Olá, aqui está mais um capítulo, espero que gostem.... foi caprichado....
Thaiana valeu pelo review, acho que vai gostar bastante desse capítulo.... espero seu comentário... bjussss
Capítulo 8
O primeiro contato
- Quando você voltou? – Perguntou Gina ao entrar no quarto que dividia com a amiga e encontrar Hermione olhando fora da janela.
- Faz umas duas horas. – Disse Hermione sentando na cama.
- Hum!
Gina chegou mais perto e sentou-se na cama ao lado de Hermione, por um momento só ficou observando-a, mas Hermione não estava demonstrando que iria começar uma conversa.
- O Robert veio aqui hoje, e perguntou de você. Eu disse onde estava e ele não ficou feliz em saber que estava com o professor Snape.
- Robert não gosta de ninguém que possa chegar perto de mim.
- Eu sei.
- Pergunta logo o que quer saber Gina.
- Está certo. É o seguinte, o que está rolando entre você e o sebosão do Snape?
Hermione olhou assustada para a amiga que sorria para ela.
- Como assim o que está rolando? É claro que não tenho nada com o Snape. Que brincadeira boba Gina.
- Não tem nada?
- Não.
- Então me diz o que você estava fazendo dormindo enrolada na capa dele?
- Ele me emprestou ontem a noite quando eu estava na cozinha, estava frio demais.
- Severus Snape não é o tipo de pessoa que sai dando sua capa para qualquer um. Se ele te deu, teve algum motivo.
- Foi simplesmente assim.
- Simples assim?
- Ah Gina, por favor – Pediu Hermione levantando da cama e voltando a olhar para fora da janela.
- Mione. – Chamou Gina parando ao seu lado e fazendo-a a olhar - O que há com você? Por que não me conta?
- É que é tão difícil e complicado.
- Estou escutando. – Disse Gina prestando atenção em cada palavra que a amiga dizia.
- Você não irá desistir não é mesmo?
- Não, quero saber tudo sobre o seu lance com o Snape.
- Não há lance entre mim e o Snape, Gina, é só que, eu não sei...sempre achei o professor Snape uma pessoa interessante.
- O Snape?
- É Gina, o Snape. Ele não é somente um morcegão velho e mal amado das masmorras. Ele é inteligente, corajoso, intelectual, charmoso e por mais incrível que pareça eu percebi que ele mexe comigo.
- Mas isso pode ser passageiro.
- Eu o admiro desde o primeiro dia de aula e essa admiração só fez aumentar cada vez mais e mais, até que no meu quinto ano eu comecei a sentir alguma coisa diferente sobre ele.
- É, talvez não seja tão passageiro assim. – Comentou Gina - Tem certeza Mione?
- Tenho, eu pensei muito sobre isso, e agora sei que não consigo mais tirá-lo da cabeça. Na verdade faz tempo que eu não consigo tirá-lo da cabeça, mas só agora é que eu realmente consegui aceitar que sinto isso, que sinto amor por ele.
- E como você se deu conta disso, simplesmente lembrou que o ama?
- Não Gina, as coisas não são assim. É que ontem ele foi tão gentil comigo na festa quando estávamos conversando tanto na cozinha como lá na biblioteca, eu gostei. E hoje quando estávamos fazendo as poções, estávamos tão envolvidos no trabalho, fazendo tudo junto e em completa harmonia que eu senti que poderia viver o resto da minha vida com ele, ouvindo ele falar, vendo-o mexer o caldeirão.
- Mas algo a deixou triste, o que foi?
- Quando eu estava no ST’Mungus com ele, ele sentiu dor no braço, onde está a marca. Não deve ser nada, provavelmente foi só uma dor simples. Quando eu cheguei perto e perguntei o que era ele me tratou muito mal, mandou que eu não tocasse nele, disse que eu era uma maldita sabe tudo que se intromete no que não é chamado e que era para eu ficar longe dele – Disse preferindo não comentar que fora chamada também de sangue ruim, seria demais para que ela soubesse - Aquilo me magoou tanto. Sei que ele sempre me tratou assim, mas ontem eu senti mais profundo em mim, como se as palavras dele rasgassem meu coração, como se estivesse me matando aos poucos, como se eu estivesse morrendo a cada letra que ele falava.
- Será que não é por que você gosta dele? Sempre dói bem mais quando gostamos da pessoa que nos magoa. Mas na verdade deve ser por que ele é o Snape.
- Não sei Gi, pode ser.
- Mas me diz, ele já deu algum sinal de que, por mais que eu não goste, gosta de você?
- Não exatamente. Snape é difícil de entender, mas ele foi tão gentil comigo desde a festa – Lembrou-se das mãos esquentando seus braços, ajudando-a se levantar, ficando perto dele – Era mais do que eu esperava. Fora o básico fato dele ter demonstrado claramente que sente ciúme do Robert. Oh Mérlin o Robert – Exclamou cobrindo o rosto com as mãos.
- Outro ponto fraco da sua vida.
- Consegue amar duas pessoas ao mesmo tempo?
- Nunca tentei. Mas acho que seja lá o que for que você sente no final terá que escolher entre os dois, não poderá ficar com os dois juntos.
- Um é o príncipe encantado de qualquer menina, doce e carinhoso.
- Mas que forçou a barra com você.
- Mas se redimiu, e eu ainda gosto dele. – Suspirou – O outro é corajoso e inteligente, tem um charme inigualável e um mistério em seus olhos que me prendem à ele.
- Mas a trata como qualquer sonserino trata uma grifinória.
- No que eu me meti Gina?
- No que seu coração te meteu você quer dizer – Passou a mão pelo rosto da amiga – Seu coração é grande e generoso, mas não tem espaço para os dois, tem que tomar uma decisão.
- E se for a decisão errada?
- Se for a errada, a gente vai para o caldeirão furado, toma todas, xinga os dois e depois voltamos bêbadas para casa.
- Bela maneira de se ajudar uma amiga.
- A melhor que existe.
As duas riram gostoso gargalhando e falando mal de meninos e meninas que conheciam. Fofocaram como duas adolescentes de 17 e 16 anos. Adormeceram logo tomadas pelo cansaço do dia. No dia seguinte, antes das oito horas Hermione já estava na frente da porta do laboratório. Bateu três vezes. Esperou.
- Entre – Disse a voz lá de dentro.
Hermione respirou fundo, ergueu a cabeça e entrou silenciosamente, colocando sua bolsa em um canto e postando-se em sua bancada. A lista de poções que deveria preparar já estava ali.
Arriscou um olhar para ele.
Tão loiro quanto antes, aquele disfarce não combinava nada com ele, talvez fosse isso que ele queria. Snape estava de cabeça baixa concentrado. Sem ver seus olhos ela jurava que era outra pessoa ali.
Cabelos loiros. Expressões mais suaves. Era outra pessoa, mas ainda era ele. Balançando a cabeça levemente voltou a atenção aos seus afazeres sem prestar mais atenção ao professor. Durante o restante do dia eles não trocaram palavras. Apesar de suspirar toda vez que ele chegava perto, ela se lembrava exatamente de todas as palavras ditas no dia anterior e isso doía.
Duas semanas se passaram sem que os dois se falassem. Ela não sabia, mais doía nele também. Necessitava da voz dela. Era torturante vê-la calada. Mas das duas vezes que tentou falar algo ela o ignorou. Ele entendia, a maltratou, não podia esperar que ela o tratasse como uma cavalheiro amado. Chegava calada, fazia suas tarefas com perfeição e saia igualmente calada.
Mas em um dia frio, enquanto colocava uma poção no fogo uma coruja entrou entregando uma carta para ambos, era de Dumbledore, informando que naquele dia nenhuma lareira poderia ser usada e nenhuma pessoa poderia aparatar, ordens do ministério.
- Droga – Exclamou Hermione.
Snape olhou para ela com surpresa, nunca a vira xingar. Ele já sabia o por que da exclamação dela, teria que voltar para casa a pé e sozinha já que não tinha uma vassoura. O Largo Grimmauld não ficava tão longe, mas mesmo assim era uma boa caminhada.
Ás seis horas da tarde, Hermione arrumou suas coisas para ir embora. Despiu o jaleco e o pendurou no armário vestindo seu moletom vermelho e foi pegar o sobretudo que havia ganho no dia da festa, mas não o encontrou no cabide onde o colocou perfeitamente arrumado e sim nas mãos de Snape que o segurava aberto para que ela o vestisse. Hermione hesitou, mas o vestiu sentindo Snape que estava atrás dela fechar os botões da frente com suas mãos agora menores que antes. Não pôde deixar de sentir o arrepio que passou pelo seu corpo quando ele a segurou pelos ombros e a virou encarando-a docemente.
- Está pronta?
- Acho que sim.
- Então vamos.
- Para onde?
- Para o Largo Grimmauld. Não posso deixá-la ir para lá sozinha e sem proteção.
- Acho que daqui o que mais precisa de proteção no momento é o senhor.
- Eu estou disfarçado, você é uma adolescente, mulher e bonita.
Ele a elogiou, disse que era bonita, ele reparava nela. Ficou até mesmo difícil de respirar no momento.
- São seus olhos.
- Meus olhos nunca me enganam. – Disse dando um sorriso torto – Vamos?
- Vamos.
Snape abriu a porta para que ela passasse e a trancou depois. Hermione estava com os braços cruzados à frente do corpo, o dia começava a ir embora e dar lugar para a noite que trazia uma lua cheia e chamativa. O vento que também veio junto com a noite batia em seu rosto deixando-o gelado e fazendo seu corpo tremer. Snape que estava ao seu lado tentava impedir a vontade que tinha de chegar mais perto e abraçá-la dando lhe o calor do corpo dele. Mas ao contrário, ambos ficaram calados o tempo todo.
As ruas já estavam escuras e vazias, apenas os passos dos dois e as risadas grotescas dos bêbados na esquina podiam ser ouvidos.
“Ei mocinha espera um pouquinho”
Hermione olhou para trás, um homem aparentemente bêbado de cabelos castanhos e roupa surrada levantou-se cambaleando falando direto com Hermione que se encolheu mais ainda. Snape respirou fundo.
“Eu acho que são mocinhas Neid, olha a loirinha”
Hermione não precisou olhar para trás para saber que outro bêbado juntou-se ao primeiro. A voz do segundo homem era rouca e vulgar, sua risada inescrupulosa dava acesso de nervos na espinha de Hermione. Snape sentia a raiva subir por seu corpo, queria estuporá-los e se possível torturá-los, mas isso o denunciaria e nesse momento ele tinha que tomar muito cuidado com a identidade. Palavras de Dumbledore.
Snape, agora com outra aparência, sentia-se inútil com aquele corpo magro contra os cinco indivíduos que agora chegavam mais perto. Não podia estuporá-lo, mas podia ao menos tentar proteger Hermione o máximo possível. Sentindo o medo da menina ele colocou uma mão na cintura dela apertando como se quisesse garantir que estava ali, ela chegou mais perto dele.
Ela estava com medo
Tremia
Snape chegou mais perto dela, já estavam colados um no outro. Hermione olhou para seu rosto, sua expressão era dura, uma máscara. Ela já vira a máscara dos comensais, e aquela expressão era igual.
“Ei gatinhas esperem, venham se divertir conosco”
“Ei loirinha eu quero você, quero esfolar sua traseira inteira”
“Eu quero a menor, que tem a juba, parece apetitosa, meu brinquedo se acabaria com ela”
O homem se aproximou e ficou na frente dos dois fazendo um gesto totalmente obsceno abrindo sua calça e mostrando suas partes moles para que Hermione visse. A menina exclamou aproximando-se mais de Snape que colocou sua mão nos olhos dela e continuou guiando-a pela rua. Hermione, mesmo com os olhos tapados podia sentir o nervosismo de Snape. A mão que estava em sua cintura a apertava muito forte como se ele estivesse descontando a raiva naquela área. Estava machucando, mas ela não dizia nada, ele precisava disso. Não podia se mostrar, pois algum comensal poderia estar ali, observando ou até poderia ser um dos bêbados que continuavam a chamá-los no meio da rua mostrando suas partes. Ele não podia fazer nada, prometera à Dumbledore.
Hermione percebeu que a mão que estava em sua cintura e em seus olhos moveram-se. Ele ia pegar a varinha.
- Não – Disse Hermione impedindo-o de se virar e fazendo-o continuar a andar – Vamos embora, só isso.
Ignorar o que eles falavam não era fácil, as palavras entravam em seus ouvidos fazendo-o perder o controle de seus nervos. Teve que ouvir o que falavam dela calado, por pedido dela.
Falar dele? Que falem. Não dava a mínima para isso. Mas os ouvidos puros de Hermione não precisavam ouvir a podridão do vocabulário de insetos esfomeados por sexo. Praticamente era guiado por ela, pois seus pensamentos estavam neles e o que faria com eles, ou que vai fazer com eles. Quando deu por si já estavam na porta do Largo Grimauld. Protegidos por seus feitiços. Longe daqueles animais primitivos. Hermione parou no último degrau e Snape um degrau abaixo. A poção políssuco já não fazia mais efeito e Hermione via o loiro se transformar no homem que ela tanto admirava.
Snape ficou parado um degrau abaixo dela, respirando fundo, tentando controlar sua raiva, seu ódio. Hermione o olhava com carinho, em um momento incontrolável colocou suas mãos sobre as dele ainda em sua cintura e olhou no fundo de seus olhos.
- Por que me impediu? – Ele perguntou colocando uma perna no degrau de cima e puxando-a para mais perto.
- Por que tive medo de que fossem comensais disfarçados, o senhor ainda é caçado por eles, e eu também tive medo de que se tentasse enfeitiçá-los não conseguisse dar conta.
Snape respirou fundo e encostou sua cabeça no ombro dela sentindo-a afagar seus cabelos agora já negros.
- Seria preciso mais do que cinco porcos imundos para me derrotarem – Parou um pouco para respirar fundo – Oh Mérlin como foi difícil ouvir o que falavam de você, como foi cruel ter que ficar calado.
- Não entendo o senhor. Por que me protege e fala isso, me abraça, me puxa para perto se me pediu distância?
Ele levantou o rosto. O mesmo rosto de sempre, nariz adunco, pele pálida e macilenta, cabelos negros até o ombro, mãos grandes, corpo forte. Era Severus Snape em pessoa que penetrava sua mente com seus olhos negros.
Seus rostos estavam perto demais.
Tão perto que sua respiração já estava descompassada.
- A senhorita mesma disse não saber o que era querer estar perto, mas temer tal aproximação.
Ele queria acrescentar que ela dissera isso pensando em outra pessoa, mas achou melhor não, o momento dos dois ali tão pertinho era mágico demais para que ele estragasse dizendo isso.
- Eu não temo a SUA aproximação.
- Eu temo.
- Teme agora?
- Não.
- Que bom.
Os braços dela envolveram os ombros largos dele quando sua cintura foi puxada para mais perto. Os corpos se encaixavam com perfeição.
O cheiro dele a deixava zonza. Seus rostos se aproximavam devagar. Sua mão na nuca dele e a dele acariciando a pele por baixo da blusa, delicadamente, encostando em um pequeno pedaço deixando-o quente.
Ele iria beijá-la.
Iria ser beijada pelo professor Snape.
Seu coração acelerou. Suas mãos suaram. Seu coração bateu mais rápido. Estava quase encostando seus lábios nos dele. Sentiria o gosto dos lábios, da língua. Sonharia com isto, estava sonhando.
Mas o sonho acabou e ela teve que acordar quando ouviu o barulho vindo de dentro da casa. Eles se olharam, sabiam que era a senhora Weasley querendo saber quem chegou.
- É melhor entrar logo. – Disse Snape afastando-se devagar sem deixar de olhá-la.
Hermione mordia o lábio inferior enquanto afastava-se das mãos quentes que a pouco lhe acariciavam a barriga. Olhou para ele e virou-se silenciosamente para a porta, mas ao encostar a mão na maçaneta a mão dele postou-se em cima da sua, seu corpo colou-se ao seu, sua boca beijou-lhe o ponto de encontro entre o pescoço e o ombro deixando-a arrepiada, subiu para o lóbulo da orelha onde sussurrou bem baixinho.
“Guarde esse momento inacabado dentro do coração imaculado
como se fosse uma meta não alcançada
Pois sei minha donzela
Que você...
... vai querer terminá-la”
Aquelas palavras, aquelas frases, o mesmo estilo. Fechou os olhos não acreditando que a pessoa que lhe mandou aquele pergaminho e lhe deu o sobretudo que estava usando era a mesma que aos poucos tomou parte de seu coração fazendo-a suspirar a noite e sonhar acordada.
- Professor! – Virou-se esperando encontrá-lo.
Nada.
Sumiu feito vento na madrugada deixando o frio atormentá-la.
Agarrou-se ao casaco e ficou olhando a rua desejando o calor do corpo dele.