VINTE E UM
Enquanto atravessamos os corredores até o cenário, Harry e eu não trocamos uma palavra. Dou uma rápida olhada para ele quando viramos um corredor e sua expressão está ainda mais dura do que antes, na sala verde.
Ah está bem Também posso ficar dura. Posso ficar dura e profissional Com firmeza, levanto meu queixo e começo a dar passadas mais largas, fingindo ser Aléxis Carrington, do seriado Dynasty.
— Então, vocês dois já se conhecem? — pergunta Zelda, que vai andando entre nós.
— Sim, já nos conhecemos — diz Harry breve.
— Num contexto profissional — digo, igualmente breve. — Harry está sempre procurando promover algum produto financeiro patético. E eu estou sempre evitando seus telefonemas.
Zelda dá uma risada apreciando e vejo os olhos de Harry brilharem de raiva. Mas realmente não ligo. Não me importa o quanto ele se irrita. De fato, quanto mais irritado
ele fica, melhor me sinto.
— Então, Harry, você deve ter se aborrecido bastante com o artigo de Ginevra no Daily World — diz Zelda.
— Não fiquei satisfeito — diz Harry.
— Ele me telefonou para reclamar, você acredita? — digo alegremente. — Não consegue aceitar a verdade, hein, Harry? Não quer enxergar o que há sob o brilho de RP? Sabe, talvez você devesse mudar de emprego.
Há um silêncio e me viro para ver Harry. Ele parece tão furioso que, por um terrível instante, chego a pensar que vai me bater. Depois seu rosto muda e, numa voz calma e gelada, ele diz:
— Vamos entrar logo no maldito cenário e acabar com essa farsa, está bem?
Zelda levanta as sobrancelhas para mim e eu sorrio de volta. Nunca vi Harry tão perturbado como agora.
— Está bem — diz Zelda quando nos aproximamos de um conjunto de portas duplas giratórias. — Chegamos. Falem baixo quando entrarmos.
Ela abre as portas e nos faz entrar e, por um momento, chego a vacilar na minha encenação. Sinto-me toda trêmula e aterrorizada, exatamente como Laura Dern, em Parque dos dinossauros, quando viu os dinossauros pela primeira vez. Porque lá está, na vida real. A vida real do cenário do Morning Coffee. Com o sofá, todas as plantas e tudo mais, tudo iluminado com as luzes mais brilhantes, mais ofuscantes como nunca vi na minha vida.
Isto é simplesmente irreal. Quantos zilhões de vezes sentei em casa, assistindo isto na televisão? E agora vou fazer parte disto. Não consigo acreditar muito bem.
— Temos uns minutinhos até o intervalo comercial — diz Zelda, nos guiando pelo chão coberto por um monte de cabos de energia. — Rory e Emma ainda estão com Elisabeth no cenário da biblioteca.
Ela nos diz para sentarmos em lados opostos da mesa de café e eu, cautelosamente, obedeço. O sofá é mais duro do que eu esperava e um pouco... diferente. Tudo é diferente. Deus, isto é esquisito. As luzes no meu rosto são tão fortes que quase não consigo enxergar e também não sei como devo sentar. Uma garota se aproxima, passa um fio de microfone por baixo da minha blusa e prende na minha gola. Estranhamente, levanto minha mão para empurrar meu cabelo para trás, e imediatamente Zelda vem correndo na minha direção.
— Procure não se movimentar muito, está bem, Ginevra? — diz ela. — Não queremos ouvir muito ruído pelo microfone.
— Certo — digo. — Me desculpe.
De repente minha voz parece não estar funcionando adequadamente. Sinto como se tivessem enchido minha garganta com um chumaço de algodão. Olho para uma câmera próxima e, para meu horror, vejo-a aproximando-se de mim.
— Tudo bem, Ginevra— diz Zelda, correndo novamente para mim. — Mais uma regra de ouro, não olhe para a câmera, está bem? Simplesmente aja com naturalidade!
— Está bem — respondo secamente.
Agir com naturalidade. Fácil, fácil.
— Trinta segundos até o boletim de notícias — informa ela, olhando para seu relógio. — Tudo bem, Harry?
— Sim — diz Harry, calmo. Ele está sentado no sofá como se estivesse lá ávida inteira. Típico. Para os homens está tudo bem, eles não se importam com a sua aparência.
Eu me mexo no meu assento, puxo nervosamente minha saia e aliso meu paletó. Sempre dizem que a televisão engorda a pessoa uns cinco quilos, o que significa que minhas pernas vão parecer gordas. Talvez eu deva cruzá-las para o outro lado. Ou não cruzá-las de jeito nenhum? Mas então talvez elas pareçam mais gordas ainda.
— Olá! — surge uma voz num tom alto do outro lado do cenário antes que eu consiga me decidir. Minha cabeça se vira e sinto uma pontada de nervoso no estômago. É Emma March em pessoa! Ela está usando um tailleur cor-de-rosa e correndo em direção ao sofá, seguida de perto por Rory, cujo rosto parece mais quadrado do que o normal. Deus, é estranho ver celebridades na vida real. Elas não parecem reais mesmo, de certa forma.
— Olá! —diz Emma alegremente e senta-se no sofá. — Então são vocês as pessoas das finanças, não são? Nossa, estou louca por um xixi. — Ela franze a testa para as luzes. — Quanto tempo dura este quadro do programa, Zelda?
— Oi pessoal! — diz Rory e aperta minha mão. — Roberta.
— É Ginevra! — diz Emma enquanto me dá um olhar de solidariedade. — Sinceramente, ele não tem jeito. — Ela se contorce no sofá. — Nossa, eu realmente preciso ir ao banheiro.
— Agora é tarde demais — diz Rory.
— Mas não faz mal à saúde não ir quando se precisa? — Emma franze a sobrancelha, ansiosa. — Nós não tivemos um programa sobre isso uma vez? Telefonou aquela garota maluca que só ia uma vez por dia. E o Dr. James disse... o que ele disse?
— Não tenho a menor idéia — diz Rory alegremente. — Esses programas, interativos sempre fogem à minha compreensão. Agora eu estou lhe avisando, Ginevra — acrescenta ele, virando-se para mim — nunca consigo acompanhar nada desse assunto de finanças. E intelectual demais para mim. — Ele me abre um sorriso amplo e eu respondo com um sorriso fraco.
— Dez segundos — avisa Zelda de dentro do cenário, e meu estômago dá um puxão de medo. Pelos alto-falantes posso ouvir o tema musical de Morning Coffee indicando o fim do intervalo comercial.
— Quem começa? — diz Emma, espremendo os olhos para o teleprompter. — Ah, eu.
Então é isso aí. Sinto-me quase abobalhada de medo. Não sei para onde devo olhar; não sei quando devo falar. Minhas pernas estão tremendo e minhas mãos estão cerradas no meu colo. As luzes estão ofuscando meus olhos, uma câmera está se aproximando à minha esquerda, mas preciso tentar ignorá-la.
— Estamos de volta! — diz Emma de repente para a câmera. — Agora, o que você preferia ganhar? Um relógio de parede ou 20.000 libras?
O quê? Penso em estado de choque. Mas estas são minhas palavras. E o que eu ia dizer.
— A resposta é óbvia, não é? — continua Emma sem pensar muito. — Todos nós preferimos as 20.000 libras.
— Claro! — exclama Rory com um sorriso alegre.
— Mas quando alguns investidores da Flagstaff Life, recentemente, receberam uma carta sugerindo que transferissem suas economias — diz Emma, de repente adotando uma expressão sóbria — eles não sabiam que, se fizessem isso, perderiam uma bonificação de 20.000 libras. Ginevra Weasley é a jornalista que revelou essa história.
Ginevra, você acha que este tipo de decepção acontece muito?
E de repente todos estão olhando para mim, esperando minha resposta. A câmera está no meu rosto; o estúdio está em silêncio.
Dois milhões e meio de pessoas, todos olhando em casa.
Ah, Deus. Não consigo respirar.
— Você acha que os investidores precisam ser cautelosos? — provoca Emma.
— Sim — consigo responder, numa voz estranha e pouco clara. — Sim, acho que deveriam.
— Harry Potter, você representa a Flagstaff Life — diz Emma, virando-se para ele. —Você acha...
Merda, penso infeliz. Foi patético. Patético! O que aconteceu com a minha voz, pelo amor de Deus? O que aconteceu com todas as minhas respostas preparadas?
Agora nem estou ouvindo a resposta de Harry. Anda, Ginevra. Preste atenção. Concentre-se.
— O que é preciso lembrar — Harry está dizendo calmamente — é que ninguém tem direito a uma bonificação. Este não é um caso de ser logrado! — Ele sorri para Emma. — Isto é simplesmente um caso em que uns poucos investidores foram um pouco ávidos de
mais por seus próprios interesses. Eles acreditam que perderam, portanto estão deliberadamente vendendo uma imagem negativa da empresa. Enquanto isso, há milhares
de pessoas que se beneficiaram da Flagstaff Life.
O quê? O que ele está dizendo?
— Entendo — diz Emma, concordando com a cabeça. — Então, Harry, você concordaria que...
— Espera um minuto! — ouço minha voz interromper.
— Só... só um minuto. Sr. Potter, o senhor acabou de chamar os investidores de gananciosos?
— Não todos — diz Harry. — Mas alguns, sim.
Olho para ele incrédula, minha pele pinicando de indignação. Uma imagem de Janice e Martin vem à minha cabeça — as pessoas mais doces, menos gananciosas do mundo — e por alguns instantes fico tão furiosa que não consigo falar.
— A verdade é que a maioria dos investidores da Flagstaff Life tiveram lucros fantásticos nos últimos cinco anos — Harry continua explicando a Emma, que está concordando com a cabeça inteligentemente. — E é com isto que eles deveriam estar preocupados. Investimento de boa qualidade. Não com bonificações imediatas. Afinal,
a Flagstaff Life foi inicialmente criada para proporcionar...
— Corrija-me se estiver errada, Harry — interrompo, forçando-me a falar com calma. — Corrija-me se estiver errada, mas acredito que a Flagstaff Life foi originalmente criada como um fundo de investimento? Para o benefício mútuo de todos os seus membros. Não para beneficiar alguns em detrimento de outros.
— Claro — retruca Harry sem vacilar. — Mas isto não dá a cada investidor o direito a uma bonificação de 20.000 libras, dá?
— Talvez não — digo, minha voz elevando-se levemente. — Mas certamente lhes dá o direito de acreditar que não serão iludidos por uma empresa onde eles investiram seu dinheiro por quinze anos? Janice e Martin Longbottom confiavam na Flagstaff Life.
Eles confiaram na orientação que receberam. E olhe para onde aquela confiança os levou!
— Investimento é um jogo de sorte — diz Harry gentilmente. — As vezes você ganha...
— Não foi sorte! — ouço-me gritar furiosamente. — Claro que não foi sorte! Você está me dizendo que foi uma total coincidência eles terem sido orientados a transferir seus recursos financeiros duas semanas antes de ser anunciada a bonificação?
— Meus clientes estavam simplesmente tornando disponível uma oferta que eles acreditavam que iria acrescentar valor aos portfólio de seus clientes — diz Harry, dando-me um sorriso apertado. — Eles me asseguraram que estavam apenas querendo beneficiar seus clientes. Eles me asseguraram que...
— Então você está dizendo que seus clientes são incompetentes? — retruco. — Está dizendo que eles tinham as melhores intenções, mas erraram?
Os olhos de Harry brilham de raiva e sinto uma sensação de divertimento.
— Não vejo...
— Bem, poderíamos continuar discutindo o dia todo! — diz Emma, deslocando-se um pouco no assento. — Mas continuando para algo um pouco mais...
— Francamente, Harry — digo, cortando-a. —Francamente. Você não pode ter as duas coisas. — Inclino-me para ele, marcando pontos na minha mão. — Ou a Flagstaff Life foi incompetente, ou estava deliberadamente procurando economizar dinheiro. Qualquer que
seja, eles estão errados. Os Longbottom eram clientes leais e deveriam ter recebido aquele dinheiro. Na minha opinião, a Flagstaff Life os encorajou, deliberadamente, a trocar de investimento para evitar que eles recebessem a bonificação. Quero dizer, é óbvio, não é?
Olho em volta procurando apoio e vejo Rory olhando para mim estupefato.
— Tudo é um pouco técnico demais para mim — diz ele com uma risadinha. — Um pouco complicado.
— Tudo bem, vamos colocar isso de outra maneira. — digo rapidamente. —Vamos... — Fecho meus olhos, buscando inspiração. — Vamos... suponha que estou numa loja de roupas! — Abro meus olhos novamente.
— Estou numa loja de roupas e escolho um lindo casaco de cashmere Nicole Farhi. Tudo bem?
— Tudo bem — diz Rory cauteloso.
— Adoro Nicole Farhi! — diz Emma, animando-se. — Uma lã maravilhosa.
— Exatamente — digo. — Tudo bem, então imagine que estou em pé na fila para pagar, cuidando da minha vida, quando uma vendedora se aproxima e diz: "Por que não compra este outro casaco em vez deste? A qualidade é melhor e ainda posso acrescentar um vidro de perfume grátis”.Não tenho nenhuma razão para desconfiar da vendedora por isso, penso, que maravilha, e compro o outro casaco.
— Certo — diz Rory, acenando. — Até aqui estou acompanhando.
— Mas quando chego do lado de fora — digo cuidadosamente —, descubro que este outro casaco não é Nicole Farhi como também não é cashmere verdadeiro. Volto para a loja e eles me dizem que não vão me devolver o dinheiro.
— Você foi enganada! — exclama Rory, como se tivesse acabado de descobrir a lei da gravidade.
— Exatamente — digo. — Fui enganada. E o problema é que também o foram milhares de clientes da Flagstaff Life. Eles foram persuadidos a abandonar sua escolha original de investimento, para optar por um fundo que os deixou com menos 20.000 libras. — Faço uma pausa, ordenando meus pensamentos.
— Talvez a Flagstaff Life não tenha desobedecido à lei. Talvez eles não tenham quebrado nenhuma regra. Mas há uma justiça natural neste mundo, e eles não só a quebraram, eles a estilhaçaram. Esses clientes mereciam aquela bonificação. Eles eram clientes leais, antigos, mereciam. E se você é honesto, Harry Potter, sabe que eles mereciam.
Termino minha fala sem ar e olho para Harry. Ele está me fitando com uma expressão indecifrável no rosto e, sem querer, sinto meu estômago dar um nó de nervoso. Engulo, procuro afastar meu olhar do dele, mas de algum modo não consigo mexer minha cabeça. É como se nossos olhos estivessem colados um no outro.
— Harry? — diz Emma. — Você tem uma resposta para o argumento de Ginevra?
Harry não responde. Está olhando para mim, e eu para ele, sentindo meu coração pular como um coelho.
— Harry? — repete Emma levemente impaciente. — Você tem...
— Sim — diz Harry. — Sim, eu tenho. Ginevra... — Ele balança a cabeça, quase sorrindo para si mesmo, depois olha novamente para mim. — Ginevra, você está certa.
De repente faz-se um silêncio total no estúdio.
Abro minha boca, mas não consigo emitir um som sequer.
Do canto do meu olho, vejo Rory e Emma se olhando perplexos.
— Desculpe, Harry — diz Emma. — Você quer dizer...
— Ela está certa — diz Harry, e encolhe os ombros. — Ginevra está absolutamente certa. - Ele pega seu copo d'água, inclina-se no sofá e toma um gole. — Se você quer minha opinião sincera, esses clientes mereciam aquela bonificação. Eu gostaria muito que eles a tivessem recebido.
Isto não pode estar acontecendo. Harry está concordando comigo. Como ele pode estar concordando comigo?
— Entendo — diz Emma, parecendo um pouco injuriada. — Então você mudou sua posição?
Há uma pausa, enquanto Harry olha pensativo seu copo d'água. Depois ele olha e diz:
— Minha empresa é contratada pela Flagstaff Life para manter sua boa imagem diante do público. Mas isto não significa que eu, pessoalmente, concorde com tudo o que eles fazem, ou mesmo que eu saiba de tudo que eles fazem. — Ele faz uma pausa. — Para dizer a verdade, eu não tinha a menor idéia de que isto estava acontecendo até ler o artigo de Ginevra no Daily World. Que, por falar nisso, foi um excelente artigo de jornalismo investigativo — ele acrescenta, acenando para mim. — Parabéns.
Olho de volta sem ação, incapaz até mesmo de murmurar "Obrigada". Nunca me senti tão sem graça em toda minha vida. Quero parar e enterrar minha cabeça nas minhas mãos e pensar em tudo isto devagar e com cuidado — mas não posso, estou na televisão ao vivo.
Dois milhões e meio de pessoas, em todo o país, estão me assistindo agora.
Merda, espero que minhas pernas estejam bonitas.
— Se eu fosse um cliente da Flagstaff e isto tivesse acontecido comigo, estaria furioso — continua Harry. — Existe uma coisa chamada lealdade ao cliente; existe uma coisa chamada jogar limpo. E eu esperaria que qualquer cliente meu, que eu represente em público, seguisse esses dois princípios.
— Entendo — diz Emma e vira-se para a câmera. — Bem, esta foi uma virada e tanto! Harry Potter, aqui para representar a Flagstaff Life, agora diz que o que eles fizeram foi errado. Mais algum comentário, Harry ?
— Para ser sincero — diz Harry, com um sorriso irônico — não estou certo se ainda estarei representando a Flagstaff Life depois disso.
— Ah — diz Rory, inclinando-se para frente com uma expressão inteligente. — E você pode nos dizer por que isso?
— Ah, francamente, Rory! — diz Emma impaciente. Ela revira os olhos e Harry dá uma pequena risada.
De repente todos estão rindo e eu os acompanho, meio histérica. Encontro o olhar de Harry e sinto algo queimar no meu peito. Rapidamente desvio os olhos dele outra vez.
— Certo, bem — diz Emma abruptamente, arrumando-se e sorrindo para a câmera. — Isto é o que os especialistas em finanças tinham a dizer, mas, logo após o intervalo, à volta do mestre-cuca para o palco...
— ... e cremes para celulite: eles realmente funcionam? — acrescenta Rory.
— E nossos convidados especiais, Heaven Sent 7, cantando ao vivo no estúdio.
A música tema ressoa do alto-falante e Emma e Rory ficam de pé num pulo.
— Debate fantástico — diz Emma, correndo embora. — Desculpe, estou morrendo por um xixi.
— Matéria excelente — acrescenta sério Rory. — Não entendi uma palavra, mas foi ótima televisão. — Ele dá um tapinha nas costas de Harry, levanta sua mão para mim e depois sai correndo do cenário.
E de repente tudo acabou. Tudo terminado. Restamos só eu e Harry, sentados um na frente do outro, nos sofás, com as luzes ainda brilhando sobre nós e os microfones ainda presos em nossas lapelas. Estou um pouco traumatizada. Um pouco tonta.
Aquilo tudo realmente acabou de acontecer?
— Então — digo finalmente e limpo a garganta.
— Então — repete Harry, com um pequeno sorriso. — Muito bem.
— Obrigada — digo e mordo meu lábio estranhamente no silêncio.
Estou pensando se ele está em apuros agora. Se atacar um de seus clientes, ao vivo na televisão, é o equivalente a uma vendedora esconder roupas de clientes.
Se ele realmente mudou de opinião por causa do meu artigo. Por causa de mim. Mas não posso perguntar isso. Posso?
O silêncio está ficando cada vez mais alto e finalmente respiro fundo.
— Você...
— Eu estava...
Nós dois falamos ao mesmo tempo.
— Não — digo, ficando vermelha. — Você fala. O meu não era... Fala você.
— Está bem — diz Harry, e encolhe o ombro. — Eu ia exatamente perguntar se você gostaria de jantar comigo esta noite.
Olho para ele surpresa.
O que ele quer dizer jantar? Ele quer dizer.
— Para discutir assuntos de trabalho — continua ele. — Gostei muito da sua idéia de fazer uma promoção de cotas de fundo fiduciário no estilo das liquidações de janeiro.
Minha o quê?
Que idéia? Do que ele está...
Ah, Deus, aquilo. Ele está falando sério? Aquilo foi só uma mania minha estúpida de falar sem pensar.
— Acho que poderia ser uma boa promoção para um determinado cliente nosso — ele está dizendo — e eu estava imaginando se você gostaria de ser consultora no projeto. Como freelancer, claro.
Consultoria. Freelancer. Projeto.
Não acredito. Ele está falando sério.
— Ah — digo, e engulo em seco, inexplicavelmente desapontada. —Ah, entendo. Bem, eu... eu acho que eu estaria livre esta noite.
— Bom — diz Harry. — Pode ser o Ritz?
— Se você gosta — digo indiferente, como se eu fosse lá todo dia.
— Bom — diz Harry outra vez, e seus olhos apertam-se num sorriso. — Vou esperar ansioso por isto.
E depois — Ah, Deus. Para meu total horror, antes que eu possa me conter, ouço minha voz dizendo com ar sacana:
— E Romilda? Ela não tem planos para você esta noite?
Já enquanto as palavras saem, sinto-me enrubescer. Ah, merda. Para que disse isso?
Faz-se um longo silêncio durante o qual quero me esconder em algum lugar e morrer.
— Romilda se foi, uma semana atrás — diz Harry finalmente, e minha cabeça levanta.
— Ah — digo delicadamente. — Ah, meu Deus.
— Sem aviso, fez a mala e se foi. — Harry olha para mim. — Ainda assim, poderia ser pior. — Faz um gesto sem expressão. — Pelo menos eu não comprei a frasqueira também.
Ah, Deus, agora vou rir. Preciso rir. Não devo.
— Sinto muito — consigo dizer afinal.
— Eu não — diz Harry olhando para mim sério, e a risada dentro de mim morre. Olho de volta para ele nervosa e sinto meu coração começar a bater acelerado.
— Ginevra! Harry!
Nossas cabeças se viram para ver Zelda se aproximando do cenário com uma prancheta na mão.
— Fantástico! — exclama ela. — Justo o que nós queríamos. Harry, você esteve ótimo. E Ginevra... — Ela se aproxima, senta ao meu lado no sofá e dá um tapinha no meu ombro.
— Você foi tão maravilhosa que nós estávamos pensando se você gostaria de ficar como nossa consultora no ‘ligue-agora’ para responder às perguntas por telefone, mais tarde no programa?
— O quê? — Olho para ela. — Mas... mas eu não posso! Não sou especialista em nada.
— Ha-ha-ha, muito bem! — Zelda dá uma risada apreciando. — O bom em você, Ginevra, é que você tem o toque popular. Vemos você como uma guru das finanças que encontra a vizinha. Informativa mas acessível. Esclarecida mas com os pés no chão. A especialista em finanças com quem as pessoas realmente querem falar. O que você acha, Harry?
— Acho que Ginevra vai se sair perfeitamente bem na função — diz Harry. — Não consigo imaginar ninguém mais bem qualificado. Também acho que é melhor eu sair do seu caminho. — Ele se levanta e sorri para mim, — Vejo você mais tarde, Ginevra. Até logo, Zelda.
Observo meio confusa enquanto atravessa o chão repleto de fios em direção à saída, quase querendo que olhe para trás.
— Certo — diz Zelda, e aperta minha mão. — Vamos lá que eu vou orientar você.
N/T – Oi galera!!!!!!!!!!
Bom respondendo a pergunta da tukinha weasley sim vai ter NC nessa fic escrita por mim , no original não tem. Bom esta ai mais um capitulo espero que gostem Bjs galera
Fiquem com JESUS
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