Capítulo XV – A Sete Chaves
- Por favor, Draco, todos estão esperando que você vá, é um dia muito importante para nós, a Ordem está expandindo seus horizontes! – pediu encarecidamente Gina, sentada junto do noivo sob um guarda-sol da sorveteria Florean Fostescue, que havia reaberto há apenas algumas semanas.
- Eu já disse que acho melhor não, Gina.
- Por quê? Posso saber?
Draco respirou fundo e, com um muxoxo, disse:
- Potter vai estar lá, não vai?
- Claro que vai.
- Então!
- Então o quê? No dia em que você foi à toca eu fiquei observando pra ver se alguém te tratava mal, e Harry nem mesmo olhou feio pra você!
- O jeito que ele olha pra mim não me interessa! O que eu não gosto é do jeito como ele olha pra você!
- Draco, por Deus! Harry não olha pra mim diferente de como olha para Hermione, além do mais, a Hera vai estar lá! Você acha mesmo que ele vai correr o risco dela fazer um escândalo?
Gina percebeu pela carranca que o loiro não havia concordado com uma palavra do que ela havia dito. Frustrada, ela começou a se levantar.
- Ótimo! Realmente ótimo! Não vá, eu não me importo nem um pouco de ir desacompanhada! Na verdade vai ser até melhor pra mim, porque os primos americanos da Hera virão e eu estou muitíssimo interessada em saber como funcionam as coisas no Instituto das Bruxas de Salém. Quem sabe eu até passe um ano lá!
Conseguira. A boca de Draco virara uma linha fina e seus olhos se estreitavam em sua direção. Por fim, ele relaxou a expressão e se levantou também.
- Tudo bem. Eu vou.
Gina abriu um grande sorriso e pulou no pescoço do noivo.
•••
- Acho que fizemos um bom trabalho, não foi? – perguntou Hermione olhando para a sala extremamente limpa à sua volta e andando em direção à cozinha com Gina aos seus calcanhares.
- Ah, foi sim. E aquele contrafeitiço que você arranjou para tirar a Sra. Black da parede então, foi excelente. – disse Gina rindo quando passaram em frente às cortinas vazias onde costumava ficar o quadro da mulher.
- Achá-lo quase me deu mais trabalho que achar o feitiço para extinguir o Fidelius que Dumbledore colocou na casa!
- Já que você tocou no assunto, eu estava mesmo querendo saber como foi que você fez.
As duas adentraram a cozinha e Hermione começou a falar.
- Na verdade é bem simples desfazê-lo, mas ele só pode ser quebrado pelo fiel do segredo, por isso um inimigo não conseguiria. E como depois da morte de Dumbledore todos nos tornamos fiéis do segredo, foi bem fácil, eu só demorei um pouco para encontrar o encantamento certo. – Gina concordou com a cabeça e Hermione mudou de assunto – Conseguiu convencer o Draco a vir aqui hoje?
- Deu muito trabalho – confessou Gina, encostando-se na pia e começando a lavar a pilha de louça – mas ele disse que vem.
- Gin... você... bem... Já pensou no que vai fazer quando setembro chegar? Quero dizer, vai voltar e terminar Hogwarts?
- Eu não tinha pensado nisso... Você vai?
- Vou... e acho que consegui convencer Harry e Rony. – Hermione abriu uma gaveta e tirou um guardanapo limpo, e Gina lhe passou um tacho que havia acabado de lavar.
- Bem, se eu for vou precisar refazer o sexto ano, não é mesmo... Só estudei até o natal, e além do mais, não se podia chamar aquela ditadura de estudo.
- Você acha que o Draco iria?
- Não sei... bem, quando ele chegar, vou tocar no assunto e ver o que ele fala. Mas se o Rony voltar a Hogwarts eu terei que ir também, ou a mamãe vai explodir.
- É, até que você tem razão – disse a garota tentando reprimir uma gargalhada – Onde estão os Heathcliff?
- Visitando os parentes do Sr. Heathcliff no interior, mas chegam a tempo para a festa. Ah, falando nisso, a mãe do Draco me contou uma história interessante.
- É? Qual?
- A Sra. Heathcliff foi namorada do Sirius!
- O QUÊ! – Gritou a outra tão abruptamente que fez Gina largar o prato que segurava, espatifando-o na pia.
- Hermione, o que foi? Eu sei que é uma coisa que nos surpreende, mas também não é pra tanto! E afinal, foi há quase 17 anos!
- Não, Gina, você não entende... eu já tinha percebido, é claro, estava na cara, mas eu não tinha nenhum indício de que os dois tinham sido namorados, eu...
- Hermione, do que é que você está falando?
- Gina, a Hera é filha do Sirius!
- Quê! – disse, largando outro prato, que também se espatifou - Não Hermione, você deve estar enganada, quero dizer, isso é impossível...
- Não Gina, não é! O cabelo dela é igualzinho ao dele! O gênio forte! O rosto dela é igualzinho ao da mãe, mas ainda tem alguma coisa que lembra ele! E veja bem, pelo dia do aniversário da Hera, a mãe dela engravidou antes do Sirius ser preso! E porque é que foram morar na América depois que ela nasceu, se todos achavam que Voldemort tinha sido derrotado pelo Harry?
Pensando bem, era verdade. A boca de Gina se escancarou e ela sentiu que não conseguia mais fechá-la. Puxou uma cadeira para perto de si e afundou nela.
- E agora? Você acha que o Sr. Heathcliff sabe? – perguntou Gina com a voz embargada.
- Não faça a menor idéia... Mas ele trata a Hera com tanto carinho... Céus, o que Harry sentiria se soubesse...
- Se soubesse o quê? – Perguntou o moreno que havia acabado de adentrar a cozinha sem que nenhuma das duas percebesse.
- Nada – responderam as duas muito rápido e ao mesmo tempo.
- Podem parar! Eu escutei o nome da Hera! Do que é que vocês estavam falando?
"Ding-Dong" – Salva pelo gongo, pensou Gina enquanto se afastava para a porta da cozinha.
- Gina, aonde você vai? Volta aqui!
- É o Draco chegando! – gritou ela e saiu correndo para a porta da frente. Retirou as inúmeras trancas que protegiam a porta e a abriu com um enorme sorriso no rosto, que só aumentou ao ver os cabelos loiro-platinados do namorado bagunçados pelo vento – Oi amor!
- Oi linda! – Disse ele erguendo-a do chão e plantando-lhe um beijo na boca.
- Você chegou na hora cer...
- GINA WEASLEY, VENHA AQUI AGORA E ME CONTE O QUE ESTÁ ACONTECENDO, OU EU VOU ESTRANGULAR VOCÊ E A HERMIONE ATÉ DECIDIREM FALAR! –berrou Harry lá da cozinha.
- O que é que deu nele? – perguntou Draco levantando a sobrancelha.
- Longa história. Vem – e saiu puxando o namorado até a cozinha.
- Vão me contar ou não? – perguntou Harry, carrancudo.
- Harry, eu já disse, é uma coisa que não diz respeito à Gina ou à mim, nós não podemos...
- Hermione, acho que Harry tem o direito de saber, afinal Sirius era padrinho dele.
- Mas Gina, se a mãe dela optou por não contar...
- Harry, nos prometa que, ouça o que ouvir, não vai perder o controle e não vai contar nada disso a ninguém enquanto não chegar a hora.
-Tá, mas o que é que o Sirius tem haver com...
- Harry, a Hera é filha do Sirius – disse Hermione por fim.
- Como é? – Perguntou ele incrédulo.
- Eu já tinha notado a semelhança, até pensei que os Heathcliff poderiam ser parentes dos Black, mas hoje a Gina me disse que a Sra. Malfoy contou a ela e ao Draco que Sirius era namorado da Sra. Heathcliff antes de ser preso!
A informação certamente havia afetado Harry, pois o garoto começou a andar de um lado para o outro da cozinha, coçando a cabeça.
- Mas Mione... Isso não quer dizer que ela seja filha dele... Quero dizer, ela pode ter namorado Sirius e o Sr. Heathcliff logo em seguida...
- Harry, a Hera nasceu pouco menos de nove meses depois de Sirius ser preso! E a Sra. Malfoy disse que os dois eram namorados quando ele foi condenado! – disse Gina.
Harry copiou o gesto anterior de Gina, puxando uma cadeira e se esparramando nela.
- Minha namorada é filha do meu padrinho... A Hera é filha do Sirius...
- Eu sou filha de quem?
Os três Heathcliff haviam acabado de chegar à porta da cozinha, seguidos pelos Weasley, Quim Shacklebolt e o resto dos membros da Ordem da Fênix.
O silêncio era absoluto. Ninguém parecia respirar. Todos, sem exceção, olhavam para a Sra. Heathcliff, cujo belo rosto estava marcado pelo susto.
- Mamãe? Do que é que eles estão falando? Esse Sirius, era o padrinho do Harry, não é? Eu não posso ser filha dele. É mentira, não é mamãe? Mamãe? É mentira não é, mãe? Pai! É mentira, não é? Pai, me responde!
Mas nem o Sr. nem a Sra. Heathcliff pareciam capazes de responder. Uma lágrima solitária escorria dos olhos castanhos do homem, enquanto o rosto da mulher já estava lavado por elas.
- Me conte o que está acontecendo! – berrou a garota descontrolada, lágrimas rolando pelo rosto.
- Cassandra, acho que todos nós, e Hera acima de todos, merecemos uma explicação. – disse a Sra. Weasley num tom firme.
- Entendam! – gritou a mulher desesperada - Eu estava grávida de duas semanas quando ele foi preso por matar 12 trouxas inocentes e o Pedro, e todos pensávamos que ele havia entregado a Lily e o Tiago a Você-Sabe-Quem! Eu fiquei desesperada! O que as pessoas diriam se eu tivesse um filho de um assassino? Jason era meu melhor amigo e sempre fora apaixonado por mim! Quando eu contei que estava grávida ele disse que se casaria comigo e criaria minha filha como se fosse dele, e que outra opção eu tinha?
Então Jason me levou par a casa dos pais no interior, nós nos casamos em algumas semanas e ficamos lá até a Hera nascer e eu poder viajar, então fomos para a América, porque desde quando nasceu, Hera apresentou traços de Sirius! Os olhos, Deus! Era como se ele estivesse olhando para mim! Se ficássemos aqui, em meio aos nossos amigos, todos descobririam a verdade! Olhe para os cabelos dela! Remo compreendeu no instante em que a viu!
- Mas mesmo depois de saber que ele era inocente, você nunca pensou em contar a ela? – perguntou a voz grave de Quim, em tom de censura.
- Eu só descobri quando chegamos aqui em junho! Remo nos buscou na estação, e assim que eu, ele e Jason tivemos um momento a sós, ele falou sobre o Sirius. Eu me senti horrível, foi o mesmo desespero de quando descobri que estava grávida! Mas ele já estava morto, filha! – disse virando-se para Hera – Para quê jogar isso tudo sobre você, o fato de você ser filha de outro homem, se ele já estava morto? Não fazia sentido fazer você sofrer! Nós só queríamos te proteger, filha!
- Mas e ele? – perguntou Harry com raiva – E o Sirius? Ele tinha o direito de saber que tinha uma filha! Ele passou 12 anos apodrecendo em Azkaban, depois fugiu durante um ano e passou outro trancafiado nessa casa, e morreu sem saber que tinha uma filha!
- Harry, eu sinto muito! Se eu soubesse que ele era inocente, tudo seria diferente... Mas o desespero que me tomou quando Lily e Tiago foram mortos... Todos achávamos que Sirius era o fiel do segredo deles, e não Pedro! Coloque-se no meu lugar! O homem que eu mais amava, o pai do bebê que eu estava esperando, havia causado a morte de dois dos meus melhores amigos e de mais 12 pessoas inocentes, e também matara Pedro friamente! Eu tive nojo dele! Nojo e medo!
Hera chorava mais que nunca. A mãe tentou acalmá-la.
- Filha, por favor, não chore...
- Como não vou chorar, se acabei de descobrir que o homem que eu mais amo no mundo não é meu pai? Que sou filha de um homem que eu nem sequer vou poder conhecer, porque já morreu?
- Filha! Eu sou seu pai! – disse Jason chorando e correndo a abraçar a filha, que o agarrou com força e enfiou a cara em seu pescoço – Eu sempre vou ser. Nada vai mudar isso. Nunca!
A esposa se juntou aos dois e os três ficaram ali, chorando abraçados durante vários minutos, até que a Sra. Weasley pareceu despertar e disse em alto e bom som:
- Olá Draco querido, ainda não tinha te visto. Acho que estamos todos agitados e com fome, não é? Gina, me ajude aqui, antes que nossos visitantes estrangeiros cheguem e não encontrem nada para comer.
•••
- Achei que você estivesse interessada em saber sobre o Instituto das Bruxas de Salém – disse Draco entre dentes, encarando o teto do quarto escuro.
- Tudo bem, eu admito que só disse isso pra você vir! – disse Gina exasperada
- Só isso? Não vai dizer que eu sou mais bonito que eles?
- Haha! Muito engraçado! – exclamou, mas ao ver o bico do namorado, remendou – Ninguém é mais bonito que você.
- Bom. Já me dou por satisfeito.
- Draco, por falar em escola... Estive falando com Hermione antes de você chegar, e ela perguntou se nós voltaríamos a Hogwarts para terminar os estudos. O que você acha?
- Bem, considerando que eu não queira depender do meu pai para o resto da vida e que talvez ele me deserde, seria bom ter o diploma, não é? Assim eu poderia trabalhar caso alguma coisa acontecesse.
- Eu também pensei nisso. Quem sabe meu sonho de infância de ser Curandeira se torne realidade.
- Curandeira, é?
- É, eu sempre quis... Mas estão, está resolvido? Nós voltamos a Hogwarts?
- No que depender de mim, sim. Mas Gina... Já faz semanas que sumimos de St. Helens sem deixar pista. Você não acha que a gente deveria ir lá e dizer... bom... dizer alguma coisa a eles?
- Acho. Mas o que é que vamos dizer, Draco? Se formos lá, vamos precisar mentir para os nossos amigos.
- Eu sei que é bem injusto, porque eles foram demais com a gente desde o início, mas Gina, não podemos contar a eles que somos bruxos. Vamos contar mais ou menos o que realmente aconteceu, como, por exemplo, o fato das nossas famílias se odiarem e nós termos que fugir para ficar juntos, entendeu?
- Sim... Bem, não seremos 100% sinceros, mas pelo menos daremos alguma explicação... Céus, eles devem estar tão preocupados!
- Eu sei... Mas e então? Quando é que nós iremos? Se formos voltar a Hogwarts, precisa ser logo. Setembro está muito próximo.
- Sim... Bem, esta semana temos hóspedes aqui na sede, então não poderei sair, tenho que ajudar a mamãe... Mas à partir da semana que vem, quando eles forem embora, nós podemos ir, ficar uma semana, pra esvaziar a casa, dar explicações aos nossos amigos e patrões, e então voltamos.
- Tudo bem então. Agora, já está tarde. Preciso ir pra casa.
- Fique para o jantar! O almoço não teve clima de festa, mas agora os Heathcliff já estão recuperados, e os estrangeiros cheios de história pra contar. Anda, vai ser divertido.
- Tudo bem. Mas só vou jantar e ir embora, ok?
Gina deu a mão ao namorado e juntos desceram as escadas que levavam à sala de visitas, onde um grupo de 15 americanos falava animadamente com os membros da Ordem da Fênix, todos espalhados pelos sofás ou pelo tapete fofo que cobria o chão.
- A nossa diretora, Grace, é um espetáculo de mulher! – contou Adam Bechelard, primo de Hera, para Jorge – De vez em quando tem uns acessos e desfila de Lingerie pela escola inteira. Como precisasse... Metade dos garotos acima do 6º ano já viu ela como veio ao mundo!
Jorge e os que estavam à sua volta riram e fizeram caras sonhadoras, mas as outras pessoas nem pareceram notar. Cada grupo estava absorto numa conversa diferente. Carlinhos estava envolvido numa discussão sobre a proibição de criar dragões como animais domésticos com um rapaz negro chamado Billy, e o Sr. Weasley atacava o Sr. Green com perguntas sobre o Ministério da Magia Americano e o departamento do Mau Uso dos Artefatos dos Trouxas, enquanto a Sra. Green contava à Hermione e Hera sobre as festas de arromba que costumavam fazer no Instituto das Bruxas de Salém.
- Pessoal? – chamou a Sra. Weasley aparecendo à soleira da porta – Finalmente vamos estrear nossa recém-descontaminada Sala de Jantar! Andem, vamos comer!
- Como assim recém-descontaminada? – Perguntou Draco quando ele e Gina se encaminharam para o corredor.
- Não sei se cheguei a comentar com você. Esta casa pertenceu à tia da sua mãe, a Sra. Black, mãe do Sirius. Ficou fechada durante 10 anos, desde que ela morreu, então tinha todo tipo de coisa aqui, sem contar os objetos das trevas que ela guardava. Quando começamos a usar a casa como Sede da Ordem, limpamos a cozinha e a maioria dos quartos, mas o Elfo Doméstico não ajudava, não queria nos deixar jogar as coisas fora de jeito nenhum. Agora que ele colabora, pudemos limpar tudo, e a Hermione achou um feitiço pra tirar o retrato da sua tia da parede. Sabe, ela tinha colocado um feitiço adesivo permanente, e toda vez que alguém fazia barulho no corredor ela começava a berrar, era uma loucura, mas agora que não parece mais uma casa de bruxos das trevas, ficou ótimo.
- Minha casa é cheia de coisas estranhas – disse Draco desconfortável.
- Draco, eu não quis...
- Eu sei que não. Mas bem, é a realidade, não é? Minha família é uma família de bruxos das trevas. Mas agora vamos mudar isso. Tenha certeza. Aposto como minha mãe vai se livrar de todo aquele material, quando meu pai não estiver vendo.
Gina sorriu e continuou o caminho até a sala de jantar. A Sra. Weasley serviu a comida, e todos comeram com vontade, tendo baldes de cerveja amanteigada como acompanhamento. Quando todos haviam acabado de comer as sobremesas, os pratos desapareceram da mesa e a voz grave de Quim Shacklebolt se fez presente:
- Estamos hoje aqui, nesta excelente festa, para comemorar a criação da Ordem da Fênix Americana, que combaterá as forças das trevas em seu país e nos outros países de seu continente. Vamos brindar: à Ordem da Fênix! – disse levantando seu copo.
- À Ordem da Fênix! – Responderam os outros em uníssono.
- Desejo, de todo o coração, que vocês sejam leais uns aos outros e unidos contra o mal como nós somos. Veja bem. Os Prewett, os McKinnon, Lílian e Tiago, Franco e Alice, Sirius, Dumbledore, Moody, Remo, Ninfadora, Fred e tantos outros, deram suas vidas em nome da Ordem da Fênix e do objetivo que buscamos: Extinguir as forças das trevas. Espero de vocês a mesma lealdade e a mesma competência. Saúde!
•••
Quando Draco chegou em casa naquele dia, contou à mãe o que havia presenciado na sede da Ordem da Fênix, que Hera Heathcliff era na verdade Hera Black, filha do primo da mãe, e para sua surpresa, ela não demonstrou nenhuma reação.
- Eu soube assim que a vi – disse Narcisa com um sorriso singelo – A fisionomia é igualzinha à da mãe dela, mas o resto, cabelo, formato dos olhos... Não sei como os amigos dos pais dela que conheceram Sirius ainda não haviam percebido.
Na semana seguinte, Draco e Gina aparataram para os Estados Unidos.
- Falta muito pra chegar? – perguntou a namorada de olhos fechados, deitada em seu colo enquanto o trem sacolejava.
- Acho que não. Mais uns 15 minutos devem bastar.
- Por que é que não pudemos aparatar direto em St. Helens?
- Porque as pessoas achariam estranho, oras. Trem e ônibus são as únicas formas de chegar lá, e se nem os funcionários da estação de trem nem os funcionários da rodoviária nos virem chegar ou ir embora, alguém pode desconfiar.
- Não duvido nada que os meninos tenham vindo perguntar se nós usamos trem ou ônibus pra sair da cidade. O que é que nós vamos dizer?
- Que ligamos pro aeroporto e mandaram um táxi de lá. Olha, já estou vendo o rio. Estamos chegando.
De fato, em dez minutos os dois desembarcaram, carregando pequenas malas de viagem. Tomaram um táxi e foram direto à casinha branca em que tinham vivido nos meses que passaram em St. Helens.
- Será que nossas coisas ainda estão aí? – perguntou Gina, quase para si mesma. Draco destrancou a porta e os dois se depararam com a casa exatamente do jeito que haviam deixado. A única diferença era que agora havia uma leve camada de pó branco cobrindo os móveis – Bem, vou dar uma limpada nisso antes de sairmos para ver o pessoal.
Com alguns acenos de varinha, tudo ficou limpo. Gina subiu as escadas que levavam ao quarto e esvaziou o guarda-roupa, enquanto Draco guardava as coisas da cozinha e jogava fora a comida que estava na geladeira.
Depois de algumas horas e um bom banho, os dois se encaminharam a pé até o Café onde Gina trabalhara anteriormente com Rayna. Através das janelas de vidro, Gina viu uma mocinha de cabelos castanhos limpando uma mesa.
"Perdi o emprego" – pensou, rindo em seguida.
Draco abriu a porta e os dois entraram.
Quando Rayna, que estava vindo da cozinha com uma bandeja, viu Draco e Gina andando em sua direção, o susto foi tamanho que ela atirou a bandeja para cima, espatifando os pratos que estavam em cima dela.
- Gina! Draco! Por Deus, onde foi que vocês se meteram? Ficamos tão preocupados! Sumiram daqui e não foram vistos por ninguém, a moça da imobiliária não quis abrir a casa, nós...
- Ray, calma! – pediu Gina, rindo – Ligue pra Cassie, o Zach e o Julian virem pra cá. Nós vamos explicar tudo.
- Eu... é, é, acho melhor. Você também vai ter que falar com a Jessica Gina, ela ficou muito preocupada! Mas ela está na Sociedade Histórica agora, vai ter que falar com ela mais tarde, eu... Certo, vou ligar pro pessoal.
Dentro de 15 minutos o carro de Julian encostou do lado de fora do Café, e logo ele, Cassie e Zach estavam entrando pela porta de vidro.
- Gina! – gritou Cassie, se atirando ao pescoço da amiga – Céus, estávamos tão preocupados, tão preocupados!
- Draco, nunca mais faz uma coisa desses com a gente cara, disse Zach sério, abraçando o amigo com força.
- É sim, vocês dois. Quase nos deixaram loucos! – disse Julian, puxando Draco em um braço e Gina em outro, apertando os dois ao mesmo tempo – e vejam se nos dão uma boa explicação, e assim nós cogitaremos a idéia de perdoar vocês! – disse num tom de falsa seriedade que fez todo o grupo rir.
Aproveitando que o Café estava vazio exceto pela funcionária nova, todos se sentaram numa mesa e Draco se pôs a falar:
- Gina e eu não viemos pra cá por acaso. Na verdade, nossas famílias são inimigas mortais, e quando a minha família descobriu meu relacionamento com ela, tentaram de toda forma nos separar, e então nós fugimos para cá.
- Nossas famílias são duas famílias tradicionais na região. Minha família é conhecida como a família muito honesta e muito pobre...
- Enquanto a minha é a trambiqueira e podre de rica.
- Draco tinha algum dinheiro guardado em casa, e foi assim que conseguimos comprar as passagens de avião e vir parar aqui, mas era pouco, só sobrou para arrumar a casa, e ele não podia usar o cartão de crédito, ou o pai dele descobriria onde estávamos. Por isso precisamos trabalhar.
- E então, no nosso último dia aqui, uma amiga da Gina ligou, dizendo que um amigo dela, que é como se fosse um irmão, havia sofrido uma tentativa de assassinato e estava muito mal no hospital, e que meus pais já haviam concordado em pagar para que voltássemos à Inglaterra e pudéssemos vê-lo.
- E então nós fomos, arrumamos algumas roupas correndo e fomos.
- Mas como foi que vocês saíram da cidade? – perguntou Julian – Eu saí perguntando pra todo mundo, ninguém viu vocês depois da Rayna, e vocês também não foram vistos na rodoviária nem da estação de trem.
- Nós ligamos para o aeroporto e um táxi veio nos buscar.
- Caramba, cara – disse Zach – o amigo de vocês, ele...?
- Não – respondeu Draco – ele está Ok. Já escapou da morte tantas vezes que acho difícil acreditar que vá morrer um dia.
- Que bom, cara. – disse Julian de forma sincera.
- Nós imaginamos que vocês estariam loucos de preocupação, então resolvemos voltar aqui pra explicar tudo e aproveitar para limpar e entregar a casa. – disse Gina.
- O quê? Como assim? Vocês não vão ficar? – Perguntou Cassie de boca aberta.
- Não, Cassie. Nossas famílias finalmente compreenderam o quanto nos amamos, e não vão mais nos impedir de ficar juntos. Vamos voltar à Inglaterra. – Draco respondeu.
- Mas eu achei... achei que vocês gostassem daqui – completou Rayna, chateada.
- Gostamos sim, Ray – respondeu Gina – mas temos assuntos não-acabados lá. Além do mais, daqui a algumas semanas você, Julian e Zach irão para a Brown. Não vão sentir nossa falta.
- É, mas eu vou! – disse Cassie chateada.
- Desculpa, Cassie. Mas olha, o ano que vem você também já vai pra faculdade, e um ano passa bem rápido, você vai ver.
- Que chato, cara – disse Julian – mas quando é que vocês vão?
- Na segunda – respondeu Draco.
- Então tem que ter pelo menos uma festa de despedida, né! Almoço lá em casa no domingo, e trate de fazer suas panquecas Gina, fui o único que ainda não comeu! Aí a gente chama os pais do Zach e da Cassie, a Jessica, e fechou. O que acham?
- Acho que pode ser – disse Draco sorrindo – Ray, uma rodada de sanduíches e refrigerantes pra todo mundo, por minha conta.
•••
- Olá! Sejam bem vindos! – disse a mulher de compridos cabelos castanhos ao abrir a porta – Sou Aimee Benthan, mãe do Julian. Vamos, entrem, eu e meu marido estávamos loucos para conhecer vocês!
Draco e Gina já haviam conhecido a casa de Julian, então não se impressionaram tanto com o luxo de cada cômodo e de cada móvel.
Os Lefort, os Shelling, Rayna e Jessica já estavam à beira da piscina, as mulheres sentadas à mesa enquanto os rapazes estavam à volta da churrasqueira. Julian e o pai, que tinha o físico de um atleta, cabelos muito loiros e olhos claros, estavam colocando uma grelha na churrasqueira de tijolos quando perceberam a chegada do casal.
- Hoho! Finalmente! Não têm idéia do quanto ouvi falar de vocês nas últimas semanas! – disse o Sr. Benthan animado e, limpando as mãos num guardanapo, aproximou-se dos dois, apertou a mão de Draco e em seguida a de Gina – Richard Benthan! Muito prazer em conhecê-los!
- O prazer é todo nosso, Sr. Benthan – disse Gina sorrindo.
- Eu não disse que o Draco lembrava um pouco o senhor, pai? – perguntou Julian em tom de riso.
- Disse sim, e estava certo, não é mesmo? Ele poderia passar por meu filho! Agora, venha cá Draco, nos ajude com isto, sim? Antes que nossas garotas fujam para almoçar em algum restaurante caríssimo com um banqueiro mulherengo.
Gina riu da insinuação mesmo sem entender e se juntou às mulheres à mesa, que falavam animadas sobre o novo gerente do banco local.
- ...almoça com uma mulher diferente todos os dias, mas também, era de se esperar que elas caíssem em cima, com aquela beleza toda... – dizia a Sra. Shelling.
- ...apareceu no café mais ou menos duas vezes por semana desde que chegou, e implorou que eu deixasse o caixa para almoçar com ele, imagina se meu noivo aparece... – acrescentou Jessica.
- ...mas você não teria achado ruim não é Jessica? Quero dizer, quem é que não gostaria de almoçar ao lado de um homem daqueles! – disse Rayna rindo.
- Ei! – disse Gina em falso tom de irritação – Vocês se lembram de que eu não sei de nada que está acontecendo aqui? Quem é o bonitão?
- Aidan Locke! – disseram todas em coro, o que fez os homens em pé começaram a xingar o tal homem. Ao ver a cara de confusão no rosto da ruiva, Cassie complementou:
- É o novo gerente do Banco. Chegou aqui uns dias depois de você e o Draco terem sumido, e é o maior gato! Uns 25 anos, alto, cabelos pretos e olhos muito azuis; Todas as mulheres da cidade estão loucas por ele, até mesmo as garotinhas da 5ª série!
- Ei, chega de falar desse cara, ok? – gritou Julian lá de trás, muito bravo.
As garotas riram e mudaram o rumo da conversa para águas mais tranqüilas. Em meia hora todos estavam almoçando, e ao fim de mais uma, os Benthan convidaram os visitantes para um banho de piscina, onde eles passaram o resto da tarde.
•••
- Vocês vão vir nos visitar de vez em quando, não vão? – perguntou Cassie com lágrimas nos olhos.
Gina olhou para Draco, que por sua vez acabara de engolir em seco.
- Não sabemos, Cassie.
- Mas vão ligar, não vão? – disse Zach inseguro.
- Vamos sim – disse Draco com firmeza – E quando marcarmos a data do casamento, vocês serão os primeiros a receber o convite, tudo bem?
- Certo – disse Cassie sorrindo.
- Ei, vocês dois – começou Julian com a voz embargada – Obrigada por tudo. Se não fosse por vocês, eu provavelmente não estaria com a Rayna. Se você não tivesse dado tanta força a ela Gina, eu tenho certeza de que ela teria desistido de mim.
- Que isso, não foi nada! Vocês se amam, é claro que tinham que ficar juntos, Draco e eu só fizemos o possível pra ajudar!
Rayna se atirou no pescoço da amiga e só a soltou dois minutos depois, com o rosto todo manchado de lágrimas.
- Escutem, vocês três – disse Draco sério encarando Rayna, Julian e Zach – Boa sorte na faculdade. Estudem bastante, certo? Mas sem deixar de curtir a vida! E nem adianta ficar com essa cara, Cassie – completou quando a garota amarrou a cara – Um ano passa rápido e logo você estará lá também.
- É, é verdade – disse Gina – E, gente, mais uma vez, muito obrigada por tudo o que fizeram por Draco e eu nesses meses que passamos aqui. Sem a amizade de vocês, teria sido horrível, quero dizer, estávamos nos escondendo, e estava tudo tão difícil...
O trem apitou. Estava na hora de ir. Draco abraçou todos os amigos, se demorando um pouco mais com Zach, não podendo segurar a lágrima solitária rolou por seu rosto. Gina também abraçou a todos demoradamente, o rosto lavado de lágrimas.
Os dois embarcaram e acenaram da janela até os quatro amigos sumirem de vista.
•••
Duas semanas antes do regresso a Hogwarts, veio o convite que Gina estava temendo desde que ela e Draco haviam voltado dos Estados Unidos.
Depois de um grande almoço de domingo n'A Toca, Draco lhe informara que Narcisa lhe pedira para ir conhecer a Mansão Malfoy no próximo fim de semana.
A semana passou voando, como sempre acontece quando você está ansioso ou temeroso para alguma coisa. No caso de Gina, era a segunda opção.
Narcisa havia sido muito carinhosa com Gina nas poucas vezes que haviam se visto desde a batalha de Hogwarts e Gina se sentia segura em relação a ela, mas não sabia o que pensar quanto ao Sr. Malfoy. Com certeza não estaria tão satisfeito quanto à esposa com o tipo de noiva que o filho havia escolhido. A garota receava que ele lhe lançasse olhares mortais enquanto ela não via, ou, pior ainda, quando ela estava olhando, ou que a insultasse, expulsasse ou outra coisa do tipo.
No sábado de manhã, Gina acordou muito mais cedo do que era preciso, mas não conseguiu voltar a dormir. Levantou-se, arrumou a cama e separou algumas das suas melhores roupas numa bolsa de ombro, e então desceu para tomar café e encontrou a mãe preparando o café da manhã.
- Bom dia, Gininha – disse a mãe, largando a frigideira e tascando-lhe um beijo na bochecha.
- Bom dia, mamãe.
- O que foi, filha? – perguntou Molly quando a filha se sentou cabisbaixa na mesa de madeira escovada.
- Nada... Só estou um pouco, sabe, nervosa com... hoje.
- Não se preocupe, filha. Tudo vai correr bem. Você é uma menina maravilhosa, e pelo que nos contou, Narcisa é uma ótima mulher. Tenho certeza que ela e Draco farão o possível para te deixar confortável.
- Eu sei que sim, mas mesmo assim... – Gina foi poupada de continuar o discurso pelo barulho similar a uma manada de elefantes, mas que era na verdade os pés do pai, dos irmãos, Harry e Hermione descendo a escadas.
Todos lhe desejaram bom dia e se sentaram, enquanto a Sra. Weasley colocava montes de ovos e bacon em cada prato.
- Ei, Gin – disse Harry, terminando de engolir um punhado de bacon – Você vai dar um jeito de nos avisar se as coisas saírem de controle, não é? Estaremos alertas o tempo todo, é só dizer que vamos buscar você imediatamente.
Gina riu.
- Ei gente, estou nervosa, mas também não estou esperando um ataque! Vai ficar tudo bem, nós nos veremos no domingo à noite.
Meia hora depois, quando o relógio bateu as 08 horas, Gina se despediu de todos e se encaminhou para fora d'A Toca, aparatando para a estrada rural que levava à casa de Draco logo em seguida.
Depois da conhecida sensação de estar sendo espremida por um cano estreito, a garota se viu numa estrada estreita ladrilhada de pedras, no meio das quais havia crescido uma vegetação rasteira. Ao fim da estrada se erguia uma enorme casa de pedra cinza rodeada por grades negras, sendo assim possível ver o jardim de rosas de que Draco havia falado.
Ele a esperava pouco mais à frente, sorrindo. Depois de cumprimentá-la com um longo beijo, ele a levou até o portão, que se abriu sozinho, e seguiram pela estradinha de pedra por no mínimo cem metros, até alcançarem a porta da casa.
Narcisa esperava no hall, e com um grande sorriso lhe deu um abraço apertado.
- Que bom tê-la aqui, Virgínia! Já tomou café da manhã? Draco quer te levar para ver os cavalos primeiro, então vai precisar de muita energia.
- Eu, ah, sim, comi antes de sair de casa.
- Então pode nos fazer companhia, e então iremos os três. Venha, vamos comer no jardim de inverno.
Os três passaram por corredores ornamentados com objetos visivelmente caros e quadros de homens e mulheres de cabelos loiros e olhos claros que olhavam para ela com visível interesse e reprovação. Alguns minutos depois, Gina veio a descobrir que o jardim de inverno era uma área aberta bem no meio da casa, protegida por paredes de vidro.
Narcisa e o filho foram servidos por uma elfa doméstica enquanto Gina bebericava uma xícara de chá. Gina logo percebeu que suas preocupações tinham sido em vão. O Sr. Malfoy nem ao menos estava em casa.
Alguns minutos mais tarde, os três se aprofundaram ainda mais nos compridos corredores até encontrarem uma porta que dava para os fundos da mansão, de onde era visível um estábulo de aparência medieval. Lá dentro havia no mínimo vinte baias, mas apenas seis estavam ocupadas. Draco retirou primeiro um cavalo cinza da primeira baia, colocou a sela e passou as rédeas para a mãe. Depois retirou um malhado de branco e marrom, pôs a sela e passou as rédeas a Gina, que estremeceu ao segurá-las. No mesmo instante, o cavalo se mexeu e avançou em direção a ela.
- Gina! Você tem que ficar tranqüila, ela sente quando você está nervosa e fica também! Passa a mão na crina dela, ela vai se acalmar.
- Ela? É uma égua? – disse aproximando cuidadosamente a mão da crina loura do animal.
- É. Se chama Tarah. Aquela – disse apontando para a égua da mãe – é a Pippa, e este aqui – falou enquanto retirava o belo cavalo negro da baia – é o Luke.
Os três saíram do estábulo e Draco a ajudou a montar Tarah. Gina se sentiu insegura no começo, mas logo pegou o jeito. A égua era mansa e obedecia aos comandos que ela dava sem pestanejar. Ela, Draco e Narcisa andaram pela propriedade por mais de duas horas. Pararam num riacho que demarcava o fim da propriedade para os cavalos beberem água e voltaram ao estábulo, e de lá entraram na casa.
- Preciso dar à Trudy orientações para o almoço. Porque não mostra a sala de música à Virgínia, Draco? Almoçaremos ao meio-dia.
- Claro, mãe. Vem, amor.
Draco a conduziu pelos corredores até uma escada, um lance, dois lances, três lances, depois mais um corredor, e enfim uma porta de carvalho dupla, que o loiro abriu com as duas mãos.
A sala era ampla, clara e arejada. Num tablado havia um enorme piano de cauda, e espalhados pela sala havia um violino, um violoncelo, um violão, uma harpa, uma infinidade de flautas, um saxofone e outros instrumentos de sopro e de corda que Gina não conhecia.
- Você poderia ensaiar uma orquestra aqui – comentou maravilhada.
- A maioria desses instrumentos não é usada a séculos. Minha mãe toca piano e harpa, meu pai arranha o violino e eu tento uns acordes no violão, mas é só. Duvido que algum dia alguém da família tenha tocado todos esses instrumentos. Certamente só compraram pra dizer que tinham.
- Posso ver o piano? – perguntou.
- Claro que pode. Vem cá – disse se sentando no banco e dando espaço para que ela se juntasse a ele.
Draco tirou a toalha que cobria a tampa do teclado e a levantou, metendo a mão com força em cima das teclas, fazendo um som estranho.
Gina riu e se pôs a apertar tecla por tecla, conhecendo o som de cada uma.
Os dois se divertiram por algum tempo tentando descobrir como eram tocados os instrumentos mais estranhos, até Draco consultar o relógio e chamá-la para almoçar.
A sala de jantar era tão grande e tão arejada quanto a sala de música, exceto que a maior parte de sua área estava ocupada por uma mesa gigante, com no mínimo cinqüenta lugares. Narcisa os aguardava numa cadeira próxima à janela. Draco caminhou até lá, puxou uma cadeira para Gina e outra para si. Trudy, a elfa, trouxe o almoço e eles comeram conversando sobre diversos assuntos. Gina não pôde deixar de notar a ausência do Sr. Malfoy, mas nem Narcisa nem Draco tocaram no nome dele.
- Crianças, estou sentindo uma leve dor de cabeça, acho que preciso me deitar um pouco, tudo bem?
- Claro mãe. Vou mostrar à Gina o resto da casa.
Os três se levantaram e Narcisa foi direto ao seu quarto. Draco segurou a mão de Gina e a guiou para fora da sala de jantar.
- Quer conhecer a versão original da sala em que nos encontrávamos em Hogwarts?
- Claro que sim!
Draco riu.
-Se prepare para uma boa pernada. Vem.
Os dois andaram pelos corredores do térreo até alcançarem a escadaria. No segundo lance de escadas, Draco a informou de que aquele era o andar dos quartos que ainda eram usados, e subiram mais dois andares e entraram num corredor, depois em outro e em outro, até Draco abrir a porta de um quarto que parecia ter sido abandonado há muito tempo. As cortinas estavam roídas de traças e a cama dava a impressão de que desabaria ao menor toque. Draco a levou por uma porta meio oculta por uma estante vazia, que ela não vira à primeira vista, e os dois tiveram que se abaixar para passar. Deram de cara com um corredor estreito e escuro, pois não havia janelas, mas Draco parecia saber onde estava indo. Abriu uma porta e depois mais uma, e Gina se viu na sala que havia conhecido em Hogwarts.
- Caramba, não quero nem pensar no trabalho que você teve pra encontrar isso aqui.
- Você se surpreenderia com a facilidade de encontrar salas e quartos escondidos nessa casa – respondeu ele rindo e acendendo a lareira, que clareou a sala imediatamente – principalmente se você tem sete anos, seu pai brigou com você sem motivo e você saiu correndo por aí sem rumo – do nada, Gina viu que ele se sentiu desconfortável. Antes que ela pudesse perguntar o que havia acontecido, Draco começou – Falando nisso, me desculpe.
- Desculpar você? Pelo quê? – perguntou confusa.
- Pelo meu pai não estar aqui.
A garota pensou em dizer que não tinha problema nenhum, que não se importava, mas seria mentira. A ausência dele pronunciava mais sua desaprovação a ela do que mil olhares contrariados.
Os dois passaram o resto da tarde ali e ao anoitecer voltaram à área habitada da casa. Jantaram na companhia de Narcisa e depois se retiraram para o quarto de Draco.
No dia seguinte o Sr. Malfoy também não estava presente no café da manhã, mas Gina deduziu que ele tivesse dormido em casa e saído cedo. Ela e Draco passaram a manhã toda na biblioteca, almoçaram no jardim de inverno com Narcisa e passaram a tarde no jardim em frente à casa, onde Draco mostrou à Gina o pavão albino de estimação da mãe e os muitos canteiros de rosas.
Quando o sol foi se tornando mais fraco, Narcisa se juntou a eles e logo Gina se despediu dos dois, dizendo até logo, pois na semana seguinte se veriam na plataforma 9 e meia. Ao chegar ao portão e acenar pela última vez antes de aparatar, a ruiva pôde ver o homem de compridos cabelos loiros espiando de uma janela fechada no segundo andar.
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