Capítulo II – Convocação
Gina abriu os olhos devagar na manhã seguinte ao banquete de boas vindas, que ao invés de acolher aos alunos, os espantara. Snape fez um breve discurso, contando aos estudantes como o Lorde das Trevas achava importante os jovens terem uma boa educação e treinamento. As maldições imperdoáveis agora não eram mais imperdoáveis, portanto seriam trabalhadas nas aulas de Defesa Contra a Arte das Trevas, cujo novo professor era um comensal da morte. Gina riria, se a situação não fosse tão crítica.
Levantou-se sem demoras, acordou Hera, que dormia na cama ao seu lado, e rumou para o banheiro a fim de tomar um banho, já se preparando para o inferno que seria o seu dia.
Saiu vestida com um roupão felpudo e uma toalha enrolada nos cabelos. Hera já passava maquiagem em frente ao espelho. Perto dela, via como era relaxada. Suas unhas não tinham esmalte, seu rosto tinha uma aparência cansada e fazia tanto tempo desde que cortara os cabelos, que eles já lhe chegavam ao bumbum. Não era para menos que Harry havia gostado da garota. Era bonita por natureza, tinha que admitir. Hera possuía cabelos compridos e cacheados, num tom castanho claro, e o rosto tinha traços marcantes, além dos olhos verde-claro que encantavam a todos que a viam.
Por um momento, Gina sentiu raiva. Como assim essa garota chegara em sua vida sem mais nem menos e roubara seu namorado? Isso não estava certo. Mas então lembrou que Harry não era seu namorado, era seu ex-namorado, e que Hera nem ao menos sabia disso. Se alguém tinha culpa de algo, este alguém era Harry. Ele não dissera que não poderiam namorar, pois ela correria perigo com ele, mas que quando tudo isso acabasse, ficariam juntos de novo? Bem, pelo que parecia, ele mudara de opinião bem depressa.
Balançou a cabeça para afastar esse pensamento, e concentrou-se em vestir-se para o café da manhã.
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Draco constatou que estava atrasado quando abriu os olhos e viu que estava sozinho no dormitório. Como se ele já não tivesse problemas o suficiente. Vestiu-se o mais rápido que pôde e saiu correndo para o salão principal, a fim de apanhar umas torradas antes do início da primeira aula. Ao chegar perto das portas de carvalho diminuiu o passo para evitar colidir com alguém que estivesse saindo, mas quem vinha do outro lado não teve a mesma percepção. O choque foi inevitável, causando uma dor aguda no ombro esquerdo. A garota, que por sinal ele não conhecia, estava no chão, e ele estendeu a mão para ampará-la, a qual ela aceitou com um sorriso sem graça. Draco ia apresentar-se quando ouviu alguém perguntar:
- Hera! Você está bem? – era a caçula dos Weasley, namoradinha do Potter. Então aquela garota tão linda estava andando com a Weasley.
- Sim, foi só um tombo... Por favor, me desculpe – começou ela, interrompendo-se logo em seguida - qual é mesmo seu nome?
- Sou Draco Malfoy. Muito prazer.
- Ah sim, sou Hera Heathcliff, e o prazer é todo meu. Mas me desculpe Malfoy, eu estava apressada e não te vi na minha frente.
- Sem problemas, acontece. Bom, se me dão licença, eu também estou com pressa. Heathcliff, Weasley. – disse o sobrenome da última juntamente a um cumprimento de cabeça, e ela não fez questão de disfarçar o espanto. Segurou-se para não rir enquanto se dirigia à mesa para pegar as torradas. Faria isso mais vezes de agora em diante.
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Assim que viraram o corredor Hera exclamou para quem quisesse ouvir:
- Pelas barbas de Merlin! Que garoto lindo!
- Você diz isso porque não sabe quem ele é – retrucou Gina, ainda encabulada com o fato do loiro tê-la cumprimentado.
- E por acaso você sabe?
- Primeiramente, a família dele sempre esteve ligada às artes das trevas, e são seguidores de Voldemort desde o início. Graças ao pai dele, eu quase morri no meu segundo ano, e tudo o que ele fez durante os cinco anos em que estive em Hogwarts foi zombar de mim e dos meus irmãos por sermos pobres,chamar a Hermione de sangue-ruim e Harry de testa-rachada ou outros apelidos idiotas sempre que possível. Pra ajudar, é um dos mais novos Comensais da Morte. Dumbledore deveria ter morrido pelas mãos dele, mas ele não teve coragem para matá-lo, então sobrou pro Snape. Quer mais algum motivo?
- Não, já soou bem convincente – disse a garota sem jeito – mas você não pode negar que ele é bonito, Gina!
- Ah Hera, tenha dó. – dizendo isso chegaram em frente à porta da sala de feitiços, onde o professor Flitwick já esperava em cima de sua pilha de livros.
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Já havia se passado quase um mês desde o início das aulas, e numa manhã de sábado Draco recebeu um bilhete pedindo que comparecesse à sala de DCAT.
- Entre Malfoy, e feche a porta. – disse Amico Carrow, comensal da morte e novo professor de Defesa Contra a Arte das Trevas. – Tenho uma pequena tarefa para você. Aqui mesmo, dentro da escola.
- E o que seria?
- A garotinha Weasley está freqüentando a escola. Ela namorou Potter, além dele ser quase da família dela. Ela com certeza tem informações não só sobre o paradeiro dele, como também deve ter de dentro da Ordem da Fênix. Interceptamos algumas cartas dela, mas a garota não é burra. Escreve em enigmas, mas pelo que entendemos, parece que Potter, o irmão dela e aquela sangue-ruim estão atrás de alguma coisa, e o que é mais estranho é que o irmão dela não está na escola porque tem um atestado médico, alegando sarapintose. Dê um jeito de descobrir alguma coisa. Tranque-se com ela em alguma masmorra, use a maldição Cruciatus e veritasserum se for preciso, mas precisamos dessas informações. Entendeu?
- Sim Carrow. Mais alguma coisa?
- Sabe aquela garota que veio transferida? Heathcliff? Descubra tudo o que puder sobre ela também. Ao que parece, os pais dela trabalham para a Ordem da Fênix. Draco, precisamos coletar o máximo de informações possível. O Lorde está ficando impaciente. Há meses não se tem rastro do Potter.
- Farei tudo o que for possível. Posso ir?
- Vá. Mas dê o máximo de si, Draco. Não queremos ver o Lorde zangado.
Draco saiu da sala apressado e bateu a porta com força. Como pudera acreditar que ficaria livre para fazer o que quisesse dentro de Hogwarts? Agora via como esta idéia havia sido tola e infantil. Quantas pessoas teria que torturar ali dentro? Alunos. Crianças inocentes! Enquanto tivesse aquela marca queimando em seu braço, não teria paz um único segundo.
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