FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout  
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
 

(Pesquisar fics e autores/leitores)

 


 

ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

::Menu da Fic::

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo


Capítulo muito poluído com formatação? Tente a versão clean aqui.


______________________________
Visualizando o capítulo:

5. Lidando com a dor


Fic: Secret Harmony


Fonte: 10 12 14 16 18 20
______________________________

            Ele caiu de joelhos, mas uma vez na mesma noite, os punhos ligeiramente trêmulos contra o chão de rochas escuras e frígidas. Ofegante, coração acelerado o rosto completamente pálido, coberto por uma fina camada de suor, um suor tão frio como os olhos negros que o encaravam energicamente.


            Trincando os dentes, tentou inutilmente controlar o temperamento furioso que crescia dentro de si. Fechou os olhos com força, obrigando-se a levantar. Seu corpo inteiro protestava, sua mente latejava, agredida por uma centena de emoções vis.


            Aquela voz desesperada, implorando a Voldemort pela vida de seu filho, ainda ecoando em seus ouvidos... Ele odiava a si mesmo por ser tão fraco. Mais uma vez. Decidiu ele, engoliu em seco, antes de abrir os olhos em direção à seu professor de poções.


"Mais uma vez!"


            Pede ele, mal prestando atenção ao olhar repreensivo de Snape.


"Seu desempenho está ficando patético, Potter!"


            A voz arrastada e arrogante do mestre de poções soou como uma maldição, naquela saleta sombria nas masmorras sonserinas. Harry respirou fundo. Ficando de pé, apesar de suas pernas mal suportarem o peso do seu corpo.


"Estou me esforçando!"


            Responde o grifinório entre dentes.


"Não foi o que me pareceu! Sua resistência é tão miserável quanto seu atual estado garoto!"


            Anuncia rispidamente o chefe sonserino, estreitando os olhos em sua direção, o mirando de cima abaixo com desgosto.


"Eu já disse que estou me esforçando!"


            Repetiu num silvio furioso, Harry.


"Não está se esforçando o bastante!"


            Rebate Snape furiosamente.


"Se não tem interesse em aprender oclumência, então sugiro que nos poupe desses encontros desagradáveis e não me faça perder tempo com um inútil como você, Potter!"


            Emenda ele, sem deixar Harry responder. Simplesmente virou as costas para o garoto e fez um breve sinal com a mão em direção a porta, indicando que a sessão de "tortura" tinha chegado ao fim, mesmo que de forma prematura.


            Deixando as masmorras a passos largos, sem se importar em esconder-se sobre a capa da invisibilidade. Já se passava do horário de recolher e Filch estaria rondando os corredores atrás de algum aluno desobediente fora de seus respectivos salões comunais. Ignorando a própria sorte, ele seguiu cegamente em direção à torre grifinória.


            Vinte e três dias se passaram... e chagava mais um fim de semana que Harry daria por perdido. Seus ombros estavam baixos, os olhos escurecidos pelas olheiras profundas... Por mais que se esforçasse, ele não conseguia se concentrar o bastante. Não dormia, mal conseguia comer. Ele estava em frangalhos.


            Fazia dias que não falava com Ron, ou qualquer um dos Weasley novamente. Dias que se isolava de tudo e de todos... Consumindo-se por uma culpa silenciosa. As conversas constantes com Dumbledore. O apoio da professora McGonagall, ou, as cartas preocupadas de Sírius...


            Nada nem ninguém parecia conseguir ajudá-lo. Os artigos de Rita Skeeter no Profeta Diário, serviam apenas como um lembrete de que o tão aclamado menino-que-sobreviveu, carregava a maldição da morte. Qualquer um que fosse importante para ele arriscava perder sua vida nessa guerra desleal contra Voldemort.


            Somente uma pessoa se recusava a deixá-lo sozinho, e esta pessoa, era a única que ele não conseguiria afastar de si.


"Não adianta fugir! Eu não vou te deixar sozinho!"


            Bradava ela o puxando pela manga de suas vestes assim que ele tentou despistá-la na saída da aula de poções.


"Hermione eu só quero um tempo longe de tudo para pensar ok?"


            Rebate ele secamente puxando o braço para longe dela.


"Não minta para mim!"


            Acusou ela furiosa, mal se importando se algum professor os encontrasse a discutir com Harry a plenos pulmões. A determinação em sua voz e a proximidade que seu corpo se encontrava ao dele, obrigou o moreno a encará-la nos olhos.


            Os dois permaneceram em um silêncio desconfortável por breves minutos enquanto, presos nos olhares teimosos um do outro. E apenas quando os últimos alunos deixavam a sala de poções e esvaziavam os corredores sombrios das masmorras sonserinas Hermione voltou a falar.


"A única coisa que tem feito até agora é se lamentar por uma culpa que não é sua, Harry! Está ignorando todos que se importam com você!"


            Continua a monitora estreitando os olhos severamente diante de um Harry muito perturbado por se permitir encurralar por ela assim.


"Ignorando? Eu não estou ignorando ninguém Hermione!"


            Responde ele com raiva.


"Então o que está fazendo com Sírius, professor Lupin, os Weasley e o professor Dumbledore?"


            Desafia ela cruzando os braços e levantando uma sobrancelha enfurecendo o grifinório. Ela sabia que Harry odiava ser pressionado desta forma, no entanto, não encontrava outra maneira de fazê-lo parar de fugir.


            Harry simplesmente se recusava a conversar com qualquer pessoa desde o funeral do Sr. Weasley e isso preocupava demais a ela. Mesmo a professora McGonagall lhe pediu para ajudá-lo.


"Não tenho mais paciência para fingir que estou bem! E os Weasley não querem mais falar comigo!"


            Responde amargamente Harry desviando os olhos da figura de Hermione. Olhar para ela, estar perto dela era uma tortura perigosa demais para ele. Precisava mantê-la longe dele... Não se perdoaria se acontecesse com ela o que aconteceu a Rony...


            Ele não suportaria se Hermione o odiasse da mesma forma que Ron agora fazia. Mas, era inútil escapar dela. Tão teimosa e geniosa, seria impossível despistá-la sem esperar ser colocado contra a parede logo em seguida.


            Mas, Hermione não recusou apesar da forma rude que ele a tratava desde então. Ela simplesmente o surpreendia a cada pequena oportunidade, deixando claro que não estava sozinho.


"VOCÊ NÃO TEM QUE FINGIR QUE ESTÁ BEM! Ao menos, não para Sírius u professor Lupin! E somente o Rony não está falando com você!"


            Corrige Hermione seriamente dando um passo em direção ao moreno que se afasta prontamente. Ela abre a boca momentaneamente para essa reação, sentindo o coração apertar dolorosamente dentro do peito.


"Ele não é o único a me culpar por isso e você sabe! Como se sentiria sabendo que seus pais se tornaram um alvo por andar do lado de 'Harry Potter'???"


            Diz Harry sarcasticamente escorando-se displicente contra as paredes frias e jogando a cabeça para trás, para logo em seguida, esfregar os olhos por baixo dos óculos com ambas as mãos, evidenciando o cansaço em seus ombros e a palidez de seu rosto.


            Hermione prendeu a respiração por poucos segundos antes de responder. amaldiçoando mentalmente as palavras de Rony naquela noite. Estava bastante claro que todo esse comportamento do grifinório era uma tentativa desesperada de não chamar a atenção de Voldemort para seus amigos.


"Não use essa desculpa comigo Harry! Não percebe o quanto está machucando a si mesmo e aos nossos amigos???"


            Exige ela furiosamente apontando um dedo altivo em sua direção.


"Meus pais seriam alvo de você-sabe-quem independente de estar ou não namorando... de ser ou não sua amiga!"


            Corrige-se repentinamente a garota fechando os olhos com força. Seu rosto ligeiramente corado ao recordar na natureza secreta de sua relação com Harry, Mas, nos ultimos dias, ela já não mais saberia definir o que os dois possuíam.


            Afinal, o moreno se afastou de tal forma, que Hermione não poderia afirmar com certeza se ele ainda desejava ficar com ela. O grifinório pareceu perceber a confusão na declaração dela e devolveu-lhe uma expressão severa.


"Meus sentimentos por você tornam tudo mais perigoso ainda Hermione! Eu tenho que destruir o senhor das trevas esse é o meu destino!"


            Diz ele em um tom de voz sombrio, mas sem desviar os incríveis olhos verdes do rosto corado da grifinória.


"Você não poderia passar por isso sem a minha ajuda Harry! E sinceramente...está me insultando desta forma! Eu não tenho que ser protegida, estou aqui para LUTAR do seu lado como eu SEMPRE fiz! Harry... Por favor, não me deixe ficar para trás!"


            Articula a monitora estendendo os braços em sua direção com os olhos castanhos, nevoados pelas lágrimas que ela reusava a deixar cair. Harry hesitou, sabia que estaria colocando Hermione em uma posição de risco inimaginável...


            Mas, bastou olhar em seus olhos para perceber que cada palavra que ela disse... Descreviam a mais absoluta verdade. Ele não conseguiria sem ela... ele não poderia respirar sem Hermione ao seu lado.


            Sem pensar duas vezes, ele a puxou para si, enterrando seu rosto nos cabelos castanhos da sua namorada e envolvendo ferozmente seus braços ao redor da cintura da grifinória.


"Eu não sei o que eu fiz para merecer você!"


Diz ele antes de distribuir uma trilha de beijinhos em seu pescoço desesperadamente, na tentativa de apagar os pensamentos cruéis em sua cabeça.


 


            Ele virou mai um corredor, ignorando as armaduras e pinturas pelo caminho. Seus pensamentos voltaram-se para Hermione. A grifinória seguia ao seu lado sem hesitar. Segurava sua mão todas as manhãs no grande salão quando as corujas traziam uma nova edição do Profeta Diário e seus artigos infames.


            Era ela que corrigia e, muitas vezes, fazia suas atividades enquanto ele sofria em suas sessões de oclumência com Snape. Ela pacientemente o ouvia narrar as memórias dolorosas da morte da sua mãe... e também cobria suas "fugas" da sala de aula.


            Mais uma manhã no salão comunal. Os irmãos Weasley ainda não haviam retornado para a escola de magia, deixando a mesa grfinória em um silêncio solidário ao luto da família de ruivos.


            Dean parecia abatido, nenhuma de suas cartas era respondida por Gina. Katie e Angelina estavam em semelhante estado, preocupadas com os gêmeos. Lavender choramingava a cada segundo pela perda de seu adorado Won Won.


            O diretor declarou luto. Ao seu lado, Snape permanecia impassível na mesa dos professores, para fúria de Harry. Aquele maldito bastardo não sentia culpa pelo que fez? Se não tivesse interrompido sua reunião com Dumbledore, a Ordem poderia ter chegado a tempo no Ministério e salvo ao Sr. Weasley.


            Hermione sentava-se ao seu lado, sem dizer uma única palavra. Trocava um sorriso triste com ele, e seus olhos o procuravam com uma pergunta suave "você está bem?". O moreno, no entanto, não conseguia responder, desviava o olhar em direção ao seu prato de comida, intocado, sem sentir ânimo suficiente até para beber um suo de abóbora.


            Teria como ficar pior? Pensava ele amargamente, quando um em número de corujas invadiu o pacífico grande salão trazendo suas cópias do Profeta Diário. Ele não teria dado muita importância se murmúrios agitados e olhares desconfiados em sua direção, não tivessem começado logo em seguida.


            Ao seu lado Hermione engasgou com o café, largando o jornal na mesa com os olhos amplos em terror. Preocupado ele tomou a cópia da monitora e leu.


A HISTÓRIA SE REPETE, MENINO QUE SOBREVIVEU PERDE MAIS UMA FAMÍLIA - Por Rita Skeeteer.


            O garoto estreitou os olhos e suas mãos esmagavam as folhas impressas com uma fúria arrebatadora. Sua respiração perdia o ritmo, seus dentes trincavam dolorosamente, uns contra os outros, seu corpo tremia pela raiva.


            Ele teria se levantado e deixado o grande salão a passos largos, se não fosse pela mão de Hermione ter seguido, sorrateira até seu braço o obrigando a ficar.


"Por favor, Harry! Não deixe que essa mulher o atinja novamente! Nós dois sabemos que Skeeter não vale nada!"


            Murmurou ela em seu ouvido, percebendo a respiração de Harry relaxar aos pouquinhos. Ele lançou um olhar magoado e ao mesmo tempo triste para ela, baixando as mãos em punhos ao seu lado na cadeira e ela rapidamente entrelaçou seus dedos aos dele em apoio silencioso.


............//.............


"Onde está o senhor Potter? É a terceira vez essa semana que desaparece da minha aula"


            Questionava desconfiado o professor Flitwick para Hermione que com um meio sorriso forçado o respondeu:


"Harry não... não estava se sentindo muito bem professor, ele foi para a enfermaria esta manhã, mas eu vou lhe passar minhas anotações para que ele possa revisar os OLW's!!!"


            Garante a grifinória engolindo em seco pelo olhar penetrante do seu professor de encantos. No entanto, ponderando com mais tranquilidade, o professor acena com a cabeça, certo de que a monitora trataria de colocar Potter na linha novamente.


            Os lufa-lufa, olhavam perplexos para a grifinória. Ela acabara de mentir para acobertar o comportamento irresponsável de Harry Potter. E assim que a aula terminou Justin foi o primeiro a questioná-la.


"Hey Granger! Até quando vai continuar inventando mentiras para livrar a cara do Potter?"


            A monitora amplia os olhos furiosa com a afirmação do colega monitor.


"Não estou inventando nada! Harry não está bem e isso é verdade!"


            Defende-se a morena fervorosamente.


"Sei... e usa você para fazer suas lições de história da magia e ensaios de poções... Fala sério Granger... ele provavelmente passa o dia inteiro no campo de quadribol e você fica aqui cobrindo ele!"


            Acusa Justin sarcasticamente.


"O que você quer afinal Justin? Minha amizade com o Harry não é da sua conta!"


            Rebate Hermione se afastando dele.


"Só queria te dar um aviso... Precisa tomar cuidado Granger... um amigo como ele pode custar muito caro a você!"


            Alerta ele deixando a monitora para trás lançando um olhar fulminante em sua direção.


"Um amigo como Harry não tem preço Justin!"


            Murmura ela a si mesma, antes de equilibrar os livros em seus braços e seguir para a próxima aula, sem perceber uma menina baixinha de olhos azuis e cabelos loiros assistindo a tudo de longe.


"Deveria se orgulhar da amiga que tem!"


            Diz a corvinal tranquilamente para (aparentemente) ninguém em especial, apesar de que em algum lugar por perto... Um certo grifinório de óculos redondos, cicatriz na testa e cabelos despenteados ouvia cada palavra sua, por baixo da capa da invisibilidade.


            Hermione o defendia ferozmente dos comentários sarcásticos dos sonserinos. Era ela que o abraçava a cada novo pesadelo que o impedia de dormir durante a noite, mesmo que isso significasse passar a madrugada em claro no salão comunal.


            Ele perdera a conta dos dias que ela estudava em sala de aula, com as marcas de sono sob os olhos adoráveis. A monitora não o repreendia, ou o cobrava ou o julgava como ele imaginou que faria. Claro... No começo ela explodiu furiosamente contra sua decisão de afastar seus amigos, para seu bem... Deixando bem claro em seus próprios termos, que nem mesmo Voldemort a impediria de segui-lo.


            Ele poderia sempre contar com seus abraços apertados para confortá-lo, poderia deitar a cabeça em seu ombro, aspirar o perfume dos seus longos e cacheados cabelos castanhos e deixar o tempo passar em vão.


            Era mais uma madrugada solitária para o grifinório de olhos verdes. Todos os alunos do seu ano estavam dormindo profundamente, se preparando para um dos testes de transfiguração na manhã seguinte. E ele, estava sentado no sofá em frente à lareira... novamente, recusando-se a dormir e lidar com mais uma das visões repugnantes de Voldemort.


            O moreno pegava uma almofada, abraçava contra o corpo e ficava horas a fio, fitando a dança silenciosa e hipnotizante das chamas do fogo, consumindo em calor as pequenas toras de madeira, transformando-as em cinzas num processo lento... quase suave.


            A discussão que teve no escritório de Dumbledore, a interferência de Snape, as acusações de Rony... A certeza da morte do Sr. Weasley, o olhar de aflição nos olhos de Gina, as sombras pairando na luz do bom humor dos gêmeos... As lágrimas da senhora Weasley.


            Era doloroso demais. Harry levou as mãos sobre o rosto, sentindo-se exausto, mentalmente e fisicamente. As cartas de Sírius, empilhadas sobre o canto da mesa, uma xícara de chá deixada por Dobby, intocada a sua frente... ele precisava reagir, precisava enfrentar seus próprios medos algum momento.


            Mas, como? Tudo confundia-se num redemoinho de temores que impediam Harry de fechar os olhos sem sentir-se um monstro como Voldemort. Estava tão perdido em seus pensamentos, que não percebeu alguém se aproximando a passos leves até colocar-se frente a luz frágil da lareira revelando o rosto preocupado de Hermione.


"Harry?"


            Chamou ela mordendo o lábio inferior com indecisão. Ele parecia estar dormindo, e ela não desejava despertá-lo, afinal, há noites que ele não descansava.


"Não se preocupe comigo Hermione, volte para seu quarto!"


            Responde ele sem encará-la. Ela não o obedeceu, mas franziu a testa para sua voz cansada.


"Tendo pesadelos de novo?"


            Foi mais uma afirmação do que uma pergunta. E em segundos ela estava sentada ao lado dele com uma mão pousando sobre sua testa.


"Deveria ter ido até madame Pomfrey pedir uma poção de sono sem sonhos!"


            Repreende ela num sussurro agitado. Harry a fitava sem palavras, quando pensou em responder, já se encontrava sob o toque quente e macio das mãos de Hermione.


            Harry ainda não tinha percebido o quanto sentia falta do toque de sua namorada. Como ele sentia saudades das noites na biblioteca, dos momentos que passava com ela em seus braços, dos beijos apaixonados... quanta falta ele sentia de ser o alvo da atenção daqueles envolventes olhos castanhos.


"Harry?"


            Chamava Hermione com preocupação, era a segunda vez que o chamava e ele ficava somente olhando para ela, como se estivesse imerso em pensamentos.


"Tudo bem! Se você não vai, eu irei!"


            Anuncia ela levantando-se disposta a ir até a enfermaria, ignorando o horário inapropriado para buscar a ajuda da curadora da escola. Harry foi despertado com seu movimento súbito, e quase que por reflexo, sua mão agarrou o pulso de Hermione a obrigando a ficar.


            Os dois trocaram olhares assustados, mas Harry estava determinado a fazê-la desistir da sua ideia. Puxando-a ligeiramente, ela caiu em seu colo corando furiosamente quando ele a envolveu em seus braços possessivamente.


            Lentamente Harry aproximou seu rosto do pescoço de Hermione, aspirando profundamente, levando arrepios por todo o corpo da grifinória. Deixando que o perfume da grifinória dominasse seus sentidos, ele subiu ligeiramente até o ouvido dela murmurando calmamente:


"Não preciso de poção Hermione... eu só preciso de você! Fica aqui quietinha comigo, por favor!"


            Pede ele enquanto Hermione fechava os olhos e tentava em vão controlar as batidas frenéticas do seu coração.


"Harry!"


            Sussurra ela em advertência, sabendo perfeitamente que ele fazia isso para distraí-la de seu objetivo.


"Shhh! Não diga nada, só fica aqui comigo... eu preciso tanto de você!"


            Responde ele espalhando beijos ávidos pelo pescoço de Hermione até encontrar os seus lábios num beijo suave, lento e cheio de carinho.


 


            Harry quase sorriu com a lembrança. Não havia penúria ou lamentação em, seus carinhosos, olhos castanhos. Apenas a preocupação genuína e uma ternura sem igual... Capazes de ir curando, aos pouquinhos, as feridas no coração e na alma atormentada de Harry. Ela o protegia de seus próprios demônios.


            Não estudavam mais juntos. Sempre que ela seguia para a biblioteca, ele ia para o lago negro, ou a torre de astronomia... ou qualquer outro lugar ficar sozinho. No entanto, a grifinória sempre encontrava uma forma de achá-lo e sentaria ao seu lado, com um sorriso suave, ela tiraria um livro qualquer da sua bolsa e fiaria lendo em silêncio absoluto... do lado dele. Tão somente para não deixá-lo na solidão.


            Esses pequenos gestos, significavam mais para o moreno do que qualquer outra coisa. Harry sabia que não poderia levar isso adiante. Em algum momento teria de superar tudo isso e se não pudesse fazê-lo por si mesmo, faria por Hermione. Ela não desistiu dele em nenhum instante...


            Chegando ao salão comunal grifinório, Harry seguiu até o sofá frente à lareira, como já era de costume, antes de subir para seu dormitório. Ele apreciava a calma e o silêncio do salão essas horas da noite. O ajudava a colocar a mente em ordem.


            No entanto, foi com um suspiro profundo que ele encontrou Hermione deitada sobre o sofá, usando seu pijama azul celeste, os cabelos encaracolados caindo displicentes sobre seu colo...


            Ela tinha um livro de runas aberto, caído em suas mãos. Porém, seus olhos estavam fechados e sua respiração suave, fluindo a um ritmo tranquilo. Ele tinha um sorriso no rosto quando a notou dormindo no salão comunal.


            Ela sempre o esperava independente dos das suas tarefas como monitora, ou suas lições intermináveis de aritmância... Ela sempre encontrava tempo para esperar por ele. Ajoelhando-se em frente ao sofá, ele acariciou o rosto delicado da namorada secreta. Inclinando-se ligeiramente para deixar um beijo levemente sobre sua testa.


"Obrigado por ainda estar aqui, Mione!"


            Sussurra ele para ela. Sem desejar acordá-la. Ele permaneceu ali, em silêncio a observando dormir pacificamente...


 


Aquela noite...


 


            O coração pulava batidas freneticamente, a respiração descompassada e o sentimento de terror aumentando a cada degrau que avançavam em direção ao salão comunal.


            Por mais que se concentrasse no ritmo da sua respiração, nada adiantava, era como se tivesse corrido uma maratona da floresta proibida ao interior do castelo, duas vezes seguidas, apesar do ritmo solene de sua caminhada ao lado de Hermione.


            Eles andavam ao lado do outro, em completo e absoluto silêncio, desde o momento que deixaram a biblioteca. Imersos em pensamentos tristes e profundos demais para serem compartilhados.


            Harry não conseguia pensar em uma única forma de contar o que tinha acontecido ao senhor Weasley, para Rony, Gina e os gêmeos sem se sentir completamente culpado e desmerecedor da amizade da família de ruivos.


            As lembranças dos momentos felizes que viveu na Toca ao lado da agitada família Weasley, os almoços com a mesa lotada, os jogos de quadribol, as brincadeiras dos gêmeos, o natal...


            E cada um desses momentos ia passando por sua memória, como um filme, como uma imagem distante, de algo que perdeu e não poderia recuperar jamais. Será que os Weasley voltariam a sorrir depois de perder Arthur?


            Era culpa de Harry? De Voldemort? De Dumbledore por acreditar em Snape e não nele?


            O moreno fechou os olhos com força na tentativa de afastar essas imagens de si. Hermione parecia poder ler seus pensamentos, pois logo entrelaçou seus dedos e apertou forte a mão de Harry, o trazendo de volta à realidade.


            Ele a olhou de lado, agradecendo silenciosamente por ela continuar com ele, por ser sua força, sua âncora. Mordendo o lábio inferior com força, ela concentrou-se em guia-los para os irmãos Weasley, sem saber exatamente o que dizer ou como dizer qualquer coisa.


            Nenhum deles tinha antes, enfrentando algo assim. Quando alcançaram o retrato da mulher gorda na torre Grifinória, os dois trocaram olhares angustiados, mas determinados.


“Eu vou estar do seu lado Harry!”


            Murmurou Hermione e ele apenas acenou com um gesto positivo do rosto, ainda que um pouco hesitante. Um misto insano de raiva, medo, tristeza e dor agitando seu peito como um monstro invisível e incontrolável.


            Respirando pesadamente e enxugando os olhos com a mão livre, Hermione estava tão abalada emocionalmente quanto ele, mas não se permitia fraquejar, não agora quando Harry e os Weasley's precisariam tanto de seu apoio e consolo.


            Mais uma vez, Harry entrelaçou seus dedos aos dela desesperadamente, respirou fundo e murmurou a senha para entrar no salão comunal. A partir daqui, um futuro incerto os aguardaria.


            No sofá vermelho frente à lareira, Rony, Gina, Fred e George estavam sentados, olhando um para o outro desconfortavelmente. Nenhum deles parecia saber o real motivo de serem “convocados” do seu passeio à Hogsmead.


            Enquanto isso, a vice-diretora McGonagall os encarava com um olhar estranho, enigmático e um pouco distante apesar da expressão severa que sempre ostentava nos corredores e salas de aula de Hogwarts.


“Por que estamos aqui?”


            Insistia Rony franzindo a testa ligeiramente em confusão.


“Eu disse que essas apostas só poderiam acabar em problemas!”


            Resmunga Gina estreitando os olhos para os gêmeos que a encaravam escandalizados.


“Eu não sei do que você está falando Gingin!!!”


            Rebate Fred piscando o olho para ela.


“Nós não fizemos nada de errado!”


            Defende-se George indignado. Nesse ponto a professora esfregava as têmporas exaustivamente mantendo a paciência, afinal, a notícia que tinha a dar para os quatro irmão à sua frente não seria um golpe fácil para receber.


“Eu já disse que o que tenho a tratar com vocês é muito sério e não tem nada haver com seu comportamento dentro de Hogwarts!”


            Anuncia ela severamente os silenciando completamente, agora seria a hora. Com os olhos, ela, percebeu a chegada do casal grifinório, e com um aceno positivo de seu rosto, em um movimento quase imperceptível, permitiu que Harry e Hermione seguissem ao lado dos seus amigos entes que começasse a falar.


“Agora que estão todos presentes..."


            Começa McGonagall com um suspiro profundo, conseguindo corajosamente manter os olhos firmes sobre os jovens irmãos Weasley, que por sua vez, a encaravam curiosos e um tanto apreensivos.


            O coração da velha bruxa apertou profundamente. Em todos seus anos, como professora, especialmente durante a guerra, quando muito de seus amados alunos perderam a vida, ela nunca se encontrou em uma circunstancia tão dolorosa como esta...


            Dizer para quatro crianças, quatro inocentes e vibrantes vidas, quatro pequenos leões grifinórios, que a partir de agora não veriam novamente Arthur Weasley, seu adorado e dedicado pai, definitivamente ultrapassava os limites.


            Se perguntando duramente se existia alguma forma "certa" para explicar que um monstro, um bruxo das trevas, um ser desprovido de compaixão, sentido e alma. Teria atacado covardemente o ministério, e que Arthur, honrando o nome Weasley, sacrificou sua vida para salvar muitas outras, aquela mesma manhã?


"Meus caros... Eu... Temo que tenha notícias realmente lamentáveis a dar!”


            Começava com certa dificuldade a vice-diretora, quando foi interrompida por Harry.


"Não professora! Eu tenho que dizer isso a eles!"


            Anuncia Harry não suportando mais a angústia que crescia ferozmente dentro do peito. Ele percebeu a dificuldade da professora de transfiguração e também chefe da casa grifinória, para lidar com essa missão, ela estaria tão abalada quanto eles... enfrentando seu temor, Harry lançou um rápido olhar para McGonagall que o fitava perplexa.


            Ela não sabia o que dizer... O grifinório, estava assumindo um grande responsabilidade ao lidar com a notícia por conta própria. Era um ato corajoso, mas, acima de tudo, um fardo muito pesado para um jovem da sua idade.


            Nesse instante, os quatro irmãos Weasley encaravam Harry impressionados. Ginny franzia a testa, Fred e George ficaram completamente sérios, Rony olhava de Harry a vice-diretora perturbado enquanto a seu lado, Hermione empalideceu consideravelmente.


"Não... não tem um jeito fácil de dizer isso!"


            Começa ele com a cabeça baixa, fechando as mãos em punhos, respirando profusamente, como se o esforço para falar consumisse todas as suas forças. McGonagall ofegou. Há quanto tempo ele estava se preparando para assumir seu lugar e contar aos Weasley tudo o que viu?


"Mas, eu devo... Sou eu que devo contar isso a vocês!"


            Harry finalmente levantou o rosto para encarar seus amigos.


"Contar o que Harry?"


            Questiona Gina com preocupação.


"Esta manhã... quando eu não estava aqui... porque estava sofrendo com mais uma das visões com Voldemort! Foi algo tão desesperador e verdadeiro que eu... eu estava preso na mente dele por sabe-se lá quanto tempo, sozinho o corujal... quando Malfoy me encontrou!"


            Explica agitadamente o grifinório ignorando os suspiros amedrontados dos seus amigos e professora com a menção ao nome de Voldemort.


"O que o Malfoy fez, Harry???"


            Questiona furiosamente Rony, para ser interrompido novamente por Harry.


"Eu não podia ficar parado na enfermaria enquanto aquelas visões se repetiam na minha cabeça, eram intermináveis, insuportavelmente cruéis e... tão abominável! Fui até o professor Dumbledore, eu tente avisar! Eu juro que fiz tudo o que eu podia... Ron você precisa acreditar em mim! Eu só conseguia ver o que ele fazia, mas ninguém acreditava em mim até que fosse tarde demais!"


            Desespera-se o moreno voltando-se ao seu melhor amigo que o encarava completamente atordoado. McGonagall cobria a boca com uma das mãos em uma expressão tão chocada quanto comovida.


            Hermione segurava as lágrimas apertando uma das almofadas da poltrona com força. Os gêmeos não encontravam palavras e Gina tinha os olhos amplos em temor. No entanto, Harry continuou.


"Eu sinto muito! Eu... eu sinto muito! Mas, o Sr. Weasley..."


            Começa o moreno, com as mãos trêmulas, as unhas ferindo a palma num aperto mortal de seus punhos. Ele precisava falar, ele tinha que fazê-lo. E o fez, sem esconder as lágrimas que teimosas escapavam de seus olhos já tão vermelhos.


"Voldemort atacou o ministério! Ele levou a maldita cobra com ele... machucou muitos inocentes e... e o Sr. Weasley... ele não resistiu!"


            Confessa arrasado o grifinório, sentindo o coração afundar e os pulmões não serem fortes o bastante para segurar o ar. Um segundo de silêncio se seguiu. Um silêncio fúnebre, sufocante... Irremediável.


            Um grito estrangulado de Gina foi suficiente para cortar o ar sufocante como a lâmina de uma espada.


"NÃO!"


            Gritava ela segurando o braço de Fred com força.


"Essa brincadeira não tem graça Harry!"


            Diz severamente George sem desviar os olhos do menino-que-sobreviveu.


"Ele não está mentindo!"


            Interfere McGonagall com um fio de voz. Rony levantou-se bruscamente, com o rosto vermelho, fervilhando em fúria partindo para cima de Harry.


"MEU PAI NÃO ESTÁ MORTO!"


            Bradou enérgico, enquanto os gêmeos mais pareciam um par de estátuas de mármore, imóveis em verdadeiro choque.


"ISSO NÃO E VERDADE! É SÓ MAIS UM DOS SEUS PESADELOS MAUCOS! MEU PAI ESTÁ VIVO!"


            Gritava Ron agarrando a gola da camisa de Harry praticamente o obrigando a dizer o contrário.


"Harry, cara, por favor, diz que não é verdade! Por favor!"


            Pede Fred angustiadamente, mas Rony o silenciou.


'É claro que é mentira! TEM QUE SER MENTIRA!"


            Os olhos azuis tomados pela ira, tanto quanto pelo medo. Hermione levantou-se na eminência de deter seu amigo ruivo antes que machucasse a si mesmo ou a Harry.


"Se fosse real... se fosse verdade, o próprio Dumbledore estaria aqui!!! Ele e membro da Ordem, ele não deixaria isso acontecer ao meu pai!"


            Insistia o ruivo em negação, ignorando os olhares aterrorizados que recebia.


"Eu... eu sinto muito Ron!"


            Murmurou sentindo-se derrotado. Rony contorceu o rosto em um semblante revoltado, magoado, incapaz de dizer qualquer outra coisa.


"Ele esta... morto! Nosso pai... está morto?"


            Repetia Fred incrédulo, com Gina chorando dolorosamente sobre seu ombro.


"Por que nosso pai? Por que somente ele??? O que raios aconteceu? Onde estavam os outros membros da ordem????"


            Bradava George furioso, com os olhos rasos de lágrimas, estava fora de si. O que seriam deles agora? Como a família seguiria em frente sem seu pai? Quem iria apoiar sua mãe agora que estaria completamente sozinha?


Todos os filhos em Hogwarts ou em outros países. E o maldito Percy no ministério... Como ele não poderia ter ajudado seu próprio pai??? O que fariam a partir de agora? a dor da perda só estava começando a se manifestar dentro do peito... ele suportaria continuar a sorrir sem a presença de Arthur?


"Eu não sabia o que fazer para ajudar!"


            Admitiu Harry desesperadamente para os Weasley.


"Você deveria ter me dito alguma coisa!"


            Acusou o Weasley largando Harry e se afastando do amigo. McGonagall o chamou, mas, o ruivo não pareceu ouvir. Os olhos de Harry moveram-se rapidamente, sobre Gina. A ruivinha balançava negativamente a cabeça, lágrimas grossas escapando dos olhos assombrados.


"Eu não sabia o que fazer Ron! Eu não tinha certeza se era real! Não queria assustar você e por isso procurei Dumbledore!!!"


Gritava desesperadamente em resposta Harry.


"Você deveria ter dito de qualquer forma! Mas, não fez! Você sumiu e foi encontrar o diabo do Malfoy! Você nos traiu."


            Gritava Rony agora não segurando as próprias lágrimas.


"Eu não fui encontra-lo! Eu não trairia meus amigos!"


            Defende-se Harry angustiado com o rumo das acusações de Rony. ele não poderia deixar que seu melhor amigo o odiasse, não suportaria perder a amizade dele.


"Não foi culpa dele!"


            Bradou Hermione se colocando entre os dois, apavorada com a reação de Ron.


"Sempre do lado dele! Você vai defendê-lo sempre não é mesmo?"


            Dizia venenosamente o ruivo.


"Rony, por favor, ele está sofrendo tanto quanto vocês! Eu sei que está magoado, que está revoltado com o resto do mundo, mas somos seus amigos..."


            Insistia Hermione, para ser bruscamente interrompida por Harry.


"Não adianta... Nenhum de nós pode entender o que Rony está sentindo agora!"


            Murmura sombriamente segurando o braço dela.


"Talvez não tenha que demorar tanto para entender Hermione! Quem sabe quando for o seu pai morrendo, você pare de defendê-lo!"


            Gritou o Weasley ferinamente, e dessa vez, George se levantou com uma expressão severa, segurando o irmão mais novo pelo braço num aperto firme.


"Já chega Ron! Já disse tolices o suficiente! Esse tipo atitude não vai trazer nosso pai de volta."


            Disse num tom de voz gelado, desprovido de qualquer tipo de humor. Hermione suspirou em choque e Harry o encarou incrédulo. Fred, se encontrava ao lado do irmão, tão abatido quanto soturno os braços cruzados e o olhar distante.


            Gina, Harry percebeu, estava longe de ser encontrada. McGonagall, tinha a varinha levantada no alto, preparada para interceptar quaisquer avanço nessa discussão entre Harry e Ron e Hermione entre eles, sem palavras para responder ao comentário mordaz do melhor amigo.


"Estão do lado dele agora?"


            Gritou Rony soltando-se de George e enxugando o rosto duramente com a manga da sua camisa.


"Não estamos do lado de ninguém! Quem atacou o nosso pai foi você-sabe-quem! Se tem o mínimo de bom senso vai respeitar a memória dele e não sair por aí cuspindo fogo!"


            Pela primeira vez, McGonagall se viu em lágrimas, comovida com as palavras de George Weasley.


"Precisamos conversar com nosso irmão agora! A sós!"


            Murmura Fred, arrastando Rony com ele e George em direção ao dormitório masculino. McGonagall se aproximou de Harry pousando levemente a mão sobre seu ombro.


"Não se culpe, meu rapaz. Logo eles entenderão o que você enfrentou para estar aqui!"


            Diz ela condescendente antes de deixar o salão comunal grifinório. Harry, no entanto, mal moveu-se de sua posição, desde que Rony o acusou de ser um traidor. As palavras duras, amargas de seu melhor amigo, o acertaram tão forte como um soco na boca do estômago.


            Gina não o encarava, Fred e George estavam distantes, quase mortificados, e Rony... seu melhor amigo... o odiava agora.


"Harry?"


            Chamou Hermione segurando sua mão direita entre as suas, o trazendo de volta à realidade.


"É melhor você ir!"


            Responde ele secamente.


"Não vou te deixar sozinho, Harry!"


            Protesta ela indignada, apertando ainda mão suas mãos sobre a dele em resposta.


"Eu ficarei bem! Mas, você é a única capaz de alcançar Gina agora!"


            Diz ele, agora finalmente a olhando nos olhos. Hermione ainda abriu a boca para rebater sua posição, mas não conseguiu dizer nada.


"Por favor, Hermione! Eu vou me sentir muito melhor se você estiver com ela!"


            Insiste o moreno seriamente e Hermione mordeu o lábio inferior em hesitação. Uma parte dela gritava para ficar com Harry e garantir que não faria nenhuma besteira, ou que teria mais uma daquelas... "visões" sobre Voldemort.


            Os acontecimentos da noite anterior ainda muito vivos em sua memória a impulsionavam a querer protegê-lo, mais do que nunca. Contudo, outra metade, pedia para confortar Gina, que sempre fora sua amiga e agora estava lidando com a perda de seu adorado pai,sem poder contar com o apoio dos seus irmãos mais velhos, porque estavam cuidando de Rony.


            Ela olhou de Harry para as escadarias do dormitório feminino um par de vezes. Quando sentiu a mão de Harry apertar a sua gentilmente em incentivo.


"Eu prometo que vou ficar bem!"


            Murmurava ele solenemente. Sem alternativa, Hermione suspirou pesadamente, entendendo que no fundo, era ele que precisava ficar um pouco sozinho. E correu pela escadaria até o dormitório de Gina. Passaram horas com a grifinória consolando a Weasley.Seu coração apertado, pensando nas reações de Harry e Rony.


            Escureceu, e logo os alunos retornavam de Hogsmead, desconhecendo a fatidica morte do senhor Weasley. A monitora teve muito trabalho para despistar Lavender e Parvati enquanto protegia a ruivinha chorando em seu colo... Hermione sentiu o coração afundando dentro do peito tamanha a dor que viu na amiga mais nova. As palavras de Rony ainda ecoando em sua memória... Será que seus pais estariam mesmo na mira de Voldemort??? Não! Ela recusou-se a pensar nisso.


            Não poderia culpar Harry pelos planos maquinados por Voldemort. O grifinório de olhos verdes, era a pessoa mais incrível, bondosa, leal, altruísta e corajosa que Hermione conhecia. Harry seria incapaz de machucar alguém, ele arriscaria a própria vida para salvar até mesmo um desconhecido. Harry era piedoso, humilde e verdadeiro, muito diferente de Riddle. E ela só desejava que o próprio Harry se lembrasse disso!


.......//......


            Harry tinha a cabeça baixa, os óculos redondos caindo ligeiramente sobre seu nariz, o vento frio agitava seus cabelos na escuridão daquela noite e seus olhos verdes, enlevados, distantes, presos por uma memória dolorosa.


            Sem esforço algum, ele guiou suas mãos em direção ao cabo da sua firebolt e inclinando-se até sentir o estômago tocar a madeira polida, mergulhou numa queda de tirar o fôlego em direção ao vazio.


            Sob sua cabeça, o céu não apresentava estrelas, não via o brilho prateado da lua, apenas densas, gélidas e pesadas nuvens negras. Ele sabia disso, chegou a tocá-las poucos momentos atrás.


            Seus olhos finalmente fecharam-se. Ele seguiria o instinto. Caindo como um míssil em direção ao lago negro, deixando um zumbido eletrizante sobre o ar... deixando pensamentos ferozes para trás.


            Ele estava a poucos metros da superfície pacífica do lago que cercava o castelo. Um grito desesperado cruzou o ar, e o grifinório congelou em temor. Seu reflexo, com eficácia profissional, encontrou a fonte do grito com o canto dos olhos.


            Parada na margem do lago, usando apenas um casaco sobre seu pijama e com a varinha levantada com a ponta brilhante sob efeito de um "lumus", estava uma pálida Hermione Granger.


            Tentando não perder o controle da firebolt, Harry levantou o rosto e com certa dificuldade mudou de direção à poucos centímetros da superfície do lago negro. Ele ainda sentia seus joelhos e pés mergulhando nas águas frias, levantando uma interminável cortina de águas, quase como uma onda furiosa, atrás de si.


            O rastro deixado pelo grifinório sobre a superfície da água, agitava a margem do lago com ondulações disformes e sequentes. Percebia Hermione. No entanto, para o horror da jovem monitora, ela não fora a única a assustar-se com o voo mortal de Harry.


            A grifinoria ofegou quando dois tentáculos infames emergiam furiosamente das águas agitadas, torcendo-se sobre o ar da noite e descendo mortais, como os galhos do salgueiro lutador. Prontos para esmagar a causa de sua perturbação... Harry.


            "HARRY!"


            Ela chamou novamente, em desespero. Estava irritada com o comportamento imprudente do moreno de olhos verdes, além de ter passado horas o procurando pelo castelo, o descobriu a fazer manobras assassinas sobre aquela maldita vassoura.


            Sem dar-se conta, em sua ansiedade, correu para dentro do lago, a água chegando até a altura dos joelhos, mas ela não pareceu se importar. Do outro lado, o moreno virou rapidamente o rosto para confrontá-la, quando se deparou com dois tentáculos furiosos vindo em sua direção.


            Ele teria que pensar rápido no que fazer, e agir mais rápido ainda. Seus sentidos em alerta, mirou a vassoura para o alto novamente e estreitou os olhos com determinação. Ele TINHA que sair do alcance da lula gigante.


            No entanto, a criatura, possuía outros planos... levantou outro tentáculo agarrando sorrateiro uma das pernas de Harry o obrigando a mergulhar seu corpo parcialmente sob a água, num esforço hercúleo para não se deixar afogar.


            Sem saída, o moreno, optou por arriscar tudo, mergulhou no lago, desaparecendo completamente da vista de Hermione que gritava apavorada por ele.


            Era extremamente escuro, o coração batendo freneticamente e o frio somente não o paralisava, por que a adrenalina fazia seu sangue correr a velocidades insanas por suas veias. Prendendo o ar com força nos pulmões, Harry puxou sua varinha, soltando as mãos da firebolt no processo.


            Segurando a vassoura com as pernas, a mão esquerda sob os óculos e a varinha apontada para o tentáculo que agora circulava num aperto de morte sua cintura, ele precisou de todas suas reservas de energia para usar um feitiço embaixo d'água.


            Algo equivalente ao "diffindo" feriu a lula, que imediatamente o soltou, acertando verdadeiras marteladas no grifinório com os tentáculos "bons". Porém, isso deu a Harry a chance de escapar em busca de ar. Emergindo desesperadamente do lago.


            Os olhos castanhos de Hermione seguiam a Harry desesperadamente. Ele mais parecia um flash sob o lago Negro, enquanto a lula o distraía com os ataques de seus tentáculos, preparava uma armadilha, à sua frente. Ela estava-o guiando em direção à Floresta Proibida.


            Se o grifinório continuasse naquele ritmo, iria colidir diretamente contra um imenso carvalho de aspecto sombrio, longe do alcance de qualquer curador capaz de salvá-lo. Um arrepio percorreu o corpo de Hermione ao imaginar o tamanho do problema que Harry se encontrava agora.


            Apontando a varinha para o meio do lago, com determinação. a grifinória reuniu toda sua concentração para lançar um feitiço que não machucasse a lula gigante, e que fosse bom o suficiente para prender a atenção da criatura mágica, para Harry poder escapar.


"Saggictus Splendus!"


            Gritou ela quando uma infinidade de flechas brilhantes mergulhavam no interior do lago, como centenas de estrelas cadentes seguindo em direção ao seu objetivo... encontrar a lula gigante. Eram flechas de luz, quentes, mas inofensivas, servindo completamente ao seu objetivo. Distrair a fonte do perigo.


            Toda a luminosidade, afetou rapidamente os sentidos da criatura gigante, que recuando nas profundezas do lago, diminuía seu aperto sobre a perna direita de Harry. Ofegante e encharcado, o grifinório conseguiu libertar-se dos tentáculos, alçando voo a bons vinte metros de distancia da água.


            A atenção da lula agora se voltava na direção de Hermione. Enfurecida, esperou acuada até as flechas desaparecerem para lançar-se contra as margens, agitando seus imensos tentáculos no ar antes de descê-los como martelos sob a água, formando ondas violentas contra a monitora grifinória.


            Harry de longe ouviu o chamado de Hermione, praguejando baixinho por ter se esquecido da namorada, ele avançou a toda velocidade em direção à garota que parecia ter congelado diante da imensa onda que se formava a sua frente.


            Hermione, em choque, deu apenas um passo incerto para trás, tropeçando e caindo sentada sob a água fria do lago. Seus olhos nunca deixando a imagem de uma onda gigante avançando sobre ela.


            A partir deste instante... tudo aconteceu em câmera lenta. Hermione fechou os olhos com força, Harry trincava ferozmente os dentes, sentindo o ar gélido contra o rosto úmido, lágrimas caíam pelo canto dos olhos pela velocidade insana a qual seguia.


            A onda gigante crescia ainda mais intensamente se aproximando da grifinória de cabelos cacheados, quando sentiu os braços de Harry envolvê-la bruscamente, a arrancando do caminho das águas e voando numa trajetória ascendente em semicírculo para evitar serem atingidos pela onda maciça.


            A respiração descompassada, os olhos firmemente fechados, os braços segurando o pescoço de Harry desesperadamente como se sua vida dependesse disso... ela se quer abrira a boca para protestar.


            O coração de Harry batia loucamente contra seu peito a ponto de quase doer. Ela tinha se tornado um alvo para protegê-lo! Pensou furiosamente. Seus olhos voltaram-se ligeiramente para Hermione, unicamente para encontrar a namorada tremendo em seus braços.


            Ela estava apavorada, gemendo baixinho, por estar em uma vassoura escorregadia, em alta velocidade, à centenas de metros do castelo, sobrevoando o lago negro depois do horário de recolher, fugindo dos ataques da lula gigante... Por causa dele!


            Ele a levou rapidamente para a terra firme. Mantendo seus braços constantemente ao redor dela, tentando manter Hermione aquecida, além de provar a si mesmo que ela estava bem, que não tinha se machucado antes que ele a alcançasse.


"Se machucou?"


            Perguntou ele desesperadamente, mas a única resposta que conseguiu foi um dos abraços esmagadores da namorada secreta que enterrou o rosto em seu pescoço enquanto chorava assustada.


            Finalmente, deixando que todo o peso daquele dia caísse de seus ombros, ele a abraçou mais forte Hermione, enterrando o rosto sob os seus cacheados cabelos castanhos. Escaparam por tão pouco...
.........//........
WOW
Finalmente saiu mais um capítulo novinho em folha para vocês XD
hauahuahuahuahuahuah
Desculpinhas pela demora a postar gente ^^' Estava meio perdida já que tenho um monte de fi gritando desesperadamente por atualização T_T mas não se preocupem... em breve atualizarei Secret Harmony ;D
Espero que gostem do capítulo e não tenham medo de riticar ou sugerir ideias!!!
Beijinhuxxx
=***** 

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo

Menu da Fic

Adicionar Fic aos Favoritos :: Adicionar Autor aos Favoritos

 

_____________________________________________


Comentários: 2

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por Laauras em 16/04/2013

Capítulo triste, com muitos flashbacks e uma cena emocionante no final! Amei!
Fiquei com raiva do Ron por ter sido tão insensível, não vendo q a culpa não era do Harry; me surpreendi com a seriedade dos gêmeos, me comovi com a dor da Gina, aplaudi a coragem do Harry de tomar as rédeas da situação. Hermione, como sempre, dando apoio!
Bjão, esperando att logo! 

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por Coveiro em 16/04/2013

Capitulo tenso esse... Morte dO  Sr Weasley foi seria mesmo... Espero que voce de um jeito de animar esse Harry, pq ele logo vai parecer o Draco da minha fase trash... Quero muito saber como isso vai continuar, se vçao descobrir o namoro deles, qual o futuro do trio... Enfim to ansioso pelo resto.

Posta mais logo

E principalmente posta mais de fic: Minha vida com Hermione granger...

Até o proximo capitulo

E obrigado pelos comentarios na minha fic... Vo tentar postar no final de semana mas não prometo nada. Tudo vai depender do meu chefe ficar de bom humor 

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

_____________________________________________

______________________________


Potterish.com / FeB V.4.1 (Ano 22) - Copyright 2002-2026
Contato: clique aqui

Moderadores:



Created by: Júlio e Marcelo

Layout: Carmem Cardoso

Creative Commons Licence
Potterish Content by Marcelo Neves / Potterish.com is licensed under a Creative Commons
Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License.
Based on a work at potterish.com.