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13. Capítulo XII


Fic: Batalhas e Honras


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Capítulo XII




O som dos passos era abafado pelo úmido solo que se estendia diante deles. Pelo menos, os guerreiros esperavam que se estendesse. Era terrivelmente escuro dentro daquele túnel sem fim, que já percorriam a mais de dez minutos. O cheiro de mofo e madeira podre os deixava levemente enjoados, mas eles jamais revelariam isso. Afinal, era uma mulher pequena e frágil quem os guiava pelos confins da terra, completamente sem medo e sem carregar qualquer tocha.
A melhor forma de entrarem sorrateiramente, e tomarem o castelo de súbito, era pelos túneis. E a única que conheceria aqueles labirintos de rocha e terra era Hermione. Para ela, andar nos túneis era como reencontrar velhos amigos. Ela abrira entrada por entrada, já estava no interior dos túneis há mais de uma hora, carregando consigo todos os soldados que o Acampamento do Dragão possuía. Eram noventa e seis no total.
Os guerreiros que vinham com os Weasley e com as famílias dos outros exilados iriam atacar pelas muralhas. Não que eles fossem necessários com a imensa maioria pró-atalaiana que existia dentro do castelo. Porém, apresentar-se como uma força esmagadora sempre fazia bem para o ego, pelo menos foi o que Dom Sírius explicara para Hermione na noite anterior.
— Está frio aqui dentro, como no último círculo do inferno — murmurou um dos homens.
— E escuro, eu não consigo ver nada além de dez centímetros na minha frente — sussurrou o outro. — E isso que estou segurando a tocha.
— O barro que recobre as paredes possui um metal que inibe a luz — comentou Hermione. — O melhor que vocês têm a fazer é ficar quietos e me seguir, não vou deixá-los cair nas armadilhas.
Eles ficaram calados e entreolharam-se. Como ela havia ouvido? Só podia ser por causa do silêncio ensurdecedor que vigorava naquela cova.
Eles caminharam mais alguns segundos, o som das respirações ofegantes acentuava-se. Simas Finnigan sentiu um aperto no coração. Ele detestava locais apertados ou muito escuros. Seu suor frio lhe perturbava mais do que não enxergar o caminho que ele trilhava e ele quase soltou um gemido de satisfação quando começou a ouvir os sons provenientes do castelo. Aproximavam-se da entrada dos estábulos.
Ele liderava aquele grupo. Outro grupo sairia no corredor da sala do trono e era liderado pelo príncipe Harry. A outra entrada, que ficava perto das cozinhas, seria comandada por Córmaco. O túnel que desembocava junto ao calabouço (que eles poderiam ter usado quando escaparam de Atalaia pela primeira vez), seria comandado por ambos os gêmeos. E o último túnel, que desembocava junto ao pátio de treinamento seria comandado por Denis.
Draco e Pansy estavam junto de Hermione. Por muito estranho que parecesse, Harry havia conversado com ambos em separado antes de partirem, e, desde então, eles não abandonaram o lado da castanha por nenhum único segundo sequer.
— Pronto chegamos — disse Hermione enquanto destrancava o mecanismo. Mesmo que algum deles quisesse, não conseguiriam ver o segredo dos túneis. Era escuro demais. — Só temos que aguardar o sinal.
Os soldados amontoaram-se junto à abertura que surgia diante de seus assombrados olhos, liberando uma boa quantia de luminosidade. Logo eles ouviam o som dos cavalos, a conversa inocente dos cavalariços, os barulhos oriundos da ferraria que ficava logo adiante. Simas e Pansy se emocionaram ao relembrar a vida antiga, ao sentir saudade das horas passadas por detrás daquela muralha que agora queriam penetrar.
Só mais alguns minutinhos.
Noutra saída dos túneis, Harry aguardava ansioso. Ele estava ficando com câimbras da posição meio acocada, meio ajoelhada em que ele se encontrava. Ele ouvia o ruído dos passantes no corredor do trono e lembrava-se que, há muito tempo atrás, era ele quem caminha imponente por aqueles caminhos. Esses tempos estavam prestes a voltar.
Os homens atrás dele também tinham ganas de voltar a suas casas na vila, a seus afazeres costumeiros. Eles não eram soldados por obrigação ou por escolha. Eles eram soldados pela necessidade de liberdade.
Isso faria toda a diferença quando eles atacassem Penedo. Mas primeiro eles teriam que dominar Atalaia. Depois, eles subjugariam o Lobo de Penedo.
Respirações ofegantes. Isso é o que poderia se dizer de todos os soldados. Era o som dominante dentro de todas as cinco entradas para os túneis, era como Hermione se distraía ao pensar em Harry tão longe de si. Era o que Harry tentava controlar ante a adrenalina da batalha próxima.
Contagem regressiva.
Um. Tum... tum... tum.. tum... Os corações martelavam em suas costelas e seus ouvidos.
Dois. Tum... tum... tum, tum, tum.
Três. Tum, tum, tum, tum, tum, tum, tum, tum.
Ouviu-se um agudo som de cornetas! Era o sinal, produzido pelos homens dos Smith, ou melhor, dos Prewett.
— ATACAR! — foi o grito que retumbou por toda a fortificação.
Os soldados que pertenciam a Voldemort não sabiam de onde vinham os golpes. Eles foram atacados em todos os pontos do castelo. Nas cozinhas, nos corredores, nas ameias, no pátio de treinamento.
Harry correu pelo corredor da sala do trono enquanto acertava um e outro inimigo com o punho de sua espada. Eles não eram mais que meninotes e não mereciam a morte. Seria feitos prisioneiros antes de uma sentença tão drástica.
Ele acabava de derrubar mais um quando recebeu um golpe pelas costas que lhe atalhou o ombro esquerdo.
Com um rugido e com seus reflexos de águia, Harry virou-se e enfiou Camullus diretamente na barriga do inimigo. Um soldado que atacava nas costas não mereceria compaixão era um covarde traidor.
O príncipe ficou chocado ao perceber que acabara de matar um de seus antigos soldados, Sir Bennet. Ele sempre foi um soldado medíocre e um tanto presunçoso, mas Harry jamais pensou que ele se aliaria com a tirania de Voldemort. Um soldado assim realmente merecia a morte, muito embora uma morte em batalha, por um oponente honrado, fosse muito mais que ele merecesse.
Enquanto isso, na sala do trono, Rei Ronald e Padre Severus lideravam a própria batalha contra cinco soldados de Voldemort. Eles sabiam que iriam perder o combate, mas tentariam matar o Rei como prova de sua devoção à Penedo.
Padre Severus brandia sua espada formando pequenos padrões circulares. Ele estava com as costas coladas às costas do ruivo Rei, que estava com sua espada larga parada. Poder-se-ia dizer que enquanto Snape agia como um pequeno córrego que abria caminho por entre as rochas, Ronald era um profundo lago negro cheio de mistérios.
— Se vocês se entregarem, terão um julgamento justo — afirmou Rei Ronald numa última tentativa de evitar derramamento de sangue desnecessário.
— Somos de Penedo! — Um deles refutou a proposta. — SOMOS LOBOS SEDENTOS DE SANGUE!
— Então que Deus tenha piedade de suas almas atormentadas e que o purgatório possa expiar seus erros — murmurou Padre Snape com um olhar mortífero.
— POR PENEDO! — Os cinco soldados gritaram enquanto avançaram sobre os dois.
— POR ATALAIA! — O Rei e o Padre gritaram.
Os gritos confundiram-se e a luta era uma profusão confusa de cores, gritos e estalidos de metal.
Ron atingia seus oponentes com golpes certeiros e alinhados. Eram movimentos retilíneos em sua grande maioria. A primeira estocada atingiu um dos atacantes diretamente no coração, e o som engasgado que ele fez ao sentir o golpe lembrou a Ron o porquê de ele deixar as guerras nas mãos de seu irmão caçula.
O soldado atingido caiu de joelhos segurando a ferida sem acreditar que caíra tão rapidamente. Os demais mal prestaram atenção a ele e literalmente o empurraram e pisotearam para atacar o Rei e o Padre. E, o último pensamento daquele soldado anônimo era o de que talvez devesse ter aceitado a oferta generosa do Rei. Em seguida, ele morreu com os olhos arregalados presos nos movimentos fluídos da espada do Padre.
Padre Snape nunca fora realmente um guerreiro. Ele era um erudito. Mas a morte e o sangue nunca o sensibilizaram muito. Depois de uma infância de agressões qualquer um poderia ficar frio. E ele aprendera, há muito tempo, que saber se defender era essencial. Sua técnica era uma mistura de esgrima francesa e italiana, aprendida dentro dos muros do monastério através de um soldado exilado.
O que realmente causava efeito era o choque produzido por suas vestes clericais esvoaçando com os movimentos rápidos de seu sabre.
Os outros quatro soldados afastaram-se temporariamente a fim de se recuperar e reiniciar o ataque.
Sem pronunciar uma única palavra, Rei e Padre afastaram-se lentamente, a fim de dar maior espaço um ao outro. Dois segundos depois os soldados inimigos dividiram-se para atacar os dois, ignorando completamente que aqueles seriam seus últimos minutos de vida.
Ronald trocou a espada de uma mão para a outra a fim de secar um pouco o suor que começava a fazer o cabo escorregar por suas mãos. O primeiro soldado atacou com um movimento vertical, descendo a espada sobre a cabeça de Ronald, que a amparou com sua própria arma. Enquanto isso o outro atacava horizontalmente, tentando acertar o abdômen do rei, que desviou com um pequeno salto para trás. A espada acabou atravessando o outro guerreiro que apenas soltou um gemido antes de cair.
— Assim fica fácil, sabe? Vocês mesmos acabam entre si — comentou Ronald com um sorriso satisfeito.
— Maldito! — Gritou o soldado avançando cego pela fúria.
Ronald sequer moveu seu corpo. Ele apenas aparou o golpe com a espada, arrancando-a das mãos do soldado que lhe havia gritado antes, recusando sua oferta de rendição. E, quando o soldado avançou com uma adaga, querendo cravá-la no coração do Leão de Atalaia, ele apenas girou o braço desferindo um único movimento horizontal, que decepou a cabeça do inimigo. O soldado ainda piscou uma vez antes que sua cabeça rolasse pela sala do trono, ensangüentando o piso lustroso de madeira.
Ronald olhou o corpo cair com certa aversão. Ele detestava matar. Ele detestava sangue. E, se os deuses quisessem, aquela seria uma de suas últimas lutas.
Enquanto Rei Ronald livrara-se de seus oponentes com rapidez surpreendente, Padre Snape parecia gostar de brincar com sua comida, ou seria com seus oponentes, ou ainda melhor, com seus brinquedos?
O Padre deslizava pelo piso lustroso, desferindo golpes cheios de graça. Snape achava graça daquela trambolheira que os soldados usavam. Ele era muito mais ágil que eles, mesmo em sua batina.
— O senhor pode fugir se quiser Padre — sugeriu um dos soldados quando teve outro golpe esquivado.
— Eu não sou um rato como seus companheiros, senhores. Eu estou aqui em nome da Santa Igreja Cristã, e, se Deus jamais se acovarda, por que eu me acovardaria?
— Foi sua escolha padre. Morra como estes imbecis Atalaianos — resmungou ele avançando.
Padre Snape esquivou-se deslizando para o lado enquanto marcava o rosto do soldado com seu sabre. Ato contínuo girou, fazendo a batina esvoaçar e, num golpe fluído e horizontal, cortou a garganta do outro soldado antes de abaixar-se rapidamente e amparar um ataque do primeiro homem.
O corpo do soldado degolado despencou no chão, mas isso não impediu que o outro homem de Voldemort insistisse no ataque cada vez mais furioso e menos cuidadoso ao Padre. E, em um único golpe diagonal, precedido de uma defesa brilhante, Padre Snape eliminou o adversário, rompendo-lhe a armadura e a cota de malha e afundando seu sabre na carne mole do pescoço, separando a clavícula, e todo o resto do ombro, do corpo em si.
Padre Snape apenas respirou fundo uma vez, enquanto recompunha-se e ajeitava o colarinho da batina e seus cabelos. Então voltou a sua máscara fria habitual e disse ao Rei:
— Lutou muito bem hoje, Majestade.
— O senhor também, Padre. Os monges lhe ensinaram muito bem — ele completou com uma expressão zombeteira.
— Aprendemos o que é útil.
Rei Ronald concordou com um aceno, e olhou repugnado ainda mais uma vez para ver os corpos caídos pela sala do Trono. Era tanto sangue. Os criados levariam horas e horas para limpar tudo.
— Da próxima vez vou tentar não cortar a cabeça de ninguém — resmungou Ronald, enquanto chutava um corpo. — O sangue se esvai rápido demais e está manchando todo o meu assoalho.
O Padre apenas acenou afirmativamente com a cabeça.
Os dois seguiram até a porta, dispostos a participar do combate. Padre Snape mais a frente, o Rei contornando os corpos e aproximando-se, nada intencionalmente, de suas lanças de treinamento.
Quando o Padre chegava à porta, ela abriu-se num rompante por um soldado inimigo que fugia de um algoz no mínimo terrível, pelo que se podia perceber do desespero que o rosto do homem transmitia.
Ele agarrou o Padre, dando-lhe uma gravata com o braço, e apontando uma adaga para o pescoço longo, nada escondido pelo colarinho da batina. Ele ofegava de forma barulhenta e disse com a voz tremente:
— Desculpe-me, Padre, mas é minha única saída.
— Eu não tenho que perdoar você, rapaz. Apenas o Altíssimo possui este dom, e será melhor que reze a ele — retrucou Padre Snape com calma.
Rei Ronald percebeu que o soldado não o vira. Com suas atitudes treinadas, o Rei achegou-se à parede e retirou uma de suas lanças. Silenciosamente, ele procurou uma localização melhor para acertar o inimigo sem ferir o Padre. Ele estava quase lá quando outra figura adentrou na sala.
Ele quase não reconheceu aquele homem maduro e forte, vestido com roupas comuns. Mas o porte arrogante e o olhar verde eram únicos.
— Infeliz! Não basta ter quase atingido minha mulher, matado um de meus melhores homens, agora está ameaçando a vida de um padre? Você vai implorar para morrer — rugiu o príncipe Harry.
O soldado começou a tremer, mas manteve o agarre firme ao clérigo, apertando, ainda mais, a adaga no pescoço esguio e branco.
— Eu vou matar o padre. Eu vou...
— Você vai morrer Cão! — Ele repetiu com uma fúria assombrosa, fazendo o próprio Rei apavorar-se com a expressão do príncipe.

Para entender melhor, temos que retornar alguns minutos antes, na porta de entrada do palácio, onde uma luta sangrenta se travou.
Assim que o sinal foi dado, Simas, Draco, Pansy e Hermione saltaram de seu esconderijo, surpreendendo os jovens cavalariços e os desacordando com rápidos golpes em suas cabeças.
Agachando-se atrás de montes de fenos, Simas guiou seus soldados dominando toda a cavalariça, e dois segundos depois tomando de assalto os soldados que caminhavam despreocupados pelo local. Os gritos dos soldados do pátio de treinamento indicavam que o resto do ataque estava correndo exatamente como eles queriam.
Hermione acertou três ou quatro soldados com suas flechas especiais, mas os resgatadores de Atalaia eram em número tão superior que ela apenas se preocupou em chegar ao palácio e manter o Rei a salvo.
O barulho das espadas era ensurdecedor.
Draco lutava com dois soldados ao mesmo tempo, defendendo-se com sua espada e com sua adagada, as gêmeas, como ele gostava de chamar. Os movimentos sincronizados dos dois braços pareciam um bailado, enquanto as lâminas cortavam a carne e os ossos dos desavisados.
Os oponentes desceram suas espadas num movimento único e vertical de cima para baixo, quase ao mesmo tempo e o loiro suportou os golpes com uma força surpreendente, amparando um com a espada e outro com a adaga. Então ele empurrou as espadas para o alto, fazendo os dois soldados darem alguns passos para trás, e girando, cravou a espada entre as amarras da armadura de um deles, rompendo a cota de malha e se enterrando entre as costelas; e afundou a adaga na garganta do outro. Com um golpe seco, ele sacou ambas as lâminas de dentro dos corpos que despencavam às suas costas e seguiu até sua esposa que gingava sua comprida e fina espada, como se desenhasse nas nuvens.
Se Draco parecia bailar com seus braços, Pansy, por sua vez, dançava com todo o seu corpo. Para compensar sua pouca força física contra soldados muito mais musculosos e pesados que ela, a morena usava-se do impulso de suas pernas, de saltos ornamentais, e de movimentos hábeis de sua espada, que nunca eram detectados a tempo por seus atacantes.
Pansy era extremamente ágil. Evitando um ataque frontal de um soldado ela dobrou-se completamente para trás, desviando da espada, para logo aproveitar o movimento e chutar o atacante enquanto ela saltava para trás. O ato todo não durou mais que alguns segundos, mas muitos ficaram pasmos olhando-a.
Draco sorriu e balançou a cabeça negativamente, sua esposa era muito exibida.
Em seguida ele olhou a sua volta e não encontrou Hermione. Onde aquela pequena duende estaria? Ela devia estar com problemas, Hermione sempre se metia em encrencas quando desaparecia. Preocupado e ainda lembrando do pedido de Harry, ele gritou para a esposa:
— Pan, querida, vamos. A Mione sumiu.
— Logo agora que eu começava a me divertir — ela resmungou aborrecida, deixando a briga aos demais soldados.
Todo o pátio interno começava a encharcar-se de sangue. Hermione viu cinco ou seis amigos do Acampamento do Dragão caídos, e ela sentiu uma dor no coração ao perceber que não poderia mais ajudá-los, a centelha de vida que os animava já havia desaparecido. Com a mente embotada pela morte e pelos gritos, ela vagava rapidamente até a entrada do castelo.
Ali a carnificina acentuara-se alarmantemente, uma vez que os soldados de Voldemort recusavam-se a se entregar ou a entregar o castelo.
A grande maioria dos guerreiros leais a Penedo esta defendendo a fortificação, e o espaço reduzido auxiliava sua causa, ainda que estivesse, no momento, sendo atacada por ambos os lados, de um lado os soldados dos gêmeos, de outro os de Harry.
Hermione encarou as paredes buscando um bom ponto para escalar e ter uma visão privilegiada. Ela precisava entrar no castelo de qualquer forma.
Disparando flechas ocasionais ela acabou por decidir que o suporte, onde as tochas costumeiramente ficavam, era o melhor lugar. Era estratégico e lhe permitiria acertar soldados de Penedo com facilidade.
Usando sua longa prática de subir em árvores ela logo alcançou, depois de um pequeno salto, a base do suporte e então se puxou para cima. Ela não pode evitar lembrar a noite do parto de seu afilhado, quando fizera a mesma coisa, mas com muito mais dificuldades. Agora ela era uma guerreira treinada, na época ela era um simples curandeira. Os tempos mudavam tanto...
Empoleirada naquele emaranhado de ferro fundido, ela disparou uma e outra flecha, mas parou quando percebeu que o entrevero era tão tumultuado que ela acabaria atingindo um dos aliados. Com um suspiro derrotado ela sacou sua espada leve e decorada, e decidiu juntar-se ao amontoado de pessoas. Se aquela era a única forma dela poder chegar até o Rei, então que assim fosse.
Com um salto gracioso, ela aterrissou no meio de uma briga de espadas e adagas. Ela defendeu-se de três ataques, mas não percebeu que um dos soldados de Voldemort preparava uma besta e estava prestes a disparar na direção dela.
Neville acabava de afundar a espada em mais um inimigo quando viu o homem apontado a flecha mortal diretamente para Hermione. Num ato desesperado, ele lançou-se gritando na direção dela.
Como todo o barulho ela não o ouviu.
Neville saltou sobre um amontoado de corpos, ficando atrás de Hermione exatamente quando a flecha era disparada. O impacto foi tão forte que o lançara contra ela, fazendo-a se desequilibrar.
Seus esforços com a espada eram realmente medíocres, pensava a castanha enquanto esforçava-se para afastar um soldado que a atacava. Foi quando ela sentiu um impacto contra suas costas e afundou a espada no estômago do oponente num desajeitado golpe de sorte.
Quando ela virou-se para saber o que tinha acontecido, ela viu Neville caído numa poça de sangue.
Ela não percebeu que Harry embranqueceu pelo susto, pois tinha acompanhado tudo, longe demais para salvar a mulher que amava apavorado demais com o que acontecia. Nem mesmo que Draco e Pansy pelejavam a sua volta, mantendo-a segura.
Hermione apenas pegava o corpo de seu jovem admirador, olhando desolada a flecha que atravessava seu coração saindo pelas costas. Era um ferimento mortal.
— Neville — ela gemeu afastando o cabelo úmido da testa suada.
Ele soltou um gorgolejo misturando ar e sangue e abriu as pálpebras revelando seus pálidos olhos azuis, que ainda brilhavam com uma centelha fraca.
— Meu anjo.
— Neville, sou eu, Hermione — ela sussurrou sabendo que ele não ouviria no meio do alvoroço que os soldados faziam.
Ele deu um sorriso amplo e tingido de sangue, enquanto a encarava com uma adoração que provocou em Hermione um nó na garganta.
— Meu anjo. Eu sabia... — ele interrompeu-se enquanto um ruído continuava a atrapalhar-lhe, muito embora Hermione mais adivinhasse do que ouvisse. — Sabia que você estaria me esperando no céu.
— Oh Neville — Hermione soluçou sentindo as lágrimas rolarem por seu rosto.
Ele sorriu ainda mais, deixando escorrer um fio de sangue pela boca, enquanto esforçava-se para erguer o braço que estava pesado e rígido. Com um toque suave ele deslizou o dedo pelo rosto de Hermione, enxugando uma lágrima.
— Não chore.
— Eu.. eu...
— Shihh! — Ele fez tocando-lhe a boca. — Você é tão linda, meu anjo, tão linda... — a voz estava ficando cada vez mais fraca e seus olhos iam perdendo a chama da vida. — Eu amo...
Ele nunca chegou a completar a frase. Seu braço desceu, deslizando até o chão enquanto Hermione soluçava e o abraçava.
Ela gostava tanto daquele homem que a atendia em tudo e que sempre parecia estar disposto a ficar ao seu lado. Ele foi um verdadeiro amigo quando ela fugia de Harry pelo acampamento. Ele lhe ajudou a convencer Hagrid a fabricar suas tão desejadas ponteiras. E agora ele estava morto. Seus pálidos e alegres olhos azuis estavam opacos, e seu corpo já jazia sem vida e pesava-lhe nos braços.
Por que a morte sempre rondava àqueles que ela amava?
O soldado que a atacara percebeu a aproximação perigosa de Harry e saiu em disparada tentando alcançar qualquer rota de fuga. Mas, ele em todo momento era obrigado a desviar de mais de um invasor. Eles pareciam um enxame de gafanhotos que destruíam tudo, e não se abatiam nunca.
Ele achou que fora um golpe de sorte conseguir entrar na sala do trono, pegando o Padre como refém. No entanto, os olhos frios de Harry lhe demonstravam que ele iria queimar no inferno mais rápido do que desejava.
— Eu vou matar o padre. Eu vou...
Harry enlouqueceu ao perceber que poderia ter perdido a mulher mais importante de toda a sua vida por um soldado traidor que atirava pelas costas. Ele se importava mesmo com as mortes honradas como a que o jovem Longbottom sofrera. Não que ele gostasse do rapaz, Neville se atirava demais em Hermione, para seu gosto, mas ele morrera defendendo-a de um ataque covarde, e morrera como um guerreiro, isso ele jamais esqueceria.
Porém, para aplacar sua raiva, o príncipe queria vingança e o sangue do safado de Penedo. E ele a teria, na ponta de sua espada ou em seus punhos, tanto fazia. O desgraçado iria morrer naquela tarde e sua carcaça iria queimar junto com os demais.
— Você vai morrer Cão!
Harry mal registrou a presença de seu irmão mais velho na sala. Seu ódio o consumia. Para ele tanto fazia se Snape vivesse ou não, aquele tipo era um sadicozinho de meia tigela que sempre tentava lhe impor ordens imbecis. E pelo olhar do Padre, o príncipe percebera que a opinião era compartilhada.
Ambos sabiam que a morte do Padre não era nada em comparação a retomada de Atalaia e ao resgate da Rainha Luna. Padre Snape deu um assentimento praticamente imperceptível a Harry autorizando-o a fazer o que fosse necessário. O príncipe respondeu com o mesmo aceno invisível.
Nesse momento Harry fixou seu olhar em seu irmão, que se movimentava felinamente, com a lança em punho. Ele conteve o sorriso de alívio e de alegria em encontrá-lo saudável e combatente. Primeiro ele mataria o miserável covarde. Depois ele abraçaria o irmão.
— Você não vai sair com vida daqui, você sabe disso — Harry disse para o soldado.
Ele não falou nada, mas seus olhos injetados giravam de um canto a outro buscando uma forma de sair daquela ratoeira em que se enfiara.
— Solte o padre. Pecado maior que cometer um assassinato é matar um padre, como você sabe — ele persistiu.
Harry não era católico, mas a rápida convivência com sua cunhada lhe fez compreender muitos dos dogmas da Igreja. E ele contava com a sorte de que o soldado fosse católico como a grande maioria dos soldados de Voldemort.
O homem relaxou o agarre apenas um segundo. O que foi suficiente para o clérigo libertar-se com uma simples cotovelada.
Assustado com a perda de seu escudo humano, o soldado avançou contra Harry sem medir as conseqüências.
O príncipe apenas deu um passo para o lado desviando-o, pois Ronald acabava de arremessar sua lança mais pesada diretamente no centro das costas do maldito. Não poderia ser uma morte traiçoeira quando se matava um traidor pelas costas, era a legítima retribuição.
A força do arremesso fez a lança atravessar o corpo coberto de metal, prendendo-o como um espeto contra a porta. O soldado apenas deu um gemido, enquanto sangue e saliva saiam de sua boca. Seu último pensamento foi que deveria ter morrido por uma espada.
Os três homens respirantes (afinal, havia cinco corpos na sala) ofegaram por alguns minutos tentando se recuperar.
Em seguida, os dois irmãos chocaram-se num abraço demorado e poderoso. Se eles fossem homens que se emocionassem até as lágrimas, como Dom Sírius, eles estariam chorando. Mas eles eram guerreiros frios, conseqüentemente, o máximo que ocorreu foram pigarreadas fortes e tapas ainda mais fortes um nas costas do outro, como se quisessem aproximar-se ainda mais fisicamente, para preencher os longos anos de separação.
— Irmão.
— Irmão.
Estas palavras ditas num tom deveras rouco para ser o normal dos dois Potter. Com certa resistência, os dois se afastaram para observar as feições modificadas pelo tempo e pela dor.
— Você está grisalho, irmão — Harry comentou num tom supostamente zombeteiro.
— E você tem rugas ao redor dos olhos, Harry. Como você está velho.
— Ei, alto lá — ele cortou já se enfurecendo, como sempre, e fazendo o Rei sorrir. — Não sou eu quem tem um filho adolescente.
— Ele está aqui? — Rei Ronald perguntou com a voz sufocada de esperança e de alegria.
Harry negou com a cabeça, repentinamente reparando no estado da sala do trono.
— Não, ele está em segurança, longe da batalha. Ele é igualzinho a você. — Harry deu um meio sorriso antes de continuar: — Mas o que houve com seu lustroso piso. Resolveu que a cor deveria ser mais... vermelha?
— É estive pensando em decorar tudo para o retorno da Rainha — o Rei disse enquanto puxava a lança da parede e do corpo sem vida que estava espetado nela.
— Não sei, Ron, mas penso que Luna faria este serviço melhor, e sem corpos pelo chão e furos nas portas — retrucou Harry sorrindo.
— Você tem razão, Harry. Minha amada esposa fará um trabalho muito melhor. Logo estaremos buscando-a.
Harry não retrucou, mas ele tinha sérias reservas a levar seu irmão à Penedo. Ele deveria ser mantido em segurança. Rapidamente, o príncipe trocou um olhar com o Padre e percebeu que este também tinha sérias objeções à saída do Rei Ronald de Atalaia.
— Falaremos sobre isso mais tarde. Agora temos que desinfetar o castelo destas carcaças podres.
— Tem razão, Harry. Ordene aos soldados que ergam piras funerárias com os corpos, os cubra com óleo e os queime, por toda a noite. Eu quero ver o fogo arder por horas — Rei Ronald disse com um ar sombrio.
— É claro, Majestade — o príncipe assentiu, se preparando para ir procurar o Capitão Dino Thomas e lhe repassar as ordens.
Dino fora um dos únicos fiéis que sobreviveram àqueles anos de dor e tortura. Mas agora, dias de felicidade se aproximavam, e bastava um último desafio: Penedo.
Antes que o príncipe transpusesse a porta, seu irmão o chamou:
— E Harry.
— Sim, Ron.
O Rei não se deixou impressionar com a suposta submissão do irmão e afirmou:
— Eu quero saber de todos os planos, hoje à noite.
— Como quiser, irmão — ele respondeu com cautela.
— Só mais uma coisa.
Harry ficou parado à porta esperando.
— Eu quero saber tudo sobre a tua mulher.
O príncipe o olhou com cuidado, entretanto, nada respondeu. Apenas concordou com um aceno.
O Rei exalou um pesado suspiro enquanto via seu irmão sumir pelo corredor. A guerra acabava de se iniciar, e ela não seria longa. Seria rápida e letal. Ele só esperava que fossem os habitantes de Atalaia os rápidos e letais.
— Eu não poderei ir resgatar minha esposa, não é Padre Snape?
Aquilo não fora uma pergunta propriamente dita, fora mais uma afirmação resignada.
— Creio que isso seria pouco aconselhável, Majestade.
O Rei não voltou a falar. Deu uma última olhada a sua lamentável sala do trono, e então saiu para o pátio. Ele queria ver as piras. Talvez, ele mesmo fosse atear fogo aos corpos de seus seqüestradores. Ele precisava sentir que a vitória estava em suas mãos e nas mãos de Atalaia.

— Hermione, não há nada que você possa fazer por ele — insistiu Pansy, puxando a amiga de perto de mais um corpo.
Depois da morte do jovem Longbottom, o combate havia terminado. Dos cento e cinco soldados favoráveis a Voldemort, apenas trinta e sete sobreviveram e se entregaram. Os demais foram esfacelados pelas forças superiores. Os aliados perderam quarenta homens bons e justos.
A curandeira havia atirado as armas para o lado e passado a usar sua arte com os feridos. Entretanto, a maioria das lesões era fatal. Isso não impedia a castanha de continuar tentando, mesmo quando já fosse tarde demais.
Hermione não queria pensar em Neville, nem em suas palavras finais. Aquilo seria como espremer seu coração tão torturado. Ela tinha vontade de se amontoar num canto e chorar e gritar, e, ao mesmo tempo, ela tinha vontade de fugir, e de se reunir com seus afilhados, afastando toda a cena macabra de sua mente.
Ela não percebeu o olhar preocupado que Pansy e Draco trocaram enquanto seguiam vigiando-a de perto. Ela não percebia nada que não fossem os seus pacientes. Estava anestesiada pela dor e pelo choque.
A vigília continuou por três horas antes que Hermione notasse que os corpos sumiam. Seguindo seus instintos, ela viu três imensas piras feitas com madeira seca e corpos. Os soldados de Atalaia derramavam óleo fervente por cima, gerando um cheiro de carne queimada que a deixou tonta.
Deus! Eles iriam queimar os corpos!
Ela não poderia permitir! Neville merecia ser enterrado com honra e não ser queimado como uma carcaça animal que não tinha serventia nenhuma.
Hermione correu em direção às piras, sem notar que todos a observavam assustados com seu grito dolorido, e que ela não percebera que soltara.
Quando estava a poucos metros das piras alguém a segurou pela cintura com força, impedindo-a de prosseguir:
— Solte-me, eu exijo que me solte! — Ela gritava e debatia-se como um animal selvagem.
— Hermione sou eu. Fique calma, menina, o que está acontecendo?
A voz aveludada entrou pela névoa de seu desespero trazendo-a de volta à razão:
— Tio Sírius? Tio Sírius... Neville, ele .. e agora eles.. eu não posso...
O príncipe cigano ficara sabendo do triste destino de seu batedor logo que conseguira entrar no castelo horas antes. Ele apertou a sobrinha contra o corpo, tentando absorver um pouco da dor que aquela voz alquebrada que pronunciava palavras desconexas lhe transmitia.
— Calma, meu bem. Neville não está lá. Nenhum dos nossos está lá. Apenas os seguidores de Voldemort.
— Não? — Ela indagou entre lágrimas com a voz abafada pelo tecido sedoso da camisa do tio.
— Não, querida. Assim que você se acalmar um pouco eu a levarei até ele. Mas primeiro respire.
Hermione engoliu os soluços e respirou profundamente muitas vezes. Ela sentia-se segura nos braços do tio. Contudo, ela sabia que tinha de recobrar a razão, foram emoções demasiadas, e ela precisava reencontrar sua paz para poder trazer de volta a Rainha Luna e depois... Depois ela teria de decidir.
Vendo que a sobrinha recobrava o espírito, Dom Sírius afrouxou o abraço e a conduziu para longe das piras funerárias. E do cheiro repugnante que começava a empestear todo o ar.
Ele viu a figura majestosa do Rei Ronald, enquanto ele disparava uma flecha em chamas contra a primeira pira. Em todos aqueles anos, o príncipe dos ciganos não entendera o porquê dos homens permanecerem fiéis a um líder que estava derrotado. Entretanto, ao observar a expressão dura do Rei, e vê-lo entre seus soldados com entre os entes mais queridos de sua vida, Dom Sírius começava a perceber a razão. Ele era um líder nato. Um homem a ser seguido.
Alguns minutos mais tarde, Dom Black e Hermione saíam do castelo pela porta lateral ao norte e, após cruzar o campo, adentraram na floresta. Eles caminharam por quinze minutos entre os galhos e ramos, até que chegaram a uma clareira.
Ali, deitados com suas melhores roupas e com suas armas favoritas, dez membros do Clã do Dragão jaziam deitados sobre piras apropriadas, com madeira de cheiro. Neville Longbottom era um deles.
O Padre Snape terminava de benzer o último corpo, um rapaz chamado Oliver Wood, jovem demais para um destino tão trágico em sua glória. Hermione ouviu passos atrás de si e percebeu que o Rei Ronald aproximava-se, juntamente com Harry.
O Rei cantou uma melodia do passado, invocando deuses e deusas quase esquecidas, apresentando os homens caídos em batalha como heróis, e lhes pedindo proteção na jornada pós-vida. Então, seguindo a tradição que viera com os romanos, ele colocou moedas de ouro sobre os olhos de cada um dos guerreiros abatidos, como forma de pagar sua entrada no mundo dos mortos.
Assim que ele se afastou, Harry incitou o grito de guerra que a curandeira ouvira tantas vezes:
— Por atalaia!
— Por Atalaia — gritaram os demais.
— Sangue e Morte! Inimigos de Atalaia temam seu nome!
— HÁH! HÁH! HÁH! HÁH! — Começou o grito de cada canto da floresta enquanto os pés batiam no chão num compasso que lembraria um ataque da infantaria, com seus tambores e cornetas. Hipnoticamente belo e assustador.
O grito se intensificava, as vozes masculinas elevavam-se, num alarido potente. Hermione sentiu seu coração pulsando forte e rapidamente, no mesmo compasso das batidas e dos gritos.
— HÁH! HÁH! HÁH! HÁH! HÁH! HÁH! HÁH! HÁH!
Mais rápido, mais alto. Ela sentia a adrenalina em si, seus olhos estavam secos agora e ela nem percebera que começara a gritar junto.
— HÁH!
Foi o último grito. O silêncio que se seguiu era enlouquecedor. Um silvo, dois, três, quatro, cinco... dez. Ela observou as flechas incendiadas que cortavam a noite. Elas vinham de diferentes direções, fazendo uma curva perfeita até aterrissarem aos pés dos dez corpos. O fogo iniciou-se num sopro.
Todos continuaram ali, imóveis, calados. Todos pensando na vida e sua fugacidade e na injustiça do mundo. Mesmo que fossem apenas dez mortes, eram mais do que eles estavam dispostos a oferecer, e, ao mesmo tempo, era tudo o que eles queriam oferecer: suas vidas pela libertação do reino. Suas mortes como sua glória. Sua batalha como símbolo de sua honra.
Quanto tempo eles ficaram ali, sob a luz parca das estrelas, que era filtrada por altas árvores, nenhum dos presentes saberia precisar. Todos ficaram até que a última acha se tornou cinza, e os corpos não fossem mais do que pó.
Então, com uma precisão que apenas os soldados mais treinados possuíam, fileira por fileira, os guerreiros se retiraram, seguidos pelo Padre Snape e pelo Rei Ronald. Eles ainda deveriam render a homenagem apropriada aos trinta soldados Atalaianos que haviam morrido no ataque. Eles seriam enterrados no cemitério do castelo. O mesmo onde, anos antes, passara a servir de morada para Colin Creevey.
Harry gostaria de falar com Hermione, mas um olhar de Dom Black bastou para que ele entendesse que aquele não era o momento. Além disso, ele tinha obrigações com seus soldados abatidos e iria presidir a cerimônia de enterro deles. Assim, com o coração apertado, ele olhou uma última vez para o rosto da mulher que já dominava todo o seu ser, e seguiu o grupo maior.
Minutos depois, apenas Hermione e Dom Sírius permaneciam observando os destroços de onde antes jaziam os guerreiros do Dragão. Dom Sírius ainda choraria e cantaria versos sobre a bravura deles por muitos anos, mas a tristeza de Hermione permaneceria em sua mente como um alerta de quanto o coração de sua adorada sobrinha era delicado.
Ele gostaria de ajudá-la de qualquer forma, mas sabia que ela, e apenas ela é que poderia resolver seguir em frente.
— Vamos Hermione. Sairemos amanhã pela manhã para Penedo. Temos que descansar.
A curandeira não se mexeu por um longo tempo, e ele tomou-a pelo braço com delicadeza. Logo, ele viu Hermione respirar fundo, endireitar a cabeça e deixar a coluna ereta, e então sorriu. Ela sobreviveria.
Hermione permitiu que uma última onda de culpa e dor a trespassasse pela morte de todos aqueles amigos, em especial a de Neville. E então, ela percebeu que apenas lutando é que honraria a lembrança de seu amigo. Apenas defendendo os mesmos ideais que ele defendia é que poderia manter a lembrança, de cada soldado e guerreiro caído naquele dia vibrante de verão, viva e forte.
— Vamos, tio Sírius. A cavalgada a Penedo será longa. E eu ainda quero verificar os feridos antes de me retirar.
— Claro, minha querida.
Eles deram as costas aos escombros na clareira, e não voltaram a olhá-los. Retornaram em silêncio ouvindo, ao longe, o som dos gritos e da cerimônia de enterro dos soldados de Atalaia.
Dom Sírius deixou Hermione sozinha, enquanto ele seguia para o lado de fora do castelo onde os ciganos e demais habitantes do Acampamento do Dragão haviam armado suas tendas. Eles passariam a noite ali. No outro dia, se dividiriam, alguns ficando para trás para a defesa do castelo, e outros seguindo com o príncipe para o norte, para Penedo.
Hermione voltou a visitar todas as alas do castelo que serviam como enfermaria e tratou alguns dos homens prostrados. A maioria queixava-se de sede e de dor, e Hermione perdeu grande tempo indo até as cozinhas e fervendo mais de sua poção para dor e sono. Ela tinha que prestar muita atenção na dosagem, porque se a quantia de extrato da planta que era utilizado para a tal poção fosse elevada demais, poderia ser fatal.
Já devia passar da meia-noite quando a curandeira vinha caminhando pela escuridão dos corredores, seguindo em direção aos quartos de hóspedes na ala oeste. Repentinamente, ela foi agarrada pela cintura com violência e atirada para trás, para dentro de um quarto mal iluminado pela lareira.
Num gesto de puro instinto, a castanha sacou sua adaga, Boudicca, deu uma cotovelada no estômago do algoz, fazendo-o soltá-la o suficiente para que girasse e o empurrasse para a parede enquanto encostava a lâmina fria no pescoço do inimigo.
Ela arregalou os olhos ao reparar que se tratava do Príncipe, que a olhava espantado, divertido, e sem fôlego.
— Hermione, será que dá para você baixar a faca?
— Não — ela rangeu entre os dentes.— Quem diabos você pensa que é para me agarrar desse jeito e me arrastar para cá?
Harry não estava mais se importando com o que os outros diriam, nem mesmo se importava com o próprio orgulho. Ele quase a perdera mais cedo nesse mesmo dia, não poderia mais negar que estava apaixonado por ela. Por sua calma e delicadeza, que contrastavam tão bem com sua alma fogosa e selvagem. Assim, ele aproveitou-se de sua força superior e segurou-a pelo pulso até fazê-la soltar a arma, para logo inverter as posições e prensá-la contra a parede fria de pedra.
— Eu sou Harry James Potter Atalaia. Eu sou o Príncipe de Aires. Eu sou a Águia de Atalaia. E eu sou minha Lady, o homem que fará amor com você.
Cada uma dessas sentenças foi pronunciada com a voz rouca, num tom mais baixo que o habitual, e pontuada de carícias no pescoço feitas com o nariz e a boca. Mas ela iria resistir. Ela era forte, afinal. Iria mostrar para ele quem é que estava no comando!
— Eu não...
O resto da frase sumiu sob um beijo arrasador.


N/A Carla Ligia: E então meus amores? O que acharam???*-*??? Eu matei mais alguns.. Mas o mais importante foi o pobre Nevi... u.u.. Eu até fiquei com peninha dele enquanto o matava. A Paulinha sabe disso, a Jessy também.. Pensei muito enquanto arrancava dele os últimos suspiros e as últimas palavras. A Mione ficou abalada coitada... Mas a guerra é assim, não???? Uns vivem, outros morrem... *suspiros conformados*. E o que acharam do Padre Snape lutando???*-*??? E do Rei Ronald???*-*??? Contem-me tudo e não me escondam nada... ahsuhasuhasuhasuahsuashasuhas. Bem amados, eu tinha prometido uma N/C, eu sei... MAAAAASSSS acontece que o capítulo já estava pronto e fechado assim, fazer o que??^^?? Eu até tinha terminado ele antes, mas achei que deveria dar uma palhinha para vocês todos... ahsuahsuashaushasuhasuh. E parem de me chamar de má.. Eu não sou má, oras... kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Bem, de acordo com a grande e esmagadora maioria dos que comentaram (*eu ando sentindo falta de umas pessoas por aqui...*), eu devo matar a Gina.. Assim sendo, preparem-se que esta morte vai ser muito... interessante. Antes de terminar minha N/A que será pequetitinha assim mesmo, contrariando a grande maioria, ahsuhasuhasuhasuh, eu queria relembrá-los de coisas importantes que ainda irão acontecer na fic, embora estejamos nos despedindo.. Este é o antepenúltimo capítulo...u.u.. Sim, eu sei.. Também vou sentir falta... Mas este ciclo está no fim... Well, voltando aos fato que vocês devem estar matutando em suas cabecinhas lindas e cabeludas (ou não.. kkkkkkkkkkkkk): quem é Draco Malfoy, qual o seu passado tão misterioso? Belatriz conseguiu ou não conseguiu fugir, e qual a vingança dela? O que foi feito do irmão mais novo de Gina? Quem morrerá nos próximos capítulos? E, acima de tudo, quem matará o Voldinho???? Muitos querem matá-lo o Harry, a Belatriz, Ronald, Luna, Cho, o irmão da Gina, a Gina... Sírius e Hermione o matariam também, se surgisse a oportunidade, mas quem terá este dom, esta benesse da autora doida? Bem, para saber isso vocês terão de ler e comentar, não é mesmo???=D??? Eu sei, isso só aumentou a curiosidade, mas é para isso mesmo que eu estou aqui, kekekekekekekekeke (*risada do mal nível seis – maldades envolvendo chantagens e torturas*). Beijocas estreladas aos meus amados leitores que sempre comentam, olha não sei o que seria de mim sem vocês e seus elogios que creio não ser merecedora na grande maioria das vezes. Vocês estão sempre em meus pensamentos mais belos. Beijinhos aos meus mudinhos lindos do coração, se não querem comentar ao menos poderiam votar né??^^?? Façam uma autora feliz.. kkkkkkkkkkkkkk. E até o próximo capítulo, com a invasão de Penedo e todo o sangue que eu puder pensar... hasuhasuhasuhasuhsuhasuhasuh. PS: No final do capítulo que vem darei a descrição dos nomes dos reinos... PS2: A N/A acabou ficando grande né??oO??


Mione03: Ahá! Eu sou demais mesmo... haushausasuhsuha. Ficou chique não é??*-*?? A Hermione realmente tem que aprender a controlar sua verborragia kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk..O Harry só usou de um expediente mais.. digamos, saboroso para calá-la.. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Sim, vocês estão mais próximos da verdade do Draco, capítulo que vem, eu acho...;P. Beijocas estreladas amada, e até.

Nuna: Hihihihihihih. Capítulos maiores, não é? Ai, mocinha exigente.. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Este capítulo já está maior, e os próximos serão ainda mais imensos... ahshasuhsuhs. Eu espero que consigas ler tudo, kkkkkkkkkkkkkkkkkk. E sim, tem muita coisa para se resolver, existem algumas que deixarão todos boquiabertos, eu tenho certeza. Sim, o Simas se assustou, mas ele até está feliz com isso *opa, informação do próximo capítulo...*. Os afilhados da Mione não fizeram nada nesse capítulo, quem sabe no próximo? ;P? Eu to continuando, e tenho certeza que vencerá todos os capítulos... hihihihihihihi. E prometo um capítulo grandão por aí. Beijocas estreladas minha querida, e até o capítulo XIII. PS: próximos capítulos tem ruiva morta, kkkkkkkkkkkkkkkkkk.

Hermione: E eu me surpreendo ruborizando-me cada vez que leio um elogio teu. A idéia era levar todos ao engano de pensar: ou que o Sírius era o pai da Mione ou que ele a queria como sua mulher, então eu fico feliz em saber que consegui enganar minhas leitoras e surpreendê-las. Espero que esta postagem também a deixe contente, embora seja mais sangue e morte do que qualquer coisa. E eu não e canso de ouvir elogios não, podes continuar.. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Beijocas estreladas, amada, e até.

Paula: Estava aguardando que tu viesses meu anjo... E realmente me prometeste e prometeste.. ai, ai... Como recompensa por teres lido tudo em dois dias, eu vou te responder. Pergunta nº 1: não, não foi no Diogo, que é meu amigo por sinal, afinal eu comecei fic muito antes de conhecê-lo, digamos que eu sou uma pessoa romântica.. kkkkkkkkkkkkkkk. Pergunta 2: Amada, o reino está na minha cabeça, se tu quiseres um Jensen terá de ser no teu próprio mundo fictício... kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Sim, o Draco e a Pansy são ótimos juntos, pena que eu não possa explorar ainda mais o relacionamento deles... Mas a fic ficaria imensa demais e os apreciadores de H/H me matariam pela enrolação em não colocar os dois juntos... hihihihihihihihihihihihih. Sim, a Luna sofre, meu Merlin, mas eu sempre penso que, na idéia original eu iria matá-la, então ela até está se dando bem, haushuahsuashushushushsuh. Ai.. O Harry é meio estúpido, porém realmente é muito gostoso, hasuhauashuahusah. Eu também tenho uma certa inveja dela, mas ela merece, oras, quem sabe um dia eu encontre um Harry pra mim (*aproveita bem o Felipe, kkkkkkkkkkkkkkk*). O próximo capítulo Está aqui, hasuhasuhasuh. Aproveita-o bastante e pode sempre me atazanar. Hasuhasuhaushsuh. Não os grilos foram detetizados na penúltima atualização, não nos incomodarão mais. E eu amei teus comentários. Beijocas estreladas, Flor, nos encontramos aqui ou no MSN.=)... PS: Logo logo estarei matando a ruiva, não perca.

Tuty: Nesse capítulo acabou não precisando, mas no próximo eu já coloquei os avisos, não se preocupe =). Ai.. Parabéns tri atrasado, flor, muitas felicidades, que bom que gostaste do capítulo...*-*... Espero que gostes deste também. Mas a Belatriz é muito esperta para ficar na prisão, minha querida, ela vai aprontar muito antes de morrer. Esse capítulo teve sangue, foi o suficiente??^^?? O podre do Draco está vindo, caaalma. Não será terrível como ele pensa, mas será surpreendente. Pobre Gina, ela nem foi nojenta na fic, ahsuhasuhasuhasu, mas estou matando. A maioria absoluta me pede sangue e quem sou eu para discordar??*-*??? Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Beijocas estreladas, querida, e até a atualização.

Jessy: Primeiro: FLOR QUE COMENTÁRIO GRANDEEEE!!!!! Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Já estava até desacostumada com isso... Obrigada *-*.. E agora vamos ao que interessa *faz carinha de quem vai abrir um pote de doce*. Eu fico feliz que tenha lido o capítulo de novo, sempre encontramos algo inusitado, não é???=)??? E imagino que tu memória não está tão afetada quanto a da Dy, ela nunca mais veio aqui...u.u... Eu perguntei se ela não me amava mais, mas ela disse que meus capítulos são muito grandes e ela estava sem tempo...*carinha pidona*. Agora, como é que tu tinhas te esquecido da revelação mais importante do capítulo eu não sei, ahsuhasuhasuhsauhs. Eu fico tão contente ao saber que enganei todo mundo com a história do tio Sírius *carinha de Corvinal do Mal realizada*. Sim, o Harry é assustador quando sente ciúmes, ele devia mesmo se inscreve num grupo de apoio, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Ah, a Belatriz numa cela me deixou tão satisfeita... Ela não poderia se dar bem sempre, né? Porém adianto que ela ainda surpreenderá muitos de vocês, então fica atenta... Ai.. eu já disse que o Goyle bonito era essencial pra fic, hasuhasuhauha. Aqui eu mando oras..¬¬.. E a Gina vai morrer *faz carinha satisfeita*. Sim, a história do Sírius foi bem planejada por mim.. =)... Ele é um amor, mas é terrível, vocês verão nos capítulos que virão. E o Harry não sente ciúmes não... hasuhasuhasuhushasuh, ele ama a Hermione, oras, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Estou tão feliz que tenhas gostado do final do capítulo...*-*... E eis que surgiu a batalha neste capítulo, teve umas mortezinhas de nada, o mais grosso está por vir *carinha de Corvinal do Mal sanguinária*. Quem matará o Voldinho??? Esta é a pergunta de um milhão de dólares, e vocês só descobrirão no último capítulo...=D... Ai, amada, eu sei que estás louca pelo epílogo, e prometo que ele será postado... Mas primeiro temos os próximos capítulos né??? Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. E eu estou cheia de criatividade, é uma explosão que me ocorreu nas duas últimas semanas, vamos ver o que acontecerá. Espero que tenhas curtido este capítulo que foi o último que terás acesso, os dois últimos serão apenas surpresas e surpresas *eu sou má eu sei*. Parabéns pelo teu imenso comentário, ele me fez muitíssimo feliz. Beijocas estreladas, querida, nos vemos por aí...

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