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6. CAPÍTULO VI


Fic: Lorde do Deserto - UA - HH


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Viviane: é muito bom saber q vc está gostando...
isabella rodrigues: bem, qto aos mistérios, boa parte será revelada agora...
mas ainda tem muuuuuuuita coisa pra acontecer..
entaum... atendendo ao pedido de vcs duas...
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Harry parecia apreciar a companhia de Hermione tanto quanto ela apreciava a dele, porque descobriu todos os ti¬pos de atividades que podiam partilhar. Assim ocorreu nos quatro dias que se seguiram. Sem tomar tudo óbvio, Harry certificou-se de que Hermione fosse vigiada a cada passo que davam, mesmo quando não a estava acompanhando. Ela passava um bom tempo na piscina do hotel e no jardim e ele cumpria compromissos comerciais com agentes estran¬geiros, quando não passeavam pelos pontos turísticos da ci¬dade. Partilhavam pelo menos uma das refeições, às vezes ambas. Quanto mais a conhecia, mais gostava dela. Hermione era profundamente honesta com ele e o fato de não conhe¬cer sua verdadeira identidade o deixava confiante de que ela não estava representando. Era uma experiência nova, ser julgado pela aparência apenas. Então recordou a compai¬xão inesperada de Brianne e a realidade caiu sobre ele. Era desonesto deixar que Hermione esperasse um relacionamen¬to normal, quando ele sabia que não poderia ser assim. Mas começava a nutrir dúvidas sobre isso.
À medida que os dias passavam, aprendeu que sua reação física inicial não era falsa, Cada vez que ela o tocava, ficava excitado, para sua consternação e deleite. Ela era ino¬cente demais para perceber. E, naturalmente, nunca a dei-xava chegar perto o suficiente para arriscar ser descoberto. Andava de mãos dadas com Hermione mas não avançava mais do que isso, para frustração dela. Apreciava o jeito atrevido como ela o provocava, ainda que inocente, e a óbvia atração que sentia por ele. Não queria arriscar-se a assustá-la. Não pelo menos até saber o que Hermione escolheria. Ela se tornara essencial em sua vida.
Vários dias mais tarde, Hermione estava sentada à beira da piscina, de maio vermelho e óculos escuros, quando uma sombra obscureceu seu pedaço de sol. Abriu os olhos e de¬parou com Harry, elegante em seu terno, mais sombrio que de hábito.
Tirou os óculos e corou ante o olhar que ele lançou a seu corpo. Os olhos estreitaram-se ao deparar com os seios fir¬mes, antes de seguir até as pernas longas e bem-feitas. Hermione sentiu um arrepio delicioso percorrer seu corpo.
As reações que ela demonstrava eram novas e excitantes para um homem que estivera morto da cintura para baixo por tantos anos. Estava ficando viciado nos breves momen¬tos de prazer que tinha quando estava com ela. Também se tornava curioso sobre o tempo que era possível prolongar e manter a ereção na cama, uma curiosidade que ele não ou¬sava satisfazer. Não por enquanto, pelo menos.
— Venha comigo, Hermione. Adiei a conversa enquanto foi possível. Agora não é mais — disse ele. — Venha, preci¬samos conversar.
Inclinou-se e segurou uma das mãos dela, puxando-a em sua direção. Pegou a saída de banho e entregou-a para que ela vestisse. Hermione acompanhou-o através de uma esca¬daria de mármore que conduzia a um pátio elevado sobre a piscina, sombreado por árvores altas. Sentaram-se nas ca¬deiras de ferro trabalhado e em pouco tempo um dos gar¬çons apareceu para anotar os pedidos. Harry pediu um coquetel de rum para cada um.
Hermione sabia que seu tempo no Marrocos estava para terminar, em mais alguns dias partiria para o Quawi, e Harry partiria para casa, onde quer que fosse a casa dele. O pensamento de deixá-lo provocava-lhe um sentimento de vazio. Era estranho que em tão pouco tempo ele se tornasse essencial para sua felicidade.
— Não bebo... — começou ela.
— Acho que vai querer um gole depois de escutar o que tenho para dizer — afirmou ele, retirando uma cigarrilha turca do bolso. — Importa-se?
Hermione meneou a cabeça. Era a primeira vez que ele fumava. Obviamente sentia-se nervoso.
Não disseram nada até que o garçom trouxesse as bebi¬das e se afastasse.
— É uma pina colada. Tem pouco rum. Prove — convidou ele.
Foi o que ela fez, franzindo o nariz ao gosto do álcool. Harry sorriu.
— Quanto mais você bebe, melhor fica — disse ele, dan¬do um longo gole em seu copo.
— Sobre o que vamos conversar?
— Sobre mim. Já é hora de ser honesto com você — afir¬mou ele, a expressão séria. — A despeito da minha vonta¬de própria, não quero dar nenhuma falsa expectativa sobre um relacionamento comigo.
— Harry! — espantou-se ela, corando.
— Isso é muito mais difícil para mim do que você pode imaginar. Por favor, deixe-me terminar antes de dizer algu¬ma coisa. Nove anos atrás, quando eu estava na Palestina numa viagem de negócios, pisei numa mina enterrada, uma sobra dos conflitos regionais. Desde então, Não tenho sido mais... um homem.
Aquilo não correspondia exatamente à verdade, porém não ousava relatar suas suspeitas a ela por enquanto. Teria de conquistar a confiança dela antes de se aventurar num relacionamento físico. Além disso, queria ver como ela rea¬giria a um homem totalmente impotente.
Hermione sentiu seus sonhos desmoronando. Começou a fazer associações. As cicatrizes na mão esquerda, no rosto... Fora um acidente. Um acidente que o inutilizava como homem. Tomou um longo gole de sua bebida e engasgou. Sen¬tia o coração pesado.
Os olhos de Harry estavam perdidos no interior do pró¬prio copo. Afinal, o que esperara? Ainda se lembrava da rea¬ção bondosa e cheia de piedade, estremecendo de repulsa.
Repentinamente sentiu um toque tão macio em sua mão fria, a acariciar as cicatrizes. Abriu os olhos e viu os dedos dela como um bálsamo contra o dorso de sua mão, os olhos castanhos cheios de compaixão.
— Sempre me perguntei por que você não era casado. Quer dizer, afinal você é um homem bonito, sofisticado e charmoso. Perguntei-me mais de uma vez por que você olhou para alguém tão simplória e desinteressante como eu.
— Simplória? Desinteressante? — repetiu ele, genuina¬mente surpreso.
— Não valho muita coisa — afirmou Hermione, dando de ombros. — Então, pensei que o fato de me carregar por aí com você fosse por causa da solidão. Eu estava por perto. Foi à única forma de explicar para mim mesma o fato de você continuar saindo comigo.
Ele ficou aliviado. Como imaginara a princípio, ela não fugiria. Tinha coragem.
— Você tem uma auto-estima muito baixa.
— Você também. E não devia. Sei que os homens dão muita importância para a potência física, mas está falando com uma pessoa que não conhece coisa alguma sobre pra¬zer sexual. Daryl me acariciou uma ou duas vezes e eu to¬lerei, mas não gostei de verdade. Essa foi à única experiên¬cia real que tive com um homem. Portanto, talvez eu seja frígida, de qualquer forma. Mesmo que não seja, como pos¬so sentir falta de uma coisa que nunca tive? — argumentou ela, encarando-o. — Gosto muito de você. Então... o que im¬porta isso? Quero dizer, sobre sua seqüela.
Harry recostou-se na cadeira, deixando escapar o ar dos pulmões. Tomou o que restava de sua bebida. Encontrava-se absolutamente sem palavras.

— Não precisa me dizer. Enfiei os pés pelas mãos outra vez, não foi? — continuou ela. — Toda vez que falo com você parece que as coisas pioram.
— Nunca conheci alguém como você, Hermione — decla¬rou ele, estreitando os olhos. Subitamente parecia muito mais velho. — Quer dizer que mão acha minha condição... um desafio?
— Mesmo que faltasse um braço ou uma perna, ainda seria você, não? Gosto de ficar perto de você. Sinto-me... segura.
— E está mesmo — comentou ele, com certa amargura.
— Não! Não é isso. Não tenho medo de nada quando estou com você. Embora seja obrigada a admitir que fiquei apavorada quando pensei que ia me seduzir.
— É mesmo? Por quê?
— Porque você teria conseguido — respondeu ela, bai¬xando os olhos.
— Começo a me perguntar sobre isso... Confesso que não esperava aquela reação de sua parte. Imaginei que seu pri¬meiro impulso seria voltar para os Estados Unidos e me esquecer.
— Voltar à minha vida monótona e ao meu emprego de sempre? Se quer saber, não tenho muito pelo que voltar, lá no Texas. A solidão é portátil — afirmou ela, colocando o copo sobre a mesa. — Você disse que vai para o Quawi de tempos em tempos?
Ele cruzou as pernas. Chegara o momento da honestida¬de absoluta. Ela merecia.
— É verdade. Moro lá.
— Você não tinha me contado isso!
— Eu não conhecia você. Queria saber se iria ou não me dizer quem era. Eu sabia que você não era Ginny Grandder.
— Como?
— Tenho uma fotografia dela sobre a minha escrivaninha. Ao lado do currículo — respondeu ele, encarando-a.

Os olhos verdes brilhavam enquanto Harry esperava, com paciência, que ela encaixasse a peça final do quebra-cabeça.
Os olhos de Hermione se arregalaram. Recordou as coisas que escutara sobre o sheik do Quawi. A idade, o fato de ser solteiro, a reputação de estranho...
O fôlego foi expelido de uma só vez ao compreender quem era seu companheiro. Os guarda-costas eram dele. Bojo não era um guia, mas guarda-costas pessoal. Harry não era homem de negócios ou embaixador. Era o sheik rei¬nante do Quawi. Seu novo patrão.
— Mas fui extremamente mal-educada e pouco profissio¬nal — protestou ela.
— Você me agrada muito. Tem a coragem de um fal¬cão caçando e nunca mente. Se eu fosse o homem que era nove anos atrás, você já seria minha em todos os sentidos da palavra.
— Eu?
— Você, sim. Hermione, eu não queria apenas uma se¬cretária experiente quando resolvi contratar uma secre¬tária americana. Agora que sabe a verdade, pode enten¬der meu medo de que comentassem esse tipo de coisa. Um governante em minha posição não pode deixar transpare¬cer suas fraquezas, especialmente uma dessa magnitude. Tive um outro motivo para querer contratar uma pessoa, e ainda tenho. Você pode não querer aceitar as condições, mas preciso explicar quais são.
— O que eu teria de fazer? — indagou ela com simplici¬dade.
Ainda estava chocada com a confissão, que poderia terminar com todas as suas esperanças. Não apenas ele era incapaz de intimidades, mas também era o equivalente a um monarca. Ela era uma garota do Texas que precisava trabalhar. Não existia possibilidade de nada mais íntimo do que amizade naquele frágil relacionamento. Hermione ficou devastada ao perceber quanto ficara desapontada com aquilo. Apesar disso, não podia suportar a idéia de nunca mais vê-lo.
— Você teria de ser surpreendida em situações comprometedoras comigo. Apenas na frente de suas criadas, claro. Jamais me ocorreria deixar que algum dos guarda-costas ou alguém do meu círculo de amigos vissem alguma intimidade. Você seria a única ocupante do meu harém, representando um papel.
— Fingindo ser sua amante — concluiu ela, arrepiada só em pensar.
— Isso.
Hermione sentiu um calor interno, delicioso. A idéia da boca de Harry sobre a sua deixava seus joelhos fracos. Ele queria criar aparências. Ela o desejava, e começava a compreender isso. Impossível ou não, ele a atraía bastante. Todos os tipos de imagens excitantes formavam-se em sua mente.
— Não tenho idéia sobre como me comportar num harém.
— Nem eu, apesar das sugestões que vemos no cinema. Precisamos aprender juntos.
Um pouco da incerteza afastou-se da expressão dela. Sorriu de volta.
— Certo. Quer dizer que somos ambos iniciantes, e começamos do mesmo ponto de partida?
— Uma bela forma de colocar o assunto — concordou ele. — Pelo menos sua virtude estaria completamente a salvo comigo.
Era o que ele esperava. Não ousava falar sobre o efeito que os carinhos lhe causavam. Não queria assustá-la.
— Até onde esse fingimento precisa ir?
— Teria de ser convincente. Só isso.
— Você iria me beijar... e daí por diante? — quis saber Hermione, baixando os olhos.
— Isso. Especialmente daí por diante.
— E faríamos as refeições juntos, eu suponho?
Ele fez um gesto afirmativo.
— Iríamos a lugares juntos... Não. As mulheres não apa¬recem em público com os homens nesta parte do mundo.
— Eu governo o Quawi. As mulheres votam e são finan¬ceiramente independentes dos homens. As mulheres mu¬çulmanas que usam o iújab e a aba assim o fazem por desejo próprio, sem a menor coerção do governo. Tenho mulheres ministras em meu gabinete, e muitas das novas empresas que abriram filiais no Quawi contratam mulheres executi¬vas. Quanto à minha vida particular... sou o sheik. Faço minhas próprias regras. Poderíamos sair e ir aonde você quisesse. Até mesmo velejar... Tenho um iate.
— Adoro barcos — disse ela, entusiasmada.
— Já esteve num veleiro?
Hermione riu.
— Bem, ainda não. Mas parece muito excitante.
— Nesse caso, faremos um cruzeiro — decidiu ele. De¬pois encarou-a. — Não se importa com a idéia de ser mani¬pulada por um homem nas minhas condições?
— Não, claro que não. Acho que seria realmente excitan¬te. E eu seria a única mulher no harém. Imagine só o que pensariam de mim. Iriam achar que valho por dez.
— Você me acha atraente? — indagou ele, rindo.
— Muito — disse ela, sem hesitar.
Harry não cabia em si de contentamento, jamais po¬deria ter imaginado a reação de Hermione à sua proposta. Sentia-se quase um homem inteiro outra vez.
Segurou a mão dela do outro lado da mesa, entrelaçando os dedos.
— Uma coisa que posso prometer é satisfação. Ainda que não seja da forma convencional.
Ela sorriu, levemente confusa. Não tinha a menor idéia ao que ele se referia, mas imaginava que também seria excitante.
— Bem, acho que será um emprego bastante satisfatório — continuou ele. — Espero que não se importe em sair de Tanger pela manhã.
— Assim tão cedo? Por quê?
— Lembra-se do telefonema que Bojo recebeu pouco antes de nos separarmos, alguns dias atrás?
— Lembro.
— Era um dos contatos dele. Meu maior inimigo comprou sua fuga da cadeia, na Rússia, e provavelmente está, neste momento, planejando um ataque contra mim. Na verdade é bem provável que os homens que tentaram me seqüestrar em Asilah naquele dia fossem os dele, apesar de eu não poder provar nada.
— Por quê?
— Quem você acha que forneceu as provas que o conde¬naram? Eu revelei o envolvimento dele num ataque a uma plataforma de petróleo que resultou num desastre ecológico para uma das repúblicas soviéticas. Ele perdeu tudo o que tinha. Agora está louco para se vingar, e não apenas de mim. Dobrei a segurança ao nosso redor nos últimos qua¬tro dias, mas é apenas uma questão de tempo até Kurt Brauer nos encontrar aqui. Precisamos sair do Marrocos e voltar para o Quawi, onde tenho pessoal suficiente para proteger você.
— Acha mesmo que esse Brauer iria me machucar?
— Com certeza. Ele machucaria qualquer pessoa ligada a mim, de qualquer forma que conseguisse. Ele é assim.
— Você tem muitos inimigos desse tipo? — quis saber Hermione.
— Não muitos, felizmente para nós dois — respondeu ele. — Você pode vir a lamentar ter concordado com esse trabalho, Hermione. Se a natureza dele a deixa pouco confortável, pode recuar se quiser, mas tem de ser logo. Uma vez que vá até o Quawi... precisa ficar lá.
Ela pensou em ser abraçada e tocada como um amante faria. Seu coração disparou.
— Não quero recuar. E não tenho medo de seus inimi¬gos. Fico ao seu lado, não importa o que aconteça — decla¬rou ela, com fervor.
— Eu sabia que você tinha coragem. Que seja, então. Deixamos o futuro nas mãos do destino.
— Nas mãos do destino... — concordou ela, sorrindo. A grande aventura de sua vida estava para começar.
Hermione aguardava no saguão na manhã seguinte quando seu novo patrão apareceu com Bojo para levá-la ao aeroporto.
— Algo me ocorreu — disse ela, enquanto se dirigiam para a limusine, dirigida pelo sorridente Mustafá.
— O quê?
Os dois entraram e acomodaram-se, deixando Bojo sentado no banco da frente.
— Harry é mesmo seu nome, não é?
— Na verdade, é um deles. Mas sou conhecido como Harry nos outros países — explicou ele.
— Harry — repetiu ela, como se recitasse um poema. — E Souveraín?
Ele sorriu.
— É a palavra francesa para "soberano". É o que sou. E também tenho sangue francês, assim como turco e árabe. Meu verdadeiro sobrenome é Potter. Achei melhor manter minha identidade secreta até conhecer você melhor.
— Fui tão ingênua...
— Você foi, e é, absolutamente deliciosa. Fez com que eu ficasse envergonhado da minha farsa, especialmente depois de ser tão honesta sobre si mesma, desde o início.
— Detesto mentiras — afirmou ela, com simplicidade.
— Eu também, mas precisamos, de vez em quando, pregar pequenas mentiras.
Hermione usava uma blusa de seda com mangas compridas, sobre um vestido marrom que ressaltava a cor de seus olhos.
— Não está com calor? — quis saber Harry.
— Para dizer a verdade, estou, mas os folhetos de turismo dizem que as pessoas por aqui beliscam braços nus.
— Não precisa mais ler folhetos de agências de turismo. Pergunte a um nativo local.
— Você nasceu aqui no Marrocos?
— Pude parecer estranho, mas nunca soube exatamente onde nasci. Boa parte da minha infância é só um borrão na memória.
— Por quê?
— Cresci como mendigo em Bagdá — disse ele, com certa amargura. — Estava desnutrido quando meu pai foi ao Iraque, supostamente numa visita oficial, e seguiu minha pista até uma velha enfermeira que cuidava de mim... — ele hesitou. — Ela me usava para pedir comida. Essa enfermeira fora serva de minha mãe, que fugiu comigo quando minha mãe desapareceu. Tinha medo que meu pai me castigasse pelos erros de minha mãe.
— Puxa, o que sua mãe fez de tão terrível? — quis saber Hermione.
— Ela dormiu com pelo menos dois guardas do palácio. Naquela época, a penalidade por adultério de uma mulher muçulmana era a morte. Minha mãe saiu do país.
— Devo crer que seu pai tinha um harém?
— Meu pai é cristão. Tinha uma esposa, e a despeito de suas religiões diferentes, ele era fiel a ela. Uma mulher muçulmana não pode se casar com alguém de outra religião. Porém minha mãe não se preocupava muito com questões religiosas, ou de moralidade. Mais de uma vez meu pai e eu nos torturamos com a dúvida sobre se eu era mesmo filho dele. Nenhum de nós teve a coragem de fazer os testes sanguíneos necessários — concluiu ele, com certa amargura.
— Desculpe. Não tive intenção de trazer um assunto desagradável.
— Já reparei isso nos americanos — comentou ele. — Como nação, parecem estar obcecados por sexo.
— Não olhe para mim — murmurou ela. — Eu não sou assim.
— Sei disso. A pureza é um bem valorizado nesta parte do mundo, tanto para homens quanto para mulheres. Acreditamos que as idéias ocidentais sobre moralidade são corruptas.
Beijou-lhe a palma da mão, e Hermione deslizou mais para perto, aproveitando que o motorista e o guarda-costas esta¬vam entretidos em conversar.
Ele se voltou, de forma que o joelho tocou as pernas dela. Os olhos de ambos se encontraram.
— Você me afeta de uma forma estranha — murmurou Harry.
— Foi por isso que me afastou naquele dia?
A mão esguia penetrou nos cabelos dela e puxou a ore¬lha para mais perto dos lábios.
— Empurrei você porque me excitou visivelmente. Há nove anos eu não tinha uma sensação tão intensa com ne¬nhuma mulher.
Hermione sentiu o coração bater mais forte, talvez forte demais. Inconscientemente, uma de suas mãos apoiou-se na camisa branca, sentindo a tepidez da pele embaixo. Ele a desejava!
Harry recuou um pouco para poder observar os olhos castanhos. Sentiu que eles se dilatavam, percebeu cada pulsa¬ção forte nela. Dois pontos proeminentes se sobressaiam, delineados pela blusa de algodão.
Ela o encarava com desejo mal-contido e um orgulho enor¬me por ter conseguido o que outras mulheres não consegui¬ram. Estava tremendo com novas e deliciosas sensações.
Com a ponta dos dedos Harry acariciava-lhe os cabe¬los próximos à nuca e o lóbulo da orelha.
— Você disse que ele acariciou você...
— Ele tocou nos meus seios... mas foi por cima da blusa — sussurrou ela, com voz trêmula. — Por baixo, nunca. Eu odiava quando ele me tocava.
As mãos dela passavam pelo tecido, sentindo a textura sob a camisa. Imaginou que ele teria pêlos no peito.
— Mas gostaria muito que você me tocasse... — conti¬nuou ela.
Ele puxou o rosto de Hermione contra seu pescoço, abra¬çando-a, enquanto procurava recuperar o controle. O corpo latejava. Latejava! Ele mal respirava. Sua mão contraiu-se atrás da cabeça dela e pressionou-lhe o rosto contra o peito, onde os dedos o tocavam.
Hermione gemeu baixinho e ele respirou forte na orelha delicada. Malditos fossem os seguranças, a limusine e o povo na rua ao redor do carro com as janelas abertas... Ele a desejava!
— Sente-se direito. Agora! — disse Harry, com voz rouca.
Afastou-a com delicadeza, olhando deliberadamente para a janela oposta. Cerrou o punho para controlar-se.
Hermione arfava. Porém, dessa vez sabia por que ele a afastara. Olhou abaixo do cinto, onde o paletó ficava aberto. Podia ser ingênua e inocente, mas sabia, por suas leituras, qual a aparência de um homem excitado. E Harry parecia definitivamente excitado. Teve vontade de cantar de alegria, por saber que tinha feito aquilo a ele, quando nenhuma outra mulher conseguira, em nove anos.
A dúvida penetrou por um instante em sua mente, imaginando que ele forjara aquela história de impotência. Pensou um pouco, depois percebeu que não teria feito aquilo. O choque e a novidade da situação estavam estampados no rosto dele, na força com que cerrava os punhos. Sentiu orgulho da própria feminilidade. Tinha um sentimento de ser inadequa¬da desde a época de Daryl. Agora sabia que não se tratava de não ser atraente. Harry a desejava. De verdade.
Imaginou-se deitada sobre ele com o corpo nu. Seria o céu se ele a tocasse.
Esticou a mão e com delicadeza cobriu o punho cerrado de Harry, que percebeu imediatamente e entrelaçou os dedos nos dela. Voltou à cabeça, e os olhos verdes transmi¬tiram sensações ardentes.
Nesse instante, Hermione percebeu que o amava.
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Continua...

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