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8. Capítulo VIII


Fic: Lorde do Deserto - UA - HH


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— Nunca sonhei que algo parecido pudesse me acontecer — afirmou Hermione. — Gostaria muito de casar com você. Mas não quero que se sinta obrigado.
— Fazer de você alvo para mexericos no palácio iria me diminuir e desonrá-la. Meu pai mandaria cortar minhas mãos. Ele é fanático por tradição — afirmou Harry. — Para dizer a verdade, também sou. E você, também.
— Não quero causar problemas...
— Primeiro você me torna outra vez um homem comple¬to, depois acha que vou encará-la como um problema?
— Você não chegou a tentar de verdade fazer amor de¬pois do acidente, chegou? — quis saber ela, encarando-o e percebendo a verdade. — Pois você pode muito bem ser per¬feitamente capaz com outra pessoa. Por exemplo, aquela morena que você disse que se parece comigo...
— Brianne.
A lembrança do relacionamento com Brianne fez com que a expressão dele endurecesse. Harry a adorara, desejara-a com todas as forças, mas ela preferira Pierce Hutton por¬que imaginava que ele seria impotente para o resto da vida.
Hermione percebeu a tristeza e sentiu-se insegura.
— Ainda sente alguma coisa por ela?
— Sempre vou gostar dela — respondeu ele, com since¬ridade. — Mas ela está bem casada e tem um filho de dois anos. Mesmo que eu me recuperasse completamente, não haveria esperança. Com ela, não. Mas minha reação a você é promissora, e tenho a intenção de ir até o final. Minha posição é clara. Se quiser desistir, o momento é agora.
— Tem um pára-quedas?
— Não — disse ele, sorrindo.
— Nesse caso terei de ficar com monsieur Souveraín.
Rindo, ele abriu a porta, fazendo um gesto para que ela passasse primeiro. Os dois saíram rindo, o que provocou trocas de olhares estupefatos entre os guarda-costas. Pare¬ciam perplexos com tanto bom humor e contentamento no rosto do sheik. Ótimo. Isso lhes daria algo para pensar.
Sentou-se ao lado de Harry até que a aeronave aterrissasse em solo do Quawi. Não era mais do que o Marrocos fora, na expectativa de Hermione. Havia tamareiras por toda à parte, extensões desérticas que conduziam ao golfo Pérsico, e um mar inacreditavelmente azul, quando visto do alto. No interior das antigas muralhas da cidade, os edifí¬cios eram em sua maioria brancos. Havia mosteiros e uma catedral bem visíveis, e a distância, o que parecia as funda¬ções de uma cidade moderna.
Harry fez um gesto e a aeromoça impecavelmente ves¬tida sorriu para Hermione e entregou-lhe um embrulho de pano preto.
— Isso é necessário — afirmou ele, solenemente. — É o mesmo que abrir um guarda-chuva durante uma tempesta¬de em seu país. Sou soberano de meu país, e devo ser o primeiro a respeitar as tradições, assim como é meu dever proteger você de qualquer extremista que viva aqui.
— Não precisa explicar nada para mim — disse ela. — Conversei com uma moça muçulmana no hotel e ela disse que para os que vivem estritamente pela lei do Corão, a aba e o hijab são sinais visíveis do orgulho e da pureza da mulher.
Ele sorriu, satisfeito.
— Quem lhe ensinou as palavras para manto e véu?
— Foi essa mulher. Sei que existe também um tiiobe, que os homens usam com um bisht por cima, e uma outra na cabeça, segura por aquele rolinho que parece uma corda e se chama igal.
— Estou impressionado — afirmou Harry, com um assobio.
— Shukran — agradeceu ela, em árabe.
— Agora você me impressionou de verdade. Aqui está. Ele ficou em pé e deixou que o véu negro cobrisse os cabelos dourados e abundantes. Em seguida ajeitou o manto ao redor, cobrindo completamente o corpo de Hermione,
— Em meu povo ainda existem os que poderiam preju¬dicar você se virem suas formas expostas. De qualquer for¬ma, não quero correr risco algum.
— Obrigada. Não faz mal, vamos combinar uma coisa. Se algum dia for até o Texas, vai ter de colocar um chapéu de vaqueiro, e provavelmente alguém vai convencer você a tentar domar um potro.
Harry riu, divertido com a presunção de Hermione so¬bre sua personalidade. Imaginava que a opinião dela seria que ele jamais domaria um cavalo. Anteviu a surpresa dela quando o visse como verdadeiramente era, em seu próprio território. Afastou-se para que os guarda-costas abrissem as portas da limusine.
Já estavam percorrendo a estrada para a capital quando Hermione falou:
— Você devia ter me contado desde o início quem era.
— E tirar todo o mistério do nosso relacionamento? Não, quanto mais misteriosos, mais atraentes os homens são para as mulheres.
— Você é um rei — afirmou ela, mais para acostumar-se à idéia do que para lembrá-lo.
— Sou um sheik — corrigiu ele. — O líder da tribo que tradicionalmente mantém o poder nesta parte do continente. A linhagem vem praticamente sem interrupções há seis gerações, embora meu pai seja o primeiro sheik cristão.
— Certo. Por assim dizer, você herda a coroa, como os reis.
Naquele momento Harry parecia tudo, menos europeu e cristão.
— Ninguém herda um título entre os povos do deserto. Precisa ser conquistado e mantido, pelo homem que o pu¬der defender.
Ela teve vontade de fazer mais perguntas, porém o tele¬fone tocou, e em seguida o interfone, avisando que a liga¬ção era para Harry. Ele apanhou o receptor na coluna ao lado, escutou e falou brevemente, com ar de preocupação. Desligou sorrindo para ela.
— Mais complicações — informou. — Um ataque na fron¬teira. Vários homens morreram. Significa que terei de ir até a fronteira, no deserto do norte, para lidar com o assunto.
— Tem um exército?
— No sentido em que está perguntando, ainda não. So¬mos um país antigo, mas sem uma base moderna de poder, a menos que inclua armas táticas de longo alcance e uma pequena unidade militar de elite com quantidade limitada de equipamento. Não, os rebeldes terão de ser enfrentados da forma antiga. E enquanto resolvemos o problema, pode¬mos resolver o nosso também. Vou providenciar para que o casamento seja celebrado ao mesmo tempo.
— Está falando a sério?
— Estou.
— Mas você não disse que seu pai não gosta de ameri¬canos?
— Hermione, você vai encantar meu pai — afirmou ele, confiante. — Tudo o que precisa é de um pouco de tempo.
— Vamos partir hoje?
— Não, ficaremos alguns dias. Preciso me encontrar com vários ministros e com meu pai para discutir os tratados que acabei de assinar e os contratos que negociei — disse ele. — Você vai ter o suficiente com que se ocupar. Meu ministro da Educação vai explicar em detalhes meu projeto para a educação da primeira infância.
— Espero que eu consiga fazer tudo o que você deseja — disse Hermione, preocupada.
— Não tenho a menor dúvida disso.
— Você me faz sentir como se fosse capaz de realizar qual¬quer coisa. Até poucos dias atrás, eu era uma espécie de es¬pectadora da vida. Agora você me fez querer participar. Esse homem que tentou casar com você? Por onde anda?
— Daryl? Ele se envolveu com a filha de um banqueiro logo depois, para dar outro golpe do baú... — começou ela, interrompendo-se ao perceber que ele não entendera a ex¬pressão. — Bem, ele tentou fazer o mesmo que fez comigo. Pensou que minha mãe fosse rica e que iria deixar muito dinheiro quando morresse. Mas não havia herança nenhu¬ma, e ele foi embora assim que soube.
— Um oportunista! — exclamou Harry, compreenden¬do tudo.
— Isso, e como eu não tinha experiência para reconhecer o interesse, Daryl me enganou com facilidade. Minha mãe era terrivelmente ciumenta, sobretudo depois que comple¬tei idade suficiente para namorar. Acho que sabia que esta¬va morrendo e tinha medo de ficar sozinha. Como se eu pudesse pensar em deixar que isso acontecesse!
— Não, acho que você não é do tipo de pessoa que aban¬dona as pessoas de quem gosta — concordou Harry.
— Pelo menos Daryl se encontrava por perto quando ela se foi, portanto não fiquei completamente sozinha. Marc estava na Flórida e só chegou para o enterro.
Harry resmungou algo, os olhos brilhando.
— Você não teve ninguém para ajudar com as provi¬dências?
— Bem, até que Daryl resolvesse criar coragem para per¬guntar sobre o testamento, ficou ao meu lado. Mas acho que não existem muitos homens dispostos a se enterrar pelo res¬to da vida numa fazenda de gado hipotecada, numa cidade pequena do Texas.
— Você se valoriza pouco.
— Falando em valorizar, é verdade que nesta parte do mundo existe a escravatura branca? — indagou ela, de olhos arregalados.
— Por que quer saber? Está achando que posso ficar ten¬tado a vender você? — provocou Harry.
— Acho que não. Você não precisaria do dinheiro.
— Não mesmo — riu ele, apreciando-a. — Ouro branco. É o nome que dariam a uma mulher como você. Alcançaria um altíssimo preço.
— Está vendo? Você pensou nisso!
— Ainda que eu fosse um mercador, acha que venderia o tesouro mais precioso do depósito?
Hermione sorriu, satisfeita. Era como um recomeço, estar num lugar diferente com aquele homem que já a fascinava de muitas formas. Introduziu a mão pela abertura da aba; sem voltar a cabeça, os dedos longos entrelaçaram-se aos dela e pressionaram antes de soltar. Hermione recordou en¬tão que demonstrações públicas de afeição eram inaceitá¬veis naquela parte do mundo e recolheu a mão devagar. Ele reparou, e os olhos piscaram, aprovando.
A reação de Hermione a primeira visão que teve do palá¬cio foi uma revelação para Harry, que a observava, en¬cantado.
— O Poiais Tatluk... sede do poder de minha família — murmurou ele, assim que a construção apareceu ao longe.
À medida que se aproximavam, Hermione via com mais detalhes as torres alvas e a monumental estrutura de pedras brancas, com portais e janelas arqueadas e ornadas com treliças. Não havia sacadas ou terraços, mas ela recordou-se de que nas habitações árabes, as sacadas eram sempre vol¬tadas para um pátio interno, de forma que as mulheres fi¬cassem escondidas aos olhos do mundo.
— É magnífico...
— Foi a única estrutura que os homens de Brauer não destruíram, dois anos atrás — disse ele, com expressão tão ameaçadora que parecia outra pessoa. — Brauer pretendia usar como quartel-general quando ele e os mercenários to-maram conta de meu país.
— Como você escapou? — quis saber ela. — Se não se importa de me contar.
— Atravessei o cerco e me juntei a uma caravana que ia para Omã. Depois, com o dinheiro que tinha no bolso, com¬prei uma passagem para a Martinica, onde... tomei empres¬tados os fundos necessários para lançar uma contra ofensiva bem-sucedida.
— Com mercenários?
Harry voltou-se para ela com uma expressão diferente no olhar.
— Você não sabe nada sobre nós. Pode descobrir que as suposições não correspondem à realidade — declarou ele. — Em todo o Oriente Médio, não existem mercenários ou soldados comparáveis aos meus sha-Koosh.
— Seus o quê?
— Minha guarda pessoal. São meus sha-Koosh..., meus martelos, na sua língua. Não possuem rival em combate, exceto talvez o SAS britânico... Special Air Service, uma unidade de soldados escolhidos a dedo, cujos métodos de treinamento são também, vamos dizer, excepcionais.
— Certo, como os Boinas Verdes e os soldados de elite em meu país. Os que a gente manda combater terroristas.
— Manda... — repetiu ele, intrigado. — Acho que enten¬do. Um general fica na escrivaninha e manda os homens para a batalha, é isso?
— Bem, não são todos assim — corrigiu ela. — Mas nin¬guém espera que um chefe de Estado lidere um ataque.
— Claro que não.
Hermione reparou que Harry desviava o rosto para que ela não visse sua expressão divertida.
— Você disse que sua família está no poder há várias gerações.
— É verdade — confirmou ele. — Originalmente, fazia parte do Império Otomano, dos turcos. Depois, quando os franceses e ingleses lutaram em nosso território no século dezenove, vieram os missionários estrangeiros e começaram a nos converter. Conquistamos nossa independência em 1930, quando meu avô derrotou um destacamento da Le¬gião Estrangeira Francesa, depois reuniu as tribos de beduí¬nos que restaram sob o comando de um só sheik. Meu pai o sucedeu, mas não antes de ser convertido para o cristianismo, o que causou uma perturbação apreciável. Foi forçado a combater para defender sua posição. Meus outros dois ir¬mãos eram muçulmanos, e eu fui criado de forma a honrar ambas as religiões. Alguns anos atrás finalmente me con¬verti ao catolicismo. Isso causou certa divisão, e meu pai achou melhor não fazer das religiões uma fonte de discórdia. Como já deve ter compreendido, existem muitas seitas muçulmanas, umas mais radicais do que outras. Co--existimos com todas, e também com os judeus, garantindo liberdade de culto no país.
— Acho que você deve ser um ótimo líder — afirmou Hermione, admirada.
— Ainda tenho muito a percorrer antes de me tornar um homem assim. Mas ter uma feroz dama do deserto para pro¬teger pode apressar minha jornada.
— Não sou feroz...
— Mas será. Você tem coração de falcão. Só está faltando a confiança para perceber seu potencial. Posso fazer com que acredite em si mesma. Posso torná-la forte, assim como você me torna forte.
— Não estou entendendo.
— As experiências da sua vida se combinaram para au¬mentar sua força, só que você nunca a testou, certo? Hermione, a maior parte das mulheres que conheço, com uma exceção, teria corrido gritando de medo quando come¬çou o tiroteio, em Asilah. Você ficou ao meu lado.
— Achou que eu ia deixar você enfrentar sozinho o perigo, é?
O corpo dele deu a impressão de inchar de orgulho. As¬sumiu uma postura de respeito e seriedade, refletida pelo olhar intenso.
— Sabia que os falcões se acasalam por toda a vida? — os lábios de Hermione se entreabriram e ela sentiu os mamilos enrijecerem. Só então se deu conta da intensidade do desejo que a consumia. Apesar do manto negro, ele per¬cebeu os dois pontos através do tecido. Seu semblante en¬dureceu à medida que o desejo aumentava em seu interior. Harry odiava sua impotência. Suspirou e voltou o rosto para a paisagem na janela.
— Um dia, ficará contente por Ginny não ter vindo tra¬balhar para você — disse ela, de forma a não ser ouvida pelos outros. — Prometo. Vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para torná-lo feliz.
— Como? Casando com um homem pela metade?
— Você é mais completo do que qualquer pessoa que eu já tenha conhecido, Harry Potter. Prefiro seus beijos a uma relação sexual com qualquer outro homem.
— Eu me sinto assim com você, também — afirmou ele. — Acho que posso chegar a amar você.
— Sei disso. Também posso amar você — murmurou ela, fitando-o com intensidade.
Por um instante, pareceu que ele iria atirar as convenções aos quatro ventos, mas no instante em que iniciou um mo¬vimento quase imperceptível na direção dela, o carro fez uma curva. Entravam na alameda pavimentada e ladeada por tamareiras elevadas, que conduzia à entrada do palácio.
Como se de repente sua fraqueza o irritasse, Harry saiu do carro assim que o motorista abriu a porta, deixando que Hermione o seguisse, com o enorme guarda-costas de rabo-de-cavalo a seu lado. Agora a aparência do homem era completamente árabe, embora a imaginação dela encontrasse alguma semelhança com Elvis Presley. Imaginou o que Harry diria se apelidasse assim o guarda-costas. Talvez descobrisse, nos próximos dias.
O interior do palácio era tão belo e trabalhado quanto o exterior. Os ladrilhos no chão apresentavam vários tons di¬ferentes de azul. Havia arcos graciosos em todas as passa¬gens e tapetes que eram verdadeiras obras de arte. Hermione apaixonou-se instantaneamente pela escadaria monumental do saguão, sob o lustre de cristal suspenso. Voltou-se, a ca¬beça inclinada para cima, hipnotizada pelo ambiente exótico e luxuoso, até que suas costas encontraram algo sólido e quen¬te. Virou-se, para se ver observada como se fosse uma presa.
— Este é Ahmed — apresentou Harry. — É meu tio, irmão de meu pai. Ahmed, esta é minha noiva, Hermione Granger, de Jacobsville, no Texas.
Um lampejo de ódio passou pelos olhos negros do ho¬mem mais velho.
— Noiva? Uma infiel? Uma... americana? — disse ele, pronunciando a nacionalidade como se fosse um palavrão.
Hermione aprumou o corpo e dispunha-se a responder, quando Harry entrou à sua frente. Houve uma troca de palavras em árabe, e os olhos do homem mais velho baixa¬ram. Ele curvou-se, murmurou alguma coisa e afastou-se. Os guarda-costas o seguiram, exceto "Elvis".
— Eu avisei que seria difícil. Mas você não deve se en¬volver numa discussão verbal com meu tio. Ele é muçul¬mano, e pode encarar como uma ofensa grave — informou Harry. — Entendido?
— Entendido. De verdade.
— Não estou me importando pela minha pessoa, é com a sua segurança pessoal que me preocupo. Ele é poderoso e possui aliados na corte. A não ser por meu pai e eu, é o único que pode reclamar a condução do Estado. Gostaria de ser sheik.
— Estou entendendo. Não vou dar a ele nenhum motivo para me usar contra você.
— Como se ele pudesse... Mas não consigo conversar com você vestida assim — disse ele.
Harry retirou o manto negro e o turbante, desalinhando os cabelos nesse processo. Atirou as peças para o guarda-costas e indicou que ela devia segui-lo.
Conduziu-a pelo saguão e através de um arco, depois por um corredor interno, e de repente chegaram a uma espécie de paraíso terrestre. O aposento de ladrilhos era enorme e haviam várias fontes. Palmeiras e outras espécies tropicais formavam um jardim interno, onde, por toda parte, havia orquídeas. Centenas delas.
— Que lindo! — exclamou Hermione, sem conseguir conter-se. — É muito bonito aqui.
Aproximou-se de um botão amarelo-esverdeado e aspirou o aroma exótico. Com a ponta dos dedos acariciou as pétalas.
— Não toque nas flores! — avisou uma voz irritada, por trás dela.
Voltando-se, quase derrubou o vaso. O homem idoso que os contemplava usava uma túnica branca e um turbante da mesma cor, um taiga. Era alto e corpulento, e sua barba e bigode eram alvos, assim como os cabelos espessos.
— Elas são diferentes. Desculpe, mas eu adoro flores. Não consigo deixar de ter vontade de encostar de leve nelas — disse Hermione. — Tenho uma orquídea em casa... só uma phalanopsis, não muito cara, e eu vivo mimando-a.
— Só uma? — Hermione corou.
— Sim. Bem, não tenho um lugar apropriado para culti¬var orquídeas. E não poderia comprar muitas, mesmo que tivesse. São caras — confessou ela, com sinceridade.
— Você se encontra sem véu na presença de um homem que não é seu marido — observou o recém-chegado. — E usa roupas que ofendem meus olhos e os de meu irmão e dos homens da família.
Harry avançou. Falou com o homem, demonstrando firmeza e grande respeito.
— Você casaria com isso? Uma americana! Uma infiel, vinda do ninho da serpente? — indagou o velho, voltando os olhos para ela e medindo-a. — E uma infiel magra, ain¬da por cima.
— Como ousa? — respondeu Hermione, antes que Harry pudesse dizer alguma coisa. — Vou à igreja, saiba o senhor, e chicoteio um homem se for preciso, antes de deixar que ele encoste em mim sem uma aliança de casamento.
As sobrancelhas brancas se ergueram. Ele inclinou a ca¬beça e estalou os lábios para observar o rosto avermelhado de Hermione.
— Fil-fil — disse ele, explodindo em risos.
Harry riu um pouco e trocou algumas frases curtas com ele.
O velho sorriu e permaneceu em silêncio. Harry cur¬vou-se e o outro acenou com a mão; com um último olhar para Hermione, virou-se e retornou ao local onde estava, con¬tinuando a cuidar das orquídeas, demonstrando a mais absoluta indiferença em relação aos dois.
Harry fez um sinal para que Hermione o seguisse.
— Meu Deus, que homem prepotente — reclamou ela, irritada. — E também me chamou de alguma coisa. O que quer dizer?
— Deixe para lá. Avisei você que ele tentaria intimidá-la. Se tivesse deixado que ele se saísse bem, estaria agora a meio caminho do Texas, escoltada pela guarda pessoal dele.
— Seu jardineiro tem guarda pessoal? — estranhou ela.
— Não é meu jardineiro, Hermione. É meu pai.
— Oh!
O rosto dela ficou escarlate.
— Não se preocupe, ele vai se acostumar com você.
Harry voltou-se e emitiu, em árabe, uma ordem ao segurança que os acompanhava. O homem curvou-se e saiu.
— Aonde ele vai?
— Já está sentindo falta dele, é? Eu o designei para pro¬teger sua vida com a dele. Jamais vai sair de perto de você, a não ser enquanto dorme. Mesmo assim, vai dormir à sua porta.
— Está levando minha segurança muito a sério — afir¬mou Hermione, impressionada.
Harry parou de andar e voltou-se para ela.
— Acho que Brauer tem alguém infiltrado no palácio — disse ele. — Também acho que ele teve algo a ver com o ataque na fronteira hoje. Não posso permitir que nossa se¬gurança relaxe, especialmente agora. Nunca deve sair de seus aposentos sem Hassan.
— Você quer dizer, Elvis.
— Um apelido, é? Falou com ele? — quis saber Harry.
— Ainda não falo árabe.
— Certo. Então foi coincidência.
— O que foi coincidência?
— Só uma brincadeira particular, eu acho. Chame-o como quiser. Em meu país, quando as pessoas casam, é costume que o noivo dê um dote à noiva.
— Não quero seu dinheiro.
— Muito bem. Nesse caso, dou Hassan para você. Ele é seu.
— Não parece ouro branco para mim, mas pode ser que tenha talentos ocultos. Já que ele me pertence, se você se divorciar de mim posso levá-lo para casa?
Ele riu alto.
— O divórcio está fora de questão, não precisa se preo¬cupar. Entende?
— Sim. Mas não vamos nos casar numa igreja, vamos?
— Não, ainda não — afirmou ele, deixando de sorrir. — A cerimônia será simples, com um mínimo de testemunhas e sem festividades formais. O casamento numa grande ca¬tedral seria válido por toda a vida. Se existisse a possibili¬dade de filhos, seria necessário um casamento de Estado. Mas isso é impossível.
— Quem vai herdar tudo quando você morrer? — inda¬gou ela, também séria.
— Eu não contei? O filho de Brianne irá se tornar sheik com a minha morte. — É um belo menino, com os olhos verdes do pai. E, naturalmente, o pai dele irá se opor, como se opõe a qualquer coisa que possa provocar encontros entre mim e a esposa dele. É um homem ciumento e possessivo.
Com certeza Brianne ainda significava algo para ele, se tinha à intenção de deixar o reino para o filho dela. Hermione imaginou qual seria a reação do tio, para não mencionar a do pai de Harry.
Ele parecia irritado em mencionar Pierce Hutton.
— Deus sabe o que ela vê naquele homem.
— Como é o marido dela? — quis saber Hermione.
— Rico.
— Além disso, quero dizer — riu ela.
— Ele tem uma corporação internacional de construção. Constrói plataformas de petróleo, entre outras coisas. É um homem corajoso, embora eu não goste dele. Ele, Brianne e eu fugimos juntos do Quawi durante o ataque de Brauer. Foi Hutton quem me emprestou o dinheiro para recuperar meu país — disse Harry. — Um fato que ele nunca cansa de me lembrar.
Parecia haver muita rivalidade entre os dois homens. Hermione estava curiosa sobre Brianne. Ela devia ser uma verdadeira beldade para que dois bons homens lutassem por ela. Era natural que o marido a amasse, mas Hermione tinha ciúme da forma como Harry falava dela.
— Vou ver você outra vez hoje? — indagou ela, passan¬do a assuntos mais práticos.
Ele gesticulou para a bela mulher usando uma gellábia bege até os tornozelos e um hijab combinando, que vinha pelo corredor acompanhando Elvis.
— Pode ser. Esta é Leila, que vai levar você até seus apo¬sentos. Mandei preparar o quarto que foi de minha avó paterna. Gostaria de saber se gosta deles. Ela era turca. O marido era francês.
— Ainda está viva?
— Morreu há vinte anos. Adorava orquídeas, e passou essa característica a meu pai.
— Pelo menos ele gosta de alguma coisa.
— É verdade. As amadas orquídeas de meu pai. Não ama muitas coisas mais, a não ser, talvez, o país. Mas não im¬porta. Você não vai se relacionar muito com ele. Agora vá com... Hassan — disse Harry, sorrindo por causa do ape¬lido que ela mencionara.
Deu a ordem em árabe e o guarda-costas assentiu e cur¬vou-se.
Falou por um instante com a bela morena, que adiantou-se e tomou Hermione pela mão.
— Venha comigo, por favor, sra. Fil-fil — disse ela res¬peitosamente.
Harry riu.
— Está vendo? Agora você também tem um apelido, mademoiselle. Acho que pode agradecer a meu pai por isso.
— O que quer dizer?
— Quer dizer "pimenta". E posso assegurar, não era no tipo suave que meu pai estava pensando quando usou o termo!

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Continua...
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