Rose Weasley
Após nosso breve diálogo, segui com Henry em direção ao hall de entrada. Mas a cada passo que dávamos, podia sentir meus primos olhando para nós em estado estático.
Ignorei-os.
Aquele não era o momento certo para se perguntar o que eu fazia com um Brown, mas sim o que o mesmo queria comigo. Em falar no garoto, olhei-o de soslaio e observei sua expressão nervosa, parecia a mesma expressão que fazia no clube de xadrez sempre que Avo estava por perto. Minha curiosidade agora, me matava por dentro. Durante todo o caminho fiquei me perguntando, se o assunto que iríamos conversar era realmente Morgan e Alvo ou se era apenas algo que queria muito internamente, mas agora tinha certa certeza de qual seria o assunto.
Paramos próximos a escada no hall e me encostei em uma coluna, enquanto observava Henry sentar em um dos degraus da escada. Suas mãos agora se mexiam freneticamente sobre o colo e o vi dar um pigarro, antes de olhar para mim novamente.
-Suponho que ache estranho o fato de eu ter te chamado aqui, mas fiz uma enorme estupidez e realmente preciso contar isso a alguém. – disse ele, me olhando seriamente.
-O que você fez?
Ele mexeu as mãos ainda mais freneticamente sobre o colo e respondeu:
-Fiz Potter passar a odiar minha irmã.
-Como? – perguntei, sentindo uma irritação começar a me abater.
-Minha mãe. Minha adorada e doce mãe simplesmente detesta os Potter, apesar de detestar mais a sua família. – essas palavras me surpreenderam, mas o mandei continuar. – Fomos criados com aversão a vocês, mas minha irmã sempre se comportava estranha perto do Potter mais novo. Quando comecei a perceber algo entre minha irmã e seu primo, logo no começo do ano, fiquei enciumado confesso e enviei uma carta para Lilá Brown. Porém, não sabia que ela iria fazer o que fez.
-E o que exatamente ela fez Henry? – perguntei novamente, sentindo certa aversão a Lilá.
Ele parou por um momento e juntou as mãos acima dos joelhos, parando de mexê-las.
-Ao lado de nossa casa, mora uma família oriunda da alta sociedade, composta por quatro membros e minha mãe parece gostar exageradamente do filho mais novo deles. Ela sempre empurrou minha irmã para cima do garoto quando mais nova, mas Morgan o detesta com todas as forças. Com razão. Apesar da família dele ser rica e bem comportada, Bennett é um trasgo em forma humana.
-Elliot?! Ele é o vizinho?
Toda a irritação havia ido embora e me deixado anestesiada com o desenvolvimento daquela confissão. Parecia agora, tudo óbvio demais e egoísta demais.
-Sim. Quando enviei a carta para Lilá, ela veio pessoalmente a Hogwarts e obrigou Morgan a se separar de Potter. Minha irmã teve uma séria discussão com minha mãe e logo depois, comigo. Arrependo-me de ter ficado ao lado de minha mãe. Se sentindo submissa, ela fez o que Lilá pediu, mas sabia que Potter ainda a procuraria. Então, ela tomou uma escolha cruel e armou toda aquela encenação que você e Malfoy provavelmente viram...
-Porém, algo saiu errado e Bennett realmente passou a gostar dela, se comportando com um trasgo obsessivo e possessivo. – continuei e vi Henry balançar a cabeça afirmativamente.
-Mas, juro que Morgan ainda o odeia, só é gentil o suficiente para não magoá-lo.
-E quanto a Alvo?! – me vi perguntando, tudo aquilo só fizera minha raiva aumentar. – Ele não merece tal gentileza?!
-Escute Rose, minha irmã está se sentindo pressionada, por isso lhe contei tudo isso. Não pense errado dela, se quer colocar culpa em alguém, coloque em mim. – respondeu, me olhando sério.
Suspirei e com as mãos juntas atrás das costas, lhe lancei um olhar sarcástico.
-Não se preocupe, vou escrever seu nome em meu caderno negro.
-Como? – o vi perguntar assustado.
-Estou brincando, mas minha raiva ainda não diminuiu sobre você.
Suspirei novamente e dei um passo à frente, me sentando ao lado dele.
-O que vamos fazer?
-Se contar ao Potter, ele pode entender. – disse Henry.
-Não. Conheço Alvo e ele pode causar sérios problemas a Morgan se tentar separá-la de Bennett. A solução está... Em Lilá.
-Como?
-Vamos descobrir. – dei uma piscadela e baguncei seus cabelos.
~~XX~~
Estava sentada em uma escrivaninha em meu quarto na corvinal e havia uma pilha de livros e revistas sobre a mesma, enquanto com a luz de uma luminária, procurava o nome de Benjamin Brooke. Não era tão difícil de achar quanto imaginei, mas havia pouca informação sobre ele. A que mais me chamou atenção, escrita na revista “Alta Sociedade Bruxa”, era a de que Benjamin havia se aposentado e se limitado a morar numa casa simples próxima... A minha.
Pelo que dizia a revista, ele morava apenas a quatro quarteirões da rua em que minha família morava - me surpreendendo. Não sabia que alguém da alta sociedade morava em um bairro tão simples e apagado quanto o que eu morava, principalmente por esse alguém ser um bruxo. Precisava contar a Malfoy e precisava me lembrar também de obrigá-lo a falar o que estava acontecendo.
Levantei-me da cadeira convicta e quase tropecei em uma das coisas que Lílian deixava espalhadas pelo quarto. Logo após fazer um penoso percurso até a porta, saí em direção aos corredores e passei a procurar uma cabeleira loira.
Ele estava sentado sobre uma rocha, próximo à casa de Hagrid. Os braços estavam em volta das pernas e seus pensamentos pareciam distantes. Aquele livro preto estava novamente sobre suas pernas, mas esse não parecia estar sendo lido, parecia apenas lhe fazer companhia.
Aproximei-me devagar e o vi olhar para mim, a revista “Alta Sociedade Bruxa” ainda estava em minha mão. Quando cheguei bem próxima a rocha, Malfoy colocou a revista ao seu lado e deu um pulo, caindo em pé a minha frente. Levei um susto e recuei um passo para trás. Seus olhos se estreitaram para a revista que eu estava carregando. Ele a puxou da minha mão e passou a revirar suas páginas, perguntando logo em seguida:
-Achou alguma coisa?
-Sim, página 54 da revista que está segurando.
Houve um momento de silêncio, enquanto observava-o ler o parágrafo da revista que continha a nota sobre Benjamin e em seguida, me vi sendo observada por um par de olhos confusos.
-Onde é isso?
-São apenas quatro quarteirões da rua onde moro, posso te levar lá se quiser.
-Espera, ele mora perto de você? – perguntou, olhando da revista para mim.
-Coincidência? – dei um sorriso. - Também me surpreendi quando vi a localização.
-Bom trabalho! – sorriu de volta para mim.
Corei com o elogio e logo dei um pigarro, para disfarçar meu estado desconcertante. Aquilo estava ficando ridículo, Malfoy parecia ter o poder de me fazer corar. Puxei a revista das mãos dele e me sentei ao lado da rocha, sabia que ele se sentaria ao meu lado, mas me recompus o máximo que pude. Não demorou muito para sentir sua presença próxima a mim.
Olhei para ele e pela primeira vez naquele ano, não vi um único arranhão, sendo sua expressão calma e tranquila. Sorri, e quando o mesmo se virou para mim, abaixei o rosto depressa. Ouvi sua voz.
-Então, quando vai ser?
-O que? – levantei o rosto depressa, temendo ter ouvido errado.
-A nossa visita a Benjamin Brooke, quando vai ser?
-Ah. Que tal nas férias? – respondi.
Se concentre! Ordenei a mim mesma.
-Como quiser. Fico imaginando a desculpa que vou inventar para meu pai. Alguma ideia?
-Hum... Que tal: Pai, tenho um amigo com sarapintose na Cleveland Street, ele me disse que se não deixar-me visita-lo, vai passar a doença para mim. - brinquei.
Malfoy soltou uma risada.
-Você está com sarapintose?
-Não, mas peguei um forte resfriado e ainda posso passar para você, se me deixar plantada em frente ao parque no dia 26 de agosto.
- Já escolheu a data, pelo visto. – disse Malfoy, inclinando a cabeça para o lado.
Suas mãos estavam agora apoiadas no chão, logo atrás de si e seus olhos me analisavam. Algum tempo depois e o vi se aproximar e tocar meu queixo com uma das mãos, puxando de leve meu rosto. Mas obriguei-me a afastá-lo. Logo após tal ato corajoso de minha parte e podia ouvir meu próprio coração.
Malfoy era realmente insistente e sua insistência acabava com meu estado emocional aos poucos. Ele nunca demonstrou algo a mais por mim, mas nos últimos dias parecia sempre esperar um pouco mais de mim e me sentia idiota por não saber o que se passava por sua cabeça. A única coisa que sabia fazer era ficar na defensiva.
Patético, Rose Weasley.
Ouvir um pigarro a minha frente e olhei diretamente para esta direção. O que encontrei foi um uniforme perfeito e um par de canelas brancas e finas, pertencentes a alguém que não queria ver naquele momento ou em momento nenhum. Levantei o rosto e dei de cara com Zoe olhando para mim e Malfoy tediosamente. Mal havia notado que o garoto havia ficado em silêncio por um momento e agora entendia o motivo.
-Olá Weasley. Desculpe incomodar. – deu um sorriso falso e seus dentes extremamente brancos quase me cegaram.
Não respondi e notei que Malfoy havia se levantado sem que eu percebesse. Não querendo ficar abandonada sentada naquele chão pedregoso, me levantei igualmente. Enquanto tirava algumas poucas gramíneas da saia, vi Zoe praticamente se jogar sobre o braço de Malfoy e franzi o cenho para aquela cena. E quanto a Brandom?
-Preciso de sua ajuda Scorpius. – começou ela, com a cabeça sobre a curva do pescoço do loiro.
-O que quer Black? – respondeu tão entediado, quanto Zoe estivera anteriormente.
-Oliver está destruindo o Salão Principal novamente. Você precisa pará-lo.
-Não sou monitor.
-Ora, vamos Scorpius. – disse ela, grudando-se mais ao braço de Scorpius. – Aquela criança só obedece a você.
Scorpius suspirou e dando um aceno de mão para mim, saiu junto a Zoe. Sabia que ela havia feito isso de propósito, pois qualquer pessoa que andasse do Salão Principal até uma rocha próximo a casa de Hagrid encontraria no hall de entrada ou nos jardins alguém que a ajudasse. Porém, seu objetivo não era nenhum deles e sim Scorpius. Ao pensar nisso, segurei a barra de minha saia com força e pela primeira vez, me vi competindo com Zoe em algo e tendo as mesmas chances que ela, como jamais tivera na vida.
N/A: Uma boa leitura à todos e me desculpem pela demora, mas meu computador pegou vírus e meu semestre escolar está realmente puxado. Espero que gostem do capítulo e lhes desejo Feliz Páscoa!