Capítulo 11 – A festa - Parte I.
- Ah não, Gina... – Disse Hermione pela décima vez aquela noite. Era sábado, logo mais a festa que Malfoy a havia convidado começaria e ela estava por demais incomodada com o tamanho do seu vestido, que Gina fazia questão de encurtar a cada segundo. – Porque “Chapeuzinho Vermelho”? Vai ter um monte lá!
- Não, querida, Chapeuzinho Vermelho é um conto trouxa, pouca gente aqui conhece. – Analisou novamente a fantasia da castanha e apontou a varinha – E mesmo que tenha outras, você será a mais bonita e a mais sexy! – Com um aceno na varinha, aumentou o decote e apertou o espartilho na cintura.
- Gina... Eu ainda pretendo respirar! – Reclamou meio ofegante – Ok, me recorde o porquê de você e Harry não irem a essa festa comigo.
- Porque pretendemos ficarmos juntinhos, só nós dois... – Disse a ruiva, de modo sonhador, enquanto marcava mais a maquiagem nos olhos de Hermione.
- Olha lá o que vocês vão fazer, hein...
- Não se preocupe, você será a primeira a saber, se algo acontecer. – Disse, começando a ficar mais vermelha que o normal. Hermione sentiu-se mal, a amiga lhe confiaria algo tão grande e ela sequer havia contado o que havia acontecido no domingo. Mas não foi por falta de vontade ou confiança, ela simplesmente não conseguia tocar no assunto. – Certinho... Está pronta.
Hermione se analisou no espelho e quase não se reconheceu. A fantasia estava sexy demais, quase exagerada, mas estava bonita. Sapatos de salto alto vermelhos, com uma meia preta um pouco grossa até a metade da coxa, presa por ligas também pretas. No começo de cada meia, um delicado lacinho vermelho, que chamava a atenção para o local. O vestido era curto, com muitas camadas de tule branco por baixo do tecido original, que era preto. A parte de cima era branca, com mangas compridas e um pouco folgadas. Na cintura, um espartilho preto, preso com fitas vermelhas. Os olhos bem marcados e um gloss clarinho nos lábios. A capa vermelha, que ia até um pouco abaixo do vestido, arrematava o look. Não era ela, não era o seu normal, mas se sentiu bem assim.
- Tá... Eu gostei... – Assumiu, rindo.
- Eu sei que eu arraso! – Disse Gina em um tom convencido. – Malfoy virá te buscar aqui ou o quê?
- Combinamos de nos encontrar na Sala Comunal da nossa Torre. – Disse, começando a ficar nervosa.
- Ok, mas amanhã quero saber de tudo, todos os mínimos detalhes. E sobre essa semana também, mal conversamos. – Fez um biquinho, e Hermione riu, abraçando a amiga.
- Eu prometo que conto tudo. E obrigada pela ajuda com a fantasia. Agora me deixe ir, que já estou atrasada. Deseje-me sorte para que ninguém me pegue no caminho.
- Relaxa a Grifinória não é tão longe assim da Torre dos Monitores... Boa sorte. Vai e arrasa! – Beijou a testa da amiga e a empurrou para fora, ambas rindo.
Minutos depois, Hermione estava nervosa, parada a porta da Torre. Nunca havia usado algo tão curto antes e não sabia qual seria a reação de Malfoy ao vê-la naqueles trajes. E se não aprovasse? “Ora essa, Hermione Granger, e desde quando ele tem que aprovar algo?”, pensou. E, se pondo ereta e confiante, passou pela porta.
E perdeu o folego assim que o viu.
Ele era uma mistura de perfeita de príncipe, vampiro e cavaleiro. Ele deu um sorriso maroto ao vê-la, o que fez seu ventre se contorcer. “Controle-se, Hermione, é só... Draco Malfoy...”, repreendeu a si mesma diante de sua reação. Mas ele estava realmente lindo. Sapatos pretos muito bem lustrados. Calças também pretas, com o corte perfeito. Blusa branca de mangas compridas com um colete preto por cima e uma gravata borboleta no pescoço. Uma capa preta que arrastava no chão, por dentro era verde esmeralda. No rosto, uma mascará branca que cobria apenas metade do rosto e deixava seu olho azul vivo. Nas mãos uma espécie de bengala com uma cobra no apoio. A barba loira por fazer, os cabelos despenteados sedutoramente, e nos lábios o seu sorriso mais sacana, enquanto a olhava de ponta a ponta. Estava quase perdendo o controle...
- Está linda, Granger... Mas “Chapeuzinho Vermelho”? Muito inocente... – Ele disse, se aproximando dela, e tomando sua mão direita, levou-a em direção aos lábios. Os mesmos roçaram o local, enquanto a barba dava leves pinicadas que a arrepiavam.
Seria uma noite difícil de controlar. Mas não podia ficar por baixo. Tomou o ar confiante novamente, e levemente sedutor.
- A diferença é que essa Chapeuzinho não tem medo do Lobo Mal. – “Oferecida demais? Controle-se, garota!”, ela pensava, completamente nervosa por dentro, mas demonstrando pura segurança e controle por fora.
- Como eu imaginei... Vamos? – Disse oferecendo o braço de forma cortês. Ela o aceitou, sorrindo.
- Onde será a festa?
- Sala Precisa, claro. Todas as festas são lá. – Disse em um tom de obviedade, enquanto caminhavam em direção ao local.
- Não diga como se fosse a coisa mais obvia do mundo, eu nunca fui nessas festas...
- É eu esqueci... – Disse rindo.
- Já imaginou o que vão dizer quando nós chegarmos juntos nessa festa? Vai ser a notícia do ano. – Disse ela em um tom divertido.
- Talvez não, muita gente sabe que nossa rivalidade teve que se esvair um pouco por causa disso de Interação e Monitoria juntos, enfim... Vai ser um choque, mas não parece mais tão impossível. Somos dois colegas de Monitoria indo juntos a uma festa. Não é como se eu fosse te fazer um filho na frente de todos... – Parou, e refletiu um pouco – Se bem que não é má ideia... – Brincou, tentando agarra-la.
- Larga de ser idiota! – Bateu na mão dele, rindo, com a respiração meio alterada por causa de seus pensamentos. – Nada de gracinha para o meu lado! E vê se não cola, vai que meu príncipe encantado está lá? – Disse mexendo no pingente que carregava, e que nunca mais havia saído dali.
- Não que eu goste muito da sua presença, Granger... – Ironizou. – Mas eu acho que seu príncipe estará lá sim.
- É a segunda vez que você fala como se soubesse quem é. – Disse se lembrando de outra conversa que haviam tido essa semana.
Flash-back.
- E o príncipe encantado que te deu o cordão... Já descobriu quem é? – Perguntou ele, enquanto faziam sua típica ronda, na quarta feira. Ela negou com a cabeça.
- Às vezes eu acho que ele está tão perto de mim... Às vezes eu acho que ele nem existe e isso aqui é só... Um presente. – Ela confidenciou, em um tom pesaroso.
- Ele está bem próximo, diria eu... Tanto que você nem consegue enxerga-lo, porque agora parece bem obvio.
- Fala como se o conhecesse...
Fim do flash-back.
- É só impressão sua, deixa de ser boba... – Disse meio nervoso.
- Não importa... – Decidiu então mudar de assunto. – Onde arranjou a fantasia? Aliás, o que é você?
- Um príncipe-vampiro-medieval? – Disse ele em tom de duvida, rindo. – Pedi a Blás emprestada. – Riu ainda mais. – A sua parece bem planejada. Quem te arrumou?
- Foi a Gina... – Disse olhando para si mesma. – Eu gostei, apesar de achar um pouco exagerada...
- Nada, que isso, está ótima! – Usou um tom malicioso que não passou despercebido por ela. Chegaram em frente à porta da Sala e ele falou seus nomes, então as portas se abriram.
A primeira coisa que Hermione notou quando adentrou foi o forte cheiro de bebida. E o fato de que todos os olhares agora estavam neles. Alguns em aprovação, outros em desaprovação. Alguns em desejo, admiração, inveja. Era, sem dúvida, a festa do pecado. A iluminação do local era de várias cores, um jogo de luzes de quentes. A música era muito alta, em um ritmo sensual, que logo mudou para um rock pesado. 4 bares em cada canto do local, muito bem abastecido de todas as bebidas que existiam. Várias mesas abarrotadas de comidas e petiscos. Uma fumaça rondava o local, deixando o ar misterioso.
No momento em que observava um homem; provavelmente garçom, passou, Draco pegou dois copinhos pequenos com um liquido vermelho, e lhe entregou um, levantando o seu em sinal de brinde.
- Boa festa, Granger. – E virou o seu, sacudindo a cabeça logo após engolir todo o liquido.
- O que é isso? – Perguntou apreensiva.
- Relaxa, é vodka com sabor. Esse aí é de cereja. Experimente.
Hermione encarou o liquido vermelho no copo, pensando se devia ou não beber aquilo. Não era muito forte. Até onde se lembrava, vodka só continha cerca de 35% de teor alcóolico. Não ficaria nem tonta só com aquele copinho, mas o fato de saber na teoria não ajudava muito na prática, porque cada corpo reagia de maneira diferente. Mas não era possível que ficasse louca só com aquilo. Então, reunindo coragem, virou o liquido de uma vez garganta a baixo. Desceu queimando tudo por dentro, a cabeça girou um pouco, mas logo voltou ao normal. Sorriu para Draco, que sorria para ela.
- Boa festa, Malfoy. – E, deixando-o com um sorriso maroto, rumou para o centro da pista de dança que havia ali, e tocava uma música animada.
Saiu de perto dele para disfarçar o nervosismo que havia tomado-a. Fechou os olhos, tentando se concentrar na música que não conhecia, mas depois daquele pequeno copo de bebida, em sua mente só havia pensamentos libidinosos, todos envolvendo o Loiro. O garçom passou por ela novamente, dessa vez com copos um pouco maiores, com um liquido verde. “Absinto”, respondeu o homem, quando ela perguntou o que era. Não tinha certeza do teor de álcool naquela bebida, mas sabia que era alta. Pegou um copo, inalando o cheiro da bebida. E, novamente reunindo coragem, desceu o liquido verde garganta a baixo.
Sua cabeça girou mais que antes e dessa vez quase não parou. Olhou para o lado e viu um casal quase se devorando. Do outro, um garoto que ela sequer conhecia a encarava sedutoramente. A sua frente, Draco Malfoy estava encostado em uma pilastra, sorrindo, bebendo da mesma coisa que ela havia tomado. Um calor passou por ela de repente e não gostou muito da impureza de seus pensamentos no momento. O garçom passou novamente e ela pegou outro copo. Estava quase virando tudo pela garganta quando Draco apareceu de supetão, arrancando o copo da mão dela.
- Essa bebida é proibida, sabia?
- E porque servem aqui? Me dá isso.
- Não, escolha outra coisa. Isso é alucinógeno, deixa até a pessoa mais resistente a álcool completamente fora de si depois de alguns copos. Para você que não é acostumada, um copo basta. – Nesse momento, outro garçom passou com uma bandeja cheia de caipiroska de limão. Em algum lugar distante, ela lembrou-se de ser uma bebida da América do Sul, mais precisamente brasileira feita de vodka com gelo, limão e açúcar. Devia ser delicioso. Agarrou o copo e começou a tomar pelo canudo que veio, observando Draco. – Eu não vou te carregar nos braços até seu quarto, vou logo avisando...
- Não preciso de sua ajuda. - Enrolou um pouco a língua, já sentindo o grande efeito do álcool nela, que não era acostumada. Mas permanecia em uma postura confiante.
- Ah, sei, aham. Vou acreditar. Por segurança, mantenha-se por perto. – Disse olhando todos os homens que observavam Hermione a espreita, como leões observando sua caça. Ela era uma presa vulnerável e sabia disso, então não contestaria a presença dele, até porque o único ali que parecia não querer devora-la, era ele. O que a decepcionou um pouco.
No mesmo momento, se iniciou uma música quente. Um ritmo latino que ela bem conhecia, e ele parecia conhecer também, a julgar pelos movimentos parecidos com os dela, de acordo com a música. Era um ritmo sensual, provocante, e isso ela conseguia ser facilmente – pelo menos nesse estado sem norte que a bebida havia deixado ela.
- De onde você conhece esse ritmo? – Indagou, enquanto ele passava despudoradamente as mãos pelo corpo dela, assim como a dança pedia.
- Ué, não posso saber dançar?
- Claro, mas é um ritmo latino... Confesso que é uma surpresa até que você dance, ainda mais um ritmo desses! – Sua voz não era mais do que um sussurro diante da música alta, e rebolava de um jeito que, ela sabia, enlouqueceria qualquer homem. Inclusive, um pingo de juízo gritava isso aos seus ouvidos, alertando que Draco Malfoy era um homem como outro qualquer. Mas ela não se importava.
- Minha mãe me ensinou... – Ela ouviu, mais do que viu, ele admitir. E mesmo com a pouca iluminação do lugar, percebeu que ele corara.
O garçom passou novamente com a bandeja cheia de copos de Absinto. Hermione agarrou logo um, e antes que Draco pudesse impedir, engoliu tudo de uma vez só.
- Isso é muito forte, Granger...
- Mas é gostoso! – Sentiu a língua enrolar diante do efeito da bebida.
- A festa mal começou garota, aproveite-a sem perder as estribeiras! – Ela mostrou a língua em sinal de birra, e ele riu.
- Hermione! – Ela ouviu uma voz lhe chamar; era Rony.
- Roniquinho! – Ela gritou, arrastando a fala. Já estava completamente alta. Agarrou-se ao pescoço de Malfoy e deu um demorado beijo em seu rosto. – Já volto.
Ele a viu ir cambaleante até o amigo e praticamente se jogar sobre ele. Menos de uma hora de festa e Hermione Granger já estava completamente bêbada.
Aquela noite seria longa. E perigosa.
Continua...
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N/A: Olá meninas! Bom, primeira parte da festa com uma boa visão da Hermione... Então, espero que tenham gostado, de verdade *-* Não tenho muito o que falar, então, só agradeço a quem ler e comenta!
Nana-moraes malfoy: Bom, é complicado dizer quem vai assumir primeiro porque é uma situação nova e complicada para ambos. Eu como leitora apostaria num empate nisso. Mas eu como escritora... Bom, aí vai ter que ler pra saber né? hehe! Obrigada pelo comentário minha linda, continue acompanhando e comentando!
Morgana Flamel: Pois é, Morg! (olha a intimidade kk) Ele pelo menos sabe dizer o que tem, e ela? Nem sabe definir! Mas tudo bem, ela ainda vai abrir os olhos! Obrigada pelo comentário! Beijos.
Lílian Malfoy: Meniiiiiiina, cuidado pra não atrasar pro trabalho! hahaha, mas obrigada pelo carinho, minha linda, de verdade e continue acompanhando, ok? Beeijos!
Undiscoverd: Deixa ele, esse bobão, nem sabe agir na hora certa ¬¬ E quanto ao cordão, só lendo pra saber se foi ele ou não né, acha que eu vou entregar o ouro assim? Nananinanão! hahah Obrigada por acompanhar desde o primeiro dia, minha linda, de verdade! Beijos!
Beijos e até a próxima, meninas! x