O artigo de Harry no Profeta Diário tivera exatamente o efeito que pretendia, para sua surpresa, pois estava acostumado a ter suas palavras mal interpretadas. A população de Hogsmeade resolveu dar uma festa de boas vindas para Flora e sua família, numa tentativa de se redimir. Seria uma festa surpresa, não fosse a insistência de Hermione em fazer com que Flora vestisse a melhor roupa para sair do hospital. Coincidência ou não, era também natal, de modo que aproveitaram a decoração das ruas e das lojas para montar um grande banquete em plena rua principal, seguido da distribuição dos presentes.
Flora chega a Hogsmeade com Hermione onde eram aguardada por todos, seus olhos se enchem de lágrimas ao ler os dizeres de boas vindas em letras prateadas flutuando no alto, acima de uma grande mesa. Todos habitantes de Hogsmeade e Hogwarts estavam presentes, além de Ron e os filhos, Harry, Ginny e os filhos e, para surpresa de Flora, também foram convidados Draco, Narcissa, Scorpius e Astoria. A tia visivelmente desconfortável estava sentada ao lado de Abeforth. Com muita alegria Flora abraça e beija os filhos, o marido e depois contorna a mesa rapidamente para ver Neville, Hannah e a pequena Joanne. A bebê era realmente linda. Depois desculpa-se com os demais e pede que se sintam abraçados e beijados, pois por mais que fosse capaz de passar a festa toda cumprimentando todos, seria lamentável deixar toda aquela comida esfriar.
A mesa sem tamanho, ladeada por bancos compridos estava finamente decorada com uma toalha verde escuro, velas brancas, flores azuis, laços prateados, além de cestas de frutas diversas, trazidas do Brasil, como forma de homenagear a família. A comida, que fora preparada pelos elfos de Hogwarts, também era bastante variada, e estava colocada em baixelas de prata. Tudo fumegava e o aroma era maravilhoso. No alto um feitiço desviador não deixava os flocos de neve atingirem o grande banquete, nem as pessoas, formando uma espécie de redoma em torno de todos. Ali dentro era agradavelmente quente.
A distribuição de presentes foi um pouco diferente do usual: cada família levara um presente para dar para a outra família. Foi montado um pequeno palco, atrás da mesa principal para que as famílias pudessem subir e fazer as entregas. Madame Rosmerta subiu ao palco antes que a sobremesa fosse servida:
- Conforme combinado, a pedido de Ron Weasley que sugeriu que devíamos dar oportunidade do jantar se acomodar antes de nos deliciarmos com a sobremesa, vamos iniciar a troca comunitária de presentes. Chamo Felipe, Flora, Ricardo, Lia e Yan para começarmos.
A escolha por iniciar a distribuição dos presentes a partir da família de Flora, foi proposital para permitir que quando o círculo se fechasse, chegariam ao ponto alto da festa: o presente dos homenageados.
Felipe providenciara presentes para Abeforth, Hagrid e Filch, que se inscreveram na “lista das famílias” como sendo “unidos pelo whisky de fogo”. E o presente deles foi um barril de whisky para cada um, embalado com papel com a decoração infantil “Teddy bear”, com grande laço vermelho (a idéia do papel foi de Ricardo e a do laço foi de Lia, Yan queria acrescentar um pequeno enfeite de urtigas, mas o pai boicotou).
Depois de receberem os barris, os três senhores entregaram presentes para a família de Ron e Hermione, que por sua vez entregaram para os professores solteiros de Hogwarts, que entregaram para os Malfoy, que entregaram presentes para Rosmerta e família, Profa. McGonagall entregou roupas novas para os elfos de Hogwarts (reafirmando a importância do trabalho e da liberdade deles) e assim se seguiu a distribuição, , até que chegou a vez dos Potters entregarem seus presentes para os Ferreiras..
Tiago entregou para Yan um kit mata-aula, para que tivesse um bom ingresso em Hogwarts no futuro, Alvo comprou para Lia um livro de curiosidades mágicas e Lily deu para Ricardo um livro sobre quadribol, cheio de figurinhas com fotos de jogadores (ele comenta que preferia fotos de torcedoras de quadribol, mas agradece o presente). Ginny presenteia Felipe com uma vassoura de corrida, seus olhos brilham com o presente. Chega a vez de Harry, que antes faz um pequeno pronunciamento:
- Ouvi recentemente de uma amiga que não devemos julgar as pessoas pela aparência, pois ela pode mudar (toca nos cabelos de Flora levemente e também na própria barriga, que saltava acima do cinto, o que faz todos rir), não devemos julgar as pessoas pelas coisas que não são capazes de fazer, pois ninguém sabe tudo - a exceção de Hermione, é claro (novas risadas). Não devemos julgar as pessoas por sua origem, cor, forma, espécie, raça, descendência... Mas acabamos caindo no mesmo erro cometido por Voldemort e seus seguidores anos atrás: julgamos sua filha por sua origem. Em nada pesou o fato de ter sido criada e educada por uma família trouxa, em nada pesou o fato dela e sua família darem diariamente exemplos de boa índole e terem ótima conduta. Bastou que difamadores distorcessem a realidade em favor do preconceito, não dando oportunidade de explicações, que todos acreditaram no que queriam acreditar: a filha de Voldemort e Bellatrix não poderia ser uma boa pessoa. (O silêncio impera na grande mesa). Mas sempre nos orgulhamos de ouvir a defesa de todos. E foi o que fizemos: ouvimos a palavra da suposta vítima de Flora, que acabou dizendo a verdade após experimentar algumas gotas de veritasserum... Quem aqui não faria a mesma coisa que Flora ao ser atacado e ter sua roupa rasgada por um maníaco? Quem aqui não faria pior? Não, preferimos acusar o mais fácil: uma bruxa poderosa atacou um trouxa inocente. Não podemos generalizar como queriam muitos: nem todos trouxas são inocentes e inofensivos, nem generalizar como os trouxas: nem toda bruxa ou bruxo é mau. Sabemos disso. Meu convite é que aprendamos a olhar através da aparências, além da origem sanguínea, da posição social e antes de julgar, observar e procurar compreender. Por tudo isso é que eu entrego a Flora três presentes...
E virando-se para encarar Flora, estendendo um enorme buque de flores coloridas e diversas, com um pergaminho enrolado na outra mão, fechado com um laço vermelho, recomeça:
- Cada um que veio nesta confraternização trouxe uma flor, para que formássemos um grande pedido de desculpas. O segundo presente vem direto da cozinha de Hogwarts... É um presente interesseiro, você já vai entender: a receita secreta da torta de mirtilos dos elfos de Hogwarts – porque a sua é boa, mas a deles é maravilhosa – e, por fim...
Harry entrega a Flora uma caixa estreita, de madeira, embrulhada em papel furta cor:
- Sua varinha, que foi cuidadosamente guardada por Abe, naquela tarde fatídica.
Flora que estava emocionada, olhos marejados desde o início do pequeno discurso de Harry, quase não consegue enxergar o que ele lhe estende. Pega a caixa de suas mãos: sabia que ali estava sua permissão para voltar a ser quem sempre fora: uma bruxa de verdade. Abre a caixa, pega a varinha e faz sair faíscas prateadas de sua ponta. Abraça Harry. Toma o cuidado de soltá-lo mais rapidamente do que tinha vontade. Fala:
- Não tenho palavras para agradecer tudo o que fizeram por mim esta noite. Eu não sou perfeita, também já errei muito, já andei pelos caminhos fáceis que levaram a fins desagradáveis. Mas saber admitir os erros e desculpar-se é uma das qualidades que mais admiro, talvez uma das mais nobres. Admiro todos vocês. Muito obrigada. E desculpem se sou assim tão chorona...
As pessoas aplaudem. McGonagall pede a palavra:
- Talvez este não seja o lugar nem a hora para isso, mas resolvi quebrar o protocolo e convidar, neste momento, para o posto de professor de estudo dos trouxas de Hogwarts, que está vago devido a aposentadoria da querida professora Sony Adams, Flora Gressler Ferreira...
- Aceito!
FIM
PS Esta fic continua com Flora Riddle 3 e está sendo postada em outros sites, inclusive com versão em inglês.