Capítulo V – Eu nunca
Draco saiu das masmorras apressado, subindo até o segundo andar, ansioso pela conversa com Amico. Durante o caminho, repassara em sua mente várias vezes o que diria. Tomaria o máximo de cuidado para não colocar Gina ou Snape em maus lençóis.
Chegando à porta da sala de Defesa Contra a Arte das Trevas, bateu e aguardou até ouvir a voz de Amico pedindo que ele entrasse. E foi o que fez.
- Draco! – ele parecia surpreso. – Não esperava vê-lo aqui hoje. Algum progresso na sua missão?
- Sim senhor. Na verdade, ela já está completa. – Draco disse calmo, tentando não levantar suspeitas. – Interroguei a garota Weasley e ela me disse tudo o que sabia, apesar de não ser nada interessante.
- E como tem certeza de que ela disse a verdade?
- Ela não quis falar voluntariamente senhor, e pelo pouco que a conheço, não contaria nem com tortura. Então surrupiei um vidro de Veritasserum do estoque pessoal do Slughorn e coloquei no suco de abóbora que dei pra ela no almoço.
- Certo. O que ela lhe disse, Draco? Alguma idéia do paradeiro de Potter?
- Ela não tem idéia de onde Potter esteja senhor. Mas antes de ir ele disse a ela que viajaria o país todo, se escondendo. Se me permite senhor, gostaria de expressar minha opinião. Enquanto Dumbledore estava vivo, Potter sempre se mostrou destemido quanto ao Lorde. Agora que o velho está morto e enterrado, ele está com medinho. A única coisa que lhe importa é salvar a própria pele, nem se lembra dos idiotas da Ordem da Fênix, que estão dando a cara à tapa no lugar dele.
- Tem razão Draco, toda a razão... Eu sempre soube que ele era bem menos do que mostrava ser. Apenas mais uma criança escondida nas saias de Dumbledore. Mas vamos achá-lo Draco. E quando acharmos, será o fim dele e de todos os idiotas da Ordem da Fênix. Falando nisso, perguntou sobre a tal Heathcliff?
- Sim senhor. Os pais são membros da Ordem da Fênix Original, e estavam vivendo nos Estados Unidos desde a queda do Lorde. Agora que a situação na Inglaterra se agravou, voltaram para ajudar.
- Certamente... Bem, mais uma família para perseguir. Mas e quanto à coisa que Potter pode estar procurando?
Draco ficou nervoso. O que diria agora? Esquecera de comentar com Snape e Dumbledore que Amico já desconfiava que Potter estivesse atrás de alguma coisa. Teria de improvisar.
- A única coisa que ele procura no momento é um bom esconderijo, senhor.
- Haha! Pode ter certeza disso! E parece que encontrou não é, ninguém sabe dele há meses. De qualquer forma, obrigada pelas informações Draco. Cumpriu muitíssimo bem sua missão, e antes do tempo determinado!
- Ás ordens, senhor... Só mais uma coisa. A garota ainda está presa nas masmorras. O que faço com ela?
- Se já tirou dela todas as informações possíveis, solte-a. Mas se quiser usá-la para outros interesses, fique a vontade. Ela não é de se jogar fora, não é mesmo?
Draco riu nervoso.
- É uma bela garota, senhor. Pensarei no assunto. Com licença. – e dizendo isso saiu da sala.
Desceu como um raio até as masmorras, e não soube dizer por que, mas estava morrendo de raiva de Carrow, pelo que dissera de Gina. Ele jamais abusaria de uma mulher na situação dela, principalmente depois da pequena crise emocional que ela tivera ontem.
Entrou na sala onde Gina estava trancada. Ela estava dormindo. Ele se deixou observá-la, e céus, como era linda! O rosto tinha um toque angelical, mas ao mesmo tempo sexy, com um leve tom rosado nas bochechas, sem contar as pequenas sardas que salpicavam a região. Os lábios eram rosados e carnudos, e Draco não pôde deixar de imaginar como seria beijá-los.
Como se soubesse que estava sendo observada, a garota acordou, abrindo os olhos lentamente e deparando-se com Draco ali, encarando-a. Ela estava se levantando sem jeito quando Draco disse:
- Sabe, você é linda Gina. – e então ela ficou tão vermelha quanto seus cabelos. E assim, ainda mais linda. Céus, como nunca reparara nela? Ela pareceu se recompor, porque brincou com Draco:
- E até que você é um loiro muito atraente, Draco. – Agora foi a vez dele corar. A garota percebeu seu embaraço e desatou a rir. Draco observou-a, perguntando-se qual era o problema dela, mas não pôde resistir e riu também. Riu como uma criança sem preocupações.
- Você já se viu no meio de um ataque de risos? – Ele perguntou, quando recuperou-se – Está tão vermelha quanto seus cabelos!
- Ah, isso é muito normal na minha família. Agora, você já se viu no meio de um ataque de risos? Parece até que alguém derramou tinta cor-de-rosa na sua cara! E não combina nada com o seu cabelo!
Draco riu e consultou ao relógio de pulso, constatando que já era tarde, e alguém com certeza tinha dado pela falta dela.
- Gina, já está tarde. É melhor você voltar para a sua sala comunal e aparecer no jantar.
- Ah, é mesmo... E o que eu digo quando perguntarem onde estive?
- Diga que estava chateada com Heathcliff pela cena que ela armou, chegou tarde e saiu cedo do dormitório e que passou o dia perambulando pelos jardins.
- Certo... Então eu vou indo. Preciso de um banho, e de cama.
- Vai lá... – ela ia saindo, mas ele a parou – E Weasley... Conversar com você foi realmente bom. Eu geralmente guardo meus pensamentos só pra mim. Não tenho ninguém em quem confiar, e compartilhá-los com você foi... Bem... Legal. – Ela sorriu, e abrindo a porta, disse:
- Hoje foi você quem desabafou. Da próxima vez serei eu. A gente se vê Draco.
•••
Gina chegou ao retrato da mulher gorda, disse a senha sorridente e entrou na sala comunal feito um furacão, sem nem olhar em volta. Subiu as escadas correndo, e quando entrou no quarto, surpreendeu Hera mexendo no seu malão.
- O que acha que está fazendo? – Gina não escondeu a frustração. Quem essa garota achava que era para mexer assim em suas coisas?
Hera se levantou fazendo cena, sorrindo cinicamente.
- Só verificando se você não interceptou nenhuma carta que Harry tenha mandado pra mim. Aqui não tem nada. Você queimou, rasgou? O que fez?
- Eu não tenho notícias do Harry desde quando ele partiu. Nem mesmo meu irmão ou Hermione mandaram notícias, nem pra mim, nem pra Ordem. E você não deveria esperar que mandassem pra você. Francamente!
- Francamente o que? Eu descubro que você tem uma paixão secreta pelo meu namorado, e você achou que ia ficar tudo bem, que eu não fosse dizer nada?
- Hera, acorda! Eu não tenho uma paixão secreta pelo Harry, e ele não é seu namorado! Harry e eu namoramos no período passado, mas quando Dumbledore morreu e deixou a missão pra ele, Harry terminou comigo, mas prometeu que quando tudo isso acabasse, ficaríamos juntos de novo. Qual não é minha surpresa quando você vem me contar que vocês se beijaram antes dele partir! Agora você pode imaginar como me sinto? E eu não te disse uma palavra Hera, uma palavra! Porque você não tem culpa, você não sabia! Mas agora me arrependo, vejo como fui idiota! Deveria ter partido pra cima de você! É isso o que você merece! E deixe de ser paranóica! Ele não mandou cartas pra você nem pra ninguém! Ele não pode denunciar o paradeiro!
- Você é uma traidora Virgínia. Deveria ter me contado desde o início sobre o caso que vocês tiveram! Por acaso não percebeu que eu gostei dele desde o instante em que o vi? E além do mais, onde é que você estava até agora? Não te vejo desde a última aula de ontem!
- Eu não queria ver essa sua cara tão cedo, então voltei tarde pro dormitório, você estava dormindo de boca aberta, só pra constar – inventou Gina - e saí muito cedo hoje, por isso não me viu. – Gina percebeu que ela abria a boca para soltar mais asneiras, então interrompeu-a – Olha Hera, é melhor você ficar calada. Você é a errada na história, e não importa o que diga, não vai mudar isso. Agora eu vou tomar um banho e jantar. Com licença.
Dizendo isso, pegou uma toalha e entrou no banheiro, onde tomou um banho quente e demorado.
Quando saiu, não havia ninguém no quarto. Como era sábado, a vestimenta era livre. Abriu o baú e procurou algo diferente do que costumava usar. "Chega de ser sem graça, Virgínia! Foi por isso que ele preferiu ela", disse para si mesma. Acabou optando por uma calça jeans justa, que moldava bem suas pernas, e uma blusa de alcinhas, também justa, mas sem mostrar muito. Nos pés calçou um par de botas sem salto que iam até o joelho. O cabelo estava escorrido e sem graça, então com um toque de varinha deixou-o ondulado e volumoso. Nunca na vida se sentira tão bonita. Modéstia parte, estava mais bonita que Hera. (N/A: Look e cabelos à La Blake Lively [Serena VDW])
Desceu as escadas do dormitório feliz da vida, encontrando Neville no buraco do retrato.
- Caramba, Gina! Você está linda hoje! E esse sorriso hein? – o amigo a conhecia bem.
- Obrigada Neville. Vamos jantar? Estou faminta! – ele riu e acompanhou-a até o Salão Principal, onde ela sentiu muito mais olhares sobre si do que o normal. Será que estava tão diferente assim?
•••
Draco, assim como o resto do salão, não pôde deixar de reparar na linda garota ruiva que entrava no salão, conversando distraidamente com Longbotton, e quase perdeu o fôlego. Por Deus, nunca a vira tão bonita antes. Ela estava diferente... Usava uma roupa diferente, o cabelo estava diferente... E diferente de um jeito bom.
Observou-a sentar-se à mesa da Grifinória juntamente com alguns setimanistas, e então os olhares se encontraram, e ela sorriu. Ele não pôde evitar e sorriu também, um sorriso discreto, mas cheio de emoção, que nem ele mesmo sabia distinguir.
- Do que está rindo Draco? – Era Pansy. Droga. O que diria a ela? Não tinha nenhum conhecido nas outras casas a quem costumasse sorrir. Disse a primeira coisa que lhe veio à cabeça.
- Os dentes da frente de Longbotton parecem aumentar gradativamente com os anos. – disse isso em tom desinteressado, porém arrancou risadas de todos que puderam ouvir o que dissera.
- Parece que está de bom humor hoje – Pansy começou, chegando mais perto dele no banco – quem sabe eu não passe no seu quarto mais tarde.
- Hoje não, Pansy – disse ríspido – tenho outros assuntos para resolver.
A garota murchou na hora. De tempos em tempos ela tentava uma reaproximação, mas tudo o que conseguia era mais uma patada. Uma hora teria que desistir.
- Eaí, Draco – começou Blaise, tentando aliviar o clima que se formara – Vamos tomar umas brejas amanhã na beira do lago? Daqui uns dias esfria de vez e não dá mais. Topa?
- To dentro... – ele disse pouco animado - Mas quem é que vai buscar a bebida? Eu já fui da última vez.
Exatamente o que previra... Ninguém queria ir buscar as cervejas.
- Vai sobrar pra mim mesmo né? Eu busco a merda da bebida! – Blaise disse em um tom de falsa raiva.
- Nada mais justo, quem bebe mais é você mesmo... – Draco debochou e os outros riram.
Depois de comer Draco levantou-se e saiu apressado do salão, antes que Pansy resolvesse segui-lo, mas não sem dar uma última olhada na mesa da grifinória e encontrar o par de olhos chocolate que procurava.
•••
Quando Gina acordou na manhã seguinte, já passavam das onze horas, era quase hora do almoço. Ela levantou vagarosamente, espreguiçando-se em seguida. O quarto estava vazio. Foi ao banheiro escovar os dentes e lavar o rosto, e então voltou para o quarto, abrindo o baú para desenterrar uma roupa decente. Chega de roupas largas e feias, jurara a si mesma. Escolheu um vestido cinza de mangas curtas, que era largo, mas não chegava ao meio de suas coxas, portanto era 'proporcional'. Já começava a esfriar, então enfiou-se numa meia calça escura e nos pés calçou um scarpin preto, de bico redondo e com um salto baixo o suficiente para não chamar muita atenção.
O cabelo ainda estava ondulado por causa do feitiço que fizera, então pegou duas mechas da frente e puxou-as para trás, prendendo com uma presilha.
Ela estava satisfeita com o resultado. Vivia dizendo a si mesma que Harry a trocara por Hera porque a outra era bem vestida, e ela não tinha dinheiro para tanto. Mas vendo bem, o look que montara com as peças de brechó não perdia em nada para as roupas de grife da garota.
Já era hora do almoço, então desceu as escadas do dormitório, encontrando o salão comunal quase vazio. Saiu pelo buraco do retrato e rumou para o Salão Principal.
Quando chegou, sentou-se ao lado de Simas, que acenara logo que a vira entrando. Comeu enquanto conversando com os garotos, rindo das histórias sem pé nem cabeça de Simas.
- Sério! Ele teve um ataque, e ela precisou chamar um médico trouxa para examiná-lo! – ele estava contando como a mãe dele revelou ao marido (que era trouxa) sobre sua descendência mágica.
Gina desviou o olhar dos amigos, que acabou indo parar na mesa da Sonserina. Draco falava alguma coisa a Zabini, que concordou e saiu levando a tropa, deixando o loiro para trás. Ela voltou a atenção à conversa de Simas, que agora narrava o dia em que a mágica se manifestara nele pela primeira vez.
Ela já terminara de comer, e passados alguns minutos, despediu-se dos meninos e saiu do salão. Porém logo que dobrou o corredor, foi puxada de encontro a alguém, que agora que podia ver, era Draco.
- Que susto! – ela disse com a respiração ofegante.
- Desculpe... Escuta, eu combinei com uns colegas de tomar umas cervejas na beira no lago, mas só vou ficar por lá um pouquinho. Me encontra naquela sala vazia no segundo andar daqui a uns quarenta minutos? Estou te devendo um ouvido de penico, né. – Ele sorriu amarelo quando disse isso. Ela segurou uma gargalhada, contentando-se em curvar os lábios num sorriso.
- Tá bom, mas não se atrasa!
- Pode deixar. Até já então. – e dizendo isso saiu em direção à porta de entrada. Gina não pôde evitar rir quando pensou no que sua mãe diria se soubesse que andava conversando com Draco Malfoy em salas desertas.
•••
Já estava sentado na grama embaixo daquela árvore havia quase meia hora. Tinha bebido apenas duas cervejas amanteigadas, não queria aparecer bêbado para conversar com a Weasley. Já fizera mais que seu dever social. Era hora de ir.
- Zabini, vou indo nessa, cara.
- Mas já Draco? Por quê? – Pansy perguntou manhosa, os olhos esperançosos.
- Tenho um compromisso agora... E vou levar uma dessas aqui Zabini, olha. Depois te pago – Disse pegando uma garrafa de uma bebida que Zabini disse se chamar Vodka. Coisa dos trouxas, mas que era boa, isso era.
- Ei! Minha Vodka não! – Berrou Zabini, mas Draco já estava andando e fingiu nem escutar.
Entrou no castelo andando o mais depressa que pôde, pulando os degraus das escadarias de dois em dois. Em menos de dez minutos estava em frente à porta da sala que combinara com Gina. Ele girou a maçaneta e não se surpreendeu ao encontrá-la lá dentro, sentada numa espécie de colchão fofo cheio de almofadas que ela mesma devia ter conjurado.
- Você se atrasou! – ela sorria docemente – Que bebida é essa aí?
- Vodka. Foram os trouxas que inventaram, é bom pra caramba. Trouxe pra você experimentar.
- Você não estaria tentando me embebedar, estaria? – ela parecia desconfiada.
- Não, Gina, eu não estou. – ela sorriu – Mas antes da gente beber, você me conta seus problemas. Daí a gente pode afogar as mágoas juntos, afinal eu já te contei os meus.
- Huum por onde começar? São tantos!
- Que tal do começo?
- Bem, eu sou a mais nova de sete filhos, todos homens, portanto com exceção das roupas, tudo que eu tenho já foi usado, mas você sabe disso Draco. Aliás, muitas vezes você riu de mim e dos meus irmãos por isso.
- Me desculpe por isso. – Ele estava realmente sem jeito – Nessa época eu tinha uma idéia diferente do que realmente importa. E isso era mais dor de cotovelo da minha parte, pra ser bem franco. Apesar de vocês passarem dificuldades, sua família é muito unida, e isso se vê de longe. Nunca tive razão para reclamar da minha mãe, ela me deu toda a atenção que eu precisei, mas meu pai nunca tinha tempo pra mim, e quando tinha, só sabia me criticar. E quando eu via seu pai, sempre tão atencioso com vocês, eu sentia inveja, então a única forma de me ver superior era me gabando do meu dinheiro, que era a única coisa que eu tinha a mais que vocês.
- Uau... Isso é bem mais do que eu teria imaginado. Prosseguindo... Amei Harry desde a primeira vez que o vi, mas ele nunca me deu a mínima atenção, então no fim do meu quarto ano comecei a sair com outros garotos, mas nunca o esqueci realmente. No meu quinto ano eu estava namorando Dino Thomas, e foi aí que Harry me enxergou, ou diz que enxergou, eu não sei. Acabou que eu e Dino rompemos no meio do ano, e no final dele eu e Harry ficamos juntos, e eu achei que seria pra sempre. Mas me enganei. Quando Dumbledore morreu, Harry terminou comigo, alegando que era perigoso demais pra mim estar ao lado dele, que os comensais viriam atrás de mim. Mas ele jurou que quando a guerra acabasse, se ele estivesse vivo, ficaríamos juntos de novo.
- Mas...?
- Hera apareceu. Havíamos acabado de entrar de férias quando ela e os pais se mudaram para a sede da Ordem. Minha mãe passa quase o dia todo lá, então é claro que eles sempre apareciam na minha casa. No dia trinta e um de julho Harry foi escoltado até a minha casa, você deve saber. – Ele confirmou com a cabeça – E alguns dias depois, ela veio nos visitar, e eles se conheceram. Eu vi que ela queria sempre estar perto dele, mas pensei que fosse por causa daquela história toda, dele ser o Eleito, algumas garotas enlouquecem com isso. Mas, bem, eles ficaram próximos. Ela começou a vir à minha casa todos os dias, e quando não vinha, Harry ia até a sede. Então, depois do desastre que foi o casamento do meu irmão, como você também deve saber, ela veio me contar que antes dele ir embora com Rony e Hermione, os dois se beijaram.
- E o que você fez?
- Nada! O que eu poderia fazer? Eu não tinha mais nada com ele, e ela nem sabia que nós havíamos tido algo. Mas é claro que meu mundo caiu quando ela disse aquilo. Eu fiquei sem forças durante semanas. Então começou o meu martírio, de me perguntar por que ele me trocou por ela. Ela seria mais bonita? Mais arrumada, bem vestida? Mais simpática? Até hoje não encontrei a resposta.
- Gina, no dia em que te seqüestrei, disse aquelas coisas da boca pra fora. Você é linda, OK? E além do mais, parece que você está mudando o jeito de se vestir. E sinceramente, antes vocês empatavam, mas agora você está bem mais bonita que ela. – ela corou.
- Bem, ontem eu decidi mudar. Ela é tão bonita porque se arruma, talvez isso tenha chamado a atenção do Harry. Então eu me perguntei, por que não me arrumar também? E não estou fazendo isso por ele, estou fazendo por mim. Acho que eu mereço.
- Com certeza merece.
- Ah chega de falar, já fiquei deprê. Vamos beber logo esse negócio aí.
- Ah, mas beber assim, por beber? Que tal a gente fazer uma brincadeira?
- Que brincadeira? – Ela perguntou desconfiada.
- Já brincou de 'Eu Nunca'?
- Eu nunca brinquei de 'Eu Nunca'. – Ela disse, rindo da própria piada, e arrancando risos dele também.
- Então eu te ensino. Eu digo uma coisa que nunca fiz, por exemplo: Eu nunca comi ovos assados. Se você já comeu, você tem que tomar uma dose de vodka. Se você também não comeu, quem toma sou eu. Aí você diz algo que nunca fez, e assim por diante, até secar o litro.
- Legal! Eu começo! – ela disse animada, enquanto Draco conjurava dois copinhos e os enchia de vodka. – Eu nunca voei numa Nimbus 2001.
Ele fez cara feia e bebeu seu copo, enchendo-o de novo.
- Ah, você vai jogar sujo então? Muito bem. Eu nunca beijei Harry Potter.
Ela riu e virou o copinho, fazendo cara feia quando o líquido desceu rasgando sua garganta.
- Nossa! É Forte! Vamos lá... Eu nunca quebrei o nariz de ninguém. – Draco virou o copo pela segunda vez. Ela não era nada besta. Sorte que ele também não era.
- Eu nunca dividi meu quarto com ninguém – disse sem idéias.
- Sorte sua – ela reclamou, virando o segundo copo. – Eu nunca usei uma Maldição Imperdoável.
- Você é bem esperta, não? – E bebeu o terceiro copo – Eu nunca tive irmãos.
- Caramba, não preciso tomar seis vezes né? – e tomou o terceiro copo. – Eu nunca seqüestrei ninguém.
- Boa! – disse ele rindo junto com ela e tomando o quarto copo – Eu nunca fui seqüestrado.
- Faltou criatividade! – Ela disse antes de tomar o quarto copo. – Eu nunca... Sei lá... Beijei uma pessoa loira!
Ele bebeu o quinto copo. Ela o provocara. Ele não conseguia tirar os olhos dos lábios dela. Que mal faria? A garrafa ao lado dos dois estava quase vazia, e ele varreu-a para o chão juntamente com os dois copos, e então sorriu convencido quando disse:
- Mas isso eu resolvo agora. – E dizendo isso cedeu ao impulso, passando o braço pelo pescoço da garota para aproximá-la, e antes que ela pudesse dizer alguma coisa, colou seus lábios nos dela.