Capítulo V – O Cara Perfeito.
Hermione acordou exausta. Não dormiu bem, nada bem, apesar de não ter ido para cama muito mais tarde do que o normal. Mas pensara demais na conversa que teve com Malfoy e mal conseguiu fechar os olhos. Viu o dia nascer.
Flash back.
Depois da deixa para o fim da conversa que Draco dera, duas horas se passaram no mais completo silêncio, cada um recolhido em seus próprios pensamentos. Hermione não conseguia acreditar que aquele versão de Draco pudesse existir. Era sofrido demais, bom demais. De fato, irreal.
Ao passar dessas duas horas, o garotinho avisou que tinha terminado o serviço. Ela levantou e verificou tudo, estava em completa ordem. Pegou-o pelo braço e olhou o próprio punho, verificando a hora. 01:10. Olhou para o canto, onde ele só a observava. Queria comentar sobre a conversa antes de ir, mas achou melhor deixar para lá. Murmurando um “boa noite”, ela rumou para a saída da sala, mas antes que pudesse sair, ouviu-o dizer:
- Boa noite, Sangue-Ruim. – Sua voz era puro desdém. Ela riu e se foi. Nada mudaria.
Fim do flash back.
Sentou-se na cama e verificou o relógio. 8:00. Já deveria estar pronta, tomando café ou pelo menos saindo do quarto. Olhou ao redor, as camas vazias e arrumadas. As meninas já haviam ido. Levantou-se, pegou a roupa que havia planejado para o encontro e arrumou-se rapidamente, distraída. Quando terminou, olhou-se no espelho de corpo interino no banheiro. “Bonita”, pensou. Vestia um jeans preto que a sua mãe lhe dera, tão apertados que provavelmente prenderiam sua circulação, mas a deixava bonita. Uma blusa no estilo batinha um pouco decotada demais, na cor champanhe. Prendia na nuca, fazendo um bonito decote em V. Rasteirinha de tiras quase no mesmo tom da blusa. Maquiagem básica. Franja presa para trás e os cabelos caindo em belos cachos pelas costas, abaixo do ombro. Diferente do normal, mas se sentia bem. Quase pôde ouvir uma voz dentro de si dizer “vai e arrasa”. Sorriu para si mesma, mas não foi um sorriso que lhe chegou aos olhos. Analisou-se melhor, e percebeu que mesmo bonita, seu rosto a traia, denunciando uma noite mal dormida. Deu um sorriso maior, disfarçando. “Não se abale por nada”, disse a si mesma. Olhou o relógio, 08:45. Só daria tempo para um copo de suco. Pegou a varinha e uma bolsinha com dinheiro, colocou-os no bolso e saiu correndo do quarto.
Antes de entrar no salão, verificou novamente, 08:55. Só um copo de suco, era só para isso que tinha tempo. Seu estomago reclamou. “Terei que comer algo em Hogsmead”, pensou.
Quando fez a menção de entrar no Salão, todos a olharam como no dia anterior, mas havia alguns olhares diferentes. Algumas meninas com inveja, outras criticas, outras admiradas. Alguns meninos bobos, outros maliciosos, outros que ela nem quis imaginar o que pensavam. Corou violentamente. Estava bonita, tinha que assumir, mas era para tanto? Procurou por Zabini na mesa da Sonserina e quando o encontrou, deu um sorrisinho, avisando que já havia chego. Ele sorriu de volta, mas não saiu de seu lugar. Sem entender, sentou-se ao lado das meninas que deram um bom dia em uníssono a ela, respondeu-as enquanto enchia um copo com suco de abobora.
- As carruagens vão atrasar um pouco. – Gina comunicou – Houve um problema e eles estão concertando. Coisa de meia hora de atraso.
- Deve ter sido por isso que Zabini não veio te buscar ainda, deve estar te dando um tempo para comer. Chegou em cima da hora! – Disse Isabelle e Hermione concordou, pegando uma torrada e dando graças a Deus por poder comer algo.
- Você demorou a voltar para o quarto ontem, o que houve? – Perguntou Katy.
- Tive que ficar monitorando uma detenção com o Malfoy. Só cheguei ao quarto 01:30, ainda tive que deixar o garotinho no Salão Comunal da Lufa-Lufa.
- Com o Malfoy? Como sobreviveram? – Gina disse preocupada, porém risonha.
- Quase nos matamos. – Mentiu. Não falaria da conversa que tivera com ela, “ninguém precisa saber”, lembrou de suas próprias palavras.
- Eu o mataria de beijos! – Parvarti falou em um tom malicioso. As outras riram, como quem concordavam.
- Tem certeza que vocês não são da Sonserina? – Falou a castanha, em um tom revoltado. As meninas riram mais.
- Bom dia! – Saudou Harry e Ron juntos quando chegaram, já atacando os bolinhos da mesa. As meninas responderam ainda rindo.
- Não tinha uma blusa mais decotada não, Mione? – Comentou Ron, olhando para o decote da amiga, que corou.
- Cala boca, Ron. Não está tanto assim.
- Ah não? Então diga isso para o seu acompanhante, porque da para ver daqui que o único alvo dele é o seu decote. Daqui a pouco ele começa a babar! – Todos riram.
Enquanto isso, na mesa da Sonserina reinava o silêncio entre Draco e Blaise. O loiro até tentou uma conversa com o amigo, mas depois que a Granger adentrara o salão, o moreno havia ficado hipnotizado. Não era para menos, ela estava linda e mesmo se ainda a odiasse como antes, teria que assumir. Não que houvesse deixado de odia-la, claro. Ele ainda a odiava e muito, mas como era linda! Olhou para Blaise, que continha um sorriso malicioso nos lábios enquanto encarava a castanha. Revirou os olhos.
- Assim você vai tirar a roupa dela daqui mesmo, Blaise. Não que eu tenha pena da Granger, mas a pobre da Sangue-Ruim já deve estar roxa de vergonha. – Blaise continuava a olha-la, quase babando – Eu disse tirar a roupa? Você vai come-la com os olhos!
- Cara... – Ele balbuciou, sem desviar os olhos – Você sabia que ela era tão gostosa?
- Nem é isso tudo, Blás...
- Ah, aham. – Ironizou. – Sou seu melhor amigo, Ser Albino, seus pensamentos são os mesmos que os meus, ou piores.
- O que, pirou? – Se fez de desentendido. Blaise desviou o olhar para ele, sarcástico. – Ah Blaise, a Granger? Eu nem sei o que você viu nela!
- Peitos, pernas e bunda. Quer mais alguma coisa?
- Não da para ver isso pelo uniforme, Blás.
- Claro, ela é bonita, chamou minha atenção, mas vê-la hoje desse jeito foi ainda melhor. Com esse corpo, deve fazer qualquer homem delirar na cama.
- Duvido que a Granger saiba o que é isso.
- O que? Você acha que ela é virgem?
- Mas é óbvio que ela é virgem, Blás! – Disse em um tom impaciente, como se ensinasse o 1+1 para uma criança – Ela devora livros. Duvido que queira homens assim, acho que ela espera um príncipe encantado para isso.
- Eu sei muito bem fingir que sou um príncipe... – Maliciou, voltando a olha-la.
- Ah, fala sério, Blás. Tanta mulher para brincar, você quer brincar logo com a Granger? – Tentou esconder sua irritação.
- Está com peninha da inimiga, Draco? Por favor...
- Não! – Mentiu – Mas tem tanta mulher melhor, ela é suja!
- Como se eu me importasse com isso quando o assunto é mulher, não é, Draco! Aposto como levo ela para a cama até, no máximo, próximo sábado.
- Eu não vou apostar uma idiotice dessas. – Estava visivelmente irritado.
- Você está diferente, cara... – Riu e levantou-se – Deixe-me ir, que o meu alvo me espera. – E saiu, deixando Draco completamente irritado.
Não deixaria que o amigo fizesse isso com ela. Podia odia-la por vários motivo justo e injustos, mas se havia algo que ele sabia é que ela não era só corpo. Não merecia ser brinquedo de ninguém.
“Esse negocio de bondade deve ser contagioso, não deveria ter conversado com ela ontem.” Pensou. “Deixe que ela se ferre, se quiser.” Mas sabia que não deixaria.
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Em Hogsmead, tudo transcorria normalmente, Hermione estava no Três Vassouras tomando cerveja amanteigada junto com Zabini. Ele não era uma má companhia, no geral. Pelo menos não quando estava dando descaradamente em cima dela.
Percebia também que as vezes ele era bonzinho demais, lisonjeiro demais, fofinho demais. Quase um príncipe, um gentleman. Segurava-lhe a mão, colocava os cabelos dela para trás das orelhas, planejava outros encontros. Quando chegaram ele abriu a porta para que ela entrasse, puxou a cadeira para que ela sentasse; ele fazia um contraste com ele mesmo – Ora bonzinho, ora malicioso. Não sabia quais eram as reais intenções dele, mas pelo o que via não eram das melhores. Mal sabia ele que quanto a esse tipo de garotos, ela já era vacinada. Mas não seria ela que acabaria com o joguinho dele. Podia não ter experiência em relacionamentos ou encontros, mas seu radar para cafajestes era ligado em potência máxima. E o alarme havia soado quando ele começara a falar coisas bonitas olhando para seu decote, quando certamente deveria olhar para seus olhos.
Era, obviamente, seu primeiro e último encontro com Zabini.
Quando voltava para o castelo, percebeu o quanto seria difícil achar um “cara ideal”, se é que um dia encontraria tal perfeição. Era exigente demais. Poderia então se divertir com caras errados, só para passar o tempo, e quem mais errado que Zabini? Não, era alto-suficiente demais para se entregar de bandeja e maçã na boca só para não ficar sozinha. Era paciente, esperaria o cara certo, e não era como se estivesse subindo pelas paredes o tempo todo. Tinha desejos normais de adolescentes normais. Nada que pudesse mata-la ou enlouquecê-la.
Chegando ao seu quarto, só Katy estava lá, e esta dormia. Sem fazer barulho para não acorda-la, pegou roupas limpas e mais confortáveis e rumou para o banheiro. Antes de se despir, olhou para o relógio, 13:30. Ainda estariam servindo o almoço, mas não se sentia com fome. Buscou em mente algo para fazer, mas não achou. Decidiu estudar. Banhou-se, vestiu jeans azul escuro, uma blusa básica e solta em um tom de rosa claro, e All Star branco. Pegou parte do material e saiu, encaminhando-se para o Lago Negro. Não era de todo tranquilo para estudar, mas gostava do lugar.
Estava distraída com pensamentos leves quando notou uma grande concentração de garotas próximas ao Lago. “O que está acontecendo, Harry está fazendo strip-tease?” Pensou irônica, se aproximando para ver o que acontecia. “Que exibido!”, foi o que pensou quando viu. Draco Malfoy, vestido em uma calça de moletom verde, regata branca e tênis, se alongava olhando o nada, como se estivesse displicentes a todos os olhares femininos ali presentes. Como conseguia ser tão... Tão... Metido? Não aguentava isso. Com passos firmes e rápidos, foi para uma árvore pouco próxima ao Lago e recostou-se nela. Bufou quando viu ele correr dando voltas no Lago e sorrir para as meninas que pareciam perder o ar só de vê-lo. Mais exibido, impossível.
“Concentre-se em estudar!”, se ordenou, abrindo um livro e tentando concentrar-se na leitura, mas estava quase impossível. A culpa ela colocava nos gritinhos e suspiros das garotas não muito longe dali, mas a verdade é que de vez em quando seu olhar se desviava para ele, mesmo disfarçadamente, e isso lhe tirava a concentração. “Exibido, metido, escroto! Porque não foi fazer isso no campo de Quadribol?”
Decidiu que estudar seria impossível. Pegou um pedaço de pergaminho, uma caneta trouxa comum e começou a rabiscar coisas sem sentindo, concentrando-se só em não olha-lo. Mas se traiu quando ele passou perto, perto demais em sua opinião. Parou para analisa-lo de uma vez, sabia que seus olhos e mente lhe trairiam a todo momento, era melhor sucumbir de uma vez, assim conseguiria se concentrar em outras coisas depois.
Arrependeu-se amargamente quando levantou os olhos para ele. Ele havia parado, a blusa estava levantada, ameaçando tira-la. Pôde ver de relance meninas quase desmaiarem, e não era para menos. Ele tinha a barriga perfeita, dessas que enlouquece qualquer mulher, com um caminho de finos pelos partindo do umbigo e adentrando a calça. Braços fortes na medida certa, cabelos bagunçados e um sorriso maroto nos lábios. “Prendam esse homem por atentado ao pudor!”, ela pensou, enquanto passava a língua pelos lábios secos.
- Gostando do que vê, Sangue-Ruim? – Ela ouviu ele dizer, desdenhoso. Piscou algumas vezes, tentando voltar a si. Havia sido pega. “Droga!”
- Só nos seus sonhos, Malfoy. – Respondeu em um tom indiferente.
- Assuma, Granger. Sou melhor do que você imaginava. – “Põe melhor nisso!”, pensou ela. – Mas não sou para seu bico, não me misturo com gente da sua laia.
- Mas é muito pretensioso! – Irritou-se – Sabe que eu poderia te por em detenção por matar menininhas do coração, não sabe?
- Ciumes, Granger? – Divertido.
- Tenho mais o que fazer, Malfoy. – Ele riu e ela voltou a se concentrar no pergaminho que rabiscava.
“Pelo visto o Malfoy de ontem era só uma ilusão” pensou, contendo a irritação e a decepção. Não que acreditasse que ela viraria um anjo da noite para o dia, mas no fundo esperava que as provocações ao menos diminuíssem. Ledo engano. Ali estava ela diante do Malfoy de sempre. Idiota, presunçoso, exibido e arrogante. E bonito, não poderia negar. Mas de nada adiantava ser bonito por fora e podre por dentro.
Passou um tempo escrevendo sem perceber em seu pergaminho, e quando parou para ler, não gostou do que viu. Era uma lista de como um garoto perfeito para ela deveria ser, por dentro e por fora. E por fora, ela tinha displicentemente descrito Draco Malfoy: Loiro, alto, olhos azuis, forte e com um belo sorriso. Rabiscou a folha, irritada. Aquele nunca havia feito seu tipo. Mas como? “Loiro aguado infeliz!”, pensou amassando o pergaminho e o jogando longe. Não adiantava nada ter todas as qualidades externas e não ter as internas, e isso, ela sabia, ele nunca teria. Ele não seria um cavalheiro, nem a compreenderia. Não estaria ao seu lado nos momentos difíceis, não a faria sorrir, nem seria carinhoso. Não seguraria sua mão, nem saberia suas manias, ou decifraria-a com um olhar. Levantou-se irritada, pegou suas coisas e saiu batendo pé. Não acreditava em si mesma por ter imaginado que ele se encaixaria em alguma dessas coisa. “Ele é seu inimigo!”, sua mente gritou.
Era? Não tinha mais certeza.
Só sabia que ele nunca seria o cara perfeito para ela.
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N/A: Bom.. Mais um capítulo, para ver se anima alguém de comentar ._.
Undiscoverd: Desanima demais! No Nyah, eu faço um joguinho com minhas leitoras, se chegar a uma quantidade de comentários, eu posto capítulo... Aqui, nem se eu quisesse muito daria para fazer isso! Mas obrigada por ler, ok?! Continue acompanhando. Beijos!