas. Ficará mais divertido!


- Uma brincadeira trouxa, Potter?


- Aposto que vai adorar! – garantiu o moreno passando um braço pelo ombro do colega e o levando para fora do castelo.


 


- Somos um time terrível! Admita!


- Nunca! – gritou a moça, levantando-se rapidamente por cima da barreira de neve construída e jogando uma bola de neve na direção dos “inimigos”.


- Estamos na penúltima rodada! – falou entregando outra bola à moça – Só você já levou umas cinco tacadas no rosto!


- E você outras cinco! – e tacou outra bola.


Harry fez o mesmo, acertando em cheio o rosto de Neville.


- Temos mais um!


E riam, gritavam e divertiam-se com a brincadeira. Draco e Neville estavam a uns dez metros de distância, planejando novas táticas para acabar com o constante empate.


- Potter aparece a cada vinte ou trinta segundos – observou o loiro. – Granger é mais afobada, aparecendo de dez em dez segundos! Podemos pegá-la facilmente – Neville concordou.


- Já Harry é mais esperto. Fico com a parte de acertar Mione e você, como tem uma mira melhor, acerta Harry. Feito?


- Feito.


E o plano pareceu dar certo. Hermione já aparecia com o rosto molhado de neve com mais freqüência, e Harry foi ficando desesperado.


- Mais um ponto e eles ganharão! – comentou agoniado – Talvez devêssemos planejar...


Mas não pôde terminar. Hermione o ignorou, e quando foi tacar sua bola...


- Droga! – ela voltou com o rosto molhado novamente.


- Poderia ter esperado eu terminar, não acha? – falou indignado.


E começaram a ouvir claramente os gritos de comemoração de Draco e Neville a alguns metros de distância. Os dois foram se aproximando do casal, com sorrisos vitoriosos nos rostos.


- Estão me devendo um novo livro de Herbologia! - comentou um Neville sorridente.


- O que houve com o seu?


- Não tenho idéia de onde o deixei.


Harry e Hermione riram e levantaram-se do chão. A moça passou a mão pelo pescoço, inconscientemente.


- Acho que perdi meu colar, Harry.


- Não se preocupe. Deve estar em algum lugar por aqui.


- Ou não – falou o loiro. – Estávamos correndo antes de montarmos barreiras.


- Droga! – praguejou Harry.


- Tinha algum valor?


- Sentimental – responderam Harry e Hermione juntos, começando a procurar o cordão pelo chão.


Draco e Neville logo começaram a ajudar.


- Como isso é possível?! – Harry ouviu Draco gritar enfurecido – Não saímos dessa área! Como um simples colar desaparece assim?!


- Acho que ele está com fome – brincou Neville, longe o suficiente do loiro.


- Para falar a verdade, eu também estou – comentou Hermione, passando a mão pela barriga.


- Vamos fazer o seguinte: – propôs Harry – entramos, almoçamos e quando estivermos mais aquecidos, voltaremos para cá e procuramos melhor com nossas varinhas.


- Excelente idéia! – Draco gritou, já caminhando em direção ao castelo. Neville balançou a cabeça, reprovando a atitude do outro rapaz. Os outros riram e acompanharam Draco e Neville até o Salão Principal.


Espirro.


- Saúde – comentou Draco distraído. Hermione o olhou agradecida e sentou à mesa.


- Malfoy! – McGonagall o chamou antes que se sentasse – Faça o favor de me acompanhar, sim?


O sonserino bufou, contrariado, acompanhando a professora.


- O que acham que ela quer?


- Não faço idéia – respondeu Harry. – Saúde – falou após um novo espirro de Hermione. – Está tudo bem?


- Está sim, não se preocupe – tinha a voz nasalada. – Deve ser um resfriado chegando. Irei à enfermaria depois de acharmos meu colar.


- Saúde – foi a vez de Neville dizer, depois de outro espirro.


- Não irá procurar seu cordão desse jeito – falou Harry firmemente. Ela iria protestar se não tivesse dado outro espirro.


- Oh, está bem! – rendeu-se – Voltarei ao Salão Comunal e esperarei por vocês.


- É para seu bem, Mione – disse Neville. – Não iremos demorar com varinhas.


Ela apenas acenou, voltando a comer. Harry e Neville riram da teimosia da jovem.


 


"Permaneço em ti
Como sempre foi
Mais perfeito e mais fiel
Mesmo sozinho sei
Que estás perto de mim
Quando triste olho pro céu..." (*)

Demoraram mais do que o esperado. Muito mais... Harry e Neville já estavam reclamando do frio, sentindo as mãos sensíveis e o rosto avermelhado. Harry viu o colega tiritando de frio quando fez a última tentativa:


- Accio colar de Hermione!


A pedrinha escura veio voando em sua direção. Harry concluiu que o colar tinha rolado com a brincadeira e parado próximo ao Lago Negro. Suspirou aliviado.


- Graças a Merlin! – Neville também agradeceu – Vamos voltar ao castelo! Estou congelando!


Harry concordou com o amigo e rapidamente chegaram ao Salão Comunal da Grifinória. O outro rapaz despediu-se do moreno e subiu as escadas do dormitório masculino.


- Mione? – anunciou sua entrada no quarto da moça.


Assustou-se com o que viu. Hermione estava caída no chão, desmaiada.


- Hermione! – Harry desesperou-se, jogando-se no chão ao lado dela e batendo de leve no rosto dela. Estava fria e bastante pálida. – Minha linda, acorde! Por favor, acorde...


Ele a carregou até sua cama e reparou que ela ainda estava com a roupa molhada da brincadeira.


- Minha pequena, está congelando! – ele tratou de tirar as roupas da jovem, sem se preocupar com o que ela pensaria se estivesse vendo tudo aquilo. Não pôde evitar, mas ficou corado quando a viu somente com a lingerie. “Não é hora para isso, Harry!”, pensou rapidamente, tirando seus próprios casacos e ficando com o peito nu. Deitou ao lado dela e a abraçou forte, tentando passar calor para aquele corpo pequeno e gelado. – Vamos, minha linda. Acorde...


Ficou meia hora ali, até começar a sentir frio e notar que o corpo de Hermione mal reagia ao seu. Desesperou-se.


- Calma... Calma... – tentou se acalmar, abraçando-a mais forte – Pense, Harry! O que você...


E sentiu algo quente escorrer por sua perna. Olhou para baixo e viu... Sangue.


- Está ferida, Mione! – balbuciou, separando-se dela e tentando estancar o ferimento com um pano – E a neve... Não, meu amor. Não faz isso comigo! Acorde!


Harry viu que suas tentativas solitárias de acordá-la não eram o suficiente. Levantou-se, vestiu suas roupas rapidamente e pegou roupas secas e quentes para Hermione. Vestiu-a, sentindo o rosto corar novamente. Carregou-a no colo, passando um grosso cobertor por cima do corpo feminino.


- Vamos, minha pequena – ajeitou-a melhor ao seu corpo para mantê-la aquecida. – Levarei você até Madame Pomfrey.


E correu. Correu desesperado... Sentia Hermione cada vez mais fria, e seu coração pulsava assustado.


- Vai dar tudo certo... Você vai ficar bem... Tem que ficar... – repetia como um mantra – Não me deixe sozinho, meu anjo... Por favor...


Lágrimas corriam por seu rosto quando chegou à porta da enfermaria. Madame Pomfrey apareceu em segundos.


- O que aconteceu? – perguntou preocupada, indicando uma cama para Harry, que deitou Hermione cuidadosamente.


- Encontrei-a desmaiada em seu quarto... – percebeu a voz falhar – Ela estava fria... Fiz de tudo para mantê-la aquecida. Acendi a lareira, tirei suas roupas molhadas, deitei ao seu lado para esquentá-la, estanquei o ferimento de sua perna e a vesti com roupas quentes quando vi que sua temperatura não subia – falava rapidamente, tentando controlar o nervoso.


A enfermeira rapidamente pegou um termômetro e colocou na boca da jovem. Levantou os lençóis para analisar o tal ferimento. Murmurou alguns feitiços que o estancaram de vez e voltou sua atenção para o termômetro:


- Trinta e quatro e meio... – murmurou pensativa – Muito sangue... Sr. Potter, – ela chamou sua atenção – ela está com princípio de hipotermia.


Harry passou a mão pelos cabelos, deseperado, enxugando suas lágrimas.


- E o que eu posso fazer para ajudar? – perguntou firmemente.


- Preciso que me responda algumas perguntas – falou enquanto cobria Hermione e procurava algo pelas gavetas da cômoda. Harry assentiu. – Há quanto tempo ela está assim?


- Encontrei-a por volta de uma hora atrás.


- Por que ela estava com roupas molhadas?


Harry engoliu em seco.


- Estávamos brincando na neve de manhã.


Ela achou uma bolsa de soro e o olhou preocupada.


- Já passam das quatro horas, Sr. Potter! E esse corte na perna?


- Não tenho ideia. – fungou, sentindo a culpa cair sobre si – Ela pode ter se machucado hoje mais cedo. Não sei... Caímos tantas vezes!


- O que fez para mantê-la aquecida?


- Tirei suas roupas, esquentei seu corpo com o meu, vesti novas roupas nela e a trouxe para cá.


- Tirou as roupas dela? – perguntou desconfiada.


- Sim – respondeu sem entender.


- Qual é o tipo de sangue dela?


- O que isso...?


Harry calou-se com o olhar severo que ela lhe lançou.


- “O” negativo.


- E o seu?


Harry engoliu em seco, sentindo novas lágrimas chegarem.


- “A” positivo...


Cobriu o rosto com as mãos, permitindo-se chorar por alguns instantes, pressentindo o que estava por vir. Um silêncio pesado instalou-se ali enquanto Harry chorava. A enfermeira esperou que ele recuperasse a compostura antes de decretar:


- Vou precisar fazer uma transfusão sanguínea, Sr. Potter – falou seriamente. – E rápido. Ela está perdendo a consciência.


Harry assentiu, enxugando o rosto.


- Ache alguém com o mesmo tipo sanguíneo. E volte o mais rápido possível!


Ele confirmou com a cabeça e saiu da enfermaria rapidamente.


 


"E hoje eu estou aqui
Sem ter lugar pra ficar
Escrevendo canções pra que
Você possa escutar
Com outro alguém do seu lado
Alguém que te faz sorrir
Alguém que vai te abraçar
Quando a escuridão cair
Te impedindo de me enxergar
E eu que hoje estou aqui
E pra sempre vou ficar
Segundos antes de dormir
De mim você vai lembrar..." (**)


- Como ela está?


Neville sentou ao seu lado, no banco do lado de fora da enfermaria.


- Há horas que não sei de nenhuma notícia.


Sua voz saiu rouca e chorosa. Encarava a parede à sua frente e perdia-se em pensamentos torturantes. “Meu Deus, o que eu fiz?”, era sua pergunta freqüente. A culpa... O remorso... Os piores sentimentos passavam por seu coração ao imaginar que Hermione poderia não resistir dessa vez. “Minha culpa. Toda minha...”.


- Mione vai ficar bem, Harry – consolou Neville. – Ela já encarou coisas tão piores!


- Ela estava inconsciente quando a vi, Neville. – teimou – O rosto dela... Ela estava tão distante de mim...


Escondeu o rosto nas mãos novamente, apoiando os braços nos joelhos, incapaz de controlar as lágrimas. Neville dava pequenos tapinhas em suas costas.


- Fica calmo, Harry. A Mione é forte! Vai sair dessa! Você tem que ter fé!


Ficaram em silêncio por um tempo.


- Eu a amo tanto, Neville! – levantou o rosto para olhá-lo nos olhos – Se alguma coisa acontecer com ela...


 - Shh! – protestou o outro garoto – Não fale isso! Nem sequer pense numa bobagem dessas de novo, ok?


Harry assentiu, agradecendo o apoio do amigo. Decorreram vários minutos até a porta da enfermaria ser aberta e por ela sair Madame Pomfrey.


- Como ela está? – perguntou Harry imediatamente.


Ela suspirou.


- Vai ficar bem.


Neville sorria, lançando olhares do tipo “Eu não disse a você?” para Harry, que parecia, enfim, respirar aliviado. Enxugou as lágrimas antes de voltar-se novamente à enfermeira:


- Eu posso vê-la?


- A Srta. Granger está dormindo.


- Só quero vê-la, por favor... – implorou – Prometo não mexer com ela, ou acordá-la.


Ela parecia relutante, mas deixou os dois garotos entrarem. Harry aproximou-se da cama de Hermione com cautela.


- Parece mais corada agora, não é? – perguntou Draco.


O moreno o olhou. Malfoy estava deitado na cama ao lado da de Hermione, repousando depois de doar sangue para a transfusão. Ele tinha o semblante exausto, mas resistia firmemente ao cansaço. As ataduras ao redor de seu braço esquerdo chamavam a atenção de Harry.


- Escute, Malfoy... – ele falou para o loiro, antes que perdesse a coragem. Hesitou e respirou fundo, olhando diretamente para aqueles olhos cinza – Obrigado! A Mione...


- Eu sei – interrompeu. Parecia envergonhado por receber um “obrigado” de Harry Potter. – Ela está bem, isso que importa.


- Mas eu preciso! Você salvou a Mione... – seus olhos ardiam, sua voz estava rouca depois de tanto choro – E salvou a mim também! Eu não sou nada sem ela... Nada... – enxugou uma lágrima teimosa – Serei eternamente grato a você!


Draco não tinha palavras para responder. Apenas assentiu, envergonhado, e acomodou-se na cama, fechando os olhos.


- Boa noite – foi só o que disse.


Harry então caminhou de encontro à sua amada. Draco tinha razão: ela tinha o rosto mais avermelhado, e Harry constatou que sua temperatura enfim estava se estabilizando. Ainda estava um pouco fria, mas a enfermeira lhe garantiu que depois de uma noite de descanso, ela amanheceria bem melhor. O garoto passou a observá-la dormir, sentando em um banco ao lado da cama.


- Ela não acordará agora – falou Neville, despertando-o de seus pensamentos. – Podemos voltar ao amanhecer.


- Não quero sair de perto dela.


- O Sr. Longbottom tem razão – comentou M. Pomfrey. – Não faz nenhum sentido ficar acordado a noite toda aqui. Volte para seu dormitório e durma um pouco. Mandarei chamá-lo quando ela acordar, sim?


Harry deixou-se vencer pelo cansaço. Acompanhou Neville até o Salão Comunal da Grifinória.


- Não demorarei a subir – falou quando o outro indagou por que não era acompanhado.


Neville aceitou e subiu a escadaria. Harry jogou-se na poltrona mais confortável, próxima à lareira. Fechou os olhos por um instante, e seus pensamentos o conduziram a outro momento. Um instante onde Hermione era toda sorrisos para ele... Segurou a correntinha da moça com força. Parecia mais pesada ao redor de seu pescoço, trazendo doces lembranças de sua amada em um momento tão crítico de sua vida.


- Sr. Potter! – alguém o sacudia – Mestre Harry!


Despertou assustado. A forte luz do sol quase o cegou. Reconheceu a voz fina e apressada de Monstro.


- A enfermeira me mandou aqui! Mandou avisar que a menina Granger acordou. Mandou chamar mestre Harry!


- Hermione acordou?


- Sim! – gritou o elfo, animadíssimo.


Harry levantou-se num pulo, ajeitou os óculos e saiu rapidamente do salão, chegando à enfermaria em poucos minutos. Draco ainda dormia enquanto aproximava-se de Hermione.


- Bom dia, princesa... – segurou a mão da moça com as suas, fazendo-a virar o rosto e olhá-lo. Ela deu um fraco sorriso quando o viu sentando-se.


- Dia...


Quase não a ouviu. Comprimiu os lábios, tentando controlar as emoções.


- Como você está?


- Cansada.


Beijou a mão de Hermione carinhosamente, e ela sentiu suas lágrimas.


- Hei... – ele a olhou – Por que choras?


- Eu fiquei com tanto medo! – admitiu, dividido entre o desespero e a vergonha – Tive tanto medo de perder você!


Seu doce sorriso o emocionou.


- Seu bobo... – ela passou a outra mão em seus cabelos rebeldes, bagunçando-os ainda mais – Eu estou bem.


Ele forçou um sorriso para a moça. Não resistiu ao dela e beijou carinhosamente cada pedacinho de seu rosto, evitando seus lábios a todo custo. Acariciava aquele rosto bonito e admirava seus brilhantes olhos cor-de-mel.


- O que não quer me contar? – perguntou astutamente.


Harry engoliu em seco enquanto ela segurava seu rosto próximo ao dela e enxugava-o delicadamente.


- Não estaria aqui se eu não fosse tão irresponsável... – culpou-se – Você se machucou, ficou doente tão rápido! Eu nem percebi! Eu sinto muito.


Escondeu o rosto no pescoço da morena, embriagado com seu perfume natural contrastando com o de seus cabelos macios e encaracolados.


- Não acredito que pensa que é culpado pelo que aconteceu. – falou seriamente, obrigando-o a encará-la – Foi um acidente, Harry!


- Desculpe, desculpe... – teimava, negando veementemente – Cuidarei melhor de você, eu prometo! Não sairá de perto de mim nunca mais!


- Harry, pare! – falou em meio ao desespero do rapaz – Está me assustando!


Calou-se, voltando a abraçá-la. Ela o envolveu com seus braços.


- Eu estou bem... – sussurrou no ouvido do rapaz – Eu juro.


Confirmou com a cabeça e ela o apertou mais.


- Eu tive tanto medo...


- Eu sei, meu bem – falou carinhosamente. – Já passou. Estou aqui com você.


 


Hermione ainda ficara mais quatro dias na enfermaria, tendo como novas companhias seus pais, que chegaram no dia seguinte ao acidente, e só se foram quando a garota já estava bem melhor. Seu estado estabilizava mais a cada dia, ou seja, todos os dias a moça implorava para sair dali. A enfermeira perdia a paciência facilmente, e a ignorava entrando em seu gabinete e se trancando ali. Harry ria da situação. Quando a garota recebeu alta, Harry impressionara-se com sua agilidade reprimida. Saiu da cama rapidamente, trocando de roupa e pegando suas coisas em segundos! Ele apenas sorria.


- Tire-me daqui! – decretou a moça – Agora.


- Com todo o prazer!


Surpreendeu-a quando a carregou no colo, aparentemente sem esforço algum, e a soltou somente quatro andares acima. Os alunos que passavam os olhavam curiosamente.


- Vão achar que temos alguma coisa.


- Como se nunca tivessem pensado isso!


Hermione riu.


- É verdade... – soltou um suspiro enquanto tentava imaginar aonde era levada – Algum dia irão parar de falar que temos um caso?


- Quem sabe no dia que realmente tivermos um!


Seu tom era de brincadeira, mas a garota ficou séria.


- O que foi?


- Nada – ela disfarçou. – Aonde está me levando?


- Surpresa.


Ela voltou a sorrir com seu tom misterioso.


- Vai me deixar curiosa?


- Vou.


Pararam em frente à Sala Precisa. Hermione o olhava desconfiada enquanto dava três voltas em frente à tapeçaria e uma porta de madeira surgia do nada.


- Reformaram a Sala Precisa? – perguntou curiosa.


- Sim. Deu um pouco de trabalho, mas conseguimos fazê-la quase igual como era antes.


- Quase?


- Sim. Eram muitos feitiços. Na maioria antigos. Não pudemos fazer todos – ele parou em frente à porta. – Poderia...?


Ele pediu para que ela abrisse a porta para os dois. Hermione sorriu e fez o que era pedido.


- Deveria ter colocado uma venda em você.


Hermione realmente parecia maravilhada com a paisagem que Harry imaginara. Um campo vasto e verde, aparentemente sem fim, com muitas árvores, flores...


- Primavera? – perguntou sorridente quando ele a pôs no chão.


- Claro. Chega de inverno para você.


Ela deu pulinhos animados e correu pelo imenso jardim. Harry a via pular, dançar e rolar na grama macia, e sentia o coração finalmente em paz. Respirava aliviado ao vê-la tão contente. Tão belamente feliz... Sorriu.


- No que está pensando, Sr. Potter? – perguntou a moça, despertando-o de seus sonhos. Achou-a escondida na grama alta, a alguns metros de si. Caminhou até ela.


- Em você... – ela o olhou curiosamente – Estou feliz que esteja bem, só isso.


Hermione lhe ofereceu seu sorriso mais lindo. Harry fez um esforço sobre-humano para desviar o olhar.


- Está com fome? – falou disfarçadamente, começando a remexer na bolsa que trouxera – Tenho bolos, bolinhos, alguns salgados...


Parou de falar quando a sentiu perigosamente perto de si.


- Você disfarça muito mal, Potter... – ela sussurrou antes de dar-lhe um beijo muito próximo de sua boca. Harry ainda pôde sentir os lábios da jovem muito próximos aos seus. – Se conseguir me pegar... – falou muito perto de sua boca. Harry a encarava confuso, controlando-se furiosamente para não beijá-la de uma vez. – Mas SÓ se conseguir me pegar, ganhará um beijo melhor. Muito melhor...


E correu, deixando Harry atônito. Demorou alguns segundos até ele recuperar os sentidos e correr atrás dela, que se embrenhava na floresta densa. Perdeu-a de vista poucos minutos depois.


- Agora tenho certeza de que já está bem melhor! – gritou, irônico.


Ouviu doces risadas à sua esquerda. Correu naquela direção, mas não obteve sucesso.


- Onde você está, Mione? – gritou exausto.


- Bem aqui.


À sua frente. E ainda podia distinguir sons de passos.


- Está frio, Potter.


Virou-se rapidamente. Olhou para baixo e viu o patrono de Hermione caminhando ao seu lado.


- Isso é covardia! – protestou.


- Chame como quiser.


Impressionou-se. A lontra de Hermione estava definitivamente conversando com ele.


- Como faz isso?


- Prometo te contar quando me encontrar.


- Essa floresta pode ser imensa! – comentou, sentindo-se ridículo por conversar com um animal. Ainda mais por não ser um animal de verdade.


- Continue procurando – disse a lontra simplesmente. – Farei companhia.


Harry soltou um pesado suspiro.


- Já que não tenho escolha.


Andou mais alguns metros, e o patrono soltava de quando em quando com a voz de Hermione:


- Ainda frio, Harry.


- Estou chegando perto ao menos? – perguntou depois de alguns minutos, cansando daquela brincadeira.


- Vamos dizer que você está bem em cima da fogueira.


E desapareceu. Harry sorriu aliviado.


- Achei que estávamos perdidos, Mione! – disse olhando para todos os lados. Mas não havia sinal da jovem – Seu patrono a denunciou, minha pequena! É só aparecer agora.


“Ela levou a brincadeira bastante a sério...”, pensou.


De repente teve uma ideia incrível!


 


Ficou surpresa quando viu Harry desistir de procurá-la e dar meia-volta, saindo da floresta. Ela estava sentada em um galho alto da árvore que Harry havia se apoiado. Riu quando o viu sem ar e cansado de procurá-la. Mas ficou levemente assustada quando ele desistira e voltara ao jardim. Hermione desceu da árvore quando teve certeza de que ele não voltaria.


“It's amazing how you can speak right to my heart (É incrível como você consegue falar direto ao meu coração)
Without saying a word you can light up the dark (Sem dizer uma palavra você consegue iluminar a escuridão)
Try as I may I could never explain (Tento quanto posso, eu nunca poderia explicar)
What I hear when you don't say a thing (O que eu ouço quando você não diz nada)


Arregalou os olhos, apurando seus ouvidos na direção do som. Seus lábios abriram-se num grande sorriso e correu até Harry, que cantava suavemente. Ele estava sentando na grama, segurando um violão, e cantando de olhos fechados.


“The smile on your face (O sorriso em seu rosto)
Lets me know that you need me (Permite-me saber que você precisa de mim)
There's a truth in your eyes (Há uma verdade em seus olhos)
Saying you'll never leave me (Dizendo que você nunca vai me deixar)
The touch of your hand (O toque de sua mão)
Says you'll catch me if ever I fall (Diz que você vai me segurar se eu cair)
You say it best (Você diz isso melhor)
When you say nothing at all (Quando você não diz nada)


Harry abriu os olhos quando se aproximou timidamente dele. Seus lindos olhos verdes lhe pediam para ficar e apreciar a canção.


“All alone I can hear people talking out loud (Totalmente sozinho eu posso ouvir pessoas falando em voz alta)
But when you hold me near (Mas quando você me abraça)
You drown out the crowd (Você abafa a multidão)
Old Mr. Webster could never define (O velho Sr. Webster nunca poderia definir)
What's being said between your heart and mine (O que está sendo dito entre seu coração e o meu)


Ajoelhou-se na frente do rapaz. Apreciou aquela linda declaração, sentindo o coração bater forte e a respiração falhar.


“The smile on your face (O sorriso em seu rosto)
Lets me know that you need me (Permite-me saber que você precisa de mim)
There's a truth in your eyes (Há uma verdade em seus olhos)
Saying you'll never leave me (Dizendo que você nunca vai me deixar)
The touch of your hand (O toque de sua mão)
Says you'll catch me if ever I fall (Diz que você vai me segurar se eu cair)
You say it best (Você diz isso melhor)
When you say nothing at all (Quando não diz nada)


- Golpe baixo o seu... – comentou baixinho, fazendo o moreno rir – Sabe que não resisto a uma música. Principalmente com você cantando.


Harry sorriu, galante, e terminou a música:


“The smile on your face (O sorriso em seu rosto)
Lets me know that you need me (Permite-me saber que você precisa de mim)
There's a truth in your eyes (Há uma verdade em seus olhos)
Saying you'll never leave me (Dizendo que você nunca vai me deixar)
The touch of your hand (O toque de sua mão)
Says you'll catch me if ever I fall (Diz que você vai me segurar se eu cair)
You say it best (Você diz isso melhor)
When you say nothing at all (Quando não diz nada) (***)


- Você nunca se cansa? – perguntou suavemente.


Ele a olhou confuso.


- De cantar para você?


- Também... – ela exclamou sorridente, deitando na grama e o olhando com carinho – Eu perguntei se você não se cansa de tentar me conquistar.


Harry corou furiosamente, e Hermione riu. Ele respondeu corajosamente:


- Não.


- Foi o que pensei... – sua tranqüilidade com aquele assunto parecia deixá-lo nervoso – Sabe que ainda me lembro do dia de seu aniversário? – ele a olhou curioso – Das palavras que me disse, quero dizer. Lembro-me que só iria me beijar no dia que tivesse certeza que eu o amaria da mesma forma.


- Eu lembro também.


- Pois é! – riu de si mesma – E já nos beijamos três vezes depois disso... – nem percebeu que adquirira um ar sonhador – Ou mais! Perdi a conta naquele dia que trouxe Teddy para o castelo.


- Hermione?


- Hum? – saiu de seus pensamentos, olhando curiosamente para ele.


- O que está tentando me dizer?


Ela sorriu, arrastando-se até o moreno, que a observava hipnotizado. Falou bem próxima aos lábios dele novamente:


- Que eu sei o porquê de continuar me conquistando – ela sorriu, beijando de leve o nariz do rapaz. Ele fechou os olhos. – Porque sabe que estou me apaixonando perdidamente por você.


Harry abriu os olhos e deparou-se somente com os olhos dela, tamanha era sua proximidade.


- Sabe disso, não sabe? – sussurrou – Pode ver isso em meus olhos?


Hermione sorriu com o visível esforço que ele fazia para não beijá-la. Adorou conhecer seu poder sobre o moreno. Ele gaguejou:


- Posso...


- Ficará me devendo este beijo, Potter! – avisou fingindo seriedade, levantando-se e oferecendo uma mão a ele – Vamos?


Harry demorou um pouco a recobrar os sentidos e assimilar o que acabara de acontecer.


- Para onde?


- Levarei você até o Salão Comunal – disse simplesmente, e o ajudou a se levantar. – Tenho que fazer vigia esta noite.


- Não acredito que...


- Nem comece – interrompeu sua indignação. – Eu estou bem! Posso muito bem cumprir com meus deveres.


- Mas você acabou de sair da ala hospitalar! Ficou cinco dias acamada!


- Porque fui obrigada, diga-se de passagem.


- Minha pequena, – murmurou carinhosamente, acariciando o rosto da jovem – Malfoy pode dar conta sozinho. Por favor, você ainda está se recuperando!


- Não. – foi firme na decisão – Eu já estou recuperada. Além disso, tem algo que preciso mesmo falar com Malfoy.


- Sobre o quê?


Hesitou.


- Algo sobre os novos monitores – mentiu. – Preciso que Malfoy dê um jeito nos novatos da Sonserina.


Harry respirou fundo e a abraçou.


- Odeio quando mente para mim – murmurou em seu ouvido, contrafeito. – Me deixa preocupado.


Ela deu um beijo carinhoso em sua bochecha.


- Vamos. Ainda precisa pegar o Mapa do Maroto para mim.


 


- Aceita companhia?


- Claro! – disse Draco sorridente, passando a caminhar junto com ela – Odeio essas vigias entediantes e absolutamente inúteis.


Hermione riu.


- Ainda não consigo me acostumar com você sendo monitor-chefe junto comigo.


- Nem eu – ele confessou. – Mas não quis perder essa oportunidade.


- Oportunidade de poder fazer o que bem entender e mandar nos outros? – brincou.


- A ideia é tentadora, mas não – riu. – Quis aproveitar essa segunda chance que McGonagall me ofereceu, sabe? Tentar ser alguém melhor do que já fui.


Hermione lhe deu um sorriso sincero.


- Nunca tive a oportunidade de lhe dar as boas-vindas ao nosso time de bonzinhos.


A risada do loiro foi contagiante.


- Obrigado, eu acho – disse entre risos.


Ela deu uma olhada no mapa.


- Vamos descer – avisou. – Tem dois alunos passeando pelo corredor.


- O que é isso? – perguntou o loiro apontado para o pergaminho em suas mãos.


- Um tesouro! – falou misteriosa.


Desceram alguns lances de escada e encontraram um casal de namorados beijando-se sem pudor algum. Hermione foi categórica:


- O que pensam que estão fazendo? – perguntou assustando os dois – Já passa do horário de dormir! Voltem aos seus dormitórios ou passarão um mês de detenção.


O casal separou-se num pulo, confirmando com a cabeça e saindo apressado dali. O loiro riu.


- Aposto que irão para outro lugar... – comentou quando viraram em um corredor.


- Mas não vão mesmo. – falou a garota, olhando fixamente para o mapa – Estou de olhos neles.


Draco não controlou a curiosidade e juntou sua cabeça com a dela, a fim de visualizar o tal “tesouro”.


- Uau! – admirou-se – Isso é Hogwarts? E todos que estão aqui dentro?


- Sim – comentou distraída. Visualizava o suposto casal entrar no Salão Comunal da Lufa-Lufa, dois andares abaixo deles. Sorriu aliviada.


- Como conseguiu isso?


- É de Harry. Herança de família.


- Está me dizendo que esse mapa...


- Era de Tiago Potter, sim. E de sua turma de “marotos” – entregou o mapa ao colega, que via tudo de queixo caído. – Aluado era nosso ex-professor, Lupin. Rabicho... Bem, você sabia quem era. Almofadinhas era Sirius Black. E Pontas era o pai de Harry.


- Uau! – estava impressionado – Isso que é presente!


Hermione riu, pegando o mapa de volta e o guardando temporariamente no bolso do casaco. Hesitou antes de fazer a pergunta que queimava em sua garganta.


- Por que me salvou?


- Como? – não entendeu.


- Por que doou seu sangue para mim? – esclareceu. O garoto ficara tenso – Nunca fomos amigos. Ao contrário até. Mesmo assim me salvou. Por que fez isso?


Malfoy demorou a responder, como se escolhesse as melhores palavras.


- Longbottom me encontrou na sala da diretora naquele dia... – começou, cauteloso, sem olhá-la. Ela também seguia seu caminho apenas olhando ao redor. – Ele com certeza não estava me procurando. Acho que nem me viu lá, tamanho era seu desespero. Chegou avisando que você estava na enfermaria e precisava urgentemente de alguém que doasse sangue para uma transfusão, e queria ajuda para divulgar seu estado e então achar alguém mais rapidamente.


Ele respirou fundo diversas vezes antes de continuar.


- Eu nem pensei direito na hora, pra dizer a verdade – comentou envergonhado. – Sabe aqueles momentos em que você simplesmente age e pensa depois? – a jovem confirmou – Pois é. Quando dei por mim, já estava perguntando ao Longbottom qual era o sangue necessário. Ele deu as características do meu, e eu apenas me perguntei: “Ué, por que não?”. Falei que meu sangue também era “O” negativo e ele simplesmente me arrastou até a ala hospitalar!


Hermione sorriu, encantada com aquela história. Fascinada por ter um amigo como Neville.


- Não respondeu minha pergunta.


- Nem conseguiria – respondeu simplesmente, passando a encará-la. – Fiz o que fiz e não me arrependo. É só isso.


Sorriu agradecida e voltou a caminhar. Pegou o mapa novamente.


- Droga! – seu tom assustou o rapaz ao seu lado – Cinco estudantes no segundo andar. Teremos que descer novamente.


Draco bufou, seguindo Hermione. Os dois chegaram a uma sala vazia e encontraram cinco alunos do terceiro ano prestes a entrarem num duelo.


- Travis, Johnson, McCarter, Sullivan e Valois – identificou Hermione para Malfoy, que entrou rapidamente em ação. – Os três primeiros da Corvinal e os últimos da Sonserina.


- Ei, vocês! – gritou o loiro, chamando a atenção dos rapazes – Ficaram loucos? Dez pontos a menos para cada um!


Os garotos começaram a protestar, mas Malfoy foi mais rápido.


- E se contrariarem, tirarei mais dez! – os cinco rapidamente calaram-se – Voltem para seus dormitórios. E não desviem do caminho, pois vou saber se fizerem isso! E então ganharão uma detenção de quebra.


Os rapazes assentiram e saíram silenciosos. Hermione contralava-se para não rir na frente dos outros meninos.


- Você não pode tirar pontos – observou a garota depois de garantir que os alunos já estavam bem longe.


- Eu sei que não – comentou inocentemente. – Mas a ideia de perder pontos assusta mais do que ameaçar com uma detenção.


Hermione teve que concordar, sorridente. Depois de muito andarem, resolveu voltar ao antigo assunto.


- Gostaria de agradecer pelo que fez por mim – disse rapidamente, envergonhada. – Salvou minha vida... Serei eternamente grata a você.


Para sua surpresa, Draco riu da situação.


- Estou falando sério.


- Desculpe-me. – falou entre risos. Ela o olhava seriamente e o loiro parou com as risadas rapidamente. Mas mantinha seu sorriso. – Desculpe-me. Mas não pude deixar de pensar em Potter nesse instante!


- O que tem o Harry? – perguntou curiosa.


- Você e Potter são iguais! – declarou como se fosse a descoberta do século, ainda sorrindo – Vocês e essa mania de agradecerem por um gesto impensado meu!


Hermione o olhou emburrada.


- Pois me deixe esclarecer uma coisa – parou de andar e passou a olhá-la nos olhos enquanto dizia. – Vocês salvaram minha vida duas vezes esse ano. Eu nunca agradeci, mas também nunca esqueci. Eu poderia dizer que estamos quites, ou coisa assim, e então seguiríamos nossas vidas sossegados. Mas não é bem assim...


Ele passou as mãos nervosamente pelos cabelos. A garota não pôde deixar de se lembrar de Harry nesse instante.


- Eu não salvei sua vida – esclareceu. – Potter que o fez.


- Harry não podia me doar...


- Shh! Não terminei! – ele interrompeu – Longbottom me contou que Potter é apaixonado por você. – Hermione ficou surpresa – E acho que você já sabia disso, pela sua cara! – ele riu de sua própria piada, mas voltou a ficar sério quando percebeu que Hermione ainda estava atônita – Enfim... Eu cheguei na ala hospitalar e encontrei Potter num estado deplorável! Ele estava tomando uma poção calmante quando apareci. Percebi o quanto ele parecia surpreso em me ver. Disse o que estava fazendo ali, a enfermeira me fez algumas perguntas e foi logo me deitando na cama para realizar os exames e expulsando Potter dali. Ele teimou, lógico, não queria ficar longe de você, mas Madame Pomfrey foi severa. Longbottom o levou embora e eu só os vi horas depois.


- Vá direto ao ponto! – disse agoniada.


- Já estou chegando lá, acalme-se! – protestou indignado – Enfim... Eu fiquei extremamente curioso com a preocupação de Potter. Ok, vocês são amigos e blá, blá, blá! – interrompeu-a antes de a mesma dizer algo – Mas na hora eu não sabia da suposta paixão de Potter! Fiquei imaginando e pensando por muito tempo no porquê dele estar daquele jeito. Eu tenho que lhe confessar: nunca o vi tão desesperado em toda a minha vida! Nem mesmo na última batalha o via tão sem chão como vi há alguns dias...


Hermione respirou fundo. Talvez fosse mais difícil do que esperava ouvir a história completa.


- Continue.


- Eu os ouvi conversando quando você finalmente acordou – confessou de uma vez. – Não queria ouvir, mas foi inevitável. Eu estava ali do lado, acordado, e Potter chorando... Eu simplesmente não quis interromper. Sabia que ele precisava urgentemente te ver acordada – seu pedido de desculpas a fez dar um sorriso. Fez um sinal para que ele não se incomodasse e continuasse. – Aquilo me deixou com a pulga atrás da orelha! Soube que Potter passava vinte e quatro horas do seu dia perto de você e então procurei Longbottom. Fui discreto, não se preocupe – garantiu depois de vê-la arregalar os olhos. – Depois que descobri, percebi que quem salvou sua vida foi ele, e não eu.


Ela voltou a olhá-lo nos olhos. Pela primeira vez teve medo das futuras palavras de Malfoy.


- Potter foi procurar seu colar, – apontou para o cordão no pescoço da morena – como prometido. Achou-o depois de mais de três horas, perto do Lago Negro. Segundo Longbottom, ele foi levá-lo imediatamente para você, mas a encontrou desacordada em seu quarto de monitora. Parece que entrou em pânico, mas manteve a cabeça no lugar. Tirou suas roupas molhadas, – Hermione não pôde evitar, mas ficou extremamente corada; Malfoy não percebeu – cuidou de um ferimento seu, esquentou seu corpo o máximo que pôde. Depois que percebeu que não poderia fazer mais nada que ele a levou para a ala hospitalar. Madame Pomfrey me contou depois que esses cuidados iniciais foram essenciais para sua recuperação. – ele parou por um momento, respirando fundo e desviando o olhar por instantes – Eu apenas doei sangue... Potter tomou conta de você desde o momento que a encontrou até esta tarde. Entendeu a diferença?


Hermione entendera. Confirmou com a cabeça e desviou o olhar para que ele não visse seus olhos marejados.


- Eu... Eu não sabia.


- Não esperava que soubesse. Potter tem um senso de heroísmo terrível! Nunca vai admitir que fez algo certo conscientemente.


Ela sorriu, tendo que concordar com a nova descrição de Harry. Descobriu que amava mais esse “defeito” dele.


Voltaram a caminhar, em silêncio. Tiveram que mandar mais dois alunos para a cama antes de declararem o fim de seus turnos.


- Achei que também estivesse apaixonada por Potter – comentou antes de virarem em corredores diferentes.


- E estou.


Pôde ver o choque estampado no rosto do rapaz. Sorriu.


- E por que...?


- Porque ainda estou confusa. – respondeu antes que ele terminasse a pergunta – Não sei o que sinto por Rony.


- Weasley? - perguntou num tom entre o deboche e a incredulidade.


- Por que a surpresa?


- Acha mesmo que Weasley gosta de você do mesmo modo que Potter?


- Claro que não! – tentou não se ofender com o tom do rapaz, mas foi difícil – São duas pessoas absolutamente diferentes!


- E então?


- Então o quê?


- Ainda tem dúvidas de quem realmente gosta de você?


Não soube o que responder, decidida a apenas encará-lo.


- Vou lhe dar um conselho, mesmo que não queira... – falou o loiro se aproximando da moça – Apenas pense em quem faria tudo e mais um pouco por você. Pensou?


O rosto de Harry apareceu em sua mente.


- Agora pense em alguém que te faz sorrir mesmo quando não há motivos para sorrir...


Harry de novo.


- E agora pense em alguém que te apóia nos momentos mais difíceis. O seu porto-seguro.


“Harry...”.


- E por fim, pense naquele por quem VOCÊ daria a vida sem hesitar um segundo.


Hermione engoliu em seco, sentindo os lábios tremerem e os olhos lacrimejarem.


- Agora me diga... Weasley foi o resultado de todas essas perguntas?


Ela não podia mais sustentar aquele olhar duro e cruel. Abaixou o rosto e enxugou as lágrimas rapidamente.


- Meu conselho é para que você pense se Weasley é mesmo merecedor de seu coração – concluiu o rapaz, afastando-se dela. A jovem voltou a olhá-lo. – Ou se ele faria um décimo do que Potter fez por você nesses últimos dias.


E o rapaz desejou-lhe boa noite antes de dar-lhe as costas e seguir por um corredor em direção ao seu Salão Comunal.


 


"Olhando o relógio
O tempo não passa
Quando eu me afasto de você
Mas se de repente
Ele fica apressado
E as horas disparam
É só porque encontrei você..." (****)


Foi acordado com um beijo extremamente carinhoso em sua bochecha. Abriu os olhos, ainda sonolento, e reconheceu o borrão que devia ser Hermione. Tateou a mesinha de cabeceira atrás de seus óculos e sentiu que eram colocados em seu rosto.


- Bom dia... – aquela voz suave o fez sorrir enquanto se sentava – Já é quase meio-dia. Foi dormir tarde ontem?


- Estava fazendo o trabalho de Slughorn. – comentou espreguiçando-se. Coçou os olhos e voltou seu olhar para ela. – O que foi, Mione? Está se sentindo bem?


- Estou ótima – garantiu. – Apenas queria companhia.


Harry sorriu.


- Tomarei um banho rápido e te encontro lá embaixo, ok?


Ela confirmou, deixando o Mapa do Maroto em sua cama antes de sair do dormitório. Tomou seu banho, arrumou-se e a encontrou minutos depois. Depois do almoço passaram o dia revisando o trabalho de poções de Harry. Hermione corrigia uma coisa ou outra enquanto ele adiantava os exercícios de Feitiços, conversando sobre banalidades para o tempo passar mais rápido.


- Quer dar um passeio? – ela sugeriu depois de terminarem tudo.


O rapaz aceitou o convite no mesmo instante, pegando os casacos e a levando para fora do Salão Comunal. Andaram por todo o castelo e ao redor do lago (com Hermione lhe garantindo que não ficariam muito tempo ali). Conversavam sobre estudos, carreiras e profissões. Hermione parecia bastante interessada na medicina bruxa.


- Está ficando tarde. Vamos entrar.


Ela concordou e segurou sua mão por todo o caminho de volta. Harry sentia-se em paz, apesar de uma frase de Hermione não sair de sua cabeça:


“Ficará me devendo este beijo, Potter!”.


O rapaz sabia que ela apenas brincava, mas não conseguia deixar de pensar na situação. Hermione o provocara várias vezes no dia anterior, quase o beijando duas vezes. Queria estar enganado a respeito, mas não... Ele tinha ABSOLUTA certeza de que a moça quisera beijá-lo, apesar de ter se afastado em todas as vezes. Teve que usar todo seu autocontrole para não quebrar a promessa feita à garota, que sabia, com certeza, desse seu esforço.


Ah, e como ele sentia falta daquela boca rosada e macia! Definitivamente o melhor beijo que já provara! O ar lhe faltara por instantes quando relembrou a noite que ela o beijara por vontade própria, não largando seus lábios até o amanhecer...


“Sabe disso, não sabe? Pode ver isso em meus olhos?”.


Ele a olhou de relance. Seus olhos castanhos brilhavam enquanto encarava os verdes, contando algo que a mente distraída do rapaz não era capaz de ouvir.


“Sim, meu amor”, pensou, olhando-a carinhosamente. “Eu posso ver. Finalmente...”.


Despertou a tempo de ouvi-la perguntar:


- Dormirá comigo esta noite?


- Claro – sorriu.


- Que bom! – ela parecia ansiosa – Vá vestir seus pijamas que o esperarei lá dentro.


Confirmou com a cabeça e subiu as escadas. Vestiu-se enquanto Neville roncava abertamente e saiu despreocupado do dormitório. Voltou ao Salão Comunal e bateu na porta do quarto da moça.


- Pode entrar – ouviu-a dizer.


O quarto estava imerso na escuridão, apenas banhado pelo luar. Hermione estava em frente à janela que dava para a sacada. E estava tão linda! Usava uma camisola longa, branca, que refletia a luz da lua e parecia deixá-la com uma aura prateada. Seus cabelos soltos e olhos convidativos a deixavam irresistível. Harry aproximou-se, fascinado por sua simplicidade e beleza.


- Sem sono?


- Sim – ela lhe confessou. – Preciso te contar uma coisa.


- Diga.


Ela hesitou.


- Procurei Malfoy ontem à noite, – começou nervosa – e ele me falou tudo o que aconteceu naquele dia que fiquei doente.


- E o que você descobriu? – ele comentou docemente, sem resistir nem mais um instante e a puxando para um abraço. Ela repousou sua cabeça sobre o seu peito e o enlaçou carinhosamente.


- Muitas coisas... – ela respirou fundo – Draco me contou que foi você quem salvou minha vida, e não ele. Seus cuidados quando me encontrou desmaiada foram essenciais na minha recuperação. – ela riu baixinho com o que iria falar – Ainda não acredito que tirou minhas roupas, Potter!


Seu rosto pareceu pegar fogo com o comentário da moça. Evitou olhá-la.


- Fiquei preocupado com você! – desculpou-se – Não tinha segundas intenções, eu juro.


- Não tem problema – garantiu. – Mas o que eu queria contar não era isso. Malfoy me contou que Neville abriu a boca e revelou seus sentimentos por mim.


Harry a olhou boquiaberto.


- Não fique chateado com Neville, ele não fez de propósito! Malfoy apenas soube fazer as perguntas certas. – ela o acalmou. – Mas ainda não era isso que queria contar...


- Então vá direto ao ponto. Essas suas revelações não estão fazendo bem à minha consciência!


Hermione riu.


- Oh, está bem. Draco meio que me colocou contra a parede ontem à noite – Harry rapidamente a olhou desconfiado. – Não pense bobagens! Não foi nesse sentido.


Harry sorriu, aliviado, voltando a abraçá-la.


- Ele me fez pensar sobre os meus sentimentos, Harry. Ele me fez pensar em Rony... E em você...


Teve medo das palavras de Hermione. Teve medo pelo amor que sentia, que podia jurar que nunca iria largá-lo. Esse sentimento tão forte, tão novo e intenso... Tão querido e tão sofrido... Sabia que esse sentimento nunca sairia de seu coração. Mas percebeu que estava perdido quanto ao que a moça sentia. E se ela não sentisse o mesmo? E se fosse apenas uma paixonite passageira, como ela julgara o seu amor meses atrás? E se Hermione sempre amasse Rony? Ficaria sozinho? Ficaria à mercê desse amor que poderia não ter futuro algum?


- Não fale mais nada – decretou, abraçando-a forte e tentando esconder todo o medo e angústia de seus pensamentos. – Por favor...


Temia o dia que Hermione cansaria de todo o seu romantismo e dedicação. E não queria que esse dia fosse naquele instante.


Ela, contudo, não se calou:


- Preciso te contar! – ela saiu do abraço e Harry pôde ver seus olhos entristecidos – Harry, eu não posso me apaixonar por você...


Engoliu em seco.


- Porque ama Rony?


- Não! Ao contrário! Porque estou deixando de amá-lo!


Harry teve a mesma sensação de quem leva um tapa no rosto. Aquelas palavras o deixaram inconformado e sem saber o que dizer. Voltou seu olhar para a paisagem lá fora, que contrastava com seu coração despedaçado. Apenas uma pergunta teimava em sair de sua boca:


- Seria mesmo tão ruim para você?


O olhar da jovem demonstrava confusão.


- Do que...?


- Seria muito ruim... – ele a interrompeu – Ficarmos juntos? 


- Somos amigos, Harry. Por que mudar nosso relacionamento se ele já está bom assim?


- Não! – ele protestou, assustando-a – Não está bom assim! Nunca esteve bom nesse estado! – ele abaixou o tom – Eu sonho com você todos os dias... Sonho com nossos beijos e nosso futuro, mas tenho que ficar quieto, escondendo tudo, simplesmente porque você não decide o que quer! Quer ficar com Rony, mas não cansa de me provocar, de me oferecer sua boca e tomá-la de mim logo em seguida!


- Está botando a culpa em mim?


- Não. Estou botando a culpa em mim, por ser um bobo que levanta todos os dias com a falsa esperança de que você me beijará de novo e que ficará comigo para sempre! Ou por ser um idiota que aceita suas condições absurdas de ficarmos juntos por uma noite e termos que esconder o que sentimos no dia seguinte! – despejou todo o seu rancor de uma vez, sem se preocupar com o que ela poderia pensar. Seu coração já estava cansado de tanto sofrimento. – Hermione, isso me mata dia após dia... Você não tem idéia do quanto dói...


Hermione virara o rosto com o que Harry declarara. Ele a via sofrer calada, sem denunciar por um segundo o que realmente estava sentindo. Porém sua voz chorosa a entregou:


- Não posso tomar uma decisão sem que Rony esteja aqui.


Ela então lhe virara as costas e caminhou até sua cama, deitando-se de costas para ele. Harry não via mais motivo para continuar ali.


- Boa noite, Mione – e saiu do quarto.


 


Passou a hora seguinte agarrada ao travesseiro e chorando como uma criança. Ou como alguém que perdera seu grande amor...


Não, não podia se entregar assim! Era louca por Harry, e só ele não sabia disso ainda! Mas por que então era tão difícil se declarar? Por que ainda pensava em Rony toda vez que desejava os beijos do moreno? Por que não poderia dar uma chance aos dois?


“Porque sou honesta, mesmo que Rony não seja”.


Seu choro constante e seus pensamentos torturadores estavam deixando-a com dor de cabeça. Sua alma estava em frangalhos. Precisava de seu consolador, mesmo que ele fosse a causa de seu pranto. Levantou da cama, vestiu um robe e enxugou as lágrimas de seu rosto. Respirou fundo e saiu do seu quarto sem prestar atenção ao mundo ao seu redor. Subiu a comprida escadaria e bateu de leve na porta do dormitório masculino do sétimo ano.


Harry a abriu segundos depois, completamente sério e insatisfeito com a visita noturna. Hermione tremeu com o olhar frio que recebeu.


- Preciso...


Ele não esperou que ela terminasse, ignorando seu comentário e entrando no quarto. Segurou as lágrimas de tristeza que invadiam seus olhos e o seguiu.


- Podemos conversar?


- Não. – respondeu imediatamente – Quero que saia daqui.


Não devia ter doído tanto... Não deveria ter machucado seu coração... Mas o golpe foi cruel demais para sua alma carregada de infelicidade. Lágrimas rolaram por seu rosto e ela não se deu ao trabalho de limpá-las.


- Certo. – tentou colocar firmeza na voz – Só vim lhe dizer que... Não, não seria ruim.


E partiu antes que o rapaz entendesse sua sentença.


 


"Loving you like I never have before (Amando você como eu nunca amei ninguém antes)
I'm needing you just to open up that door (Estou precisando que você apenas abra essa porta)
If begging you might somehow turn the tides (Te implorando como se, de algum modo, pudesse mudar a situação)
Than tell me too I've got to get this off my mind (E me peça também, eu preciso tirar isso da minha cabeça)"


Acordou com uma enxaqueca forte. Levou as mãos à cabeça num gesto automático e permitiu-se ficar na cama mais um tempo. Olhou que o relógio marcava sete da manhã e decidira levantar-se de uma vez, a fim de não ter chances de encontrar o moreno e presenciar uma situação no mínino constrangedora. Sentou na beira de sua cama e soltou um grito ao ver Harry ao lado da janela, apreciando a paisagem lá fora.


- O que está fazendo aqui?


Ele virou o rosto lentamente, como se tivesse percebido a presença dela naquele momento. Havia profundas olheiras debaixo daqueles olhos verdes, que demonstravam cansaço e tristeza.


"I never thought I'd be speaking these words (Eu nunca pensei que estaria dizendo essas palavras)
I never thought I'd need to say (Eu nunca pensei que precisaria dizer)
Another day alone is more than I can take (Outro dia sozinho é mais do que posso suportar)"


- Vim conversar – sua voz estava baixa e rouca. – Mas já estava dormindo quando cheguei.


Devia ter chegado bem tarde, pois a moça custara a pegar no sono, ainda abalada com a frieza do rapaz e com o modo que ele a expulsara do quarto.


- O que quer? – gaguejou. – Não poderia esperar eu acordar e falar comigo mais tarde?


- Não. Iria fugir de mim, que eu sei.


"Won't you save me? (Você não vai me salvar?)
Saving is what I need (Salvação é o que eu preciso)
I just wanna be by your side (Eu apenas quero estar ao seu lado)
Won't you save me? (Você não vai me salvar?)
I don't wanna to be (Eu não quero ficar)
Just drifting through the sea of life (Apenas vagando sem rumo neste mar da vida)"


Harry a conhecia melhor do que ninguém. Talvez mais do que a si mesma... Ele aproximou-se devagar, ajoelhando à sua frente. Segurou as mãos da jovem com as suas, mas ela as puxou de volta.


- O que quer? – repetiu. Tentava aparentar frieza ou indiferença, para que ele sentisse na pele o que ela sentira. Para sofrer tanto ou até mais do que ela... No fundo, não queria ouvir o que ele tinha a dizer. Não faria diferença.


Surpreendendo-a, pegou as mãos da moça novamente e depositou um beijo terno e carinhoso em cada uma, voltando a olhá-la nos olhos logo depois.


- Perdoe-me...


"Won't you... (Você não vai...)
Listen please baby don't walk out that door (Ouça por favor, querida, não saia pela porta)
I'm on my knees you're all I'm living for (Eu estou de joelhos, tudo o que estou vivendo é por você)"


Enganou-se ao perceber que faria sim diferença ouvi-lo, pois a barreira que impôs foi se desfazendo aos poucos com seu pedido sincero e emocionado. Ela encarou profundamente aqueles olhos cor-de-esmeralda e teve certeza de que aquelas palavras vinham do coração.


Lágrimas voltaram aos seus olhos e, sem se controlar, jogou-se nos braços do rapaz, que caiu com o susto. Abraçavam-se fortemente, jogados no carpete macio, chorando nos braços do outro.


"I never thought I'd be speaking these words (Eu nunca pensei que estaria dizendo essas palavras)
Haven't gonna find a way (Nunca pensei que encontraria uma maneira)
Another day alone is more than I can take (Outro dia sozinho é mais do que posso suportar)"


- Sinto muito... – ele murmurava em seu ouvido, aflito – Sinto muito pelo que eu disse. Não devia... Falar aquelas coisas... Fui um monstro! Perdoe-me.


- Eu também... Desculpe-me! Você tinha razão, eu sou horrível. Machucando seu coração, eu...


"Won't you save me? (Você não vai me salvar?)
Saving is what I need (Salvação é o que eu preciso)
I just wanna be by your side (Eu apenas quero estar ao seu lado)
Won't you save me? (Você não vai me salvar?)
But I don't wanna to be (Eu não quero ficar)
Just drifting through the sea of life (Apenas vagando sem rumo neste mar da vida)"


Terminaria de falar se seus lábios não fossem cobertos pelos de Harry num beijo desesperado e cheio de paixão. Fora apenas um selinho, mas sentira o ar lhe faltar com tantas emoções. Ela abriu os olhos e vira que ele se afastara, como se também tivesse assustado com sua atitude. Seus olhos demonstraram receio quanto à reação de Hermione.


- Desculpe.


Harry parou de abraçá-la e levantou-se do chão, ajudando-a a fazer o mesmo. Evitavam se olhar, constrangidos.


- Vou me banhar – ela comentou, evitando os olhos do rapaz. – Nos encontramos lá fora, sim?                


Ele confirmou com a cabeça e saiu sem olhar para trás. Hermione respirou fundo.


"Suddenly the sky is falling (Repentinamente o céu está caindo)
Could it be it's too late for me? (Poderia ser tarde demais para mim?)
If I never said "I'm sorry" (Se eu nunca disse "Me perdoe")
Then I'm wrong, yes I'm wrong (Então estou errado, sim estou errado)
Then I hear my spirit calling (Então eu escuto meu espírito chamando)
Wondering if she's longing for me (Imaginando se ela está esperando por mim)
And then I know that I can't live without her (E aí eu entendo que não consigo viver sem ela)"


“O que acabou de acontecer aqui?”, sua consciência lhe incomodava. “Não tenho idéia...”, respondeu com sinceridade. Mas sentiu um desejo imenso de correr atrás de Harry e voltar a beijá-lo. Ficar envolvida por aqueles braços fortes e carinhosos e ser beijada por aquela boca sensual e apaixonante... Passou a mão pelos lábios, ainda com a sensação de ter os de Harry presos ali... Sorriu.


“Por que ainda está aqui?”.


Hermione sorriu ainda mais e se encaminhou até a porta, que foi aberta bruscamente pelo moreno. Ela assustou-se com o gesto.


- Mione...


- Sim?


"Won't you save me? (Você não vai me salvar?)
Saving is what I need (Salvação é o que eu preciso)
I just wanna be by your side (Eu apenas quero estar ao seu lado)
Won't you save me? (Você não vai me salvar?)
I don't wanna to be (Eu não quero ficar)
Just drifting through the sea of life (Apenas vagando sem rumo neste mar da vida)"


Ele a viu parada quase no mesmo lugar que a deixara e perdera o fio dos pensamentos. Olhava-a profundamente e a garota podia ver sua respiração pesada, como se tivesse corrido milhas até ali. Seus olhares se cruzaram por alguns segundos, mas seus corpos reagiram no mesmo instante, atraídos na direção do outro e em busca de outro beijo... Suas bocas encontraram-se num gesto calmo e tímido, apenas desfrutando das sensações prazerosas que passavam pelos dois. Logo Harry pediu permissão para aprofundar o beijo, e Hermione gemeu com o contato de suas línguas, o coração batendo forte. Separaram-se sem fôlego, Harry segurando o rosto da moça com as mãos e Hermione com os braços envolvendo o corpo do rapaz.


- Meu coração é seu, Mione... – sussurrou próximo ao seu rosto, olhando-a com carinho – Eternamente seu...


Fechou os olhos quando ele deu um beijo em sua bochecha, sorrindo bobamente com o gesto.


- E você já é minha... – ela olhou para aqueles brilhantes olhos verdes, que demonstravam uma profunda alegria – Mesmo que queira negar isso... Eu sei. Eu sinto... Seu coração também é meu...


E aproximou novamente os lábios, num beijo demorado, e se afastou dela. Andou até a porta e lhe lançou um sorriso contagiante antes de sair.


"Won't you save me? (Você não vai me salvar?)
Won't you save me? (Você não vai me salvar?)
Won't you save me? (Você não vai me salvar?)(*****)




- Como foi seu Natal? – Hermione perguntou à amiga assim que conseguiram um lugar sossegado para conversarem.


- Normal – respondeu Gina. – Troca de presentes, Rony emburrado com tudo, eu brigando com Rony... – Hermione riu – Só Draco mesmo pra tirar a monotonia dos meus dias.


- Vocês estavam trocando cartas? – exclamou surpresa – E seus pais?


- Eu disse que eram cartas suas – disse simplesmente, fazendo a morena rir novamente. – E você? Mal deu atenção ao Rony... O que tem para me contar?


- Como você...?


- Draco – respondeu à pergunta incompleta da jovem. – Ele fez o maior suspense quanto a isso. Pode ir me contando tudo!


Hermione sorriu, ligeiramente envergonhada.


- Draco só pegou o começo da história – começou, nervosa. Gina fez uma careta confusa. – Fiquei doente nesse Natal. Peguei hipotermia.


Gina arregalou os olhos.


- Por que não me contou? Ou mandou uma carta?


- Não foi preciso, fiquei boa logo – acalmou a amiga. – Além disso, iria vê-la hoje, uma semana depois. Poderia esperar.


Seu sorriso não passou despercebido pela ruiva.


- O que está escondendo, Mione?


Não pôde esconder o bobo sorriso que tomava conta de seu rosto. Estava difícil parar de sorrir naqueles dias...


- Há males que vem para o bem, eu costumo dizer... – começou misteriosamente. Gina agoniou-se com o silêncio, exigindo mais detalhes. – Harry e eu nos beijamos.


- De novo? – perguntou animada.


Hermione surpreendeu-se.


- Como assim de novo?


O grande sorriso da ruiva a entregou.


- Harry me contou.


Hermione sorriu também.


- Mas me conte! Como foi? O que aconteceu, exatamente?


A jovem passou a relatar, detalhe por detalhe, do beijo que compartilhara com o moreno, dois dias atrás. Gina ficava animada a cada nova palavra.


- Minha nossa! E no primeiro dia do ano! Isso é um sinal, Mione!


- Sinal de quê?


- De sorte, é claro! Parece que estão destinados a ficarem juntos! – Hermione deu um suspiro debochado – Ok, mesmo que não seja um sinal... Harry está fazendo de tudo para que vocês fiquem juntos no final! Isso é lindo!


- Mas tem um problema, Gina.


- E qual seria?


- Depois de tudo o que ele me confessou naquela noite... – ela sentia-se perdida quanto ao que ia dizer; talvez sua amiga lhe desse um bom conselho para aquela situação. Engoliu em seco. – Todo aquele discurso de se sentir mal com o fato de nos beijarmos num dia e fingirmos esquecer no dia seguinte... Ele fez a mesma coisa! – exclamou, mostrando sua aflição – Quando o procurei depois de nosso beijo, ele fingiu que nada tinha acontecido! Eu toquei no assunto e ele simplesmente perguntou: “Que beijo?”, como se não lembrasse de coisa alguma!


Gina sorriu.


- Ele estava querendo se desculpar pelo que disse, Mione.


- Você acha?


- Tenho certeza. Vocês se beijaram depois disso?


Hermione negou.


- Então eu tenho certeza absoluta.


A morena sorriu, aliviada.


- E Rony? – perguntou a ruiva – Vai terminar com ele?


- Vou – falou decidida. Gina sorriu, orgulhosa. – Assim que tiver coragem...


~x~x~x~x~x~
N.A.: (*) - Trecho retirado da música "Uma Vez Mais", do Ivo Pessoa.
(**) - Trecho retirado da música "Alguém Que Te Faz Sorrir", do Fresno.
(***) - Música "The Smile On Your Face", da Alison Krauss.
(****) - Trecho retirado da música "Melhor Pra Mim", do Leoni.
(*****) - Música "Save Me", do Hanson.

EnigmaticPerfection - Ainda fico rindo com o coro de "aleluia", rsrs.. Sabe, eu tava lendo a fic antes de postar (lógico, tenho que corrigir!) e vi que a Hermione tá enrolando demais o Harry! Eu fiquei foi com raiva, mas como o capítulo já tava pronto... ^^" Sim, a Gina vai saber que Draco cantou para ela, mas não agora. Se não me falhe a memória, o capítulo é o 19 (e ele é fofo! *-*). Ah! Eu tive a mesma reação quando li e vi que o Harry tinha se lembrado da promessa. Maldito, rsrs...
E outra coisa... (Nem sei se posso falar isso aqui) Os comentários que deixei na sua fic são verdadeiros. Eu adorei demais a sua história!! A "bateria" de comentários era o mínimo que eu podia fazer depois de demorar tanto a ler sua fic! Enfim... Estou esperando ansiosamente esse capítulo 14! ;D Que orgulho de você também! ^^" Obrigada pelo comentário! Espero que goste do capítulo novo... Acho que deu pra perceber minha parte favorita, não é? ^^"
Laauras - Aaaahhhh!! Que música liiinndaaaa!! *----* Obrigada pela dica! Essa música vai entrar na fic, de certeza! Nem que eu tenha que virá-la do avesso, rsrs... Sim, eu gosto de rock romântico, mas acho que (quase) qualquer coisa acompanhada de "romântico", faz meu tipo. ;D Espero que goste desse capítulo aqui, todo romantizado, com uma boa pitada de drama. É o meu favorito! *-* Que bom que gostou dos outros também!! E obrigada pelo comentário! =D
livia de carvalho rodrigues - Ai, ai... Achei outra romântica incorrigível, rsr. ^^" Que bom que gostou dos capítulos! Sim, a Mione finalmente vai dar um pé na bunda do Rony, e eu canto "aleluia!" junto com vocês! Simplesmente não aguentava mais o Harry longe da Mione! Acho que deu pra notar isso no fim desse capítulo, não é? xD Agora é só uma questão de tempo (lê-se "próxima postagem) até o casal protagonista se juntar de vez! =D As cenas fortes vão demorar um pouco, pois eu ainda estou escrevendo-as. Mas é provável que lá pelo capítulo 19 venham as primeiras... ^^" Obrigada pelos comentários, eu os adorei! xD
Melissa Hashimoto - Não ligo pro tamanho do comentário. Ligo para o que está escrito nele, mesmo que seja apenas em uma linha. Se a linha vier carregada de emoção, raiva, alegria... É o suficiente para mim! Seus "livros" são mais do que perfeitos para mim! ^^" Você tem razão, na verdade é só um capítulo, mas com visões diferentes. Quando eu comecei a escrever, a parte original era, em boa parte, a visão do Harry, e no fim vinha as emoções de Hermione. Eu acabei decidindo por separá-los porque o capítulo ficou IMENSO! E separados até que ficaram razoáveis, não é? xD
Voltando à história... Pena mesmo, mas Gina ainda vai descobrir que Draco cantou para ela, o que ela vai considerar uma prova de que o loiro está mesmo apaixonado por ela. Vai demorar um pouco, mas acho que vai valer a pena... =) E não, o Harry não se cortou SÓ para ter a atenção da Hermione... Ele está em um experimento (que vai ser revelado no próximo capítulo), o corte foi consequencia. E o namoro de Rony e Hermione... Ele está indo por água abaixo (amém!). O próximo capítulo deve deixá-la animada, pois cenas românticas de Harry e Hermione virão com tudo! Chega de R/Hr por aqui! Essa é uma fic H/Hr! rsrs.. Ah! Assim como os momentos R/Hr acabarão, o tempo dessa promessa também chegará ao fim! =D Espero que goste desse capítulo aqui também, afinal R/Hr e promessas foram esquecidas, o que me fez AMAR esse capítulo! Obrigada pelos comentários! Eles me animaram muito! =D

E, para finalizar, obrigada a todos que lêem essa fic! Obrigada a todos os comentários, sugestões, críticas (que mesmo não sendo ditas, eu reparei de outra forma)... Faço de tudo para deixá-la o mais agradável possível, e adoraria que as sugestões/críticas fossem ditas diretamente. Nada de enrolações ou gestos sutis. Eles me magoam mais, o que acaba por me desconcentrar na história... Por favor, estou aberta a todo tipo de comentário, ok? Não se acanhem! Eu não vou morrer (não por causa do comentário, pelo menos)! =)
Próximo capítulo deve vir pela madrugada de terça para quarta. Beijos, abraços e até lá! =D 

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Comentários: 5

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Enviado por Mariana Thamiris em 21/08/2012

Owwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwnnnnnnnnnnnnnnn *--------* Preciso dizer que estou super hiper mega ultra encantada com esse capítulo lindoooooooooooooooooooooo????

Aiaiai Yukitooooo \o/ estou aqui escutando uma série de musicas romanticas e lendo tudinho com os olhinhos brilhando de emoção @___@

Ri horrores no comecinho com a guerra de bolas de neve hauhauhauhauhauhauhauahuahuah A Mione afobada e o Draco e o Neville tramando contra a dupla HHr XD foi tudoooooooooooow!!!

Harry e Neville recuperando o colar da Mione foi soo cuteee *--------------* Aiaiaiai Yukitoooo!!! Ele a encontrando desmaiada e ferida!!! Ow meu Merlinzinho do céu eu suei frio apavorada com o que poderia acontecer com a Mione!!! Céus ainda bem que o Draco estava lá \o/ (sonserino lindo do meu coraciscooooooo) Sério senti tanta peninha do Harry nessa hora, ele morrendo de medo de perder a Mione foi lindooooo!!!

Aaaaaaaawwwwwwwwnnnnn ele levando a Mione para a sala precisa em plena "primavera" foi tão românticoooo!!! Em nome de Morgana a Mione o provocando assim me deixou sem ar!!! XD hauhauhauhauhauhauah mas quando o Harry começou a cantar... (desmaia/revive/desmaia de novo) foi golpe baixoooooo!!! Ele é tão fofoooooooooo!!! A Mione realmente não pode mais resistir a ele!!!

Os dois finalmente confrontando seus verdadeiros sentimentos me deixou em extase, mesmo o Harry jogando na cara da mione toda a mágoa que sentia, mas acho que ela mesmo ouvir isso dele, esse choque de realidade era necessário para ela perceber o quanto machuca o Harry!!!

Os beijos dos dois, a reconsciliação foi LINDAAAAAAAAAAAAAA, os dois perdidos nos labios um do outro não me deixou palavras para descrever o quão perfeito ficou esse capítulo Isis *-------------------------------* sem falar das músicas que para variar estão super Harmony!!!!

(correndo para o proximo capítulo)

Nota: 5

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Enviado por livia de carvalho rodrigues em 26/06/2012

ESQUECI DE FALAR UMA COISA,NAO ESQUENTA SOBRE A MUSICA VC DECIDI ,AFINAL A FIC E SUA ,SE VC ACHAR QUE NAO VAI FAZER SENTIDO, NAO COLOQUE, NAO ESTRAGUE UMA FIC TAO BOA PARA AGRADAR A NINGUEM SIGA O SEU RACIOCINIO !ESSE CAP REALMENte ,VALE SER O SEU FAVORITO,PROMESSAS SEM SENTIDO FORAM ENFIM ESQUECIDAS,HA E HERMIONE VC NAO TEM QUE TER CORAGEM PRA TERMINAR NADA ,SIMPLISMENTE CHEGUE E DIGA _RONY VA SE CATAR VC E A SONGAMOMGA DA LUNA.A HERMIONE PENSA UM POUCO D+ NAO ACHA ?BOM ,A CENA DO BEIJO FOI LINDA ,A DOENÇA DA MIONE ME PROVOU QUE O HARRY E RELMENTE PERFEITO ,E CADA DIA EU GOSTO + DE SUA FIC .A E NAO FALEI DE DRACO  MAS ELE ESTA COMEÇANDO A SUBIR NO MEU CONCEITO ,QUE ELE E GINA SE ASSUMAN POIS ELES VAO NAMORAR UM AO OUTRO E NAO SUAS FAMILIAS ,ENFIM JA FALEI DEMAIS ,HA E EU SOU SIM UMA ROMANTICA INCORRIGIVEL FAZER O QUE Nè?RSRSRSRS BJS E ATE O PROSSIMO CAP !

Nota: 1

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Enviado por Laauras em 25/06/2012

aleluia irmãos! Por isso q eu digo q milagres acontecem! A Mione vai chutar o balde e cortar a galhada! uhu!

Amei a cena HHr! muito perfeito o beijo dos dois! Tem uma musica q o Glee canta - Endless Love! mas escuta a versão do glee!

Bjus! 

Nota: 5

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Enviado por Melissa Hashimoto em 25/06/2012

desculpa,nao entendi seu comentario:ser mais direta?????????????????impossivel!!!!

Nota: 1

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Enviado por EnigmaticPerfection em 25/06/2012

Ah, gostou do coro? Então traga-o de novo! \o/ Até que enfim eles largaram a promessa! Quando eu vi que eles combinaram de dormir juntos de novo, eu falei "Aaah, agora" vai, só depois pra me frustrar -.-' Enfim, pelo menos no dia seguinte, finalmente, finalmente! Lindo, lindo, lindos, pq é bem verdade que basta só cada um olhar nos olhos do outro que já dizem tudo. Acho que é isso o que eu mais amo em HHr *-*
Eu só não gosto pq a Mione é certinha demais kkkkk Rony já deu uns pulos aqui e lá mas ela ainda permanece honesta. Quer dizer, honesta até o ponto em que o Sr. Potter entra em cena ;P
E o Draco, cara, já é a segunda fic em dois dias que as autoras me fazem me apaixonar por ele XD E ele tá certíssimo! Quero logo o Rony voltando, pra todo mundo deixar em pratos limpos e pro Harry, tadinho, enfim ficar com quem ele merece. E embora eu fale isso, eu gosto do drama que ele traz quando se vê apaixonado pela Mione (e eu nem preciso me explicar, já tenho uma prova disso haha)
Perfeitamente compreendido porque esse é seu cap favorito. Não posso discordar hahaha
Você falando das minhas loucuras em forma de fic me deixa tão animada e querendo escrever hahah Voltei da facul no ônibus escrevendo loucamente e é uma das minhas cenas favoritas que vai aparecer.
Enfim, acho que já falei muuuito hhahah Beijinhos e até breve :) 

Nota: 5

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