Capítulo XIII – O Sinal
A campainha soou pouco depois das dez no dia seguinte. Gina, que estava preparando o café da manhã, abriu a porta e se deparou com Julian segurando um enorme buquê de rosas.
- Oi! – ela disse, surpresa.
- Oi... A Rayna ainda está dormindo?
- Está... você, hum... você quer que eu a chame?
- Será que eu mesmo não poderia subir? – ele perguntou cautelosamente.
- Ah, pode, é claro. Quando acabarem de conversar desçam para tomar café, ok?
- Tudo bem. Valeu, Gina.
Gina levou-o até a escada e observou-o até sumir no corredor. Voltou para a cozinha e se pôs a picar fatias de tomate em cubinhos.
Depois de alguns minutos Draco entrou pela porta da cozinha trazendo um grande saco de papel.
- De quem é aquele carro lá na frente? – perguntou dando um beijo na testa da ruiva.
- Do Julian. Ele está lá em cima, e trouxe um buquê de rosas.
- É, alguém vai ter um final feliz hoje – ele disse rindo.
- Um começo feliz – corrigiu Gina – sabe, a Rayna merece.
- Eu sei. Vamos, me deixa te ajudar.
Depois de algum tempo, quando Draco e Gina estavam sentados à mesa acabando de tomar seu café, Julian e Rayna apareceram à porta da cozinha, radiantes de felicidade.
- Olha só, Gin! – disse Rayna erguendo a mão direita e mostrando uma aliança de prata – Estamos namorando!
- Uau, incrível! – Gina disse se levantando e abraçando a amiga, e depois Julian – espero que vocês sejam muito felizes, ok? E não deixem nada nem ninguém estragar o amor de vocês!
- Pode deixar Gina. – Julian disse piscando o olho.
Os três voltaram a se sentar, e depois de comerem, Julian e Rayna foram embora.
- Espero que eles sejam tão felizes quanto nós estamos sendo – disse Draco logo depois que eles saíram.
- Eu também. Mas não vai ser fácil, a Kelly não vai deixar barato. Espero que a Rayna saiba ignorar aqueles absurdos que ela diz.
- Assim como você ignorou ontem? – ele perguntou em tom de deboche, e quando Gina comprimiu os lábios em sinal de irritação, ele deu uma gostosa gargalhada e a beijou demoradamente.
•••
- Gina, Rayna, venham até aqui, por favor. – chamou Jessica, a dona do Café.
As duas saíram de trás do balcão e se sentaram de frente à patroa, esperando a bronca que elas sabiam que viria.
- Minha sobrinha Claire foi à festa do garoto dos Benthan no sábado. E no domingo, quando foi almoçar na minha casa, me contou uma história muito interessante que envolve Kelly Ockham e duas das minhas funcionárias. EXPLIQUEM-SE.
- Jessica, eu sinto muito, foi tudo culpa minha – começou Rayna, afobada – Gina só quis me defender...
- Nem pensar! Jessica, a Kelly ofendeu a Rayna, mas ela não fez nada! Fui eu quem perdi a cabeça e parti para a briga. Se alguém merece ouvir sermão, sou eu.
- Escutem, meninas... Eu não tenho nada a ver com a vida de vocês fora do Café, o que vocês fazem ou deixam de fazer não é problema meu. Eu só quero pedir que não tragam as rivalidades de fora para o trabalho de vocês. A Kelly é uma das nossas clientes mais fixas, e eu não quero brigas aqui dentro. Se ela provocar, ignorem, porque se alguma briga acontecer aqui dentro, vai dar um problema danado, e eu vou acabar tendo que demitir vocês, e eu não quero isso. Ficou entendido?
- Sim, Jessica – responderam em uníssono. A patroa sorriu e se encaminhou ao caixa.
- Escute, Rayna – começou Gina – quando a Kelly aparecer aqui, ela vai tentar te ofender de todas as maneiras possíveis. Finja que não escutou, não demonstre nenhuma reação, porque assim não vai ter graça e ela vai acabar cansando. Eu vou fazer a mesma coisa. Afinal, preciso desse emprego, e você também precisa do seu.
- Tudo bem Gina. Eu vou escutar tudo o que ela disser calada, depois eu desconto em beijos no Julian. Quem vai sair perdendo é ela.
As duas se acabaram de rir e em seguida começaram a tirar o pó das mesas.
Como previsto, Kelly apareceu no Café logo depois de sair do colégio, acompanhada das amigas líderes de torcida, Cassie entre elas.
Elas se sentaram numa mesa de canto, e antes que Gina pudesse se mexer para atendê-las, Kelly já havia gritado:
- Alien! Venha atender a nossa mesa! Não é pra isso que você é paga?
Rayna corou levemente, mas respirou fundo e caminhou a passos largos até a mesa.
- Pois não?
- Eu quero um cheesebacon e uma coca, Rayna – disse Cassie sorrindo.
- Cheesebacon e uma coca, ok, e vocês?
- Suco de laranja e salada mista para todas nós. E pede pra outra pessoa trazer, não quero minha comida impregnada com seu cheiro de cachorro.
- Kelly, não faz isso! – disse Cassie, chocada.
- Eu não estou falando com você, Cassie! Se além de comer igual a uma porca você começar a se meter nas minhas conversas, não terei outra escolha a não ser te chutar para fora da torcida!
- Quer saber? – começou Cassie com um leve tom assassino em sua voz – Idiota são essas aí, que fazem tudo o que você manda. Pra mim já deu. Quer me tirar da torcida? Tira! – e dizendo isso se levantou e sentou no balcão junto à Gina, que observava a cena boquiaberta, assim como todas as garotas na mesa, que passaram a encarar os próprios pés quando Kelly as olhou como se as desafiasse a se levantarem também.
Rayna saiu de perto da mesa e foi direto à cozinha entregar os pedidos à cozinheira.
Quando voltou, Gina sussurou ao seu ouvido:
- Você foi ótima.
- A Cassie também – respondeu Rayna piscando para a garota, que sorriu de lado.
- Que se dane a torcida. Ela está fazendo uma coisa legal virar uma ditadura. Quero distância daquilo.
Depois de algum tempo a campainha da cozinha soou anunciando que os pedidos estavam prontos, e quando Gina fez menção de ir buscar, Rayna disse:
- Não Gin, eu vou. Não vou dar esse gostinho a ela.
Ela foi à cozinha, deixou o pedido de Cassie no balcão e foi levar as saladas das líderes de torcida.
- Eca! – disse Kelly ao olhar sua salada – Não vou comer isso! Está com cheiro de cachorro! Achei que tivesse pedido que você mandasse outra pessoa trazer!
- Não há outra pessoa disponível, e comendo ou não, vai ter que pagar. Com licença.
Gina e Cassie abafaram o riso com as mãos.
•••
- Malfoy! Lefort! O que estão fazendo sentados aí?
- Desculpe senhor, mas já carregamos o Penelope com as caixas de milho enlatado, não há mais nada para fazer agora. – disse Zach em tom contrariado.
- Ainda são quatro horas! Vocês trabalham até as sete! Se já acabaram com as cargas, façam alguma outra coisa. Peguem um esfregão e limpem essa passarela, está mesmo precisando. Ao fim do expediente, pode vir buscar seu pagamento Zachary. Quanto ao seu Malfoy, fica para amanhã. Nem sei se vai receber alguma coisa, depois de todas aquelas multas. E ande logo com isso! Não sei como funciona na Inglaterra, mas aqui é preciso trabalhar duro! – e dizendo isso saiu bufando.
Zach se levantou do cais e imitou o andado torto de Joseph, conseguindo arrancar uma risada infeliz de Draco.
Draco levantou-se também.
- Foi mal, Zach. Se não estivesse sentado comigo provavelmente chegaria em casa mais cedo hoje.
- Esquece isso, cara. Vou sentir uma puta falta de você quando estiver na Brown. E não existe amizade sem alguns esfregões.
Draco engoliu em seco. As palavras de Zach o comoveram de uma forma que ele não podia explicar. Zabini sempre fora um grande colega, alguém com quem ele podia contar, mas Zach, mesmo o tendo conhecido a tão pouco tempo e não saber nada de sua verdadeira vida, vinha sendo tão parceiro naqueles tempos difíceis que não havia como negar: era o melhor amigo que ele já tivera e que jamais teria.
- Com certeza, cara. Vamos lá.
Em meio a piadas e risos descontrolados, os dois rapazes limparam a enorme passarela do cais e estavam guardando os esfregões quando Joseph apareceu para ver se tinham feito o trabalho direito. Draco esperou Zach sair do escritório de Joseph e os dois foram juntos ao café.
- Amor! Zach! – Gina gritou assim que os viu, sorrindo de orelha à orelha. Ele a alcançou no balcão e cobriu seu rosto de beijos.
- Boa noite amor. Oi Rayna.
- Oi Draco, oi Zach – disse ela risonha – Escuta, cadê a Cassie? Ela não veio mais aqui desde aquele dia que brigou com a Kelly e pediu demissão da torcida.
- Está mais caseira agora. A sra. Shelling chegou a me procurar, perguntar se tínhamos brigado, porque ela estava tristinha. A Cassie adorava a torcida, sabe. Mas não se culpe Rayna, ela não ia agüentar a Kelly por muito tempo.
- A Kelly vai se formar em junho, Zach. E a líder mais indicada pra capitã no ano que vem era a Cassie. Ela não devia ter brigado com a Kelly, não por minha causa.
- Ela não se arrepende de ter feito isso. Alguém tinha que calar a boca daquela vadia.
- Senhor Lefort! Sem palavrões no meu estabelecimento, sim? – disse Jessica, que acabara de sair da cozinha, em tom autoritário, mas com um brilho divertido nos olhos – Gina, aqui está o pedido dos garotos da mesa 06, entregue, por favor.
Draco viu a namorada se afastar com a bandeja, e viu os dois garotos com jaquetas de futebol da escola secundária local olharem-na cobiçosamente. Ela percebeu, mas nem deu atenção. A porta do café se abriu e mais um garoto com a jaqueta do time entrou, e Draco sorriu ao ver que se tratava de Julian.
- Boa noite, galera – ele disse ao se aproximar do balcão sorrindo para todos e alcançando os lábios de Rayna.
- Oi amor.
- Que foi, Ray? Que desânimo é esse?
- Cassie está infeliz por minha causa.
- Eu já disse que ela não tem culpa, cara – disse Zach como se estivesse se desculpando.
- Amor, a Cassie não agüentava mais a Kelly. Foi escolha dela.
- Eu sei, mas se a Kelly não tivesse me ofendido, Cassie ainda estaria na torcida.
- Então a culpa é da Kelly que ofendeu você. Ponto.
Rayna bufou e voltou a limpar a poeira do balcão. A porta do café voltou a se abrir, mas desta vez não foi nenhum jovem bonito que entrou. Era uma senhora por volta dos 45 anos, com cabelos loiros com pequenas rajadas de branco, olhos claros e de aparência muito elegante. Ela parecia procurar alguém e varreu o café com os olhos, até que eles se fixaram em Zach e ela caminhou até ele decididamente.
- Boa noite crianças. Sou Laura Shelling, mãe da Cassandra.
- Oh, muito prazer Sra. Shelling – disse Rayna apertando-lhe a mão – Sou Rayna.
- O prazer é meu, querida. Conheço Zachary e Julian, é claro.
Julian deu um grande sorriso e esmagou a Sra. Shelling num abraço de urso, e ela riu com gosto. Zach deu-lhe um abraço sincero.
- E você, meu jovem rapaz, quem é? – perguntou com um sorriso assim que se recompôs.
- Hm, sou Draco Malfoy – e Gina aproximou-se para ver o que acontecia em tempo dele dizer – e esta é minha namorada, Gina.
- Oh! Os britânicos! Cassandra me falou sobre vocês.
- Espero que tenha falado bem! – brincou Gina e estendeu a mão à mulher – Muito prazer!
- Bem, vim fazer um convite a vocês, que são os amigos mais próximos da Cassandra. Vamos fazer um almoço de páscoa no domingo, e ela anda tão desanimada, então pensei em convidá-los, fazer uma pequena reunião em nossa casa. Tudo bem se já tiverem planos.
- Pode contar com a minha presença, Laura – disse Julian sorridente – e da minha Rayna também.
- Eu estarei lá com certeza, senhora Shelling – disse Zach.
- Ótimo! Leve seus pais Zachary, faz tempo que não nos reunimos. E o que os britânicos me dizem?
Draco olhou para Gina, que sorriu em incentivo.
- Pode contar conosco, senhora Shelling – disse Draco.
- Ótimo! Então os vejo no domingo às 10, para podermos conversar bastante. Agora realmente preciso ir, chá da sociedade histórica.
E, dando um beijinho no rosto de cada um, saiu.
- Ela é legal, não é? – disse Rayna quebrando o silêncio que se instalara – Sempre achei que ela fosse meio metida. Mas olhe só, nem se importou que Gina e eu fôssemos garçonetes.
- Laura é uma mulher de ouro. É a melhor amiga da minha mãe. – disse Julian, explicando – quando éramos crianças, Cassie e eu ficávamos juntos o tempo todo, íamos aos mesmos eventos. Costumávamos dizer a todos que éramos primos gêmeos.
- Tomara que o almoço anime a Cassie – disse Rayna ainda deprimida.
- Vai animar. Quando o pai dela bebe umas cervejas começa a contar cada piada... Não tem como não rir – disse Zach, risonho.
•••
- Que cara você acha que tem o pai da Cassie? – perguntou Gina a Draco enquanto caminhavam pela avenida deserta a caminho da casa dos Shelling – Eu acho que ele é gordo.
- Sei lá, Gina. Você acha que a mãe dela casaria com um cara gordo? É mais provável que seja um desses Black-Ties que andam por aí, eles tem muito dinheiro, não é?
- Vai ver ele ficou gordo depois.
Mas, para a surpresa dos dois, o Sr. Shelling, ou Jim, como preferia ser chamado, não era nem gordo nem usava gravata. Era muito magro, usava uma camiseta desbotada e uma bermuda cáqui, e parecia ter se esquecido de calçar algum sapato. Seus cabelos castanhos tinham alguns poucos fios brancos e já começavam a rarear na frente, mas o que mais chamou a atenção foi o fato dele nunca tirar o enorme sorriso do rosto. Em suma, era uma pessoa muito de bem com a vida.
- Aaah, os ingleses chegaram! – exclamou ao abrir a porta da frente quando Gina tocou a campainha – Entrem! Entrem! Os Lefort já estão lá no fundo, agora só falta Julian e a namorada.
Guiados pelo simpático senhor, os dois atravessaram um grande hall até a porta de vidro que levava aos fundos da casa, que contava com uma bela piscina e uma grande edícula onde avistaram Cassie, a Sra. Shelling e os Lefort sentados numa grande mesa redonda.
- Gin! Draco! Sentem aqui! – disse Cassie sorridente. Era visível que o almoço já estava fazendo bem a ela.
- Draco? – disse Jim com um leve tom de interrogação – Você é filho de astrólogos? Draco é uma constelação, não é mesmo?
-É uma constelação sim, mas eu, hm, não sei se há astrólogos em minha família.
- Eu tenho uma velha tia, gagá coitadinha, que insistia que devíamos chamar Cassie de Aquário, disse que traria bons fluidos. Nunca aprovou meu casamento com Laura. Durante a festa me aporrinhou tanto para deixá-la ler minha mão, só para me informar que desde o dia anterior minha linha da vida tinha diminuído mais de três centímetros.
- Ela me achava um tanto certinha demais para o Jim – disse a Sra. Shelling, rindo.
- É, e quando eu falei que íamos nos casar, ela me veio com uma garota hippie, dizendo que era muito melhor pra mim.
- E eu a coloquei para correr bem depressinha, não foi, Jim?
- Ah, foi sim, querida.
Todos na mesa riram, e depois de alguns minutos a campainha voltou a soar, anunciando a chegada de Julian e Rayna. Jim foi abrir a porta e voltou agarrado aos ombros de uma Rayna muito corada, seguidos de perto por um Julian sorridente.
- Laura! Você disse que a namorada do July era bonita, mas não disse que era tanto! Esse é o meu garoto!
- Viu só Jim, como tenho bom gosto? – gabou-se Julian, às gargalhadas.
- Ah sim, muito bom gosto, assim como Zach e o Draco aqui.
- Em que parte da Inglaterra vocês viviam, querida? – perguntou a Sra. Lefort, que era excepcionalmente parecida com o filho.
- Eu vivia numa área rural próxima ao vilarejo de Ottery Saint Catchpole.
- Oh! Muito interessante! Estive em Londres quando era mais moça. É uma bela cidade.
- Mas o condado de Hertfordshire também tem seus encantos – disse a Sra. Shelling sorrindo.
- Estivemos lá por duas semanas antes de embarcar para os Estados Unidos – respondeu Gina – A tia de Draco vive lá.
- É um país muito pequeno, a Inglaterra – pronunciou-se o Sr. Lefort, que era alto como Zach e tinha os cabelos já totalmente brancos – É estranho, você passa de um condado a outro em questão de minutos.
- Ou talvez seja o nosso país que é grande demais – replicou a Sra. Lefort.
E foi exatamente por isso que viemos parar aqui – disse Gina mentalmente.
- Rapazes, que tal colocar a carne na churrasqueira? – disse a Sra. Shelling depois de meia hora de conversa – Vou dar uma olhada na minha galinha, está no forno.
- Posso preparar uma salada inglesa, Sra. Shelling? – perguntou Gina.
- É claro querida! Que ótimo! Venha, a cozinha é por aqui.
Era pouco mais de meio-dia quando começaram a almoçar, e meia hora depois todos se empanturravam com os ovos de chocolate trazidos pelos Lefort. Cassie ria sem parar das piadas do pai e dos garotos, provando que a reunião realmente dera resultados. As mulheres foram lavar a louça enquanto os homens davam um trato nos espetos e na mesa, e depois de tudo limpo, todos se juntaram para uma rodada de Poker.
Jim se gabava da jogada de mestre que tinha acabado de empregar quando Gina percebeu um movimento estranho. De repente, Draco havia tirado os braços de cima da mesa e agora apertava o antebraço esquerdo coberto pelas mangas compridas da camiseta com força.
Ela engoliu em seco. O que poderia ter acontecido?
- Draco? Amor, você está bem?
- Uma tontura, de repente... – mentiu ele com um olhar significativo.
- Vamos, vamos para casa. Sr. e Sra. Shelling, muito obrigada pelo almoço, foi ótimo.
- Querido, tem certeza de que consegue caminhar? Podemos te levar até em casa. – disse Laura.
- Estou bem, muito obrigado Sra. Shelling. Nada que não se resolva com um bom cochilo.
- Tudo bem então. Mas se precisarem de qualquer coisa, liguem para cá, tudo bem?
- Está certo, Sra. Shelling. Vamos indo agora. – respondeu Gina. Se despediram rapidamente dos Lefort, de Jim, Cassie, Julian e Rayna e foram sozinhos até a porta. Ao chegarem à esquina, Draco virou-se para ela, aflito, e segurando suas mãos disse:
- Gina, eu acho que pegaram Potter.
- O quê? Como?
- Eu não sei! Foi meu pai quem o convocou, eu pude sentir! Ele deve estar na minha casa agora! O Lorde das Trevas está a caminho.
- Céus... Não há nada que possamos fazer?
- Não, a menos que desejemos ser mortos também. Vamos para casa. Se o matarem, vou sentir.
Em estado de choque, Gina acompanhou Draco até em casa, mas antes que ela pudesse desvirar a segunda volta da chave, aconteceu outra vez.
Draco segurava o braço com muita força, os olhos fechados de dor.
- Draco! Draco! Que aconteceu! Draco! Você está bem? Mataram ele? Draco!
Depois de vários segundos, Draco reabriu os olhos vermelhos de dor e afrouxou o aperto no braço.
- Ele conseguiu. – disse com a voz muito fraca, mas audível - Escapou de novo.
•••
- Cara, dá pra acreditar? Você chegou aqui em janeiro, agora já é quase junho! Estou indo pra faculdade daqui a alguns dias e você vai ficar sozinho com a mala do Joseph...
- Não se sinta culpado. A universidade vai ser ótima pra você. E agora o Julian e a Rayna também vão pra lá, vocês vão se divertir à beça.
- Não vai ser nada divertido ver o Julian e a Rayna se agarrando com a Cassie estando tão longe, cara.
- Calma. Ela já não disse que vai te ver todos os finais de semana? E tenho certeza que quando se formar, ela vai fazer de tudo pra entrar lá também.
- Sabe de uma coisa, Draco? Não entendo essa história de você e a Gina não quererem fazer faculdade.
Draco ia retrucar quando foi cego pela dor em seu antebraço esquerdo. A marca vinha ardendo frequentemente nas últimas semanas, mas nunca como no dia de páscoa, a não ser agora.
Haviam encurralado Potter. Em Hogwarts. A batalha final ia acontecer e o Lorde das Trevas estava chamando seus comensais.
Levantou-se num salto.
- Preciso ir ver a Gina.
- Agora? Tá doido? O Joseph demite você no ato, se sair!
- O Joseph não importa mais.
- O que diabos você está falando?
- Não dá pra explicar agora! – disse já correndo em direção à rua – Cuida da Cassie e dos outros!
- Espera, Draco! – ouviu o amigo gritar ao longe, mas já corria disparado pela avenida central da cidade.
Abriu a porta do café com um tapa violento e andou a passos largos até o caixa onde estava Gina sem nem olhar para os lados.
- Draco? O que foi? Que faz aqui a esta hora?
- Potter está em Hogwarts. O Lorde das Trevas está convocando os comensais. A batalha vai acontecer.
•••