Capítulo28: “Tulipas parte2”
Hermione seguiu o conselho de Harry e demorou um bom tempo relaxando na banheira. Precisava daquele tempo para se acostumar àquela nova atitude dele. Ou seria aquilo, ponderou ela, apenas um lado de sua personalidade que ele ainda não havia tido oportunidade de demonstrar?
Como poderia imaginar que Harry tinha um lado tão romântico? E como poderia prever que o fato de ele lhe demonstrar isso dificultaria ainda mais o controle de seus próprios sentimentos?
Amava-o de qualquer maneira, sob qualquer circunstância. Mas não havia mulher que resistisse a todas aquelas demonstrações de gentileza e romantismo. Deus, até onde seu amor iria chegar? Seria possível conseguir amá-lo ainda mais? Difícil. Mas não impossível.
Tinha noção de que Harry estava fazendo aquilo para se desculpar, por havê-la magoado. Na verdade, ele não tinha idéia do que realmente havia feito a ela. Contudo, o mais importante, pelo menos para ela, era o fato de ele querer se desculpar de alguma maneira. Como poderia negar um pedido de desculpas vindo de Harry?
Uma noite tranqüila, com um jantar íntimo e casual, seria perfeita para eles. Harry não gostava de multidões e, no momento, ela própria também não estava com disposição para ir a um lugar mais agitado. Por isso, comer pizza diante da tevê lhe pareceu um bom programa. Ela e Harry teriam a chance de rir e de conversar sobre amenidades. Mais tarde, talvez até fizessem amor no sofá enquanto um filme em preto-e-branco estivesse sendo exibido na sessão da madrugada. Finalmente as coisas voltariam a ser simples entre eles.
Sentindo-se mais calma e relaxada, vestiu um longo robede seda azul, escovou os cabelos e começou a descer a escada. Foi então que uma música suave lhe chegou aos ouvidos. Um som envolvente e sedutor. Não ficou surpresa. Afinal, Harry gostava daquele tipo de música e até tocava aquele estilo com seu sax.
Porém, ao descer mais alguns degraus, viu o candelabro sobre a mesa com suas velas acesas.
Harry estava ao lado da mesa, esperando-a com um sorriso charmoso. Havia trocado de roupa e estava trajando uma calça e uma camisa pretas, que destacaram ainda mais a cor verde-esperalda dos seus olhos, além de haver feito a barba.
Ao vê-la, ele lhe estendeu a mão. Hermione se aproximou devagar e pousou a mão sobre a dele, encantada com a maneira como a chamas das velas se refletiam sobre os cabelos e os olhos dele.
- Está se sentindo melhor?
- Sim, muito. O que está acontecendo aqui?
- Nós vamos jantar.
- Mas o cenário está um pouco elaborado para... - Hermione se interrompeu quando Harry levantou-lhe a mão e roçou os lábios sobre seus dedos, deixando-a sem fôlego por um instante. - Pizza - completou ela.
Harry sorriu.
- Gosto de olhar o seu rosto à luz de velas - explicou. - Gosto do efeito das chamas no brilho de seus olhos. - Puxando-a delicadamente para si, beijou-a nos lábios. - E sobre sua pele. - Roçou os lábios sobre a face dela. - Acho que esqueci de quanto você é delicada e acabei indo longe demais em minha falta de consideração.
- O quê? - Hermione estava se sentindo ligeiramente zonza.
- Tenho sido descuidado com você, Mione. Mas não serei esta noite. - Dizendo isso, beijou a mão dela, provocando-lhe um arrepio. - Tenho algo para você - falou ele, pegando uma pequena caixa com um laço cor-de-rosa que havia sido deixada sobre o balcão.
Hermione levou as mãos às costas, em um gesto instintivo.
- Não quero nenhum presente, Harry. Não preciso de presentes.
Ele franziu o cenho, surpreso com o tom defensivo na voz dela. Somente depois de alguns segundos, foi que se deu conta de que ela estavapensando em Cho.
- Não estou lhe oferecendo isso porque você precise, ou porque tenha pedido - explicou a ela.
- Quero lhe dar isso porque me fez lembrar de você. - Ele entregou a caixinha a ela. - Abra antes de se decidir. Por favor.
Sentindo-se meio infantil, Hermione pegou a caixinha e retirou o laço com cuidado.
- Bem, quem não gosta de presentes? - disse, com bom humor. - Além do mais, você esqueceu meu aniversário.
- Esqueci?
Harry se mostrou tão chocado que a fez rir.
- Sim, ele foi em setembro do ano passado, e o fato de que você ainda não me conhecia não serve de desculpa para não ter me dado um presente. Então este aqui...
Hermione se interrompeu de repente, olhando para o inusitado par de brincos repousados sobre o veludo da caixinha. Dois pingentes de hematita mostrando vários peixinhos sobrepostos. Feito um pequeno cardume de sardinhas prontas para entrar na lata.
- Eles são ridículos. - Hermione riu, encantada.
- Eu sei.
- Mas eu adorei.
- Eu sabia que você ia gostar. – Harry sorriu, satisfeito.
Com um brilho de felicidade no olhar, ela segurou os pingentes junto às orelhas.
- Que tal?
- Adoráveis e inusitados, como você.
Hermione enlaçou os braços em torno do pescoço dele e o beijou com uma paixão que fez Harry sentir o sangue esquentar. Então ouviu um soluço.
- Ah, meu Deus. Não, não faça isso.
- Sinto muito. - Hermione soluçou novamente, escondendo o rosto junto ao pescoço dele. - É que flores, candelabros e peixinhos... Muita coisa de uma vez, entende? - Respirando fundo, tentou se acalmar e deu um passo atrás. - Muito bem, já passou - declarou, passando as mãos pelo rosto, com ar decidido.
- Graças a Deus. - Harry passou o polegar pelo rosto dela, enxugando uma lágrima que insistira em surgir. - Pronta para o champanhe?
- Champanhe? Ora, é difícil não se estar pronto para tomar champanhe.
Hermione ficou olhando Harry ir até a cozinha e começar a abrir o champanhe deixado em um balde com gelo. O que dera nele afinal? Tinha de haver um motivo para todo aquele contentamento...
- Já sei! - exclamou ela, de repente. - Você terminou o roteiro! Oh, Harry, você conseguiu terminar?
- Não, não terminei.
A rolha do champanhe finalmente saltou e ele serviu a bebida.
- Oh. - Voltando a se sentir confusa, Hermione franziu o cenho.
- Então, o que estamos celebrando?
- Você. - Harry tocou o copo no dela, em um brinde. - Apenas você.
Ele pousou a mão sobre o rosto de Hermione, antes de levar seu próprio copo aos lábios dela.
Hermione provou a bebida, fechando os olhos por um instante para apreciar melhor aquele sabor todo especial. A maneira como Harry a estava fitando quando ela voltou a abrir os olhos deixou-a entontecida.
- Não sei o que lhe dizer.
- Não precisa dizer nada - respondeu ele.
- Apenas aproveite a noite que preparei para você. Hermione sentiu um arrepio de expectativa.
- Puxa, quais serão as surpresas que me aguardam? Já estava me sentindo feliz demais com as que tive até agora.
- Eu ainda nem comecei... - Harry tirou o copo da mão dela e o deixou de lado, antes de envolvê-la em seus braços. Roçando os lábios nos dela ao ritmo da música, ele sussurrou: - Nunca a tirei para dançar.
- Não. - Hermione fechou os olhos. - Nunca.
- Então dance comigo, Mione.
Como se aquele fosse o gesto mais natural naquele momento, ela levou a mão ao ombro dele e encostou a cabeça em seu ombro, deixando-se levar pelo ritmo da música. Iluminados apenas pelas suaves chamas das velas, os dois ficaram ali durante algum tempo, desfrutando aquela agradável atmosfera de intimidade.
Ao sentir os lábios de Harry roçando seu queixo, Hermione levantou o rosto de modo que seus lábios encontrassem os deles. Sua pulsação estava acelerada, mas seus movimentos, ao ritmo da música, eram lentos, quase preguiçosos.
- Harry... - murmurou, equilibrando-se na ponta dos pés para beijá-lo com mais intensidade.
- Deve ser o jantar - falou ele, ainda com os lábios junto aos dela.
- Hum?
- O jantar. A campainha.
- Oh.
Hermionel tivera a impressão de ouvir uma campainha, mas o ruído lhe parecera tão distante que ela pensara que o som. houvesse vindo de outro apartamento.
- Espero que não fique desapontada - disse Harry, enquanto abria a porta.
- Não é pizza.
- Oh, tudo bem. Qualquer coisa está bom para mim.
Como ele queria que ela se preocupasse com comida com todo seu corpo ardendo de desejo por ele? Entretanto, não conseguiu esconder o ar de espanto ao ver garçons uniformizados entrando no apartamento.
Aturdida, ficou observando os homens arrumarem as iguarias sobre a mesa com eficiência e discrição. Eles partiram em menos de dez minutos, e somente então Hermione conseguiu voltar a falar.
- Isso... parece estar maravilhoso.
- Venha sentar-se. - Harry lhe segurou a mão e indicou um lugar para ela, antes de se inclinar e beijá-la na nuca.
Hermione se lembrava de haver comido alguma coisa, mas não tinha muita certeza do que fora e nem de como o fizera. Era como se seu poder de observação houvesse decidido abandoná-la de repente. Toda sua atenção estava centrada em Harry, e somente nele. Só conseguia se lembrar da maneira como os dedos gentis haviam tocado os seus e de como aqueles lábios macios haviam roçado a pele sensível de sua mão em determinados momentos. A maneira charmosa como ele sorrira e servira mais champanhe, que ela bebera até sentir a cabeça ficar leve, muito leve.
Também se lembrava com clareza da maneira como ele a carregara nos braços, com infinita gentileza, até o andar de cima. E de como ele a colocara com todo cuidado sobre a cama, em meio aos lençóis perfumados. Acendeu as velas do candelabro, como já havia feito antes, mas dessa vez se aproximou de uma maneira diferente. Uma maneira permeada por uma espécie de magia carinhosa e sensual que Hermione não saberia ao certo como definir, apenas sentir.
Um beijo intenso e apaixonado iniciou o ritual de amor. Harry ofereceu a ela mais do que conseguia se imaginar capaz de oferecer a alguém, e encontrou na resposta sem reservas de Hermione mais do que poderia sonhar.
Fizeram amor lentamente, sem pressa, sem receios. Para ambos, aquele delicioso compartilhamento íntimo foi uma espécie de descoberta mútua, algo que viveria apenas na lembrança dos dois.
Quando Harry abriu o robe de Hermione, ficou algum tempo admirando suas formas perfeitas, lisonjeando-a com aquele olhar de indisfarçável desejo.
- Você é tão linda, Mione - disse, fitando-a nos olhos.
- Quantas vezes deixei de lhe dizer isso? De lhe mostrar isso?
- Harry...
- Deixe que eu lhe faça isso. Deixe-me vê-la sentir prazer ao ser tocada como eu deveria tê-la tocado antes. Assim... - murmurou ele, percorrendo toda a extensão do corpo macio e cheio de curvas com a ponta do dedo indicador.
Hermione conteve o fôlego e fechou os olhos, envolvida por uma sensual onda de prazer. Então ele inclinou a cabeça, traçando com os lábios e a língua a mesma trilha de fogo que seu dedo havia deixado.
Gemidos de prazer irromperam na garganta de Hermione, emergindo por entre seus lábios entreabertos. Vulnerável ao toque das mãos e dos lábios experientes de Harry, estremeceu completamente quando uma onda mais intensa de prazer arrebatou-a de repente.
Harry continuou a doce tortura, sentindo-se satisfeito ao vê-la gemer e arquear o corpo em meio ao poderoso abandono sensual. Mas ainda não era suficiente. Queria oferecer mais a Hermione. Muito mais.
Ao se unir a ela por completo, deixou que o desejo, dessa vez permeado por uma infinita ternura, conduzisse seu corpo e o de Hermione por aquela escalada de sensualidade. Com movimentos intensos e ternos ao mesmo tempo, Harry a arrastou consigo para aquele universo de prazer que sempre guardava uma surpresa, nunca se revelando exatamente da mesma maneira.
Quando Hermione acordou, sorriu ao ver que Harry continuava ali, a seu lado, abraçando-a com o mesmo carinho com que a envolvera quando os dois haviam adormecido nos braços um do outro, exaustos depois do amor.
(Fim do capítulo).
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