Olá pessoal, quero agradecer as visitações em minha fic, fico feliz que cada vez mais pessoas se interessam por ela, espero realmente que gostem.
Quero agradecer os comentários de Thaiana - companheira de sempre, e de AnnyMalfoy - obrigada pelo comentário, espero mais... bjus
Desculpem a demora em postar, mas aqui estou com um novo capítulo. Desculpem os erros de gramaticas que encontrarem.
Capítulo 7 - A dor da Marca
Assim que Hermione passou ao seu lado, Snape acompanhou seu perfume e se virou para olhá-la ir embora, mas segundos depois o corpo frágil da menina estava caindo em direção ao chão, seus reflexos foram rápidos e seus braços enlaçaram sua cintura segurando-a firmemente e permaneceu segurando-a em seus braços, roçando de leve o dedo em sua costela como um carinho não permitido.
Hermione tinha suas mãos nos ombros do professor e assim como ele tinha seus dedos fazendo um carinho despercebido, enrolando a ponta do cabelo negro em seu dedo. Ela olhava diretamente para seus negros olhos, mas as ônix não olhavam para os seus olhos castanhos e sim para sua boca entreaberta.
O tempo passara, o relógio girava, mas eles continuam assim sem nem se mover, poderia ter se passado horas que para eles não importava, mas Snape conseguiu desviar o olhar da magnífica e vermelha boca de Hermione e a levantou sem a soltar. A pele dela estava toda arrepiada e seu corpo tremia levemente. Ele levou as mãos que estavam na cintura dela até seus braços brancos e as esfregou neles tentando esquentá-la com o atrito.
Hermione estava tão perto dele, o mais perto que já conseguiu chegar, seus corpos unidos, tão perto que ela sentia o calor que emanava dele, um calor gostoso, um cheiro bom. Colocou as mãos em seu peito sentindo as mãos grandes a esquentarem. Snape afastou as mãos do corpo da menina apenas para despir-se de sua grande e esvoaçante capa negra. Ele a puxou novamente para mais perto e colocou a capa em seu ombro fechando a frente dela com uma certa demora como se seus olhos não quisessem perder de vista a beleza que ela tanto escondia.
- Vá dormir, ninguém a quer doente.
Snape deu as costas e saiu subindo as escadas diretamente para o quarto que ocupava na casa. Hermione permaneceu parada agarrada à capa negra dele. Ela se desviou da poça de água que limpou assim que pegou sua varinha ainda acesa e saiu da cozinha também. Conforme andava ela arrastava a capa no chão devido o tamanho. Era leve, mas quente, tão quentinha que parecia ser seu cobertor e o melhor de tudo, tinha o cheiro dele. Ela gostava daquele cheiro. Aprendera a gostar. Ela parou de frente para sua porta e olhou para o fundo do corredor, à três portas de distância estava Snape com a mão na maçaneta da porta olhando para ela.
- Não se atrase senhorita – Disse simplesmente e entrou fechando a porta ao passar.
Hermione, sabendo que dentro de quatro horas teria que se encontrar com ele em ST’Mungus abriu a porta de seu quarto e entrou sem fazer barulho para não acordar Gina que dormia tranquilamente em sua cama. Ela se deitou e se enrolou na capa de Snape, aquele calor e o perfume a fizeram dormir rapidamente.
Em seu sonho, ela estava deitada com a cabeça apoiada nas pernas de alguém e mãos passavam pelos seus cabelos.
“Durma minha pequena donzela
Durma
Repouse sua mente no mundo de ilusões
Eu estarei aqui a todo momento
Mesmo se acordar
Eu estarei aqui
Basta me procurar”
- Hermione pelo amor de Mérlin, levanta.
- Gina me deixa dormir.
- Hermione são sete e meia já. Você não tem que ir para o ST’Mungus?
- Droga – Xingou Hermione saltando da cama e correndo para o banheiro sem nem ao menos tirar a capa que ainda aquecia seu corpo – Droga, vou em atrasar.
- Eu sei, por isso estou tentando te acordar a horas.
Hermione voltou do banheiro já com os dentes escovados. Tirou a capa negra e jogou para Gina que a pegou assustada.
- O que é isso? Mione, esta é a capa do Snape.
- Eu sei disso, depois te explico. Dobra ela para mim por favor.
- Você é uma bruxa adulta, use magia.
- Verdade
Rapidamente, com alguns acenos de varinha, a capa estava dobrada em sua mochila, sua roupa estava trocada e seu cabelo arrumado. Entrou no banheiro novamente para ver se tudo estava em seu devido lugar e voltou para o quarto onde Gina segurava sua mochila com cara de quem queria uma explicação.
- Eu juro que te conto tudo quando eu voltar
- Eu vou cobrar
- Tudo bem, cobre. Mas deixa eu ir embora que o Snape está me esperando.
Ela pegou a mochila e correu para a sala. Às oito horas em ponto ela jogava o pó de flu na lareira e gritava o nome ST’Mungus.
Rodopiou fechando os olhos para não ficar tonta, quando se deu conta já estava no chão do saguão principal aos pés de alguém que não conhecia.
- Quem é você? – Perguntou levantando-se e tirando o pó do vestido
O homem que permanecia olhando-a se limpar era loiro, magro e quase da mesma estatura que ela pelo que percebeu, mas tinha olhos negros. Ele olhou para os lados, o saguão estava vazio.
- Sou seu professor, pode imaginar que estou usando polissuco para me disfarçar, não posso andar por ai como Severus Snape, até mesmo aqui tem muitos comensais.
- Está bem diferente, nunca o imaginei loiro – Disse Hermione o olhando perplexa.
- Bem diferente, menos desconfiança.
- Oi professor - Disse rindo.
- Está atrasada.
- Só um minuto.
- Não deixa de estar atrasada.
- Desculpe – Disse tentando arrumar seu casaco que estava torto.
Snape esticou as mãos e retirou o casaquinho azul de seus ombros, chacoalhou-o para tirar o restante do pó e o segurou esperando que ela enfiasse seus braços nos lugares certos para que finalmente o casaco ficasse no devido lugar em seu corpo. Ela o colocou e ele a virou de frente trazendo-a para perto de seu corpo fechando os dois fios em um laço deixando-a mais bonita com o casaco fechado.
Ela suspirou
Aquele perfume a inebriava.
Fechou os olhos
As mãos dele desceram para sua cintura
Suas próprias mãos novamente em seu peito
Peito forte.
Um homem.
Tinha que se lembrar desse fato, ele não era um menino, um garoto imaturo do sétimo ano, era um homem. Um homem que definitivamente mexia com ela. O iceberg em sua barriga voltou. A voz dele era apenas um leve sussurro quase inaudível ao pé de seu ouvido.
- Pretende desmaiar em meus braços?
Hermione abriu a boca para falar algo, mas logo desistiu. Com um certo esforço afastou-se um pouco corando de leve e abaixando a cabeça.
Snape sentiu um pequeno desapontamento ao vê-la se afastando. Mas logo foi tomado pela beleza das bochechas coradas dela.
- Siga-me.
Hermione o seguiu até um laboratório no final do corredor. Era claro demais para acreditar que ele trabalhava ali.
- Coloque isso – Disse entregando a ela um avental branco – Pode sentar-se na bancada. A senhorita me ajudara fazendo as poções mais simples enquanto eu faço as mais difíceis.
- Sim senhor.
- Aqui está a lista das que tem que fazer. Comece.
- Certo.
As horas passaram rápido sem que nenhum dos dois percebesse, a concentração era grande, Hermione não levantara o olhar da poção uma única vez sequer.
- Senhorita Granger?
- Hum?
- Está com fome?
- Não – Respondeu automaticamente sem tirar os olhos de sua poção.
- Senhorita, já fazem quase cinco horas que estamos fazendo poções, não é possível que não esteja com fome.
- Cinco horas? Meu Mérlin, não tinha reparado que já estávamos na hora do almoço.
- Como sempre, quando a senhorita se concentra em algo o mundo pode acabar que a senhorita não percebe.
Hermione ainda demorou um pouco para responder já que estava arquivando em sua mente que ele reparara nela, até mesmo sabia uma de suas manias.
- Não sabia que era tão observador.
- Se surpreenderia com o que pode descobrir de mim.
- Quem sabe um dia eu descubra – Disse praticamente para si mesma.
Snape sorriu de canto e fingiu não ter escutado.
- Vem comigo.
Novamente Hermione o seguiu por um corredor, andava atrás dele sentindo-se por um momento um tanto quanto curiosa em onde estariam indo. Snape parou na frente de uma porta branca e a abriu deixando que Hermione entrasse primeiro, assim que ele fechou a porta as luzes se acenderam e ela se deparou com uma minicozinha onde havia uma mesa no canto, armários e um pequeno fogão. Snape acenou com a varinha e uma fartura de comida apareceu na mesa.
- Sirva-se, não quero ninguém desmaiando em cima das poções.
Hermione queria dizer para ele ficar ali com ela, mas logo Snape saiu da cozinha e voltou para o laboratório onde continuou a trabalhar em suas poções. Depois de alguns minutos comendo naquele lugar Hermione sentiu-se muito sozinha com aquele monte de comida, por isso separou um pouco de torrada com geléia em um prato, um pouco de suco de morango em uma taça e deixou a cozinha.
- Come rápido, senhorita.
- Na verdade eu vim comer aqui.
- Aqui não é refeitório.
- Eu sei disso, mas eu me senti sozinha lá.
- E a minha companhia foi a melhor que conseguiu arrumar
- Não é tão ruim assim.
Hermione sentou-se em uma bancada vazia perto de onde Snape estava trabalhando e comeu sua refeição. Depois de alguns minutos ela olhou para o prato que trouxera para ele, ainda intacto.
- O senhor não vai comer?
- Não estou com fome, não disso pelo mesmo – Completou sem deixá-la ouvir a última parte
- Mas o senhor tem que se alimentar – Disse levando o prato para mais perto dele – Não comeu nada ainda, precisa de proteínas sabia?
- Me lembrarei de consultá-la quando montar minha dieta.
- Desculpe – Baixou a cabeça achando que estava se intrometendo demais na vida do professor e colocou o prato novamente em cima da bancada onde sua própria comida fora abandonada após sua fome desaparecer com a mesma rapidez que as palavras acidas saem da boca do professor – Eu só fiquei preocupada.
- Se preocupe com o que é necessário. Terminou sua poção?
- Algumas delas eu já engarrafei e guardei no armário, estou fazendo mais.
- Já pode ir embora se quiser.
- Vou terminar estas aqui.
- Faça como quiser.
E assim a tarde passou, os dois continuaram em silêncio por um tempo, apenas o borbulhar das poções era ouvida, até que Hermione foi tirada de seus devaneios quando um gemido estrangulado veio do fim do laboratório, bem onde Snape estava.
- Professor? – Chamou Hermione se aproximando e vendo Snape curvado segurando o braço esquerdo.
Ela correu em sua direção, a preocupação estampada em seu rosto, ajoelhou-se ao seu lado. Ele estava de olhos fechados e dentes cerrados, a dor passando de seu braço para o restante do corpo. Hermione assustou-se vendo-o ali tão vulnerável. Devagar ela levou a mão até seu ombro.
- Professor?
- Não me toque! – Disse se desvencilhando das mãos dela.
- O senhor está bem?
Pergunta idiota, claro que não estava bem, estava com dor, era nítido.
- Não te interessa.
- Mas professor o que houve?
Ela tentou novamente encostar nele, mas desta vez a reação foi mais brusca. Snape levantou-se com rapidez ficando o mais longe possível dela, ainda segurava o braço e seu rosto estava modificado a tal ponto que não era mais possível identificar se era pura raiva, dor ou os dois juntos.
- Nada!
- Mas sua marca – Insistiu – Ela está doendo – Não entendeu – Ela só dói quando Voldemort chama, mas ele está morto. Professor, ele morreu, então por que...
- Como sempre querendo se meter onde não é chamada – Disse antes que ela terminasse seu raciocínio – Como sempre querendo saber o que não lhe interessa. Quando deixará de ser essa maldita insuportável sabe tudo e crescer de uma vez? – Urrou novamente – Sai de perto de mim sua sangue ruim – Disse por fim antes de sair da sala deixando-a sozinha com as lágrimas escorrendo por seu rosto.
Hermione levou a mão aos lábios, não podia acreditar no que acabara de ouvir. As palavras saíram da boca dele, de dentro dele, podia estar com outra aparência, podia ser agora loiro, mais baixo e mais magro, mas o ódio em seus olhos era o mesmo.
Ilusão.
Ilusão de que ele havia mudado
Mudou?
Não.
Suas palavras eram as mesmas.
Seus sentimentos para com ela eram os mesmos.
“Maldita insuportável sabe tudo...sangue ruim”
Assim a chamara.
Quase cuspiu cada letra.
Não se importou se a magoou.
Falou o que pensava.
A machucou.
Ela chorou.
Enxugando os olhos molhados ela pegou suas coisas, apagou o fogo das poções que estavam prontas e rumou para sua atual residência, a sede da Ordem da Fênix.
Mas o caminho de volta pareceu mais longo desta vez, mais solitário e mais difícil.
Ele, por sua vez, permaneceu lá dentro agarrado ao braço, encolhido dentro de uma sala cheia de vidros ingredientes que deveriam ser usados nas próximas poções a serem feitas. Seus olhos ardiam com a força que ele os fechava, a dor cada vez mais intensa.
Aqueles malditos comensais brincavam com magia negra de novo, somente para avisarem à ele que estão a sua procura e não descansarão até encontrá-lo.
Traidor.
Sua imagem agora é pior que a imagem de Harry Potter, pois ele é o grande traidor, aquele que estava ao lado do Lord das Trevas e no último momento virou-lhe as costas traindo-o e ajudando a derrotá-lo. Ele era aquele que mesmo com a ordem de morrer com a mordida de Nagini, continuava vivo graças aos poderes de Dumbledore que afinal de contas não estava morto e sim escondido depois de fingir sua própria morte junto com o fingimento de Snape ser o assassino dele.
Sim, ele é pior de Harry Potter. E agora é o alvo principal dos comensais sobreviventes que se escondem nas negras florestas da Inglaterra. A única coisa que fazia Snape ter um pouco de esperança de não morrer tão cedo é que eram apenas os comensais, pois o Lord morreu, foi embora. Snape sempre fora um dos comensais mais poderosos de todos eles, braço direito do Lord, conhece magias tão poderosas que nenhum deles teria coragem de encará-lo, mas Dumbledore ainda assim o mandava se esconder, afinal, um comensal não era páreo para Snape, mas trinta poderiam acabar com ele.
A marca doeu novamente. Por um momento ele viu um vislumbre dos olhos vermelhos de Voldemort, mas não podia ser. Ele estava morto. Ele viu. Viu quando seu corpo bateu no chão imóvel, sem respirar, sem existir. Tinha certeza, não tinha? Tentava ter. Acreditava ter.
Continuou ali sentado segurando o braço e agüentando a dor até que finalmente ela foi diminuindo, devolvendo à ele a capacidade de pensar.
Ele levantou-se devagar e escorou-se na porta, levantou a manga da camisa e viu ali nítida a marca mexendo-se como se estivesse revoltada com algo. Finalmente conseguiu sair daquela sala e voltar ao laboratório. Sua testa ainda estava suada e seu corpo cansado, mas seu coração já batia mais calmo, ele estava mais calmo. Seus pés adiantavam-se diretamente para a porta do laboratório e ele a abriu pensando em vê-la ali, com o olhar preocupado, esperando por ele, pronta para saber se ele estava bem.
- Senhorita Granger – Chamou esperando que alguém lhe respondesse, mas nenhuma voz foi ouvida. Ela não estava mais ali.
A poção que ela estava fazendo já estava pronta nos frascos e devidamente rotulados. E as outras estavam aguardando a volta dela para terminá-las no outro dia.
- Perfeita como sempre senhorita – Disse para si mesmo.
Snape voltou para sua bancada, mas ali não tinha somente o caldeirão que estava usando e os ingredientes que precisava, ali tinha a sua capa negra, devidamente dobrada e em cima dela estava um bilhete endereçado a ele.
Abriu.
Escrito em letras corridas e borradas pelas lágrimas estava o recado:
“Devolvo a capa ao seu dono.
Espero que na sua opinião não a tenha degradado.
Iria ser vergonhoso uma pessoa como o senhor
Ter uma capa estragada por uma sangue ruim como eu”
Fechou os olhos amassando o papel. Por que às vezes ele tinha que agir tão estupidamente? Ela chorara, via pelas manchas na carta. E a amargura com que ela escreveu era tão intensa que ele conseguiu sentir em sua alma. Ela não era uma sangue ruim para ele, nunca fora. Sua origem sonserina e seu disfarce o faziam a tratar como se fosse um bicho que ele jamais quisesse perto, mas ele queria.
Sempre quis na realidade e agora mais do que nunca precisava dela. Já fazia tempo demais que sonhava com seu rosto, seu corpo, suas palavras. Não queria mais sonhar, queria a realidade. Queria ela.
Sentindo raiva de si mesmo pegou a capa e a vestiu. O cheiro dela estava ali, aquele cheiro de morango do creme de pele que ela usava em suas mãos quando terminava de fazer uma poção. Jogando o papel fora ele voltou a se concentrar em seu trabalho. Agora era apenas três horas da tarde e ele ainda tinha muito o que fazer.