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22. Cap Vinte e Dois


Fic: Os delírios de Consumo de Gina Weasley


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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VINTE E DOIS

Eu nasci para aparecer na televisão. Esta é a verdade. Definitivamente nasci para aparecer na televisão.

Estamos sentados nos sofás novamente Rory, Emma e eu, enquanto Arme, da Leeds, gagueja ao telefone admitindo que nunca na vida pediu restituição do imposto de renda.

Olho para Emma e sorrio, e ela pisca de volta. Faço parte da equipe. Sou uma do grupo. Nunca me senti tão entusiasmada e feliz em toda a minha vida.

É realmente estranho que, quando era eu a entrevistada, estava toda tímida e nervosa, mas agora, que estou do outro lado do sofá, estou muito tranqüila. Deus, eu poderia fazer isto o dia todo. Nem me importo mais com o brilho das luzes. Parecem normais.

E já ensaiei na frente do espelho o jeito mais bonito de sentar (joelhos juntos, pés cruzados no calcanhar) — e estou me fixando nele.

— Comecei a fazer umas faxinas — diz Anne — e nunca analisei a situação. Mas agora meu chefe me perguntou se eu paguei algum imposto. Quero dizer, isto nunca me ocorreu.

— Ah, meu Deus — diz Emma, e olha para mim. — Anne obviamente está numa enrascada.

— De modo algum — digo solidária. — Bem, a primeira coisa, Arme, é verificar se você precisa pagar algum imposto, pois se estiver abaixo do teto, estará isenta. A segunda coisa é que você ainda tem muito tempo para se organizar e dar entrada no pedido de restituição.

Esta é a outra coisa realmente estranha. Deus sabe como — mas eu sei as respostas para todas as perguntas. Entendo de hipotecas, de seguros de vida e de aposentadorias e pensões. Entendo desse negócio! Alguns minutos atrás, Kennetb de St. Austell perguntou qual é o limite de contribuição anual para o imposto ISA — e eu respondi 5.000 libras sem nem pensar. E quase como se alguma parte da minha mente estivesse guardando cuidadosamente cada pequena informação que eu nunca usei na Successful Saving, e, agora que preciso, está tudo ali. Pergunte-me qualquer coisa! Pergunte-me... as regras sobre taxa de ganhos de capital para donos de imóveis. Ande, pergunte-me.

— Se eu fosse você, Anne — finalizo — entraria em contato com o escritório da Receita Federal mais próximo e pediria uma orientação. E não tenha medo!

— Obrigada — diz a voz estridente de Anne, — Muito obrigada, Gina.

— Bem, espero que isto ajude, Anne — diz Emma, e sorri para a câmera. — Agora vamos para Danina para ouvir as notícias e a previsão do tempo, mas depois, como muitas pessoas estão telefonando, voltaremos para este "ligue-agora" sobre o tema "Administrando seu Dinheiro".

— Muitas pessoas com problemas de dinheiro — fala Rory.

— Demais — diz Emma. — E queremos ajudar. Portanto, qualquer que seja sua dúvida, não importa se é grande ou pequena, por favor telefone para ouvir os conselhos de Gina Weasley, no número 0333 4567. — Ela pára um instante, sorrindo para a câmera, depois relaxa de volta na cadeira quando a luz apaga. — Bem, isto está indo muito bem! — diz ela feliz, quando uma garota da maquiagem corre e retoca seu rosto com pó. — Não está, Zelda?

— Fantástica! — diz Zelda, aparecendo da escuridão. —As linhas não estiveram tão ocupadas desde quando fizemos "Eu gostaria de conhecer uma Spice Girl". — Ela olha para mim com uma expressão de curiosidade. — Você já fez algum curso para saber como se apresentar na televisão, Gina?

— Não — digo honestamente. — Não fiz. Mas... já vi muita televisão.

Zelda cai na gargalhada.

— Boa resposta! Tudo bem, pessoal, voltamos em trinta segundos.

Emma sorri para mim e consulta a folha de papel na frente dela, e Rory inclina-se para trás e examina suas unhas. Eles estão me tratando como uma colega profissional, penso feliz. Estão me tratando como um deles.

Nunca me senti tão completa e absolutamente feliz. Nunca. Nem quando achei um bustiê Vivienne Westwood por 60 libras na liquidação da Harvey Nickols. (Por falar nisso, estou tentando me lembrar onde ele está. Preciso usá-lo qualquer dia desses.) Isto ganha de tudo mais. A vida é perfeita.

Inclino-me para trás, cheia de contentamento e estou olhando preguiçosamente em volta no estúdio quando uma figura estranhamente familiar chama minha atenção. Olho bem e minha pele começa a pinicar de pavor. Há um homem em pé na escuridão do estúdio e, sinceramente, devo estar tendo uma alucinação ou algo assim, porque ele se parece exatamente com...

— E... estamos de volta — diz Rory, e minha atenção volta para o cenário. — O "ligue-agora" desta manhã é sobre problemas financeiros, grandes e pequenos. Nossa especialista convidada é Gina Weasley e nosso próximo telespectador ao telefone é Fran de Shrewsbury. Fran?


— Sim — diz Fran. — Olá. Olá, Gina.


— Olá, Fran. — Sorrio simpática. — E qual é o problema?

— Estou numa confusão — diz Fran. — Eu... eu não sei o que fazer.

— Você está devendo, Fran? — pergunta Emma gentilmente.

— Sim — responde Fran, e dá um suspiro trêmulo.

— Estourei o limite do meu cheque especial, devo dinheiro em todos os meus cartões de crédito, peguei dinheiro emprestado da minha irmã... e simplesmente não consigo parar de gastar. Eu simplesmente... adoro comprar coisas.

— Que tipo de coisas? — pergunta Rory interessado.

— Não sei exatamente — diz Fran após uma pausa. — Roupas para mim, roupas para as crianças, coisas para a casa, só bobagem, na verdade. Depois as contas chegam... e eu as jogo fora.

Emma me dirige um olhar significativo, e eu levanto minha sobrancelha em resposta.

— Gina? — diz ela. — Fran está obviamente com um problema. O que deveria fazer?

— Bem, Fran — digo, amável. — A primeira coisa que precisa é ter coragem para enfrentar seu problema. Entre em contato com o banco e diga-lhes que está tendo problemas para administrar seu dinheiro. Eles não são monstros! Eles querem ajudar. —Viro-me diretamente para a câmera e olho séria dentro das lentes. — Fugir não vai resolver nada, Fran. Quanto mais tempo demorar, pior será.

— Eu sei — vem a voz titubeante de Fran. — Sei que está certa. Mas não é fácil.

— Eu sei — digo solidária. — Sei que não é. Mas você vai saber resolver esta situação, Fran.

— Gina — diz Emma. — Você diria que este é um problema comum?

— Temo que sim — respondo, virando-me de volta para ela. — Infelizmente, muitas pessoas lá fora simplesmente não colocam a segurança financeira em primeiro lugar.

— Ah meu Deus — diz Emma, balançando a cabeça pesarosa. — Isto não é bom.

— Mas nunca é tarde demais — continuo. — Logo que eles enfrentam o problema, acordam para suas responsabilidades, suas vidas se transformam.

Faço um gesto confiante de varredura com meu braço e, nessa hora, meu olhar abrange todo o estúdio. E... Ah meu Deus, é ele.

Não é alucinação.

É ele mesmo. Em pé no canto do estúdio, usando um crachá de segurança e bebendo alguma coisa numa xícara de plástico como se pertencesse a este lugar. Derek Smeath está em pé aqui nos estúdios do Morning Coffee, a dez metros de mim.

Derek Smeath do Endwich Bank.

Mas não... não pode ser.

Mas é. E Derek Smeath. Não compreendo. O que está fazendo aqui?

Ah, Deus, e agora ele está olhando diretamente para mim.

Meu coração começa a bater acelerado, e eu engulo em seco, procurando manter meu controle.

— Gina? — Emma diz, e me forço a voltar minha atenção para o programa. Nem me lembro do que estão falando. — E então você acha que Fran deveria procurar o gerente de seu banco?

— Eu... hã... sim — digo, meu rosto repentinamente queimando de vermelho.

O que vou fazer? Ele está olhando diretamente para mim. Não posso escapar.

— Então — diz Emma. — Você acha que, quando Fran encarar a realidade, será capaz de organizar sua vida?

— Exatamente — concordo como um autômato e forço um sorriso radiante para Emma. Mas, por dentro, minha felicidade confiante está evaporando. Derek Smeath está aqui. Não posso expulsá-lo da minha vista, não consigo esquecer dele.

E agora todas as partes da minha vida, que eu tinha cuidadosamente enterrado no fundo da minha mente, estão começando a aparecer. Não quero lembrar-me de nenhuma delas, mas não tenho escolha. Aqui vêm elas, insinuando-se para dentro da minha mente, um pedaço de horrível realidade após o outro.

— Bem — diz Rory. — Vamos todos esperar que Fran siga o ótimo conselho de Gina.

Meu desentendimento com Mione. Meu encontro desastroso com Rony. Uma sensação fria horrível começa a correr pela minha coluna.

— Agora nosso próximo telespectador—diz Emma. — É John de Luton. John?

— Olá, Gina — vem uma voz pela linha. — O negócio é que recebi uma apólice de seguro quando era criança, mas perdi todos os papéis. E agora gostaria de receber a grana, entende o que quero dizer?
Meu cartão VISA, cancelado. Meu cartão Octagon, confiscado na frente daquela multidão toda. Deus, aquilo foi humilhante.

Tudo bem, pare com isso. Concentre-se. Concentre-se.

— Este é na verdade um problema bastante comum — ouço-me dizer. — Você se lembra com que empresa sua apólice estava?

— Não — diz John. — Não tenho a menor idéia.

Minha conta do banco. Milhares de libras de dívida. Derek Smeath.

Ah, Deus. Estou me sentindo mal. Quero correr e me esconder em algum lugar.

— Bem, você ainda deveria poder localizá-la — continuo, forçando-me a continuar sorrindo. — Poderia começar por uma agência especializada neste tipo de coisa. Posso verificar isto para você, mas acho que seu nome é...

Minha vida inteira horrível, desorganizada. Está tudo lá, não é? Esperando por mim, como uma aranha enorme. Só esperando para atacar, tão logo este "ligue-agora" termine.

— Creio que já não temos mais tempo — diz Emma, quando termino. — Muito obrigada à nossa especialista financeira, Gina Weasley, e tenho certeza de que todos nós estaremos seguindo suas sábias palavras. Após o intervalo, os resultados da nossa transformação em Newcastle e Heaven Sent 7, ao vivo, no estúdio.

Faz-se uma pausa gelada — depois todos relaxam.

— Certo — diz Emma, consultando sua folha de papel. — Onde estamos a seguir?

— Bom trabalho, Gina — diz Rory alegre. — Excelente matéria.

— Ah, Zelda! — diz Emma, levantando de um pulo. — Posso dar uma palavrinha com você? Foi fabuloso, Gina — acrescenta. — Realmente fabuloso.

De repente os dois se foram. E sou deixada sozinha no cenário, exposta e vulnerável, evitando desesperadamente os olhos de Derek Smeath e pensando o mais rápido que posso.

Talvez eu possa escapar por trás sem ser vista.

Ou talvez eu possa ficar aqui no sofá. Só até que ele se canse e vá embora. Quero dizer, ele não vai ousar entrar no cenário, vai?

Talvez eu possa fingir ser outra pessoa. Deus, sim. Quero dizer, com toda esta maquiagem, eu praticamente pareço mesmo outra pessoa.

De qualquer modo — de repente me ocorre — quem vai dizer que ele me percebeu? Ele está aqui provavelmente por alguma razão completamente diferente. Provavelmente
vai aparecer no programa ou algo assim. Exatamente. Nada a ver comigo. Portanto, vou simplesmente levantar e passar por ele rapidamente e tudo ficará bem.

— Dá licença, meu bem — diz um homem de jeans, entrando no cenário. — Preciso levar este sofá.

— Ah está bem — concordo levantando. Quando o faço, erradamente capto o olhar de Derek Smeath de novo. Ele ainda está olhando diretamente para mim. Está me esperando.

Ah, Deus.

Tudo bem, tudo ficará bem — só continue andando. Só continue andando e finja que não o reconhece.

Deliberadamente evitando seu olhar, levanto-me, respiro fundo e atravesso o cenário com passadas rápidas. Meu passo não vacila; minha expressão não hesita. Meus olhos estão fixos nas portas duplas, e estou indo bem. Agora só mais uns poucos passos. Só uns poucos mais...

— Srta. Weasley. — Sua voz acerta minha cabeça como uma bala e por um instante penso em ignorá-la. Penso até na possibilidade de pular para as portas. Mas Zelda e Emma estão ali perto. Elas o ouviram chamar meu nome. Não posso escapar.

Portanto, me viro e dou o que considero ser uma segunda olhada muito convincente, como que o reconhecendo pela primeira vez.

— Ah, olá, é você! — digo radiante. — Que surpresa. Como vai?

Um técnico gesticula para nós para falarmos baixo e Derek Smeath me conduz com firmeza para fora do estúdio para um foyer. Ele se vira para mim e eu sorrio confiante.
Talvez possamos manter tudo num nível social.

— Srta. Weasley...

— Lindo dia hoje — digo. — Não acha?

— Srta. Weasley, nossa reunião — diz Derek Smeath, tenso.

Ah, Deus. Eu estava esperando que ele pudesse ter esquecido sobre isso.

— Nossa reunião — repito pensativa. — Erm... — E então tenho uma idéia repentina. — Isto mesmo. É amanhã, não é? Estou esperando ansiosa.

Derek Smeath parece que vai explodir.

— Não é amanhã! Era na segunda-feira de manhã. E você não apareceu!

— Ah — digo. — Ah, aquela reunião. Sim, sinto muito. Pretendia ir, sinceramente. Só que... Só que...

Mas não consigo pensar numa única desculpa sequer. Já usei todas elas. Assim, eu vou murchando, mordo o lábio, sentindo-me como uma criança levada.

— Srta. Weasley — diz Derek Smeath aborrecido.

— Srta. Weasley... — Ele esfrega o rosto com a mão e depois olha para mim. — Você sabe há quanto tempo estou escrevendo cartas para você? Sabe há quanto tempo estou tentando levá-la ao Lanço para uma reunião?

— Hã... Não estou tem cer...

— Seis meses — diz Derek Smeath e pausa. — Seis longos meses de desculpas e prevaricação. Agora, gostaria apenas que a senhorita pensasse o que isto significa para mim. Significa cartas intermináveis. Inúmeros telefonemas. Horas de tempo e esforço de minha parte e de minha assistente Erica. Recursos que, francamente, poderiam ser mais bem despendidos em outra coisa. — Ele gesticula energicamente com sua xícara de plástico e deixa cair um pouco de café no chão. — Depois, finalmente eu consigo forçá-la a um encontro certo. Depois de tudo isto, penso que está levando sua situação a sério... E você não aparece. Desaparece completamente. Telefono para sua casa e descubro para onde você foi e sou acusado de modo muito desagradável de ser algum tipo de perseguidor!

— Ah, sim — digo e faço uma expressão de pesar. — Desculpe-me quanto a isso. E só meu pai, sabe. Ele é um pouco estranho.

— Eu nunca teria desistido de você — diz Derek Smeath, sua voz se elevando cada vez mais. — Eu nunca teria desistido. E então estou passando por uma loja de televisores, esta manhã, e o que vejo, em seis telas diferentes, se não a ausente, a desaparecida Ginevra Weasley aconselhando a nação. E sobre o que está aconselhando? — Ele começa a se sacudir de rir. (Pelo menos eu acho que está rindo.) — Finanças! Você está aconselhando o público inglês... sobre finanças!

Olho para ele enfurecida. Não é tão engraçado assim.

— Olha, sinto muito por não ter podido comparecer na última reunião — digo procurando soar profissional. — As coisas estavam um pouco difíceis para mim naquele momento. Mas se pudermos remarcar...

— Remarcar! — grita Derek Smeath como se eu tivesse acabado de contar uma piada histérica. — Remarcar!

Olho para ele indignada. Ele não está me levando nada a serio, está? Ele nem sequer está ouvindo o que estou dizendo. Estou dizendo a ele que quero comparecer para uma reunião — eu na verdade quero ir — e ele está me tratando como uma piada. Está me tratando como alguma espécie de ato de comédia.

E não é para menos, interrompe uma vozinha dentro de mim. Olha a forma como você se comportou até agora. Olha a maneira que o tem tratado. Francamente, surpreende que ele ainda esteja sendo civilizado com você.

Olho para seu rosto, ainda enrugado de rir... e me sinto vencida.

Porque na verdade, ele poderia ter sido muito mais desagradável do que tem sido.
Poderia ter retirado meu cartão há muito tempo. Ou colocado a policia atrás de mim. Ou me incluído na lista negra. Ele na verdade foi muito gentil comigo, de um jeito ou de outro.

— Ouça — digo rapidamente. — Por favor. Me dê outra chance. Realmente quero resolver minhas finanças. Quero pagar minha dívida com o banco. Mas preciso de você para me ajudar. Estou... — Engulo. — Estou lhe pedindo para me ajudar, Sr. Smeath.

Há uma longa pausa. Derek Smeath procura em volta um lugar para depositar a xícara de café, tira um lenço branco do bolso e esfrega-o nas sobrancelhas. Depois guarda-o e me dirige um olhar demorado.

— Está falando sério? — diz ele finalmente.

— Sim.

— Vai realmente fazer um esforço?

— Sim. E . . . — Mordo meu lábio. — E sou muito grata por todas as chances que me deu. Realmente sou.

De repente sinto que estou a ponto de quase chorar. Quero ser boa. Quero arrumar minha vida. Quero que ele me diga o que fazer.

— Está bem — diz Derek Smeath finalmente. — Vamos ver o que podemos resolver. Você vem ao escritório amanhã, às 9:30 em ponto, e vamos ter uma conversinha.

— Obrigada — digo, meu corpo todo relaxando aliviado. — Muito obrigada. Estarei lá. Prometo.

— É bom estar — diz ele.— Não há mais desculpas. — Depois um sorriso pálido passa pelo seu rosto. — Por falar nisso — acrescenta ele, apontando para o cenário. — Achei que se saiu muito bem lá. Perfeitas todas as suas orientações.

— Ah — digo surpresa. — Bem... obrigada. É realmente... — Limpo minha garganta. — Como você entrou no estúdio afinal? Pensei que tinham uma segurança bem eficiente.

— Eles têm — replica Derek Smeath. — Mas minha filha trabalha em televisão. — Ele sorri amoroso. — Ela costumava trabalhar neste mesmo programa.

— Verdade? — digo sem acreditar.

Deus, que incrível. Derek Smeath tem uma filha. Ele provavelmente tem uma família inteira. Uma mulher e tudo mais. Quem teria pensado nisto?

— É melhor eu ir andando — diz ele e toma o último gole da sua xícara de plástico. — Este foi um pequeno desvio não programado. — E me dirige um olhar severo. — Eu a vejo amanhã.

— Estarei lá — digo rapidamente enquanto se afasta em direção à saída. — E... e obrigada. Muito obrigada.

Quando ele desaparece, afundo numa cadeira próxima. Não posso acreditar muito bem que acabei de ter uma conversa agradável e civilizada com Derek Smeath. Com Derek Smeath! E ele parece bom de coração. Tem sido tão bom comigo, e sua filha trabalha em televisão... quero dizer, quem sabe, talvez eu ainda venha a conhecê-la também. Talvez fique amiga da família inteira. Não seria fantástico? Vou começar a jantar na casa deles, e sua esposa vai me dar um abraço caloroso quando eu chegar, e eu a ajudarei com a salada e tudo mais...

— Gina! — vem uma voz por trás de mim e me viro para ver Zelda aproximar-se, ainda com sua prancheta na mão.

— Olá — digo feliz. — Como vão as coisas?

— Ótimas — diz ela, e puxa uma cadeira. — Bem, quero ter uma conversinha com você.

— Ah — digo. — Tudo bem. Sobre o quê?

— Nós achamos que você se saiu tremendamente bem hoje — diz Zelda, cruzando uma perna sobre a outra nos seus jeans. Tremendamente bem. Já falei com Emma e Rory e com nosso produtor sênior — faz uma pausa para efeito — e eles todos gostariam de vê-la novamente no programa.

Olho para ela sem acreditar.

— Você quer dizer...

— Não toda semana — diz Zelda. — Mas quase regularmente. Pensamos em talvez três vezes por mês. Você acha que seu trabalho permitiria isso?

— Eu... eu não sei — digo, estupefata. — Espero que sim.

— Excelente! — diz Zelda. — Provavelmente nós poderíamos promover sua revista também, e deixá-los felizes. — Ela rabisca alguma coisa numa folha de papel e olha para mim. — Agora, você não tem um agente, não é? Portanto precisarei falar de dinheiro diretamente com você. — Ela pausa e olha para sua prancheta. — O que estamos oferecendo, por quadro, é...






















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