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Seus olhos vidrados permaneceram onde ele estivera.
Não havia nada agora, apenas um espaço ridículo cortado por pingos de chuva e um lamurioso chicote de vento que pareciam muito ansiosos para invadir o vazio. O cheiro da tempestade estava começando a afogar os restos do perfume de Draco, e o tremor do calor dele contra seu rosto foi desaparecendo. Seu corpo estava congelado, como se ele ainda estivesse lá, a mão que havia pressionado a Chave de Portal contra os dedos dele ainda permanecia estendida e tremendo, e seu queixo ainda inclinado a partir de suas palavras sussurradas de adeus.
Eu te amo...
Ela não conseguia se mover.
Não era possível tirar os olhos do espaço vazio.
Apenas olhava para ele...
Mas o chamuscar quente de suas lágrimas a obrigou a piscar, e o mundo começou a se mover novamente.
Descartando a folha fina do material que havia envolvido a Chave de Portal, seu braço caiu molemente para o lado, e ela se engasgou com o caroço na garganta. Um grito estava alojado em algum lugar no seu peito, mas seus pulmões estavam muito tensos para liberá-lo, e a sensação sufocante queimava tanto, ela mal podia respirar.
E, oh Merlin, a dor em seu coração era insuportável, como tudo dentro dela, que estava em colapso.
Seus joelhos cederam, e ela caiu duramente no chão, ignorando o barro deslizando até seu jeans e pressionando suas palmas contra a lama enquanto se levantava, mal conseguindo sustentar-se com os braços cansados. Seus olhos caíram para os recortes das pegadas de Draco, a única indicação de que ele havia estado aqui há meros momentos atrás, mas a chuva estava esmagando as marcas, e em segundos elas estavam misturadas com a terra úmida, e ela estava completamente sozinha.
O vento se tornou cruel nesse momento, e ela colocou os braços em torno de seu corpo que tremia, num esforço inútil para aliviar a ferroada do frio e da solidão. O uivo de um trovão abafou um soluço de coração partido que fez seu estômago agitar-se, e seus olhos apertaram enquanto ela tentava superar seus tremores violentos.
"Oh Godric, dói," ela falou para ninguém, apertando mais os braços em torno de si. "Dói".
As palavras de Annabelle Snowbloom sussurraram em algum lugar no fundo do seu cérebro.
Porque isto é como a morte, só que pior.
Ela ficou lá por alguns segundos roubados, simplesmente tentando recuperar um sentido de razão enquanto entorpecida balançava para frente e para trás, mas não havia tempo para procurar por alguma compostura. Os ecos da desordem de Hogwarts interromperam o tamborilar rítmico da chuva, e Hermione relutantemente abriu os olhos e olhou na direção da escola. Lembrou-se então, lembrou que ela não poderia ficar aqui, e ela repreendeu-se por deixar a dor de seu coração consumi-la.
Chupando uma respiração tão profunda que estendeu suas costelas, ela rangeu os dentes e forçou a tensão em seus músculos para fazê-los para de tremer. Ela ergueu as mãos e duramente limpou suas lágrimas do rosto, mas cada centímetro dela estava salpicado com as gotas de chuva, e ela não conseguia distingui-las visto que seus cachos encharcados batiam contra seu rosto. Um gemido frustrado arranhou as costas de seus dentes quando ela percebeu que era inútil, e então arrastou o cabelo dos olhos, engasgando com o nódulo em sua traqueia que não iria passar.
Encharcada até a alma e se esforçando para ignorar a náusea que fazia sua cabeça girar, ela engoliu vários goles mais pesados de ar e lentamente arrastou-se com seus pés instáveis. Sufocando um gemido quando seus membros protestaram, ela quis que suas pernas permanecessem firmes para mantê-la equilibrada, e com um último olhar abatido para o espaço vazio, ela fechou os punhos com determinação, e girou sobre os calcanhares.
Seus movimentos eram desajeitados enquanto ela corria de volta pelo caminho que havia chegado, mal notando os espinhos e cardos da floresta que a arranhavam enquanto ela tropeçava no que esperava ser a direção certa. Sua orientação estava comprometida e sua visão ainda estava turva pela névoa, mas ela caminhou cegamente através da densidade, esmagando a lama e procurando desesperadamente pela pedra vermelha.
"Bichento," ela chamou com uma voz rouca, cuidando para manter a voz baixa, conforme os sons misteriosos de Hogwarts ficavam mais altos. "Bichento.".
Um miado baixo respondeu em algum lugar à esquerda e ela corrigiu seu caminho, cambaleando através dos espinheiros e heras venenosas enquanto ruídos não humanos começavam a agitar em torno da Floresta Proibida. Ela não tinha ideia se as criaturas mágicas que habitavam aqui haviam percebido o ataque e estavam em pânico, ou se havia Comensais da Morte chicoteando por entre as árvores, quase respirando no seu cangote.
Convocando os restos finais e frágeis de sua energia, ela dirigiu-se para frente com um grunhido de dor, segurando sua varinha com mais força. Hermione explodiu através de uma parede teimosa de folhas e galhos, tossindo em um suspiro de alívio quando Bichento saltou diante dela, cuspindo baixos e agitados assobios, e seu olhar amplo examinando o espaço em torno deles.
"E-está-tudo bem, Bichento," ela gaguejou, e poderia jurar que seu gato estava olhando através dela à procura de Draco. "Ele se foi," ela murmurou, e as palavras enviaram um raio destrutivo de angústia ao seu peito. "V-vamos, rapaz. Precisamos ir.".
Pegando seu animal de estimação nos braços, ela fez seu caminho para a rocha abaixo da curva sinistra da árvore de carvalho e sentiu o ar formigar com a magia diferente. Ela agarrou Bichento enquanto lutava para pacificar seus pensamentos acelerados e respirações frenéticas, preparando-se para aparatar.
Com um olhar de adeus na direção de Hogwarts, e um agradecimento silencioso por Draco estar seguro, ela deixou seu refúgio quebrado para trás.
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Draco pousou em tornozelos que flambaram.
Caindo à frente de joelhos, ele só conseguiu firmar-se em seus braços antes de seu rosto se chocar contra a terra. Socando as mãos nos tufos crocantes de grama, os músculos de suas costas tencionaram enquanto ele tentava combater os espasmos que reviravam seu estômago. Ele engasgou e vomitou pelas vibrações brutais da chave de portal, e a bile queimou suas amígdalas.
Cuspindo no chão e ofegante, os olhos lacrimejantes focaram no solo desconhecido, e viram gotas de chuva, suor ou possíveis lágrimas respingando contra as costas de suas mãos. Fúria e arrependimento borbulharam em suas veias com tanta força que parecia destrutivo, como veneno corroendo seus nervos e células.
"Porra, Granger!" ele sussurrou para ninguém, socando o chão. "Porra.". Mais uma vez. "Porra.". E então, novamente. Até que os nós dos dedos estivessem em fogo e o sangue escorresse entre os dentes. "Porra, Hermione.".
Suas cordas vocais se ataram e o discurso morreu em sua garganta. Muito irritado. Muito perturbado. Muito perdido. Ele ergueu o queixo e tentou varrer os arredores, mas sua visão era distorcida e salpicada com pontos brancos, e ele mal podia ver alguns metros à sua frente. Tudo o que podia discernir era um tapete de grama e a sombra doentia de anil que o amanhecer havia pintado no céu.
Não havia tempestade aqui, apenas um vento cruel que arranhava sua pele encharcada, mas Draco ainda cheirava a chuva escocesa e ao sabonete de Hermione.
Ele não pertencia a este lugar.
Sua mente cruelmente começou a repetir o que havia acontecido há poucos minutos atrás, com flashbacks implacáveis que fizeram a sua têmpora pulsar. Ele lembrou o movimento da varinha de Hermione quando ela o petrificou, e a onda perigosa de pavor que tinha torcido o seu intestino. Ele se lembrava de como ela tinha se aninhado contra sua forma de estátua-rígida, com as feições cruas de emoção, e palavras quebradas sendo depositadas em sua mandíbula.
Ela beijou-o, e ele lutou contra o feitiço com tanta força que seus ossos pareciam perto de estilhaçar sob sua carne, só para torcer a boca e dar-lhe resposta. O feitiço tinha sido imune à tenacidade e desespero, ele sabia que ela tinha beijado lábios mortos, e ele odiava isso.
E depois...
Eu te amo...
Ele enrijeceu. Não sabia o que fazer com essas três palavras, três palavras que arranhavam seu cérebro, mas aqueciam... todo o resto. Tão calmantes porém caóticas. Mudava tudo e também nada, porque ela ainda havia mandado ele para cá. Sozinho.
Se ele tivesse se preocupado com o estado de sua mente quando foi empurrado para aquele dormitório com ela inicialmente, essa realidade seria muito pior, como um Crucio ao seu psicológico.
Uma parte dele queria encontrá-la e dizer-lhe que não queria o seu amor, que ele não merecia porra nenhuma, e que ela era louca por querer ele em sua vida. Ele seria a mancha vermelha e podre em seu vestido branco. O caco de vidro enfiado em sua veia. Ele não era digno dela. Ele sabia disso agora. Provavelmente sabia o tempo todo.
Outra parte dele queria encontrá-la e lamber as suas feridas, talvez chutar o seu orgulho para o canto novamente para ecoar sua necessidade. Porque ele precisava dela, e não no sentido romântico, sentimento ingênuo que provocava náuseas, mas a forma dolorosa e incapacitante que agredia o cérebro e esfaqueava a alma. Ele deixou escapar uma vez e deixaria escapar de novo se fosse preciso. Orgulho de repente parecia tão irrelevante em comparação com a porra de agonia fervilhando em sua caixa torácica.
Talvez ele amasse...
Ele não sabia, e tudo que estava correndo em suas veias era completamente estranho para ele. Rotular isso com alguma palavra clichê que era tão descuidadamente atirada entre estranhos hoje em dia parecia insuficiente para os sentimentos que lhe haviam deixado de joelhos. O lembrava daquela sensação estranha quando o fogo é tão quente que parece gelo, ou quando o gelo é tão frio que parece fogo. Paradoxo da natureza.
Se isso era amor, então parecia loucura. Parecia tortura. Ou êxtase. Tudo a mesma coisa.
Ele só queria voltar e fazer... alguma coisa. Algo para prolongar os seus batimentos cardíacos entrelaçados.
Sua varinha. Ela colocou no seu bolso.
Sua mão correu para agarrá-la, sentindo o crepitar reconfortante de magia quase perdida formigar as pontas dos dedos. Segurando-a em seu colo, ele tentou estabilizar seus pensamentos antes de tentar aparatar, mas então sentiu uma mão em seu ombro, e ele congelou.
"Os feitiços de proteção não vão deixar você voltar," uma voz suave e feminina falou. "E ela já deve ter ido embora.".
Draco girou o corpo e se esforçou para ficar de pé, mal conseguindo manter o equilíbrio enquanto piscava para longe a nuvem salgada em seus olhos. Suspeita e choque enrugaram sua testa quando ele percebeu quem o havia perturbado, seu rosto só era reconhecível por causa de um encontro acidental no Beco Diagonal e uma fotografia rasgada que tinha encontrado na bolsa de sua mãe, quando fora vasculhar por um galeão sobressalente para comprar um sapo de chocolate. As feições eram familiares também, as linhas aristocráticas e rugas que eram tão semelhantes às de Bellatrix, mas notavelmente mais delicada e sem a ameaça que sempre o incomodava.
"Você?" ele sussurrou, muito esgotado para colocar qualquer força real por trás das palavras. "Eles me mandaram para você ?".
"Sim," Andrômeda assentiu com a cabeça desconfortavelmente, mantendo seu olhar atento sobre a varinha de Draco. "McGonagall...”.
"Tem um senso de humor," ele completou. "Eu não preciso de sua ajuda.".
A tia que nunca havia conhecido arqueou uma sobrancelha fina. "Você está subestimando o quão ruim as coisas ficaram, Draco," disse ela lentamente. "Acredite em mim quando eu digo que você precisa sim da minha ajuda...”.
"Por que diabos você se ofereceria a me ajudar, de qualquer maneira?" ele questionou, estreitando os olhos.
"Eu estava relutante no início," ela admitiu em um suspiro. "Mas, apesar do passado, você ainda é da família, Draco. E, aparentemente, você e eu temos algo em comum agora...”.
"Do que você está falando?".
Andrômeda hesitou. "McGonagall me contou sobre seu relacionamento com... Hermione...”.
"VOCÊ NÃO SABE DE NADA SOBRE O MEU RELACIONAMENTO COM A GRANGER!" ele latiu, endireitando o seu braço da varinha. "NADA, PORRA!".
"Acalme-se!".
"NÃO ME DIGA...”.
"Mantenha a sua voz baixa!" ela ralhou. "Você não vai acordar os outros! Você pode não gostar disso, Draco, mas eu estive exatamente na mesma posição que você há muitos anos, então eu sei o que você está sentindo...”.
"Você não tem a menor merda de ideia...”.
"E se McGonagall não me contasse sobre seu relacionamento com Hermione, então você não estaria aqui," Andrômeda disse em uma voz calma. "Ambas parecem confiantes de que você mudou seus caminhos, até certo ponto, e eu estou disposta a dar-lhe o benefício da dúvida...”.
"Tão nobre da sua parte...”.
"Mas eu deixei claro que se você der um passo errado," continuou ela. "Então estará sozinho. Eu quero te ajudar, Draco, mas eu tenho outras pessoas para cuidar também.".
"Isso é bobagem." ele zombou.
Andrômeda estalou a língua. "Você tem alguma ideia do quanto você é sortudo?".
"Sortudo?" ele cuspiu com amargura. "Você acha que Voldemort me querer morto é sorte?".
"Eu estou falando sobre as pessoas que estão tentando ajudá-lo," ela franziu a testa. "Considerando as coisas que já fez, eu chamaria isso de sorte.".
O olhar de Draco vacilou e caiu de volta para a grama. "Você não sabe de tudo o que aconteceu...”.
"Eu sei o suficiente," ela suavizou um pouco a expressão. "E eu entendo que você foi colocado em uma situação terrível, mas isso não é desculpa para suas ações.".
A verdade pode ser como água sanitária, ela deixa tudo nu e remove a sujeira. Mas respire muito e isso irá devastar suas entranhas. E talvez matá-lo. Apesar de seus melhores esforços, ele não conseguia desprezar a bruxa à sua frente, talvez porque simplesmente não havia espaço dentro dele para mais pensamentos prejudiciais. Talvez fosse porque ele sabia que ela estava certa.
"Eu sei que isto não é fácil para você, mas eu prometi a McGonagall que eu iria mantê-lo seguro," disse a ele, soltando um suspiro exasperado. "E lhe faria bem lembrar dos riscos pelos quais Hermione passou para trazê-lo até aqui.".
Uma resposta mordaz preparou-se na ponta da língua, mas em algum lugar, no fundo de seu crânio, ele podia ouvir Hermione desejando que ele aceitasse as circunstâncias. Rangendo os dentes, outra onda de desejo pela sua amante bateu em seu estômago, ele abaixou sua varinha, e suas pálpebras de repente pareciam como chumbo. "Qual é o pagamento para sua hospitalidade...?".
"Sem pagamentos," Andrômeda assegurou-lhe. "Tudo que peço é que você respeite aos outros e minha casa.".
"Os outros?".
"Você vai ver," disse ela. "Vou explicar tudo direitinho de manhã, quando você tiver a chance de se acomodar. Tenho um quarto pronto para você.".
Foi só neste momento que Draco então percebeu que estava em um jardim, e que por trás de sua tia havia uma casa bastante grande ainda que modesta, afogada na escuridão salvo um brilho cintilando no piso térreo. A tentação de continuar a discussão com Andrômeda escaldava sua língua, apenas para alcançar um pouco de sua dignidade frágil, mas sua necessidade de uma cama e algum isolamento para peneirar os pensamentos que vibravam o fizera vacilar.
"Tudo bem," ele murmurou relutante, inclinando a cabeça. "Tudo...bem.".
"Bom," Andrômeda assentiu, embora seu tom deixasse implícito de que as coisas estavam longe do bom. "Vamos, então, Draco. Me parece que você precisa de algum descanso.".
Muito desgastado e cansado para resistir muito mais, seus pés moviam-se por vontade própria, e Draco distraidamente percebeu que um pouco do cheiro de Hermione ainda permanecia no tecido do seu casaco. O casaco que ela o havia presenteado no Natal. O desejo agonizante e implacável pela presença de Granger intensificou e quase o curvou, mas ele apertou sua mandíbula e ajeitou a coluna, afundando-se mais profundamente no forro do casaco.
Ele sentiu a palma da mão de Andrômeda descansar contra suas costas, enquanto ela o guiava para a casa, e enquanto ele sabia que deveria dar de ombros para tirar a mão da bruxa mais velha, ele deixou estar.
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Seus braços ficaram moles, e Bichento aterrissou sem graça na ponta dos pés.
Hermione olhou cegamente para o nada, os lábios entreabertos, com todos os músculos rígidos para mantê-la em pé. Godric sabia que ela estava tentando se recompor, mas seu corpo estava se recusando a cooperar, e ela não se atreveu a se movimentar.
"Hermione!" uma voz familiar chamou, quebrando seu transe. De repente, havia braços ao redor dela, um choque confortante de cabelo roxo contra seu rosto e uma colisão da curva do bebê em seu abdômen. "Graças a Merlin você está bem. Onde você esteve? McGonagall enviou o Patrono há anos atrás.".
A bruxa mais jovem tentou encontrar sua voz. "Eu... eu fiquei um pouco perdida," ela murmurou, caindo para o abraço. "Eu tive dificuldade em encontrar o ponto de aparatação.".
"Mas você está bem?" Tonks perguntou, dando um passo para trás para estudar sua amiga. "Você não está machucada ou algo assim? Sem ofensa, querida, mas você parece o inferno.".
"Estou bem," Hermione mentiu, porque ela não sabia o que mais poderia dizer. "Eu estou bem. Eu só... Eu tropecei, mas estou bem.".
É engraçado como a repetição de uma palavra pode torná-la confiável e contraditória.
"Você tem certeza?".
Mesmo que Hermione soubesse que Tonks estava alheia ao seu envolvimento com Draco, ela temia que estivesse escrito entre cada ruga de preocupação em suas feições. Ela sentia-se transparente. Corrigindo a postura desafiadora e definindo os lábios em uma linha fina, ela adotou o pretexto de uma bruxa que estava no controle.
"Tenho certeza." ela balançou a cabeça.
"Certo," disse Tonks, evidentemente não convencida, mas sufocando as perguntas. Hermione sentiu uma cortina de braço reconfortante em seus ombros, e então foi gentilmente orientada para a humilde casa de sua amiga. "Vamos sair do frio.".
"Tudo bem. Onde está Lupin?".
"Ele foi para a Toca quando recebemos o aviso," explicou ela, seu tom carregado de preocupação. "Ele pensou que Arthur poderia precisar de ajuda para arranjar mais alguns feitiços de proteção. Estamos tentando entrar em contato com todos, mas é difícil.".
Hermione orou que suas próximas palavras não soassem muito esperançosas. "Tem novidades sobre Ron e Harry?".
"Não," Tonks suspirou, apertando o ombro de Hermione. "Sinto muito.".
Ela não pestanejou. "Eu imaginei que não teria.".
"Tenho certeza de que eles estão bem." Essa palavra novamente. Bichento deslizou por entre suas pernas enquanto entravam na casa. "Eu tenho um pouco de chá, você quer?".
"Não, obrigada," ela recusou, mal notando o burburinho de um feitiço de aquecimento recém-lançado enquanto passava pela porta. "Eu sei que nós precisamos discutir sobre o que está acontecendo, mas eu estou realmente cansada...”.
"Claro," disse Tonks com simpatia. "Podemos falar sobre isso depois que você dormir um pouco. Você se lembra de onde fica o quarto de hóspedes, né?".
Ela assentiu e agarrou o corrimão das escadas. "Primeira porta à esquerda. Eu só... Eu preciso usar o banheiro primeiro.".
"Sirva-se do que precisar. Esta é a sua casa agora.".
Hermione sabia que Tonks tinha a intenção de ser reconfortante, mas teve que reprimir uma careta vazia enquanto subia as escadas gemendo. Esta não era a sua casa. Tudo parecia tão surreal, tão frágil como nuvens, e simplesmente uma realidade distorcida a qual seu cérebro não conseguia sequer entender.
Entorpecida vagando no banheiro, ela se inclinou sobre a pia e olhou para a porcelana branca por um longo momento. Quando levantou a cabeça para enfrentar o seu reflexo, seu suspiro enevoou o espelho. Seu rosto estava manchado com a lama rachada e sangue desagregado, os olhos inchados com as bordas acinzentadas, e seus lábios em um tom gelado de violeta. A chuva que ela havia deixado para trás, na Escócia, havia feito pouco além de manchar a bagunça em suas feições, mas os cachos e as roupas estavam grudados contra a pele dela como piche. Ela não conseguia decidir se parecia um daqueles guerreiros que marcaram sua pele antes de uma batalha, ou uma alma maltratada persistente após a vida.
Colocando o cabelo turbulento para o lado e torcendo a torneira, ela encheu as palmas das mãos com água e sufocou o rosto nelas. Ela estava congelando, e sugou o ar entre os dentes, mas ignorou-o e lavou a sujeira tingida de vermelho com as mãos desesperadas e tremendo. Pausando entre as respirações trabalhadas e verificando o progresso no espelho, suas ações agitadas acalmaram quando centímetro por centímetro de sua pele foi purificado, até que não tivesse simplesmente um respingo de lama que se misturasse com suas sardas.
Ela enxugou o rosto com as pontas dos dedos, enquanto seus olhos caíam para uma pequena marca em seu pescoço, uma pequena marca de mordida de amor. Uma pontada de saudade bateu e ela endireitou o queixo para dar uma olhada melhor. Ela normalmente disfarçava as marcas com algum feitiço de desvanecimento, mas não cobriria esta. Esperava que permanecesse por algum tempo.
Godric, ela sentia falta dele.
Apenas alguns minutos se passaram desde que eles se separaram, nem mesmo uma hora, mas ela sentia o peso das milhas entre eles.
O sol devia ter violado o horizonte, porque um forte barulho de raios explodiu através da janela e bateu no espelho. A luz era da cor de chamas, e iluminava seu rosto como os fogos da guerra.
Seus olhos caíram de volta para a porcelana, que estava cor de ferrugem.
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Com uma varredura final do pano úmido, Draco estudou sua pele pálida no espelho e fez uma careta. Ele tinha sido tentado a deixar o seu sangue misturado ao de Hermione onde estava, mas se ressentia, pois a lama havia misturado com ele, e os tons escuros daquele pensamento o deixaram inquieto.
Ele caçou por pistas de Granger em seu reflexo, uma leve pancada no lábio inferior de um beijo, um pequeno arranhão por baixo da orelha de um beijo pré-luxúria, e a cicatriz do terceiro ano. Ela estava em toda e ao mesmo tempo nenhuma parte.
Outro flashback de seus últimos segundos juntos fez seus olhos pulsarem por trás das pálpebras.
Petrificus Totalus!
Eu quero você na minha vida.
Eu te amo.
Ele gemeu e descansou sua testa contra o espelho. Estava tão irritado. Zangado com ela por ter silenciado tudo o que podia e devia ter dito. Raiva de si mesmo por deixá-la sem opção senão petrifica-lo. Zangado com McGonagall por mandá-lo aqui. Zangado com seus pais por ditar seus preconceitos. Zangado com Potter e Weasley porque sua amante estava provavelmente com eles agora. Raiva das circunstâncias por separá-los.
E por baixo de tudo isso estava esse perigoso espinho que perfurava tudo.
Ele podia lidar com a raiva, sabia-o bem, mas a dor no peito era uma história diferente. Sentia-se quebrado, pouco humano e chocando-se com a situação.
Não pertenço a este lugar. Pertenço a ela.
Dando ao seu reflexo outro olhar revoltado, ele sacudiu a cabeça e voltou para o quarto que Andrômeda lhe havia mostrado anteriormente. Hesitou no longo corredor e distraidamente se perguntou o que exatamente estava por trás das outras seis ou sete portas, mas estava distraído demais para dar atenção a qualquer questionamento.
Seu novo quarto era pequeno e simples, contendo uma cama de casal, que tomava a maior parte do espaço, uma cômoda, e algumas prateleiras inclinadas que estavam em extrema necessidade de um Reparo. A ausência de Hermione o escarnecia por todos os cantos, nenhuma das pequenas bugigangas dela, sem estantes aguentando o peso de um exército de livros, e sem o cheiro de hortelã e cereja.
Seu batimento cardíaco vacilou novamente, e Draco lentamente tirou o casaco, pendurando-o cuidadosamente na porta e deixando seus dedos rastrearem o tecido, quando percebeu que era tudo o que tinha que o ligava diretamente a ela. Enfiando a varinha debaixo do travesseiro, ele então tirou suas roupas, até que estava somente em suas boxers, e aliviou-se no colchão, reunindo os cobertores que coçavam e abrandavam em torno de si.
Ele manteve o seu corpo no lado esquerdo da cama, e distraidamente olhou para o espaço vazio ao seu lado antes dos olhos se fecharem.
Ele sempre dormia no lado esquerdo na cama de Granger.
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Hermione estava no quarto de hóspedes, olhando vagamente para a parede, enquanto as mãos se reuniam à sua frente. Estava quase com medo de se estabelecer na cama, consciente de que os dias são quebrados pelo sono, e as memórias tornam-se menos vívidas quando o tempo se arrasta junto. Mas seu corpo estava a um sussurro longe de se render à exaustão física e mental, e ela precisava estar bem descansada amanhã. Não haveria lugar para as lágrimas entre as discussões da Guerra e os planos da Ordem. Amanhã, ela seria a Grifinória preparada. Amanhã, ela ficaria bem.
Tirando o casaco e o descartando ao pé da cama, ela foi para a próxima camada de roupa, mas acalmou os seus movimentos quando percebeu que era a camiseta de Draco. Ela atraiu uma respiração forte, quando sentiu um rastro de perfume de Draco do período da manhã, almíscar masculino, com uma pitada de tempero de hortelã, e algo que a lembrava de livros novos.
Ela estava tão aliviada por ter este pequeno símbolo de sua relação proibida, e então lançou um feitiço de secagem rápida para que os murmúrios do cheiro dele não fossem apagados. Esquecendo os pijamas que estavam em sua bolsa encantada e retirando seus jeans, ela cedeu à fadiga e afundou-se nos lençóis, um pouco aliviada de que estaria enrolada na camiseta de Draco.
Aninhando seu rosto no travesseiro, ela sentiu o resto de lágrimas solitárias deslizarem pelo seu rosto. Então adormeceu curvada em uma bola com a palma da mão em seu coração ferido.
No lado direito da cama.
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N/A: Oláááá fui rapidinha dessa vez heheh
A Landa falou no comentário dela que parece que a história está no final...
Bom, digamos que a autora está escrevendo uma história no nível de livros da JK hahahah visto que já está no capítulo 39 e eu acredito que ainda tenha alguma história pra contar...
Espero que seja uma boa notícia pra vocês, eu pelo menos fico feliz pela história ainda não ter terminado :D
Outra coisa, estou me empenhando e já tenho alguns capítulos quase prontos, quero deixar meio encaminhado antes de começarem as aulas pq vou fazer 8 disciplinas esse semestre e sabe-se lá quando eu vou ter tempo de novo.
Sabem, capítulos sem NC são mais fáceis de traduzir... nas NC's a autora utiliza muitas figuras de linguagem e às vezes só de olhar dá uma preguiiiça hahah
Mas é isso por enquanto, divirtam-se :D (mesmo com um capítulo triste assim)
Beijosss